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Entre outros assuntos, falo da escalada ao Pico Cão Grande e das minhas aventuras em canoas – Visam defender a teoria de que antigos povos africanos, podiam ter sido os primeiros povoadores das Ilhas do Golfo da Guiné, antes dos colonizadores – Parti à meia-noite, disfarçado de pescador, ligando a ilha do Príncipe. Para me orientar, uma rudimentar bússola – A canoa era minúscula, à segunda noite adormeci: rolei na escuridão das vagas. No regresso fui distinguido com sopapos da policia salazarista, enviado para os calabouços – Cinco anos depois, numa piroga maior, fiz a ligação São Tomé-Nigéria. Partindo igualmente à noite, 13 dias depois atingia uma praia de Calabar, tendo sido detido 17 dias por suspeita de espionagem. - No mesmo ano, já com São Tomé e Príncipe independente, tentei a travessia São Tomé ao Brasil, usando os mesmos recursos. Além de pretender reforçar a minha teoria, desejava evocar a rota da escravatura e repetir a experiência de Alain Bombard. Porém, quis a ironia do destino que vivesse a difícil provação de um naufrágio de 38 longos dias, tendo aportado numa praia de Bioko (Bococo)onde fui recambiado para a famosa prisão de Black Beach

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

TITANIC - A HOMENAGEM SENTIDA AOS QUE PARECERAM A BORDO E AOS QUE SOFRERAM A ANGÚSTIA DA ESPERA ATÉ SEREM SOCORRIDOS...

AO MENOS QUE OS SEUS DESTROÇOS SEJAM RESGATADOS DO FUNDO DAS GÉLIDAS ÁGUAS PARA QUE O TEMPO NÃO APAGUE A MEMÓRIA DOS GRITOS DAQUELES QUE SE AFOGARAM A BORDO



No domingo passado fui visitar a magnifica exposição do Titanic que é apresentada no edifício da Estação do Rossio, em Lisboa - Percorri-a demoradamente, em religioso silêncio e meditação.

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Quando de lá saí e fui assinar o livro de honra, não me contive em emoção e lágrimas. Tanta memória aquelas imagens e objectos me trouxeram! Tan
tas visões! Tantas recordações que pude ir buscar também ao meu passado de náufrago! - Foi, como que, se eu, subitamente, também tivesse feito parte daquela fatídica viagem - E, todavia, as minhas viagens, as minhas aventuras, foram bem diferentes: não a bordo de um gigantesco navio mas no estreito côncavo de frágeis pirogas, tendo apenas uma modesta bússola para me orientar. Face à impressão causada por aquela exposição e aos múltiplos sentimentos que me provocou, eis por que me dei a escrever os singelos versos ( ou mais propriamente textos em forma poética) e que aqui tomo a liberdade de reproduzir - Estou certo que compreenderão o motivo por que o faço.

ERA ENTÃO UM ESBELTO E MODERNO NAVIO…HOJE NÃO É MAIS QUE UM DOS MUITOS DESTROÇOS QUE JAZEM E APODRECEM NO FUNDO DOS ABISMOS…

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Grita-se aos gélidos céus! Implora-se  compaixão!
Ouvem-se gritos lancinantes! Ecos de vozes,aturdidas!
Vozes desesperadas, suplicando piedade às alturas, a Deus!
Almas aterrorizadas, aflitas, ante a 
negra e vasta imensidão!
Que o mar abafa, mergulha, envolve e afoga em negro turbilhão!


Cenário sideral! - Fantasmagórico! irreal!
Gélida e diluída imagem de aflição e tragédia! 
Negramente ondulante, indistinta, pavorosa e  informe!
Aquele magnífico navio - que à luz do dia - parecia glorificar...
Os mares e os céus!...É agora mero brinquedo partido e pique!

Massa gigante esquecida, vulto perdido, que se afunda e perde!
Grotesco e sombrio volume de ferros,rangendo num mar cruel! 

Tudo se confunde e dilui na mesma vertigem povoada de aflição e pavor! 
Imersa de tumulto, de  múltiplos rumores! - Sufocada de desespero e solidão!...
Em redor - nos gélidos mares! - corre e rumoreja, uma aragem solta de cinza e desamor!
Perpassada de terríveis presságios!... De lágrimas que se perdem lavadas de áspero gelo e sal!

Plangente e chorosa!... - De imenso abandono e esquecimento, horrivelmente  afogado e triste!
Nos vivos, paira o pesadelo sobre o mar! - O espelho da angustiosa aflição, desespero e morte! 
Dos corpos, que bóiam afogados à superfície das gélidas águas?!... Nem o menor vagido ou voz! Já não fazem parte deste mundo! - Afogaram-se!... Alguns vão rolando  ao fundo dos abismos!
São o vulto fugidio das liquidas sombras! - Cadáveres submersos! Nada mais  têm para contar 







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Cenário gélido e perturbador! - Oh  - e até os céus!
Dos mais altíssimos, indiferentes e  impiedosos céus !.. 

Donde ainda brilham escassas e  longínquos estrelas no infinito!
Do alto nada mais sobra ou resta que a sideral e surda mudez!
Embora - aqui e além -  sobre a imensa e negra vastidão ! 
Se rasguem, diluam  ou cerrem  abertas de estranhissima claridade!
A dissipar a escorrência espessa que rodopia  em negro  e gelado torvelinho! 

SOLIDÃO, O VAZIO E A MORTE!...


Para onde quer que se olhe, não há vivalma!
Ninguém acorre em socorro!... Nenhum farol se avista!…
Nem uma pontinha de luz se descobre!...
Até as estrelas, que, lá no alto,
costumam ser tão rutilantes, não brilham!
Parecem agora ainda mais longínquas, distantes!
- Estão apagadas, escondidas!... Sumiram-se!
E, mesmo os que sobrevivem e vogam à sorte,
para eles, até parece que já nada existe! 

- Senão o vazio, o abandono e a morte!.

Jorge Trabulo Marques


 


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domingo, 26 de julho de 2009

ANTES DE HAVER LUZ, A IDEIA DE LUZ BRILHAVA, EM DEUS QUE A PENSAVA...



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 .LINKS PARA MAIS FÁCIL ACESSO A OUTRAS POSTAGENS:***ROCEIROS COMANDADOS POR TENENTE-CORONEL SPINOLISTA - POR POUCO NÃO PROVOCARAM UM SEGUNDO MASSACRE DO BATEPÁ 

ESPIA “MATA HARI*****SÃO TOMÉ E A GUERRA DO BIAFRA******CIA EM SÃO TOMÉ,.************* 36 ANOS DE INDEPENDÊNCIA ****** NÁUFRAGO POR VONTADE PRÓPRIA*******(2)SÃO TOMÉ  E PRÍNCIPE -ANTIGAS ILHAS ASBEN E-NAUFRÁGIO  .****36 ANOS DE INDEPENDÊNCIA****(1)SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE - ANTIGAS ILHAS POVOADAS POR CANOAS AFRICANAS..*****23º DIA À DERIVA NO GOLFO DA GUINÉ****SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE E A MATANÇA DOS ESCRAVOS****"22º DIA DE MAR,11 DE NOVEMBRO EM TERRA*****"COM A FÚRIA DOS VENTOS PORCELOSOS*****HOJE É DIA DA INDEPENDÊNCIA DE ANGOLA:****CANCÃO DO MAR****PEREGRINO DA LUZ NA TERRA E NOS MARES****QUANDO OS TUBARÕES ATACAM****VOGANDO A COBERTO DA NOITE E À FLOR DO MAR.******TITANIC - A HOMENAGEM******MARES DE ONTEM, DE HOJE E DE SEMPRE.****ANTES DE HAVER LUZ, A IDEIA DE LUZ BRILHAVA*****PERDIDO NO GOLFO DA GUINÉ:*****POETAS!... VINDE VER O MAR!***** SÃO TOMÉ - NIGÉRIA******NO MAR DOS TORNADOS E DOS TUBARÕES -*******HISTÓRIA SINGULAR DE UM NAVEGADOR SOLITÁRIO***** ATITUDE DE JORGE MOYSÉS TEIXEIRA. COIMBRA******ESCALADA VERTICAL DO PICO CÃO GRANDE* ****AZEREDO PERDIGÃO, O QUE ME REVELOU **

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SÓ O MAR A BRAMAR, A BRAMAR!...

Ó minha saudosa e branca aldeia!
Dos longos dias triunfais da minha infância!
Oh, quanto vos recordo!
Quão longe, agora, estais da minha beira!
Quanta saudade vai no meu coração!
Quanto, em vão, agora me lembrais!...

Ó vasta solidão Ó imenso mar!!...
Ó inclemente Sol dos altos céus!
Ó Vós, que lá de tão alto me olhais!
Ó Deus do Mar e dos Céus!
Aonde, agora, minha barca me levais?!...

Onde está o altivo campanário
da antiga igreja?!... O adro, o negrilho?!...
Onde estão os trilhos das Quebradas,
As ondulantes searas?!... Os dourados
montes de centeio e de trigo?!...,

E a nossa ribeira com os dourados milheirais!
O marulhar verdejante dos choupos,
O cantar das cotovias e dos pardais!?...
- As suaves noites de Verão
banhadas de luar prateado!
Onde está o lindo vale
com as espigas de milho dourado?!
Onde está agora tudo isso?!...
Ó minha querida aldeia,
em que ponto do mar me encontro,
em que distante ponto do horizonte
agora eu de vós estou e de mim estais?!!...

Ó erma vastidão!... - Tenebrosos Mares!
Ó impiedosos Céus!!... Tende, de mim, piedade!
Tende, de mim, compaixão!... - Estou convosco, sozinho!!...
Ó Deus Meu! - Onde estais?!... A que erma direcção
e por que errático caminho - Ó Mar! Ó Céus! -
À toa derivo, perdido e solto, agora me levais?!!...

Jorge Trabulo Marques



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domingo, 19 de julho de 2009

“MAR DO SAL DA VIDA E DAS SEPULTURAS POR ABRIR MAS SEMPRE PRONTAS"PORQUE ME ACEITASTE NAS TUAS ONDAS SE NASCI MAIS PERTO DOS RIOS E TÃO LONGE DE TI?!



“Mar das altas vagas espraiadas,
Mar que respiras com longas e convulsivas exalações
Mar do sal da vida e das sepulturas por abri mas sempre prontas,
Mar que uivas e cinzelas as tempestades, mar caprichoso e requintado,
Eu faço parte de ti, sou de uma e todas as fases."

Walt Whitman
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 (...)
E eu sinto a minha vida de repente
Presa por uma corda de inconsciente
A qualquer mão nocturna que me guia

Sinto que sou ninguém salvo uma sombra
De um vulto que não vejo e que me assombra,
E em nado existo como a terra fria

Fernando Pessoa


Sou dos que procurou na vasta planície dos mares, os caminhos solitários que nos conduzem da luminosa claridade do dia à noite mais imensa e profunda, e, sob o olhar vagabundo e mergulhado nas trevas, a Luz que ilumina e poderá revelar a Verdade Eterna!...




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Depois de ter procurado o genuíno Deus na solidão dos mares ( e julgo tê-lo encontrado - ou pelo menos a consciência de me ter ajudado a descobrir o sentido da vida!) enfrentando tempestades, superando podres calmarias, a fome, a sede, enfim, arrostando as maiores vicissitudes e perigos vários (longe, muito longe, do meu país e da terra que me viram nascer), eis porque, após o meu regresso das lindas Ilhas de São Tomé e Príncipe - deixando para sul o imenso Golfo - me voltasse, não para os vastos e desconhecidos horizontes marinhos, mas de novo para os lugares abençoados do meu berço! Planáltico granítico, onde se circunscrevem, puros e largos espaços, que, desde criança, se me tornaram bem familiares - Cedo aprendi a amá-los e a conhecê-los! Palmilhando-os, porém, quantas vezes descalço, por caminhos e atalhos de fragas e de abrolhos!...

São, pois, estes os sítios mais queridos e abençoados da minha vida! Para onde me dirigi após longa ausência e onde fui retomar a minha sempre insatisfeita e persistente ânsia de procura do divino.

Esse é o meu retiro predilecto, o lugar eleito das minhas fugas da cidade para o campo, onde peregrino, sempre que posso, nos meus devaneios espirituais. Pois é lá, ante a vasta linha daqueles largos horizontes, que eu sinto, bem presente, o vibrar da minha identidade, a suave harmonia das minhas raízes, o genuíno pulsar da minha origem, desde o seu lado mais ancestral até ao mais próximo. Porém, mais de que o torrão que me viu nascer, o que ali revejo e descubro, a cada passo, é a visão de um lugar sagrado, cenário eminentemente espiritual, que convida à contemplação e à purificação do corpo e da alma - À inexplicável percepção de quem tem o privilégio de pressentir ou de escutar um hino de serenidade e de louvor a Deus!

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Mais pormenores em: .http://www.templosdosol-chas-fozcoa.com/2011/03/equinocio-da-primavera-2011-o-nascer-do.html

segunda-feira, 13 de julho de 2009

MARES DE ONTEM, DE HOJE E DE SEMPRE...





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MARES DA MINHA VIDA...

A vós, lendários mares do sul, eu vos saúdo
com todo amor e bondade do meu coração!
Eu vos bendigo em exaltação ao génio Criador!
Eu vos evoco pelos momentos de rara beleza e de imensa alegria,
e também de outros de não menor tristeza e dor, por mim vividos,
durante dias e dias a fio, no meio da vossa vastidão!
- Obrigado por haverdes compreendido a minha temeridade.
a minha intenção!... Fui um homem de sorte!... - Obrigado, também,
por, antes de mim, haverdes poupado outras vidas às garras da morte!

 .

Embora, já muito longe de vós, na distância e no tempo
(pois, há quantos anos vos não vejo? ó mares da minha vida,
ó mares da minha perdição! - nem por isso deixo de perscrutar
os vossos chamamentos, de escutar os vossos rumores e rugidos!
- Ouço-os, claramente! - Sobretudo nos momentos
mais meditativos, mais pensativos,
à semelhança do que me acontecia, quando,
na solidão do caos tempestuoso, sozinho me debatia
por entre a fúria das enormes vagas - Ó imensidade!
Ó pálido e brumoso mar!... Ó noites de mar tenebroso e bravo!
Noites fosfóricas, de assombrosa aparição!...

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Recordo e choro, às vezes, ainda o pesadelo,
a angústia sentida desses cruciais instantes!...
Relembro-os e perscruto-os de olhar triste e magoado,
como se estivesse ainda a ver as cristas brancas
a ondularem ao largo, a levantarem-se do fundo das sombras,
tão altas que até quase tocavam as difusas estrelas,
e, subitamente, a estrondearem e a desfazerem-se ao meu lado!
- E eu, pobre de mim, vagueando, nesse horror alucinante!...
Rolando, rolando, pela noite adiante, só e desamparado!
Errando, errando, na pequena piroga, sem rumo e sem destino,
no meio do tumulto avassalador, no centro rodopiante,
do turbilhão fervente e ameaçador! - Transido
pela humidade! Ensopado como um trapo. Mortificado
pela sede e esfomeado!… Um verdadeiro farrapo!
Todavia, lutando, resistindo,
não resignado, não vencido!

Ó ondas lívidas e soluçantes! Ondas lúgubres
e agrestes dos trágicos naufrágios! - Ainda hoje
aos meus ouvidos, vão ecoando, vão soando, repercutindo,
os ecos de todos os estrondos, sílvios e ruídos
da vossa portentosa orquestra! Ainda agora ouço o ressoar
de todos esses sons! - No marulhar de vós, distingo - ó impiedosa
negridão! -, por entre o rebentar e o estertor dos vossos rugidos,
o imenso clamor dos gritos, os rumores dos milhentos gemidos,
choros e súplicas, os ecos das imensas vozes aflitas,
perdidas, já agonizantes, moribundas, das pobres almas
que foram tragadas! - Sim, dos inumeráveis desgraçados
que se perderam, que foram esquecidos, abandonados,
no louco torvelinho das águas!

Ai de vós, ó pobres náufragos!
Ai de vós, desventurados! - Foi horrível
o vosso sofrimento - eu sei! Também experimentei
no corpo e no espírito o mesmo drama!
Porém, se estais em paz no outro mundo, continuai em paz
no mesmo limbo! Esquecei o infortúnio que cedo vos levou!
Não o choreis!... Ninguém mereceria as vossas lágrimas!
- Naqueles momentos fatídicos, tudo permaneceu impassível!
Ninguém se compadeceu com a vossa aflição e vos estendeu a mão!
Lá do alto, um silêncio de morte, e em redor,
o mundo a desabafar sobre vós, a sepultar-vos!
Tudo vos abandonou e vos esqueceu!...

Jorge Trabulo Marques