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Entre outros assuntos, falo da escalada ao Pico Cão Grande e das minhas aventuras em canoas – Visam defender a teoria de que antigos povos africanos, podiam ter sido os primeiros povoadores das Ilhas do Golfo da Guiné, antes dos colonizadores – Parti à meia-noite, disfarçado de pescador, ligando a ilha do Príncipe. Para me orientar, uma rudimentar bússola – A canoa era minúscula, à segunda noite adormeci: rolei na escuridão das vagas. No regresso fui distinguido com sopapos da policia salazarista, enviado para os calabouços – Cinco anos depois, numa piroga maior, fiz a ligação São Tomé-Nigéria. Partindo igualmente à noite, 13 dias depois atingia uma praia de Calabar, tendo sido detido 17 dias por suspeita de espionagem. - No mesmo ano, já com São Tomé e Príncipe independente, tentei a travessia São Tomé ao Brasil, usando os mesmos recursos. Além de pretender reforçar a minha teoria, desejava evocar a rota da escravatura e repetir a experiência de Alain Bombard. Porém, quis a ironia do destino que vivesse a difícil provação de um naufrágio de 38 longos dias, tendo aportado numa praia de Bioko (Bococo)onde fui recambiado para a famosa prisão de Black Beach

segunda-feira, 8 de março de 2010

QUANDO OS TUBARÕES ATACAM NAS HORAS DESOLADAS E MORTAS....




Imagem captada no momento do ataque do tubarão - o barrote que se vê, estava atravessado de través e servia para ajudar a conferir algum equilíbrio à canoa, na triste deriva em que vogava

Image captured at the time of shark attack - the beam can be seen, was crossed abeam and served to help give some balance to the canoe, in which floated sad drift.




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ESPIA “MATA HARI*****SÃO TOMÉ E A GUERRA DO BIAFRA******CIA EM SÃO TOMÉ,.************* 36 ANOS DE INDEPENDÊNCIA ****** NÁUFRAGO POR VONTADE PRÓPRIA*******(2)SÃO TOMÉ  E PRÍNCIPE -ANTIGAS ILHAS ASBEN E-NAUFRÁGIO  .****36 ANOS DE INDEPENDÊNCIA****(1)SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE - ANTIGAS ILHAS POVOADAS POR CANOAS AFRICANAS..*****23º DIA À DERIVA NO GOLFO DA GUINÉ****SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE E A MATANÇA DOS ESCRAVOS****"22º DIA DE MAR,11 DE NOVEMBRO EM TERRA*****"COM A FÚRIA DOS VENTOS PORCELOSOS*****HOJE É DIA DA INDEPENDÊNCIA DE ANGOLA:****CANCÃO DO MAR****PEREGRINO DA LUZ NA TERRA E NOS MARES****QUANDO OS TUBARÕES ATACAM****VOGANDO A COBERTO DA NOITE E À FLOR DO MAR.******TITANIC - A HOMENAGEM******MARES DE ONTEM, DE HOJE E DE SEMPRE.****ANTES DE HAVER LUZ, A IDEIA DE LUZ BRILHAVA*****PERDIDO NO GOLFO DA GUINÉ:*****POETAS!... VINDE VER O MAR!***** SÃO TOMÉ - NIGÉRIA******NO MAR DOS TORNADOS E DOS TUBARÕES -*******HISTÓRIA SINGULAR DE UM NAVEGADOR SOLITÁRIO***** ATITUDE DE JORGE MOYSÉS TEIXEIRA. COIMBRA******ESCALADA VERTICAL DO PICO CÃO GRANDE* ****AZEREDO PERDIGÃO, O QUE ME REVELOU *

VIGÉSIMO SÉTIMO DIA - Excertos do Diário.

É já manhã do 27º dia... Passei uma noite chuvosa. Quase sempre acordado para tirar água fora da canoa. Estou todo molhado, todo alagado em água!...

Já tive a visita do perigoso tubarão, que investiu logo contra a minha canoa!... Dei-lhe umas machinadelas e foi-se embora!... Entretanto já apareceram aqui dois tubarões martelos e fiquei mais descansado ... Afastam os escuros, os mais perigosos!..

São aí três da tarde. ..Há pouco tive a impressão de ter visto terra mas afinal de contas não vejo nada!... Estou cheio de fome e está um calor de matar!... É mesmo um calor forte! Sinto-me cansado

É talvez a uma da manhã. Está uma noite de luar. ..Até agora o tempo tem estado bom; o mar é que tem estado agitado.

Todas as noites vêm aqui dormir á popa e á proa da canoa, duas aves... Parece que são as mesmas...Uma branca e outra é preta.
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Peregrino do mar e da terra - em demanda da claridade e do conhecimento..



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ATACAM NAS HORAS MAIS FATÍDICAS!.


O mar não me dá tréguas!...
Não me dá uma pausa de descanso!...
Raros os momentos de absoluta tranquilidade!...
Tenho sempre o meu coração suspenso, em sobressalto!
Todos os meus sentidos em alerta máximo!.

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Mas a minha tristeza e o meu infortúnio
nem sempre me deixam isolado... também têm
os seus visitantes inesperados!... – Mas muito indesejados!...
Mesmo assim, ignoram os meus pacíficos sentimentos
e não deixam de voltar com assiduidade!..
- Quando vêm em cardumes, não se demoram...
Espalham-se para todos os lados, e, conforme chegam,
assim desaparecem!... Mas, quando solitários e bem maiores,
noto que não há nada no mar ou fora das águas
que os amedronte e lhes refreie o ínvio instinto
de vorazes predadores: rodopiam e avançam velozes...
Jamais se aquietam e acalmam!.. - Não dormem, nem param!

São os temíveis tubarões gigantes!...
Surgem nas horas malditas!... Nas horas aziagas
que antecedem as tempestades, os habituais tornados,
quando o horizonte se reveste de ameaçadoras névoas,
o céu se cobre e tinge de cinza, a cor do mar se altera:
passa de azul cobalto a um mar de chumbo ondulado!...

São a imagem viva da morte aos olhos aterrorizados
dos náufragos e desamparados!... Atacam quase sempre!...
Até parece que sabem escolher os momentos fatídicos
para serem bem sucedidos com os seus fulminantes golpes!...

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Vêm sempre ladeados por uma autêntica flotilha
de pequenos peixes zebrados! – Lembram
pequenos submarinos de guerra!... Há quem os endeuse
e diga que são seres pacíficos... Mas tudo isso é muito contingente...
Aqui portam-se como feras! - Quais sinistras criaturas vigilantes,
a fazerem em surdina os seus giros... Com a barbatana dorsal
singrando à flor das águas, tal qual uma navalha apontada aos céus!..
- Investem com inesperada ferocidade!.. . -Afasto-os à machinada!..
Depois deixam-me em paz... Uma paz podre, temporária...
Até agora tenho tido muita sorte...


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Pobres náufragos de todos os tempos e de todos os mares!
Tristes miseráveis desamparados! - Quando a estrela
mais misteriosa do fundo do mar ou a mais alta na Via Láctea
vos abandona e vos não protege, oh má sorte a vossa!!...
- À mercê de todos os perigos!
Vogando em pequenas balsas
ou em troncos escavados,
empurrados por tempestades,
desviados do vosso destino!
Na iminência de serdes tragados
na voragem das vagas
ou de servirdes de felino repasto
à irracionalidade predadora de vorazes esqualos!
..

Oh angústia das noites eternas e agitadas por tempestades!
Em turbados mares de cóleras selvagens e corações desesperados!
Oh olhos perdidos na solidão nocturna de erráticos caminhos!
Oh desamparo imenso que habita as horas malditas e incertas!
Oh inconsoláveis mágoas na linguagem antiquíssima das espumas!

Ó Senhor dos Navegantes! Ó coração piedoso pai dos Mareantes!
As preces e gritos ecoam no vazio mas as vozes são vos dirigidas!
Não as entregueis a tão triste sina - Nos derradeiros instantes,
lançai-lhe uma corda salvadora, um olhar largo solidário e amigo
mas, sobretudo, mão carinhosa que as socorra e afaste do perigo!

Jorge Trabulo Marques.



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