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Entre outros assuntos, falo da escalada ao Pico Cão Grande e das minhas aventuras em canoas – Visam defender a teoria de que antigos povos africanos, podiam ter sido os primeiros povoadores das Ilhas do Golfo da Guiné, antes dos colonizadores – Parti à meia-noite, disfarçado de pescador, ligando a ilha do Príncipe. Para me orientar, uma rudimentar bússola – A canoa era minúscula, à segunda noite adormeci: rolei na escuridão das vagas. No regresso fui distinguido com sopapos da policia salazarista, enviado para os calabouços – Cinco anos depois, numa piroga maior, fiz a ligação São Tomé-Nigéria. Partindo igualmente à noite, 13 dias depois atingia uma praia de Calabar, tendo sido detido 17 dias por suspeita de espionagem. - No mesmo ano, já com São Tomé e Príncipe independente, tentei a travessia São Tomé ao Brasil, usando os mesmos recursos. Além de pretender reforçar a minha teoria, desejava evocar a rota da escravatura e repetir a experiência de Alain Bombard. Porém, quis a ironia do destino que vivesse a difícil provação de um naufrágio de 38 longos dias, tendo aportado numa praia de Bioko (Bococo)onde fui recambiado para a famosa prisão de Black Beach

quarta-feira, 27 de julho de 2011

CIA EM SÃO TOMÉ INFILTROU-SE PARA BOICOTAR A DESCOLONIZAÇÃO A PEDIDO DO GENERAL SPÍNOLA E SOB PRESSÃO DOS ROCEIROS QUE TENTARAM UMA REVOLTA ATRAVÉS DO COROENL RICARDO DURÃO, QUE ALI FORA COMANDANTE DO CTISTP








Por Jorge Trabulo Marques - Jornalista - com um vídeo e algumas imagens mais recentes 

O Cônsul dos EUA, em Luanda,  deslocou-se a S. Tomé, no período mais conturbado que antecedeu a independência do arquipélago. Eu era o delegado da revista angolana Semana Ilustrada e, entre as pessoas com quem falou, eu fui uma delas. O governo americano desconhecia o que ali se passava e, pressionado pelo General Spínola, que se opunha à independência daquela antiga colónia, deu instruções ao diplomata, acreditado em Angola, para se deslocar imediatamente com duas missões: recolher o máximo de informações possíveis do movimento pró-independentista e arregimentar um  colaborador para a CIA - Colocando à sua disposição todos os meios técnicos e pagando-lhe o que fosse preciso: essa proposta foi-me apresentada pessoalmente mas recusei trair a confiança nos meus amigos da Associação Cívica e colocar-me ao lado dos colonos, que só não me mataram porque não puderam,







O Sr. Everett Ellis Briggs, precisava urgentemente de elaborar um relatório sobre a situação  política e económica de S. Tomé e Príncipe. Queria saber se as ilhas dispunham de recursos económicos para serem independentes.  E necessitava de enviar esse relatório  à sua Administração, antes do General Costa Gomes discursar na ONU e ser recebido,  com Mário Soares, na Casa Branca, pelo então Presidente Gerald Ford e  o  Secretário de Estado Henri Kissinger -Veio a S. Tomé propositadamente com esse propósito - Entre as várias pessoas que contactou, eu fui uma delas. Porém, de mim, não pretendia apenas  uma opinião, quis convidar-me para colaborador da agência Central de Inteligência  

 Entre as várias informações que desejava recolher, depreendo que pretendia também a apalpar o terreno para o possível êxito do golpe contrarrevolucionário dos roceiros  .

Quando  me procurou, obviamente que não foi para me confidenciar as suas intenções mais secretas. Porém,  a interpretação que  eu acabaria por fazer das suas diligências,  prendia-se também com   o golpe, que estava a ser perpetrado por roceiros e com apoio externo dos spinolistas,.  - Esse era o objectivo do anterior Comandante do CTISTP,  um Tenente Coronel, que, uns dias depois, ali  iria desembarcar: - Só que, para seu azar, nem sequer chegou a sair do aeroporto; foi obrigado a regressar no mesmo avião. (veja os pormenores em SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE E O 25 DE ABRIL – MOVIMENTO DAS FORÇAS ARMADAS


Os roceiros estavam fortemente armados! Até com metralhadoras, que haviam entrado clandestinamente,   descarregadas de uma baleeira, na Praia Grande, ao sul da Ilha. Conto referir-me a esta questão em próxima postagem.  Nas propriedades agrícolas, havia muitas armas: as velhas Mauseres, que foram usadas pela infantaria Nazi.Com que habitualmente se treinavam os colonos.  Também eu, aos 18 anos, fui obrigado a participar, nesses treinos, quando lá trabalhei como empregado de mato - A imagem ao lado, sou eu, à entrada da Praia Roça Uba-Budo,  e um pouco mais ao fundo, ficava o campo de tiro ao alvo, onde, aos Domingos  de manhã, cada branco fazia para ali a fogachada que quisesse


NÃO FUI ESPIÃO DA CIA PORQUE NÃO QUIS - ERA UM RISCO MUITO GRANDE MAS SOBRETUDO MAIOR ERA AINDA A TRAIÇÃO – DESDE LOGO A RECUSEI E   NÃO ME VENDI AOS QUE SE OPUNHAM À INDEPENDÊNCIA E QUE SÓ NÃO ME LINCHARAM, PORQUE NÃO PUDERAM 


APÓS INVADIREM O PALÁCIO DO GOVERNO E INSULTAREM O GOVERNADOR MAL ME VIRAM NAS IMEDIAÇÕES, UMA AUTÊNTICA MULTIDÃO DE COLONOS BRANCOS, LOUCOS E ENFURECIDOS, MUNIDOS DE MACHINS, DESATOU A CORRER ATRÁS DE MIM  -  SE ME APANHASSEM,  TERIA SIDO DEGOLADO E DESFEITO!... ESPALHARAM-SE POR TODAS AS RUAS E O QUE ME VALEU FOI TER DESCOBERTO A ESCADA DE UMA PORTA ABERTA E REFUGIAR-ME NO TELHADO DESSE PRÉDIO

MESMO ASSIM, QUANDO CORRIA À SUA FRENTE, AINDA LEVEI COM UMA PEDRA NA CABEÇA e outra nas costas - Depois de descarregarem toda a ira e ódio na minha modesta viatura, furando-lhe os quatro pneus à navalhada, arrombara-me a casa, partiram-me tudo: escaqueiraram-me a máquina de escrever, onde nem sequer ficou um simples copo inteiro para beber água - Não satisfeito com a malvadez, deixaram uma forca pendurada na porta, e, na parede ao lado,  uma cruz desenhada e a inscrição: " a morte sanciona cada traidor".

TIVE QUE ME REFUGIAR, EM CASA DE UM SANTOMENSE: dos pais do Constantino Bragança, que, tendo assistido à perseguição, se deslocou à noite ao local para me colher no seu modesto casebre, algures no mato: Sr. Jorge! Pode descer, que os brancos foram todos para o quartel da Polícia Militar e do Cinema Império e venha para a minha casa




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 A minha casa ficou irreconhecível, num monte de destroços. Como não me apanharam lá no seu interior,  deixaram-me à porta  o laço da prometida forca de corda. Pelos vistos, em qualquer parte do mundo, os jornalistas são sempre as primeiras vítimas. É neles que descarregam todos as iras e ódios. Ainda hoje, ao escrever estas linhas, se me toldam os  olhos, tal os maus momentos por que passei. Ao meu modesto carro, por duas vezes, lhe furaram os pneus à navalhada.- Não me importo de ser confrontado com os elementos  da natureza mais hostil, mas ser  atingido pelo ódio humano é mil vezes pior!...Não é medo é um sentimento de profunda tristeza e revolta.


NÃO DEIXEI PORÉM DE LHE DAR A MINHA OPINIÃO  TRANSMITI-LHE AQUILO QUE EU CONSIDERAVA MAIS IMPORTANTE PARA EVITAR UM BANHO DE SANGUE  

- Que era, no fundo, o que poderia vir acontecer, caso o então Tenente-Coronel Ricardo Durão, não tivesse sido recambiado. As informações que lhe prestei,  foram sobretudo sobre as possibilidades económicas das ilhas e o que eu pensava dos tais "agitadores". Claro,  uma opinião completamente diferente das que lhe haviam fornecido.


ESTOU CERTO QUE, SE  ACEITASSE A  PASTA CARREGADA   DE NOTAS DE CEM DÓLARES  DO SR. EVARETT BRIGGS (que muito jeito me davam, é verdade, mas o dinheiro não é tudo)  PARA MIM TERIA SIDO  TALVEZ MAIS COMPLICADO DE QUE FAZER POUSAR UM ENXAME DE ALGUNS QUILOS DE ABELHAS AFRICANAS NO QUEIXO


Sugeri-lhe que devia falar com os dirigentes da Associação Cívica (Pró-MLSTP) para melhor se inteirar dos seus objetivos. De qualquer modo, nesse mesmo dia, eu dei conhecimento do encontro, que ele teve comigo,  a um militante da referida Associação - Mas já estava referenciado: já toda a gente sabia que andava um americano à solta na cidade, quase armado em turista.  E o turismo, naquela altura,  não existia.  

Um dado curioso: as perguntas, em que mais insistia, eram as relacionadas   com a existência ou não de petróleo. Respondi-lhe que havia muito  petróleo numa lagoa da montanha, onde era habitual os trabalhadores da roça abastecerem-se para a sua própria iluminação. Nesses momentos, os seus olhos até faiscavam de contentamento!  

Vi perfeitamente que podia ser bem remunerado, mas  recusei prestar-me a tão vil tirania e trair-me os meus amigos, que lutavam pela independência da sua terra - a qual  também eu tanto amava- : Ele conhecia-me através da minha colaboração na Semana Ilustrada,  sabia que eu era o único branco que tinha as melhores relações com a Associação Cívica (que então representava o MLSTP, ainda sediado  em Lebreville. 

Mas tinha obrigação de saber que eu não estava na sua barricada nem na dos colonos. Bastaria que fizesse essa pergunta a qualquer colono - Mas só fez perguntas sobre a Associação Cívica Pró-MLSTP . Na sua perspetiva, os brancos eram especiais e tinham de estar todos unidos à volta da bíblia colonialista


A bem dizer, como jornalista, eu procurei   ouvir  os vários dirigentes de associações e movimentos. E, nesse aspecto, os meus artigos e reportagens, são disso o melhor testemunho.  Mas, em termos ideológicos, eu não estava ao lado do colonialismo.  A fase do disfarce estava ultrapassada.  A agonia e o seu estrebuchar, estavam em marcha! 

Claro que não se pode agradar a toda a gente. Sobretudo, com  as denúncias dos massacres do Betepá - dos quais era proibido falar antes do 25 de Abril - E, esses artigos e a divulgação de imagens, não apenas chocavam, quem ainda sentia a dor pessoal ou de familiares e amigos, como enraiveceram aqueles que mantinham ainda a consciência pesada das suas maldades. E, por essa altura, ainda havia muitos colonos,  que haviam pegado em armas e matado muitas pessoas inocentes e indefesas. 

Everett Ellis Briggs  tinha obrigação de se ter informado melhor, mas pareceu-me um mau e atabalhoado diplomata  e muito pouco vocacionado arregimentar hostes para a sua Agência – Lança-me o convite do pé para a mão como se eu fosse algum dos seus funcionários. Habituado, talvez, à cretina  ideia  do passado da CIA, de, que,  o dinheiro tudo compra e tudo corrompe  - Percorreu a cidade de táxi à minha procura, e, quando me encontrou, queria que eu fosse nesse mesmo carro para conferenciar com ele no mato.

     Sim, mas vendo bem, ele não estava enganado: “há sempre alguém que diz não”, mas há também sempre alguém que diz sim: houve quem fosse na isca e  aceitasse a  proposta, conforme vim apurar mais tarde.

QUEM ACEITOU A ARRISCADA TAREFA, FOI  O ALEMÃO DR. KRAUNE. (POR SINAL, UM BOM AMIGO)  - JULGO QUE FOI ELE QUE TERIA FICADO COM  OS MEIOS TÉCNICOS QUE  O CÔNSUL ME  QUERIA PÔR À DISPOSIÇÃO - E A PROVA É QUE, MAIS TARDE,  TEVE QUE SE RASPAR APRESSADAMENTE  PARA O GABÃO NO SEU CATAMARÃ,  QUANDO TERÁ PRESSENTIDO QUE LHE HAVIAM DESCOBERTO A CARECA E QUE PODERIA SER PRESO.

FUI ABORDADO, NA AVENIDA DA MARGINAL, PELO  CÔNSUL AMERICANO, SR.   EVARETT BRIGGS - QUE QUERIA FALAR COMIGO FORA DA CIDADE - "NUM LUGAR ONDE PUDÉSSEMOS ESTAR MAIS À VONTADE".

2015 - banco onde nos sentámos 
Vivia-se, por aquela altura, um clima de grande instabilidade. A cidade à noite ficava deserta. Muitos dos colonos haviam-se refugiado num quartel da tropa portuguesa. Mais por precipitação de que por as suas vidas correrem perigo. Mas sentia-se que havia realmente receio e uma tensão generalizada de parte a  parte. Já não me recordo do dia ou do mês em que o cônsul me contactou. Mas sei (dito por ele) que  foi a três dias da deslocação de Costa Gomes a Nova Iorque, onde ia discursar  perante a Assembleia Geral das Nações Unidas, sobre  o andamento da descolonização.  - Aliás, foi com essa a explicação com que se justificou para pedir a minha opinião

Encontrou-me no passeio da marginal, frente à praia de São Pedro, da Baía de Ana Chaves, olhando as canoas que ali se perfilam na fina língua de areia. Onde andava já a congeminar a travessia de canoa de .Tomé à Nigéria – Nisto, apercebo-me que um táxi pára junto de mim, ao mesmo tempo que vejo sair  de lá um sujeito, alto, ainda meio curvado - talvez  pelo incómodo das várias andanças à minha procura – Pois, ao abordar-me confessava-me que já tinha percorrido toda a cidade:  “Oh! Finalmente, encontro o Sr. Jorge Marques!”..

Traz consigo uma pasta preta na mão (cheia de dólares e um emissor) . Veste calça de tireline tropical.  Camisa de meia manga, sem gravata, mas, pelo aspecto, dificilmente disfarçava a sua condição de “camone”.  E,  para  meu espanto,  trata-me  logo pelo nome. “Conheço o Sr. Jorge Marques através dos artigos que escreve na revista Semana Ilustra. Tenho muito prazer em falar pessoalmente consigo. Chamo-me Everett Briggs. Sou o cônsul dos EUA, em Luanda e estou aqui para me inteirar da descolonização. Já falei com algumas pessoas da Associação Comercial e Industrial (com os principais cabecilhas das forças vivas colonialistas) e gostava muito de saber a sua opinião e de contar com a sua disponibilidade! Não se importa?”
 
– A seguir passa-me o seu cartão-de-visita (deixei-o em São Tomé, entre outras coisas). E, simultaneamente, dispara: “Sabe!.. O assunto é para nós muito importante!!... Se não se importasse, para estarmos mais à-vontade,   sugeria-lhe que me acompanhasse no táxi para fora da cidade, num local mais discreto!”. Mas eu respondi-lhe, imediatamente, que mandasse o táxi embora, porque que eu não aceitava sair dali: “Tenho muito gosto em falar com o Sr. Cônsul, mas tem que ser aqui! Eu não vou consigo para lado nenhum! –  As opiniões que lhe possa transmitir,  não  vejo que tenha  de as esconder, seja de quem for!”  - Mas, como atrás referi, o desejo dele era que a conversa pudesse decorrer fora da cidade para ver se me dava a volta

COMPREENDI IMEDIATAMENTE ONDE ELE PRETENDIA  CHEGAR – Não lhe virei as costas porque pressentia que estava perante uma personalidade com um poder de influência muito grande - E eu não queria que ele se deixasse embalar  no coro dos colonialistas, com os quais havia conversado , pois calculava que as suas expressões não teriam sido as mais favoráveis ao processo da descolonização.  

Recusada a proposta, lá teve que se resignar ao banco voltado para a baía, sob a sombra de uma das acácias  um dos castanheiros da índia, que por ali havia: - lá nos sentámos os dois, num dos bancos, ali existentes, voltados para a tranquilidade do azul  que estendia à nossa frente da Baía de Ana Chaves. Pois logo me apercebi, onde  o cônsul queria chegar. E  não estava minimamente interessado em fazer jogo duplo. Por mais tentadora que fosse a oferta.    

QUEM NÃO DEVE NÃO TEME – IR PARA O MATO  A FAZER O QUÊ?..

Ainda assim, depois de ver que a abordagem começava a ser incómoda, nem sei como é que me expus ali tanto tempo, junto dele  - quase duas horas. Mas, tal como diz o velho ditado, quem não deve não teme, e, como estávamos sentados de costas para o trânsito da marginal (que era escasso), nem dei que o tempo passasse. Além disso, não podia desperdiçar a oportunidade de me opor às teses dos colonos.

Começou então por  me explicar que tinha recebido instruções do seu governo para se deslocar a São Tomé. Que o general  António de Spínola aconselhara   a sua administração para vetar os movimentos que visavam a independência das Ilhas de Cabo Verde e de São Tomé e Príncipe, por entender que, quando foram descobertas, estavam desabitadas; que  os seus povos queriam ficar ligados a Portugal – Referindo que Spínola argumentava que o programa do MFA se desviara dos  princípios iniciais e que os auto-proclamados movimentos  de libertação, destas ilhas, apareceram depois   do 25 de Abril para destabilizar a vida das duas colónias, não tendo qualquer influência local ou representatividade

SÃO TOMÉ E CABO VERDE. NA VISÃO NEO-COLONIAL SPÍNOLISTA  ERAM FUNDAMENTAIS DA DEFESA DA NATO – E TINHAM DE PERMANECER NAS MÃOS DOS BRANCOS – ACTUALMENTE AINDA EXISTEM MUITAS ILHAS, NESSAS CIRCUNSTÂNCIAS E OS PAÍSES CAPITALISTAS E COLONIALISTAS NÃO ARRENDAM PÉ.  – NO ENTANTO, É DE CRER QUE, EMBORA TARDE, MAS LÁ  CHEGARÁ O DIA QUE HÃO-DE SER CORRIDOS  SOB O FOGO DAS ARMAS OU A PONTAPÉ.

Briggs, confidenciava-me que, António Spínola, considerava os arquipélagos de Cabo Verde e São Tomé e Príncipe, fundamentais para  a defesa da Aliança Atlântica (a NATO) no atlântico Sul.  Por esse facto, a administração americana, tinha dúvidas se deveria ou não exercer o direito de veto na Assembleia das Nações Unidas, pelo que  lhe solicitara o envio, com urgência, de um relatório nos próximos três dias, antes de Costa Gomes, lá ir discursar. Precisava de se inteirar, pessoalmente, de como estava aqui a decorrer o processo de descolonização:  se as ilhas tinham ou não possibilidades económicas para se tornarem independentes e também de saber o que é que eu pensava sobre  a  representatividade e de credibilidade  dos dirigentes da Associação Cívica pró-MLSTP. – a frente activista do  movimento de libertação de São Tomé e Príncipe, já que as informações que, até então, havia  recolhido eram extremamente negativas a respeito do comportamento da referida Associação 

MEMBROS DA ASSOCIAÇÃO COMERCIAL E INDUSTRIAL DE SÃO TOMÉ, - EXTREMAMENTE SEVEROS PARA COM A ASSOCIAÇÃO CÍVICA

Briggs, informava-me que já havia conversado  com alguns membros da Associação Comercial e Industrial  de S.T.P., mas  todos lhe responderam que, em S. Tomé,  "a associação cívica  estava muito mal vista e não tinha nenhuma credibilidade!"  Tendo havido mesmo .quem lhe afirmasse que nem sequer se deveria “preocupar com essa garotada de arruaceiros do Riboque”    Pois,  segundo lhe haviam transmitido,  tratava-se deum pequeno grupo  de  racistas e agitadores, que odeiam os brancos e querem ficar com o seu património”. 

A MINHA RESPOSTA ERA DIFERENTE – E JULGO QUE O TERÁ SIDO PREPONDERANTE

Falei-lhe da minha experiência nas Roças e de como os negros eram ali tratados. Que não se deixasse influenciar por preconceitos racistas – que os racistas eram  os brancos, que não aceitavam que os negros pudessem ser livres e independentes.  E que a população não concebia outra ideia que não fosse o direito à Independência de S. Tomé e Príncipe.  Caso contrário, poderia “haver  um banho de sangue”.Repeti-lhe isso várias vezes.  Mas também lhe disse que, se quisesse uma opinião mais fundamentada, que devia dirigir-se à sede da Associação Cívica.  Ali teria oportunidade de ouvir os membros da referida  Associação: - “Se quer ouvir todas as partes, acho que deve  lá ir falar com eles!...É gente civilizada!... Acredito que o vão receber cordialmente  e que lhe prestarão  os esclarecimentos de que precisa!

Agradeceu-me e pareceu-me que as minhas palavras o teriam feito mudar da opinião que trazia dos colonos. “Muito obrigado, Senhor Jorge Marques!.. Gostei muito de ouvir a sua opinião. O senhor está muito bem informado! Vou ver se me recebem e  falo ainda hoje com alguém da Associação Cívica

Não cheguei a saber se o fez. Soube, pelo General Pires Veloso, na altura do lançamento do seu livro “Pires Veloso – Vice-Rei do Norte – Memórias e Recordações”, que o referido diplomata, chegara também a conferenciar com ele.  Porém, só o facto,  de naquela altura, este alto funcionário americano, me ter abordado na rua e com a proposta de me arregimentar para colaborador  da sinistra  Agência americana, deixava-me bastante embaraçado! - Estava de consciência tranquila, é certo – Mas, num momento tão agitado e tenso como aquele, falar como alto diplomata americano, era algo arriscado.

Tudo quanto lhe transmitira,  era verdade e poderia ter sido dito numa palestra. Mas aquela sua proposta – e logo a propor-me para falarmos num lugar mais isolado – perturbar-me-ia, pois era  feita  de rajada; deixou-me bastante incomodado - Contudo, também  não pensei mais no assunto. Tinha outras preocupações. Um grande desafio no mar, sozinho, esperava-me e era para mim a grande obsessão.

SAI-SE ENTÃO COM ESTA: “GOSTARÍAMOS QUE FOSSE COLABORADOR DA NOSSA AGÊNCIA! POMOS-LHES TODOS OS MEIOS À SUA DISPOSIÇÃO!..” – DIZ-ME DESCARADAMENTE, DEPOIS DE TER PERCORRIDO DE TÁXI  A CIDADE INTEIRA À MINHA PROCURA.

Quando me abordou, presumo que  já soubesse que eu era dos poucos brancos (senão o único) que acompanhava de perto as manifestações e algumas reuniões, promovidas pelos activistas afectos ao MLSTP, que se haviam agrupado na Associação Cívica, para se ocuparem das acções de luta e de mobilização, até ao regresso dos membros, daquele movimento de libertação, ainda exilados no Gabão.. Mas a minha participação era jornalística e não interventiva. 

Vinha, pois, com dois objectivos engatilhados:  recolher o máximo de  informações da Associação Cívica e  engajar-me para espião da CIA. – Obviamente, não fui na sua conversa, tal como explicarei adiante. – O dinheiro fazia-me falta, mas o dinheiro não paga a tranquilidade. Apercebi-me  que  oferta poderia ser muito tentadora, mas a minha consciência  era ainda mais forte.
 
Tinha sido maltratado nas roças, enquanto empregado de mato. E agora estava a ser vítima de espancamentos e de perseguições de colonos. Eu estava ao lado do Movimento de 25 de Abril e ao lado da independência daquele povo e, por isso,  de forma alguma poderia trair as minhas convicções. Houve, porém, quem acedesse – aliás, que continuasse a fazê-lo, pois presumo que já era colaborador da RFA, antes do 25 de Abril. Teve sorte!.. Noutro país, tinha-se tramado: teria sido fuzilado. Mas as gentes de São Tomé são por natureza pacíficas e ordeiras - Ele também não perdeu pela demora e raspou-se. 

Por fim, depois de  me ouvir atentamente, avançou-me então com a proposta,   que, logo de  início, me deu a perceber:

 “Sabe, meu caro senhor! Nós gostaríamos de ter na Ilha alguém que  pudesse prestar, informações, regularmente,   à nossa Agência; o governo americano está muito empenhado com a descolonização das colónias portuguesas. Há todo nosso interesse que o processo decorra com normalidade. E convinha-nos que nos informasse sobre as actividades da  Associação Cívica e de outros acontecimentos que considerasse importantes” E, então,  veja-se  ainda a lata do  cavalheiro:  

Se o Sr. Jorge aceitar  a nossa proposta,   damos-lhe os meios indispensáveis… E, como quem não quer a coisa,  abria a pasta cheia de notas de cem dólares e ostentava numa das mãos um pequeno emissor. Garanto-lhe  que ninguém tomará conhecimento da sua colaboração: só ficarei eu a saber, o Sr. Jorge e um elemento da nossa Agência....Diga-me de quanto  precisa?...” – Curiosamente nunca prenunciou a palavra CIA – Só falava da “nossa agência”. E aquele “paquete” de notas de 100 dólares – (algumas até as deixou cair propositadamente ao chão, tal como os vigaristas aos incautos cidadãos, quando os pretende burlar
 ...
 - EU?!...COLABORADOR DA VOSSA AGÊNCIA?!...   NEM ME FALE NISSO, SENHOR CÔNSUL!... “ - FOI A MINHA RESPOSTA

Por favor, não  me volte a abordar para tais assuntos!... Procure outro!!...Já me bastam os problemas que tenho com os colonos!... As  agressões e ameaças que  me fazem!... Já deverá saber – através da Semana Ilustrada.

E era verdade! – Em breve ia abandonar a ilha: já o havia tentado ao sul, na companhia de um santomense e de um natural do Príncipe, que andava fugido na mata, mas, ao largamos da praia, surgiu uma enorme onda, desequilibrámo-nos e fomos deitados borda fora - Ainda pensei ir no dia seguinte, mas roubaram-me todas as coisas (escasseavam conservas e alimentos importados, e houve quem se aproveitasse), além de   já ninguém me queria acompanhar. A minha vida corria perigo e eu não podia adiar por mais tempo o meu projecto da travessia São Tomé à Nigéria, que andava na minha cabeça há quatro anos.  Se fosse para fugir, teria ido mais para nordeste.  Os colonos faziam de mim o bode expiatório da sua revolta. Não aceitavam que se falasse de descolonização. E, a ter que morrer selvaticamente nas suas mãos, ao menos morresse no mar por uma causa nobre. Mesmo que fosse na barriga de um tubarão!...

Obviamente que me recusei colaborar no nojento e perigosíssimo papel de espião. Não podia aceitar ser cúmplice com uma Agência que, desde há muito tem as mãos sujas de sangue, através de atentados, torturas e dos mais ignóbeis crimes e provocações! O dinheiro é importante mas não pode nem deve ser a troco de convicções ou da nossa consciência. Lá foi à sua vida e eu fiquei na minha.   

Levantei-me para me despedir dele, mas logo a seguir  me voltei a sentar no mesmo banco, algo embaraçado e receoso de  que alguém me tivesse visto a falar com aquela inesperada criatura. Ao fim da tarde dei conhecimento a um elemento da Associação Cívica, que me disse que já sabiam da sua presença.
 ..

UM JORNALISTA DA EX-UNIÃO SOVIÉTICA HAVIA-ME ABORDADO, QUASE COM IDÊNTICA INTENÇÃO   - DEPOIS DA KGB, SÓ ME FALTAVA AGORA SER ARREGIMENTADO PELOS AMERICANOS

Antes do americano, já um jornalista russo (que trabalhava para a principal agência soviética, nos Camarões, na qualidade de correspondente para a África Central) , viera com uma certa cantilena. Era mais um (aliás, o primeiro) que queria aproveitar-se de mim: - Não pretendia informações mas doutrinar-me. Parecia um mestre de jornalismo revolucionário. Só faltava entregar-me  uma cartilha! Entretanto, nunca mais voltei a vê-lo  na cidade, pelo que tudo não passou de um mero encontro cordial –– Numa ilha onde a informação era escassa, a minha revista não passava despercebida. Mas quem lhe deu ainda mais popularidade, foram as reacções agressivas de alguns colonos –  pois eu não fazia mais de que relatar o que observava ou de procurar ouvir os vários intervenientes -  Pessoas anónimas, colonos, dirigentes das associações, governador e elementos da Junta de Salvação Nacional. E, é claro, também aproveitei para denunciar algumas prepotências do velho regime que até então eram proibidas na imprensa. Mas, é tal coisa, os artigos não podem agradar a gregos e a troianos! – Sobretudo àqueles que nem sequer toleram outras opiniões.

NNUMA DAS PRÓXIMAS POSTAGENS- NÃO PERCA: O EPISÓDIO DO OFICIAL SPINOLISTA, QUE DESEMBARCOU NO  AEROPORTO DE S. TOMÉ PARA COMANDAR O GOLPE CONTRA-REVOLUCIONÁRIO DOS ROCEIROS , MAS QUE O GOVERNADOR OBRIGOU A VOLTAR NO MESMO AVIÃO - ESTAVA LÁ, FALEI COM ELE PRESENCIEI A CENA - E  A HISTÓRIA DA ESPIA FRANCESA 
 


ENCONTRO DE COSTA GOMES E MÁRIO SOARES NA CASA BRANCA - Na imagem: Costa Gomes, Presidente Ford e Henry Kissinger - 18 de Outubro de 1974.

POSTERIORMENTE À PUBLICAÇÃO DESTE POST, FIZ UMA INVESTIGAÇÃO NA INTERNET, SOBRE AS RELAÇÕES DIPLOMÁTICAS DO EUA COM PORTUGAL , PÓS 25 DE ABRIL - NOMEADAMENTE, AO PERÍODO A QUE ATRÁS ME REFIRO - DESSA PESQUISA, ACONSELHO A LEITURA DOS SEGUINTES LINKS.Portugal Classificado: Spínola: a conversa que deixou Nixon  preocupado com Portugal...******Portugal Classificado: Na ressaca da revolução*****Portugal Classificado: Os risos de Marta de la Cal*******Portugal Classificado: China/1975: Kissinger com Portugal na agenda*******25 DE ABRIL - O ANTES E O AGORA: Spínola quis aliciar Nixon*******Gerald Ford autorizou operações da CIA em Angola .*******As relações atribuladas de Costa Gomes com Ford ******Encontro entre Costa Gomes e Gerald Ford na Casa Branca*******25 DE ABRIL - O ANTES E O AGORA: Costa Gomes quis sossegar os EUA*******Costa Gomes quis sossegar os EUA - dn - DN******Como os EUA foram derrotados na independência de Angola********CRONOLOGIA DA REVOLUÇÃO DE ABRIL

Spínola quis aliciar Nixon para outra descolonização -

 
POSTAGENS SEGUINTES - CLIKE E COSULTE

Terça-feira, 19 de Julho de 2011

NÁUFRAGO POR VONTADE PRÓPRIA

Sexta-feira, 15 de Julho de 2011

(2) SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE ANTIGAS ILHAS ASBEN E SANAM - NAUFRÁGIO NA NOITE EQUATORIAL

 

terça-feira, 12 de Julho de 2011

36 ANOS DE INDEPENDÊNCIA -

 

quarta-feira, 20 de julho de 2011

NÁUFRAGO POR VONTADE PRÓPRIA - SEMANÁRIO SOL, 31 DEZ.2009 - ARTIGO DE PEDRO PROSTES DA FONSECA-

Este artigo foi publicado na revista Tabu, do Semanário SOL, EM 31 de Dezembro de 2009  - É de autoria do jornalista Pedro Prostes da Fonseca - A quem agradeço   - a ele à direcção do seu jornal - a gentileza da sua publicação -Pelo destaque dado e, sobretudo, pela maneira como, jornalisticamente, soube contar esta minha aventura - Obrigado amigos. Só agora aqui o reproduzo e vos agradeço mas nunca é tarde quando se pretende fazer público reconhecimento do vosso profissionalismo e do vosso empenho pelas questões culturais.

ESPIA “MATA HARI*****SÃO TOMÉ E A GUERRA DO BIAFRA******CIA EM SÃO TOMÉ,.************* 36 ANOS DE INDEPENDÊNCIA ****** NÁUFRAGO POR VONTADE PRÓPRIA*******(2)SÃO TOMÉ  E PRÍNCIPE -ANTIGAS ILHAS ASBEN E-NAUFRÁGIO  .****36 ANOS DE INDEPENDÊNCIA****(1)SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE - ANTIGAS ILHAS POVOADAS POR CANOAS AFRICANAS..*****23º DIA À DERIVA NO GOLFO DA GUINÉ****SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE E A MATANÇA DOS ESCRAVOS****"22º DIA DE MAR,11 DE NOVEMBRO EM TERRA*****"COM A FÚRIA DOS VENTOS PORCELOSOS*****HOJE É DIA DA INDEPENDÊNCIA DE ANGOLA:****CANCÃO DO MAR****PEREGRINO DA LUZ NA TERRA E NOS MARES****QUANDO OS TUBARÕES ATACAM****VOGANDO A COBERTO DA NOITE E À FLOR DO MAR.******TITANIC - A HOMENAGEM******MARES DE ONTEM, DE HOJE E DE SEMPRE.****ANTES DE HAVER LUZ, A IDEIA DE LUZ BRILHAVA*****PERDIDO NO GOLFO DA GUINÉ:*****POETAS!... VINDE VER O MAR!***** SÃO TOMÉ - NIGÉRIA******NO MAR DOS TORNADOS E DOS TUBARÕES -*******HISTÓRIA SINGULAR DE UM NAVEGADOR SOLITÁRIO***********ESCALADA VERTICAL DO PICO CÃO GRANDE* ****AZEREDO PERDIGÃO, O QUE ME REVELOU ***OH QUE SAUDADES DE SÃO TOMÉ! -

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Pedro Prostes da Fonseca, Jornalista
 
Nasceu em Lisboa em 1962 e iniciou-se no jornalismo na Agência Lusa, depois de cinco anos como documentalista. De 1998 até hoje passou, como efectivo, pela Ferreira & Bento (editor da revista Vela & Náutica), Grupo Impala (director das revistas Casa & Campo e Nova Gente em Férias), Jornal 24Horas (coordenador), Jornal Meios e Publicidade (chefe de redacção), revista Arquitectura e Vida (chefe de redacção) e semanário SOL (coordenador). Como colaborador, publicou artigos no semanário O Golo, nas revistas Sábado, Superjovem e Arquitectura & Construção e no semanário Expresso. Em 1999 fundou a empresa Culturmedia, vocacionada para projectos culturais e editoriais no domínio das autarquias, e no ano seguinte publicou o seu primeiro livro para crianças - "Histórias dos 4 Cantinhos", pela editora Paulinas.- In

Pedro Prostes da Foncesa - IM Magazine - O melhor que se faz no mundo para um mundo melhor

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sábado, 16 de julho de 2011

(2) SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE ANTIGAS ILHAS ASBEN E SANAM - Continuação

  (este post  contém algumas fotos da minha viagem  a esta ilha em 20 de Outu.2014)

São Tomé e Príncipe – antigas Ilhas Asben e Sanam: não existe apenas um mapa mas vários mapas da costa africana, antes dos navegadores portugueses atingirem as Ilhas do Golfo da Guiné - Este estudo é apresentado em duas postagens  - É a  continuação de  SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE - ILHAS ASBEN E SANAM, POVOADAS POR CANOAS AFRICANAS acerca minha teoria, sobre a origem do povoamento das Ilhas do Golfo da Guiné



 
Foto - à direita - obtida com o auxílio de um barrote e a máquina fixa ao mastro - Pois a máquina fotográfica era rudimentar e não tinha automático)

TERIAM SIDO AS ILHAS DO GOLFO DA GUINÉ
AS ILHAS AFORTUNADAS, QUE HOMERO CANTOU?...


As Ilhas Afortunadas fazem parte da tradição clássica, desde Ptolomeu a Homero, Plínio, Plutarco. São muitas as versões que correm sobre a sua localização. Parece, no entanto, existir um ponto comum: situam-nas no Atlântico, além mediterrâneo e das colunas de Hércules, próximas da costa africana e são apontadas como paraísos terrestres, locais eleitos pelos deuses e heróis míticos. Camões, evoca-as no canto V e Fernando Pessoa, em Mensagem, surgindo-as como local fora do tempo e do espaço onde os mitos do Quinto Império, do Encoberto, do Sebastianismo esperam para se concretizar


Desde o arquipélago da Madeira ao do Golfo da Guiné, qualquer dessas ilhas primam pela sua beleza e exotismo e poderão reclamar o mito atribuído por autores clássicos de Ilhas Afortunadas. Por isso, vários tem sido os historiadores a darem a sua interpretação. Charles Ralph Boxer, associa-se ao arquipélago da Madeira, ilhas encontras pelo cartagineses. Martin Behaim identifica-as com as Ilhas de Cabo Verde. Por seu lado, Pedro Martyr associa as Afortunadas com as Canárias.ILHAS AFORTUNADAS

PODERÁ O MITO IR ALÉM DE MERA FIGURA SIMBÓLICA OU RETÓRICA?!....

O alemão Heinrich Schliemann leu atentamente a Ilíada e concluiu que não havia apenas o lado mitológico, mas também algumas verdades históricas . 
 
"Ao narrar na Ilíada a invasão de Tróia pelos gregos, Homero criou no século VIII a.C. uma das peças imortais da literatura. Nos últimos anos, graças ao trabalho dos arqueólogos, a obra começou a ganhar valor de registo histórico. A possibilidade de a Ilíada conter verdades históricas foi levantada pela primeira vez em 1873. Nessa data, guiando-se por algumas descrições feitas nos versos de Homero, o explorador alemão Heinrich Schliemann conseguiu localizar em território turco as ruínas de Tróia.Objectos de Tróia em exposição -.

.A Expedição Vivaldi Revisitada livro da jornalista Fernanda Durão Ferreira (actualmente esgotado e que teve a colaboração da socióloga Sara Santiago) dá algumas respostas: 

- Cita Schliemann, Homero e o Libro del conocimient - de autoria de um frade anónimo de Sevilha, no ano de 1405, no qual – sublinha a investigação – “além de muita informação correcta sobre toponímia africana, constam as ilhas de Gropis e Quible, situadas na foz do Rio Pampana na actual Serra leoa, assim como as Ilhas de Asben,Susan e Melicum, localizadas na parte oriental do Golfo da Guiné”

Por seu turno, De La Ronciere, Charles; LA DECOUVERTE DE L'AFRIQUE AU MOYEN AGE fez a revelação do antigo planisfério catalão, que agora se encontra também divulgado na Internet e com cópias à venda em alfarrabistas.

O REDESCOBRIMENTO DAS ILHAS DO GOLFO DA GUINE - POR SARA SANTIAGO E FERNANDA DURÃO

Fernanda Durao Ferreira, jornalista e autora de vários livros, no principio desta década, interessou-se pela origem do povoamento das Ilhas do Golfo da Guiné. Fez um estudo aprofundado, a que deu o título A Expedicao Vivaldi Revisitada , através do qual apurou que, antes dos navegadores portugueses, ali terem chegado, já existia o Planisfério Catalão, século XIV, com a costa africana e as ilhas cartografadas

Sabendo do meu empenho pelo mesmo tema, que , nos anos setenta, me levaria a fazer várias travessias solitárias em pirogas para demonstrar a possibilidade das primeiras navegações, entre as ilhas e o continente, terem sido feitas através desses meios primitivos, Fernanda Durão teve a gentileza de me informar das suas conclusões, apresentadas na revista História, edição 71, Novembro 2004 - Num artigo assinado por ela própria e a socióloga, Sara Santiago, cuja cópia me ofereceu.

Sem pressas e deixando como que intuitivamente que o tempo se encarregasse de cimentar ainda mais o seu estudo, e também o florescer do espírito que presidiu a essas minhas arriscadas experiências (pois não há boas iniciativas que não produzam os seus frutos) constato, pois, numa pesquisa pela Internet, graças às maravilhas das novas tecnologias, onde os vários saberes e contributos vão sendo publicados para que não fiquem apenas condicionados às prateleiras das bibliotecas ou aos arquivos dos museus, que não existe apenas um mapa, mas vários e ainda mais antigos.
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SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE - ANTIGAS ILHAS: ASBEN E SANAN

Anglo-Saxon World Map


Mapa de .Eratóstenes (285 - 194 a.C.) ,....
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.Mapa de Eratóstenes...
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Karte_Pomponius_Mela Pomponius Mela (c. 43 CE)
Pyramidales: Pyramides d'Égypte : le mini-texte de Pomponius Mela......



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Procuradas durante séculos, a antiga cidade de Tróia foi finalmente descoberta há cerca de cem anos. Heinrich Schliemann decidiu ler " com outros olhos o texto da Ilíada, seguindo à letra a descrição de Homero. Afinal o arquipélago de S. Tomé e Príncipe já era conhecido dos navegantes que desde o séc. XIII viajavam do litoral de Marrocos até ao Golfo da Guiné»

(...) «E foi sobre um oceano destes que Pero Escobar e João de Santarém navegaram pelo Golfo da Guiné à procura desta ilha de Asben que, conforme afirma Duarte Pacheco Pereira, " a mandou descobrir o sereníssimo rei D.João II
" . Quis a sorte que ela fosse achada no ano de 1470, a 21 de Dezembro, dia do santo descrente que só acreditava no que via e palpava.Mais confiantes que o apóstolo,devem ter navegado os dois navegadores portugueses à procura desta ilha pois se o rei a mandara descobrir, é porque sabia de antemão da sua existência. Chamaram-lhe São Tomé e zarparam à procura de outras duas. Sanan e Melicum foram encontradas a seguir, sendo baptizadas de Santo Antão (passando depois a Santo António, sendo mais tarde Príncipe) e Ilha Formosa, redescoberta por Fernão Pó, conhecida hoje por Malabo, capital da Guiné Equatorial.».

NEM TODAS AS ILHAS ERGUERAM ESTÁTUAS COMO A ILHA DA PÁSCOA.
E APRESENTAM VESTÍGIOS ARQUEOLÓGICOS VISÍVEIS OU IMPONENTES - MESMO ASSIM, JUSTIFICA-SE A SUA INVESTIGAÇÃO

As duas investigadoras, já estiveram em São Tomé: são de opinião de que "no imaginário de em cada santomense, paira a opinião( sou da mesma opinião),  de que estas ilhas já eram habitadas antes do período colonial." E avançam com a seguinte pergunta: " Se a história do descobrimento das ilhas de S. Tomé e Príncipe não merecia voltar a ser estudada a fundo pelos historiadores portugueses e investigada pelos arqueólogos. Mesmo que não se consiga chegar a uma conclusão, podia ao menos levantar-se o problema e deixá-lo em aberto."

Salientam o facto dos jovens "estudantes, manifestarem um crescente interesse " de saberem tudo sobre o seu passado, muitos estudantes frequentam assiduamente a biblioteca do Centro Cultural Português onde se destaca em lugar de honra em lugar de honra um cavalete suportando o monumental Atlas do Visconde de Santana!

Há que ter a coragem" - sublinham - de informar esses jovens que, apesar do mérito do trabalho desenvolvido, o visconde historiador fez batota ao não incluir no seu Atlas, o planisfério Catalão. Datado de 1444, este mapa está guardado na Biblioteca de Modène, Itália e foi reproduzido por Charles de la Ronciére na sua obra la Découverte de l'Afrique au Moyen Age. Dele constam as já citadas ilhas do Golfo da Guiné, bem como os seus nomes árabes. A ocultação da verdade é uma forma de obscurantismo como qualquer outra e, neste caso particular, é mais um contributo para a continuação dos Tristes Tropiques..." - frisam

"Se nada for mudado, corremos o risco de, a médio prazo, ao consultar um moderno mapa de África para ver a localização do antigo Arquipélago Português de São Tomé e Príncipe, depararmos com novos nomes como: Ilha de Asben, ex-São Tomé. Ilha de Sanan, ex- Príncipe" - Este o alerta deixado no termo do artigo «O Redescobrimento das Ilhas do Golfo da Guiné»

Sem dúvida, um interessante estudo que, inclusivamente, teve o cuidado de se debruçar sobre questões de semântica e derivações de ordem toponímica, de origem árabe, sobre nomes locais e até com semelhanças no continente africano. Só essa criteriosa análise - lida com atenção - já bastaria para convencer os mais incrédulos.

OUTROS ESTUDIOSOS NÃO VÊEM SENÃO NO MAPA CATALAN A FORMA CURIOSA COMO MOSTRA ÁFRICA E NÃO DESCARTAM QUALQUER LEITURA 

O texto, que passo de seguida a reproduzif,  revela uma profunda ignorância, pois refere que "não aparece nenhum nome de lugar, o que é falso: clike e veja se há ou não há várias legendas.246A Catalan-Estense Map, 1450-60.
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Diz ele que "A característica geográfica mais curiosa é a forma da África: no limite do Golfo da Guiné, um rio ou estreito liga o Oceano Atlântico com o Índico e uma grande massa terrestre surge para completar a base do mapa. Não aparece nenhum nome de lugar e não está claro se trata-se de uma parte da África ou de outro continente.-Mapa-múndi Catalão
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COMPREENDO QUE A QUESTÃO CONTINUE A SUSCITAR DÚVIDAS OU INTERROGAÇÕES - POIS O PASSADO DISTANTE É SEMPRE ALGO DIFÍCIL DE INTERPRETAR - 

HÁ PORÉM UMA CERTEZA - A EXISTÊNCIA DE MAPAS ANTIGOS QUE ATESTAM QUE AQUELES MARES JÁ HAVIAM SIDO SULCADOS E MAPEADOS, ANTES DAS DITAS DESCOBERTAS -

A ABERTURA ÀS NOVAS FONTES DE INFORMAÇÃO, ACABARÁ POR FAZER RUIR MUITOS DOS FALSOS MITOS E REPOR A VERDADE HISTÓRICA NOS FACTOS QUE FORAM FORJADOS, OCULTOS OU ADULTERADOS.

O Infante D. Henrique, deveria estar informado das terras que ia descobrir., tendo contratado um dos maiores cartógrafos da época, Jafuda , filho do Mestre Abraão Cresques, da Maiorca, autor do célebre mapa-mundi catalão de 1375 , cujo original que se conserva em Paris - In A IMAGEM DO MUNDO E AS NAVEGAÇÕES IBÉRICAS

Que razões terão levado a essa inadmissível omissão?... -A resposta talvez possa ser compreendida, por um lado, pelo secretismo que envolvia as Cartas de Marear, por outro, porque sempre seria mais enaltecedor para a coroa portuguesa, e arvorarem-se os plenos direitos da sua posse, falar-se de ilhas desabitadas e desconhecidas, de que aludir-se ao seu prévio conhecimento e ao seu anterior povoamento.
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A ORIGEM DO POVOAMENTO DAS ILHAS DE SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE, É POIS MUITO MAIS ANTIGA DO QUE A DESCRITA PELA VERSÃO COLONIAL  -  AINDA CONTINUA A SER REFERIDA, NÃO OBSTANTE AMBAS CONSTITUÍREM UM PAÍS SOBERANO E INDEPENDENTE, VOLVIDAS MAIS DE TRÊS DÉCADAS São Tomé e Príncipe...Hist.Descobrimentos e Exp.Portug.....

É certo, que, até hoje, não foram descobertos monumentos ou vestígios arqueológicos perenes em qualquer das ilhas do Golfo da Guiné, que pudessem dar-nos indicações para a existência de antigas civilizações. Não porque não possam existir, mas talvez mais pelo facto de nunca ter sido encarado a sério um estudo aprofundado.

Essa investigação deveria fazer-se. Acredito que não faltariam surpresas interessantes. Porém, existe uma prova que continua igual há de milénios atrás: a sua tradição marítima. Haverá elo mais genuíno, com as suas antigas origens, que a arte de navegar em tão frágeis meios primitivos? ....- Canoas frágeis e toscas, é um facto, mas capazes de resistirem aos mais violentos vendavais
Demonstrei-o,  por três vezes, ao ligar as ilhas com o continente. E assim o haviam igualmente demonstrado as enormes canoas que foram utilizadas para transporte de escravos, nomeadamente do Gabão, mesmo depois da alforria, cuja lei muito custou a aceitar aos proprietários nas grandes roças.

Pessoalmente, ainda vi o fundo de uma dessas enormes canoas, junto ao velho cais daPraia Fernão Dias , quando trabalhei como empregado de mato na Roça Rio do Ouro, da Sociedade Agrícola Vale Flor. Pois, em São Tomé não se construíam canoas daquele tamanho. As grandes árvores estão pouco acessíveis às praias e estavam sob o domínio das roças. A costa africana está mais ao nível das praias e oferece mais vastas possibilidades. De resto, depois da independência, muitos nigerianos faziam comércio, com São Tomé, servindo-se de grandes pirogas.

PIROGAS - AS EMBARCAÇÕES MAIS PRIMITIVAS DE TODOS OS TEMPOS

Construídas sem pregos e metais, apenas escavadas em toras - Actualmente, com recurso a machins e a inchós, mas que, noutras épocas, bem poderiam ter sido talhadas com a intervenção de simples machados de pedra. Não se pense, que, ilhas tão formosas, estavam ali à espera, ao longo das eras, até que um punhado de marinheiros-colonizadores, ali fundeasse as suas caravelas. Sim, foram aventureiros corajosos, mas não eram deuses, aos quais fosse dada a divina graça de serem os primeiros seres humanos, a pisar as suas maravilhosas praias e a fascinar-se com sua espantosa beleza! - Reza a história, que não viram ninguém.A matriz africana no mundo

- Um manto de verdura reveste completamente a orla das praias até aos cumes das mais altas montanhas e picos, dando a impressão de se aportar a uma terra de ninguém.

Quem, de bom senso,  acredita que os povos, que lá viviam, mal avistavam os invasores, corriam imediatamente para junto deles?!.. Fizeram-no, mais tarde, mas com persistentes e violentos ataques: é porque estavam organizados e tinham o sentimento de posse da sua terra; queriam bater-se pela sobrevivência das suas vidas, do que lhes eram querido e estava ameaçado.
 
Antigo Mercado Municipal de São Tomé - foto do autor deste blogue

 
A história nem sempre é um relato fidedigno dos factos. E a navegação portuguesa, é um desses exemplos. "Se o Infante D. Henrique e os dirigentes portugueses que se lhe seguiram proibiram a venda de caravelas ao estrangeiro, mandava a lógica que se opusessem igualmente à saída de capitães, pilotos, cosmógrafos(...) e com eles dos roteiros para as novas terras, das cartas de marear e de tudo que ensinasse a nova ciência da posição e da direcção do navio e, mais que tudo, da do sol ao meio dia." - In Dúvidas e certezas na história dos descobrimentos portugueses de Luís de Albuquerque


"Temos de encarar esta verdade de um modo corajoso e decidido," diz Luís de Albuquerque, no seu livro "Dúvidas e Certezas na História dos Descobrimentos Portugueses, distinto e desassombrado historiador já falecido) que me deu o prazer de o entrevistar em sua casa. Refere o conhecido historiador que temos de "reconhecer que a culpa da situação nos cabe na maior parte senão inteiramente a nós, portugueses, por continuarmos a criar "factos históricos", sem alicerces documentais sérios e completos, em vez de desenvolver um trabalho aprofundado para erradicar de vez interpretações sem a mínima verosimilhança e deixar cair no lixo todos os sonhos irresponsáveis (e ninguém é responsável dos seus sonhos...) com que se quer fraudulentamente alimentar ou fortalecer um acrisolado amor pátrio de gente crédula" - Luís de Albuquerque queria referir-se especialmente a "quem sustentou com teimosia a ideia de um descobrimento da América por compatriotas nossos antes de 1424."
 
Pelo que depreendi, através da leitura do seu livro, ele estende a sua crítica a outras questões. Salvo raras excepções, que ele próprio aponta, é muito cáustico para com os nossos historiadores. Logo no início do estudo sobre
Dúvidas e certezas na história dos descobrimentos portugueses frisa que, das “ largas experiências acumuladas no decurso de mais de quarenta anos, através dos contactos com historiadores de todos os quadrantes e de um grande número de países” confessa que teve “oportunidade de verificar que a credibilidade da historiografia portuguesa dos descobrimentos nunca foi tão grande; mas bem pior do que isso; no decurso de tal lapso de tempo pude avaliar também como o nosso crédito de historiadores tem vindo a diminuir progressivamente, e de modo acelerado.".Figuras - Luís de Albuquerque.

Entendo o desabafo de Luís de Albuquerque, como a consequência de acaloradas polémicas a que alude no livro. Pareceu-me uma excelente pessoa, muito competente e culto, incapaz de denegrir fosse quem fosse. Aliás, ainda não há muito o seu nome foi lembrado e homenageado. Nós temos maus e bons historiadores, como em todas as profissões; daqueles que se esforçam em se documentar o melhor que podem e fazem-no com rigor e seriedade e outros que apenas se limitam atirar o barro à parede ou a dar seguimento a velhos conceitos ultrapassados.

COMO JÁ ERA AVANÇADA A CARTOGRAFIA EM 1502 - ESTE É O FAMOSO PLANISFÉRIO DE CANTINO
Cantino planisphere (1502), Biblioteca Estense, Modena, Italy.Cantino planisphere is the earliest surviving map showing Portuguese Discoveries in the east and west. It is named after Alberto Cantino, an agent for the Duke of Ferrara, who successfully smuggled it from Portugal to Italy in 1502

"PRESENÇA DO ARQUIPÉLAGO DE S. TOMÉ E PRÍNCIPE NA MODERNA CULTURA PORTUGUESA" - DE AUTORIA DE AMÂNDIO CÉSAR, PUBLICADA EM 1968

Presumo que tenha sido, uma das antologias, que até hoje  reuniu um maior número de autores nos diferentes géneros literários. Está esgotada. Falei com ele em São Tomé e, posteriormente, em Portugal. Era uma personalidade extremamente extrovertida, revelando um grande eruditismo mas ultra-nacionalista-conservador e Salazarista quanto baste. Num dos textos compilado, lê-se o seguinte:

"
É questionável entre os sábios o facto da descoberta das Ilhas de S. Tomé e Príncipe, Ano Bom e Fernando Pó, por antigos navegantes Egípcios, Fenícios, Gregos e Cartaginses. Alguns querem que a primeira, segunda, e quarta sejam, as que receberam o nome de Gorgónias, Górgadas, Gorgatas, ou Borcadas; outros dizem que as Gorgónias ficavam ao Sul, e pouco distantes do Cabo Ocidental, agora conhecido pelo nome de cabo Verde. Talvez sejam as ilhas dos ídolos. Não falta quem afirme que as ilha de São Tomé etc. , nunca foram visitadas pelos navegadores, por ser provável que Hannon, general cartaginês, não chegou a elas na sua expedição ao longo da costa ocidental da África.No meio desta incerteza contento-me de apontar aquilo que encontrei em vários registos da provedoria, e em outras obras a respeito da descoberta."

Raimundo José da Cunha Mattos, citado por Amândio César , reconhece a lacuna mas é pena que não tenha aprofundo a questão. E persiste em admitir a dúvida como uma certeza:
"graves autores dão por incerto o ano do descobrimento desta ilha pelos portugueses, e o nome do seu descobridor; entretanto não falta quem diga, que foi achada a 21 de Dezembro de 1471, em que se venera o apóstolo de S. Tomé , de quem recebeu o nome; posto que também se refere, que o primeiro, que lhe deram, foi o de S. Tomás, em memória de S.Tomás de Cantuária, a quem é dedicada a capela-mor da igreja de Tomar, cabeça da Ordem de Cristo, de cuja jurisdição dependiam todos os países novamente descobertos."

"O nome do descobridor é tão incerto, que já disso se queixava o grande João de Barros, mas há quem diga que fora Fernão Gomes, e, outros com mais credibilidade, atribuem esta honra a João de Santarém e a Pero Escobar no reinado do senhor rei Dom Afonso V"

A MINHA MAIOR DÚVIDA NEM SERÁ TANTO EM SABER SE AS ILHAS DO GOLFO DA GUINÉ ERAM OU NÃO JÁ CONHECIDAS E HABITADAS, MAS QUEM FORAM OS MARINHEIROS PORTUGUESES QUE APORTARAM, PELA PRIMEIRA VEZ, NUMA DAS SUAS ENSEADAS OU BAÍAS

Tudo não passa de pressupostos - O único relato fidedigno existente, foi escrito
por um piloto português (século XVI), que descreve a Viagem de Lisboa à Ilha de São Tomé. Noutra postagem, farei a sua transcrição. Para já, eis um dos excertos sobre a descoberta das duas ilhas, que extraí da antologia,"Presença do Arquipélago de S. Tomé e Príncipe na Moderna Cultura Portuguesa", de autoria de Amândio César.

"Ignora-se, ao certo a data do descobrimento da ilhas de São Tomé e Príncipe e o nome dos seus descobridores.Julga-se, porém, que devem ter sido descobertas pelos anos de 1471-1472, quando da viagem de João de Santarém e Pedro Escobar às costas da Mina, de Benim e do Gabão, aí enviados por Fernão Gomes que obtivera, em 1469, do Rei D. Afonso V o arrendamento do comércio da Guiné, por cinco anos, sendo uma das condições o descobrimento de novas terras. Pedro de Sintra atingira, entre os anos de 146o-1463, o bosque de Santa Maria, avanço máximo dos portugueses até aquela data. João de Barros (Ásia. Década I, Liv.II, cap.II) associa a esta viagem o nome de Soeiro da Costa"

"Começou por se chamar de Santo Antão.
A designação do Príncipe ligou-se primeiro a D. João, filho primogénito de D. Afonso V, o futuro D. João II. D. Afonso V foi o primeiro filho mais velho dos réis que se chamou Príncipe"

"
A Ilha de São Tomé começou a ser povoada em 1486 pelos colonos de João de Paiva, aos quais o Rei D. João II, concedera privilégios, no ano anterior; porém a era da sua prosperidade começou em 1493, quando foi criada a capitania da ilha e dada a Álvaro de Caminha" - Mas esta ou outras versões do género, podem ser igualmente consultadas na Internet .História de São Tomé e Príncipe

A PRIMEIRA BARBARIDADE DA COLONIZAÇÃO COMEÇOU PELO ENVIO  DE CENTENAS DE CRIANÇAS JUDIAS, ARRANCADAS AOS LARES DOS SEUS PAIS
Quando as crianças foram colocadas nos navios, na presença do Rei, os seus choros e gritos eram terríveis. Quem nunca viu nem ouviu os choros e gritos dessas mulheres jamais chegará a entender o que significa desconsolo ou preocupação - Vale a pena ler o resto em:O 'PROGRAMA DE DEPORTAÇÃO' DE EXILADOS HISPANO-LUSITANOS À ILHA DE SÃO TOMÉ (1492-1496)........sao tome : Message: Cristovão Colombo e as crianças judias.

O SENTIMENTO GERAL DAS POPULAÇÕES DE SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE CREIO QUE SEMPRE FOI O DE QUE A SUA TERRA É ÁFRICA E POVOADA POR AFRICANOS

O QUE O REGIME COLONIAL FEZ (ONDE SE IMPLANTOU) FOI LEVAR PARA AS COLÓNIAS MAIS BARCOS CARREGADOS DE ESCRAVOS, EXPLORÁ- LOS E OPRIMI-LOS - 
PASSOU A NÃO RECONHECER, NEM AOS QUE LÁ ESTAVAM, NEM AOS QUE PARA LÁ LEVOU, QUALQUER HUMANA IDENTIDADE OU DIREITO DE CIDADANIA.

O facto da situação ainda ter piorado, em certas circunstâncias,
depois dos povos acenderem à independência (dizem que as roças estão irreconhecíveis) , isso deve-se, em boa parte, à pesada herança colonial: ao facto de não se haver apostado na cultura e não se terem preparado quadros. 

E  não se  ter começado por reconhecer (sem qualquer espécie de conflito ou subterfúgio)o seu direito à independência. Claro que tem havido erros, qualquer país os comete - Mas é a tal coisa, como diz a letra de uma canção do cantor angolano, Rui Mingas, as novas gerações têm também que começar aprender como se conquista a liberdade e uma bandeira

- Vale a pena consultar. A questão da orígem dos angolares de São Tomé Gerhard Seibert, CEAD, Lisboa - SEIBERT, Gerhard, "A questão da orígem dos angolares de São Tomé"


A LEITURA DA CÉLEBRE EXPEDIÇÃO DE THOR HEYERDAHL – KON-TIKI - INCENDIARAM A MINHA IMAGINAÇÃO. - Thor Heyerdahl é uma das minhas referências e um dos meus míticos heróis .

Os relatos da expedição do norueguês Thor Heyerdahl no seu livro "A Expedição Kon-Tiki -, verdadeiro clássico da literatura de viagens , exerceu em mim um profundo fascínio .Não apenas pelo ousado espírito de aventura, mas sobretudo pelo realismo e consistência científica, com que pretendeu demonstrar as suas investigações.

Numa jangada de pau-de-balsa, reprodução exacta às das jangadas índias feitas na América do Sul desde os tempos da pré-história, Heyerdahl partiu de Callao, no Perú, com uma equipa composta por seis homens para as ilhas Tuamotu da Polinésia , percorrendo mais de 8000 Km, ao longo de três meses..

"Quando os primeiros europeus se aventuraram a atravessar o maior dos oceanos, descobriram com espanto que, exactamente no meio dele, existiam ilhotas montanhosas e recifes de coral liso, em geral, segregados uns dos outros e do mundo por vastas áreas de mar. Cada uma destas ilhas já era habitada por povos que aí haviam aportado antes dos europeus"

"Sabemos, com absoluta certeza, que a primeira raça Polinésia deve ter vindo em alguma época, espontaneamente ou não, ao sabor das águas ou com a força das velas de uma embarcação qualquer, até essas ilhas longínquas" diz o autor da Kon-Tiki, no seu livro

"(...) "De onde podiam ter vindo essas levas tardias de emigrantes?" (...) Falavam uma língua que nenhum outro povo compreendia” (...) Como e quanto teriam erguido as suas pirâmides e estátuas?!. Do livro A Expedição Kon-Tiki

Estas foram as questões que levaram Heyerdahl a organizar a célebre expedição Kon-tiki, . Com esta expedição buscava provar que as ilhas do Pacífico poderiam ter sido povoadas a partir da América do Sul. Fez um estudo das correntes marítimas e dos ventos dominantes e de alguns aspectos culturais similares, concluindo que o povoamento da Polinésia só poderia ter sido feito a partir do leste, contrariamente à clássica teoria que defendia as migrações a partir do sul da Àsia, uma vez que, as 5000 milhas que supostamente teriam que navegar, sendo contra as correntes, constituiriam uma façanha pouco provável


Pena que  os dois corajosos investigadores optassem somente por jangadas e nenhum deles realizasse a expedição numa piroga - 

Claro, que, navegando num madeiro, com uma tripulação, completamente exposta às intempéries, sem cabana no meio (neste caso dois madeiros: - naqueles mares é habitual a piroga ir apoiada ou por um casco fino duplo ou dois flutuadores laterais para manter o equilíbrio), não seria muito confortável a pessoas do século XX

Em todo o caso, ambas as travessias, conquanto não tenham sido realizadas em qualquer piroga da polinésia, foram demonstrações de extraordinárias aventuras - não só pelos riscos a que se expuseram, como pelas conclusões científicas que delas puderam extrair
Quando os portugueses chegaram às Ilhas dos Oceanos Indico e Pacífico, nomeadamente às Celebes, viram uma grande número de canoas de casco fino duplo ou monocascos com um ou dois flutuadores laterais para manter o equilíbrio ou formando catamarans de diversos tipos. Os cascos eram frequentemente escavados numa só árvore e as pequenas canoas moviam-se quase sempre à vela enquanto que as grandes ostentavam um importante aparelho vélico. As primeiras seriam as que o cronista e historiador náutico português chamou de “balanços que se remam de pangaio”. Diogo do Couto também refere aos “balanços” com dez a doze homens cada".In .Piroga Polinésia...

"Terão os polinésios sonhado em colonizar ou povoar os continente? - A esta questão, Eric de Bisschop respondeu com uma viagem em sentido contrário à de Thor Heyerdah .Ou seja, ele concebia um verdadeiro périplo: indo com umas correntes e regressando com outras


Em 1956, a bordo de uma jangada da polinésia, com uma equipa de cinco elementos, parte de Tahti  para o Chile , e quase logrou alcançar a costa sul americana. .A jangada estava em tão mau estado que teve de abandoná-la e construir outra. Porém, ao homem de uma vida quase inteiramente dedicada ao mar e ao estudo das origens dos povos do Pacífico, uma vez mais a sorte lhe foge, já próximo do destino - E agora com a perda da vida.

Perto das marquesa, o Tahiti-Nui II é arrastado por uma tempestade.Encalha e naufraga.. Bisschop foi a única vítima do naufrágio. Ao tentar saltar para seco, escorregou e partiu uma perna. Por falta de meios e tratamento, a mesma gangrenou e em pouco tempo causou-lhe a morte .

TANTO  Eric de Bisschop COMO  Thor Heyerdahl FORAM GRANDES AVENTUREIROS DO MAR E GRANDES DEFENSORES DAS MIGRAÇÕES CIVILIZACIONAIS ATRAVÉS DE MEIOS PRIMITIVOS -

Indubitavelmente, os pioneiros das demonstrações de que era possível fazer grandes travessias oceânicas através de simples jangadas ou barcos de papiro e que as correntes marítimas e os ventos favoráveis foram determinantes nas primeiras ligações de povoamentos e civilizações.



Thor Heyerdahlhor após ter atravessado o Pacífico, voltou-se para a antiga civilização egípcia. "Detectando um padrão nos achados arqueológicos, nas técnicas e na arte dos incas, dos polinésios e dos egípcios, o autor começa a considerar a hipótese de viagens transoceânicas entre o Mediterrâneo e o Atlântico,

Concebe então, para testar essa sua teoria, um novo e audacioso projecto - o de atravessar o atlântico numa das antiquíssimas embarcações do país dos Faraós, a que dá o nome de Expedição Rá," o Deus sol.  Expedição RA .

Os Lusíadas (a obra magistral de Camões) foi o primeiro estímulo à minha imaginação. Mais creio que a leitura da A Expedição Kon-Tiki..,.Thor Heyerdahl. , espevitou ainda mais o meu gosto pela aventura

O livro, editado em vários países, era o sucesso do momento. Havia na cidade de S. Tomé, uma pequena livraria-papelaria - O seu proprietário (o Sr. Dias) era também barbeiro. Quando ali fui cortar o cabelo, numa das poucas vezes em que nos era permitido sair da roça, foi ele que mo recomendou.

Contei-lhe que me tinha metido num "charuto" até ao Ilhéu das cabras.  Emprestado pelo fotógrafo com o laboratório em frente à sua papelaria. Então se você gosta de aventuras no mar, leve este livro, - Tenho aí uns poucos que acabei de receber" A vida na roça era muito dura e não havia grande disposição para a leitura. Mas foi o primeiro livro que comprei.

Nessa obra, já não era apenas o lado maravilhoso da aventura, mas a curiosidade que começava a apodera-se de mim, que me levava a reflectir se não teria acontecido o mesmo com o povoamento das ilhas de São Tomé e Príncipe 
Naturalmente, que houve outros factores que contribuíram para a minha paixão, pelo mar: em despertar o meu espírito de aventura, ir mar fora em demanda de algumas pistas das antigas navegações marítimas(através das grandes pirogas) no Golfo da Guiné. - Eu sentia um certo apelo, algo inexplicável, que me impelia a ir ao encontro do misterioso oceano, do desconhecido

Porém, a imagem, simultaneamente, aventureira e romântica, mítica e histórica, que as viagens de Thor Heyerdahl me transmitiram, creio que terá sido a influência mais decisiva para me aventurar sozinho em tão frágeis embarcações. E partisse em demanda das mesmas respostas às interrogações levantadas pelo bravo explorador, zoólogo e geógrafo norueguês.



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Tal como o navegador norueguês,  também eu acreditava que, as ilhas do Golfo (à semelhança das distantes Ilhas da Polinésia), poderiam ter sido povoadas através de meios primitivos, em que os seus navegadores se aproveitaram das correntes e dos ventos favoráveis


Tinha a convicção de que a origem dos povos das duas ilhas, ia muito para além da colonização.

Julgo que não me enganei - conforme pude demonstrar através das várias travessias que empreendi, cuja veracidade e fundamentos da minha teoria, poderão, finalmente, ser comprovados nos antigos mapas - Mas eu recuo ainda mais longe - No entanto, esses mapas, pelo menos, já atestam que o povoamento poderá ser muito mais antigo, de que o início da colonização há cinco séculos.

  O meu desafio, além de ser extremamente arriscado, só poderia ser feito clandestinamente - pelo menos assim teve de ser nas duas primeiras viagens. Se eu manifestasse os meus propósitos, as autoridades coloniais, impedir-me-iam imediatamente essa veleidade.

Pois, se para testar as minhas capacidades, numa viagem em volta da Ilha, eu não fora autorizado, quando mais para tais ousadias!... Lograra apenas iludi-las, em 20 e 21 de Dezembro de 1970, numa curta viagem da Baía Ana Chaves, à pequena Baía de Anambó, onde se encontra o Padrão, a João de Santarém e Pero Escobar, na altura em que se comemoravam os 500 anos da sua "descoberta" -HISTORIA CONTEMPORÂNEA -

Naquela altura, a minha iniciativa a Anambó  (em que ali cheguei de canoa com a bandeira portuguesa) merecera grande relevo na imprensa local e até mandaram lá um fotógrafo - mas já o mesmo não sucedera com a viagem clandestina ao Príncipe, que tivera apenas meia dúzia de linhas.

Fui preso pela polícia do regime!... Ah!... mas se a PIDE soubesse as minhas verdadeiras intenções, então é que ia recambiado imediatamente para o Tarrafal, tal como chagara a estar previsto. Foi o próprio inspector Nogueira Branco, quem mo afirmou: A ele não lhe saía da cabeça que eu queria ir para o Gabão. "Você é amigo dos pretos e ia juntar-se aos cabecilhas.
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"Nós sabemos como você se porta na roça. Desta vez não o mandamos para o Tarrafal. Pode agradecer à D. Alice Nunes" -  Esta senhora era enfermeira e irmã da esposa de um primo meu e gozava de muita .popularidade nos meios coloniais - e até junto da população. Fazia parte da tertúlia da elite colonial - onde também se reunia o homem forte da PIDE - Foi a sua cunha que me salvou Havia sido através dela que eu embarca a bordo do Huige para a roça Uba Budo. da Companhia Agrícola Ultramarina, para ali fazer o meu estágio do curso de Agente Rural. Mas onde não encontraria o mínimo de condições. Não passava de um simples empregado de mato, com a mesma categoria de qualquer analfabeto branco.

O Administrador chamou-me um dia à Casa Grande. E disse-me: "Já o avisaram de que não pode dar confiança aos pretos." (..) Vá imediatamente ao chalet e prepare a sua mala, que já ali tem no terreiro um jipe à sua espera para o levar para a Ribeira Peixe" - Passei a fazer o mesmo trabalho dos serviçais que eram para ali enviados de castigo, num autêntico degredo: andava eu e um cabo-verdiano a contar cacaueiros velhos numa plantação abandonada, na zona da cobra preta - Não vou contar mais pormenores, pois, só isso, dava uma grande história. - Ficará para próxima postagem
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Após as minhas navegações solitárias, na senda das origens dos povos das Ilhas do Golfo da Guiné, não é que também já me envolvi noutras investigações! - É o caso das descobertas, no principio desta década, de dois imponentes calendários solares pré-históricos, que localizei no Maciço dos Tambores, arredores da minha aldeia - O assunto é tratado (entre outros temas) no meu site Os Templos do Sol -

 IRONIA DO DESTINO - O QUE NO TEMPO DAS CARAVELAS, FIZERAM AOS NEGROS, NO  GOLFO DA GUINÉ, FAZEM ELES AGORA COM AS CANOAS AOS NAVIOS QUE DEMANDAM AS COSTAS DO NÍGER E BENIN 

Dir-se-ia que formam autênticas frotas de guerra: "A onda de ataques tem-se concentrado no Golfo da Guiné, na costa da Nigéria e do Benin e conduziu naturalmente a preocupação crescente na indústria do transporte. Em Agosto de 2011, as seguradoras marítimas em Londres adicionou as águas da Nigéria e do Benin para uma lista de áreas de alto risco, como resultado de ataques de piratas aumento no Golfo Piracy on the Rise in the Gulf of Guinea as Niger Delta ..




TENHO  IMENSAS SAUDADES DE S. TOMÉ E PRÍNCIPE:  DAS SUAS BELEZAS NATURAIS E   DA SUA BOA GENTE - DESDE AQUELA VIAGEM DE CANOA,  NUNCA MAIS LÁ VOLTEI . POIS VIVI LÁ 12 ANOS - E ERA JOVEM . MAS NÃO DO COLONIALISMO  - POIS TAMBÉM FUI AFECTADO E PERSEGUIDO POR ELE  - E ATÉ PRESO PELA PIDE, AQUANDO DA TRAVESSIA DE PIROGA, ENTRE AS DUAS ILHAS, EM 1971  ..

MAS NEM POR ISSO DEIXO DE ADMIRAR A CORAGEM DOS MARINHEIROS PORTUGUESES QUE ALI APORTARAM, HÁ CINCO SÉCULOS - E QUE EU PRÓPRIO HOMENAGEEI, NUMA VIAGEM DE CANOA, DA BAÍA ANA DE CHAVES,  AO LOCAL ONDE SE ENCONTRA O PADRÃO DO SEU DESEMBARQUE.  SÓ QUE EU ACHO QUE HÁ MUITO POR DECIFRAR - OU ATÉ OMISSO OU OCULTO - ANTES DE ALI TEREM APORTADO -  E FOI POR ESSA RAZÃO QUE EU ME FIZ AO MAR LARGO, SOZINHO E POR TRÊS VEZES.


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