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Entre outros assuntos, falo da escalada ao Pico Cão Grande e das minhas aventuras em canoas – Visam defender a teoria de que antigos povos africanos, podiam ter sido os primeiros povoadores das Ilhas do Golfo da Guiné, antes dos colonizadores – Parti à meia-noite, disfarçado de pescador, ligando a ilha do Príncipe. Para me orientar, uma rudimentar bússola – A canoa era minúscula, à segunda noite adormeci: rolei na escuridão das vagas. No regresso fui distinguido com sopapos da policia salazarista, enviado para os calabouços – Cinco anos depois, numa piroga maior, fiz a ligação São Tomé-Nigéria. Partindo igualmente à noite, 13 dias depois atingia uma praia de Calabar, tendo sido detido 17 dias por suspeita de espionagem. - No mesmo ano, já com São Tomé e Príncipe independente, tentei a travessia São Tomé ao Brasil, usando os mesmos recursos. Além de pretender reforçar a minha teoria, desejava evocar a rota da escravatura e repetir a experiência de Alain Bombard. Porém, quis a ironia do destino que vivesse a difícil provação de um naufrágio de 38 longos dias, tendo aportado numa praia de Bioko (Bococo)onde fui recambiado para a famosa prisão de Black Beach

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

AO MAR SOZINHO, GUIADO PELOS ASTROS E PELO INSTINTO DAS AVES

HOMENAGEM À AVENTURA VIKING -  ILUSTRAÇÃO DO PINTOR NORUEGUÊS Olaf Nordlien

 




Tenho uma profunda admiração  pela saga Vikings - Contam-se tantas histórias sobre a sua audácia!!.. Quão arrojados não foram esses navegadores!... Em mares tão bravos e frios do Atlântico Norte! - No entanto, eles fizeram longas distâncias, introduzindo novos métodos da navegação, ousaram enfrentar dificuldades inauditas  - Povoaram várias regiões, desde a Europa à América. Contam-se mil histórias, associado-os ao saque e à pirataria nos mares - Bom, essa uma questão algo dúbia. Pois, em boa verdade, não é muita clara a fronteira, onde acaba a realidade e começa o mito ou a  ficção - Diga-se o que disser, eles foram corajosos marinheiros - E, só por esse facto, merecem a minha maior admiração.

 Aproveito  para aqui lhes dedicar um dos poemas de minha autoria - com a imagem de dois belíssimos quadros do pintor norueguês...Olaf Nordlien , que viveu, entre 1864 e 1929, tendo passado os últimos anos da sua vida numa cabana à beira mar - quem sabe se não uma das que ele pintou no quadro seguinte, cuja tela  tenho o prazer de  a poder contemplar e fotografar - Tê-la nas mãos como a teve o seu autor.



A SÓS À FLOR DO MAR

Sozinho perante tão extrema  grandeza marítima, 
tão imensa e misteriosa amplidão 
e ser-se ao mesmo tempo
  extrema fragilidade e ínfima pequenez, 
é, sem dúvida,  coragem, triunfo e arrojo 
às adversidades da  inóspita natureza!... 


Sede insaciável de se ser bafejado pela luz mais clara e pura dos astros!
Voar como ave perdida pelos vastidão infinita dos espaços! 
Errar como um vagabundo pelos mares de todo o mundo!
Instantânea e antiquíssima harmonia! Voluptuoso jorro de energia! 
Lufada fresca, vivo e perene rasto a divindade! 



Levado a sós por genuínos impulsos de aventura,
pensamentos insondáveis, chamamentos 
de bravura ocultos, inimagináveis!
É o aspirar da palavra solar, 
ter por companhia,
o ritmo, a graça, a melodia
o deslumbramento dinâmico do anelado azul,
a vibrátil claridade.
A conjugação de  todas as ânsias reprimidas
na esteira de se  alcançar, num só desejo, numa só vontade,
os limites do inatingível, a margem 
do insuperável e do sobrenatural!



Percorrendo vastas planícies salgadas em turbulentas águas,
deixando para trás preocupações triviais, ódios mesquinhos.
Mesmo que a ousadia  condene a viver um só instante de eternidade,

oh, sim! vale a pena viver o sublime,
correr o risco e a temeridade.
Decifrar  os enigmas do incognoscível
estar ao mesmo tempo dentro e fora da verdade,
dos misteriosos limites que comandam os desígnios 
da morte e da vida.

Navegar sozinho, sem outros meios náuticos de navegação,
com o destino completamente à mercê de um  errático acaso,
ao sabor do imprevisto e do filtro do instinto,
 perdido entre o vento, o olvido 
e as espáduas do esquecimento,
oh! não é temeridade vã, inútil o laço da solidão! 
Mas o desejo porfiado e ardente em decifrar 
os calmos  e febris prodígios do desconhecido, 
a busca incessante do oiro na sua essência,  
no seu estado original, ainda incandescente
a procura dos silêncios visíveis 
dos sons puros na grande imensidão,
no seu estado selvagem, verdadeiramente inocentes!
 Vozes, rumores e murmúrios de todos os tempos
que  soem e repercutam ecos
de invulgar pureza e  libertação!



 Guiado pelos astros e pelo mesmo instinto das aves
- tal foi o meu caso: uma Bússola
dá uma ajuda mas não indica o lugar.
 Os Vikings  usaram a Bússola Solar Mais nada.
Todavia, dominaram  os mares no seu tempo.
Sem Cronómetro Marítimo Astrolábio  Sextante
Cartas Náuticas ou Almanaque náutico
Leituras  satélite por GPS, informações astronómicas, 
a posição exacta a qualquer hora:
a latitude e longitude da  rota.
Instrumentos náuticos, esses, só os grandes barcos, ao largo!
- Vi alguns mas não me viram a mim - Eu não era nada.
Até ia perdido, prisioneiro de um incerto e amargo destino -
E eles, os pilotos sem os instrumentos a bordo?!...O que seria deles?!..
Mesmo assim, talvez se sentissem menos livres
e mais prisioneiros do que eu!..


Ir sozinho para o mar, é partir 
em demanda dos mais ténues rumores e labirintos sagrados!
Saciar a  fome da floração silenciosa, da vagabunda dança de um sopro íntegro  
de fulgor furtivo de sabedoria e pureza. 
É fazer-se ao mar e navegar  sem contrapartidas seguras à partida
e não ter qualquer  certeza de paisagens imaginárias ou reais à chegada!..
É a transparente e claríssima sede de nostalgia dos mais puros céus!
É viajar na senda dos séculos passados, eras volvidas 
ou dos que ainda  hão-vir por  vontade de Deus.



Apelar ao instinto animal (que raramente se engana, tal como o da ave)
É vidência!  Deslumbramento! Itinerário transfigurado.
É trocar o certo pelo incerto
- Sem todavia saber que próximo futuro o aguarda,
a que portos  poderá  arribar,
que enseadas de ilhas frondosas o esperam, 
que  recortes de orlas vai contemplar,
que escolhos vai ter pelo caminho,
que perigos e ameaças
lhe poderão interromper a viagem.

 



Largar tudo - os horários, a família, os amigos, 
a tranquilidade de um lar - e partir 
mar fora numa frágil piroga
ou até em barcos maiores e bem equipados, 
singrando o ondulante manto líquido, 
trocando o certo pelo incerto, o desconhecido,
não receando os revés da ousadia e  a má sorte,
não temendo as partidas da omnipresente imagem da morte,
alheio a tudo: às inesperadas variações dos ventos,
à dança e contra-dança de correntes poderosas
súbitos vendavais, "súbitas trovoadas temerosas!"




Navegar sobre as ondas encapeladas,
ir de velas enfunadas, é sentir a alma rubra!
Alheia aos perigo que rondam por toda a parte,
subindo ou imergindo 
dos insondáveis abismos! 
 Navegar à flor das águas agitadas é ter  por companhia
a menos de um palmo ou da grossura de uma tábua,
a cova funda e horrível da mais funesta e imensa sepultura
Deixar, enfim, que o mar e o vento cumpram a sua palavra!
Não pensar em horários nem perder tempo em coisas banais
Ser sonho ousado que se cumpra e nada mais!

Jorge Trabulo Marques
A terra natal dos Vikings era a   Noruega,Islândia , Suécia e Dinamarca. - Uma das figuras que ainda hoje mais admiro, naqueles países, é o noruguês Thor Heyerdahl - Já expliquei (noutro post) as razões pelas quais ele influenciou as minhas travessias, -  porém,  volto aqui a reproduzir a breve nota.

CÉLEBRE EXPEDIÇÃO DE THOR HEYERDAHL – KON-TIKI - INCENDIARAM A MINHA IMAGINAÇÃO. - Thor Heyerdahl é uma das minhas referências e um dos meus míticos heróis .

Os relatos da expedição do norueguês Thor Heyerdahl no seu livro "A Expedição Kon-Tiki -, verdadeiro clássico da literatura de viagens , exerceu em mim um profundo fascínio .Não apenas pelo ousado espírito de aventura, mas sobretudo pelo realismo e consistência científica, com que pretendeu demonstrar as suas investigações.
Numa jangada de pau-de-balsa, reprodução exacta às das jangadas índias feitas na América do Sul desde os tempos da pré-história, Heyerdahl partiu de Callao, no Perú, com uma equipa composta por seis homens para as ilhas Tuamotu da Polinésia , percorrendo mais de 8000 Km, ao longo de três meses.



"Quando os primeiros europeus se aventuraram a atravessar o maior dos oceanos, descobriram com espanto que, exactamente no meio dele, existiam ilhotas montanhosas e recifes de coral liso, em geral, segregados uns dos outros e do mundo por vastas áreas de mar. Cada uma destas ilhas já era habitada por povos que aí haviam aportado antes dos europeus"
"Sabemos, com absoluta certeza, que a primeira raça Polinésia deve ter vindo em alguma época, espontaneamente ou não, ao sabor das águas ou com a força das velas de uma embarcação qualquer, até essas ilhas longínquas" diz o autor da Kon-Tiki, no seu livro
"(...) "De onde podiam ter vindo essas levas tardias de emigrantes?" (...) Falavam uma língua que nenhum outro povo compreendia” (...) Como e quanto teriam erguido as suas pirâmides e estátuas?!. Do livro A Expedição Kon-Tiki  
Estas foram as questões que levaram Heyerdahl a organizar a célebre expedição Kon-tiki, . Com esta expedição buscava provar que as ilhas do Pacífico poderiam ter sido povoadas a partir da América do Sul. Fez um estudo das correntes marítimas e dos ventos dominantes e de alguns aspectos culturais similares, concluindo que o povoamento da Polinésia só poderia ter sido feito a partir do leste, contrariamente à clássica teoria que defendia as migrações a partir do sul da Àsia, uma vez que, as 5000 milhas que supostamente teriam que navegar, sendo contra as correntes, constituiriam uma façanha pouco provável
.

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