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Entre outros assuntos, falo da escalada ao Pico Cão Grande e das minhas aventuras em canoas – Visam defender a teoria de que antigos povos africanos, podiam ter sido os primeiros povoadores das Ilhas do Golfo da Guiné, antes dos colonizadores – Parti à meia-noite, disfarçado de pescador, ligando a ilha do Príncipe. Para me orientar, uma rudimentar bússola – A canoa era minúscula, à segunda noite adormeci: rolei na escuridão das vagas. No regresso fui distinguido com sopapos da policia salazarista, enviado para os calabouços – Cinco anos depois, numa piroga maior, fiz a ligação São Tomé-Nigéria. Partindo igualmente à noite, 13 dias depois atingia uma praia de Calabar, tendo sido detido 17 dias por suspeita de espionagem. - No mesmo ano, já com São Tomé e Príncipe independente, tentei a travessia São Tomé ao Brasil, usando os mesmos recursos. Além de pretender reforçar a minha teoria, desejava evocar a rota da escravatura e repetir a experiência de Alain Bombard. Porém, quis a ironia do destino que vivesse a difícil provação de um naufrágio de 38 longos dias, tendo aportado numa praia de Bioko (Bococo)onde fui recambiado para a famosa prisão de Black Beach

quarta-feira, 11 de julho de 2012

À MEMÓRIA DO POETA FRANCISCO JOSÉ TENREIRO – LÁ VAI “O BARCO DESLIZANDO SÓ COM A VONTADE LIVRE E CERTA DO NEGRO LÁ VAI...”



Francisco José Tenreiro, nasceu na Roça Boa Entrada, a 20 de Janeiro de 1921. Fazia anos no mesmo dia do mês em que eu mais tarde nasci e faleceu na madrugada de 31 de Dezembro de 1963, dois meses depois de eu ter desembarcado na sua Ilha de Nome Santo. Amanhã, o arquipélago de São Tomé e Príncipe, celebra o seu 37º aniversário da independência.  Se fosse vivo, teria 91 anos. Ainda há muitos são-tomenses com a sua idade e lúcidos. Estou certo que estaria feliz. Assim espero que todos os habitantes destas maravilhosas ilhas, celebrem com alegria o  dia mais significativo da sua Amada Pátria



O MAR
A voz branca que está no mato
perde-se na imensidão do mar.
Lá vai!
O sol bem alto
é uma atrapalhação de cor.
-Abacaxi safo nona
carregozinho do barco!…
Um tubarão passando
é um risco de frescura.
Lá vai!
O barco deslizando
só com a vontade livre e certa do negro
lá vai!

Francisco José Tenreiro  (1921-1963)
Poeta, ensaísta, contista, colaborador de diversas publicações Integrou a Casa dos Estudantes do Império, co-fundador do Centro de Estudos Africanos, professor universitário, doutorado em Ciências Geográficas (FLUL) e em Ciências Sociais (Inglaterra,1961).


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