expr:class='"loading" + data:blog.mobileClass'>

Quem sou eu

Minha foto
Entre outros assuntos, falo da escalada ao Pico Cão Grande e das minhas aventuras em canoas – Visam defender a teoria de que antigos povos africanos, podiam ter sido os primeiros povoadores das Ilhas do Golfo da Guiné, antes dos colonizadores – Parti à meia-noite, disfarçado de pescador, ligando a ilha do Príncipe. Para me orientar, uma rudimentar bússola – A canoa era minúscula, à segunda noite adormeci: rolei na escuridão das vagas. No regresso fui distinguido com sopapos da policia salazarista, enviado para os calabouços – Cinco anos depois, numa piroga maior, fiz a ligação São Tomé-Nigéria. Partindo igualmente à noite, 13 dias depois atingia uma praia de Calabar, tendo sido detido 17 dias por suspeita de espionagem. - No mesmo ano, já com São Tomé e Príncipe independente, tentei a travessia São Tomé ao Brasil, usando os mesmos recursos. Além de pretender reforçar a minha teoria, desejava evocar a rota da escravatura e repetir a experiência de Alain Bombard. Porém, quis a ironia do destino que vivesse a difícil provação de um naufrágio de 38 longos dias, tendo aportado numa praia de Bioko (Bococo)onde fui recambiado para a famosa prisão de Black Beach

quarta-feira, 27 de março de 2013

Marinha da Guiné Equatorial resgatou os dois navios de pesca perdidos: o “Tropical” e “Andreia” – Mais de 20 dias à deriva nos mares do Golfo– Associo-me ao sofrimento dos pobres pescadores e congratulo-me pelo regresso, bem sucedido, às suas amadas ilhas



Acabo de tomar conhecimento que, duas pequenas embarcações de pesca de São Tomé e Príncipe, perderam o contacto com  as ilhas, tendo andado à deriva  mais de vinte dias. Uma foi à procura da outra e acabaram ambas perdidas – Felizmente, graças aos esforços da marinha da Guiné Equatorial, ao louvável gesto de solidariedade das autoridades deste país, foi possível localizar os dois barcos,  salvar as respetivas tripulações e  chegarem  a bom porto – Já se encontram no cais de Malabo - Nestes mares, cruzam-se e entrecruzam-se várias correntes, sobretudo nas proximidades da Ilha de Bioko - ex-Fernando Pó: são as que vêm do sul com as que ali vão desembocar de oeste para leste. Uma canoa sem remos ou uma embarcação desguarnecida dos indispensáveis meios de navegação, fica completamente entregue à sua sorte: à mercê da direção das tempestades e dos caprichos das correntes. Creio que foram esses os tormentos, as angústias e incertezas por que terão passado os pescadores nos longos dias e noites, que protagonizaram  as suas vidas nesse atribulado naufrágio.


 Refere o site Téla Nón que após "Mais de duas semanas a deriva no alto mar, o navio Andreia, e os 5 membros da tripulação, foram resgatados nas águas territoriais da Guiné Equatorial na manhã de terça – feira.  Segundo a presidência da república, o navio Andreia que ficou sem veio de transmissão de hélice, foi arrastado para o porto de Malabo. A mesma cidade onde se encontra o navio Tropical, que também esteve à deriva durante 19 dias. Segundo a presidência da república, os 18 membros da tripulação dos dois navios, deverão chegar ao país nos próximos dias. As duas embarcações deverão ser arrastadas para o Gabão, para efeitos de reparação do veio de transmissão de hélice. Navio “Tropical” já foi resgatado pela marinha da Guiné ... - Téla Nón


MARES DO GOLFO DA GUINÉ – MARES DE TORNADOS, TUBARÕES E PIRATAS


Como se  não bastassem os tornados e os tubarões, outra das grandes ameaças que abundam nestas águas, é a da pirataria São Tomé pede ajuda contra pirataria e contrabando - Muitas das praias das costas do Golfo, dão abrigo a incursões de piratas que atacam qualquer embarcação que esteja ao seu alcance, saqueando e matando, tornando estes mares um palco de inúmeros perigos.  Piratas tomam de assalto petroleiro grego no golfo da Guiné -....As 10 zonas mais afetadas pela pirataria marítima -....Piratas multiplicam ataques no Golfo da Guiné..

Fui alvo dessa incursão, felizmente sem consequências Quando fui largado pelo pesqueiro Hornet, junto à Ilha de Ano Bom –  , cujo comandante se recusara levar-me um pouco mais a sul, na corrente equatorial, duas canoas   foram ao meu encalce.   Naquela altura,   aquela ilha estava praticamente esquecida da  Guiné Equatorial e do resto do mundo - Dispunha apenas de uma ligação anual com o continente. Havia muita carência, muita fome. Dei-me conta desse facto, durante as horas em que o navio esteve ali fundeado. Perseguiram-me durante toda a manhã e toda a tarde. Não me apanharam porque eu navegava à vela e  tinha vento de popa e as canoas iam a remos. Expuseram demasiado  também as suas vidas. O tornado que. nesse dia à noite me surpreendeu (soprando de sul para Norte) dificilmente os conduziria de regresso à sua ilha. 





Nestes mares são  frequentes os tornados arrastarem à sua frente as pequenas canoas – E, naufrágios com embarcações maiores, também ocorrem de vez em quando. Desta vez, não foi o tornado mas problemas mecânicos e falta de equipamento técnico adequado, que permitissem mais facilmente a sua localização – São Tomé e Príncipe continua a debater-se com muitas dificuldades, e a sua precária frota pesqueira, não é exceção – Ao que parece, reduzida às duas embarcações do alto mar que costumam atracar no cais velho na Praça da Independência na capital são-tomense, para abastecer o mercado com o pescado". 

Congratulo-me pelos esforços da Guiné Equatorial. Não sei se outros países do Golfo tomaram idêntica iniciativa. Poderão não ter tomado. Desconheço. Num mar, onde a pirataria constitui uma grave ameaça, é de admitir que não ousassem arriscar. Pelo  menos, através dos recursos marítimos, mas sempre o poderiam fazer por meios aéreos


À FALTA DE MELHOR EQUIPAMENTO, O SIMPLES REFLETOR DE RADAR PODE SER UMA AJUDA PRECIOSA –  O  GOLFO DA GUINÉ É DEMASIADO EXTENSO E PERIGOSO 

Refere ainda o Téla Nón que  "O Director de Gabinete do Presidente da República, garantiu que através de tais reflectores as duas embarcações seriam facilmente identificadas através do sistema de radares que os Estados Unidos Instalaram no país" 
Refletores de radar - A importância de ser visto

Sim, é verdade que uma simples chapa de alumínio pode contribuir para a localização de qualquer tipo de embarcação - Cascos de madeira ou de fibra de vidro, que não sejam metalizados ou não contenham no seu interior estruturas de metal, escapam facilmente aos sistemas de radar. Não há veleiro algum que não traga essa cruzeta no topo do mastro.  E também é útil para as canoas.  Era isso que deviam levar as pirogas para colocarem no mastro, se acaso fossem arrastadas pelo tornado - Foi disso que eu me muni, quando parti para a minha última aventura de canoa - Infelizmente, devido à violência do primeiro tornado, a norte de Ano Bom, que me fez perder os remos e a maior parte do equipamento,  alimentos e água, acabei por não dispor desse precioso objecto. Tem duas importantes utilidades: para se evitar o abalroamento e para a embarcação ser mais facilmente localizada através do radar. O eco produzido por essas chapas, é o bastante para alertar o navio de que há algo a navegar  ou à deriva à sua frente, a bombordo ou estibordo. 






Nenhum comentário :