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Entre outros assuntos, falo da escalada ao Pico Cão Grande e das minhas aventuras em canoas – Visam defender a teoria de que antigos povos africanos, podiam ter sido os primeiros povoadores das Ilhas do Golfo da Guiné, antes dos colonizadores – Parti à meia-noite, disfarçado de pescador, ligando a ilha do Príncipe. Para me orientar, uma rudimentar bússola – A canoa era minúscula, à segunda noite adormeci: rolei na escuridão das vagas. No regresso fui distinguido com sopapos da policia salazarista, enviado para os calabouços – Cinco anos depois, numa piroga maior, fiz a ligação São Tomé-Nigéria. Partindo igualmente à noite, 13 dias depois atingia uma praia de Calabar, tendo sido detido 17 dias por suspeita de espionagem. - No mesmo ano, já com São Tomé e Príncipe independente, tentei a travessia São Tomé ao Brasil, usando os mesmos recursos. Além de pretender reforçar a minha teoria, desejava evocar a rota da escravatura e repetir a experiência de Alain Bombard. Porém, quis a ironia do destino que vivesse a difícil provação de um naufrágio de 38 longos dias, tendo aportado numa praia de Bioko (Bococo)onde fui recambiado para a famosa prisão de Black Beach

segunda-feira, 10 de junho de 2013

"Nada está escrito” mas há uma balada de aflitos e uma “Senhora das Tempestades” e houve um "Nambuangongo Meu Amor" - Obras de Manuel Alegre, o poeta da Praça da Canção, em cujas veias corre o errante e o mareante ou o esplendor de um instante / sempre que estou perdido no caminho” – Nada estava escrito no nosso caminho de antigo navegante mas sentámo-nos, ontem, à sua frente, em mais uma peregrinação pela Feira do Livro de Lisboa

Depois da postagem anterior que dedicamos à Feira do Livro em Lisboa, nos primeiros dias de Junho, voltamos lá nos dois últimos dias do encerramento - Para além Manuel Alegre e de João de Melo, veja ainda Salazar e o Poder - A arte de saber durar" do historiador Fernando Rosas. E "As Lições dos Descobrimentos" no qual são dadas conheccer as 10 virtudes e os 5 pecados da Expansão Portuguesa  por Jorge Nascimento Rodrigues e Tassaleno Rodrigues -- Entre outros autores e imagens

"PELO MAR QUE É UM NOVO CAMINHO"




Manuel Alegre esteve, neste domingo de tarde, na Feira do Livro de Lisboa, para uma sessão de autógrafos e conviver com os seus leitores -Voltamos à feira e não quisemos deixar de comprar a sua mais recente obra poética. 

Aquando do lançamento do  livro  de poemas “Nada está  escrito”, Manuel Alegre lamentava que  a Troika viesse a Portugal dizer o que deve ou não fazer. Infelizmente,  de volta e meia aí estão os três “reis magos” da nossa malfadada sorte. Enquanto permanecermos no euro, a nossa independência continua seriamente ameaçada. O que podia ter sido uma oportunidade de uma europa solidária e progressista, não passou de uma gigantesca fraude: com a esmagadora maioria dos governos liberais a juntarem-se aos caprichos do capitalismo alemão e dos lobos do FMI, não há salvação possível – Mas, face à crise que colocou mais de  um  milhão de portugueses no desemprego e nas ruas da amargura, há todavia uma esperança: o regresso ao mar. Não propriamente o das caravelas quinhentistas, mas do aproveitamento dos imensos recursos da nossa costa marítima - um novo caminho -  Pena foi que a nossa frota pesqueira tivesse sido desmantelada  à custa de subsídios envenenados e de decisões políticas levianas e irrefletidas – O mal está feito, a cura é complicada mas não é impossível dar-lhe a volta



"Para Jorge Marques, pelo Mar, que é o novo caminho” – Estas as  palavras que nos autografou, seguidas de um abraço, no seu mais recente livro “Nada está escrito” – Por isso mesmo, compreende-se a enorme  incerteza, angústia e   aflição, dos portugueses apanhados desprevenidos e sem perspetivas de futuro – Assim sendo, resta-nos voltar ao mar, que é o novo caminho, diz Manuel Alegre.

SEM  PRECISARMOS DE RETORNAR ÀS CARAVELAS - OS RECURSOS SÃO IMENSOS E ESTENDEM-SE AO LONGO DA NOSSA COSTA 

Noutros tempos, e sem os avanços náuticos que a ciência atualmente permite, negligenciando as potencialidades que tínhamos à porta, desprezando os nossos mares e os nossos campos, instigados pelo espírito de aventura e na mira das riquezas fáceis, desbravámos mares nunca dantes navegados – Mas foi mais a ambição de que o proveito económico  . Não se pode dizer que ficássemos ricos. E quem se aproveitou não foram os povos, mas uns poucos. No plano cultural e espiritual,  abstraindo os erros e o  lado opressivo dos  colonialismo, resta-nos a satisfação de, com a  revolução de Abril, ao pormos fim a uma guerra  que ceifava vidas e recursos em Portugal e em África , termos dado novos povos ao mundo, irmanados por uma língua comum, que atualmente constituem  a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa ou CPLP

TARDE CINZENTA MAS SUAVE E CONVIDATIVA À BOA LEITURA E A SIMPÁTICOS CONVÍVIOS COM OS AUTORES - MANUELL ALEGRE E JOÃO DE MELO. 

Voltámos ontem à tarde à Feira do Livro: sem programa e sem qualquer informação dos poetas e escritores que poderíamos encontrar por lá  - A manhã começou fresca e chuvosa, a tarde continuou cinzenta – sim, o Junho ainda não encarrilou, antecipando-nos, em definitivo,  os fulgores do tão desejado Verão – Mesmo assim, fomos tentado a voltar àquela que é a maior mostra dos livros em Portugal. Na verdade, não imaginávamos que, ao passarmos pelo espaço da Leya, íamos deparar com Manuel Alegre, lado a lado com João de Melo – Cada um com alguns dos seus livros sobre a mesa, junto à qual se sentavam.

 João de Melo, com a sua última obra Diva Miséria, além de Os Anos da Guerra; O Meu Mundo Não é Deste Reino Gente Feliz com Lágrimas -

João de Melo  nasceu nos açores, em 1949, e fez os seus estudos no continente . Licenciou-se em filologia Romântica pela faculdade de letras e foi professor  nos ensinos secundário e superior. Reside  nesta cidade desde de 1967, mas atualmente vive e trabalha em Madrid.

Autor de vinde livros publicados ( ensaio, antologia, poesia, romance e conto),algumas das suas obras de ficção valeram-lhe vários prémios literários, nacionais e estrangeiros, e foram adaptadas para teatro e televisão, estando traduzidas em cerca de uma dezena de país.

Manuel Alegre –Manuel Alegre nasceu em 1936 e estudou na Faculdade de Direito de Coimbra, onde participou activamente nas lutas académicas. Cumpriu o serviço militar  na guerra colonial em Angola. Nessa altura, foi preso pela polícia política (PIDE) por se revoltar contra a guerra. Após o regresso exilou-se no norte de África, em Argel, onde desenvolveu actividades contra o regime de Salazar. Em 1974 regressou definitivamente a Portugal, demonstrando, nos vários cargos governamentais que tem desempenhado ao longo dos anos, uma  intervenção fiel aos ideais da Liberdade.

 A sua poesia foi e é um hino à Liberdade e, talvez seja por isso que é lembrada por muitos resistentes que lutaram contra a ditadura. É considerado o poeta mais cantado pelos músicos portugueses, designadamente Adriano Correia de Oliveira, José Afonso, Luís Cília, Manuel Freire, António Portugal, José Niza, António Bernardino, Alain Oulman, Amália Rodrigues, Janita Salomé e João Braga. - Excerto deCantar a Liberdade - Manuel Alegre - Instituto CamõesSobre a vida e obra de Manuel Alegre consulte:http://www.editorial-caminho.pt/lista_autores.asp?autor=135

  

 Na mesinha de Manuel Alegre, vimos "Nada está escrito" – Publicado o ano passado, depois de, em 2008, ter editado "Nambuangongo Meu Amor".- Além de outros títulos, deparamos com a "Senhora das Tempestades", que já possuiamos desde o lançamento em 1978, tendo   então fotografado o poeta  - . Mas  também era só dar meia dúzia de passos e procurar os livros  nas prateleiras de stand ao lado.Havia muitas mais obras dos dois autores 

Com efeito, Manuel Alegre  é dos raros poetas que não se confina  a escrever versos, simplesmente pelo prazer de os escrever, dando largas à sua verve poética,  versejando e intelectualizando a palavra, mas para fazer da sua sensibilidade o eco, o testemunho,  a voz combativa e interventiva,  inconformada  e esclarecida. A poesia empenhada em causas cívicas e políticas  e  também a expressão singular  do  género épico ao satírico, o sentimento profundo da “reflexão e meditação sobre o homem, a vida, a morte, a história, Deus, o mistério da própria poesia” – diz Vítor Aguiar e Silva, no prefácio do  livro “Senhora das Tempestades”, editado em 1998,  Obra que muito apreciamos, autografada então pelo poeta, em cujos poemas  sentimos a emoção de muitos dos infinitos momentos que  vivemos e sofremos  ao longo das infinitas  horas de noites e  dias em que andamos perdido. Pois, segundo diz ainda Vitor Silva,  “o poema que confere o título ao livro- Senhora das Tempestades -  é uma longa, esplendorosa, solene e dramática  ode na qual a persona lírica se dirige  a essa misteriosa, terrível,  formidanda  e sortílega Senhora das Tempestades, cantando o espanto, a assombração, a angústia e o pavor da visitação da morte.”

Senhora das Tempestades

Senhora das tempestades e dos mistérios originais
quando tu chegas a terra treme do lado esquerdo
trazes o terremoto a assombração as conjunções fatais
e as vozes negras da noite Senhora do meu espanto e do meu medo.

Senhora das marés vivas e das praias batidas pelo vento
há uma lua do avesso quando chegas
crepúsculos carregados de presságios e o lamento
dos que morrem nos naufrágios Senhora das vozes negras.

Senhora do vento norte com teu manto de sal e espuma
nasce uma estrela cadente de chegares
e há um poema escrito em páginas nenhuma
quando caminhas sobre as águas Senhora dos sete mares.

Ler mais em Senhora das Tempestades - Manuel Alegre - Blocos Online

«Numa “Balada dos aflitos”, Manuel Alegre escreve que “este por certo não é tempo de poesia”. Não tem novas de pão e vinho para um povo assolado por uma crise económica, cultural e identitária, em que pouco mais pode ser do que poeta de um país de bandeira esfarrapada. Mas, neste reino, a quem tudo é recusado e onde tudo se avalia, diz Alegre, figura em que autor e sujeito poético voluntariamente se confundem, “talvez o poema traga um novo dia”. - Excerto de“Nada está escrito”, de Manuel Alegre |


Balada dos Aflitos
24-12-2011

Irmãos humanos tão desamparados
a luz que nos guiava já não guia
somos pessoas - dizeis - e não mercados
este por certo não é tempo de poesia
gostaria de vos dar outros recados
com pão e vinho e menos mais valia.


Salazar e o Poder. 

Muito se tem escrito do ditador Salazar - O estudo  de Fernando Rosas, julgamos que é imperdível  - Registámos umas breves declarações acerca do seu livro Salazar e o Poder - A arte de saber durar, poucos momentos antes de terminar a sessão de autógrafos

“Especializado na história do Estado Novo, Fernando Rosas publica finalmente o livro que vai ao cerne da questão fundamental acerca deste período: quais as verdadeiras razões para que o regime salazarista durasse 48 anos (a mais longa ditadura da Europa do século XX). Os leitores irão compreender que as explicações simplistas, mais ou menos decorrentes do senso comum, são simultaneamente as mais ideológicas e as menos esclarecedoras.http://www.imperdivel.net/617-salazar-e-o-poder.html
"Salazar e o Poder leva-nos a colocar questões incómodas sobre a nossa própria indefensão ou mansidão perante o totalitarismo neoliberal que vai chegando" [Joseph Ghanime]http://www.pglingua.org/sites-associados/imperdivel/5426-salazar-e-o-poder-de-fernando-rosas




As Lições dos Descobrimentos  – O que nos ensinam os empreendedores da globalização.10 virtudes e 5 pecados da Expansão Portuguesa


No último dia da Feira do Livro de Lisboa, pudemos conhecer dois excelentes investigadores,  que, desde há alguns anos, vêm editando, em coautoria -- através de Centro Atlântico - edições -  um conjunto de obras de inegável interesse histórico, cientifico, social e politico, vasculhando, nomeadamente, o período dos descobrimentos portugueses. Um é o português, Jorge Nascimento Rodrigues, colaborador do Expresso e coordenador do Centro Atlântico, o outro,  é o brasileiro Tassaleno Rodrigues, docente universitário Aqui lhe deixamos alguns dos títulos - 

As lições dos Descobrimentos - O que nos ensinam os empreendedores da globalização

A obra procede ao levantamento das 10 virtudes e 5 pecados da Expansão Portuguesa e constitui um manual rápido, baseado em histórias da nossa História, para os empreendedores, os gestores, os quadros, os estudantes e todos aqueles que pretendam ter uma estratégia e um projeto profissional e inovador num contexto de crise.
Aprender com a ‘Matriz’ de 10 Ingredientes do Sucesso da Expansão e evitar os 5 Erros Estratégicos que foram cometidos – são as Lições das Descobertas.– Excerto https://www.ubi.pt/Noticia.aspx?id=3868


“Portugal na Banca Rota”O filme que aqui se conta, começa, bem longe no tempo, com o Mestre de Aviz e a situação de quase-bancarrota a que o país chegou antes do início do processo de Expansão, no início do século XV. Mas, oficialmente, o primeiro incumprimento da dívida soberana só ocorreria em 1560; o último, no final da monarquia, acabou com uma reestruturação da dívida cuja negociação durou dez anos. Ao todo foram oito episódios que colocaram Portugal na galeria dos países com maior número de defaults até ao final do século XIX http://www.centroatl.pt/titulos/desafios/bancarrota/

Portugal - O Pioneiro da Globalização A História não se engana: os Portugueses de Quatrocentos e Quinhentos, ao longo de um processo evolutivo de mais de cem anos, foram os pioneiros na inovação tecnológica e geoestratégica numa época de transição. Valeram-se do improviso organizacional, de uma lógica incremental e de um pensamento «out-of-the-box». Souberam agarrar uma janela de oportunidade da História que não se repetiria. Este livro demonstra, com base numa investigação científica, a originalidade portuguesa. http://www.centroatl.pt/titulos/desafios/globalizacao/livro.html

Autores- Tessaleno Devezas, nascido em 1946, é Professor Associado com Agregação na Universidade da Beira Interior. Licenciado em Física, em 1969, pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
Jorge Nascimento Rodrigues, nascido em 1952, é editor dos portais 
www.janelanaweb.com(lançado em 1995) e www.gurusonline.tv (trilingue, lançado em 2000) e do blogue de geopolítica http://geoscopio.tv (2006). É colaborador do semanário português Expresso desde 1983 e coordenador da Revista Portuguesa e Brasileira de Gestão – Mais informação  em https://www.ubi.pt/Noticia.aspx?id=3868

Outros autores com quem falámos:




Isabel do Carmo, autografava, entre outros livros, - Pensar Perder o Peso que Pesa” – A médica endocrinologista e diretora do serviço de Endocrinologia do Hospital de Santa Maria, explica que não existe um peso ideal e dá dicas para um regime saudável e adequado a cada pessoa. em Lisboa. perder o peso

António Balcão Vicente – O Templário D' El Rei - Por entre os derradeiros ecos de uma cultura trovadoresca, Frei Arnaldo D'Eln, Cavaleiro Templário, através de um longo processo na demanda do autoconhecimento, estabelece a ponte entre Portugal e Aragão, dois reinos separados por Leão e Castela, mas muito próximos no florescimento das heterodoxias espirituais e de uma visão iniciática no quadro do Cristianismo. Confidente de Reis e Príncipes do século XIII, modela destinos, sem conseguir controlar o seu. Pel'"O Templário d'El-Rei" passam os sentimentos mais profundos da alma humana, numa teia de traições e lealdades, de guerras e ódios fratricidas, de amores e sonhos... António Balcão Vicent


Maria Lucília F. Meleiro - Dois casamentos, três funerais, dois reis. No rescaldo das profundas convulsões que abalaram o século XIX português, dois reinados de charneira e síntese se destacam. À sombra da Constituição, a Monarquia vai sobrevivendo. O rei é a entidade suprapartidária que mantém a coesão e o consenso entre as várias forças que se agitam no xadrez político. D. Pedro V e D. Luís I encarnam duas formas distintas de exercer esse poder moderador, a que não é estranha a personalidade do próprio rei. À volta destes soberanos geraram-se vários mitos que persistiram até hoje. Uma investigação realizada a partir de centenas de cartas, diários, anotações e reflexões, legadas à posteridade por estes monarcas, permitem à autora reescrever a história, arrancando as máscaras sob as quais fervilham tumultos inconfessáveis e as mais secretas paixões. In    Máscaras da Paixão

















Livros da Edicare – As crianças precisam de ler e de tocar os objetos – E o livro também pode ter essa dupla função – Foi o que constatamos junto dos seus editores – Um casal feliz – E que também estava satisfeito pelo  êxito das vendas – Consideram que “ Tal como uma criança precisa de provar várias vezes um alimento para determinar se gosta ou não, até à sua aceitação, os livros, as letras, a textura do papel e toda a mística envolvente e sedutora do livro deve ser incentivada e apresentada à criança uma e outra vez. Edicare - Horizontes Criativos


segunda-feira, 3 de junho de 2013

“Quem chama pela Fada do Galo Preto” – Aventuras de um galo com dentes “ de criança” que gosta do mangustão de S. Tomé – Helena Osório, inspirada numa visita a esta ilha, conta a história infantil de uma menina que sonhava com uma vida melhor - Esta uma das minhas surpresas numa visita à Feira do Livro, em Lisboa.


Acompanhe-me na visita que efetuei  à Feira do Livro de Lisboa - Há por lá "Histórias do Arco da Velha" E onde vi livros a todos os preços e  para todos os gostos - Com descontos nunca vistos - A crise tem destas coisas. Apesar disso, pareceu-me melhor de que o ano passado - até pela mudança de calendário e qualidade dos eventos - mesmo na leitura e diversão para crianças.





Não perca: tenho muito para lhe contar e mostrar - Até para lhe recordar a entrevista que fiz a um famoso burlão, que um dia pôs o Hospital de Santa Maria, em alvoroço  e outra  entrevista a Miguel Sousa Tavares, em direto para a Rádio Comercial -RDP, numa noite de Santo António, no Castelo de S. Jorge, que o fez desatar a rir - sobretudo pela pergunta e pelo meu embaraço -  No fim, poderá ler ainda alguns excertos de um belíssimo conto  infantil, que o transporta a S.Tomé - E olhe que não só pode divertir e ser útil a miúdos como a  graúdos.





Mas a razão principal desta postagem -  num site  particularlmente voltado para os mares do Golfo da Guiné - tem mais a ver com as duas imagens ao lado - O resto  - e é muito - , veio por natural acréscimo 

Pois bem; o livrinho que me supreendeu, chama-se: "Quem chama pela Fada do Galo Preto? Aventuras de um galo com dentes" – E também de uma fada, a que se juntou uma menina, algures em África – Esse algures, tem a ver com a Ilha de S. Tomé. Com uma menina que sonhava com uma vida melhor – Que, ao contrário das crianças que estragam os dentes em guloseimas, bolos, rebuçados e batatas fritas, (sim, talvez porque também não tivessse outra alternativa) ela mantinha os dentes bonitos, livres dos monstros bacterianos, visto dar preferência aos saborosos frutos tropicais da sua terra, entre os quais, o mangustão, que existe no coração da Ilha, mais propriamente na Roça Bombaim, onde foi introduzido por um português que veio de uma das colónias portuguesas na Índia, como degradado.



Falei com a autora, na Feira do livro de Lisboa, que me revelou o seu encantamento por São Tomé, cujas recordações a inspiraram a escrever uma história infantil, dedicada à menina Ito, com magnificas ilustrações da pintora Emídia Naval - E também fiquei a saber que as suas histórias são costrutivas: fazem voar  a imaginação das crianças, são um deleite para o seu espírito  mas também lhe transmitem ensinamentos e alguma pedagogia.

Uma visita à Feira do Livro, em Lisboa, ainda a decorrer até ao dia 10, proporcionara-me agradáveis encontros – Com antigos colegas de trabalho, em S. Tomé, que já não vai há talvez perto de 40 anos, - E também simpáticos diálogos com alguns escritores – Entre os quais, Daniel Sampaio, Pepatela, Ana Paula Almeida, Helena Osório, autora de vários livros infantis, um dos quais especialmente dedicado a uma menina de S. Tomé, a cujo texto me vou referir mais adiante, bem como a outros autores.

QUEM DIRIA! - 40 ANOS DEPOIS...

Na Sexta-feira e  Sábado,  desloquei-me à Feira do Livro de Lisboa 2013 | no Parque Eduardo VII. Como de costume, mais uma vez não resisti ao fascino dos livros e da sua leitura. Excelente oportunidade para  dialogar com livreiros e autores e se ampliar a biblioteca  pessoal  - confesso que já não sei onde os arrumar os milhares de livros que tenho. E também para   encontrar  antigos colegas de trabalho, com os quais havia trabalhado na Brigada de Fomento Agropecuária, no Potó Potó, em S. Tomé, que já os não via há quase 40 anos -  Tal foi  o caso do Eng. Agrário Renato Sena Martins, natural de Cabo Verde, bem como sua esposa,  a Engª  Agrª. Maria Adelina Martins, que deixara Lisboa, a sua cidade natal para um dia também rumar, com o seu marido, até à longínqua e luxuriante ilha verde do equador – Foi este amável casal que me reconheceu. E, de facto, não podia ter tido melhor encontro para recordar aqueles tempos, já idos e já tão distantes, mas ainda tão sensíveis à memória e ao  coração. Obrigado amigos pela saudosa viagem que me fizeram reviver. Estava eu, naquele momento, junto ao stand da editora “Esfera dos Livros”, para dois dedos de diálogo, com a Júlia Pinheiro, que ali autografava o seu primeiro livro “Não sei nada sobre o Amor”. Foi uma bela supresa. Espero nos voltarmos a encontrar.


QUEM É QUE NÃO CONHECE ESTE ROSTO! - OU OS ROSTOS DOS DOIS?!

 A júlia - inconfundivel naquele seu sorrio aberto e galhofeiro - é uma estriante nas aventuras literárias. Mas já deu para ver que vai longe: experiência de ofício  não lhe falta. Sim, ela que lida diariamente com os mais diversos episódios ou dramas humanos, não lhe faltam histórias de vidas. E de olhar as pessoas e as coisas, muito terra a terra.  De    "não nos  empolgarmos  com casos de paixões arrebatadoras, nem chorarmos com casamentos felizes"  "NÃO SEI NADA SOBRE O AMOR"  traça o retrato de uma sociedade  e de um país ao longo de  quase 70 anos de  história, através do olhar de Maria Glória, a avó, Maria da Purificação, a filha divorciada, Ana Clara, a neta mãe solteira, e Benedita, a bisneta, que, apesar de todas as expectativas, não se casa com nenhum príncipe encantado".

Comprei a obra e, pelo que foi dado ler, a leitura é fluente e arrasta-nos pelas suas páginas, como se estivemos descendo o riacho, a que a  autora alude. Pouco depois, chegava o marido Rui Pego, meu antigo colega na Rádio Comercial – Já o não via há uns anos – Mais uma agradável  surpresa que não estava no meu horizonte. De facto, motivos, neste certame, não faltam para uma tarde bem passada e bem ocupada.

ARQUIMEDES TAMBÉM ESTEVE NA FEIRA

  

Dei um giro pelo stand do alfarrabista  Arquimedes ,, que me prometera uma das raras obras do periodo colonial em S. Tomé - A mão d'obra em S. Thomé e Príncipe / Francisco Mantero. - Lisboa : Edição do Autor. - Tem lá mais na sua livararia mas na edição em francês e inglês - Quem se abeirar do seu stand, não dá por perdido o tempo: encontra sempre algo que procurava e não encontrava em parte alguma . Além disso, a preços sensatos - A mesma obra que me vendeu por 40 euros, o ano passado, houve quem me pedisse, 120. A lado, um colega do mesmo oficio, ao saber do dito livro, ofereceu-lhe 50 - Mas ele é um homem honrado e de palavra, cumpriu o prometido.

O JORNALSTA-ESCRITOR QUE PEGOU O DIABO POR UMA DAS MÃOS , AMARROU-O SEM RECORRER À  FORQUILHA, COM UM SIMPLES SORRISO!

Comprei depois o “Anjo Branco", de José Rodrigues dos Santos – Mas, pelo que me apercebi, embora Anjo Branco,  já vendesse 164.000 exemplares, não era a atração de momento, mas "A Mão do Diabo, que ele tinha à sua frente e que ia autografando   de mão em mão, o tal livro que fez pontaria certeira, antevendo  atual crise financeira e o desemprego, que, em Portugal,  Mais de um milhão de portugueses não tem emprego E qual o professor que não se queixa? "A crise atingiu Tomás Noronha. Devido às medidas de austeridade, o historiador é despedido da faculdade e tem de se candidatar ao subsídio de desemprego. À porta do centro de emprego, Tomás é interpelado por um velho amigo do liceu perseguido por desconhecidos" In A Mão do Diabo,


Mas, por agora, vai o Anjo Branco  - Andava cheio de curiosidade de ler este romance, cujo enredo se passa na década 60, em Moçambique, altura em que também fui parar a  S. Tomé. Uma das personagens, é José Branco, o médico (creio que tem a ver com a vida de seu pai) que tinha ido viver para uma remota aldeia, na qual, “confrontado com inúmeros problemas sanitários, teve uma ideia revolucionária: cria o serviço médico aéreo

Trata-se de um grosso volume de quase setecentas páginas mas vou lê-lo, com muita atenção. Pois, José Rodrigues dos Santos, além de um notável jornalista e escritor, é uma pessoa amável. Foi apenas o tempo para me autografar o seu livro mas o bastante para nos transmitir  a boa impressão com que costuma apresentar-se na televisão . Vi que não hesita em confiar o seu e-mail aos leitores – Está no livro – A forma direta de poder dialogar e receber o eco de quem o lê.Há, no entanto,  quem o faça através do editor. É o caso de Miguel Sousa Tavares -

SERÁ QUE O SORRISO NÃO SE GASTA EM TANTOS AUTÓGRAFOS?!...

No dia anterior, também fui uma das centenas de pessoas que se puseram na fila para lhe pedirem o autógrafo de “Madrugada Suja”. "No princípio, há uma madrugada suja: uma noite de álcool de estudantes que acaba num pesadelo que vai perseguir os seus protagonistas durante anos. Depois, há uma aldeia do interior alentejano que se vai despovoando aos poucos, até restar apenas um avô e um neto". Não se enganou: há muitas aldeias fantasmas, não só no alentejo, como noutras paragens do país profundo: a  Aldeia do Colmeal  onde meu bisavô nasceu, foi desertificada à força pelo regime fascista. Mas eu estava ali, não tanto pelo autógrafo. Claro que me dá prazer poder estar frente a frente com o autor de uma obra, e, como jornalista, até pude ter o gosto de ser recebido em suas casas. Vergílio Ferreira, Fernando Namora, Amália Rodrigues, José Gomes Ferreira, Oliveira Marques, Mons. Moreira das Neves,  Carlos Villaret, Carlos Botelho, Alberto Abecacis Manzanares, Cupertino de Miranda, políticos, tais como Franco Nogueira, Adelino da Palma Carlos, Costa Gomes  e muitos outros escritores e figuras públicas - e até de ex-presidiários dos "melhores rapazes". Mas eu estava ali, não tanto pelo autógrafo mas  para lhe manifestar a minha admiração pelo seu extraordinário romance, “Equador ”, que muito apreciei – Até porque, embora o enredo se passe no princípio do século XX, fui ali encontrar muito do ambiente, que ele  descreve e que bastante me emocionou, dado o ter vivido no corpo e no espírito - Pois, o  esclavagismo, a prepotência dos roceiros, não era apenas exercida  sobre os marterizados negros mas também sobre os desgraçados empregados de mato. 

 NÃO RECEBE CORREIO POR E-MAIL DOS LEITORES.. -  SÓ É CONTATÁVEL ATRAVÉS DA EDITORA: TALVEZ PELO RECEIO DE  QUE ALGUM VIRUS INFORMÁTICO  DEVASTADOR LHE FULMINE O COMPUTADOR  - PELOS MENOS, UNS ORIGINAIS JÁ LHE VOARAM  Roubado computador de Sousa Tavares que tinha obras originais ...




Disse-lhe que tinha  sido empregado de mato, na Roça Uba Budo (respondeu-me que não a chegara a conhecer), mas conhecera a Ribeira Peixe e Rio do Ouro, nas quais eu também havia trabalhado. Como é compreensível, embora tivesse optado por me colocar na fila, quando esta já dava sinais de  ir terminar, claro, mesmo assim, não quis abusar - Apenas era meu desejo exprimir-lhe o meu apreço.. Gosto dos seus livros e tenho a certeza de que ele também gostaria de conhecer as minhas histórias do mar e as minhas experiências na roça, em S. Tomé. Pedi-lhe o e-mail para lhe indicar o linke de algumas postagens deste site. Respondeu-me que podia fazê-lo através da editora, que é indicado no livro. Só que, à editora, tal como às redações, chegam muitos e-mails: nuns, olha-se para o título, noutros,  nem isso: é clicar no rato  e lá vai ele,   até porque é das tais limpezas higiénicas, some-se num ápice e nem poeira faz.



UM FUNCIONÁRIO AUTÓMATO E MUITO ROBÓTICO   -  Sentado ao lado, estava um zeloso funcionário da editora, Clube do Autor a quem me dirigi para lhe perguntar como devia referenciar a mensagem, de modo a não correr o risco de ser apagada: responde-me, em jeito de robô: ponha S. Tomé. E,   virando-me as costas, alega: "Desculpe! Tenho de prestar assistência ao autor". O que ele não queria era deixar de dar nas vistas - :  sorria quando sorria MST; ficava sério, quando MST ficava sério -Só não reparei se ele ao imitar os seus gestos, também se punha nos bicos dos pés.  Coisa mais autómata, nunca vi.Mais um convencido a querer dar nas vistas só porque estava ao lado de uma vedeta - Foi substituir uma funcionária (editora?) que me pareceu ter feito melhor figura do que ele - E sem precisar de tanta comédia.




NOME DO CORREIO ELETRÓNICO SUPER-RESERVADO 

Sou jornalista: mostrei a MST o cartão a pensar que (sendo do mesmo ofício) me pudesse indicar o seu e-mail - para lhes mandar os links das minhas aventuras  -  se me visse nos tempos da RC, sabia quem eu era, mas já lá vão uns anos!... Pois,uma das coisas em que me esforcei, enquanto repórter na R.C, foi transpor obstáculos, ser direto, encurtar distâncias e não ter que primeiro implorar aos anjos para falar com Deus - Compreendo  o seu cuidado em não o tornar público - os escritores de best sellers têm de ser muito profissionais - mas, além de leitor, como disse, também sou jornalista. Claro, longe de ser estrela MST! - Mas já fico satisfeito por ter atravessado mares em condições que outros não ousam.

  
A NOITE  DE SANTO ANTÓNIO EM QUE ENTREVISTEI MST NO CASTELO DE S. JORGE - APÓS O QUE SOLTOU UMA SONORA GARGALHADA 




A entrevista  decorreu na madrugada de Santo António.  Vai fazer agora anos. -  Estava eu no Castelo de S. Jorge a realizar a cobertura, em direto,  para um programa noturno de Rui Castelar, na Rádio Comercial - Finais  dos anos 80. Ao vê-lo ali, (pois, MST, era já das caras emblemáticas da RTP) eis-me a aproximar-me dele e a colocar-lhe o microfone.,quase sem pensar a que propósito. Mas quem foi apanhado de surpresa fui eu: sei que ele se riu da pergunta que lhe fiz (riu-se mesmo a  sério, junto da pessoa amiga que o acompanhava, mas foi cortês, só se riu no fim!. Depois, vendo-o a ele a rir-se,  ri-me eu  de mim por lhe ter feito  uma  pergunta ridícula -Já não sei qual foi - Mas também devido à forma como  enquadrei o inesperado apontamento.  Nessa noite,  alguém  me convencera  a beber mais um copito com uma sardinha assada  no pão,  e foi no que deu.

 (atualização) Voltei à segunda sessão de autógrafos para comprar o Rio das Flores  e ofereci a MST um exemplar da revista Tabu do semanário SOL náufrago por vontade própria - - Fi-lo por uma única razão: por saber de antemão que ele vai gostar de conhecer essa história, tal como eu gosto de ler os seus livro: simples reciprocidade. 




O BURLÃO QUE DIZIA
TER MATÉRIA PRIMA
PARA CENTENAS
DE LIVROS
 - Fiz inúmeras entrevistas nas ruas de Lisboa para a Rádio Comercial - Num tempo em que não havia a confusão de estações que hoje há. E audiência podia não ficar atrás das televisões. Umas gravadas outras em direto. E com as mais diversas personagens , anónimas ou conhecidas . Recordo ainda outro  dos curiosos episódios no Castelo de S. Jorge: com o célebre vigarista Mortinheira de Moura(que viria a figurar num livro que mais tarde publiquei nos Cadernos de Reportagem da Relógio d'Água, nomeadamente a entrevista que gravei em sua casa)  um tal alfacinha que burlava ou roubava para se divertir e me confessava que a sua vida fazia uma livraria de histórias: - vendeu uma avioneta no aeroporto, várias estátuas,  apartamentos que não eram dele, entre outras "façanhas" . Pôs em alvoroço o Hospital de Santa Maria: depois de se disfarçar de enfermeiro, roubou uma carteira a um médico  e a seguir telefonou a dizer que andava por lá um larápio à solta.  Fez a aposta de que entrava na embaixada americana, disfarçado de funcionário, tendo tirado o isqueiro do gabinete do embaixador  O mesmo fez ao capitão de uma curveta, fundeada no Tejo. Um dia contratou cinco camionetas e vai de as mandar carregar as batatas de um vagão,  em  Santa Apolónia  - Estes apenas alguns casos.  - Entrevistei-o em sua casa (para o gravador) e em direto no Castelo de S. Jorge e de manhã, numa altura em que andava fugido à PJ - Só não disse o local onde  a mesma decorria.
  


RELÓGIO D'ÁGUA - MARCA DE QUALIDADE  INALTERÁVEL,  TAL COMO O ÓMEGA SUIÇO! - A MONTRA A  DAR AS HORAS DA MAIS FINA FLOR DE FICÇÃO E POESIA MUNDIAIS!






Ainda na tarde de sexta, passei pelos standes da Relógio D'Água  - Vários stands e muito por onde escolher - Os melhores livros de todos os tempos. - Onde há mais uva de que parra. Comprei "O Prelúdio" poético de William Wordsworth e Moby Dick de Herman Melville; "Poemas" de A.C. Swinburne; "Sexta-Feira ou os Limbos do Pacífico   - Boas obras e a preços muito simpáticos. Os autores são sempre contemplados com uma gracinha - bons descontos. Não vi lá o Francisco Vale, mas estava lá o filho, que não desmerece o pai. Editora esta que me deu a oportunidade de publicarQuando mato alguém fico um bocado deprimido Esteve duas semanas no 2º lugar do TOP de vendas, seguida da Rosa de Humberto Eco, está esgotada - Foi o primeiro trabalho literário no interior das prisões portugesas.

FEIRA DE LIVROS - MAS ONDE TAMBÉM NÃO FALTAM DIVERSÕES, CAFÉS, GELADOS, FARTURAS, COMIDAS, VINHOS E CERVEJAS











Não há evento onde não esteja a cerveja representada  - E lá estava, ocupando o centro do parque com preguiceiras para que o álcool fosse bem digerido. Até porque é indispensável alcoolizar a cabeça e gasificar as barriguinhas. É por isso que,  depois dos vinte, há muita barriga avantajada. Mas vá lá que, um pouco mais abaixo, havia uma prova de vinhos do Tejo - Ou não é verdade que um bom tinto, com peso conta e medida, além de  bom digestivo e das suas propriedades antioxidantes, dá trabalho a mais de um milhão de portugueses? - Então porque só chamam os gases da cevada fermentada para apoiar a seleção nacional?!...Qual o preconceito?!..O que é que se exporta mais é vinho ou cerveja?..


VALE A PENA LÁ VOLTAR


Voltei, no dia seguinte ao Parque  Eduardo VII – Era o dia mundial da criança. E constatei que havia ali muita brincadeira cultural para a miudagem. As aldeias morrem por falta de nascimentos, e, nas vilas e cidades, o panorama também não é muito animador – No entanto, face a tantos eventos, dedicados à pequenada, a impressão era de que, afinal, a vida ainda se vai renovando, pese a grave crise dos novos tempos

LÍDIA JORGE - A TERNURA DE SER INTELIGENTE, SIMPLES, OBSERVADORA  E DIRETA


 Sabia que ia ali estar Lídia Jorge para autografar o seu última livro, 
A Noite das Mulheres Cantoras“ « A Noite das Mulheres Cantoras é um romance exemplar tanto na representação das relações sociais entre as personagens quanto na vertente histórica. […] funciona como um poderoso aguilhão da memória pessoal, que certamente encantará os leitores.»  Sem dúvida, mais uma obra magistral de uma das maiores escritoras portuguesas da atualidade.  – Quis aproveitar a ocasião  de comprar o livro e de a cumprimentar – É uma escritora, cuja obra e pessoa,   muito admiro. Mora no mesmo edifício, onde também morava o escritor Vergílio Ferreira – Teve a amabilidade de me receber também em sua casa, de me ter prefaciado o catálogo de uma exposição fotográfica

AO LADO DO FILHO AMADO

Posteriormente, teve ainda a gentileza de me escrever um interessante texto para um livro a publicar, com fotos de minha autoria,  poemas de António Ramos Rosa e também outro contributo literário de Oliveira Marques, que me ofereceu, uns anos antes da sua morte. O meu azar foi ter batido a portas erradas – Uma editora, perdeu-me os textos, fui forçado a tirar-lhe as fotografias, a outra, depois de alguns anos de inexplicável demora, dei-lhe um prazo, não o tendo cumprido, retirei-lhe o projeto.


Depois disso, desinteressei-me. Falámos sobre o assunto. Pedi-lhe a sua colaboração. Entusiasmou-me. Vamos lá ver...Ainda no espaço da  Leya,  pude fotografar e falar com vários autores. Claro, não me era possível comprar os livros de todos, mas comprei ainda o romance de Inês Pedrosa, “DENTRO DE TI VER O MAR” "A história de três mulheres desobedientes e de como cada uma delas encontra a sua própria voz".Gostei do título, pois fez-me lembrar o sentimento de liberdade que sentia, quando me confrontei, sozinho, ao longo de vários dias e noites  no oceano.”   A referida obra é classificada, por Agustina Bessa Luís, como “um esplendor que nos surpreende” – Avaliar pelo que já li, foi de facto a sensação que tive.


A CRISE TORNA A VIDA TÃO CHATA! VALE A PENA SORRIR



 Naquela tarde, pude dar um abraço a Mário Zambujal, -  até parece que a idade não passa por ele, agora envolvido também no Jornal Sénior O autor dos Bons Malandros, lá estva com as suas Dama de Espadas – Crónica dos Loucos Amantes, de Mário Zambujal, o escritor que ao longo dos anos tem conquistado várias gerações de leitores é uma obra singular sobre as conturbadas relações entre homens e mulheres, - Sim, foi uma peregrinação proveitosa - Nuns casos, só quase de passagem, noutros mais estreitos e afetuosos, convivi, dialoguei e fotografei vários autores - Entre os quais também, Helena Sacacura Cabral - Amorosa na escrita e em pessoa: tenho já vários livros de sua autoria, que adoro. Estive ainda na sessão de autógrafos da atriz Lídia Franco, tradutora de UM HINO À VIDA, de Eric-Emmanuel Schmitt. Simpática e afável, Expansiva e bem humorada,  como sempre. Um belo encontro com uma atriz que, tal como é referido na contra capa pelo autor,  gosta de “falar de coisas complicadas em palavras simples, aquecer o coração, dar sentido à vida” 
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O POETA QUE JÁ FOI CRÍTICO  - AGORA ESCREVE E É EDITOR


Passei depois junto às edições da editorial Minerva, onde se encontrava, o seu editor literário para autografar Palmadas e Rebuçados. Não conhecia o autor mas fiquei a saber que já tivera um programa, sobre poesia, na Rádio Renascença,  há uns anos e que não é noviço nestas coisas da escrita. Foram momentos muito animados. Não pude comprar o livro (pois o stand não dispunha de multibanco) mas fiquei com imensa curiosidade pela sua obra.

“Osvaldo enfeitiçador de cobras e lagartos»

Já mesmo quando me ia embora, deparo com uma animação para crianças – Tratava-se do  “Osvaldo enfeitiçador de cobras e lagartos» da autora Helena Osório, apresentado pela ator Joaquim Nicolau  - Sem dúvida, um ator talentoso. Faz divertir os miúdos e os graúdos. Ao passar naquele espaço infantil,  não me era possível ficar indiferente.  Pude depois falar com ele e também conhecer a autora Helena Osória, que me pareceu uma mulher extraordinária, uma escritora amorosa e de uma grande sensibilidade – Estava longe de imaginar que me ia surpreender com um tão maravilhoso livro infantil, inspirado numas férias que passara em S. Tomé.


A HISTÓRIA DE UMA MENINA QUE SONHAVA COM UMA VIDA MELHOR

A partir de uma breve introdução sobre a lenda algo fantasiada do galo de Barcelos, representativo de Portugal (e até da Galiza, pelo milagre de Santiago de Compustela que se descreve), Helena Osório parte para os contos da fada dos dentes que se preocupa com a higiene oral dos mais novos. O galo acompanha a fada em todas as aventuras e ganha mesmo dentes para sentir a importância de os bem tratar e para poder ensinar às crianças e jovens o que fazer para prevenir cáries e outros problemas. Entretanto, algures em África, uma menina perde dentes de leite e chama pela fada para os trocar por ouro. Os três viajam até à terra do galo onde a menina entra pela primeira vez no consultório de um estomatologista e fica fascinada com um menino que tem cócegas nos dentes e se ri muito enquanto está a ser tratado"

Vou tomar a liberdade, de seguidamente, transcrever alguns excertos das duas primeiras páginas..

 “Era uma vez, EM ÁFRICA, UMA MENINA QUE SONHAVA COM UMA VIDA MELHOR...

Em África, o dia  faz-se cedo e a tarde anoitece depressa, antes das seis. Toda a família se deita, ainda o vermelho de sol se destaca no riscado azul petróleo  de um céu a pedir noite, porque o calor obriga a despertar de madrugada e porque não há televisão. As crianças pedem aos pais para deixarem as portadas abertas, contando as estrelas e levando-as para os seus sonhos. Quando as estrelas não se fazem rogadas e entram  com a brisa morna para lhe acariciarem os cabelos emaranhados negros, até a natureza se ri, o calor fica mais fresco e os lábios carnudos das crianças desenham um coração vermelho, como se o sonho ganhasse sabor a mangustão. Mangustão?

Ito acaba de perder dois dentes que coloca debaixo da almofada, esperando ansiosa pela fada chegada da fada  dos dentes que os vai trocar por papitas de ouro. A menina credita, seriamente, que a fada existe- como não duvida que esta a vem ajudar a ter uma vida melhor do que aquela passada na sua ilha, situada no meio do Golfo da Guiné, mesmo em cima da linha do Equador. É que, para as crianças, os dentes são um tesouro!

Ito está ansiosa com uma visita tão importante. Ousa percorrer a casa de madeira , às escuras, orientada pela luz ténue dos lampiões celestes – a qual entra filtrada às riscas, por portadas em ripas, que não sabem abafar o bater das ondas aos pés da aldeia dos pescadores. Os enormes olhos negros são faróis na escuridão. Negros na mistura de todas as cores, como as penas do galo que Ito ainda não conhece.
A menina crê que a fada dos dentes vive na estrela mais brilhante do seu céu e segreda-lhe desejos. Só não sabe que é amiga do galo, nem tão pouco conhece tal terra portuguesa. Gosta tanto dos dentes de leite que pede à estrela para estes deixarem de cair. Claro que é um gosto irreal, porque todos temos de perder os primeiros dentes, para dar lugar a outros mais fortes e duradouros.

Quando adormece, a fada da estrela – sempre com o galo pendurado na tiara  da fada princesa -, entra nos seus sonhos e fala-lhe assim:
- Ito, acorda! A noite está linda, vamos passear!

O galo canta, a menina desperta e arregala os olhos vermelhos de sono. Um vulto muito branco, de faces coradas, , e cabelos de ouro, caindo em cascata, debruça-se sobre o seu corpo mais pequenino, aninhado e quase nu. Salta. O galo bate as asas e a menina apanha um susto tremendo.
- Socorro! Um espírito!
. Calma, Ito! Somos amigas! Vim buscar os dentes debaixo da almofada.
- Fa-fada dos den-te-tes?
- Sim, a fada dos dentes e o amigo do galo preto. Sabes quem somos. Falamos em pensamento... –diz, intrigando a menina. – Não queres que te caiam os dentes, mas todos temos dois conjuntos de dentes: primeiro nascem os de leite que se devem cuidar bem, pois reservam o espaço para os dentes permanentes que têm de durar toda a vida. Toma!

A fada estende o punho fechado à menina que o agarra e o abre, apressadamente. A mão da fada espreguiça-se  em forma de estrela do mar e, na palma da osga transparente, brilham duas grandes pepitas de ouro (uma por cada dente).

- Aqui tens! É uma troca justa. Os teus dentes valem ouro por os tratares tão bem.
- Como sabes que os trato bem?
- Leio sorrisos...
Ito agarra as pepitas  numa só mão que fecha com força, temendo que o galo as trinque por se assemelharem aos grãos de milho. Mas os galos não têm dentes, nunca viu dentes nos galos nem asas que os façam voar  para muito longe. A fada dá uma gargalhada que ecoa no infinito e se desfaz nos trambolhões das ondas (a gargalhada, claro).

- Não tenhas receio  de perder as papitas. Não uso pozinhos de  PERLIMPIMPIM
(...) - É verdade que vives numa estrela?
- Vivemos. Eu sou uma estrela que dá esperança e luz. O mesmo acontece com o galo. Não conheces a lenda?
A menina encolhe os ombros.
O galo é o símbolo de um país longínquo, Portugal – continua a fada, exibindo o amigo na mão como se fosse um falcão magnífico. – Acreditas-te que vínhamos e trago-te ouro. Queres uma vida melhor?
- Como sabe?
- Leio pensamentos.
(...) -  Leio que escovas bem os dentes, pelo menos duas vezes por dia
- É bruxa?
- Bruxa boa! Adivinho porque não tens monstros na placa bacteriana  que vivem na boca e enfraquecem os dentes...
Galo preto! Estás dispensado!
E o galo canta agora numa língua diferente da portuguesa,  a língua de um galo.
- Monstros? –assusta-se a menina.
O galo dá um salto na cabeça da fada, que é o seu melhor poleiro, e logo salta para o chão que debica alegremente.
- Sim, monstros na tua boca e na de outros meninos se não lavarem bem os dentes e se comerem mais guloseimas e batatas fritas de que legumes e fruta.
- Pois, não é o meu caso. As minhas guloseimas são fruta de que gosto comer á beira-mar e, de preferência,  lavada com água salgada: banana, fruta pão, matabala. canja-maga, abacaxi, abacate, jaca, papaia, safu, cola e MAGUSTÃO!
- Concordo. Mangustão é um fruto duro do qual se comem apenas  os gamos brancos em torno do caroço. Hum! Sabe bem (diz de olhos fechados, imaginando-se a saboreá-los).As únicas árvores de mangustão existem no centro da Ilha de São Tomé.
- Por isso, os teus dentes são brilhantes! É necessário comer menos alimentos à base de açúcar  e de amido, porque se colam aos dentes e fazem crescer os monstros na placa bacteriana.