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Entre outros assuntos, falo da escalada ao Pico Cão Grande e das minhas aventuras em canoas – Visam defender a teoria de que antigos povos africanos, podiam ter sido os primeiros povoadores das Ilhas do Golfo da Guiné, antes dos colonizadores – Parti à meia-noite, disfarçado de pescador, ligando a ilha do Príncipe. Para me orientar, uma rudimentar bússola – A canoa era minúscula, à segunda noite adormeci: rolei na escuridão das vagas. No regresso fui distinguido com sopapos da policia salazarista, enviado para os calabouços – Cinco anos depois, numa piroga maior, fiz a ligação São Tomé-Nigéria. Partindo igualmente à noite, 13 dias depois atingia uma praia de Calabar, tendo sido detido 17 dias por suspeita de espionagem. - No mesmo ano, já com São Tomé e Príncipe independente, tentei a travessia São Tomé ao Brasil, usando os mesmos recursos. Além de pretender reforçar a minha teoria, desejava evocar a rota da escravatura e repetir a experiência de Alain Bombard. Porém, quis a ironia do destino que vivesse a difícil provação de um naufrágio de 38 longos dias, tendo aportado numa praia de Bioko (Bococo)onde fui recambiado para a famosa prisão de Black Beach

sábado, 21 de dezembro de 2013

São Tomé – 543 anos após João de Santarém e Pero Escobar terem desembarcado em Anambó - Exposição "Viagem ao Centro da Terra" na Casa Internacional de São Tomé e Príncipe,em Lisboa, assinala a efeméride. -Veja também neste post como era a praia há 43 anos, onde homenageei os bravos marinheiros portugueses


Enquadrada nos descobrimentos das ilhas Verdes do  Equador, a Casa Internacional de São Tomé e Príncipe (Rua da Assunção, n.º 40), em Lisboa, Portugal, inaugurou, pelas 19 horas de hoje,  a exposição fotográfica "Viagem ao Centro da Terra", com a leitura de poemas e a apresentação de um documentário sobre estas maravilhosas ilhas. A mostra foi organizada pela ONG espanhola Bierzosur, e  vai estar  patente até 17 de Janeiro -  Data que é admitida como tendo sido "descoberta" a Ilha do Príncipe, pelos navegadores portugueses, João de Santarém e Pero Escobar, justamente há 543 anos. Depois, de um ano antes, em 21 de Dezembro de 1470, terem desembarcado na Praia de Anambó, em São Tomé


Duas das imagens editadas hoje pelo Facebook da Casa Internacional de S.Tomé e Príncipe - Lisbon, Portugal .

Danilo Salvaterra, Presidente da CISTP, teve a amabilidade de me enviar um convite, porém, com muita pena minha, não me foi possível estar presente, dado me encontrar na minha aldeia, em Chãs, concelho de Vila Nova de Foz Côa,  onde habitualmente têm sido levado a cabo várias celebrações, junto aos Templos do Sol, relacionados com os Solstícios e Equinócios, eventos esses de que tenho sido o principal dinamizador.http://www.vida-e-tempos.com/2013/12/solsticio-do-inverno-2013-21-de.html Todavia, não quero deixar de destacar, neste meu site,  a interessante iniciativa de ONG Cooperación Bierzon Sur, que louvavelmente  foi acolhida pela Casa Internacional de São Tomé e Príncipe, que espero visitar, logo que me for possível


EXPOSIÇÃO QUE SURGE DEPOIS DE UM COLÓQUIO DESTINADO A MOSTRAR A ACTIVIDADE MÉDICA DA ONG BIEZO SUR
O arquipélago de São Tomé e Príncipe, tem contado com o apoio da Ong Cooperación Bierzo Sur, atividade essa que se tem cifrado por importantes contributos a nível de assistência medica, tal como foi referido, há um ano, num colóquio apresentado  por Carlos Telles de Freitas, Administrador do IMVF,  Carmén Alvarez Villas, Presidente da ONG Bierzo Sur e a participação de diversos voluntários da área da saúde, educação e da Cruz Vermelha espanhola, que deram o seu testemunho sobre o trabalho realizado, bem como as condições encontradas no terreno. Tendo então sido sublinhado, que a referida missão médica executou 884 consultas médicas e 63 intervenções cirúrgicas de ortopedia e de cirurgia plástica (queimados) integrando o Saúde para Todos - Programa Integrado, para além de sessões de formação para os técnicos de saúde locais Cooperacion Bierzo Sur faz balanço da sua missão em São Tomé 

EM DEMANDA DAS ROTAS DOS ANTIGOS NAVEGADORES DAS PIROGAS NAS SUAS MIGRAÇÕES DA MÃE-ÁFRICA PARA AS ILHAS DO PARAÍSO -   

.NÃO ME CRUZEI COM AS SUAS VELAS MAS IMAGINEI-AS, MUITAS VEZES, NAQUELES MESMOS MARES, TAL COMO TAMBÉM, OS NAVEGADORES QUE ALI PASSARAM, MAIS TARDE, NAS SUAS CARAVELAS

Há que realçar a coragem dos marinheiros lusitanos, que se fizeram ao mar apenas munidos de um mero astrolábio - Não dispunham de sextante, nem de cronómetro ou sequer de almanaque náutico que lhes possibilitasse algum rigor da navegação - Não iam completamente às cegas, porém,  embora dispondo de alguma informação, iam à aventura! - Indubitavelmente, foram grandes navegadores aventureiros

Sou português  e não descuro os feitos marítimos dos meus antepassados. Mas também não quero fazer  como a avestruz e meter a cabeça debaixo da areia. Nem fazer dos compêndios coloniais a bíblia sagrada.  

21 de Dezembro 1970 - autor deste site  -Imagem seguinte em abril de 2013.por Jorge Costa Reis No Padrão do Descobrimento - As minhas viagens - São Tomé



Sem deixar de admirar a coragem dos antigos navegadores,  busco outras interpretações. Eu próprio me desloquei de canoa, em Dezembro de 1970, desde a Baía Ana de Chaves ao recanto de  Anambó Local onde é suposto terem aportado pela primeira vez, João de Santarém e Pero Escobar  
  
Curiosamente, (confrontando as imagens Padrão dos Descobrimentos - Anambó,***e   :Anambó ) vejo que o sítio está agora mais bem conservado do que estava naquela altura (mas também bem mais diferente de quando ali aportaram aqueles arrojados navegadores) onde passei uma noite horrível, com as costas sobre lascas e gogos de todos os tamanhos e feitios (pois ali não existe praia de areia), mesmo quase sobre a margem onde as ondas vinham bater, embrulhado pelas palmas dos coqueiros mas constantemente a ser espicaçado e mordido por enormes caranguejos do mar e da terra, que não me deram um minuto de descanso 

Não me deitei no mato, receando as cobras negras. E, ao alvorecer, perante aquele vetusto e simbólico padrão,  rodeado de palmas, tão belas, sonoras e verdejantes, não me importei de  homenagear os marinheiros de quinhentos, com a bandeira portuguesa.  .

HÁ QUE DISTINGUIR A EPOPEIA MARÍTIMA DA COLONIZAÇÃO , QUE SUBJUGOU E TIRANIZOU OS POVOS.

Uma coisa é a verdade histórica (e foi essa que eu procurei através de várias travessias em pirogas e que ainda hoje questiono), outra, as omissões ou  a que convinha ao Reino..
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Todavia, quer os portugueses, nas frágeis caravelas, quer os primeiros povoadores, nas suas toscas pirogas, foram lobos do mar e heróis desbravadores à sua maneira.

Também as canoas africanas, à semelhança das grandes migrações no Pacífico, se fizeram ao mar alto: Fizeram extensas travessias no Golfo da Guiné, tal como os primitivos navegadores da Polinésia, considerados os "navegadores supremos da história":  que, velejando  em linha, cada uma à distancia da visão da canoa  que lhe seguia atrás, até qualquer delas divisar uma ilha habitável, atravessaram vastas extensões daquele imenso oceano, colonizaram as mais remotas ilhas, algumas a milhares de milhas, umas das outras, não dispondo sequer de uma bússola ou de qualquer outro instrumento náutico

Quase assim procedi: munido de uma simples bússola, sem bóias, meios de comunicação com exterior, encaixado num frágil esquife, quase desprovido de tudo.Recuando, tanto quanto possível, às condições precárias em que foram sulcados os mares pelos antigos povos que ligaram a costa africana às ilhas do Golfo da Guiné




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Quantas vezes, oh Deus!... De vigília à longa e eterna noite, às sombras da mais profunda e sinistra escuridão, enquanto, lá no alto, algumas estrelas que ora despontavam ora se sumiam por entre as clareiras que rasgavam o negro céu, pareciam mover-se de oriente para ocidente  mais depressa que as invisíveis correntes  que arrastavam a minha canoa, não sabia para que desconhecido ponto do misterioso horizonte...

Vangelis - Em Homenagem à grande aventura da Diáspora da Mãe África  e ao seu Povo - e,  em particular, àquelas maravilhosas ilhas equatoriais do Golfo da Guiné,   que tão sacrificadas foram pelo longo domínio colonial - espanhol e português


 





Do alto das velhas muralhas do Fortim de São Jerónimoonde tantas vezes olhava a espuma que ali ia rebentar nas rochas negras e contemplava o mar ao largo, sim, muitas vezes ali me envolvi em prolongadas cogitações. E só via o mar... Só pensava, obsessivamente, nas distâncias e nas entranhas do mar.!.. Olhava-o com pasmo e respeito, mas queria sentir-me também parte dele! Ser mais um elemento do mítico e misterioso oceano! Ir por ali a fora numa das ágeis pirogas.! Desvendar segredos esquecidos no tempo!..

Oh, e quantas vezes ali mesmo, não experimentei as estreitíssimas cascas de noz, navegando em frente ou embicando na areia da pequena praia ao lado, naqueles meus habituais treinos, ao Domingo, vindo da Praia Lagarto (ao fundo da descida a caminho do aeroporto), passando em frente da Baía Ana Chaves, Fortaleza de São Sebastião, costa da marginal, Praia Pequena e ponta do Forte de São Jerónimo -e, por vezes, ainda um pouco mais a sul, à Praia do Pantufo.

São Jerónimo era geralmente a baliza de chegada e de retorno ... E, também, muitas vezes ao fim da tarde e pela noite adentro, era o meu local preferido (até por ficar um pouco isolado e retirado da cidade) para me familiarizar profundamente com o mar.


Lembrava-me das façanhas dos pescadores são-tomenses, 
dos seus antepassados que demandaram as ilhas, dos barcos negreiros que ali aportaram e também dos nossos marinheiros (antes desse vil mercado) que por aquelas águas navegaram; imaginava quantos naufrágios e sofrimentos aqueles mares, já não teriam causado.

Sabia dos muitos perigos que me podiam esperar - não os desdenhava! mas entregava-me ao oceano de coração aberto, possuído de uma enorme paixão, em demanda dos grandes espaços e de uma infinita liberdade, tal qual as aves migradoras! Olhava-o como se fosse já meu familiar e meu amigo. Embora sabendo que a sua face, quando acometida de irascível crueldade, havia sido palco de muitas tragédias, havia engolido muitos barcos e tragado muitas vidas. Contudo, eu não ia ali apenas movido pelo prazer da aventura: só por isso, não sei se compensaria... Mas orientado por razões mais fortes

Havia algo, no fundo de mim, 
 impelido omo que por um pendor sobrenatural inexplicável que me fazia acreditar que, mesmo que apanhasse alguns sustos, tal como já havia acontecido em anteriores viagens, lá haveria de sobreviver e de me safar!...
  
 
 O mar também é generoso quando quer ... A sorte protege os audases e acreditava que o mar haveria de compreender os objectivos pelos quais que norteava o meu espírito e a minha temeridade..
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Imagem ao lado - Diálogos com os pescadores são-tomenses


Quando Luís de Camões escreveu na estância XII do V Canto de "Os Lusíadas"

"Sempre, enfim, para o Austro a aguda proa,
No grandíssimo golfão nos metemos,
Deixando a Serra aspérrima Leoa,
Co Cabo a quem das Palmas nome demos.
O grande rio, onde batendo soa
O mar nas praias notas, que ali temos,
Ficou, coa Ilha ilustre, que tomou
O nome dum que o lado a Deus tocou."


"O contributo dos Portugueses para uma nova visão do Mundo e da Natureza  é essencialmente informativo e empírico (baseado nos sentidos). Como escreveu Pedro Nunes: “os descobrimentos de costas, ilhas e terras firmes não se fizeram indo a acertar…” Pois os nossos marinheiros: “…levavam cartas muito particularmente rumadas e não já as que os antigos levavam"

Mais pormenores 

SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE - ILHAS ASBEN E SANAM, POVOADAS POR CANOAS AFRICANAS  http://www.odisseiasnosmares.com/2011/12/sao-tome-e-principe-ilhas-asben-e-sanam.html


Postagens seguintes ainda em Dezembro 2013 


“Não é morte, é só invisibilidade” Nadir Afonso, 93 – pintor; Alberto Alves Pinto Baptista http://www.odisseiasnosmares.com/2013/12/nao-e-morte-e-so-invisibilidade-nadir.html


Pânico à beira-Mar - Romance de Luís Pereira de Sousa http://www.odisseiasnosmares.com/2013/10/panico-beira-mar-romance-de-luis.html,


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