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Entre outros assuntos, falo da escalada ao Pico Cão Grande e das minhas aventuras em canoas – Visam defender a teoria de que antigos povos africanos, podiam ter sido os primeiros povoadores das Ilhas do Golfo da Guiné, antes dos colonizadores – Parti à meia-noite, disfarçado de pescador, ligando a ilha do Príncipe. Para me orientar, uma rudimentar bússola – A canoa era minúscula, à segunda noite adormeci: rolei na escuridão das vagas. No regresso fui distinguido com sopapos da policia salazarista, enviado para os calabouços – Cinco anos depois, numa piroga maior, fiz a ligação São Tomé-Nigéria. Partindo igualmente à noite, 13 dias depois atingia uma praia de Calabar, tendo sido detido 17 dias por suspeita de espionagem. - No mesmo ano, já com São Tomé e Príncipe independente, tentei a travessia São Tomé ao Brasil, usando os mesmos recursos. Além de pretender reforçar a minha teoria, desejava evocar a rota da escravatura e repetir a experiência de Alain Bombard. Porém, quis a ironia do destino que vivesse a difícil provação de um naufrágio de 38 longos dias, tendo aportado numa praia de Bioko (Bococo)onde fui recambiado para a famosa prisão de Black Beach

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Costa da Caparica – De novo assolada pelo mar - Restaurante Barbas e outros sofreram estragos mas a vida continua até ao dia em que toda esta área for absorvida pelas águas – Sociedade CostaPolis extinta e uma área da reserva ecológica poderá vir a ser vendida a empresa angolana, associada a um empresário português com grande domínio nos multimédia e ao qual foi vendido importante imóvel público.



A subida dos oceanos, por um lado, devido ao efeito de estufa causado pelas agressões climatéricas e o consequente descongelamento  dos pólos,  por outro,  bem como a ocupação desordenada das áreas litorais, estas as principais causas dos fenómenos atmosféricos extremos que têm assolado várias regiões do Globo.


No último sábado e domingo o mar voltou encrespar-se em muitas praias da costa portuguesa - A Costa da Caparica, uma das mais expostas e  vulneráveis aos efeitos devastadores da agitação marítima, foi de novo assolada por vagas alterosas -  Uma situação que se repete - com redobrada intensidade e  numa crescente ameaça -  Sim, até ao dia em que todo o vale limítrofe,  for  completamente absorvido pelo  mar e se detenha junto às arribas.

 Um cenário que veio relembrar o drama do princípio de Janeiro. Mas também de anos anteriores. Desta  vez, não houve uma onda gigante mas um contínuo tropel de ondas enormíssimas, que vieram provocar igualmente muitos estragos - Abrindo crateras, galgando esporões, que nada serviram de quebra-mar, insuficientes para  não impedirem  que  a sua fúria viesse alastrar-se e a estender-se em montões de  rolos de espuma branquejante  sobre o  principal paredão marginal,  provocando inundações e estragos nalguns dos restaurantes ali situados. 


ESPECTÁCULO  MARAVILHOSO E AO MESMO TEMPO PREOCUPANTE E AMEAÇADOR

Contemplar a agitação do mar, junto à costa, sobretudo para quem se sente em terra firme e protegido, não há outro espetáculo mais atraente e sedutor! - Por isso, muitas foram as pessoas que, alertadas pelas televisões, quiseram aproveitar a tarde de domingo para contemplar tão maravilhosas imagens. Mesmo assim quem esquece ou ignora o aspeto ameaçador e aterrorizador do oceano?...Sobretudo  os donos dos restaurantes que foram  lesados pela sua violência - Danificando estruturas e impedindo o seu funcionamento. 

RESTAURANTE DE ANTÓNIO RAMOS(BARBAS)  O MAIS AFETADO: FOI COM O DINHEIRO DO PRIMEIRO PRÉMIO DA LOTARIA NACIONAL QUE SE LANÇOU NO RAMO MAS AGORA VÊ COM PREOCUPAÇÃO O FUTURO.

Se não tivesse a carteira profissional de jornalista, não teria sido fácil. Nomeadamente o acesso pela marginal, que estava sob vigilância das autoridades marítimas. Pois creio que não podia ter encontrado melhor posto de observação e até testemunhado o momento em que uma onda vem surpreender a popular figura benfiquista na restauração.  Obviamente, também graças à sua compreensão e gentileza. Tanto assim que a tarde era mais de ansiedade e de preocupação de que a prestar atenção aos visitantes.






Na verdade, de novo os  restaurantes das praias da Caparica foram os mais prejudicados  pelo mau tempo do último fim-de-semana. Depois da tempestade Hércules, no dia 7 de Janeiro, os ter atingido, quer devido à forte ondulação, quer à  impossibilidade de  funcionarem, pelos vistos, uma desgraça nunca vem só.  - O dono do "Barbas" já nem sabia como deitar contas à vida: "tenho 50 empregados e tenho de lhe arranjar dinheiro para lhes pagar ao fim do mês"- Declarou-me numa curta entrevista que gravei em vídeo, junto ao seu restaurante. 

Já há algum tempo que não ia à Costa da Caparica. E quem ali vai, naturalmente que não deixa de ir ver o mar. Escolhi para pouso o restaurante de António Ramos, que toda a gente conhece por Barbas  e cujo nome  associa imediatamente ao seu restaurante. Sim, ele é dos pioneiros:  - As obras de protecção empurraram-no para outra área mas, durante muitos anos, quem chegava à Costa da Caparica, não deixava de encarar com o "Barbas" - restaurante bar e uma discoteca no piso superior .

QUER QUE O NOME DO EUSÉBIO SEJA DADA À ROTUNDA

Além disso, a sua figura também surge frequentemente associada ao Clube da Luz. Não apenas nos jogos de futebol do Benfica, como  também no próprio restaurante – Autêntico centro tertuliano benfiquista. Desde associados, dirigentes, treinadores a jogadores. A decoração está a condizer com o vermelho benquista, há fotos nas paredes e agora até um enorme cartaz no exterior em memória do Eusébio – Pois, segundo me declarou, tendo-se encontrado naquela tarde, com os presidentes da Câmara Municipal de Almada e da Junta de Freguesia da Caparica, quis aproveitar para lhe sugerir que fosse dado o seu nome à rotunda que fica nas traseiras do seu restaurante, que é também outras das entradas de acesso.

 



O Raimundo, velho amigo do "Barbas", acompanhando o pequeno Sebastião, o seu querido neto - Natural da Fonte da Telha, hoje com 67 anos,  foi pescador e, depois, nadador-salvador e jogador de futebol do Atlético e do Estoril -  Diz que  há muitos anos que não via o mar tão bravo. 

GASTAM-SE  MILHÕES EM VEZ DE CORRIGIR O MAL PELA RAIZ – MAS SE ESSE PAPEL NÃO COUBER AO ESTADO,COM PROGRAMAS ESTRUTURANTES, SERÁ A AVIDEZ DOS INTERESSES IMOBILIÁRIOS A PUGNAR PELA SALVAGUARDA DA NOSSA ZONA LITORAL? - Consta-se que, empresa angolana (já cúmplice noutras sociedades com figuras gradas do regime),  estaria de olho em bico numa das mais belas áreas ecológicas da Caparica, para fins imobiliários.

Agitação marítima costeira, sempre houve e sempre haverá mas as constantes agressões ao meio ambiente, tendem ao seu agravamento. Não é por acaso que, ainda recentemente, Nova Iorque teve temperaturas de 50 graus negativos. Onda de frio derruba termômetro a 50°C negativos  

O homem em vez de se preocupar com a preservação e defesa do meio ecológico, pelo contrário, atenta contra a sua harmonia. A dissolução da Sociedade CostaPolis, entidade gestora do Programa de Requalificação Urbana e Valorização Ambiental das Cidades (Programa Polis) ,na Costa da Caparica, decidida no final de 2013, segundo se diz, veio inviabilizar as várias ações estruturantes em matéria de valorização e requalificação ambiental e urbana, desta área, designadamente as que visavam prevenir o avanço do mar – Pelos vistos, outros interesses se levantam, de cariz particular, que não os da salvaguarda de pessoas e bens, do interesse colectivo.


GASTOS 3OO MILHÕES - E O PROBLEMA POR RESOLVER

Os defensores da ideologia liberal não nutrem pelo Estado a menor simpatia ou consideração especial. Na sua perspetiva, os dinheiros públicos apenas servem para tapar os buracos do BPN, do Banif e outras desastradas gestões privadas. E é o que tem sucedido e vai continuar a  suceder com  a ocupação urbana desordenada  do litoral – E, sobretudo, agora que o controlo das áreas, mais sensíveis, passa para o domínio privado.


Noticiava-se em Dezembro de 2009 que “Entre 1999 e 2006 gastaram-se 100 milhões de euros para fazer frente à erosão e nos próximos quatro anos a factura vai ser ainda maior. Espera-se até 2013 um investimento de 330 milhões de euros
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O presidente do Instituto da Água, Orlando Borges, explica que o dinheiro, muitos milhões, tem vindo a ser aplicado, sobretudo na contenção das arribas e no enchimento das praias.
A Costa da Caparica é um dos casos mais conhecidos de intervenção na costa para evitar o avanço do mar. Os habitantes dizem que com o passar do tempo muito mudou com o oceano a avançar pelo area Portugal gasta milhões de euros para travar avanço do mar 


O PIOR ESTÁ PARA VIR

As cidades chinesas estão irrespiráveis – Os rios e ribeiras que passam junto aos grandes centros urbanos, estão juncados de detritos e de agentes poluidores. O mesmo se passa noutros países. Tudo em nome da sociedade de consumo. 

Jorge Carmo Vaz, num trabalho que apresentou no Instituto Superior Técnico(Licenciatura em Engenharia Civil 1º Semestre 2006/2007 -Mineralogia e Geologia), o qual teve por tema  “A ocupação antrópica e o mau ordenamento do território como condicionantes no caminho para o desenvolvimento sustentável, referindo-se ao  então declarado estado de emergência na Costa da Caparica devido ao repentino avanço das águas do mar que “roubaram” mais de 15 metros de terra ao continente, diz que:

 “Para muitos pode ter sido um acontecimento inesperado mas para todos aqueles ligados à geologia e ambiente não se pode dizer o mesmo” – E apontou como factores “a intensa ocupação antrópica e fortes pressões relacionadas com o turismo e com a indústria, as quais perturbam o funcionamento natural destes sistemas."

 (…) "A ocupação intensa das praias trouxe consigo as pessoas e as construções. Em geral as construções permanentes, bares, restaurantes e parque de estacionamento estão construídos sobre as chamadas dunas primárias pois todos querem ficar perto do mar."

 As dunas são elementos básicos do litoral arenoso e têm um comportamento dinâmico, conforme a acção dos ventos e do mar, equilibrando, com os seus deslocamentos, os diversos factores de agressão natural do meio. Com a ocupação permanente de parte das dunas o equilíbrio foi rompido".

 (…) “Estima-se que, em termos médios, em Portugal, a erosão costeira actual seja cerca de 10 vezes superior à que se verificaria naturalmente devido à elevação do nível médio do mar.” (in As Zonas Costeiras e o Desenvolvimento Sustentável -Prof. João Alveirinho Dias – Excerto de  Tema: Eroso na costa da Caparica - geomuseu


ALERTAS NÃO FALTAM  

"A costa perdida"

"A zona da Caparica, que foi até há poucos anos “a grande praia da capital”, o destino balnear preferido de grande parte dos lisboetas, tem sido notícia pelas piores razões. O troço entre São João da Caparica e a Costa da Caparica recuou mais de 200 metros entre 1959 e 2007. As causas são sempre as mesmas e bem conhecidas: desordenamento do território (incluindo, neste caso, a construção de habitações clandestinas). Nos finais da década de 1950, toda aquela região era uma colina litoral livre de construções. Contudo, no meio século que se seguiu, sofreu os efeitos da pressão urbanística e turística (chegam a ser centenas de milhares de pessoas que ali acorrem durante os fins de semana de verão), com consequente destruição das dunas"

"Batalha sem fim à vista
"Por ignorância ou incúria, ocultou-se que as estruturas geológicas costeiras não são estáticas e que estão em constante evolução devido a causas naturais, como as correntes junto à costa, as tempestades, a ação dos ventos, a subida do nível do mar, as alterações climáticas, a deformação neotectónica, etc. Além disso, omitiu-se que a ação natural tem vindo a ser fortemente amplificada, nas últimas décadas, pelos impactos resultantes das atividades antrópicas, de que são exemplos a urbanização desregrada, o pisoteio do coberto vegetal dunar, a artificialização das bacias hidrográficas (sobretudo devido à construção de barragens), as dragagens e explorações de inertes, a construção de molhes de portos e as intervenções de engenharia costeira."
"Hoje, já não se consegue esconder aquilo que está à frente dos olhos de toda a gente: os fenómenos naturais e as intervenções humanas têm vindo a acelerar a erosão costeira, que acontece sempre que o mar avança sobre terra (galgamentos, inundações, instabilidade das arribas e movimentos de vertentes)."

Com a proteção natural fragilizada, a investida do mar tornou-se difícil de conter. Só não piorou porque desde 2007 se fez a alimentação regular e artificial de areia, além de obras de reparação e manutenção de esporões e de estruturas aderentes (vulgarmente conhecidas por “paredões”). São tantas as obras que, hoje, vista do céu em voo de gaivota, a orla costeira faz lembrar os dentes de um pente.

Todavia, a “Costa” é apenas a ponta do icebergue, porquanto existem muitos outros casos de risco para as populações de norte a sul, e alguns deles bem mais alarmantes. Os mais graves já exigiram, nos últimos anos, intervenções de emergência – Excerto . A costa perdida - Super Interessante




VÃO DESAPARECER 15 METROS DE AREAL NOS PRÓXIMOS 45 ANOS

Outro estudo refere que “ A subida do nível do mar é um assunto incontornável em cidades como a Costa de Caparica onde o recuo da linha da linha de Costa se faz sentir com cada vez mais intensidade. Como já aqui fiz referência, os nossos decision makers, após décadas de erros, continuam a aplicar o seu modelo de (sub) desenvolvimento como se este problema fosse ficção. Pois bem, um novo estudoreferente à subida do nível do mar em Portugal e Espanha, concluíu o seguinte:



"O estudo realizado por especialistas da Universidade de Cantábria para o Ministério do Ambiente espanhol aponta para que o aumento do nível do mar faça desaparecer, em média, 15 metros de areal nas praias do país vizinho nos próximos 45 anos.Desde o ano 2000 têm sido feitos estudos em Portugal sobre o efeito das alterações climáticas na costa portuguesa. Os resultados foram semelhantes aos agora revelados para Espanha.O nível das águas do mar está a subir devido ao degelo dos glaciares e ao aumento da temperatura que faz dilatar a camada superficial dos oceanos.Os especialistas dizem que vai continuar a haver um recuo das praias na costa da Península Ibérica. Perante o avanço do mar, a solução é uma menor pressão humana na orla costeira.Uma das medidas recomendadas é a redução da quantidade de construções em zonas costeiras, através do cumprimento da lei de costas espanhola que impede a construção nos primeiros cem metros do litoral.Por isso, o documento da Universidade de Cantábria recomenda que seja introduzido o factor das alterações climáticas no planeamento e ordenamento do território."




Os efeitos do aquecimento global, mudanças climáticas e degelo dos glaciares são relativamente imprevisíveis e de dúbia interpretação. Contudo, é inegável que o recuo da linha de Costa está intrínsecamente ligado, pelo menos parcialmente, a estes factores- Excertos de .Caparica Futurista: A SUBIDA DO NÍVEL MÉDIO DO MAR


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