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Entre outros assuntos, falo da escalada ao Pico Cão Grande e das minhas aventuras em canoas – Visam defender a teoria de que antigos povos africanos, podiam ter sido os primeiros povoadores das Ilhas do Golfo da Guiné, antes dos colonizadores – Parti à meia-noite, disfarçado de pescador, ligando a ilha do Príncipe. Para me orientar, uma rudimentar bússola – A canoa era minúscula, à segunda noite adormeci: rolei na escuridão das vagas. No regresso fui distinguido com sopapos da policia salazarista, enviado para os calabouços – Cinco anos depois, numa piroga maior, fiz a ligação São Tomé-Nigéria. Partindo igualmente à noite, 13 dias depois atingia uma praia de Calabar, tendo sido detido 17 dias por suspeita de espionagem. - No mesmo ano, já com São Tomé e Príncipe independente, tentei a travessia São Tomé ao Brasil, usando os mesmos recursos. Além de pretender reforçar a minha teoria, desejava evocar a rota da escravatura e repetir a experiência de Alain Bombard. Porém, quis a ironia do destino que vivesse a difícil provação de um naufrágio de 38 longos dias, tendo aportado numa praia de Bioko (Bococo)onde fui recambiado para a famosa prisão de Black Beach

terça-feira, 1 de abril de 2014

São Tomé e Príncipe – Vedeta no Canal Odisseias – Por Rui Camilo, fotógrafo e guia às Ilhas Paradisíacas do Centro do Mundo – “Um percurso ao passado de Portugal e à sua própria história” Onde as roças coloniais são meros vestígios arqueológicos e as tartarugas buscam as idílicas praias para desovar mas nem todas regressam ao mar. O povo é pacífico, acolhedor e adora levar a vida leve-leve, moli-moli!.. Mas se vier o petróleo, quem se vai governar?!...

Foto Renato Sena Santos



Finalmente, as Ilhas de  São Tomé e Príncipe, começam a ser descobertas  - Depois do Canal Odisseias, a que aqui me refiro, também a CNN, já veio dizer que, “São Tomé e Príncipe é um dos  dez “destinos de sonho” para 2014 – “o local ideal para aperfeiçoar a arte da calma. - Para a CNNSão Tomé e Príncipe é um dos dez «destinos… PÚBLICO

Canal Odisseia  -  Em busca do extraordinário - Acertou em cheio!

O filme  foi transmitido, em Portugal, já por várias vezes  no Canal Odisseia - Vi-o recentemente e  foi para mim uma belíssima surpresa. - Pelo que  tenho muito prazer de aqui salientar a realização  desse extraordinário documentário, felicitando o fotógrafo Rui Camilo, ao mesmo tempo que aproveito para fazer dele  o roteiro de algumas das minhas recordações. Com fotos ao Cão Grande, na Roça Rio do Ouro e Roça Uba-Budo, onde trabalhei como empregado de mato, bem assim uma imagem parcial da  canoa, com que efetuei os três dias da travessia clandestina de São Tomé à ilha do Príncipe (que me havia de custar uns socos no estômago pela PIDE) foto que ainda não havia divulgado. Além da lindissima fotografia de Renato Sena Santos, com que abro este post, as demais foram extraídas do próprio filme, da Internet e  do livro "As Roças de São Tomé e Príncipe", de autoria de Duarte Pape, Rodrigo Rebelo de Andrade e  Francisco Nogueira, sobre o  qual  conto aqui  debruçar-me.

ESTAS ILHAS  HÁ MUITO MERECIAM  A  DIVULGAÇÃO INTERNACIONAL AO NÍVEL DO CANAL ODISSEIA

Documentário, de quase uma hora, inserido  na série,   Ilhas Paradisíacas de África, falado em alemão, com legendas em português.. Pois, já lá vai o tempo, em que o Canal História, Civilizações e Odisseias,  contratavam as vozes, mais prestigiadas da  rádio e televisão, de modo a proporcionarem aos clientes da TV Cabo, a língua dos respetivos países.  Assim, legendado, sempre sai mais  barato ao produtor. Não penso que a legendagem o valorize mais – Bem, pelo contrário. 


Rui Camilo, apontando a objetiva da sua máquina fotográfica para o Cão Grande - o pico que eu e a minha equipa escalámos - Mas o que está abaixo do manto verdejante é bem mais fundo do que parece.



Também, lá de cima da sua crista, me parecia  aos meus pés uma fantástica vista aérea sobre a selva equatorial verdejante - Oh! Quantas vezes me apeteceu ter asas de falcão ou de condor e saltar de ali em voo sobre a copa das árvores - algumas com mais de cem metros! - Hoje, ao pensar  naquelas vertiginosas escaladas, sinto mais arrepios de que então - Tinha menos 40 anos; era preciso ter uma infinita paciência e nervos de aço - Mas o desafio era aliciante e compensava... - Pormenores em:

escalada ao pico vertical


Já foi há mais de um mês - Pouco depois das 17 horas - telefona-me um amigo: “Jorge! Liga o Canal Odisseia, que está a ser transmitido um programa fantástico! sobre as Ilhas de São Tomé e Príncipe! Naturalmente, que, ao ser alertado para a exibição do referido documentário,  imediatamente  plantei-me frente ao meu televisor. Não perco muito tempo com a televisão – Não tenho o hábito de pensar pelo ecrã. Dificilmente vejo um telejornal por inteiro. Gosto de estar informado mas também não me interessa todo o lixo que é transmitido, a pretexto de informação ou diversão.

Mas, desta vez, não arredei pé. E,  como não apanhei o programa, desde principio, procurei depois revê-lo gravado através da box do meu servidor. E, confesso, que foi com alguma emoção (direi mesmo, por vezes, até com algumas lágrimas nos olhos) que pude rever e contemplar, paisagens e lugares, que durante mais de 12 anos, me foram profundamente familiares.

Claro, num misto de emoções, muito variadas e até contraditórias. Vi a paisagem das ilhas, linda como sempre! Vi aqueles rostos das crianças, aquelas expressões tão meigas e tão espontâneas e naturais, e também até dos adultos, com a mesma serenidade, inocência e doçura, como quando os vi, há mais de três décadas. No aspeto humano, parece que nada mudou.

RUI CAMILO – O FOTÓGRAFO QUE FEZ DE GUIA E DE INTÉRPRETE

Vá lá, que desta vez, não nos soava, unicamente,  uma língua estrangeira -  Falava-se também a língua de Pessoa e de Camões, (Portugal); de  Carlos Drummond de Andrade (Brasil); de Agostinho Neto (Angola); Alda da Graça Espírito Santo (São Tomé e Príncipe);Hélder Proença(Guiné-Bissau); José João Craveirinha (Moçambique);  Manuel d' Novas (Cabo Verde) Fernando Sylvan (Timor) –  Graças à presença e à voz, em todo o documentário,  do fotógrafo, Rui Camilo, que servia de guia e de intérprete - Com as  suas explicações, as suas iniciativas, os ângulos com que fotografava e parecia também orientar a equipa de filmagem, seus comentários e também as vozes dos santomenses,  os diálogos que pôde manter com as várias personagens, que foram ao seu encontro ou foi buscar: desde a tripulação do pequeno bimotor, que o levou a tomar  as magnificas vistas aéreas das duas ilhas, em São Tomé e Príncipe,  os contatos  com pescadores, produtores de café e de cacau, e até com um fabricante de chocolate

É na ilha do Príncipe - Estes "pães de açúcar" são verdadeiros monumentos!

Como não podia deixar de ser, dificilmente ia faltar o  convívio, sempre surpreendente e divertidíssimo,   com João Carlos da Silva, para mais um apetecível e bem condimentado exercício de culinária santomense, muito à semelhança do programa que o tornara famoso na RTP, “Na Roça com os Tachos Sal na Língua, no qual defendia a cozinha como uma forma de arte e um pretexto para se falar de história, cultura ou património. 

No  fundo, era o que, o fotógrafo Rui Camilo, estava igualmente a procurar, em Angolares, na Roça de São João, antiga propriedade agrícola colonial, sabiamente transformada em pousada de turismo rural e gastronómico. 

FOTÓGRAFO QUE SE PREZE, ADORA FOTOGRAFAR ROSTOS DE CRIANÇAS, JOVENS E IDOSOS – RUI CAMILO NÃO DESCUROU ESSA FANTÁSTICA OPORTUNIDADE  

E que rostos, mais humanos e expressivos, nos proporcionou, Rui Camilo! – Ele sabia, certamente, que os santomenses cultivam uma pose bonita, natural e ao mesmo tempo nobre, sem artificialismos de qualquer espécie.  E não perdeu a oportunidade de a revelar aos milhões de telespectadores esses predicados. Começando por distribuir pequenas máquinas fotográficas a um grupo de sorridentes crianças, ensinando-lhes os rudimentos básicos e dando-lhes liberdade de fazerem as suas fotos e de explorarem os seus dotes artísticos -  E não tardaram a revelar-se uns artistas em potência,  deslumbrando-se com a oferta e também pela possibilidade de exporem as suas próprias fotografias.  

Conceder-lhes, tal oferta, dir-se-ia  ultrapassar todos os limites da sua imaginação. É um facto que existe, nalguns grupos étnicos africanos,   um certo  pudor em serem fotografados por estranhos, na convicção de que estão a devassar a sua intimidade e  até a roubar-lhes um pouco da sua alma. Mas, se as imagens forem consentidas e não obtidas de má fé, não há como fotografar a naturalidade e a espontaneidade dos africanos.


Conheço bem, as suas reações. Durante alguns anos, colaborei com  Marinho Costa, um fotógrafo santomense (já falecido) que se radicou em Portugal, com o seu laboratório na Cova da Moura, Amadora, tendo realizado algumas centenas de reportagens em casamentos, com africanos das ex-colónias. E que bons momentos não pude desfrutar! Não somente através do registo de imagens mas também nas bodas! – Como adoro fotografar e aprecio imenso a  comida africana, juntavam-se os dois gostos. Nomeadamente, com os cabo-verdianos – Bastante mais extravagantes,  pois gastam tudo o que têm para as suas festas familiares, desde a primeira comunhão, batizados e casamentos. Os demais, não costumam ser tão de arromba. Só os de mais posses.  E então agora, nas novas elites, sobretudo em Angola, constituem-se como  autênticos desfiles de vaidades!

Além desta experiência enriquecedora, já, em S. Tomé, cultivava o gosto pela fotografia. Lamento que o comerciante que me levantou os milhares de negativos, em casa da minha companheira, até hoje ainda não se tenha dignado honrar com a sua apalavra. Não os pude levar comigo, dado ter tentado a travessia do oceano, em canoa. Tinha tudo arrumadinho, em pequenas caixas, mas, à última hora, receando, que se pudessem estragar, voltei a deixá-los na minha mala. Azar o meu – Espero não ter que voltar ao assunto, com mais pormenores

AS ILHAS DE SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE  – TALVEZ  DOS POUCOS PARAÍSOS TERRESTRES NÃO CONSPURCADOS PELA GLOBALIZAÇÃO MASSIFICADORA E DESTRUIDORA  - CONTINUAM A NÃO FAZER PARTE DOS GRANDES ROTEIROS TURÍSTICOS – Por um lado, é positivo.

De facto, o turismo tem o seu lado perverso: proporciona receitas mas também perverte costumes e o próprio meio ambiente. Aos ditames da globalização, já nada escapa: tudo é consumido e não encontra barreiras.  Daí a pergunta: face a essa progressiva dessacralização, ainda haverá  verdadeiras ilhas paradisíacas ou  só através das imagens que são veiculadas nas brochuras turísticas?

Segundo a experiência que me ficou do carácter, pacifico e carinhoso do povo de  São Tomé e Príncipe, eu creio que as ilhas de São Tomé e Príncipe, ainda conservam muita da sua ancestral beleza - Constituindo como que  os últimos pequenos  Édens Terrestres.    Com as suas lindas praias, coroadas por esbeltos e verdejantes coqueiros, banhadas por águas azuis e transparentes, que brilham e rutilam, pejadas de  puros diamantes, sob o astro luminoso do sol equatorial!

NÃO É POR ACASO QUE O MAR CHAMA PELOS ILHÉUS E ENCANTA QUEM OS VISITA:

QUEM SOMOS?

O mar chama por nós, somos ilhéus!
Trazemos nas mãos sal e espuma
cantamos nas canoas
dançamos na bruma

somos pescadores-marinheiros
de marés vivas onde se escondeu
a nossa alma ignota
o nosso povo ilhéu

a nossa ilha balouça ao sabor das vagas
e traz a espraiar-se no areal da História
a voz do gandu
na nossa memória...

Somos a mestiçagem de um deus que quis mostrar
ao universo a nossa cor tisnada
resistimos à voragem do tempo
aos apelos do nada

continuaremos a plantar café cacau
e a comer por gosto fruta-pão
filhos do sol e do mato
arrancados à dor da escravidão

Olinda Beja

LONGE DO STRESS E DO BULÍCIO DAS GRANDES CIDADES

A vida em São Tomé e Príncipe corre muito devagar – “móli-móli!  léve-léve! - Até porque há tantas horas de luz como da noite, há tempo de sobra para tudo. O sol nasce cedinho – Por exemplo, durante o mês de março, o nascer do sol oscilou  entre as 05.36 – 05.40 e o pôr entre as 17.45 – 17.48.  A quem desembarcar no aeroporto da cidade de São Tomé, depara-se-lhe como que um cenário de beleza e tranquilidade, fora deste mundo. 

 
STP Airways e a TAP, são as  únicas companhias aéreas,  que operam uma vez por semana, com voo de Lisboa, pouco depois da meia-noite, para ali chegarem com o sol a despontar do horizonte do oceano. Perante, tão sedutora panorâmica e tão suave e perfumada atmosfera, dificilmente alguém ali desembarca  para se enfiar imediatamente  num quarto do hotel.

RUI CAMILO – AO ENCONTRO DE UM SONHO DA INFÂNCIA – DEPOIS DO FILME QUER PUBLICAR AS SUAS FOTOS NUM LIVRO


 Rui Manuel De Assis Camilo, nasceu em Lisboa, cidade onde seu avô foi clarinete no Teatro São Carlos.   Depois de estudar designer de comunicação, seguiu a sua verdadeira vocação e começou a trabalhar como fotógrafo.na cidade de Wiesbaden –  Além do gosto da fotografia, adora passar o tempo com a sua família, ler e viajar – E, naturalmente, a boa comida,  - Mais pormenores em Fünf Bücher von Rui Camilo.....Rui Camilo Photography

DOCUMENTÁRIO CLASSIFICADO COMO AUTÊNTICO CENÁRIO DE UM FILME DE HOLLYWOOD – Mas a grande dúvida de Rui Camilo, é o que possa suceder com a exploração do petróleo.


Segundo declarações de Rui Camilo, o projeto de filmar as Ilhas de São Tomé e Príncipe (comparado pelo entrevistador, como  cenário de um filme de Hollywood), já vem  desde a sua infância em Lisboa, quando o seu professor, contava  aos alunos,  histórias das plantações de cacau da então pitoresca colónia portuguesa, que muito o entusiasmaram.

O fotógrafo português revelou também o seu fascínio pelas pessoas que fotografou, nomeadamente pelo curso de fotografia que ministrou a um grupo de crianças, confessando ser seu desejo de voltar ao São Tomé e dar a sua colaboração no projeto cultural de João Carlos, famoso cozinheiro TV, que,  em Portugal , podia ganhar um bom dinheiro mas que  preferiu viver em são Tomé e usar seus conhecimentos para o bem comum



O PETRÓLEO É RIQUEZA MAS NÃO É PARA TODOS

Compreendem-se as preocupações de Rui Camilo – Pois receia, que, a verificar-se a exploração do petróleo (em águas profundas) , não só o dinheiro proveniente possa não vir a ter o encaminhamento mais adequado, como a  ter outras consequências. Nomeadamente, o completo colapso do ecossistema. Pois lembra que  “há  um grande número de espécies endêmicas (que só pode ser encontrada nessas ilhas) animais e plantas, e a população é altamente dependente do oceano. – Leia os pormenores da entrevista em  Interview: Rui Camilo – Over the Islands of Africa, São Tomé e Príncipe


AS ROÇAS DE SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE O QUE FORAM!...  E O QUE HOJE SÃO!...  – OBJECTO DE UM LIVRO, HÁ POUCO TEMPO, INEVITÁVEIS NO FILME: NÃO SE MOSTROU MUITO PORQUE TAMBÉM NÃO HÁ MUITO PARA MOSTRAR – SENÃO ABANDONO

Rui Camilo preferiu mostrar os exemplos positivos: além de uma velha praça de toiros numa roça (sim, ainda me lembro de algumas touradas)também mostrou creio que a antiga Roça Monte-Café, onde um italiano, se tem dedicado à produção de café de cacau, procedendo à sua transformação após o processo de secagem, fabricando um excelente chocolate. Na ilha do Príncipe, além de extraordinárias tomadas áreas, falou com um pequeno produtor de cacau. Mas, a bem dizer, o que se viu foi mais mato de que plantações de cacau, a floresta e o capim, tomando conta das antigas instalações


DEZ ANOS PARA SALVAR AS ROÇAS – É DITO NO LIVRO, EDITADO PELA “TINTA DA CHINA” -  MAS JÁ LÁ VÃO  39  E APENAS SE DEIXARAM DEGRADAR


Trata-se de um excelente livro, tipo álbum, bem documentado e contextualizado, de autoria dos arquitetos portugueses Duarte Pape e Rodrigo Rebelo de Andrade, que  inventariaram 122 unidades semelhantes à Rio do Ouro (atual Agostinho neto, onde trabalhei como empregado de mato) num universo total de roças que se estima rondar as 150.

O preço não é muito acessível, mas não podia deixar de fazer um esforço para o comprar, pois, São Tomé, diz-me muito: e a obra  apresenta, de facto,  excelentes  registos fotográficos, acompanhados por um estudo muito bem elaborado  e fundamentado  – Pelo que depreendi, embora a intenção dos autores, não tenha sido a de mostrar simplesmente as ruínas,  mas de lhe dar um enquadramento espacial e arquitetónico, mais amplo e até com intuitos de  consulta turística, mesmo assim, que mágoa, os tais vestígios arqueológicos, a que se alude!

Decepciona-me  ver que a pujante natureza tomou conta das instalações das antigas roças. Há quem goste de ver as ruínas cobertas de verdura. Pessoalmente, gostaria que a natureza fosse respeitada, e também não é, nomeadamente no sul, onde as desmatações selvagens têm colocado em risco o seu equilíbrio, e que tudo quanto  que foi obra do esforço humano,  fosse sabiamente preservado.

É verdade que as administrações das grandes propriedades agrícolas nunca valorizaram a mão-de-obra dos forros, dos filhos da terra. É verdade que nunca foram além de capatazes, excetuando alguns mulatos, filhos dos brancos administradores ou feitores gerais. Mas ao menos que, tais antigas propriedades, fossem minimamente limpas e preservadas. E não é isso que acontece, para prejuízo do povo destas maravilhosas ilhas

Daí que,  ao  folhear a obra dos dois arquitetos, confesso que sou mais invadido por um sentimento de  tristeza de que pelo encantamento. Já não me refiro às roças onde não estive, mas onde trabalhei, - que deceção! Ver  as instalações, naquele estado ruinoso! Onde nem sequer o capim é cortado, e vivem pessoas,  é desleixo em demasia! Sim, pergunto: onde estão aqueles belos edifícios do  Uba Budo, Ribeira Peixe ou do antiga Roça Rio do Ouro, a que foi dado o nome do herói angolano, Agostinho Neto,  com aquele hospital, no topo da avenida, que quase rivalizava com o hospital da cidade!  Em que estado estão agora, todas aquelas instalações, desde as antigas senzalas,  chalés  dos empregados, armazéns de secagem e oficinas?....  Escombros, simplesmente escombros.  – E, pelos vistos, o cenário repete-se na Boa Entrada, Água Izé, e tantas outras roças que conheci  - Face a essas imagens, que poderei eu confessar  senão um profundo sentimento de desencanto e de  angústia.

O JORNAL PÚBLICO, AO REFERIR-SE AO LIVRO, FALA DE UM CENÁRIO APOCALÍPTICO – QUE LEVARÁ 10 ANOS PARA SE SALVAR

A imagem seguinte, do lado esquerdo, extraída do livro "As Roças de São Tomé e Príncipe", era um dos mais belos edifícios coloniais  -  sede da Roça Uba-Budo - Veja-se o aspeto: e dizem que vivem lá algumas famílias. Na imagem, mais à frente, estou  eu (1964) de costas para a face esquerda do mesmo edifício, tal como se pode ver pelas colunas - O que era e como  está!... A árvore (do perfume) é que agora está gigante e na altura era pequena. Na outra ao lado, estou na sede da Roça Rio do Ouro, actual Agostinho Neto.


"Temos 10 anos para salvar as roças de São Tomé e Príncipe - Dois arquitectos portugueses inventariaram e estudaram 122 das cerca de 150 explorações de café e cacau de São Tomé e Príncipe. O que resta do antigo império colonial português pode ser um dos eixos estruturantes do futuro deste pequeno país.

Tendo como exemplo, o estado de degradação da sede da Sociedade Agrícola Valle Flôr, a maior e mais importante das explorações de cacau e café de São Tomé e Príncipe, citado como  “o mais imponente dos escombros que o império colonial português”, afirma-se que, “Se o Apocalipse aconteceu, começou aqui: edificado oitocentista a decompor-se coberto de musgo, humidade e dejectos; depois, sobre os destroços, a vida dos mais de mil são-tomenses que habitam hoje a Rio do Ouro; velhos, adultos, jovens e crianças descendentes de antigos escravos e serviçais angolanos, moçambicanos e cabo-verdianos, homens e mulheres que foram comprados e vendidos ou emigraram e que, durante o século XIX e princípio do século XX, quando São Tomé e Príncipe se tornou no maior produtor mundial de cacau, habitaram estes mesmos espaços, rodeados pelo mesmo pano de fundo de palmeiras e coqueiros

Uma imensa alameda calcetada compõe o eixo a partir do qual este mundo se organizou então e se organiza ainda hoje: na ponta mais baixa da avenida, a antiga casa senhorial, na ponta mais alta, a dominar uma colina, o susto de imponência do antigo hospital, com a enfermaria dos homens de um lado e a das mulheres do outro, ambas, hoje, ocupadas por famílias, tudo corredores vazios e portas fechadas, algumas trancadas a cadeado. A maternidade fica por detrás, depois de um pátio onde a erva nos cresce pela cintura, uma carapaça morta e esvaziada, só tecto e paredes exteriores. A antiga capela também ainda lá está, a dominar do alto as sanzalas, o complexo habitacional originalmente destinado aos trabalhadores comuns” Mais pormenores em Temos 10 anos para salvar as roças de São Tomé e Príncipe

AS TARTARUGAS, TAMBÉM FORAM  VEDETAS EM ODISSEIAS  - ELAS DURAM SÉCULOS MAS A SUA EXISTÊNCIA SOFRE COM MÚLTIPLAS AMEAÇAS - TAMBÉM NESTAS ILHAS, NÃO CONSTITUEM EXCEÇÃO

Que belo momento o da largada de pequenas tartarugas, lançadas de um balde ao areal  pelas mãos de um santomense, que se esforça pela sua proteção!... 

No tempo colonial, não havia qualquer tipo de restrições à sua captura, desde a pesca submarina à das canoas.  -  Dos ovos, nas praias, então nem se fala!... - Existiam os populares artesãos tartarugueiros, cujos ensinamentos passavam de pais para filhos e netos.  - Entre os quais, o Sr. Veoide Pires dos Santos, residente num modesto casebre de madeira, na Chácara, do lado direito dos escritórios da Fábrica Flebê, quem deixa a cidade e vai para a Trindade . Era um exímio artista. Sempre afável e atencioso. No dia de "São Vapor" ou de "São Avião", lá estava ele com o seu estendal a vender anéis, pulseiras, leques e outras quantas  habilidades artesanais.  

Com a independência de São Tomé e Príncipe, progrediu-se alguma coisa; foi aprovada legislação no sentido da sua proteção, mas, como todas as leis (e não só em São Tomé), ficam mais no plano das boas intenções de que na sua aplicação prática. Pois, como é sabido, de boas intenções está o Inferno cheio. O programa de Rui Camilo, não deixou de chamar a atenção para o grave problema da indiscriminada captura das tartarugas, mostrando-nos um dos belos exemplos de um homem que  é amigo do ambiente e tem lutado pela sua proteção.  Pelos vistos, não chega, pois, de volta e meia há noticias alarmantes

DE QUE VALEM AS LEIS...

31/07/2013 -"O arquipélago dispõe de várias leis do ambiente, mas nenhuma delas contém normas específicas que protejam o animal, apesar de o país ter assinado convenções que o leva a proteger espécies ameaçadas, que são caçadas e transformadas e vendidas como produtos derivados, como é o caso da tartaruga em São Tomé e Príncipe."Captura indiscriminada de tartarugas em São Tomé e Príncipe

"Massive female Leatherback; unknown photographer, East coast of Sao Tome, 1998, courtesy of Liv Larsson Gulf of Guinea Expeditions | California Academy of Sciences

"A MATANÇA

No mês de Outubro último 44 tartarugas foram abatidas nas praias da ilha de São Tomé. A ONG MARAPA, está a contabilizar a morte das tartarugas dia a dia, na ilha de São Tomé, onde as autoridades governativas não conseguem evitar a previsível tragédia. Desde Agosto último quando a ONG decidiu publicar mensalmente dados sobre a matança abusiva das tartarugas, já foram contabilizados 74 abates. No cartaz mensal em que suplica por socorro às tartarugas marinhas, a MARAPA diz que as tartarugas estão ameaçadas na ilha de Sã Tomé. Suplica por ajuda, para evitar uma tragédia a curto prazo.Téla Nón >> Matança de tartarugas não pára de aumentar

“A ONG Marapa vocacionada para a preservação das tartarugas marinhas, registou em 4 meses de 2013(Setembro à Dezembro)a morte de 201 tartarugas nas praias da ilha de São Tomé. Sendo considerado pela CNN como melhor destino de férias para o ano 2014, a Marapa faz recordar que as tartarugas são uma das principais atracções turísticas do país. Um artigo da Direcção da Marapa que deve ser lido com atenção Téla Nón >> Tartarugas marinhas versus TURISMO
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