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Entre outros assuntos, falo da escalada ao Pico Cão Grande e das minhas aventuras em canoas – Visam defender a teoria de que antigos povos africanos, podiam ter sido os primeiros povoadores das Ilhas do Golfo da Guiné, antes dos colonizadores – Parti à meia-noite, disfarçado de pescador, ligando a ilha do Príncipe. Para me orientar, uma rudimentar bússola – A canoa era minúscula, à segunda noite adormeci: rolei na escuridão das vagas. No regresso fui distinguido com sopapos da policia salazarista, enviado para os calabouços – Cinco anos depois, numa piroga maior, fiz a ligação São Tomé-Nigéria. Partindo igualmente à noite, 13 dias depois atingia uma praia de Calabar, tendo sido detido 17 dias por suspeita de espionagem. - No mesmo ano, já com São Tomé e Príncipe independente, tentei a travessia São Tomé ao Brasil, usando os mesmos recursos. Além de pretender reforçar a minha teoria, desejava evocar a rota da escravatura e repetir a experiência de Alain Bombard. Porém, quis a ironia do destino que vivesse a difícil provação de um naufrágio de 38 longos dias, tendo aportado numa praia de Bioko (Bococo)onde fui recambiado para a famosa prisão de Black Beach

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Revelações da Guerra Colonial na Guiné-Bissau - Operação Mar Verde - invasão da Guiné Conacri em 1970 por Alpoim Calvão - Imagens chocantes da operação Boruntuma – "Onde estão os homens caçados neste vento de loucura?" - “Os mortos perguntam” e não devem ser esquecidos.

Por Jorge Trabulo Marques



"Operação de Burumtuma" - Família turra a ser surpreendida e morta . Apesar de se terem escondido no mato , foram caçados por causa dos gemidos do gaijo que está deitado. Um segundo depois da foto estavam mortos"  

 Imagem fotografada e legendada por ex-militar português, António Lima de Paiva, que fez comissões na Guiné - ;Angola e Moçambique. - Mais tarde, alistou-se na Legião Francesa

Veja a crueldade da imagem: Veja o esgar de aflição de quem subitamente é surpreendido pelo cano de uma ou mais metrelhadoras, que lhe são apontadas   ao ventre ou à cabeça e sabe que vai morrer ao lado do seu amado filho, que, instantes antes, talvez acariciara no seu colo materno para evitar que o silêncio ou os rumores da densa floresta fossem quebrados pela inocência dos seus gemidos. 

 - Haverá quadro mais horroroso aos olhos de uma mãe de  que o testemunho desta imagem?!...Que hesitámos em publicar mas há que avivar a memória de quem ainda continua a tecer elogios à guerra colonial. 

Veja a legenda do reverso, escrita pelo autor da fotografia que teve a frieza de  registar o instante e mais tarde a coragem de não se importar de fazer a denúncia - ex-sargento da Força Aérea Portuguesa. Os termos, com que redigiu a legenda, além de nos impressionarem, traduzem-nos também o espírito da circunstância e dão-nos a perceber a linguagem de quem andava entranhado na selva, palmilhava picadas e matas, corria perigos e era simultaneamente a potencial ameaça à integridade dos que lutavam pela libertação do seu povo, na então conturbada e estúpida guerra colonial. -.Todavia,  não se pense  que, do outro lado, não houve  excessos -Naturalmente que a guerra é cruel e cega.


Adeus à hora da largada
Minha Mãe
(todas as mães negras
cujos filhos partiram)
tu me ensinaste a esperar
como esperaste nas horas difíceis.

Agostinho Neto -Excerto - Adeus à hora da largada
***
REGRESSO
Mamãe Velha, venha ouvir comigo
o bater da chuva lá no seu portão.
É um bater de amigo
que vibra dentro do meu coração.

Amílcar Cabral - Excerto - Regresso (Mamãe Velha
***
Mamãe velha não volta - Era ainda nova!... Nem ela pode voltar
nem seu  filho amado, que dormia tranquilo...– Ambos partiram! …
Num dia triste, de susto e azarado,
tingidos de perfume de verdura 
caídos lado a lado
entre arbustos, densa floresta e  capim
crivados por chuva de balas furtivas
- Grito escancarado e aflitivo!
Olhos mártires esbugalhados
que não aplacam a vil metralha
que perfura o corpo, o tomba, o varre
E o sangue jorra na terra, à luz derramado!
 ***

Em vez de Lágrimas 
Só eu choro em seco
põe no vértice da minha dor
o mais intenso
auge de luto

José Craveirinha

 

O colonialismo -  tal como ainda hoje - embora sob novas roupagens - sempre usou e abusou das pessoas, independentemente do género, do credo, da raça ou da cor  - Nomeadamente das mais carenciadas e desprotegidas - A mulher não escapou nem escapa à sua gula - 

Veja como o autor da imagem (o mesmo antigo sargento que nos ofereceu as anteriores fotos), redige a legenda: que mais não fez que refletir a mentalidade colonial reinante "BAJUDA EM PEIXE - 1 vaca  Preço líquido, para casar".




 








De facto, não há guerras limpas - Todas guerras são sujas e cruéis - Mas há causas justas e não creio que fosse a que defendia os interesses do regime colonial  - Que impedia o direito dos povos africanos se libertarem do jugo colonialista e serem livres do seu próprio destino  - Não se pode dizer que a vida das populações tenha melhorado, substancialmente, após a independência, mas este é um processo, com as suas glórias e vicissitudes, que  tinha de abrir caminho à esperança e a melhores dias.

SALAZAR:  "OS QUE PORTUGUESES CONSTROEM AOS PORTUGUESES PERTENCE" - MAS COM O CONSENTIMENTO DE QUEM?

Adriano Joaquim Lucas meu conterrâneo, assentou praça em Beja, depois foi para Tancos, após o que partiu para a ex-colónia portuguesa., tendo ficado aquartelado em Bissalanca. Mas considera ter sido um homem de sorte. 

Não foi testemunha de atrocidades mas viu muitos ficarem por lá. O facto de ter sido ordenança do Comandante, poupou-o do mato, conheceu o General Spínola, que lhe pareceu um homem muito humano. É emigrante em França, desde que regressou da Guiné. Agora está reformado e, sempre que pode vem matar saudades à sua santa terrinha. E foi aqui que me recordou  algumas das memórias, dos longos dois anos que ali passou desde 02.07.70 a 02.07.72 





A Operação Mar Verde foi o nome dado à operação militar planeada pelas Forças Armadas Portuguesas, realizada em 22 de Novembro de 1970, no período da Guerra Colonial Portuguesa, pelo destacamento de fuzileiros especiais nº 21, na Guiné-Bissau de 1969 a 1971, com o apoio da Força Aérea e chefiada pelo Comandante Alpoim Calvão.

“O plano consistia no ataque anfíbio a Conacri, Capital da República da Guiné com os objetivos de libertar prisioneiros de guerra portugueses, destruição das lanchas do PAIGC e eliminação física do Presidente Sékou Touré. Todos os objectivos foram alcançados com excepção da eliminação de Sékou Touré, que não se encontrava no país. O palácio presidencial foi tomado e a maior parte da Força Aérea da Guiné-Conacri foi destruída Operação Mar Verde – Wikipédia, 

MEMÓRIA DE UM ANTIGO SOLDADO DA OPERAÇÃO MILITAR MAIS AGRESSIVA A UM PAÍS AFRICANO INDEPENDENTE

Ele foi testemunha da  uma das mais destruidoras e abusivas operações militares da  guerra colonial, à Guiné Conacri, realizada sob o maior secretismo.  Adriano Joaquim Lucas, natural de Chãs, de Vila Nova de Foz Côa, mobilizado para guerra colonial na Guiné,  em Julho de 1970, para uma comissão de 25 messes, embora não tendo sido interveniente ativo na secretíssima operação à soberania de um país africano, vizinho da então colónia “Guiné Portuguesa”, apercebeu-se dos preparativos e das imagens dos seus efeitos destruidores, no Gabinete de Fotografia Militar – Para já não falar da morte de seus companheiros, cujos corpos,  constantemente regressavam do teatro infernal das operações.

Depois de três meses de recruta em Beja, Adriano Lucas é selecionado para Força Aérea , em Tancos, donde partiria em comissão militar para a Guiné-Bissau,  em Bissalanca.  Nesse mesmo ano, em 22 de Novembro de 1970, é levada a cabo a invasão à Guiné Conackry, cuja estratégia e  contornos, ainda hoje, em muitos aspectos, permanece envolta por um mistério


Pese os 43 anos volvidos,  sobre esse período negro, em que foram sacrificadas milhares de vidas de parte a parte Adriano Lucas, atualmente, reformado pelos seus 40 anos de emigrante em França, a que junta  uma modesta pensão de 150 eros, por ter sido mobilizado para o ultramar, não esquece as memórias da guerra colonial – A qual,  segundo diz, podia ter sido evitada, “se houvesse entendimento ”com os movimentos de libertação.
Viu morrer muitos companheiros mas o facto de ter sido ordenança do comandante, poupou-o do mato, contudo nem assim deixou de acompanhar de perto essa dramática realidade. 



OPERAÇÃO MAR VERDE – INVASÃO DA GUINÉ CONACRI – AINDA MUITA VERDADE POR APURAR

Numa pesquisa à Internet, existem várias referências a operação relâmpago pelas tropas coloniais portuguesas à  Guiné Conacri – Uma das quais recorda que, “já quase no fim da nossa comissão, a 22 de Novembro de 1970, acontece a invasão à Guiné Conackry, é a mais extraordinária operação de toda a guerra, faz parte das suas histórias secretas, que agora começam a ser desvendadas, e sem dúvida será um dos momentos que ficarão para a história. É a única operação que deu origem a um livro.



"Os preparativos para a operação são estranhos, e todos se interrogam sobre qual será realmente a operação, especula-se sobre o objectivo ser a ilha do Como, mas a dúvida é o que persiste, o facto de não ir-mos usar as nossas armas e o documento que nos deram para assinar, coloca muitas interrogações, e uma operação num outro país, parece uma forte probabilidade."

   

"Em tendas montadas em Bissau a C. Caç. 13 e 14, aguardam ordens que podem chegar a qualquer momento, mas a verdade acaba por se saber logo no dia seguinte - houve uma tentativa de fazer um golpe de estado na Guiné Conakry, mas a operação falhou nalguns dos seus objectivos fundamentais, e já não se concretiza a nossa ida para Conakry"


(…) Falharam igualmente o objectivo de eliminar  o presidente da Guiné Conakry, Sékou Touré, o qual não se encontrava no palácio, bem como a eliminação dos lideres do PAIGC, contudo parece que Amilcar Cabral não devia ser morto. Acerca da eliminação de Amilcar Cabral,  Spinola sempre referiu que o queria ter como interlocutor, assim parece o objectivo era apenas a sua prisão, contudo este estava ausente."


23/11/1970 - Lanchas em Bissau  (1)

"Existe alguma dificuldade em saber  o que se realmente se passou, pois as unidades intervenientes são isoladas e proibidas de falar, o que gera alguma confusão nas informações que correm, assim inicialmente o pelotão desaparecido é identificado como sendo o que devia atingir a rádio.

O alferes capturado irá aparecer a falar na rádio dizendo que pertence ao exercito português, e meses mais tarde corre a informação de que todos os comandos capturados foram enforcado nas árvores em Conackry. – Excerto de Mar Verde - Guiné - Bissau


Gadamael ? Vocês vão lá morrer todos!
(…) Tentei acalmá-lo, dizendo-lhe para estar descansado que nada de grave ia acontecer, pedi-lhe para me contar o que se passava, vai daí, começa ele a relatar o que tinha passado de Guileje e Gadamael até chegar a Cacine. Na verdade depois de o ouvir, não me restaram dúvidas que ele tinha mais do que sobejas razões para estar no estado psicológico aterrador em que se encontravaCom as CCP 121, 122 e 123 em Gadamael, em Junh

GUINÉ CONACRI E GUINÉ BISAU – DOIS PAÍSES ONDE A TRANQUILIDADE E A PAZ, CONTINUAM MUITO FRÁGEIS

Muitas têm sido as conferências de paz, propostas pela ONU ou por outras organizações do continente africano, numa zona de áfrica, onde se sucedem golpes e contra golpes, todavia, a paz e a tranquilidade continuam a ser uma miragem.  

Na Guiné- Conacri, que em, 2 de Outubro de 1958 a se tornou um país independente, sob a liderança de  Sékou Touré como presidente, prevalece um regime ditatorial  “Desde 23 de dezembro de 2008, em virtude da morte do presidente, Lansana Conté, está suspensa a Constituição, assim como toda atividade política e sindical em virtude de golpe de estado aplicado por militares da Guiné.

Pela Guiné Bissau, as últimas notícias dizem que “A incerteza e as preocupações voltaram à Guiné-Bissau, depois de Nuno Nabiam ter rejeitado os resultados das eleições presidenciais que o dão como derrotado e atribuem a vitória a José Mário Vaz, candidato do PAIGC (Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde) Derrotado contesta vitória do candidato do PAIGC



OUTRAS OPINIÕES - Do Jornalista Jorge Heitor


“A Guiné-Bissau "transitou de Estado frágil para Estado falhado, para hoje se assumir, na prática, como um não-Estado, ou seja um Estado meramente virtual, uma vez que os reais atributos de Estado, tal como os define a ciência política, não se lhe aplicam".

Esta é mais uma citação que faço do roteiro académico "Da Guiné-Portugal à Guiné-Bissau", de Francisco Henriques da Silva e Mário Beja Santos; livro que serve para completar e desenvolver muito do que até hoje sabíamos da vida guineense, desde a chegada dos europeus à região até aos anos mais recentes.
Jornalista Jorge Heitor – do blog.comunidades.net/ - Excerto
Guiné-Bissau: Um pseudo-Estado -

 Nuno Gomes Nabiam, o candidato à Presidência da Guiné-Bissau apadrinhado por Kumba Ialá, nos meses que antecederam a morte deste, não aceitou facilmente ter ficado com menos de 40 por cento dos votos expressos. E vai daí começou a bradar que "quase metade dos eleitores" lhe confiou o seu voto, esquecendo que ficou bem mais de 20 pontos percentuais atrás do candidato do PAIGC, José Mário Vaz. – Jornalista Jorge Heitor – do blog.comunidades.net/ - Excerto As propostas matreiras de Nuno Nabiam

Colónia de Portugal desde o século XV até proclamar unilateralmente a sua independência, em 24 de Setembro de 1973, reconhecida internacionalmente - mas não pelo colonizador. Tal reconhecimento por parte de Portugal, haveria de só ser proclamado  o em 10 de Setembro de 1974, passando a ser  a primeira colónia portuguesa no continente africano a ter a independência reconhecida por Portugal.




 Onde estão os homens caçados neste vento de loucura


O sangue caindo em gotas na terra
homens morrendo no mato
e o sangue caindo, caindo...
Fernão Dias para sempre na história
da Ilha Verde, rubra de sangue,
dos homens tombados
na arena imensa do cais.
Ai o cais, o sangue, os homens,
os grilhões, os golpes das pancadas
a soarem, a soarem, a soarem
caindo no silêncio das vidas tombadas
dos gritos, dos uivos de dor
dos homens que não são homens,
na mão dos verdugos sem nome.
Zé Mulato, na história do cais
baleando homens no silêncio
do tombar dos corpos.
Ai, Zé Mulato, Zé Mulato.
As vítimas clamam vingança
O mar, o mar de Fernão Dias
engolindo vidas humanas
está rubro de sangue.

Alda Espírito Santo

Os mortos perguntam 

Nos rumos perdidos dos ventos trocados,
    Todos os rumos,
Nos fumos das piras dos mortos cremados,
Todos os fumos,
de todas as piras...
Nas iras dos mares
Que beberam sangue
Todas as iras...
Na ânsia enlutada de todos os lares
    Vazios de esperança
Todas as ânsias
De todos os lares...


António Neto  

Um comentário :

Anônimo disse...

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