expr:class='"loading" + data:blog.mobileClass'>

Quem sou eu

Minha foto
Entre outros assuntos, falo da escalada ao Pico Cão Grande e das minhas aventuras em canoas – Visam defender a teoria de que antigos povos africanos, podiam ter sido os primeiros povoadores das Ilhas do Golfo da Guiné, antes dos colonizadores – Parti à meia-noite, disfarçado de pescador, ligando a ilha do Príncipe. Para me orientar, uma rudimentar bússola – A canoa era minúscula, à segunda noite adormeci: rolei na escuridão das vagas. No regresso fui distinguido com sopapos da policia salazarista, enviado para os calabouços – Cinco anos depois, numa piroga maior, fiz a ligação São Tomé-Nigéria. Partindo igualmente à noite, 13 dias depois atingia uma praia de Calabar, tendo sido detido 17 dias por suspeita de espionagem. - No mesmo ano, já com São Tomé e Príncipe independente, tentei a travessia São Tomé ao Brasil, usando os mesmos recursos. Além de pretender reforçar a minha teoria, desejava evocar a rota da escravatura e repetir a experiência de Alain Bombard. Porém, quis a ironia do destino que vivesse a difícil provação de um naufrágio de 38 longos dias, tendo aportado numa praia de Bioko (Bococo)onde fui recambiado para a famosa prisão de Black Beach

sábado, 6 de dezembro de 2014

São Tomé – Gerhard Seibert acusa Karsten L. Wilke, autor da«História dos Judeus Portugueses» de não fundamentar o alegado encontro da armada de Cristóvão Colombo com Álvaro Caminha, onde seguiria o carregamento de várias centenas de crianças judias desterradas para S. Tomé


Após a publicação deste post recebi  do Prof. Gerhard Seibert uma mensagem referindo que não se trata de uma acusação mas de uma crítica. De facto, também é esta a minha interpretação, as nossas desculpas, mas foi o termo que me surgiu no momento  de editar o título em epígrafe - Aqui fica o registo, cuja cortesia igualmente muito lhe agradeço.

Obrigado. Acho que não se trata de uma "polémica", mas apenas de uma simples crítica que eu fiz. Também o Seibert não acusa o Wilken de não ter devidamente fundamentado a sua afirmação com a fonte, mas apenas "critica" este autor pela omissão (ou pela invenção).

A VERDADE NÃO SE FABRICA: OU EXISTE OU NÃO EXISTE - Compete aos historiadores não a deixar cobrir de poeira e trazê-la à superfície.


Num anterior e-mail, que o investigador, Gerhard Seibert, teve igualmente a amabilidade de me enviar, em resposta  a um meu comentário sobre este historiador, frisou o seguinte: O que notei no correr dos anos é que às vezes historiadores fazem especulações sem fontes ou com poucas fontes para suportar o seu argumento.
Esta invenção sobre o encontro Colombo/Caminha em 1493 não inviabiliza o resto do seu livro. Contudo, sou de opinião que um historiador sério sabe distinguir entre ficção e história."



Este trabalho vem no seguimento da postagem anterior http://www.odisseiasnosmares.com/2014/12/sao-tome-e-principe-hoje-apresentacao.html


Como em todos trabalhos de investigação, há quem não se importe de perder horas infinitas em aturadas pesquisas ou laboriosas lucubrações por amor à causa que abraçou e também há quem ou se aproveite do trabalho alheio ou pegue nas questões pela rama e da maneira mais fácil, conquanto daí obtenha proventos e fama. Não pensámos que seja o caso do autor da “História dos Judeus Portugueses”. de  carsten l. wilke, autor de um vasto currículo e de títulos académicos de alto gabarito

Todavia, tal não significa no entanto,  que o seu livro,  que ele pretendeu condensar apenas em 200 páginas, quando era suposto que, um tal tema, só por si  justificaria uma abordagem mais extensa  e aprofundada, sim, pudesse ser   isento de justificada crítica. Pelos vistos, a continuar a não esclarecer certas afirmações, produzidas na citada obra, tal facto não abona muito a favor do rigor posto na sua elaboração. É. Pelos menos,   a ilação que posso extrair dos pedidos de esclarecimento que lhe foram apresentados por outro conceituado autor e investigador.


PÚBLICO 20/06/2009 "A história dos judeus portugueses foi condensada em 250 páginas pelo académico alemão Carsten L. Wilke. 

"Chegaram à Península Ibérica muito, muito tempo antes de Portugal nascer, ainda no século I, quando a Lusitânia fazia parte do Império Romano. Conheceram os reinos cristãos anteriores à invasão muçulmana, foram protegidos pelos primeiros reis de Portugal até ao édito de expulsão, foram perseguidos como cristãos-novos, primeiro no continente, depois no Brasil ou na Índia conforme o longo braço da Inquisição lá foi chegando, começaram a regressar no século XIX mas nunca voltaram a ser uma minoria importante".Portugal teria podido proteger muitos dos judeus de origem

 O RELATO DE VALENTIM FERNANDES - ÚNICO TESTEMUNHO DO ENVIO DE CRIANÇAS JUDIAS PARA SÃO TOMÉ   - A CUJO MANUSCRITO SE REFERIU DETALHADAMENTE GERARD SEIBERT

Seibert, Gerhard500 years of the manuscript of Valentim Fernandes, a Moravian book printer in Lisbon. In: Beata Elbieta Cieszynska (ed.), Iberian and Slavonic Cultures: Contact and Comparison, págs. 79 a 88, Lisboa: 
 2007 - Um creterioso trabalho de investigação acerca do autor do único relato das crianças enviadas para S. Tomé. - Que tivémos oportunidade de consultar através do envio por e-mail

 *****
VALENTIM FERNANDES - "Hábil homem de negócios e humanista de  cultura abrangente, é a Valentim Fernandes que devemos um dos mais importantes tes­temunhos sobre os Descobrimentos portu­gueses: as anotações sistematicamente manuscritas em 300 páginas, que hoje estão guardadas na Staatsbibliothek München, designadas por Manuscrito de Valentim Fernandes. Este extenso manuscrito (veja o artigo neste Caderno) indica para um projecto que Valentim Fernandes não chegou a poder concretizar: A impressão de uma grande obra sobre as aventurosas navegações portu­guesas, prometendo ser um capital bestseller. – Excerto de Cadernos de Tipografia e Design 13

O ANTROPÓLOGO GERHARD SEIBERT CRITICA Carsten L. Wilke AUTOR DA “HISTÓRIA DOS JUDEUS PORTUGUESES”, DE NÃO FUNDAMENTAR O ALEGADO ENCONTRO DE ÁLVARO CAMINHA COM O NAVIO DE COLOMBO


 No seguimento de uma cordial troca de e-mails que  tenho mantido com o professor da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira, nomeadamente a partir da revelação, feita neste site, sobre a eventual descoberta de gravuras rupestres na costa litoral oeste de S. Tomé, sendo ele um dos mais qualificados estudiosos das Ilhas Verdes do Equador,  e, de minha parte também  um grande apaixonado por estas ilhas e pelo estudo das origens do seu povoamento,  que julgo ser muito anterior à colonização, quis o acaso, que, ao enviar-lhe um link de um trabalho publicado, neste site, sobre a escravatura em S. Tomé,  onde citei Karsten Wilke, me respondesse  o seguinte: “Aquela afirmação que Cristóvão Colombo cruzou-se no mar com o navio das crianças judias em 1493 parece ser uma invenção do autor Karsten Wilke. É melhor tirar esta parte do seu site. Karsten Wilke não fundamenta afirmaçõe

Eu escrevi três vezes para Karsten Wilke pedindo de me enviar a sua fonte para tal afirmação. O senhor nunca me respondeu o que me levou a concluir que ele inventou este encontro no alto mar.”  

Esta é a versão de Carsten Wilke, autor de  História Carsten Wilke publica síntese de 20 séculos 

Cristóvão Colombo e as crianças judias deportadas para São Tomé, em 1493 


"Aqueles de entre os judeus espanhóis que, por impedimentos, indigência ou medo ficaram retidos em Portugal tornaram-se «cativos do rei» no final do mês de 1493....Entretanto, durante dois anos e meio, uma grande parte dos judeus vivendo em Portugal foi baixada à servidão e colocada nas casas da aristocracia. Essa degradação não terá talvez implicado a perda total da sua personalidade jurídica, mas fez perder aos pais o direito sobre os filhos com menos de oito anos, que lhes foram arrancados por ordem real e baptizados...D.João II havia dado essas crianças escravas de presente ao capitão Álvaro de Caminha, senhor da ilha africana de São Tomé. Aquando da sua segunda viagem em Outubro de 1493, Cristovão Colombo cruzou-se no mar com os navios em que se encontravam deportados esses jovens, que deviam povoar a colónia. As fontes judaicas afirmam que a maioria dessas crianças sucumbiu: umas no decurso do trajecto, Outras por causa do clima da ilha tropical."

Fonte: Carsten Wilke - Lisboa: Edições Dom Quixote 2009, pp. 60/61.aotome : Message: Cristovão Colombo e as crianças judias..

TROCA DE E-MAILS  ENTRE  GERHARD  SEIBERT E CARSTEN WILKE

Caro Jorge,
Veja incluído a resposta que Cartsten Wilke me enviou em 4 de Janeiro de 2011. Ele escreveu que no livro de bordo de Colombo havia uma nota que tinha relacionada com Álvaro de Caminha. Ele prometeu-me enviar a sua fonte concreta depois do seu regresso a Budapeste. Contudo, apesar de várias reclamações minha, o Wilke nunca me respondeu

Sehr geehrter Herr Wilke, 

im letzten Jahr habe ich hier mit Interesse Ihr Buch "História dos Judeus 
Portugueses" gelesen. Darin schreiben Sie u.a. auch, dass 1493 Álvaro de 
Caminha, der die von ihren Eltern mit Gewalt getrennten jüdischen Kinder 
mit nach São Tomé nahm, sich auf dem Weg dorthin auf hoher See mit 
Kolumbus gekreuzt hat. Da mich die Geschichte der jüdischen Kinder in São 
Tomé seit langem interessiert, habe ich diese für mich bisher unbekannte 
Episode mit besonderer Aufmerksamkeit zur Kenntnis genommen. Ich habe 
jedoch in der portugiesischen Ausgabe Ihres Buches dazu keine Quellenangabe 
gefunden. Daher möchte ich Sie bitten mir mitzuteilen, wo Sie diese 
interessante Information gefunden haben. Vielen Dank. 

Mit freundlichen Grüssen

Sehr geehrter Herr Seibert,
ich freue mich über Ihr Interesse an meinem Buch. Einem Wunsch der Verlegerin zufolge, der an einem eher populärwissenschaftlichen Werk gelegen war, habe ich nur wörtliche Zitate mit Fußnoten belegt. Wenn ich mich recht entsinne, macht Kolumbus in seinem Bordbuch eine Anspielung, die ich auf Álvaro de Caminhas Schiffe bezogen habe. Ich bin gegenwärtig auf einer Reise in Heidelberg und kann die Stelle leider nicht aus dem Gedächtnis liefern. Ich werde Ihrer Frage aber nachgehen, wenn ich wieder zurück in Budapest bin.
Mit freundlichen Grüßen
Carsten Wilke

De entre outras mensagens que, Gerhard Seibert, teve a cortesia de mr enviar, diz  que “Não citaria o número de 2000 crianças judias deportadas sem muitos pontos de interrogação. Muito provavelmente eram menos. Várias fontes históricas sobre esta tragédia dão números diferentes. Veja a p. 85 do meu texto sobre esta questão no livro em anexo.

De facto, existe apenas uma única fonte que se refere a 2.000 crianças deportadas. Contudo ninguém nunca perguntou de quantos barcos Caminha precisava para transportar tantas pessoas. O próprio Caminha fala no seu testamento de 1499 de um total de mil pessoas que o acompanharam em 1493!


SOBRE O MESMO ASSUNTO - Já referido no post anterior

(…) Tradução – “Quantos navios chegaram com o capitão? Crianças - 2000 ou menos - estavam em um ou mais navios, juntamente com gradientes, padres, soldados e marinheiros. Padre Pinto escreve: "2.000 e 1.400 morreram dificuldades de viagem". Este ponto deve ser esclarecido, tal como exigido pela questão dos transportes: Como foram enviados 2.000 crianças acompanhadas pelos soldados, padres e prisioneiros libertados em uma viagem por mar? “Qual foi a idade das crianças? (…)
Como foram enviados 2.000 crianças acompanhadas pelos soldados, padres e prisioneiros libertados em uma viagem por mar?
Álvaro de Caminha relata ter comida para 1.000 pessoas. Dr. Gerhard Seibert estimou que havia um total de 1.000 pessoas ou menos. -  ESCLAVOS EN SÃO TOMÉ………. lTraduzir esta página



Para compreender melhor esta questão não deixe de ler o post anterior

Nenhum comentário :