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Entre outros assuntos, falo da escalada ao Pico Cão Grande e das minhas aventuras em canoas – Visam defender a teoria de que antigos povos africanos, podiam ter sido os primeiros povoadores das Ilhas do Golfo da Guiné, antes dos colonizadores – Parti à meia-noite, disfarçado de pescador, ligando a ilha do Príncipe. Para me orientar, uma rudimentar bússola – A canoa era minúscula, à segunda noite adormeci: rolei na escuridão das vagas. No regresso fui distinguido com sopapos da policia salazarista, enviado para os calabouços – Cinco anos depois, numa piroga maior, fiz a ligação São Tomé-Nigéria. Partindo igualmente à noite, 13 dias depois atingia uma praia de Calabar, tendo sido detido 17 dias por suspeita de espionagem. - No mesmo ano, já com São Tomé e Príncipe independente, tentei a travessia São Tomé ao Brasil, usando os mesmos recursos. Além de pretender reforçar a minha teoria, desejava evocar a rota da escravatura e repetir a experiência de Alain Bombard. Porém, quis a ironia do destino que vivesse a difícil provação de um naufrágio de 38 longos dias, tendo aportado numa praia de Bioko (Bococo)onde fui recambiado para a famosa prisão de Black Beach

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

José Aragão - Morreu a Voz que o Povo de S. Tomé e Príncipe mais gostava de ouvir no seu dialeto nos anos 60 e 70 e 80 e que ainda hoje recorda com nostalgia -Vocalista e um dos fundadores do conjunto musical ‘Os Úntues’ - Também letrista e compositor.

Este site segue a ortografia Luso-Brasileira - Por Jorge Trabulo Marques

De seu nome completo, José da Vera Cruz Aragão, nascido em S. Tomé, faleceu, neste último sábado, por volta das 17 horas, em Portugal,  com 73 anos, vítima de um cancro- A essa hora, encontrava-me na Casa Internacional de S. Tomé e Príncipe, a que vou referir-me no post seguinte, na presença de vários santomenses e de outros africanos dos países de expressão Portuguesa - Falou-se, a dada altura, que "há muita coisa na nossa história, que se pretende que se dilua no tempo, ou mesmo escamotear, frisando-se que " há várias personagens, por exemplo, para o caso da independência nacional,  que tiveram uma grande participação e que foram praticamente eliminadas de qualquer referência histórica.  - Disse.Rufino Espírito Santo  
Pelo que depreendo, também o autor de “Ola Bandela subli” – “quando a Bandeira Subiu, famosa composição que registou a proclamação da independência a 12 de Julho de 1975, de São Tomé e Príncipe, morreu no silêncio de um hospital, praticamente ignorado e esquecido dos seus conterrâneos. Nessa tarde, ainda ninguém sabia do infausto acontecimento. Pessoalmente, também apenas soube no telejornal da RTP- África, e, com mais pormenores, através do Télanon .





 Mas quem é que, tendo ouvido a sua voz, naqueles distantes anos de meados dos anos 60 e 70, como foi o meu caso, poderá esquecer uma das figuras mais emblemáticas de "Os Úntues”, autor e intérprete de canções que fazem parte dos clássicos da música típica das maravilhosas Ilhas Verdes.
 Era um regalo escutar - através do então Emissor Regional de S. Tomé e Príncipe, no horário dos discos pedidos, os seus tão apreciados trechos musicais. 

Conheci de perto, todos os elementos do conjunto -  quer nas suas atuações públicas,  nos populares "fundões", nomeadamente na Casa do Sporting- E, até na casa onde ensaiavam, julgo que  na rua que vai da atual 3 de Fevereiro para a Trindade, e noutros locais - Nos anos 70, de 71 a 75, além de correspondente da Semana Ilustrada, também era operador na rádio, pelo que, por várias vezes,  eu e outros colegas, éramos destacados para gravar as suas atuações, bem como dos demais  grupos musicais. 

E então o que é que eu mais recordo de José Aragão? O  seu timbre e sonoridade de voz inconfundíveis, que o som da guitarra elétrica, do tambor e dos instrumentos de percussão, ainda mais faziam ecoar e encantar,  sempre, sempre acompanhado com um sorriso, que lhe era natural, como que enfeitiçado,  por algo amoroso e galante, alegre e jovial, profundamente vivo, doce, nostálgico, e até de uma profunda melancolia e dor, num misto de sentimentos, que, sucessivamente, era interpretado e ia dando sentido a  cada letra e composição. 

Mas vou de seguida tomar a liberdade  de transcrever a notícia publicada pelo Télanon:, que nos dá mais pormenores sobre este ídolo da música santomense, que acaba de partir para a eternidade.

  O QUE DISSE O TELANON:  - (foto Telanon)

Tinha 73 anos de idade e era um dos nomes mais prestigiados da música e da cultura são-tomenses. Ficará na história como o autor de “Ola Bandela subli” – “Quando a Bandeira Subiu”, famosa composição que registou o acto da independência de São Tomé e Príncipe.
Enquanto cantor e compositor cuja carreira musical se confunde com a fase de auge do conjunto “Os Úntues”, José Aragão foi autor e intérprete de canções que são hoje clássicos do reportório musical são-tomense.

Com Juvenal Lopes, Leonel Aguiar, Alberto Morais, Alberto Neto, António Leite e José Canzá, José Aragão fundou em 1966 o conjunto ‘Os Úntues’, que viria a ocupar o lugar deixado vago pela extinção do nacionalista conjunto “Os Leoninos”. Tal como os Leoninos, os Úntues eram inspirados pelos ritmos tradicionais são-tomenses e vários dos seus temas reflectem, metaforicamente, um posicionamento nacionalista.

O local privilegiado de actuação de José Aragão e dos seus companheiros era o Sporting Clube de São Tomé, uma referência central da cultura e do nacionalismo são-tomenses.

José Aragão e os seus companheiros do conjunto “Os Úntues” foram os autores de um processo de modernização da música são-tomense, que passou pelo pioneirismo no uso da guitarra eléctrica e pela assimilação de influências externas, sobretudo do Congo, valorizando sempre as raízes da música nacional.

José Aragão foi o autor da primeira composição do género Ússua gravada por uma banda musical são-tomense: mili omé benfé-benfé.

Mas, acima de tudo, será recordado como autor de “Ola bandela subli” canção que grava o momento da proclamação da independência a 12 de Julho de 1975.

A canção, que tem conhecido versões de nomes mais jovens da música são-tomense, é uma espécie de hino ao primeiro hastear da bandeira na Praça da Independência, um hino à independência.

José da Vera Cruz Aragão foi membro-fundador da UNEAS, União Nacional dos Escritores e Artistas São-tomenses e um acérrimo defensor dos valores da são-tomensidade como  demonstram as suas letras musicais e as suas tomadas de posição sobre questões culturais.
Em várias ocasiões manifestou-se preocupado com o que descreveu como o facilitismo que grassa hoje na indústria musical são-tomense e manifestou receios perante o que considerava a crescente descaracterização da nossa música.

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