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Entre outros assuntos, falo da escalada ao Pico Cão Grande e das minhas aventuras em canoas – Visam defender a teoria de que antigos povos africanos, podiam ter sido os primeiros povoadores das Ilhas do Golfo da Guiné, antes dos colonizadores – Parti à meia-noite, disfarçado de pescador, ligando a ilha do Príncipe. Para me orientar, uma rudimentar bússola – A canoa era minúscula, à segunda noite adormeci: rolei na escuridão das vagas. No regresso fui distinguido com sopapos da policia salazarista, enviado para os calabouços – Cinco anos depois, numa piroga maior, fiz a ligação São Tomé-Nigéria. Partindo igualmente à noite, 13 dias depois atingia uma praia de Calabar, tendo sido detido 17 dias por suspeita de espionagem. - No mesmo ano, já com São Tomé e Príncipe independente, tentei a travessia São Tomé ao Brasil, usando os mesmos recursos. Além de pretender reforçar a minha teoria, desejava evocar a rota da escravatura e repetir a experiência de Alain Bombard. Porém, quis a ironia do destino que vivesse a difícil provação de um naufrágio de 38 longos dias, tendo aportado numa praia de Bioko (Bococo)onde fui recambiado para a famosa prisão de Black Beach

quarta-feira, 18 de março de 2015

Cooperação Portugal- S. Tomé e Príncipe oferece duas embarcações de busca e salvamento – Louvável dádiva que pode salvar vidas: agora já não há razão para deixar os náufragos aos ditames do azar ou caprichos da sorte.


 
Os mares de S. Tomé e Príncipe, aliás, de todo o Golfo da Guiné, são muito inconstantes e traiçoeiros: típicos ou das calmarias podres ou das tempestades devastadoras. Embora, as mudanças climatéricas, a nível global,  hajam provocado algumas alterações, esta região atlântica  equatorial, continua a ser um vasto oceano turbulento, onde os tornados frequentemente, fazem a sua aparição, mormente na época das chuvas
Referem notícias que o governo português ofereceu nesta quarta-feira a São Tomé e Príncipe duas embarcações de busca e salvamento, no quadro da cooperação entre os dois países. – Sem dúvida, uma louvável iniciativa, que pode vir a revelar-se de muito útil no socorro  de pescadores desaparecidos – Pois, até, agora, muitos têm sido os dramas vividos pelos bravos homens do mar: uns tragados e desaparecidos pelas garras das  vagas, outros, pese as horas, as noites e os dias de angústia e de incerteza vividos,  heroicamente,  resistido e se salvado. 

Acrescenta a notícia que “A oferta das duas embarcações complementa o programa de formação do Instituto Nacional de Socorros a Náufragos à guarda costeira são-tomense e a cerimónia de entrega conta com a presença do ministro da Defesa de Portugal, José Pedro Aguiar-Branco. 

Além disso, Portugal e São Tomé e Príncipe assinaram nesta quarta-feira um novo Programa-quadro de cooperação técnico-militar para o triénio 2015/2017 e um protocolo adicional no domínio da fiscalização conjunta de espaços marítimos sob jurisdição são-tomense. Portugal oferece duas embarcações de busca e salvamento a São Tomé e Príncipe

Sim, agora, já não há desculpa para se cruzarem os braços – é possível atuar, o que não sucedeu, por exemplo, num dos últimos naufrágios – A que me referi neste site e em que chegou a esta triste e lamentável resignação:

31-07-2014 "A capitania dos portos disse ao Téla Nón, que neste momento o Estado são-tomense tem limitações para lançar uma operação de busca e salvamento. Primeiro porque não se tem a localização dos pescadores desaparecidos, por que não levaram os materiais de navegação, nomeadamente o reflector de radar.

Uma operação de busca no mar aberto é desvantajosa, pelo facto das embarcações da guarda costeira, não terem autonomia para vasculhar o espaço marítimo nacional durante várias horas. Explicou a capitania dos portos.

Nesta situação segundo a capitania dos portos, a utilização de meios aéreos para fazer o reconhecimento da zona económica exclusiva era mais indicado. No entanto o país não tem meios aéreos para fazer tal operação.

Só resta esperar… Na capitania dos portos o Téla Nón confirmou que o Ministério dos Negócios Estrangeiros, já emitiu um alerta aos países vizinhos, com vista a apoiarem na busca e salvamento dos 6 pescadores, que há 7 dias não regressaram a casa" -

Dizia eu, em   Drama no Golfo da Guiné  - Quem socorre os 6 pescadores de São Tomé desaparecidos há seis dias? -
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"Só resta esperar?!."..  - Ou será que a vida das populações africanas, desde as pessoas que desaparecem no mar, às que morrem vítimas da fome e da falta de assistência médica, continua a ser a de meros números e não a de seres humanos?!.

Não me posso resignar ao “só resta esperar” A este intolerável fatalismo – Eu que vivi a angustiosa experiência de 38 dias à deriva numa piroga no Golfo da Guiné, sei quanto é angustiante a situação de um náufrago! – Se não foram vítimas de pirataria, acredito que ainda possam estar vivos – Porém, vivendo momentos de indiscritível angústia e incerteza


 Felizmente, não me enganei: os seis pescadores desaparecidos acabaram por chegara a Bata – Ao enclave da Guiné Equatorial no continente africano – Nove dias depois de terem sido deixados à sua sorte – O nosso alerta tinha razão de ser – Autoridades santomenses limitaram-se “ a esperar” não mexeram uma palha – E podiam talvez ter evitado tanto sofrimento. Os seis pescadores desaparecidos chegaram a Bata

Pessoalmente, na qualidade de jornalista (delgado da revista Semana Ilustrada, de Luanda - 1970-1974) conheci uma situação de dois pescadores, que, ao cabo de cinco dias, foram dar à costa do Gabão, depois de inarráveis dificuldades

 – Especialmente  depois de terem ali aportado, levados pelo tornado. Foi nos anos setenta.



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