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Entre outros assuntos, falo da escalada ao Pico Cão Grande e das minhas aventuras em canoas – Visam defender a teoria de que antigos povos africanos, podiam ter sido os primeiros povoadores das Ilhas do Golfo da Guiné, antes dos colonizadores – Parti à meia-noite, disfarçado de pescador, ligando a ilha do Príncipe. Para me orientar, uma rudimentar bússola – A canoa era minúscula, à segunda noite adormeci: rolei na escuridão das vagas. No regresso fui distinguido com sopapos da policia salazarista, enviado para os calabouços – Cinco anos depois, numa piroga maior, fiz a ligação São Tomé-Nigéria. Partindo igualmente à noite, 13 dias depois atingia uma praia de Calabar, tendo sido detido 17 dias por suspeita de espionagem. - No mesmo ano, já com São Tomé e Príncipe independente, tentei a travessia São Tomé ao Brasil, usando os mesmos recursos. Além de pretender reforçar a minha teoria, desejava evocar a rota da escravatura e repetir a experiência de Alain Bombard. Porém, quis a ironia do destino que vivesse a difícil provação de um naufrágio de 38 longos dias, tendo aportado numa praia de Bioko (Bococo)onde fui recambiado para a famosa prisão de Black Beach

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Recital de Poesia de Olinda Beja – O brilho da estrela da tarde dos poetas de S. Tomé e Príncipe na Casa Fernando Pessoa, em lisboa – Inserido na celebração dos 8 séculos de Língua Portuguesa

Por Jorge Trabulo Marques - Jornalista - Eram 18 horas do dia 28 de Abril - Já no termo de uma tarde quente e primaveril mas que haveria de brilhar ainda muito mais para quem não quis perder a oportunidade de nesse dia, lhe juntar alguns momentos da mais bela e sentida  poesia.


(há outros vídeos do mesmo evento  no youtube e a editar)

Olinda Beja é, sem dúvida alguma,  uma das mais espantosas musas do firmamento poético de São Tomé e Príncipe, nascida lá nas bandas do meio do mundo, onde se avista o cruzeiro do Sul – Toda a sua poesia é como que a  expressão genuína das raízes da maravilhosa e luxuriante Ilha  que a viu nascer. Do mar, da  terra e dos seus frutos e flores - sabores e perfumes. Ela é tudo isso! A expressão poética  das Ilhas e das suas gentes. Com a genial e rara inspiração de dizer os seus poemas, com a mesma musicalidade calorosa da voz do seu povo e, simultaneamente, nos revelar  a beleza envolvente de um verdadeiro paraíso terreal  -  Naturalmente, com os seus espantos, cores, alegrias, ansiedades  e sofrimentos – E, estes, muitos foram ao longo de séculos. Por isso mesmo, é das raras poetas que tem o condão de dizer o que escreve, tal como o sentiu no instante da sua criação: não só recita, declama mas canta! – Não sei se haverá, entre os poetas da língua portuguesa, pessoa capaz de nos proporcionar momentos de tão  rara  e intensa beleza poética e deslumbrante sensibilidade interpretativa, como são os oferecidos por Olinda Beja.  

É o que se pode dizer um espetáculo musical e poético, ao vivo, que não cansa, não enfada, contrariamente a muitas destas sessões.  Pois é das tais récitas poéticas, que prende  e emudece de encanto a assistência,  arrebata e   faz levantar em apoteóticos aplausos, quem a ouve. – Sim, porque, a par dos seus extraordinários dotes poéticos e artísticos,  também costuma fazer-se  acompanhar de um outro talento musical – De  Filipe Santo, que, dedilhando, artisticamente, os melhores sons do africanismo são-tomense, lhe empresta ainda mais redobrado sentimento e  fulgor. – Foi justamente esse fino repasto musical e poético  que mais uma vez pudemos presenciar e do qual tenho o prazer de aqui editar algumas imagens, palavras  e vídeos



OLINDA BEJA – CONVIDADA ESPECIAL NA CELEBRAÇÃO DOS 8 SÉCULOS DA LÍNGUA PORTUGUESA

De facto, se  maravilhosos são os seus poemas lidos, então maior o encanto ainda quando nos brinda com o canto da sua poesia, acompanhada  à viola  por Filinto Santo, que foi justamente o que proporcionou a toda a assistência que enchia  a sala-auditório   da Casa Fernando Pessoa, numa iniciativa promovida pela Associação 8 Séculos de Língua Portuguesa-Associação” – Desta vez, numa  sessão especialmente  dedicada  à poesia de São Tomé e Príncipe

A referida tertúlia, que se se insere  no ciclo intitulado «Poetas de Mar e Mundo»,  tem por objetivo promover e divulgar a poesia dos países de língua oficial portuguesa, dando a conhecer, através de alguns dos seus poetas, as diversas culturas, aproximando os povos que usufruem de uma riqueza cultural em comum – a Língua Portuguesa.

O mar - tema escolhido por Olinda Beja – Marcante na sua poesia e na insularidade de São Tomé e Príncipe, bem como pelo facto de o “Mar” estar presente na poesia pessoana, associando-se, deste modo, aos 80 anos sobre o falecimento de Fernando Pessoa e dos 100 anos do heterónimo de Alberto Caeiro.

OPORTUNIDADE PARA RECORDAR POETAS E ESCRITORES PORTUGUESES

 
Olinda Beja, não apenas declamou e cantou poemas de sua autoria, como aproveitou para recordar alguns nomes da literatura santomense, tanto poetas (que declamou) como dos escritores mais distintos

Estas comemorações, tiveram inicio no dia 5 de maio de 1914, estando o  encerramento previsto  para o dia 10 de Junho próximo, numa homenagem a Camões e à literatura em língua portuguesa 

Além de contarem com a participação de convidados especiais, assumem carácter  de tertúlia, visto serem abertas ao público presente, que foi o que também sucedeu  nesta sessão, com a intervenção de algumas pessoas que ali se encontravam - Designadamente por parte de   Maria José Maya, coordenadora destes eventos e presidente Associação da “8 Séculos de Língua Portuguesa. E ainda por Francisco Queiroz, da Associação Infante D. Henrique, além da invisual Mercedes Mano, que leu em braille o Poema: Para Sempre - Carlos Drummond de Andrade. e por mais duas autoras, cujo nome não nos ocorre.


De seu nome Mercedes Martins Mano, cega de nascença, nunca viu a luz do dia mas gosta de sentir a luz da mais bela poesia em braille, de que foi já professora. É uma habitual frequentadora e participante da leitura de poemas das tertúlias organizadas pela  “Associação 8 séculos de Língua Portuguesa – Foi justamente o que fez ao escolher o poema “Para sempre de Carlos Drummond Andrade, na sessão que teve lugar, ao fim da tarde do dia 28 de Abril, na Casa Fernando Pessoa, dedicada a S. Tomé e Príncipe, inserida no âmbito  das comemorações dos 8 séculos de língua Portuguesa, que teve como convidada especial Olinda Beja

 

Lauro Barbosa da Silva Moreira - Antigo Embaixador brasileiro do CPLP  - foi uma das presenças desta tertúlia poética.  Mostrou-se, vivamente impressionado pelo recital de Olinda Beja, que classificou com um dos mais belos que pôde presenciar. 
Disse, que, em 1997, laçou um CD no Brasil com os poetas da língua portuguesa, no qual incluiu  um poema de Caetano da Costa Alegre, lembrando que, a primeira vez que foi a S. Tomé, numa entrevista que deu a uma estação de Rádio, ofereceu um desses CD à pessoa que dirigia a rádio, a qual lhe confessou ter ficado  surpreendidíssima por no Brasil se tivesse gravado um poeta do século IXX de S. Tomé e Príncipe. 


Noutra das visitas que efetuou a estas ilhas teve o prazer de encontrar-se com Alda da Graça Espírito Santo,  que o recebeu em sua casa e da qual recordou momentos de convívio que ali viveu, tendo aproveitado para declamar um dos seus poemas - "Em torno da minha terra"

COMO SURGIU A IDEIA DESTAS TERTÚLIAS POÉTICAS:

Numa entrevista, concedida por Maria José Maya, à revista ESTANTE, a promotora desta iniciativa, explica  como lhe surgiu a ideia das comemorações dos 8 séculos de Língua Portuguesa:

(…) "Quando, em 2011, me apercebi da existência de um conjunto de documentos escritos em língua portuguesa, de entre os quais se destacava o Testamento de D. Afonso II, datado de 27 de junho de 1214, comecei a refletir sobre o modo como essa data poderia ser comemorada e ser a rampa de lançamento para umas grandes comemorações que conferissem visibilidade à língua portuguesa. A primeira ideia que surgiu foi fazer um concurso de poesia online dirigido a todos os países que integram a CPLP, Macau e diásporas. O projeto foi amadurecendo e decidimos eleger o Testamento de D. Afonso II como referencial para estas comemorações que é, de entre os documentos mais antigos, aquele que perfaz 800 anos em 2014. É um programa aberto, será progressivamente enriquecido até ao dia 10 de junho de 2015 e é dirigido a todas as pessoas e instituições que se queiram juntar a estas comemorações. – Mais pormenores em Maria José Maya | Revista ESTANTE


"Olinda Beja nasceu em Guadalupe, S. Tomé e Príncipe .Criança ainda deixou as ilhas e passou a viver do outro lado do mar, em terras frias e alcantiladas da Beira Alta. Um dia resolveu voltar às suas raízes maternas. Chamou-a o som do ossobô, os rios caudalosos, o canto das aves exóticas, a voz de Sam Lábica, sua mãe… Derramou então a sua vida dupla entre mar e montanha, Europa/África, em palavras poéticas, fundas, sentidas, em páginas de livros por onde vai mitigando uma sede antiga...

As suas obras têm sido objeto de estudo em várias universidades nomeadamente no Brasil, Inglaterra, Alemanha, França, África do Sul e nas escolas portuguesas da Suiça e do Luxemburgo onde, como leitura integral, foram adotadas as seguintes obras “15 Dias de Regresso”(Romance)  e “Pé-de-Perfume” (Contos).  Foi convidada para  levar “Um Grão de Café” ao Festival das Migrações e Culturas ”(13, 14 e 15 de março) no Luxemburgo seguindo daí para Cabo Verde.

O  seu  livro de contos  “Histórias da Gravana”  -  foi nomeado, entre os finalistas, para o grande Prémio Literário PT 2012..Editora Edições Esgotadas - Olinda Beja

Acompanhada à viola pelo músico são-tomense Filipe Santo, e sempre que possível pelo seu esposo, na imagem ao lado, "Olinda Beja tem feito recitais de poesia em vários palcos do mundo – Brasil, França, Austrália, Luxemburgo, Portugal, Suíça, Alemanha –festival internacional de poesia de Berlim 2008 -, Timor,  fazendo com que haja um maior conhecimento da poesia e dos poetas de São Tomé e Príncipe. - Recentemente foi-lhe atribuído o Grande Prémio Literário Francisco José Tenreiro (o maior prémio literário de S.Tomé e Príncipe) pela sua obra poética “À Sombra do Oká” (a sair em breve em S. Paulo – Brasil) – Telanon - Olinda Beja

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