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Entre outros assuntos, falo da escalada ao Pico Cão Grande e das minhas aventuras em canoas – Visam defender a teoria de que antigos povos africanos, podiam ter sido os primeiros povoadores das Ilhas do Golfo da Guiné, antes dos colonizadores – Parti à meia-noite, disfarçado de pescador, ligando a ilha do Príncipe. Para me orientar, uma rudimentar bússola – A canoa era minúscula, à segunda noite adormeci: rolei na escuridão das vagas. No regresso fui distinguido com sopapos da policia salazarista, enviado para os calabouços – Cinco anos depois, numa piroga maior, fiz a ligação São Tomé-Nigéria. Partindo igualmente à noite, 13 dias depois atingia uma praia de Calabar, tendo sido detido 17 dias por suspeita de espionagem. - No mesmo ano, já com São Tomé e Príncipe independente, tentei a travessia São Tomé ao Brasil, usando os mesmos recursos. Além de pretender reforçar a minha teoria, desejava evocar a rota da escravatura e repetir a experiência de Alain Bombard. Porém, quis a ironia do destino que vivesse a difícil provação de um naufrágio de 38 longos dias, tendo aportado numa praia de Bioko (Bococo)onde fui recambiado para a famosa prisão de Black Beach

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Em São Tomé – Num domingo tranquilo – Afinal, onde está a pobreza?.... Almoço e jantar, em dois restaurantes de bairro, para duas pessoas, por 65 mil dobras – pouco mais de dois euros - Pergunto: em que país da Europa se almoça e janta por esta importância?




Por Jorge Trabulo Marques - Jornalista


A módica importância equivalente a dois euros, incluindo refeição e bebida: - foi justamente o que  gastei, neste último domingo,  em dois restaurantes típicos de bairro – Na companhia de  um amigo, ou seja,  acabei por gastar à volta de cinco euros, num total das quatro refeições. E não se pense que se trata de algum miniprato, tal como aquelas famigeradas refeições  que se servem de pé e ao balcão, tipo manjedoura,  de alguns restaurantes de Lisboa ou do Porto e de outras cidades - Que mal dão para saciar o estômago.




S. Tomé e Príncipe, é apontado, com um dos destinos turísticos mais recomendados do Mundo.  Não somente pela beleza incomparável das suas florestas, bordejadas  por um mar de um azul turquesa, água cristalina, praias orladas por frondosos coqueiros, como que vergados pelo denso manto luxuriante, que, desde as suas razies se ergue, qual presépio de multi-verdes maravilhosos, que  vão perder-se nas neblinas das maiores alturas, unindo a terra e o céu, como se não houvesse qualquer distância que os separasse.

Pelos vistos,  o fascínio que estas ilhas exercem nos visitantes, não resulta  apenas do exotismo da sua paisagem, mas também  pela hospitalidade da sua gente e ainda  por não ser dos destinos mais caros.  

A bem dizer, eu não vim para fazer turismo, mas, entre outros intuitos de natureza cultural,   para me associar às comemorações do 12 de Julho, no 40º aniversário da sua independência. Já lá vão sete dias e tenho feito uma vida regrada, pelo que optei pela comida tradicional da Ilha e nos restaurantes de bairro ou do Povo  - Por um lado, até para me inteirar melhor de como vive  a população. E é justamente isso o que vou continuar a fazer, até regressar a Portugal - 

ALMOÇO COM OS PESCADORES QUE ANDARAM PERDIDOS NO MAR

 Num destes dias, éramos sete – era eu, mais dois amigos, das lides jornalísticas e mais os dois pescadores (acompanhados pelo armador), que estavam desaparecidos há cerca de um mês e meio. Tendo  regressado a S. Tomé de avião vindos do Gana. Depois de resgatados por uma embarcação que os entregou à Guarda Costeira da Nigéria, onde permaneceram, detidos, durante  vários dias. Despojados das sua canoa e do motor, e após  as diligências das  autoridades, entre os dois países, finalmente puderem  voltar ao seu humilde lar, cujos horizontes, chegaram a pensar ter perdido  para sempre. 


Encontrei-me com eles, casualmente na cidade,  por volta do meio-dia, depois de terem deixado a capitania dos Portos. Querendo conhecer as adversidades por que passaram, e, tendo-me dito que não tinham dinheiro para almoçar fora de suas casas, fiz questão que nos acompanhassem a um restaurante, onde podemos almoçar e conversar. Mesmo assim, ainda penso ir à Praia Melão, donde partiram para a dramática viagem, a fim de ali me inteirar melhor das suas vidas.  – Espero referir-me, mais detalhadamente, a estas histórias, no meu site, numa próxima oportunidade

POBREZA EM SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE – E QUE TIPO DE POBREZA?

Na perspectiva do grande capitalismo internacional, a riqueza de um país é aferida, não pelo número de esfomeados, desempregados,  explorados, escravizados  e sem teto, mas na prosperidade dos mega-negócios. O país que não facilitar essa prosperidade enganadora, é um país mendigo – Será que, nestas Ilhas, é esta a realidade? – Pessoalmente, tenho outra opinião – A qual. de algum modo, vem ao encontro do que dizia, Miguel Torga, num dos seus diários, ao referir-se à  propósito  da CEE e dos economistas das subserviência à Europa – Dizia o seguinte:

“Portugal não precisa de ser , de rosto desfigurado, mimeticamente rico por conta do capitalismo internacional. Necessita, sim, de, com fisionomia própria de sempre, ser remediado ao serviço da humanidade".



"Ninguém me encomendou o sermão,  mas precisava de desabafar publicamente. Não posso mais com tanta lição de economia, tanta megalomania, tão curta visão do que fomos, pudemos e devemos ser ainda, e tanta subserviência às ordens de uma Europa sem valores, incapaz de entender um Povo que nela sempre os teve e com eles espiritual e singularmente a dignificou. In Miguel Torga, Diário XVI






De facto, fala-se que, S. Tomé, é um país, em que "metade da população vive abaixo da linha de pobreza e 10% das pessoas estão subnutridas". As crianças são as maiores vítimas. São Tomé e Príncipe - Príncipes do Nada - Penso que se tratam de análises, que não refletem propriamente a realidade: sim, é verdade que os ordenados aqui são baixíssimos, injustos, nalguns casos até nem vão além dos 20 euros mensais, mesmo assim, não se pode dizer que alguém aqui morra de fome ou se encontrem crianças com as pernas de galinhas ou barrigas de bola, inchadas, tal como se veem  noutros países de África

o mar é rico em peixe e está em todos os horizontes das ilhas, a natureza é  generosa, oferece de tudo e os preços dos produtos da terra (salvo os importados) são acessíveis, mesmo às bolsas mais humildes. Claro que, sem dinheiro, há muita gente que nem assim os pode comprar – Então, como sobreviver? … Esse é a grande lição, o sentido de fraternidade e de solidariedade,  que o Povo destas maravilhosas ilhas, aprendeu, ao longo dos séculos, com a colonização: ou alguma vez houve fartura, no período colonial,  para os chamados povos indígenas?


Embora , os costumes se corrompam com a desenfreada expansão do egoísmo e mercantilismo do  mercado global capitalista,  ainda persistem as tais ilhas, onde a destruição dos valores humanistas, não foram completamente subvertidos: São Tomé e Príncipe, constituem, raros exemplos: em que o sentimento de generosidade e de pacifismo, ainda não foi substituído pelo da violência ou do salve-se, quem puder.  Ora, é  justamente esse  espírito, que o capital apátrida sem fronteiras, ainda não matou, que se reflete, desde o pequeno comércio, na compra de vestuário, onde se podem encontrar “trapos” para todas as bolsas ou nos pequenos quiosques e modestos  restaurantes de bairro.

Claro, que, na venda de bebidas e produtos alimentares importados, aí a solidariedade esbarra com a tirania imposta  pelos grandes monopólios de distribuição. E, embora, toda a gama desses produtos, desde as grandes lojas às mais pequenas, os exponham, o grosso da população não os pode comprar. Por isso, a resposta está na bananeira ou na fruta pão, e noutras frutos, fontes de alimentação que se encontram disseminadas em qualquer ponto das Ilhas.

Com certeza, que é preciso ter em atenção, tal como diz o velho ditado, “deita-te à sombra da bananeira, não corras  e verás o que te acontece ” . Só que, como em todo o lado, não são os que correm muito que ganham mais: é a minoria privilegiada dos que não vergam a mola e, todavia, fazem  vida luxuosa. Por exemplo, em S. Tomé, vêem-se  muitos carros de marca a circular nas ruas da cidade e até nos subúrbios, onde já se descobre algum contraste:  ver uma modesta casa de madeira, um modesto barracão, ao lado de uma excelente vivenda - Mas pior era no tempo colonial em que, os santomenses, eram todo atirados para o meio do mato, como párias da sua terra e a cidade reservada aos colonos.

CENTRO COMERCIAL NO CORAÇÃO DA CIDADE DE S. TOMÉ

No coração da cidade de S. Tomé, está erguer-se um enorme  centro comercial, que vai ocupar o espaço do antigo balneário público, no qual vai ser instalado o Super Mercado e várias lojas, com cinco pisos e um armazém.

Naturalmente, que o fenômeno da pobreza existe e tende a recrudescer, tanto nestas ilhas, como em Portugal, em todo o lado, em toda a parte: - Pois assim o dita a nova Ordem Mundial. O problema não está em haver capitalistas ou capitalismo, mas no espírito açambarcador e monopolista, em que ele degenerou, sem leis e sem regras, não olhando a meios para tomar conta de tudo, obrigando o grosso das populações  a trabalharem para os bolsos de uns poucos de felizardos. 



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