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Entre outros assuntos, falo da escalada ao Pico Cão Grande e das minhas aventuras em canoas – Visam defender a teoria de que antigos povos africanos, podiam ter sido os primeiros povoadores das Ilhas do Golfo da Guiné, antes dos colonizadores – Parti à meia-noite, disfarçado de pescador, ligando a ilha do Príncipe. Para me orientar, uma rudimentar bússola – A canoa era minúscula, à segunda noite adormeci: rolei na escuridão das vagas. No regresso fui distinguido com sopapos da policia salazarista, enviado para os calabouços – Cinco anos depois, numa piroga maior, fiz a ligação São Tomé-Nigéria. Partindo igualmente à noite, 13 dias depois atingia uma praia de Calabar, tendo sido detido 17 dias por suspeita de espionagem. - No mesmo ano, já com São Tomé e Príncipe independente, tentei a travessia São Tomé ao Brasil, usando os mesmos recursos. Além de pretender reforçar a minha teoria, desejava evocar a rota da escravatura e repetir a experiência de Alain Bombard. Porém, quis a ironia do destino que vivesse a difícil provação de um naufrágio de 38 longos dias, tendo aportado numa praia de Bioko (Bococo)onde fui recambiado para a famosa prisão de Black Beach

quarta-feira, 8 de julho de 2015

RTP – África – “S. Tomé e Príncipe – Retalhos de uma História” Imagens e afirmações que revivem história e que vão ficar para a história-Reportagem de ante-estreia

Reportagem especial dos Jornalistas: Jorge Trabulo Marques  e Adilson Castro

O documentário já foi exibido, por duas vezes, na televisão de S. Tomé e Príncipe, e é  do que se fala na atualidade, ao mesmo tempo que se anuncia a chegada do Presidente da República de Cabo Verde, da Guiné Equatorial, entre outros altos dignitários, que vêm associar-se  às comemorações do 12 de Julho, alusivas ao 40º aniversário da Independência  destas Ilhas.

Mas foi no passado dia 3,  pelas 17 horas, que teve lugar a  antestreia  mundial, numa sala de conferências do Hotel  Omali Lodge , localizado na Praia Lagarto,   com alguns dos protagonistas e outros convidados.



O vídeo, que aqui apresentamos, é constituído por registos fotográficos que obtivemos durante a exibição do referido filme, outros da assistência, e, na ponta final do vídeo, de alguns recortes  do nosso arquivo da Semana Ilustrada,  tendo alguns dos quais servido de ilustração  no referido documentário

Trata-se, com efeito, de um excelente trabalho  televisivo, que fala das várias fases e episódios por que passou o processo de  Libertação do domínio colonial português sobre S. Tomé e Príncipe, que, além de recuperar memórias, vai  certamente fazer história e animar futuros debates, tal o profissionalismo e a   qualidade com que, Nilton Medeiros e Jerónimo Moniz,   realizadores do programa “Nós por lá”, da TVS pegaram nos diversos capítulos da história de   um país, que no dia 12 de Julho, comemora o  40º aniversário da sua independência, ou seja, a idade da prata, em que, nas pessoas, começam a aparecer os primeiros cabelos brancos, sinal de experiência e de maturidade para  tomarem boas decisões, não se cometerem erros, que, aliás, é o que se espera e deseja  dos seus governantes. 

Sem dúvida, um excepcional trabalho televisivo, que procurou recuar à  década de sessenta, altura em que um grupo de nacionalistas, organizavam as primeiras reuniões  clandestinas na localidade de Bobô Fôrrô, distrito de Água Grande, génese do Comité de Libertação de S. Tomé e Príncipe, que, anos depois, haveria de transformar-se no MLSTP – Documentário este, inserido nos diversos atos comemorativos do 40º aniversário da República Democrática de S. Tomé e Príncipe, que procurou  abarcar o período  marcante da luta pela independência, antes e após o 25 de Abril, incluindo o impacto desta revolução no processo descolonizador e libertador, até às primeiras ações governativas, com a nacionalização das roças. Tema este que continua a dividir opiniões e a ser   um dos pontos  mais controversos da sociedade Santomense, 

 Recuar-se ao  período pós 25 de Abril era inevitável  a abordagem da dinâmica e importante acção mobilizadora (para outros destabelizadora) da Associação Cívica Pró-MLSTP. Das sinuosidades da Frente Popular Livre, que surge, inicialmente,  como que impulsionada, ainda por ventos neo-coloniais, inspirada por uma certa burguesia  santomense, que temia perder os seus privilégios, começando  por defender uma federação com Portugal,  – A desmilitarização da Companhia de Caçadores de STP, o acordo de Argel, assim como o papel do Alto Comissário, Pires Veloso (no nosso ponto de vista, o homem certo no momento certo), bem como  os momentos emocionantes do dia da Independência, no 12 de Julho de 1975, estes, entre outros temas colocados também aos deponentes.

“São Tomé e Príncipe –“Retalhos de uma História” – Diga-se que  não é propriamente um documentário de retalhos, mas um documentário sabiamente composto por várias declarações, que, embora surgindo avulsas, se encadeiam, nos prós e nos contras, surgindo com  vivacidade e oportunidade na abordagem de uma história com os seus principais intervenientes e capítulos.

Com depoimentos:  de Manuel Pinto da Costa, Miguel Trovoada, Olegário Tiny, José Freet Lau Chong, Leonel Mário D’Álva, Filinto Costa Alegre, António Pires Veloso, António Tomaz Medeiros, Moreira de Azevedo, Albertino Bragança Neto, Almeida Santos, Maria do Carmo Bragança Neto, Almeida Santos, Guadalupe Ceita, António Pires dos Santos e Pedro Umbelina.

GUARDIÕES DA UTOPIA

Manuel Pinto da Costa, disse:  “Nós não estávamos muito acreditados na sinceridade dos dirigentes portugueses”

Olegário Tiny: “Nós temos muito  orgulho e honra em dizer que fomos os principais mobilizadores para esta caminhada da independência. A direção do MLSTP, que na altura se encontrava em Libreville, teve um papel muito importante – e Porquê?... Porque eles foram os guardiões  da utopia”.

Miguel Trovada:  - Referindo-se igualmente à Associação Cívica Pró MLSTP“ diz que “ foi extraordinariamente importante: primeiro, porque permitiu  dar uma face legal à luta de libertação na fase em que ela se encontrava (…) Na  vontade, no dinamismo e nos sonhos próprios da idade da juventude, que trouxe realmente um grande contributo, (…) no agitar do bom sentido, de ir para a luta da independência.

Maria do Carmo Bragança – A Frente popular Livre foi uma organização que nasceu antes da independência; antes de nós conhecermos a existência da Associação Cívica
José Freet Lau Chong.

José Freet Lau Chong, referindo-se  à Frente Popular Livre diz que os seus membros  “não estavam de acordo com a independência defendida pelo MLSTP, queriam a federação com Portugal“.

Maria do Carmo, contrapondo, alega desfiando quem quer que seja que afirme que a FPL defendia uma federação com Portugal.

Abílio Neto: -Por seu turno,  pergunta: o que é que a Federação Popular livre pretendia?... Era uma Federação com Portugal.  E o que  é que o MLSTP, através da Associação Cívica, mobilizava?... A Independência total!

Maria do Carmo, acabou por justificar que “Nós entendíamos que, a independência total e completa  e imediata, não devia ser aplicada a S. Tomé e Príncipe: Primeiro, porque, S. Tomé e Príncipe, não estava em luta armada. O Povo de S. Tomé e Príncipe, não teve que pegar em armas!”.   

Filinto Costa Alegre, dirigente da Associação Cívica Pró-MLSTP,  recorda, que, naquelas “ circunstância, a federação era uma solução que convinha mais ao poder colonial, A nossa não convinha de todo  ao poder colonial! E a Frente Popular Livre tinha um projeto que devia ser acarinhado pelos colonos que estavam presentes; quer pelo Alto Comissário, quer  pelos representantes do Poder colonial.

Maria do Carmo, refuta a acusação alegando que  “nós nunca admitimos que, para haver independência, tinha de haver gente morta. Nós fomos ao Gabão contatar  o MLSTP.

Filinto Costa Alegre: “ todos os santomenses falavam uma única linguagem, a da” independência total  Sá Cuá Cu Pôvô Mécê”.Mesmo a Frente Popular Livre, que, em dado momento era adepta da Federação, defendia que continuássemos ligados a Portugal, depois de terem ido falar com a direção do MLSTP, em Libreville, deixou de aparecer como defensora da Federação".
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Manuel Pinto da Costa:  “ Nós recebemos os elementos da FPL, em Libreville, e, quando regressaram a S. Tomé, vinham com instruções de se chegar a um acordo; que deviam apresentar-se na sede da Associação Cívica, no Riboque”.

Maria do Carmo: “Nós fomos à sede da Associação Cívica mas fomos recebidos como leprosos”

Filinto Costa Alegre – Nós adotávamos formas de luta que levassem  a população manifestar-se; organizávamos greves  (…)nós procurávamos as mais diversas formas de dizermos aos colonos que o colonialismo é passado”

NACIONALIZAÇÃO DA ROÇAS

José Freet Lau Chong – As pessoas pensavam que éramos malucos. Mas naquela altura não havia outra saída

António Tomaz Medeiros – “Os santomenses eram bons funcionários, bons escriturários”, mas não tinham experiência nenhuma das roças”
“Vivi com alegria e mágoa: alegria porque, no fundo, era o que eu queria. Mágoa, por não poder estar presente.

Manuel Pinto da Costa: ´”O estado viu-se obrigado assumir a responsabilidade  das roças” alegando que os colonos as abandonaram.

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