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Entre outros assuntos, falo da escalada ao Pico Cão Grande e das minhas aventuras em canoas – Visam defender a teoria de que antigos povos africanos, podiam ter sido os primeiros povoadores das Ilhas do Golfo da Guiné, antes dos colonizadores – Parti à meia-noite, disfarçado de pescador, ligando a ilha do Príncipe. Para me orientar, uma rudimentar bússola – A canoa era minúscula, à segunda noite adormeci: rolei na escuridão das vagas. No regresso fui distinguido com sopapos da policia salazarista, enviado para os calabouços – Cinco anos depois, numa piroga maior, fiz a ligação São Tomé-Nigéria. Partindo igualmente à noite, 13 dias depois atingia uma praia de Calabar, tendo sido detido 17 dias por suspeita de espionagem. - No mesmo ano, já com São Tomé e Príncipe independente, tentei a travessia São Tomé ao Brasil, usando os mesmos recursos. Além de pretender reforçar a minha teoria, desejava evocar a rota da escravatura e repetir a experiência de Alain Bombard. Porém, quis a ironia do destino que vivesse a difícil provação de um naufrágio de 38 longos dias, tendo aportado numa praia de Bioko (Bococo)onde fui recambiado para a famosa prisão de Black Beach

sábado, 29 de agosto de 2015

Roça Gratidão - São Tomé - Lugar de Sonho de um Paraíso - Onde está sendo levantado pelo santomense, Mário Menezes de Macedo, o projeto turístico da Pousada do Bom Visual - Cioso da memória do seu bisavô - 05.07.1846 † Lisboa, 11.02.1904 Um português pioneiro das maiores plantações de cacau - Que viveu e teve muitos filhos com a irmã do Rei dos Angolares, de cuja origem descende - Tal como a avó de Simone de Oliveira

Por Jorge Trabulo Marques - Jornalista

Roça Gratidão –  Em São Tomé – Turismo Rural de  Sonho na Pousada Bom Visual – “Nós os santomenses, somos capazes”



"Oh!... Nunca vi!..." Exclama  o Secretário da Embaixada da Guiné Equatorial  - "Nós os santomenses, somos capazes de realizar bons projetos mas precisamos de ajuda" – É isso o que falta a um projeto turístico, de espantosa singularidade, de cariz agro-ecológico, mas, entretanto, parado por falta de recursos financeiros -  Lamentava-se, em castelhano, fluente e bem pronunciado, Mário Menezes de Macedo, junto de Teodoro Elangui, da Embaixada da Guiné Equatorial, que não escondia o seu espanto por tão maravilhosa paisagem e tão amplo e deslumbrante cenário,  observação feita durante vista  que nos proporcionou a ambos, ao diplomata e ao jornalista, à colina da Roça Gratidão, que, em tempos, pertencera ao seu bisavó, João Baptista Marques de Macedo e Oliveira, natural de Vila Verde, Portugal, 05.07.1846 † Lisboa, 11.02.1904  - local donde se desfruta, uma das mais amplas e belas paisagens sobre a Ilha de São Tomé – abrangendo uma vasta área do litoral e do interior e não muito longe da capital

PELA GRATIDÃO QUE TUDO O QUE ME FIZESTE - VOU PÔR UM NOME DE GRATIDÃO A UMA DAS MINHAS ONZE ROÇAS  - E passou a ser a Roça Gratidão -  Mário Menezes de Macedo, recorda  a irmã do Rei dos Angolares, casada com seu bisavô - um português de Vila Verde  - E bisavô  de Simone de Oliveira



ROÇA GRATIDÃO - Mário Menezes de Macedo – Um santomense, cioso do seu bisavô, o português João Baptista Marques Macedo e Oliveira (1846-1904), casado com Maria da Trindade de Sousa, irmã de Simão Andreza, Rei dos Angolares, falecida em 1916, de cuja união nasceram, oito filhos, um dos quais é o seu avô; Teófilo Braga de Macedo; outro é Egídio de Macedo de Oliveira, casado com a belga, Jeanette Prado Pulvier, mãe de Maria do Carmo Tavares Lopes da Silva, avó de Simone de Oliveira.

Mário Macedo tem, de facto,  um maravilhoso projeto,  que vem procurando materializar desde algum tempo, transformar a colina onde se situava a antiga Roça Gratidão, uma das onze roças do  seu bisavó, num maravilhoso sonho turístico  - Com pousada para dormidas, com os caboucos, já bem levantados, sobre as antigas ruinas da Casa Grande, que se situava no ponto mais alto da antiga roça. – Por seu turno, as  instalações do velho hospital, também já em aditada fase de transformação, vão ser destinadas a um bar e restaurante, com a fachada pintada com lindos murais por artistas santomenses. 

Convirá também esclarecer, que o projeto,  visa ser auto-suficiente, em frutos,  em aves e em muitos alimentos, ali produzidos e  criados.

ROÇAS DE SÃO TOMÉ - NÃO GUARDAM AS MELHORES MEMÓRIAS DE OUTROS TEMPOS  MAS SÃO AINDA HOJE UMA MAIS VALIA RURAL

Enquanto, em Angola, as propriedades dos colonos, eram conhecidas por fazendas, nomeadamente de café, já o termo Roça (também usado nas pequenas parcelas nordestinas  do Brasil), surge naturalmente associado às grandes propriedade coloniais  de São Tomé e Príncipe – A trabalhos de intenso labor nas florestas, desmatando e abrindo clareiras.  Tema e pretexto de vários livros,  de incursões literárias, nos vários géneros, antes e depois da revolução de Abril:  de folhetins radiofónicos no tempo colonial, e de filmes e telenovelas, no pós independência – Porém, as  antigas memórias, sobretudo, para as populações das ilhas, não correspondem, todavia, ao romantismo da luxuriante  paisagem  que as envolve, à edílica ideia que perpassa aos olhos visitante, que  vê nestas propriedades, um misto de exotismo e    de  fertilidade. Há memórias que, por tão fundas e subjugadas pelos séculos, não se apagam, facilmente, do pé para a mão.

LUGAR ÚNICO NUMA ILHA, QUE É JÁ POR SI UM PARAÍSO

Eis como, Mário Menezes de Macedo,  nos descreve, pelo seu punho,  o projeto do "Bom Visual" - «Gratidão foi o nome escolhido para uma pequena roça do antigamente, se encontra na estradada Madalena, localizada a escassos quilómetros da capital do País.

Como a grande maioria das roças, apenas guarda nas suas ruínas a memória dos longínquos tempos da  era do cacau e do café. '

Muitos concorrentes, bastante oferta, o fim do trabalho escravo, a conquista da liberdade, a queda dos preços nos mercados internacionais, a partida dos homens; o êxodo rural, levaram gratidão a quase abandono e esquecimento dos homens da cidade.
Ficaram, no entanto, porque isso ninguém pôde até então ·"levar ou destruir, a beleza e o encanto do lugar.

Gratidão é, sem a menor sombra de dúvida, um lugar único. E só pode lembrar disso, aquele que alguma vez visitou a roça gratidão.

Nos dias de hoje, tanto os mais ricos como os mais pobres; imaginam viver num lugar de sonho. Um lugar onde as pessoas possam efectivamente gozar a vida, longe das multidões citadinas, assoberbadas e dominadas pelas questões existenciais do quotidiano. Um lugar onde o prazer e a tranquilidade se juntam harmoniosamente para que o visitante desfrute o seu charme.
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A natureza está naturalmente integrada. O verde declina-se em todos os tons, a perder de vista, quer se vise para o Interior. Do alto do seu cume, Gratidão contempla pacífica e silenciosamente grande parte da· ilha de S. Tomé, um posto de observação privilegiado. Sem ajuda de binóculos, a vista alcança facilmente toda a planície por onde se estende a capital do país os seus novos e luxuosos bairros.

Olhando para o sul, o horizonte parece não ter limite, ficando à vista o Distrito de Cantagalo. Mas para o centro cruza-se com a roça Vista Alegre, cidade da Trindade, roça Monte Café e roça Vista Alegre. Para o Norte, fica ao alcance dos olhos todo o Aeroporto Internacional de S. Tomé, Micoló, Fernão Dias e Morro Peixe.

Tal como aconteceu as outras roças, Gratidão fora inicialmente nacionalizada. Depois, entregue ao Exército. Finalmente distribuída, para o sossego de todos.

Gratidão ficou ainda mais longe daquilo que foi o período da colonização. As intra-estruturas desapareceram e com elas o trabalho e os homens.

Fora das rotas das grandes roças que atraem cobiças de dentro e fora e pelas quais se cruzam armas, era preciso que alguém afastado daquelas rotas abandonadas ou sem grande interesse, para subir até Gratidão. No acaso de uma visita, ele descobre um lugar particular de onde se vê muitos lugares quase todos conhecidos e outros desconhecidos.

Ficou· enamorado e da visão que oferece, simplesmente excitante, assistiu-se a um grande sentimento, reconstruir para lá viver com a família e partilhar com os amigos nos fins de semana o lazer, pouco a pouco foi descobrindo as reais potencialidades do local e então surge a ideia de melhor aproveitamento do mesmo numa nova visão mais ampla, uma hospedagem para turista, tanto nacional como estrangeiro.

A altitude, arquitetura existente, clima e a distribuição espacial do local, bem como a flora· agrícola são razões suficientes que levam a proporcionar nesse ambiente paradisíaco sem paralelo nas ilhas, a ideia imperiosa de uma perspetiva mais modesta para uma perspetiva mais ambiciosa, dando lugar a um turismo de qualidade inigualável no país.»

TURISMO NAS ROÇAS – CONCILIANDO A INICIATIVA EMPRESARIAL COM A VIDA DAS COMUNIDADES - PORQUE NÃO! – O PROGRESSO TECNOLÓGICO, NÃO É INCOMPATÍVEL COM O  BEM-ESTAR  E A DIGNIDADE HUMANA

Já  lá vai o tempo de, “em sublime holocausto, no clima inóspito das verdejantes ilhas equatoriais”,  se realizar a chamada “grande obra das plantações”, à custa do sofrimento de trabalho escravo. As terras foram devolvidas ao Povo das Ilhas, e o respeito  pelos seus anseios, seus costumes, não deve ser negligenciado e  olhado, estritamente sob o prisma liberal ou neocolonial.

Pois, em boa verdade, só há progresso social e desenvolvimento económico sustentado e duradouro, onde há respeito pelo meio-ambiente, preservação dos recursos naturais  e pelos interesses das populações, das gerações presentes e futuras.A busca pelo progresso, a qualquer preço e de qualquer forma, pode satisfazer as necessidades e interesses de alguns, porém,  podendo afetar e menosprezando de forma negativa as maiorias, agravando as suas carências e submissões

 Há roças onde o chamado turismo rural ou agroecológico   já foi implementado – e com sucesso – nomeadamente, na antiga Roça Bombaím -  Tais iniciativas ou experiências, conquanto bem delineadas, conciliando os interesses empresariais com a vida das comunidades, ali instaladas , não as menosprezando, não esquecendo as suas necessidades e aspirações, naturalmente que há  futuro assegurado para projetos de natureza turística. Um bom exemplo,  foi o lançamento de um concurso internacional para a recuperação das casas das antigas roças, com vista a  transformar este património em alojamentos turísticos, em “desenvolver o turismo rural e ecológico  -Há que prosseguir e dar apoio, não apenas aos que vêm do exterior, como às iniciativas dos próprios santomenses, não menosprezando a prata da casa.  É o caso do projeto de Mário Menezes de Macedo, na Roça Gratidão, que não tem avançado por falta de recursos financeiros, pois espírito empreendedor e determinação, são qualidades de que já deu sobejas provas.

Mário Menezes de Macedo - Promotor do Projeto da Pousada Bom Visual - É Tenente oficial do Exército de São Tomé e Príncipe - Entre outros importantes cargos que desempenhou,  desempenha, atualmente, as funções  de Técnico Superior do Instituto Nacional da Aviação Civil 


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