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Entre outros assuntos, falo da escalada ao Pico Cão Grande e das minhas aventuras em canoas – Visam defender a teoria de que antigos povos africanos, podiam ter sido os primeiros povoadores das Ilhas do Golfo da Guiné, antes dos colonizadores – Parti à meia-noite, disfarçado de pescador, ligando a ilha do Príncipe. Para me orientar, uma rudimentar bússola – A canoa era minúscula, à segunda noite adormeci: rolei na escuridão das vagas. No regresso fui distinguido com sopapos da policia salazarista, enviado para os calabouços – Cinco anos depois, numa piroga maior, fiz a ligação São Tomé-Nigéria. Partindo igualmente à noite, 13 dias depois atingia uma praia de Calabar, tendo sido detido 17 dias por suspeita de espionagem. - No mesmo ano, já com São Tomé e Príncipe independente, tentei a travessia São Tomé ao Brasil, usando os mesmos recursos. Além de pretender reforçar a minha teoria, desejava evocar a rota da escravatura e repetir a experiência de Alain Bombard. Porém, quis a ironia do destino que vivesse a difícil provação de um naufrágio de 38 longos dias, tendo aportado numa praia de Bioko (Bococo)onde fui recambiado para a famosa prisão de Black Beach

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Em São Tomé – Tiziano Pisoni – O italiano do Mucumbli: - nome de aldeia turística na Ilha do Meio do Mundo – Projeto do Cooperante, Professor e Médico-Veterinário, empresário, apicultor e dirigente de ciclismo, homem dos múltiplos ofícios e missões, o mais popular rosto da cooperação internacional em São Tomé e Príncipe


Por Jorge Trabulo Marques - Jornalista 


Mucumbli  é nome de uma árvore de grande porte, a que foi atribuída a designação científica de  Lannea Welwitschii com os seus 50 metros ou mais  de altura, usada na medicina tradicional, de cuja seiva os curandeiros nativos extraem os seus “milongos”, com propriedades curativas e mágicas, nomeadamente  para os meninos começarem a andar com o seu pé mais cedo e se libertarem do colo ou das  costas das suas mães . - Já nos referimos a estas imagens e ao nome a que também surge associado, aquando da nossa estadia, em São Tomé, em Novembro passado,

Oportunidade que pude desfrutar graças ao Coronel Victor Monteiro, Diretor de Gabinete do PR que teve a amabilidade de me levar na sua viatura a vários pontos maravilhosos da sua Ilha, alguns dos quais vistos por mim pela primeira vez, tal foi o caso deste encantador empreendimento turístico, onde o saudável e reconfortante convívio com a natureza, não é mero slogan. – A curta distância da estrada marginal, mas onde o asfalto é deixado lá atrás – Dir-se-ia  que é o mesmo que partir  à descoberta da floresta virgem, em estado primitivo mas onde o homem pode  sentir-se perfeitamente integrado - Mas, agora,  fique  com outros pormenores de quem é o autor desse maravilhoso projeto, que, naquela altura, não tivemos o prazer de conhecer



TIZIANO PISONI

Tiziano Pisoni, fundador e Presidente da Federação de Ciclismo de São Tomé e Príncipe, e também Presidente e Organizador da Volta do CACAU em bicicleta, prova rainha do ciclismo  santomense, e já com projeção internacional, cuja VI edição, se realizou de 27 a 30 de Agosto, com a a participação de ciclistas de São Tomé e Príncipe, Portugal, Angola e Cabo Verde  - Sim, ,  bastaria o sucesso da organização e promoção deste evento  da  Volta do Cacau para o tornar famoso e admirado. Visto já ser  considerado  um dos acontecimentos  desportivos de maior relevância no panorama são-tomense, tanto para o ciclismo local, como oportunidade para a divulgação  do desporto em geral

Porém,  o passado de cooperaçao, de  Tiziano Pisoni, é  bastante mais amplo, frutuoso e  multifacetado - Chegou a São Tomé, em 1992, como cooperante de ONG ALISEI – Uma associação para a Cooperação Internacional, com sede em Milão - Itália, mas com escritórios descentralizados em muitos países do continente Africano, já presente em São Tomé desde 1986.

Sem dúvida,  trata-se de um dos mais antigos e prestigiados rostos da Cooperação, em  São Tomé e Príncipe –  Exemplo de dedicação, de empreendedorismo e de paixão por esta terra e as suas gentes  -  Um caso singular a nível dos cooperantes internacionais: de experiencia multifacetada e enriquecedora, tanto pessoal como profissional, que, segundo confessa, surge um pouco por acaso.

Depois de ter lecionado, como professor de química, ciências naturais e matemática, durante seis anos em várias escolas, e concluído os estudos universitários, surge  o natural apelo  e curiosidade  por África, que o leva  a envolver-se, voltária e apaixonadamente, em  projetos de cooperação italiana,  “numa ilha no meio do mundo” na qual aporta – diz, por mero acaso

Nos primeiros dois anos,  está na base da fundação  da Escola Agrícola e Pecuária, onde leciona nas  disciplinas veterinárias. E, depois disso, também na reintrodução da espécie equina: cavalos e burros, tendo criado  uma escola de equitação para alunos.
Atualmente, trabalha no Ministério do Ambiente, prestando assistência Técnica ao Diretor Geral do Ambiente, para implementação do Projeto de Adaptação às Alterações Climáticas. Pois reconhece que aumentou o nível do mar; há problemas nalgumas zonas costeiras. Com as chuvas, inundações ou secas. O clima já não é como antigamente. Houve algumas alterações que poderão ter influência na agricultura, nas produções agrícolas

Tiziano tem liderado  muitos projetos de desenvolvimento rural: desde o fornecimento de água, a construção de casas .E a responsável pela coordenação  do GIME (Grupo de Intervenção e Manutenção de Estradas), dos chamados cantoneiros: - Projeto financiado  pela  União Europeia (em um milhão de dólares por ano), desde 2005 a 2014, o qual, além de possibilitar a ocupação e o salário a  cerca de 1600 homens e mulheres, permitiu manter as atuais estradas em melhores condições, assim como a  recuperação de variadíssimos trilhos e antigos caminhos do mato, que, depois da descolonização, haviam sido abandonados,  se encontravam intransitáveis e, desse modo,  logrando dar acesso a muitas zonas florestais e agrícolas, facultando a sua exploração e aproveitamento.

Referem noticias, que, na sua terra natal, província de Bergamo, Ticiano Pisoni, e sua esposa Mariangela, são considerados  os "embaixadores italianos no mundo da cooperação na África Ocidental. Mas também a nível internacional: - Designadamente pelo seu trabalho  na Organização Governamental Alisei-New Frontier, eles têm sido apontados  como uma referência para os colaboradores em outros países europeus. No entanto, quem, verdadeiramente,  sabe avaliar esse trabalho, não ignora o valioso contributo do casal italiano, são, especialmente os  são-tomenses, que, de há muito,  compreenderam o  amor e  a paixão, que ambos têm dedicado à sua ilha e seus habitantes

Ticiano Pisoni, e sua esposa Mariangela  Reina, são, pois, os protagonistas de um longo mas dedicado e frutuoso percurso a cooperar para o progresso e bem-estar de São Tomé. Sem nunca descorarem a sua ação social, em todos as iniciativas e projetos, em que se tem envolvido, em 2010, pensaram investir algumas das suas economias, num empreendimento empresarial, a que deram o nome de Mucumbli Ponta Figo, um resort restaurante / situado a noroeste da ilha .  – Mucumblì, que é também o nome de uma grande árvore utilizada na medicina tradicional, que chega a 50 metros em altura.

A ideia inicial do seu projeto,  sob concessão do Estado, visava, simplesmente, a recuperação de  um terreno baldio para  agricultura biológica, numa área de sete hectares, que, nos tempos coloniais, era preenchida por plantações de  cacau, bananeiras, coqueiros e palmeiras, e , que, então, se  encontravam praticamente abandonadas e destruídas: quer devido  ao corte sistemático de árvores florestais, quer à extração de pedras e até por via de incêndios.. Para recuperarem a exploração, confessa que já ali foram  plantadas 2.000 árvores, além da   criação de coelhos, galinhas, cabras, ovelhas, burros e exploração apícula...


O entusiasmo pelo aproveitamento turístico, este ficou dever-se , sobretudo, ao entusiasmo manifestado pelas pessoas amigas que  visitavam o casal, a que iam também assegurando a estadia e o  alojamento – E, assim, pouco a pouco, casa a casa,  todas em madeira, com nomes de frutos da terra e perfeitamente integradas  na paisagem, localizadas onde não há vento mas também sem necessidade de ar condicionado, surge  o belíssimo empreendimento turístico de Mucumbl  - Sim, a  integração com o meio ambiente é perfeita, reconhece Tiziano Pisoni, frisando que  não há impacto negativo. Aspeto que considera  importante para se integrar com a população – Já que, por outro lado, toda a equipe que ali trabalha, é constituída por pessoas, que residem muito perto, tendo algumas delas frequentado  cursos de Inglês e Francês. 

O projeto, que integra também trabalhadores rurais,  tem sido um sucesso crescente, superando todas as suas expectativas de Ticiano e Mariangela:  - Os turistas chegam durante todo o ano, especialmente a partir de Portugal, França, Grã-Bretanha, Alemanha, Gana, Angola e Gabão. Havendo também americanos, canadenses, australianos, italianos, como não podia deixar de ser.  


Sem dúvida, trata-se, com efeito, de uma belíssima aldeia turística, perfeitamente integrada num espaço de atividade agrícola e florestal, de pecuária, de proteção, propiciando o íntimo convívio com o meio ambiente, alcandorada sobre uma alta falésia, da qual se avista uma impressionante panorâmica: -  quer a que se espelha, lisa e calma na superfície líquida (para lá do recorte verde de palmeiras e outra vegetação tropical), ora deserta ora salpicada de pequenas canoas a remos ou à vela,  quer a que se estende  ao longo do litoral, em ambos os sentidos, ou a que se ergue pelo manto verde negro e multicolor acima, a derramar a sua luminosidade exuberante,  sim, desde  a densa cobertura dos contrafortes do maciço vegetal, até às fímbrias mais altaneiras do famoso Pico de São Tomé, onde se descobrem as eternas  neblinas, que ora parecem confundir-se com os céus, ora, diluindo-se, nos remetem a um autêntico éden de maravilha e de sonho, transportando-nos a um outro mundo, que não  propriamente o dos homens, o térreo,  mas a visão irreal, que extasia e deslumbra,  como a mais generosa e profícua dádiva divina,  sobrenatural



O MAR TÃO PERTO,  AZUL SUAVE E CONVIDATIVO..
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Do alto da falésia, onde o mar parece ao mesmo tempo tão perto como inacessível, há, no entanto, a possibilidade de acesso direto a uma praia de areia basáltica (5 minutos de distância) frequentada por tartarugas marinhas (espécie “mão branca”), que aí vêm desovar. 
 Sugestões de passeios acompanhados por guias de Mucumbli 

  A observação de cetáceos com a ONG MARAPA, partindo da Praia de Mucumbli, também conhecida por Praia das Furnas,  em excursões marítimas acompanhadas por agentes formados em técnicas de observação e de aproximação  dos animais no seu meio natural

A descoberta da imponente Cascata de Angolar, atravessando os túneis da conduta de água da central hidroelétrica, desfrutando de magnífica paisagem de montanha. Visitas às Roças da Ribeira Palma, Rosema, Bindá e Ponta Furada, por caminhos que oferecem uma vista panorâmica  sobre a cidade das Neves. E, para  os mais aventureiros, um passeio à volta da Ilha, ligando a zona norte à do sul da Ilha, que não  é acessível a veículos, atravessando o interior do Parque Natural do Obó de São Tomé, por entre riachos, rios, pântanos e manganal

Outros passeios atraentes: ir ao encontro  do colorido e do canto das  aves, da descoberta da flora endémica, ao longo da floresta secundária ou  subindo ao majestoso e sempre desafiador Pico de São Tomé.

 Dizem os folhetos turísticos  - e com plena justificação -  sim, “mais de que um agradável espaço turístico, o Mucumbli é um verdadeiro jardim tropical, onde todas as atividades são realizadas com o envolvimento da população, contribuindo para a criação de emprego e a fixação da população no distrito de Lembá, considerado entre os distritos com o maior índice de pobreza de São Tomé e Príncipe e com menos oportunidades de trabalho. Só por esse falto é, pois, de louvar e de enaltecer.




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