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Entre outros assuntos, falo da escalada ao Pico Cão Grande e das minhas aventuras em canoas – Visam defender a teoria de que antigos povos africanos, podiam ter sido os primeiros povoadores das Ilhas do Golfo da Guiné, antes dos colonizadores – Parti à meia-noite, disfarçado de pescador, ligando a ilha do Príncipe. Para me orientar, uma rudimentar bússola – A canoa era minúscula, à segunda noite adormeci: rolei na escuridão das vagas. No regresso fui distinguido com sopapos da policia salazarista, enviado para os calabouços – Cinco anos depois, numa piroga maior, fiz a ligação São Tomé-Nigéria. Partindo igualmente à noite, 13 dias depois atingia uma praia de Calabar, tendo sido detido 17 dias por suspeita de espionagem. - No mesmo ano, já com São Tomé e Príncipe independente, tentei a travessia São Tomé ao Brasil, usando os mesmos recursos. Além de pretender reforçar a minha teoria, desejava evocar a rota da escravatura e repetir a experiência de Alain Bombard. Porém, quis a ironia do destino que vivesse a difícil provação de um naufrágio de 38 longos dias, tendo aportado numa praia de Bioko (Bococo)onde fui recambiado para a famosa prisão de Black Beach

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

S. Tomé e Príncipe - Autópsia de “Um Golpe” – O Livro premonitório do escritor Aíto de Jesus Bomfim, que, em Julho de 1996, teatraliza uma peça “em estilo de cariz infantil”, que acabaria como ser a antevisão dos vários Golpes de Estado, que haveriam de suceder, embora abortados, que ele ficcionara como “a teia empolgante de intrigas múltiplas na conquista e preservação do poder entre Presidente, Conselheiro, Ministros, General, Feiticeiro, diplomatas e rebeldes românticos”


Conheci pessoalmente o escritor Aito de Jesus Bonfim, faz hoje precisamente três meses - Foi na noite de 14 de  Julho – Ocorreu no Restaurante  Snak Bar Papa Figo – O dia fora muito preenchido e intenso: de tarde acompanhara a caravana do Presidente de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, à Roça Água Izé, depois, ainda assistira à apresentação do seu livro 3º volume da Obra Magistratura de Influência – Por uma Diplomacia ao Serviço do Desenvolvimento, na Casa Cacau.


Já tinha ouvido falar da obra do autor de“A Lágrima Áurea do Mal" mas não o conhecia – E longe estava eu de imaginar que o ia conhecer por um simples e fortuito acaso. Mas, pelos vistos,  ele já me conhecia e já me tinha visto, pois foi justamente ele, quando, ao chegar à esplanada daquele bar,  me faz o convite para me sentar na sua mesa. Tinha ido ali para tomar um cafezinho e não pretendia demorar mais que uns minutos.


 Só que, entretanto, o diálogo tornava-se interessante, e até extensivo às escassas pessoas, entre as quais, um português, que se encontrava na esplanada, e, por sinal, todas bem dispostas, até porque a cerveja, que ali se ia bebendo, sobretudo àquelas horas, já tardias, muito perto da meia-noite, o que, em S. Tomé, é muito tarde, atendendo que o nascer do sol é às cinco e meia da manhã, convidava à inspiração e à boa disposição – E até ao registo, por meu lado, de fotografias, e de sua parte, à oferta de livro autografado, O GOLPE (Uma Autíópsia), que, depois da sua leitura, me permitiu concluir, que, Aito, não é apenas escritor, mas também um verdadeiro visionário. 

A CLARIVIDÊNCIA DOS POETAS E DOS MÍSTICOS 

Tudo o que vai acontecer, em tempo futuro, já aconteceu no calendário do Universo: já lá está tudo escrito, programado. O dia a dia é apenas como que o folhear desse misterioso calendário. A inteligência universal, tem tudo isso já inscrito  em sua mente. O passado não o esquece e o futuro já o programou. Dai existirem, certos espíritos, que, mercê da sua sensibilidade e lucidez, mas também, por vezes, fruto de rasgos de espontânea e luminosa clarividência, os antevejam ou antecipem – Pode não ser exatamente  como esses acontecimentos vão ocorrer mas dão-nos como que pinceladas de uma espécie  de pintura abstrata – Que, para os leigos pode não dizer nada, mas di-lo para os iniciados, os místicos, para as mentes mais luminosas e premonitórias – E não se pense que é o mesmo que abrir uma torneira de água e toca de encher um copo ou um balde. Nada disso. É preciso predispor a mente – através da meditação, do cântico ou da oração.  É o que fazem aqueles cujo esforço das suas vidas, vai no sentido da interrogação constante, do caminho que os leva a perguntar: donde vimos e para onde vamos. A esmagadora maioria, vive por viver, sequer se questiona sobre essas matérias ou  se importa por alcançar a menor resposta.

Não me querendo arvorar nesse lote de eleitos, pelo menos tenho-me esforçado para me livrar do imenso rebanho dos entorpecidos  - Fi-lo na solidão dos mares, desafiando paredes verticais e tenho-o feito sob várias maneiras –  De volta e meia vou  à minha aldeia (já não tantas vezes, como desejava, infelizmente  vivo na cidade e as possibilidades económicas, têm o seu preço), sim,  para ali refletir, durante as minhas peregrinações nocturnas pelos penhascos. Saindo depois da meia-noite e só regressando pelo fim da madrugada. Prefiro o silêncio da noite, pois julgo que estas circunstâncias são mais propícias a despertar certos estados de consciência, que, em situações normais, não são possíveis. 

AÍTO DE JESUS  BONFIM - FICCIONISTA VISIONÁRIO 


De seu nome, Aíto de Jesus Bomfim, é um dos escritores mais bem informados sobre os meandros da política santomense, que acompanha e analisa, tal como o médico quando usa a sua lupa e o bisturi para operar um doente  – Daí que, a par de uma certa hipersensibilidade, que certamente lhe é inata,  juntada à sua  formação académica e à informação que tem o cuidado de observar e de recolher,   lhe não  seja difícil  predispor a mente a visionar ou antever os que  muitos não vêm, mesmo quando os acontecimentos lhe batem à porta e até os amolgam.

 Foi assessor jurídico do Presidente da República Fradique de Menezes, nos seus dois mandatos,  10 anos, tendo participado em todas as negociações com vista a exploração do petróleo. Daí não lhe faltar matéria , quer para analisar, com aturada profundidade, o que se passa no seu país, como a nível mais vasto, o das disputas politicas do próprio continente africano, por força da cobiça do tal ouro negro – Mas não só.

“Aíto de Jesus Bonfim, licenciado em direito pela Universidade Clássica de Lisboa, em 1982, fez também curso de magistratura judicial no Centro de Estudos Judiciários em Lisboa.  É mestre em administração de Portos e de Companhias Marítimas pela World Maritime University em Malmo, Suécia - O escritor que para além de “A Lágrima Áurea do Mal”,já publicou 4 obras literárias, nomeadamente “ A Berlinização ou Partilha de África-teatro”, “Poemas”, “o Suicídio Cultural-Romance” e “ O Golpe(uma Autópsia)-teatro”, diz que para além das actividades jurídicas e literárias, ocupa parte do seu tempo, a plantar bananeiras, jaqueiras, Sape-Sape, e ananaseiros.”

 "Obra literária de Aíto Bonfim, denuncia o estado empobrecido do continente africano, apesar da abundância de recursos naturais. Aíto Bonfim é considerado no meio literário são-tomense como um agitador de consciências.

“A Lágrima Áurea do Mal” é uma ficção, em que Aíto Bonfim denuncia a cumplicidade dos africanos num país, designado Télanom, que padece da maldição dos recursos naturais. A população do país, está dividida entre os filhos da terra e os donos da terra, que se digladiam pelo controlo dos minérios e outros recursos naturais. “A Lágrima Áurea do Mal” | Téla Nón

A Lágrima Áurea do Mal, não é um livro de fácil leitura ….como nenhum outro do mesmo autor que contêm muito folgo e argumento que recomendo os apaixonados a lerem e relerem. São ao todo 209 décuplas altamente compactadas por uma introdução e conclusão, onde o narrador omnisciente e sentimental, se confunde com o próprio autor, ora erguendo a bandeira das Nações ou da União Africana, ora entoando o hino patriótico exaltando a fecundidade materna em mátria em vez de pátria (AITO) BONFIM ENTRE A TRAGÉDIA E A COMÉDIA

O POVO DE S. TOMÉ E PRÍNCIPE É ESTÓICO E PACÍFICO

O Povo de São Tomé e Príncipe, é constituído de gente pacifica,  que, embora habituada a um sofrimento de séculos, não gerou no seu coração  o sentimento da  violência e do ódio; pelo contrário, deixou que ele se escancarasse e fosse moldado pela incomparável beleza das suas ilhas, fosse apaziguado e suavizado pelo brilho da luz equatorial e do azul do mar que envolve o cromático verde luxuriante da sua paisagem. Enquanto, pelos restantes países africanos, mesmo depois de alcançarem a desejada liberdade e independência se libertarem das amarras do colonialismo,  por que se bateram, não cessam conflitos sangrentos, atrás de conflitos,  golpes de estado e contragolpes.

Por aqui, também já houve alguns golpes - Mas, a bem dizer, ficou tudo em família, entre “Camaradas, Clientes e Compadres.”, parafraseando, Gerhard Seibert. - E, curiosamente, antevistos na prosa ficcional de Aito de Jesus Bonfim. "Em texto dramático e estilo de cariz infantil" (sim, porque, em S. Tomé, a ironia faz-se a brincar com as palavras e até com os atos), recreando para teatro a autópsia de "O GOLPE" - Embora ele pretendesse estender a metáfora ao panorama africano em geral, afinal, não faltava muito para os ter  no seu próprio país

Diz o autor de  “A Lágrima Áurea do Mal” no inicio do prefácio, da sua peça de teatro, intitulada, O GOLPE  (Uma autópsia) que “O golpe de estado militar tem constituído, em termos estatísticos a moda (lidade) maís frequente de alternância facial do poder político em África.

Com exclusão do uns poucos países em África, a grande maioria dos Estados africanos já assistiu o espectáculo proporcionado pelos militares, ao desabrigo de qualquer convite, em corrida. ao palácio presidencial para gostar o pequeno-almoço de Sua Excelência o Rei da República! O que é curioso é que na maior parto das vozes tem tido um sucesso contagiante.

O negócio político do golpe, de estado em África está muito longe de chegar ao fim. Constituindo, por conseguinte, uma realidade que se impõe quotidianamente ao Africano, instrumentalizado, actor, espectador tímido por detrás da faixa subtil do cortinado.

É este elemento caracterizante  do momento político Africano, que fundamentou e inspirou «0 Golpe».  

«0 Golpe» é a autópsia em texto dramático de um hipotético golpe de estado num fictício estado africano.

Da realidade crua do dia-à-dia à paródia inquietante que se pretende pedagógica e reflexiva"  - Ou seja, como também pormenorizará  na contracapa deste mesmo  livro, com data de Julho de 1996,  baseado na "teia  empolgante   de intrigas múltiplas  na conquista  e preservação  do poder entre Presidente, Conselheiro, Ministros, General, Feiticeiro, diplomatas e rebeldes românticos, constituindo um universo de terror, palco da paródia de preparação e execução do assalto sucedido ao palácio presidencial, habitado pelo mesmo hóspede há mais de trinta anos, que pré-ordenou treze golpes preventivos de saneamento físico contra os seus falsos correlegionários. 

"Não tendo impedido o assalto, mas podendo e devendo fazê-lo, o recém-primeiro ministro protagoniza , enfim, com suspiros de alívio, o seu golpe demolidor e tão longamente preparado contra o recém-presidente  e seus sequazes não carecendo de nenhum fundamento para tal, à semelhança da realidade das últimas décadas em África, promovendo-se, obviamente, a marechal, criando, necessariamente, à pressa e sem lágrimas a última morada para muitos desgraçados

GOLPES DE ESTADO EM S. TOMÉ E PRÍNCIPE

Vejam-se estas coincidências

16/07/2003 Um grupo de militares e civis levaram a cabo, na madrugada desta quarta-feira, um golpe de Estado em S. Tomé e Príncipe, que resultou na detenção da primeira-ministra e de outras entidades do país. A população portuguesa residente no território encontra-se em segurança. Ler mais em: http://www.cmjornal.xl.pt/mundo/detalhe/golpe-de-estado-em-s-tome-e-principe.html

25/07/2003 “O major Fernando Pereira era até à sublevação de 16 de Julho, o director do Gabinete do Comandante do Chefe de Estado Maior das Forças Armadas, função que poderá ou não continuar a exercer. Declarou que o "golpe não foi contra o Governo, nem contra o Presidente, foi contra o estados das coisas".

Nunca encontraram apoios - foram expulsos do Gabão, em 1986, altura da reconciliação do MLSTP com o Presidente gabonês Omar Bongo e sempre indesejados em São Tomé. Têm no currículo uma incursão falhada em território são-tomense, em 1988, em nome da então Frente de Resistência Nacional de São Tomé e Príncipe - Renovada (FRNSTP-R).  – Excerto  Líder do golpe de Estado em São Tomé diz que

São Tomé: governo diz ter evitado sublevação

12 de Fevereiro de 2009 às 22:43 - As operações policiais que decorreram esta quinta-feira em São Tomé evitaram «uma sublevação» contra o presidente da república e contra o primeiro-ministro, adiantou esta noite o governo são-tomense, noticia a Lusa.

Na primeira declaração pública do executivo de São Tomé e Príncipe após uma série de detenções na capital, o porta-voz do conselho de ministros destacou cinco suspeitos da alegada sublevação, entre os quais, Arlécio Costa, líder da Frente Democrática Cristã (FDC) e do ex-Batalhão Búfalo no país.

Segundo Justino Veiga, a operação policial começou na noite de quarta-feira no casino da sociedade Falcon Group, onde Arlécio Costa estava reunido com 27 pessoas e onde foram apreendidos carregadores e munições de armas Ak e outro material de guerr
a.
São Tomé: governo diz ter evitado sublevação > TV

Ex-Búfalos em crise

  14 Dez. 2010 - São no total 14 homens. Todos são-tomenses. Vieram da África do Sul sob a liderança de Arlécio Costa, antigo oficial do extinto batalhão de forças especiais sul – africanas que combatiam o movimento de libertação da Namíbia, e o exército regular de Angola. A faixa de Capriv na Namíbia, era a principal base das operações
(…) Resultado do golpe de estado perpetrado, os ex-búfalos conseguiram negociar com os mediadores internacionais a sua reintegração na sociedade são-tomense. O memorandum de entendimento assinado no dia 23 de Julho de 2003, deu garantias aos ex- búfalos.

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O estado são-tomense decidiu entregar ao grupo liderado por Arlécio Costa, mais de 500 hectares de terra para realização de projectos agrícolas e turísticos com vista a sua integração na sociedade. No nordeste de São Tomé, foram cedidos mais de 300 hectares de terra que preenche a savana da praia das Conchas. A bela Lagoa Azul está incluída no lote de terra.

(…) Segundo a sociedade criada pelos ex-Búfalos e pelos investidores sul-africanos, o projecto iria garantir mais de 1000 postos de trabalho para os são-tomenses. 6 anos depois a linda savana da praia das Conchas continua intacta. Nenhum condomínio foi construído. Ex-Búfalos em crise 


Excertos do livro "O GOKPE  (Uma Autópsia)

Conselheiro
(sorrindo)

"É meu dever simplesmente alertá-lo. Cumpra o seu dever! É curioso atentar neste facto: uma das características essenciais do poder político pós-independência é a sua vinculação quotidiana ao feitiço, ao mágico, ao lado oculto da vida. Talvez, porque o próprio Estado enquanto um complexo de estruturas é inapreensível ao comum dos africanos!
Feiticeiro
(concluindo o alinhamento das fotografias e estatuetas)
 Este é o mais poderoso· ritual jamais preparado por mim ! Tive que vencer forças medonhas e afugentá-las! E pena o Senhor Conselheiro não acreditar no feitiço; Quem vier a beber desta água (aponta para uma bacia com água) depois do banho do Presidente, jamais conseguirá dizer «não» ao Presidente e muito menos pensar em fazer-lhe mal.
Conselheiro
É o seu vigésimo oitavo ritual prévio à tomada de posse, suponho, e ainda há forças malignas por vencer?! Este ritual nojento de dar  a beber aos ministros uma mistela constituída por água de banho do presidente e «charnpagne » é mesmo de fazer vomitar.
Feiticeiro
Não é o vigésimo oitavo, é o vigésimo nono que eu preparo com estas mãos! Co~ este ritual mantenho no poder qualquer um, nem que seja durante cem anos. E pena 0 Senhor não acreditar no feitiço. Mas como é possível que  exista alguém que no fundo não acredite mesmo no feitiço?! Leu muitos livros estrangeiros! Em minha casa proibi aos meus filhos que lessem os livros que mandou vir. Nem pensar!
Conselheiro
(sorrindo)
É pena o Senhor Feiticeiro não acreditar no regime e no país! Sinceramente, já nem sei quantos governos vi tomar posse! o Presidente comanda há trinta e seis anos; quanto tempo pensa que ele vai viver com todos estes defuntos que o Senhor Feiticeiro diz existir e que reclamam a companhia dele no além-túmulo?!
Feiticeiro
(sério)
Enquanto o Presidente continuar a acreditar no meu feitiço, no feitiço do mais sábio e experiente feiticeiro africano de todos os tempos, ele continuará vivo. O Presidente vai cumprir todo o seu destino no poder. Se vier a morrer poderei continuar a garantir a eternidade do poder para um dos seus filhos ...
Conselheiro
Sabe, Senhor Feiticeiro, o mal deste país e da África é que os africanos acreditam em demasia no feitiço e cada vez menos no trabalho. Daí que ninguém acredite no país e no regime. Como 0 Senhor Feiticeiro pode dar-se à leviandade de afirmar: «se o Presidente vier a morrer»?Acha-o imortal?! .Biologicamente imortal, hem ? !
Feiticeiro
(convicto)
Claro, claro, claro, mas jamais feiticeiro algum conseguiu descobrir  o amuleto contra o espírito e o vento da morte.
O espírito da morte é o mais poderoso entre todos os espíritos malignos e jamais foi vencido.
Conselheiro
O Senhor Feiticeiro quer dizer que a morte é causada por um espírito de morte?! por um vento de morte?!

Feiticeiro
Sem dúvida.

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