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Entre outros assuntos, falo da escalada ao Pico Cão Grande e das minhas aventuras em canoas – Visam defender a teoria de que antigos povos africanos, podiam ter sido os primeiros povoadores das Ilhas do Golfo da Guiné, antes dos colonizadores – Parti à meia-noite, disfarçado de pescador, ligando a ilha do Príncipe. Para me orientar, uma rudimentar bússola – A canoa era minúscula, à segunda noite adormeci: rolei na escuridão das vagas. No regresso fui distinguido com sopapos da policia salazarista, enviado para os calabouços – Cinco anos depois, numa piroga maior, fiz a ligação São Tomé-Nigéria. Partindo igualmente à noite, 13 dias depois atingia uma praia de Calabar, tendo sido detido 17 dias por suspeita de espionagem. - No mesmo ano, já com São Tomé e Príncipe independente, tentei a travessia São Tomé ao Brasil, usando os mesmos recursos. Além de pretender reforçar a minha teoria, desejava evocar a rota da escravatura e repetir a experiência de Alain Bombard. Porém, quis a ironia do destino que vivesse a difícil provação de um naufrágio de 38 longos dias, tendo aportado numa praia de Bioko (Bococo)onde fui recambiado para a famosa prisão de Black Beach

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

São Tomé - Malanza - A Vila de humildes cubatas já tem eletricidade! - Situada ao lado da floresta e ao rés-vés do mar no extremo sul da Ilha a curta distância de Porto Alegre e do Ilhéu das Rolas - Deve o seu nome e fundação ao Visconde de Malanza, Jacintho Carneiro de Sousa e Almeida, filho do 1º Barão de Água Izé

Por Jorge Trabulo Marques -Jornalista


Finalmente, uma velha aspiração, um velho sonho que se transformou em iluminada realidade -  O importante é que seja um passo para dar outro e não para temporariamente os políticos se mostrarem - Que o  gerador não avarie (ou lhe falte o combustível), como por vezes acontece na cidade  - Mas isso não é só em S, Tomé - Veja-se o que se passou com o Equipamento de ressonância magnética do Hospital da cidade da Guarda

A Vila de Malanza, situada no extremo  sul de S. Tomé, nas faldas do Monte Mário, ladeando uma das baías de vegetação mais espessa e luxuriante, finalmente  passou a ter acesso à tão desejada energia elétrica - Pelo menos,  durante 6 horas por dia, entre as 17, ou seja meia hora antes do pôr-do-sol e as 23 da noite – Uma boa notícia, dada recentemente, pelos órgãos de comunicação social, desta Ilha -  Velha aspiração  do maior aglomerado  populacional do distrito do Caué, constituído, maioritariamente por angolares e tongas, cujas vidas estão intimamente ligadas à pesca – No tempo em que as roças eram exploradas – Ribeira Peixe, Novo Brasil, Monte Mário, S. Miguel  e Porto-Alegre - , ainda ali prestavam serviços, agora só se for para a exploração do palmar, que ocupa uma vasta área do Cáué e do Parque Nacional do Obó, entretanto ali plantado. 

Para quem já deixou o rio Cáué e vai em direção a Porto Alegre, o único aglomerado habitacional, que, a certa altura, se lhe vai deparar, quando abandona  a última curva do permanente e quase sufocante verde intenso, húmido  e cerrado da floresta, é  um friso de típicos casebres da Vila de  Malanza, lado a lado da estrada, agora sempre plana  e a direito, ensombradas por escassas e altaneiras árvores de fruta pão, depois de dobrada uma ponte sob a qual passa uma pachorrenta linha de água, cujas margens facilmente denotam que o mar também as pode mergulhar ou senão mesmo as enxurradas, vindas lá do interior da floresta, que ali só parece descobrir-se    à distância  – Do lado esquerdo, é a languidez da praia a perder-se no azul do infinito,  e, do lado direito,  ainda a mancha verde, que, devido à abertura da baía, agora parece ter o condão de nos aliviar do grande sufoco florestal.

Vale a pena parar e registar as primeiras  fotos ou então abrandar a velocidade porque, embora  pareça um lugar quase despovoado, não é bem assim.  A vida vai-se revelando, sucessivamente, ao longo da estrada. Os sorrisos das crianças surgem onde menos se espera e aos magotes. E, nas rugas dos semblantes dos mais velhos, sentados isoladamente ou a cavaquear, também facilmente nelas se descobrem histórias de vidas tostadas pelas marés e  de valentias em frágeis pirogas em calemas e tempestades, que ali se encontram perfiladas à beira de suas  casas, que parecem  ser todas da mesma cor com que os céus de cinza e as chuvadas as tisnaram pela sua constante insistência.  

 Excetuando o vai e vém do mar, quando os olhos se estendem além da areia dourada, fina e macia, infinito fora, tudo ali decorre com a maior tranquilidade e paz dos deuses. Lavadeiras cumprem calmamente as suas tarefas nas águas do rio. As crianças, desnudas, cedo se exercitam na arte de navegar  em pedaços de troncos ou restos de canoas - E nem precisa de ser no mar - aproveitam os açudes dos rios, que ali desaguam ou do refluxo da  maré.  Os cães dormem a sua soneca a qualquer hora do dia. Varas de porcos passeiam-se  pela praia  à cata de moluscos,  imagem também frequente nas localidades situadas junto à costa  – Mas não se pense que, tal habituação, conspurca as areias ou pode desencorajar o turista a passear-se à vontade pela praia e a dar os seus mergulhos numa água limpidamente azul e quente! - Em S. Tomé, esse íntimo convívio, com a Natura, faz parte do dia a dia.

 A pobreza não se descobre nos rostos porque a Natureza é bela e fértil e proporciona serenidade, paz e alegria de viver  - Mas existe e é profunda. O artesanato para vender ao turista que faz uma pausa, embora interessante é incipiente, de reduzida expressão.   Excetuando o aproveitamento da copra, da banana, fruta-pão e do  conote, na floresta que ladeia o povoado - produtos usados para consumo local - ou a criação de porcos e galináceos, as suas vidas estão praticamente dependentes dos recursos do mar – E, dir-se-ia que também unicamente para sobrevivência da população, pois  quem é que, além do  Pestana Equador, no Ilhéu das Rolas, lhes poderá comprar o pescado, tão longe é a distância que a separa de São João dos Angolares ou da capital - E onde estão os frigoríficos para guardar o pescado - Salvo o que é seco ao sol, o que ali não é fácil, pois há mais dias de chuva ou de céu encoberto  de que  limpo e desnublado.

Refere o Télanón, num artigo assinado por Abel Veiga,  que a concretização deste velho sonho, se ficou a dever a “uma acção do décimo sexto governo constitucional, liderado pelo doutor Patrice Trovoada. O Governo cumpriu com o seu dever constitucional, mas as reportagens dos órgãos Estatais de Comunicação Social, mostraram louvores e acções de graças de endeusamento do Primeiro-ministro por parte de alguns populares, como se tratasse de um favor feito as duas comunidades.


António Monteiro deputado do MLSTP/PSD pelo distrito de Caué, por sinal elemento influente do partido na região sul da ilha de São Tomé, juntou-se ao Primeiro-ministro Patrice Trovoada e ao Governo da ADI, na celebração da conquista de energia para uma das populações considerada mais pobre do país – Excerto de . Finalmente populações de Porto Alegre e da Vila Malanza






NUM QUASE FIM DE TARDE  - Recordações de histórias do Pico Cão Grande, de caçadores de porcos e de heroicas provas de sobrevivência de pescadores


Quem for a S. Tomé, com intuito de conhecer as suas mais belas paisagens e maravilhosas praias, dificilmente deixará de ir ao Sul -  Existe uma estrada alcatroada, que lhe proporcionará as mais fascinantes surpresas, e é das melhores vias, atualmente existentes na Ilha  - Umas vezes, lado a lado com o oceano equatorial, outras, com  as curvas mais imersas pela florestas, sim, há muitas curvas e contracurvas, esse é o desfio com o qual tem de saber lidar o viajante de carro,  mas é um desafio deveras aliciante e encantador.

No meu caso, ir ao Sul, 40 anos depois de meus olhos terem deixado de contemplar o Pico Cão Grande e toda a majestosa floresta do obó envolvente, impunha-se como que uma peregrinação sagrada e obrigatória – Mas eu ainda fui mais a sul, pois desloquei-me até à Vila Malanza, graças à cortesia de bons amigos  - o português, Manuel Gonçalves e, posteriormente, do Coronel Victor Monteiro.

E que maravilhoso fim de tarde, ali não desfrutei!...  Pese o facto do céu se encontrar muito nublado, o que é normal numa das zonas mais pluviosas de S. Tomé, mormente na Época das Chuvas, que foi justamente o que sucedeu na minha deslocação, nos finais de Outubro, de 2014.

Há quem  passe pela estrada a fora, que corta a pequena vila e se limite ao olhar as pessoas, as casas, as canoas da praia, mas talvez sem olhos de ver: tira foto, mesmo de dentro do carro e toca a girar - Com aquele  olhar apressado do viajante de carro, que é geralmente dominado pela avidez da descoberta, mas, no fundo no que pensa  é desbundar quilómetros, atrás de quilómetros, sem nunca se dar por satisfeito.

Não foi o meu caso: -  pedi ao meu companheiro de viagem, que tinha alugado o jipe, que me deixasse ali  para eu dar um saltinho até à praia para falar com os pescadores, enquanto ele ia até Porto Alegre, já que esse era o principal objetivo do seu roteiro.

E, por lá fiquei, não muito tempo, porque, no Equador, o dia começa cedo mas a tarde escoa-se rapidamente. Mas foi o tempo suficiente para ali passar uns momentos inesquecíveis, convivendo com  velhos lobos do mar, caçadores de porcos e  no meio de revoadas de alegres e risonhas crianças, trazendo à memórias as  aventuras da  minha escalda ao Pico Cão Grande e no mar – Veja o vídeo e verá como alegres e hospitaleiras são estas gentes do Malanza – De resto, cordialidade e simpatia, é apanágio de quem aqui nasceu e aprendeu a conviver com as mais deslumbrantes maravilhas da Natureza .


 VILA MALANZA – DEVE O SEU NOME  E FORMAÇÃO AO  CONDE MALANZA 


Num país europeu, onde a maioria das principais cidades têm mais população  de que a Ilha de S. Tomé, Malanza não passava de um simples e modesto aglomerado de casas de madeira - Porém, se há vila, em S. Tomé, com história, é a Vila de Malanza -  nome advém-lhe do rio, que a atravessa, ao desaguar no mar – E foi o título dado ao Visconde de Malanza, de seu nome Jacintho Carneiro de Sousa e Almeida, filho do 1º Barão de Água Izé e Conselheiro, João Maria de Sousa Almeida – Tal como é dito por Manuel Ferreira Ribeiro, no pequeno livro”1º Barão d’Água Izé e seu filho Visconde de Malanza, “o título Malanza, refere-se   a  um dos lugares mais agradáveis da Fazenda de Porto-Alegre, fundada pelo nobre Visconde no extremo meridional da Ilha e que representa um valioso serviço por ele feito a S. Tomé.

Foi este ousado agricultor quem lançou as bases da colonização  ao sul e Sudoeste da Ilha. E todas as terras, de floresta seculares, que por ali existiam sem exploração alguma, foram transformadas em belas plantações,  e foi dotada toda esta região inculta de notáveis fazendas ou lindas quintas agrícolas ou tropicais, que fazem o encanto de todas aqueles que as têm visitado.

E, na fazenda Porto-Alegre, introduziu o nobre visconde melhoramentos excepcionais.
Montou serrarias a vapor, construiu um caminho de ferro, lançou uma boa ponte sobre o Malanza, preparou uma ampla piscina – a primeira da ilha de S. Tomé – e abriu um campo de aclimatação, aonde trouxe as melhores plantas úteis tropicais.

A sua fazenda de Porto-Alegre, é, sem a menor dúvida, uma das maiores e das mais bem expostas de toda a ilha. E, por isso mesmo, constituiu uma região cacaueira por excelência.

(…) Não havia na Ilha de S. Tomé meios de transportes fáceis e seguros, em volta da ilha, lutando assim os novos agricultores estabelecidos ao Sul, com grandes embaraços, e então adquiriu  o belo vapor Malanza, oferecendo fácil e rápida viagem aos que se dirigiam às fazendas, para as quais só podia aproveitar a via marítima.
Foi o nobre Visconde o primeiro agricultor de S. Tomé que me navio próprio – no Yatche Vá-Inhá  - fez a travessia daquela ilha a Lisboa.

Por muitas vezes, em terra e n mar, deu provas de grande coragem apresentando-se sempre nos grandes perigos, com o maior sangue frio.

Na exploração agrícola que iniciou no sudoeste da Ilha, e à qual chamou tantos europeus, revelou tal tenacidade de carácter  e tão viva fé no trabalho, que poderia invocar-se esse arrojado empreendimento como uma das suas maiores glórias.
Nos serviçais e trabalhadores tem amigos e é sempre dia de grande festa em Porto-Alegre aquele que faz reunir todas as crianças. Mostra assim o vivo interesse que nel desperta a população trabalhadora, distinguindo, com singular afecto os que foram seus companheiros nos rudes trabalhos agrícolas, que primeiros se fizeram  nas fazendas de S. Miguel e Porto Alegre,

Contra a praga dos ratos, que tão grande prejuízo causa  à agricultura, mandou vir do Instituto Pasteur, em julho de 1895, o veneno que mais se recomenda para o destruir"





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