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Entre outros assuntos, falo da escalada ao Pico Cão Grande e das minhas aventuras em canoas – Visam defender a teoria de que antigos povos africanos, podiam ter sido os primeiros povoadores das Ilhas do Golfo da Guiné, antes dos colonizadores – Parti à meia-noite, disfarçado de pescador, ligando a ilha do Príncipe. Para me orientar, uma rudimentar bússola – A canoa era minúscula, à segunda noite adormeci: rolei na escuridão das vagas. No regresso fui distinguido com sopapos da policia salazarista, enviado para os calabouços – Cinco anos depois, numa piroga maior, fiz a ligação São Tomé-Nigéria. Partindo igualmente à noite, 13 dias depois atingia uma praia de Calabar, tendo sido detido 17 dias por suspeita de espionagem. - No mesmo ano, já com São Tomé e Príncipe independente, tentei a travessia São Tomé ao Brasil, usando os mesmos recursos. Além de pretender reforçar a minha teoria, desejava evocar a rota da escravatura e repetir a experiência de Alain Bombard. Porém, quis a ironia do destino que vivesse a difícil provação de um naufrágio de 38 longos dias, tendo aportado numa praia de Bioko (Bococo)onde fui recambiado para a famosa prisão de Black Beach

domingo, 13 de dezembro de 2015

Alpinismo em Portugal – Conquista da Via Alampa, 1974-79 – A mais arrojada escalada dos anos 70 - Foi pioneira e fez história - Tema de palestra na Casa de Gruta da Associação Desnível, em Cascais


Jorge Trabulo Marques - Jornalista (e alpinista nos anos 70)



Top do Alpinismo  em Portugal, Arrábida anos 70 – Recordado na Associação Desnível, em Cascais




Foi tema de uma interessante palestra por Paulo Alves,  o ideólogo  e coordenador da primeira “big wall” portuguesa,  batizada Via Alampa, situada    por cima do Fojo dos Morcegos - Mas também pretexto de um caloroso convívio, com os amantes da mais nobre, arrojada e difícil modalidade desportiva, que responderam ao convite lançado pela   Associação Desnível, na Casa da Gruta, em Cascais – Trata-se, sem dúvida,  de um feito notável, nos pergaminhos da história do alpinismo em Portugal. Muitos fins de semana de investimento -  Em que a técnica mais avançada que havia na Europa, começava da dar os seus passos em  Portugal.

A conquista  da via Alampa da Arrábida, nome pela qual passou a ser conhecida pelos seus escaladores Al ( de Al)exandre Lugtenburg de Garcia); am (de  Am)orim – José Amorim); pa (de Pa)ulo Alves), sim, estes os heróicos alpinistas portugueses, que lograram escalar uma vereda de 200 metros, de grau de dificuldade elevadíssimo, ao cabo de sucessivas tentativas, que  se arrastaram, entre maio de 1974 e junho de 1979, num tempo em que, o equipamento técnico, longe ainda de atingir o avanço dos dias de hoje – E, então, ainda muito aquém dos recursos técnicos que existiam nos países da Europa, onde esta prática desportiva, já havia partido à descoberta do cume do Evereste e de outros gigantes dos Himalaias 
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ESCALADA, UMA LOUCURA CALCULADA

“Uma comunhão com os nossos parceiros e com a Natureza”;  “o espírito de aventura, o contacto com a Natureza, a camaradagem – E sobretudo a aventura! – Feita de pequenas progressões, de várias tentativas,  refere José Amorim  - Mas de uma loucura calculada, diz Paulo Alves -

Geólogo, desde 1972, alpinista e monitor de escalada desde 1972, membro da direção da ADA Desníve, o orador da palestra, que, ao longo de mais de uma hora, foi recordando, não apenas a escalada da famosa Vila Alampa, na Arrábidas, como também outros arrojados desafios, tanto em Portugal, como no estrangeiro – Além das palavras, muitas imagens a documentar momentos, verdadeiramente épicos e  empolgantes

Primeiro começou por ser conduzido pela sedução “daquele mar fantástico”, junto à vertigem das arribas, depois veio o  apelo ao desafio, a tentação de escalar as  íngremes veredas . "Desde 71  que ficou aquele bichinho…" Impressionado  pelas façanhas e pela  "história daquela malta lá fora...ficou aquela ideia de um hipotético projeto” – De tal modo ambicioso para os meios disponíveis na época que a abertura da via, com mais de 200 metros, se arrastou entre maio de 1974 e junho de 1979.

Paulo Alves, viajou para o estrangeiro, de comboio, através dos bilhetes económicos, que eram proporcionados  naquela altura,  em viagens por vários países, participou em cursos de alpinismo, com bons mestres e “passou a saber como é que são as coisas lá fora”, juntamente com equipas  nas grandes escaladas.

E não se pense que é nas mais altas montanhas da terra, que residem  as maiores dificuldades da escalada – Mas nas grandes paredes vertais, com os seus tetos, que mais lembram palas fantásticas, que exigem muita agilidade, perícia e muita coragem, nervos de aço  e uma serenidade, a toda a prova, dos praticantes da modalidade – Quantas  vezes, em desafios solitários ou em pequenas equipas, num verdadeiro taco a taco, com as adversidades impostas pela Natureza, mas, precisamente por isso, porque, quanto mais esta lhes dificulta a  escalada ao seu cume, a  ascensão, ao trono dos deuses, maior é o entusiasmo, a persistência e a paixão  pela conquista da íngreme vereda, da vertiginosa agulha  ou do afilado cume da mais perigosa e inacessível montanha.




Neste vídeo, gravado já quase sobre os cumprimentos de despedida,  além de outros registos circunstanciais, incisivamente de Paulo Alves,  José Amorim, apresentamos as as declarações de Rogério Paulo, Presidente da  Associação de Desportos de Aventura Desnível,  que sublinha a importância desta palestra, tal como a anterior, no passado dia 25, sobre a conquista do Cão Grande,  e outras que ainda se projetam realizar, como oportunidade para  o registo do acervo histórico das escaladas que marcaram um período áureo dos alpinistas portugueses.


AS PRINCIPAIS VIAS DE ESCALADAS, EM PORTUGAL

“O Penedo da Amizade, assim denominado por se encontrar dentro dos terrenos de uma antiga quinta com o mesmo nome, é uma enorme parede de granito que sobressai da paisagem verdejante, ponteada por blocos rochosos, quando se olha para o Castelo dos Mouros, da Vila Velha de Sintra.

Este local, bem conhecido dos amantes da escalada, proporciona uma excepcional vista sobre a Vila Velha e os seus monumentos, a encosta Norte da serra e o Atlântico.” Penedo da Amizade [Sintra] –

“Na região Norte do país destacam-se os picos de granito do Parque Nacional da Peneda-Gerês, um local de referência para qualquer alpinista. No entanto, há mais
  As falésias de xisto em Nossa Senhora do Salto, a leste do Porto;     O afloramento de granito de Cántaro Magro (500 m) na Serra da Estrela;     Penhascos de calcário de Reguengo do Fetal, perto de Fátima;     Paredes de rocha de Penedo da Amizade,  perto do Castelo dos Mouros de Sintra; Rocha da Pena no Algarve.” Alpinismo e escalada em Portugal

Alpinismo

"O termo "montanhismo" – diz a Federação de Campismo e Montanismo de Portugal, é utilizado para designar a actividade que consiste na escalada/ascensão de montanhas. O acto de subir montanhas remonta às origens do Homem mas é usual considerar que o montanhismo começa a ser praticado com as primeiras ascensões sistemáticas nos Alpes (séc. XVIII) confundindo-se com a própria origem do alpinismo. Apesar dos termos montanhismo e alpinismo, na verdade, significarem exactamente o mesmo, podemos considerar que esses termos se referem a actividades com motivações semelhantes mas praticadas em ambientes algo distintos. Desta forma, considerar-se-á que o montanhismo se pratica em meios de baixa e média montanha e que o alpinismo se restringe a regiões de alta montanha. Para sermos mais exactos, podemos referir que o alpinismo se pratica em ambientes que exijam aclimatação (portanto em alta montanha) e/ou onde existam glaciares (em alta montanha ou em altas latitudes). A actividade de escalar e/ou ascender altas montanhas ou efectuar travessias em áreas de alta montanha (ou altas latitudes) é, no contexto explanado, frequentemente designada por "alpinismo".

A conquista dos mais altos cumes desenvolveu-se paralelamente nos Pirenéus (originando o pireneismo) e, posteriormente, estendeu-se aos Himalaias (dando origem ao himalaismo), aos Andes (criando o andinismo) e às mais altas montanhas dos diversos continentes.

O objectivo do alpinismo (e do montanhismo) centra-se, pois, no cume. Atingir o ponto culminante de uma determinada montanha ou o topo de uma parede (ou falésia). Para tal, é frequente recorrer a técnicas de escalada, daí confundir-se intimamente com essa actividade que não é mais do que uma das suas disciplinas base, a par da marcha, esqui ou campismo/bivaque de montanha. O montanhismo (e o alpinismo por maioria de razões) diferencia-se do pedestrianismo pela sua dificuldade acrescida e diferença notória de objectivos. Ao contrário do pedestrianismo, o alpinismo (tal como o montanhismo) pode-se praticar fora de trilhos ou caminhos e em ambientes verticais onde é necessário utilizar técnicas e equipamentos de escalada. E, como já foi expresso, o montanhismo poder-se-á diferenciar do alpinismo, que implica geralmente maiores dificuldades, por estar associado a alta montanha, ou seja, terrenos glaciares e/ou altitudes que obriguem a aclimatação. Alpinismo - FCMP -


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