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Entre outros assuntos, falo da escalada ao Pico Cão Grande e das minhas aventuras em canoas – Visam defender a teoria de que antigos povos africanos, podiam ter sido os primeiros povoadores das Ilhas do Golfo da Guiné, antes dos colonizadores – Parti à meia-noite, disfarçado de pescador, ligando a ilha do Príncipe. Para me orientar, uma rudimentar bússola – A canoa era minúscula, à segunda noite adormeci: rolei na escuridão das vagas. No regresso fui distinguido com sopapos da policia salazarista, enviado para os calabouços – Cinco anos depois, numa piroga maior, fiz a ligação São Tomé-Nigéria. Partindo igualmente à noite, 13 dias depois atingia uma praia de Calabar, tendo sido detido 17 dias por suspeita de espionagem. - No mesmo ano, já com São Tomé e Príncipe independente, tentei a travessia São Tomé ao Brasil, usando os mesmos recursos. Além de pretender reforçar a minha teoria, desejava evocar a rota da escravatura e repetir a experiência de Alain Bombard. Porém, quis a ironia do destino que vivesse a difícil provação de um naufrágio de 38 longos dias, tendo aportado numa praia de Bioko (Bococo)onde fui recambiado para a famosa prisão de Black Beach

sábado, 30 de janeiro de 2016

De Lisboa S. Tomé na TAP com escala em Acra, Gana e chegada à capital da Ilha do meio do mundo ao pôr do Sol, com uma temperatura de 27º – TAP retirou os ecrãs da rota ou mudou de frota? – Excetuando os caprichos da turbulência aérea , não faltaram sorrisos das hospedeiras e até deu para conhecer uma das três mulheres que fizeram de canoa a ligação de S. Tomé à Nigéria, com mais 13 homens a bordo



Lisboa e o Tejo Julho 2015
De novo em S. Tomé e em voo da TAP – Melhores os dois voos anteriores da TAP, em Outubro de 2014 e Julho de 2015, de que este que, agora, no dia 28, me trouxe, mais uma vez, ao reencontro de uma maravilhosa Ilha, que aprendi a conhecer a amar, desde os já distantes dias de Novembro de 1963  - Nos voos anteriores, tanto  na ida como no regresso, foram passados, tranquilamente, entre largas extensões do oceano e do  mar – Inicialmente, até à ponta de Sagres, a costa Portuguesa, depois, um braço de mar até atingir a costa africana – E por aí rumo ao sul, entre o azul do céu e as terras áridas do deserto, onde, alguma das suas panorâmicas, nos faziam recuar,  como que ao principio do mundo – Autênticos quadros, verdadeiramente bíblicos, que podem ser desfrutados, nomeadamente para quem vai junto às janelas – Tive a felicidade de os contemplar e fotografar – Naqueles dois voos – Mas agora, não tive a mesma sorte  – Não estou arrependido de ter feito a viagem, porque, realmente, quando se desembarca em S. Tomé,  a sensação que se tem é a de que se acaba de chegar a um maravilhoso paraíso perdido no oceano – Neste caso, no meio do mundo!

Um pesado e extenso manto de nuvens brancas, nuns casos, noutros uma intensa neblina, pairando abaixo da rota do voo, impedia de se saber se se voava acima da terra ou do mar  - Não me calhou ir sentado junto à janela, entre Lisboa e Acra, mas, como só ia mais um passageiro ao meu lado, dava para relançar um olhar de vez em quando, mas em vão – nada mais que névoas ou uma densa  neblina  - Contrariamente, ao panorama do mar do Golfo da Guiné , mais azul e limpo.

É COSTUME VIAJAR QUASE SEM VER O TEMPO PASSAR – MAS DESTA VEZ O TEMPO PREGOU ALGUMAS PARTIDAS - E DEU MOSTRAS DE QUE A NATUREZA TEM OS SEUS CAPRICHOS – OU HAVERÁ OUTRAS EXPLICAÇÕES?

Julho 2015 - Ponta de Sagres

Ao voar em voo da TAP,  rumo ao sul, com destino a S. Tomé, quando se parte a meio da manhã, mesmo com escala em Acra, pois também há voos diretos, pese a longa distância, nem se dá conta que o tempo passa – As  hospedeiras de bordo são generosas e gentis em  sorrisos, quando distribuem comida e bebidas ou mesmo quando fazem avisos mas  desta vez a turbulência  dos céus do deserto do Sarah e no Golfo da Guiné, deu que fazer ao piloto e fez  apertar várias vezes o cinto aos passageiros, tornando, alguns momentos da viagem, num certo incómodo  e desconforto –  Situações que, há uns tempos atrás,  não sucediam com esta intensidade  - Quase nem se dava por isso, mesmo quando lá por baixo se viam levantar grandes tempestades de areia sobre o deserto do Sarah. E vimos alguns desses fenómenos atmosféricos, em Outubro de 2014

A PRIVATIZAÇÃO DA TAP FEZ SUBIR AS TARIFAS  - E TAMBÉM MUDAR DE FROTA?!...

S. Tomé 28 de Janeiro 2015 
Antes o passageiro podia acompanhar a rota, continuamente, com informações detalhadas, desde a temperatura interior à exterior, o tempo percorrido e a distância a percorrer – Agora, silêncio absoluto – Procuramos a explicação à chefe das hospedeiras, disse-nos que a TAP fez isso em todos os aviões, porque, o que está previsto é , que, nas novas aeronaves, o ecrã seja instalado à frente da cadeira do passageiro - Mas para quê retirar uma coisa boa por coisa nenhuma?!... Na verdade, a avaliar pela informação editada pela TAP, o passageiro, “em parte da frota A330 e A340, encontrará uma grande variedade de conteúdos audiovisuais, com tecnologia touchscreen: Vídeo, áudio e jogos Na TAP, queremos tornar cada vez mais agradáveis as horas que passa connosco, oferecendo-lhe entretenimento de qualidade, que o acompanhe ao longo de todo o voo Conforto - Serviços a Bordo dos Voos | TAP Portugal


ENTRETANTO QUEM NÃO VIAJE NA FROTA DOS A330 3 A34O – TEM DE SER MENOS EXIGENTE

Neste voo, de que lhe venho falar, notei que houve algum desapontamento por parte de passageiros,  não apenas, relativamente aos efeitos da turbulência, como da  ausência de informação a bordo     Em certos momentos, devido aos solavancos da turbulência,  sentiu-se mesmo alguma sensação de um certo mal-estar  – Nos anteriores voos, antes de privatização, o passageiro podia acompanhar a todo o instante a rota do avião, saber por onde estava a voar, essa possibilidade agora não pôde ser desfrutada – Havendo mesmo quem admitisse que, a nova  gestão da TAP, que anunciou publicamente novas estratégias, e também fez subir as tarifas para S. Tomé,  uma delas fosse a troca de  aparelhos nas rotas  – Como geralmente, a África, desde os tempos coloniais, costuma ser o parente pobre,  constatámos que houve mesmo quem levantasse, esse velho anátema – Pois é sabido, que nos Aviões, mais modernos, os efeitos da turbulência, são menos notados.

Ilha de S. Tomé Julho de 2015 
Sim, porque, longe vai o dia, em que, num voo que fizemos a bordo de um avião da Força Aérea,  em Julho de 1975,  bem menos  dos 11 mil metros de altitude dos atuais voos,  pois, quando saltávamos nas cadeiras, não se falava de turbulência mas de poços de ar –  O avião não oscilava, como agora - Era bem pior: cada vez que encontrava os tais poços de ar,  parecia despenhar-se  de barriga ao solo. Naturalmente que, desde então para cá, se registou  uma grande evolução – Por isso mesmo, quanto mais velhos forem as aviões, menos preparados estão para tais contingências atmosféricas.

VIAGEM QUE PERMITE O CONVÍVIO ENTRE PASSAGEIROS – TIVEMOS BONS MOMENTOS DESTE GÉNERO - NOMEADAMENTE, COM SANTOMENSES E ATÉ COM NORUEGUÊS - Que ia em busca da luz e calor que no seu país, que nesta altura do ano não  encontra, dada a proximidade do árctico

S. Tomé - 20 Outubro 2014
Bom, mas pondo de lado , as contrariedades, com que, desta vez, deparámos, tivemos,  no entanto, agradáveis surpresas -  Pois, se há quem prefira bater apenas uma soneca a bordo, há, contudo, quem aproveite para dialogar com quem está ao seu lado ou até mesmo nas cadeiras à sua frente – Tínhamos bastas razoes para passar o tempo a dormitar, já que optamos por fazer uma “direta”, mesmo assim, deu para fazer isso e também para conhecer pessoas e conversar







As primeiras agradáveis surpresas, direi antes, amáveis reencontros, começaram no próprio aeroporto, com o abraço amigo de alguns santomenses – Entre os quais, o do cantor Pércio Silva, conhecido, artisticamente, por Pekagboom, a que já nos referimos em http://www.odisseiasnosmares.com/2016/01/musico-santomense-em-portugal-pekagboom.html
que partiu para S. Tomé  para apresentar o seu novo álbum Banho Público, no próximo dia 19, na Casa Cacau – Sempre sorridente e amável, com o seu estilo expansivo e comunicativo – Teve a gentileza de nos oferecer um CD, em primeira mão, com que, aliás, também presenteou, o Dr. Neto,  a residir na Holanda, que trabalha no escritórios de  Posser da Costa e Associados – Depois, entre outros amáveis sorrisos, foi ainda o abraço, muito caloroso, de Ana Mota, que me deixou quase desconcertado, pois já estava na fila e pediu-me que lhe fizesse uma fotografia – A lente da máquina é que parecia não querer responder e teve de ser substituída. Outra presença, muito simpática, que regressava de um pequeno período de férias e nos reconheceu, foi a de Ayres Major, da Comissão do Património Cultural Imaterial – na Casa da Cultura de S Tomé e Príncipe – Além disso, deu-se a feliz coincidência de se sentar ao nosso lado direito na fileira da frente, permitindo bons momentos de diálogo, que, em certa altura, também foram partilhados por Ana Mota e por Adilson Vilhete – Um jovem empresário, com excelentes projetos turísticos em vista

Acra - Outubro 2014
FEZ-NOS COMPANHIA UMA DAS TRÊS PRIMEIRAS MULHERES QUE ATRAVESSARAM O GOLFO DA GUINÉ DE CANOA – DA NIGÉRIA A S. TOMÉ - Mas não quis ser fotografada 

Outra surpresa, esta surgiu-nos, no voo, entre Acra e S. Tomé:
Desceu, no aeroporto da capital do Gana,  o passageiro que ia ao nosso lado, junto à janela e entrou a Nigeriana, Elifida –  - E quem é esta mulher, que se apresentava com um traje típico nigeriano, tão bonito?

S. Tomé 28 Janeiro 2016
Voando no Golfo da Guiné 


Pois bem, longe de imaginar de ir ter ao meu lado, uma verdadeira heroína dos mares do Golfo da Guiné – Ambos agora a voar sobre aquele mesmo mar que, tanto a ela, como no meu caso, embora em circunstâncias diferentes  nos havia causado tantas incertezas e sofrimento.

– Pois também eu, por três vezes o sulquei, uma das quais, de S. Tomé à Nigéria.  – No seu caso, foi ao contrário- fez parte das primeiras travessias, que, nos anos 80, passaram a ligar, em canoas a motor, os dois países: partiam em demanda de uma nova vida – Com carregamentos de vários artigos e produtos para vender em S. Tomé  - Elifida, de 60 anos, partiu numa dessas frágeis embarcações: eram três mulheres e treze homens, todos na mesma canoa. 
Segundo nos recordou, num desses dias, a canoa foi assolada por uma grande tempestade – Mas lá conseguiram chegar ao destino – Desde então, acabou por optar  viver nas Ilhas Verdes -  Já lhe nasceu ali um filho, o Jonh Wilian, que tem uma serração, em S. Marçalo, próximo da cidade de S. Tomé – Ela, entretanto, optou por abrir uma loja no Príncipe – Sente-se lá bem;agora foi passar uns dias férias à Nigéria mas confessa que é  nestas ilhas que quer passar o resto da sua vida

S. Tomé 28 Janeiro 2016
CREPÚSCULO RÁPIDO - MAL SE ESCONDE O SOL, ANOITECE

Quando o avião da TAP, aterrou no aeroporto de S. Tomé, tinha-se acabado de pôr o sol, e, como o crepúsculo no equador, é rápido, quando chegámos à pensão, onde nos hospedámos, era já noite escura –  A cidade, a bem dizer, ainda estava longe de adormecer, pois ainda havia muito movimento de carros, mas deu para ter perfeitamente  a sensação, sobretudo ao passarmos na estrada marginal da Praia Lagarto,  de que os aromas que nos vinham  dos lados da estrada,  até com a temperatura, que se fazia sentir, tinham o sabor dos frutos tropicais, assim como o cheiro da maresia, era, naturalmente,  bem diferente dos mares frios do Norte.  
.DIA 29 – ENCONTRO COM OS AMIGOS – O JORNALISTA ADILSON  CASTRO E O CORONEL VICTOR MONTEIRO – DIRETOR DO GABINETE DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA

S. Tomé 29 de Janeiro 2016
Só abandonei o quarto da pensão, por volta do meio dia –  Mas  já me havia apercebido  que o dia nascera ensolarado e brilhante, apesar das grossas nuvens, que habitualmente se levantam nas partes mais alta da Ilha – E foi justamente essa luz maravilhosa, que ainda pude desfrutar no período da tarde – Inicialmente, na companhia de Adilson Castro, com quem fui almoçar, num restaurante típico santomense, um saboroso arroz de feijão e posta de peixe 

 - Depois foi o  reencontro com o Coronel Victor Monteiro, apesar de assoberbado de trabalho ainda da visita que o Presidente Manuel Pinto da Costa, acabou de fazer a Cabo Verde, sempre solicito, simpático e disponível para me prestar a sua ajuda – Pois ele sabe que as minhas visitas, a S. Tomé,  vão muito além das do visitante turístico – Comportam a paixão de todos que amam, verdadeiramente uma terra, e que se esforçam por ir ao encontro das suas genuínas raízes e descortinar o  seu passado. E é, pois, um dos motivos que aqui de novo me trazem e do que conto vir a falar neste meu site, nesta minha nova estadia..



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