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Entre outros assuntos, falo da escalada ao Pico Cão Grande e das minhas aventuras em canoas – Visam defender a teoria de que antigos povos africanos, podiam ter sido os primeiros povoadores das Ilhas do Golfo da Guiné, antes dos colonizadores – Parti à meia-noite, disfarçado de pescador, ligando a ilha do Príncipe. Para me orientar, uma rudimentar bússola – A canoa era minúscula, à segunda noite adormeci: rolei na escuridão das vagas. No regresso fui distinguido com sopapos da policia salazarista, enviado para os calabouços – Cinco anos depois, numa piroga maior, fiz a ligação São Tomé-Nigéria. Partindo igualmente à noite, 13 dias depois atingia uma praia de Calabar, tendo sido detido 17 dias por suspeita de espionagem. - No mesmo ano, já com São Tomé e Príncipe independente, tentei a travessia São Tomé ao Brasil, usando os mesmos recursos. Além de pretender reforçar a minha teoria, desejava evocar a rota da escravatura e repetir a experiência de Alain Bombard. Porém, quis a ironia do destino que vivesse a difícil provação de um naufrágio de 38 longos dias, tendo aportado numa praia de Bioko (Bococo)onde fui recambiado para a famosa prisão de Black Beach

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Música de São Tomé – Memórias do Conjunto Mindelo – Recordadas por Zé “Mindelo”, o bateria – E da obra Manifestações Culturais, de Lúcio Neto Amado - E alguns sons de um dos mais emblemáticos grupos musicais santomenses do anos 60 e 70.



José de Almeida Sousa Bastos, 66 anos, natural de São Tomé, antigo baterista do Mindelo - Ele é ainda a memória viva  do conjunto Mindelo, um dos mais populares  grupos da música típica santomense,  na língua fôrro, que se formou no início dos anos 60, com um estilo muito singular, não apenas pela juventude dos seus elementos, mas também pela melodia e nostalgia das suas letras e composições e- Tiveram o seu ague, pouco antes do 25 de Abril, numa digressão de 3 meses por Angola – Mas a revolução veio provocar-lhe algumas perturbações, acabando por extinguir-se três depois da independência, em 1978

 Depois da breve entrevista, pode ouvir o tema musical Mindelo Nga Subli Ba Obo




Do grupo, sob a orientação de Godinho, já falecido, faziam parte: além de José Almada, mais conhecido por Zé Mindelo, o  Quintino (chinês) solista, a viver em Angola; o Zeferino, viola ritmo, o Mário e o Fonseca, Viola Baixo, o Inácio, reco-reco, todos já falecidos

Zé Mindelo, recorda que “foi um tempo em que tocávamos bastante  e a sério!... Não era tocar de brincar!...Era tocar a sério!...Tínhamos que ensaiar as músicas, durante dois, três dias para depois as levarmos ao público” – Recorda José…

Sim,  num tempo em que as letras, na sua maioria,  eram escritas na língua fôrro, e,  para agradarem ao público, tinham de conter sempre algumas piadas. A música tinha então outra melodia “e selecionada” mas tinha que ser vista por alguém – a censura – que estava sempre pronta em avisar: “não pode cantar isso .

Atualmente, aposentado, vivendo com uma modesta pensão, que, para fazer face à sua sobrevivência,  ainda vai trabalhando, como motorista – E foi justamente, num intervalo  do seu ofício, na hora de almoço,  no jardim fronteiro do Hotel Pestana, que o fomos encontrar.

Reconhece, no entanto, que muita gente que tem bons chalés e bons carros, mas ninguém pode perceber donde vem esse dinheiro, donde vem tudo isso! – Há muito deixou de tocar e de cantar mas ainda não perdeu a experiência e o  talento – E demonstrou-no-lo , soletrando uma das canções, que se popularizou por altura das comemorações do 5º centenário  da descoberta das duas ilhas, pelos navegadores portugueses.


São Tomé –  Mindelo é fica ami só – Do Conjunto Mindelo, acompanhando   imagens do almoço histórico., 12 de Julho 2015




 A celebração do 40º aniversário da independência, no dia 12 de Julho, foi  o maior acontecimento do ano de 2015, condignamente assinalado,  com as tradicionais cerimónias na mais emblemática praça da capital:  o discurso do Presidente do Município e do Presidente da República, desfiles militares e alegóricos – Seguiu-se depois um almoço no jardim da Roça Agostinho Neto, antiga Roça Rio do Ouro, com a presença do Presidente da República, Manuel Pinto da Costa, membros do Governo do Primeiro-ministro Patrice Trovoada, as várias entidades santomenses e estrangeiras, com destaque para: o Presidente de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, além dos vários elementos do corpo diplomático 
creditado no país. 
CONJUNTO MINDELO – A MÚSICA QUE FICOU NO OUVIDO DE GERAÇÕES
 

Pertencemos a essa geração, que pudemos ver atuar esse tão popular conjunto musical  - Mas também outros emblemáticos grupos  musicais, como os Untúes, Sangazuaga, Quibanzas, Leonenses, Diabos do Ritmo, entre outros  Reportamo-nos a eles nas páginas da Semana Ilustrada – Mas, esta postagem, é especialmente dedicada ao conjunto MIndelo,  do qual fez parte o José de Almeida Sousa Bastos, mais conhecido por Zé Mindelo

Temos connosco, entre outras obras santomenses, o livro “Manifestações Culturais São-Tomenses, de autoria de Lúcio Neto Amado, uma interessantíssima recolha, muito bem documentada e pormenorizada, da qual tomámos a liberdade de extrair alguns excerto do que ali se reporta, acerca do Conjunto Mindelo


Imagem do Livro  de Lúcio Neto Amado
Refere a citada obra, que “foi na zona de Oquê dá Lê (Oquei-del-rei), que  surgiu o conjunto musical Mindelo, fruto da carolice de dois ou três jovens que pretendiam e sonhavam ter uma banda musical que representasse a zona donde eram originários. Os primeiros elementos que estiveram na essência do conjunto começaram, justamente, a tocar num quixipá68 de andalas na zona, orientados pelo Godinho, que surgiu como líder natural, tocando, na altura, gaita-de-beiços. 



Grande parte dos elementos do conjunto, que estava a dar os primeiros passos no panorama musical da época, era originária da zona conhecida como Bairro atrás do Hospital Central da cidade de São Tomé. Os elementos desse conjunto musical saltaram do anonimato para a consagração, num curto espaço de tempo. Foi vertiginosa a sua ascensão. 

O aparecimento do conjunto Mindelo foi um fenómeno no panorama musical de São Tomé e Príncipe devido ao facto da banda juntar a harmonia musical à jovialidade dos seus elementos, para além de interpretar temas que iam ao encontro do quotidiano de grande parte da população e serem exímios tocadores do género musical são-tomense, no1meadamente a ússua, o socopé, a rumba são-tomense, etc. 

Era um conjunto que, num curto espaço de tempo, enchia por completo os terraços onde ia tocar. Mal começassem a actuar, o recinto ficava lotado, não havendo lugar nem espaço dentro do salão de dança. 

As catedrais onde o conjunto tocava e ganhou imensa fama eram: o terraço Mindelo [situado em Oquê dá Lê (Oquei-del-rei)], o terraço de sum Dedinho [em Santana] e o terraço Ar e Vento [no Riboque]. Os carros que suportavam e apoiavam as deslocações do conjunto para todo o lado eram conduzidos pelos conhecidos e dedicados choferes de praça: Maurício, Queiroz e Início. Havia outros elementos que também apoiavam a logística do conjunto, destacando-se, entre eles, o Moreno e o Bento ...

Os proprietários dos terraços que contratavam o Conjunto Mindelo á sabiam que o grupo garantia uma receita brutal na bilheteira e no serviço de bar, enchendo sobremaneira os cofres, possibilitando ao nesmo tempo que a imprensa falasse da freguesia ou vila durante a semana que antecedia os dias de actuação. 

A vila que recebesse a visita deste conjunto tinha garantida a presença de muitos forasteiros, o que se traduzia sempre numa grande propaganda para a localidade e consequentemente para a sua população que, durante toda a semana, ouvia a propaganda da festa divulgada pela Rádio Clube de São Tomé e Príncipe. 

Eram os seguintes, os jovens do grande conjunto Mindelo: Quintino Chinês (viola), Zeferino (viola), Mário (viola), Zé Mindelo (bateria), Inácio (reco-reco), Carlitos (percussão), Fonseca (viola), Godinho (voz, viola). 

As grandes composições interpretadas por esse conjunto fazem parte da memória colectiva do nosso quotidiano e do futuro Arquivo Musical (?) são-tomense. Essas composições são, ainda hoje, reproduzidas quer pelos músicos que cantam a solo [ e ainda por outros cantores, sobretudo da diáspora, tais como Felício Mendes, Juca, Tonecas], bem como por alguns conjuntos que surgiram depois.

Para Santo, (1998), este ... conjunto espectacular, o Mindelo, caracterizava-se pelo seu ritmo estonteante que inebriava todos quantos assistiam aos seus concertos. Tal como geralmente se verifica com os grandes agrupamentos musicais, vítima de dissensões internas acabou no ano de 1976, depois de ter escrito o seu nome nas páginas de ouro da História da Música de São Tomé e Príncipe. Actuou em Angola onde alcançou êxitos e gravou discos. 

(…) As canções mais popularizadas: Eufrásio Hômê Zôgô, Tóni Fádà Quintino, Zêquêntxi bláncu, Sàmá mulata cêndê cama damu, un sá cu sônô muê, Limon Fili, entre outras. São músicas cantadas no país e na diáspora pelos são-tomenses que residem quer seja na Inglaterra, Angola, Portugal, ou Gabão e ainda nos outros locais onde haja emigrantes das ilhas. 

As composições Toni Fádà Quintino e Zêquêntxi bláncu são poemas cuja musicalidade empolga os são-tomenses que, quando se juntam, [sobretudo no estrangeiro], e a nostalgia aperta os corações, entoam essas duas canções, como se de um hino se tratasse.
A erosão do conjunto" surgiu logo em 1976, tendo sido superada através de negociações de bastidores, feitas, sobretudo por um número restrito de conselheiros e fãs.

Contudo, o destino do Mindelo, esse grande e emblemático conjunto musical, estava inexoravelmente traçado ... começando a claudicar a partir de uma digressão que fizeram a Luanda, capital de Angola, onde obtiveram um grande êxito.
Quando chegaram a São Tomé, os atritos começaram a agravar-se entre os elementos do conjunto e daí até acabar a banda foi um ... passo.
O Conjunto Mindelo terá acabado definitivamente em 1978, com imensa tristeza dos seus fãs, que eram muitos em todo o território nacional e também no estrangeiro. 


QUEM É LÚCIO NETO AMADO


Lúcio Neto Amado, é natural da Ilha de São Tomé (São Tomé e Príncipe) onde nasceu em 1951. Fez os estudos primários na cidade de São Tomé e, o Liceu em São Tomé (Liceu D. João II) e em Lisboa (Liceu Camões). Os estudos universitários foram todos feitos em Lisboa. É licenciado em Educação Física e Desporto e em Sociologia. Fez o Mestrado no ISCTE e, presentemente frequenta o Doutoramento na Universidade de Lisboa (ISCSP).Publicou, até ao momento, duas obras: "Manifestações Culturais São-tomenses" e "Os Mares do Meu Arquipélago - Contos". Tem publicado artigos relacionados com a Educação para a Cidadania e o Desenvolvimento. Leccionou em Angola, em São Tomé e Príncipe, em Timor-Leste e em Portugal.











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