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Entre outros assuntos, falo da escalada ao Pico Cão Grande e das minhas aventuras em canoas – Visam defender a teoria de que antigos povos africanos, podiam ter sido os primeiros povoadores das Ilhas do Golfo da Guiné, antes dos colonizadores – Parti à meia-noite, disfarçado de pescador, ligando a ilha do Príncipe. Para me orientar, uma rudimentar bússola – A canoa era minúscula, à segunda noite adormeci: rolei na escuridão das vagas. No regresso fui distinguido com sopapos da policia salazarista, enviado para os calabouços – Cinco anos depois, numa piroga maior, fiz a ligação São Tomé-Nigéria. Partindo igualmente à noite, 13 dias depois atingia uma praia de Calabar, tendo sido detido 17 dias por suspeita de espionagem. - No mesmo ano, já com São Tomé e Príncipe independente, tentei a travessia São Tomé ao Brasil, usando os mesmos recursos. Além de pretender reforçar a minha teoria, desejava evocar a rota da escravatura e repetir a experiência de Alain Bombard. Porém, quis a ironia do destino que vivesse a difícil provação de um naufrágio de 38 longos dias, tendo aportado numa praia de Bioko (Bococo)onde fui recambiado para a famosa prisão de Black Beach

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Roça Castelo, em S. Tomé – Recria antiga roça colonial – O Eng. João Gomes, empresário santomense, quer dinamizar o turismo através da agricultura.

Por Jorge Trabulo Marques - Jornalista e investigador 
Rio do Ouro  anos 60
O Eng. João Bragança Gomes é um  dos empresários mais bem-sucedidos em S. Tomé considera que a vocação natural destas ilhas  é prestar serviços um pais de economia aberto – Numa altura em que se fala da recuperação das instalações das antigas roças coloniais, ele já a tem a sua – A Roça do Castelo  - situada próximo da antiga roça Água Izé, que pretende transformá-la numa espécie de memória das roças coloniais, nomeadamente na exploração e extracção de óleo de  palma e copra. Ou seja, recriar a oportunidade do turista poder assistir ao vivo, a todos os trabalhos destas duas culturas -   As roças do Cacau são mais fora da zona do litoral.




Sim, vale a pena reconstituir alguns dos aspectos laborais e tecnológicos das antigas roças -  Na maioria dos casos, pouco mais resta que esqueletos das suas instalações mas vale a pena o esforço




A ROÇA DE OUTRO TEMPO

Foto de antigo pstal
A vida da roça do tempo colonial, teve o seu tempo e deixou memórias inapagáveis naqueles que ali deram o suor do seu rosto – Também as tenho, ainda com os meus 18 anos, visto ali ter trabalhado como empregado do mato – E são muitas: mas não é esta a minha intenção –  Fá-lo-ei noutra oportunidade –  Mas a de aqui transcrever um interessante texto do Prof, Júlio Henriques, considerado o grande impulsionador da Exploração Botânica da ilha de S. Tomé realizada em 1885 autor de várias obras numa das quais se refere ao ambiente da roça, naquela época


Anos 6- Foto JTMarques
"Ao romper do dia a sineta dá o sinal de preparar par o trabalho. Os doentes são inspeccionados e todos os válidos foram em frente da habitação do administrador, saudando-o todos ao mesmo tempo com  - o  bom dia patrão. A seguir dividem-se em grupos, que acompanhados por europeus – homens do mato – encarregados de vigiar e dirigir o pessoal de cada grupo, seguem para o local onde há trabalho a realizar.

Lembro-me bem de ter visto  um desses grupos caminhando para o seu destino. Estava na praia  da Angra de São João. A luz da manhã fraca, o mar sem o menor movimento, o pequeno vapor que fazia a viagem em volta da ilha, ancorado no meio da angra, nem baloiçava; em volta enorme massa de verdura, mas tudo imóvel; um silêncio profundo. Parecia que não havia vida. Nestas condições é que vi passar na costa  oposta uma longa fila de serviçais, silenciosos também, caminhando lentamente. Quantos com saudade se recordariam do sertão angolense, onde tinham nascido!

Roça Monte Café - anos 60 - Foto JTmarques
Durante o dia na sede o pessoal é limitado, e fora do serviço vêem-se alguns doentes fazendo serviços ligeiros, compatíveis com as forças deles, mulheres trazendo as mães os filhos sobre os rins embrulhados nos panos, que lhes servem de vestido e fervilham por toda a parte os pequenos moleques.

Ao fim da tarde regressam  à sede todos os serviçais, formando como de manhã, trazendo cada um  amostra do que fez, uns lenha, outros pastos para os gados, cachos de palmeiras de óleo, os serradores uma tábua, etc. O maioral passa revista para ver se algum fugiu e de seguida dão -  boas-noites patrão – e debandam seguindo para as suas habitações.

Anos 60 - JTmarques - Rio do Ouro
Estes quadros repetem-se invariavelmente em todos os dias do ano.
Os trabalhos executados em cada dia são variadíssimos e alguns são executados com perfeição. Vi aparelhar enormes vigas de modo admirável. Em Monte Café vi fazer cestos muito perfeitos imitando
Aos domingos o movimento é maior.
Cingem panos lavados, as mulheres vestem blusas garridas, panos ou saias, colares de grandes contas ao pescoço e cobrindo a cabeça com lenço bem posto em forma de barrete.



Uba-Budo 2014
As negras que fazem serviços de criadas apresentam-se bem, mesmo até com tal ou qual elegância. Chegam mesmo a originar paixões.
O movimento aumento aumenta quando chega a hora da distribuição dos alimentos. Correm todos para as proximidades dos armazéns e aí o pessoal encarregado da distribuição vai dando a cada um o que lhes pertence.



2014 - Quebra do Cacacu
Os alimentos distribuídos consistem em arroz, farinha de milho, bacalhau, peixe e carne seca, carne de conserva, açúcar, farinha de mandioca, grande quantidade de azeite de palma, vinho e leite esterilizado para o hospital e creche
Além destes alimentos têm à distribuição os frutos que se encontram nas roças. Bananas, fruta pão, mamão e muitos outros.

Anos 60 - Foto JTmarques
Pode afirmar-se que não passam fome.
No fim de cada mês faz-se o pagamento do salário. É uma das ocasiões mais interessantes. Recebido o ordenado sentam-se na terra e contam e recontam  o dinheiro, distribuem-no em pequenas parcelas, talvez calculando despesas determinadas e conservando-se neste serviço por não pouco tempo.
Na roça o administrador (patrão) é tudo. É ele que faz e desfaz os casamentos, que julga os delitos e determina os castigos, que resolve os castigos familiares

2014
Por entre os cacauzais, a baixas altitudes, destaca-se, nítida, clara, a silhueta da palapeira do dendo, a Elaaeis guineensis, Jacq. Espalha-se irregularmente , ao acaso, aproveitando-se dela a sombra, o óleo e o coconote,
A exportação do óleo de palama  é insensível – uns milhares de litros por ano, em maior quantidade no Príncipe, que em S. Tomé, É quase na totalidade absoluta consumido pelos nativos e serviçais.
A amêndoa do coconote, é que leva para os mercados  ávidos de  produtos oleaginosos


João Gomes, como geralmente é mais conhecido, Presidente do Concelho de Administração da HB, diz que é  um homem da área de serviços, de turismo; muito ligado às agências de viagem e à hotelaria mas entendo que a agricultura deve ser acarinhada, porque, o turismo, deve fazer um casamento natural  com a agricultura” 
Natural da Chacra – Licenciado em engenharia de transportes, em Cuba. Mestrado em Londres  – Filho de Filipe Gomes e de Áustria. Diz que deve o seu sucesso à educação que os seus pais lhe deram: gente húmilde, gente séria, que sabia que a educação era fundamental    para o seu futuro. Encontrámo-lo na explanada do  Hotel Avenida, uma unidade hoteleira que pertence à sua fima HB




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