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Entre outros assuntos, falo da escalada ao Pico Cão Grande e das minhas aventuras em canoas – Visam defender a teoria de que antigos povos africanos, podiam ter sido os primeiros povoadores das Ilhas do Golfo da Guiné, antes dos colonizadores – Parti à meia-noite, disfarçado de pescador, ligando a ilha do Príncipe. Para me orientar, uma rudimentar bússola – A canoa era minúscula, à segunda noite adormeci: rolei na escuridão das vagas. No regresso fui distinguido com sopapos da policia salazarista, enviado para os calabouços – Cinco anos depois, numa piroga maior, fiz a ligação São Tomé-Nigéria. Partindo igualmente à noite, 13 dias depois atingia uma praia de Calabar, tendo sido detido 17 dias por suspeita de espionagem. - No mesmo ano, já com São Tomé e Príncipe independente, tentei a travessia São Tomé ao Brasil, usando os mesmos recursos. Além de pretender reforçar a minha teoria, desejava evocar a rota da escravatura e repetir a experiência de Alain Bombard. Porém, quis a ironia do destino que vivesse a difícil provação de um naufrágio de 38 longos dias, tendo aportado numa praia de Bioko (Bococo)onde fui recambiado para a famosa prisão de Black Beach

segunda-feira, 21 de março de 2016

Descoberta do Brasil - Almirante Max Justo Guedes – “Ícone da História Naval Brasileira e da História da Cartografia” 1927 – 1911 – Disse que, Pedro Álvares Cabral, quando partiu do Tejo, com uma armada para se dirigir à Índia já tinha conhecimento prévio da existência de terras a sul das descobertas por Colombo


Por Jorge Trabulo Marques - Jornalista e investigador - Recordando o Comandante  Max Justo Guedes – 1927- 2011 - Considerado o “Ícone da História Naval Brasileira e da História da Cartografia” - Ouça a entrevista 

Na Marinha, dirigiu o setor de Patrimônio Histórico e Cultural, reorganizou e equipou  o Serviço de Documentação Geral da Marinha; promoveu a implantação de museus (Museu do Forte da Barra de Santo António – BA; criou os Navios-Museu; Museu da Caravela – Campinas; Espaço Cultural da Marinha – RJ); propôs e coordenou incontáveis colóquios internacionais, preparou edições críticas e publicou coletâneas que são fundamentais para o conhecimento da história brasileira, como por exemplo, os volumes da  História Naval Brasileira.  – Excerto Nosso Contra-Almirante Max Justo Guedes (1927-2011 .



VIDEO - ENTREVISTA A MAX JUSTO GUEDES - EM  1989
O DESCOBRIMENTO DO BRASIL


Pedro Álvares Cabral, quando partiu do Tejo, com uma armada para se dirigir à Índia, torneando o Atlântico Sul, a oeste, ele já tinha conhecimento prévio da existência de terras ao sul das que, Colombo, havia descoberto



Por isso, a  descoberta do Brasil, não foi obra do acaso:  "ele não ia aventura a descobrir terras: era uma viagem definitiva. Com tudo planejado; a época de saída absolutamente planejada  Mas, quando passa na costa brasileira, vê que há possibilidades, sem atrasar a viagem , ele fez isso e achou o Brasil – Defende, Max Justo Guedes, um dos mais notáveis historiadores da cartografia luso-brasileira, autor de mais de meia centena de estudos e ensaios carto-bibliográficos dispersos em inúmeras publicações, numa breve entrevista que, em Outubro de 1989, honrosamente me concedeu para a Rádio Comercial, por ocasião da reedição da obra “O Descobrimento do Brasil”  Um estudo baseado, não apenas nas pesquisas que efectuou, como se navegava na época, mas também na sua experiência marítima

"A História das Navegações Portuguesas tem pecado por ter sido escrita, por vezes, por quem desconhecia Arte Náutica - dizia Sacadura Cabral  (…) por  estranhos às «coisas do mar» como eram quase sempre, cronistas e historiadores . Incapazes de se imaginarem a navegando dentro dos navios antigos. Eles fiavam-se  nas versões que corriam, contadas por mareantes românticos, que acrescentavam  um «ponto» ao seu «conto». - Não é o caso do Comandante Max Justo Guedes


Mas eis as palavras, que, o Comandante Max Justo Guedes, dirigiu aos leitores. antes de expor o aprofundado estudo:

"Nos últimos meses do já longínquo ano de 1960, dei efectivo início à redacção de trabalho sobre o Descobrimento da América do Sul, planejado desde os tempos da Escola Naval, mas que ficara, até então, limitado a anotações esparsas.
Natural foi que cuidasse logo do Descobrimento do Brasil, estudo concluído nos tumultuados dias de Agosto do ano seguinte. (houve a renúncia do Presidente Jânio Quadros), que, logo depois, foi entregue, para publicação, à Diretoria de Hidrografia e Navegação (DHN).

Em Dezembro de 1963, designado instrutor de guardas-marinha, iniciei. viagem de instrução à Europa e América do Norte, deixando os originais ainda aguardando oportunidade de impressão, situação em que os reencontrei, em Maio seguinte, quando retomei ao Rio de Janeiro. Pude, por isso, antes de ser transferido para o Nordeste, embora dificultado por intervenção cirúrgica que ·me imobilizou por dois longos meses, efectuar pequenas alterações nos originais, consequentes das rápidas pesquisas que realizara, em Lisboa, quando o NE «Custódio de Mello», navio em que viajara, esteve no Tejo.

No ano e meio em que servi em Alagoas não mais tive notícias do andamento da impressão, ..• sendo surpreendido, em 1966, quando voltei a servir na ex-capital brasileira, com telefonema de um companheiro da DHN, informando-me que o trabalho fora editado.

Pese embora a boa vontade dos que trabalharam na impressão a falta de revisão, por parte do autor, em assunto especializado e alheio ao quotidiano da Diretoria, permitiu que falhas tipográficas e mesmo erros, que talvez pudessem ter sido evitados, aparecessem no· texto impresso.

Ainda assim, o opúsculo alcançou certa repercussão no Brasil, dando origem às comemorações conjuntas Brasil-Portugal, do Quinto Centenário de Pedro Alvares Cabral, em 1968, iniciativa do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro impulsionado pelos saudosos Wanderlei de Pinho e Pedro Calmon.

Quando coordenei, em 1975, a redacção e publicação do primeiro volume da História Naval Brasileira, aproveitei, parcialmente o trabalho, transformando-o em capítulo da obra, com as reduções e adaptações indispensáveis ao propósito dela; também ali incluí alguns outros escritos que enfocavam descobrimentos americanos, mas o projecto original e maior, acima mencionado, mercê de obrigações múltiplas em novas direcções, não mais seria retomado. O Descobrimento do Brasil ficou sendo a única singradura da viagem planejada.

Decorridos mais de 27 anos desde a redacção do texto original, as grandes comemorações, ora em curso, dos Descobrimentos Portugueses, fazem com que meu trabalho seja novamente focalizado. A editora VEGA interessou-se em reeditá-lo, com introdução - que extremamente me honra do ilustre, admirado e querido amigo Professor Doutor Luís Mendonça de Albuquerque.
Não faria sentido deixar no texto os erros e omissões já referidos e de há muito notados; procurei eliminá-los, sem, contudo, alterar substancialmente, na forma ou no conteúdo, a primeira edição; introduzi, também, quando isto foi indispensável, algumas notas, facilmente reconhecíveis porque indicadas pelo ano em curso.
É minha modesta contribuição à divulgação e melhor conhecimento da gesta maior do querido e admirado povo lusitano e meu sincero agradecimento pela obra magnífica por ele realizada em meu país, descobrindo, povoando, colonizando, civilizando e expandindo-o a limites quase inacreditáveis e legando-o unido, política e socialmente, aos brasileiros de hoje.
Rio de Janeiro. Novembro de 1988
Max Justo Guedes

UM CLÁSSICO  - Entre os livros sobre a descoberta do Brasil - Disse Luís de Albuquerque

O historiador Luís de Albuquerque, no prefácio que escreveu, diz que se trata de  "um clássico,  sobre a viagem de Pedro Álvares Cabral, os seus antecedentes e, sobretudo, sobre a exploração que a sua armada fez de uma pequena parcela da extensa costa brasileira.

Max Guedes, oficial superior da Marinha de Guerra Brasileira prefigura um caso, em nossos tempos já infelizmente pouco vulgar, de atracção de marinheiro pela História da Marinha ou de temas que a ela intimamente se relacionam. O Descobrimento do Brasil, publicado quando era capitão de corveta, é o segundo passo de uma vida dedicada aos estudos históricos ( em 1963 publicara Derrotas dos Grandes Navegadores, sua obra de estreia), mas que deve ser considerada o ponto de partida definitivo para seguir uma vocação sem hiatos e de ano para ano enriquecida com perspectivas mais ambiciosas e mais diversificadas. Nos seus estudos, que se centrifugam em · redor do pó/o que é a Marinha, incluem: trabalhos de excepcional merecimento para a História Naval Brasileira ( em curso de publicação), obra monumental de que foi um dos mais entusiastas impulsionadores; textos sobre Cartografia portuguesa dos séculos XVI e XVII, como Brasil Costa Norte Cartografia Vestutissima ou Anónimo - António Sanches, e. 1633, ambos de 1970; análises dos antigos roteiros, como um Roteiro Apócrifo do Estreito de Magalhães - Tentativa de Identificação da autoria, de 1971 ou A Carreira da India - Evolução do seu Roteiro, de 1985; edição comentada de obras-primas da hidrografia da Costa do Brasil, como o Roteiro de todos os Sinais, de /968 ou, do mesmo ano, o Livro que dá Razão do Estado do Brasil; contribuição do maior interesse para a História do reconhecimento da costa do Brasil, como As Primeiras Expedições Portuguesas e o Reconhecimento da Costa Brasileira. editado em /970: e muitos e muitos outros escritos sobre diversos temas. incluindo wna valiosa contribuição para a História da Independência do Brasil (1972) e cotaboraçâo avulsa e dispersa por inúmeras publicações periódicas do Navigator à Revista das Índias e  dos Anais Hidrográficos à Revista da Universidade de Coimbra.

Todos os trabalhos que citámos, e grande cópia de outros que omitimos. fizeram de Max Justo Guedes um historiador internacionalmente apreciado e justamente tido como autoridade nos múltiplos assuntos a que dedicou a sua atenção. Por isso se inclui entre os editores-correspondentes da revista Imago Mundi e é. desde 1987 e de pleno direito. presidente da Comissão Internacional para a História da Náutica e da Hidrografia - além de pertencer a inúmeras instituições cientificas, em particular da Academia de Marinha Portuguesa, onde há muito entrou como sócio efectivo.  – Excerto

“Ícone da História Naval Brasileira e da História da Cartografia, almirante Max Justo Guedes continuou se dedicando aos estudos até ser vencido pelo câncer”

Foi neste termos que, a ele se referiu a Revista da História, por ocasião do seu falecimento, em  09/11/2011 “vítima de câncer o almirante Max Justo Guedes, especialista em História Naval Brasileira e História da Cartografia. Max, que era considerado um elo brasileiro com os estudos do historiador português Jaime Cortesão, ajudou a formar gerações de historiadores e inúmeras publicações sobre pesquisa cartográfica, tornando-o conhecido em todo o Brasil e no mundo. Com seu jeito sempre receptivo a estudantes e profissionais, nem a doença o afastou do mundo da historiografia: Justo Guedes era um dos organizadores de um seminário no Itamaraty sobre o centenário da morte do Barão do Rio Branco, que acontece no ano que vem.

A influência de Cortesão norteou toda a obra do almirante. Ambos compartilhavam a “teoria do sigilo”: para eles, a escassez de mapas em Portugal e Espanha, quando comparada à produção holandesa, por exemplo, se deve à tentativa de manter um rígido controle de informações estratégicas. Tais dificuldades, porém, instigaram Justo Guedes. Para compor o trajeto da esquadra de Pedro Álvares Cabral até o Brasil, o almirante realizou uma detalhada pesquisa de campo que contou até com navegações e voos de helicóptero. Assim, Justo Guedes questionou a intencionalidade do descobrimento do Brasil baseando-se em farta documentação e justificativas técnicas – trabalho que lhe rendeu notoriedade em todo o mundo-
O trabalho era, por sinal, sua grande paixão. Mesmo combalido pela doença, Justo Guedes não parou. Há cerca de dois meses, ele e o professor Arno Whelling começaram a elaborar, no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro – onde Max era 2º vice-presidente –, um seminário que será realizado no ano que vem no Itamaraty sobre o centenário da morte de Barão do Rio Branco, que também foi, por sinal, um dos seus objetos de estudo.
“O trabalho era sua vida. Mesmo com a doença, ele continuava se dedicando aos estudos da História. Foi uma figura muito importante que mudou os estudos da História Naval no Brasil”, lembra Arno. – Mais pormenores em Morre Justo Guedes - Revista de História 





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