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Entre outros assuntos, falo da escalada ao Pico Cão Grande e das minhas aventuras em canoas – Visam defender a teoria de que antigos povos africanos, podiam ter sido os primeiros povoadores das Ilhas do Golfo da Guiné, antes dos colonizadores – Parti à meia-noite, disfarçado de pescador, ligando a ilha do Príncipe. Para me orientar, uma rudimentar bússola – A canoa era minúscula, à segunda noite adormeci: rolei na escuridão das vagas. No regresso fui distinguido com sopapos da policia salazarista, enviado para os calabouços – Cinco anos depois, numa piroga maior, fiz a ligação São Tomé-Nigéria. Partindo igualmente à noite, 13 dias depois atingia uma praia de Calabar, tendo sido detido 17 dias por suspeita de espionagem. - No mesmo ano, já com São Tomé e Príncipe independente, tentei a travessia São Tomé ao Brasil, usando os mesmos recursos. Além de pretender reforçar a minha teoria, desejava evocar a rota da escravatura e repetir a experiência de Alain Bombard. Porém, quis a ironia do destino que vivesse a difícil provação de um naufrágio de 38 longos dias, tendo aportado numa praia de Bioko (Bococo)onde fui recambiado para a famosa prisão de Black Beach

segunda-feira, 7 de março de 2016

São Tomé - cidade colonial e cidade atual - Árvores do período colonial devastam passeios e os muros da marginal da Baía Ana de Chaves – A solução passa pelo seu abate e a escolha de espécies adequadas – No período colonial, a cidade de S. Tomé, por vezes era um capinzal

Estas árvores foram plantadas em 1973 - conforme documenta a imagem seguinte, registada em sentido contrário

Por Jorge Trabulo Marques - Jornalista

1973  - Frente aos Correios


Dizem certas vozes, que no período colonial, a cidade de São Tomé se encontrava mais limpa e embelezada – Não é bem assim: - Só no Mercado Municipal e área envolvente – O resto da cidade, não me parece que seja digno de exemplo – Isto para já não falar do desprezo em que eram votados os bairros  populares, onde o lixo de amontoava e não era removido – Se bem que ainda agora haja situações parecidas. Mas creio que, naquele tempo, era bem pior.


São Tomé 1973

Mesmo, em muitas ruas da cidade,  tal era o desleixo, que, muitos dos passeios, e ruas, se assemelhavam a um autêntico capinzal- Numa das minhas reportagens, que publiquei, em 1973,  e  que aqui reproduzo, dava justamente brado desse estampado desmazelo

Mas a questão, que agora aqui me traz, embora fazendo esse contraponto, tem mais a ver com as árvores, que foram plantadas, no período colonial, quer nas calçadas de algumas ruas, quer ao longo da marginal – Plantaram-se  árvores, tendo apenas em conta a sombra e não os seus efeitos devastadores nos passeios.

São Tomé2016

Na verdade, não basta plantar árvores nos passeios ou nas áleas de uma cidade, é preciso saber o que se planta: recomendam as boas normas dos especialistas, que “é fundamental ter muito cuidado na hora de escolher uma espécie para ser plantada no espaço. “Plantas de raízes superficiais e muito vigorosas são péssimas escolhas para o plantio em calçadas Galhos das árvores – plantar árvores de crescimento rápido não é uma boa opção, pois possuem galhos frágeis, que podem ser quebrados facilmente pelos ventos e chuvas, podendo ocasionar acidentes. Plantas tóxicas– algumas plantas são muito tóxicas, além de atraentes para as crianças. Tome cuidado ao utilizar plantas que são tóxicas, já que seus efeitos podem ser desde queimaduras leves, até a cegueira ou mesmo à morte. Evite plantas como a espirradeira. Que árvores plantar nas calçadas?


Sao Tomé -Março 2016

Tal como é reconhecido, “As árvores são fundamentais nas ruas e avenidas. Além de embelezar, elas tem um importante papel no equilíbrio térmico, refrescando onde quer que estejam. Também colaboram com a redução da poluição sonora e do ar, fornecem sombra, refúgio e alimento para as aves. Os benefícios não param por aí, poderíamos falar de fixação de carbono, produção de oxigênio, proteção contra ventos, etc. Mas a escolha da espécie correta é fundamental 35 Árvores ideais para calçadas - Jardineiro.net

São Tomé - Março 2016


S- Tomé 1973


Devido ao aumento do nível do mar e ao crescimento das raízes superficiais de certas espécies, que, no período colonial,  foram plantadas, como árvores de sombra e de embelezamento, ao longo dos passeios da marginal da Baía Ana de Chaves  -  que é digamos, a extensa varanda da cidade, sobre o azul esmeralda das águas tranquilas, que entram por ali adentro - , dir-se-ia que, por via desses dois fatores, certos troços, se não estão totalmente intransitáveis, dificultam  bastante a passagem dos peões.

Acrescer a esse inconveniente, tratando-se de árvores com raízes superficiais, além de estragarem as calçadas, podem arrancar-se mais facilmente e constituir um perigo para o cidadão ou para o património público ou privado – E foi justamente uma dessas imagens, que pudemos registar, devido ao vento e à chuva, que se abateu sobre a cidade, na noite de Sexta para Sábado.

“ESTA CIDADE DE UM VERDE EXAUSTIVO” – Título de um artigo de duas páginas publicado na revista “Semana Ilustrada”, de Luanda 


Quando a revista Semana Ilustrada, não trazia artigo, já sabia que a censura, mo havia cortado – Mesmo assim, com pouco mais de imaginação e jeito, de vez em quando, lá se iam dizendo umas coisitas, que podiam fazer alguma comichão – 


Fizeram-no, quer antes, quer depois do 25 de Abril –  Pouco antes desta revolução, por via de uma critica ao Diretor do Turismo, levei com um processo disciplinar no Emissor Regional de STP, onde trabalhava como operador, em regime de eventual, que me impediu a entrada para os quadros da EN – Depois do 25 Abril, tais foram as reações, que   acabei por ter de sair numa canoa para Nigéria, devido às perseguições violentas movidas por alguns colonos.

 Bom, mas não é disso que venho recordar, mas sobre o estado  em que se encontravam alguns passeios e ruas – Reportagem que, para não ferir demasiado susceptibilidades, começava mais ou menos em jeito poético  Escrita nestes termos,

São Tomé - 1973
"Esta S. Tomé de um verde exaustivo… Alguém teria começado assim o seu poema. Um poeta pode 'encontrar beleza até no capim que brota livre e espontaneamente no passeio da rua, da avenida, ou cresce desmesuradamente entre o viço das flores de um jardim ou nos canteiros de um simples parque. Tudo, enfim, para o poeta pode ser poesia.

Mas capim, a despontar aqui e ali, no passeio, na avenida de uma cidade, no quintal, a assomar dentro ou fora do muro que e, veda, ou à entrada da residência deste ou daquele cidadão, a tapetar este ou aquele jardim particular ou público,será de facto mesmo poesia? De certo que não é.

S. Tomé 1873

Ora, parece-nos, que a esmagadora maioria da população da ridente e laboriosa pequena S. Tomé, não é construída por poetas. Haverá, enfim, uns poucos, mas que é isso em comparação com a grande ‘maioria não poética· Com aquela para quem o capim é mesmo capim. Nem são rosas, nem são flores, é mato. Coisa que não dá bom aspecto, Nem sabe o ponto de vista de higiene, nem de embelezamento. Embelezamento sobretudo numa cidade que se pretende seja bonita, arranjadinha, limpinha, cheia de belos e lindos jardins, onde se respire o ar fresco da relva, da relva que não existe, ou se existe raramente se percebe. 



O capim cobre-a. Amarelece-a. Sufoca-a. E principalmente quando não  é regada cuidadosamente. Ou quando é cortada à-pai-adão, à  machinada, como vulgarmente sucede, pois não há máquina sequer para cortar relva. É com  lâmina de machim. Que corta mal. Porque corta tudo. Aos altos e baixos. Por cima e pela raiz. Depois tudo fica feio, logo de entrada. Os jardins que existem, excepção de um ou outro, mas que também nem sempre estão arranjados, são verdadeiro matagal, onde as plantas ornamentais se confundem    com o capim. Onde tudo, digamos, é capim. E capim  é mato.


Mas isto que se passa nas praças, avenidas, nos jardins ou parques, nos lugares públicos acontece igualmente à volta de alegres e características  moradias que se vêm alinhadas ao longo de certas ruas ou avenidas, nas quais o desmazelo é também evidente. Que começa logo pela pintura dessas mesmas moradias cuja cor há muito perdeu a verdadeira tonalidade e se confunde com o espesso manto  verde que as envolve.


S. Tomé - Março 2016
Não compreendemos pois tal situação,' Quer-nos parecer mesmo que nunca vimos esta nossa cidade tão mal cuidada no que respeita ao aspecto exterior de certas casas e ao mau estado em que se apresentam alguns jardins. Claro que todos nós vemos diariamente as brigadas de pessoal da Câmara de volta e meia com o machim em riste. Agachados aqui ou acolá . ,A limpar este ou aquele local. A cuidar deste ou daquele jardim que passado, pouco tempo, volta a estar na mesma, a precisar de igual operação. Porque aqui o clima é de facto pródigo. O solo normalmente é fértil e as chuvas abundam

.Mas, perguntámos· não haverá forma, não haverá uma solução de seguir um meio termo. entre o trabalho do homem e as forças da natureza? Uma maneira de evitar extremos? De conseguir jardins não muito bonitos e muito bem cuidados mas pelo menos com aspecto de jardim onde o capim não seja o elemento predominante?
É desolador. E então os porquês?

Ah, desses nem é bom falar. Desde as  árvores mal cuidadas a crescerem e alargarem à mercê da própria natureza, por vezes com os ramos quase a tocarem no chão. Já não falando das que se abatem. · Mas isso é outra história. Às vezes, embora não  pareça, há mesmo necessidade de se cortarem…

Argumenta-se normalmente que a Câmara Municipal não tem verba que chegue para recrutar o pessoal de que necessitaria para todo o seu serviço. Isso é um facto. Sabemos que as disponibilidades financeiras da Edilidade são modestas para fazer face às suas necessidades e aspirações. Aos trabalhos, às obras e projectos que o seu responsável gostaria de concretizar.

No entanto, no tocante a pessoal, afigura-se-nos que o mal é outro. Um mal que não só afecta a própria Vem de há muito e predominarem muitos outros lados. Saco vazio, dizem, não se aguenta em pé. Lá isso é verdade. Mas isso é um aspecto…



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