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Entre outros assuntos, falo da escalada ao Pico Cão Grande e das minhas aventuras em canoas – Visam defender a teoria de que antigos povos africanos, podiam ter sido os primeiros povoadores das Ilhas do Golfo da Guiné, antes dos colonizadores – Parti à meia-noite, disfarçado de pescador, ligando a ilha do Príncipe. Para me orientar, uma rudimentar bússola – A canoa era minúscula, à segunda noite adormeci: rolei na escuridão das vagas. No regresso fui distinguido com sopapos da policia salazarista, enviado para os calabouços – Cinco anos depois, numa piroga maior, fiz a ligação São Tomé-Nigéria. Partindo igualmente à noite, 13 dias depois atingia uma praia de Calabar, tendo sido detido 17 dias por suspeita de espionagem. - No mesmo ano, já com São Tomé e Príncipe independente, tentei a travessia São Tomé ao Brasil, usando os mesmos recursos. Além de pretender reforçar a minha teoria, desejava evocar a rota da escravatura e repetir a experiência de Alain Bombard. Porém, quis a ironia do destino que vivesse a difícil provação de um naufrágio de 38 longos dias, tendo aportado numa praia de Bioko (Bococo)onde fui recambiado para a famosa prisão de Black Beach

terça-feira, 12 de abril de 2016

S. Tomé e Príncipe – Vitória diplomática Mundial! As relações com a Taiwan e a China Comunista - Milagre diplomático: - Um pequeno país lograra o que nunca fora alcançado por nenhuma grande potência: reunir, no seu território, as representações diplomáticas de dois países, que se conflituam desde 1949 – Miguel Trovada, em 1977, com Taipé, e, Manuel Pinto da Costa, com Pequim. em 2014

Por  Jorge Trabulo Marques - Jornalista, repórter fotográfico e investigador -

 Dois dias antes de visita do Presidente, Manuel Pinto da Costa à China, já, em Lisboa, se davam vivas aos dois países, na Casa Internacional de S. Tomé e Príncipe, em Lisboa  -  Com a presença de duas importantes personalidades destes mesmos países asiáticos: da China e Taiwan 

Foto - gentileza do coronel Conde Falcão


Afinal, mesmo que os políticos, não se entendam  e criem  fronteiras, onde elas até nem deviam existir,  como é o caso da China e Taiwan,  povos irmanados pelos mesmos laços ancestrais, mas que, interesses externos, haviam separado da forma mais violenta e belicista,   há, no entanto, uma outra realidade, a dos afetos e a da identidade cultural, que leva o seu tempo, tanto a criar como apagar, e, pelos vistos, a China e Taiwan, têm mais pontos em comum de que as separá-los.



E foi justamente o que ficou demonstrado, há dois anos, no dia 10 de Junho, Dia de Portugal, na festa que decorreu, em Lisboa, na  Casa Internacional de S. Tomé e Príncipe, onde muitas pessoas da comunidade santomense, alguns portugueses, e, curiosamente, a que se juntaram duas importantes personalidades de Taiwan e da China: o Vice-presidente, desta instituição santomense, que é chinês e o Representante dos Negócios de Taiwan, em Portugal – A única entidade, através do  Centro Económico e Cultural de Taipe que faz ponte entre os negócios dos dois países, uma vez que, em 1975, no então período revolucionário, foram rompidas as relações diplomáticas com Taiwan, por imposição da China Comunista para aceitar  negociar a transição de Macau, na altura em que avançava o processo da descolonização com as outras colónias.

E, note-se a singular coincidência, daquela festazinha: - isto a dois dias antes do Presidente, Manuel Pinto da Costa, se deslocar em visita privada a China, diligência essa encarada, na altura, com alguma apreensão pelos governantes de Taiwan, que receavam, que, um tal encontro, ao mais alto nível, pudesse vir a comprometer as relações diplomáticas, que mantinham, desde há 17 anos.

Mas, afinal, até se deu um surpreendente facto histórico: o de um pequeno país, ter conseguido, o que, até então,  e até hoje, nenhum outro país,  conseguira: - O estabelecimento de relações diplomáticas com Taiwan e a China –  Sem dúvida, uma  grande lição diplomática ao Mundo – De um pequeno país que logrou o milagre de juntar no seu território dois inimigos históricos, em perfeita convivência, recebendo substanciais ajudas e apoios económicos de ambos –   Uma Embaixada de Taiwan e um Escritório de ligação Comercial da China Popular.  -Miguel Trovoada, em 1999,  abria as portas à  diplomacia taiwonesa  e Manuel  Pinto da Costa, em 2014, à chinesa  

NESTE VÍDEO - Casa Internacional de S. Tomé e Príncipe – A Embaixada Cultural ao serviço da Nação Santomense – A dois dias da maior vitória diplomática mundial das Ilhas Verdes, em 10 de Junho 2014, já se davam vivas à China e a Taiwan


JANTAR DIPLOMÁTICO – COM UM UM CIDADÃO CHINÊS E OUTRO DE TAIWAN 

Depois do registo da reportagem, em vídeo (que aqui recordo) de tão  alegre e simbólica festazinha, alusiva ao Dia de Portugal, naquela instituição santomense, “numa casa situada  no 3º Esquerdo do número 40 da Rua de Assunção em Lisboa, a dois passos de Rossio no itinerário para a Praça de Comércio, com espaços para diversas valências, os intelectuais, estudantes, homens de negócios, de arte e todo o público que queira conhecer, provar e navegar São Tomé e Príncipe desde Lisboa, sim, longe de imaginar, que, outro evento, iria seguir- se bem que este de carácter mais pessoal e privado.

 Nessa mesma noite, o meu amigo Wang, a residir em Portugal, há vários anos, muito antes do comércio chinês, se expandir no nosso país, cujas gentes, cultura e paisagens muito admira, o mesmo sucedendo à sua paixão com as maravilhosas Ilhas Verdes do Equador,  nas quais, na sua análise empresarial e cultural, acredita se reunirem excelentes condições para investidores, pois, na sequência daquela festa, teve a gentileza de me convidar  para um encontro de cortesia, ali para os lados da Rua da Palma. Aceitei o convite, com muito prazer, e lá fomos os três para saborear as delicias da cozinha chinesa..

É claro, que, há sobremesa, além de várias iguarias, havia também como tema de convívio, a visita,  que se antevia fazer, dois dias depois, em 12 de Junho,  do Presidente Manuel Pinto da Costa, à China – 

Enquanto, para Wang,  a visita era saudada, como uma excelente iniciativa, já o seu amigo, de Taiwan,  estava mais apreensivo, admitindo a possibilidade de  S. Tomé e Príncipe, poder vir a romper com as relações diplomáticas, entre os dois países, e, como eu  havia dito, que pensava ir a S. Tomé, ainda nesse ano,, terra que tanto amo e  que já não via, desde há 39 anos, ele pedia-me para, no caso de me encontrar com o Sr. Presidente Pinto da Costa, lhe pedisse para não cortar as relações com o seu país.

“Mas, como assim?!... Quem sou eu sou?!... Para lhe fazer esse pedido?!. “ – Respondia-lhe. 

Bom, mas ele lá fizera os seus juízos e sabia da minha popularidade, nestas ilhas, quer do meu passado de aventureiro nos mares e nas escaladas, como  também jornalístico, aliás, muito por culpa de Danilo Salvaterra, o Presidente e dinamizador da  Casa Internacional de S. Tomé  (um diplomtaa, em Lisboa) que, naquela noite, mesmo em breves palavras, me havia levado aos píncaros, e, por conseguinte, no sentendimento daquele alto dirigente diplomático, via em mim, (aliás, faz parte da natureza oriental, que a simpatia é a melhor forma de fazer diplomacia) um elo simpático para  que pudesse vir a exercer, junto do Presidente Manuel Pinto da Costa,  algum tipo de influência para que as relações, com o seu pais, não fossem rompidas.




Por parte do seu amigo chinês, o pedido era diferente: ele já tinha a certeza de que, o seu país, ia conhecer uma nova fase, com a República Democrática de São Tomé e Príncipe, portanto, certo dessa ideia, o que pretendia é que eu lhe transmitisse outra coisa – Mas disso, não vou aqui a falar – Se bem que o tivesse confidenciado, ao Presidente Pinto da Costa, quando lhe relatei este insólito episódio, na altura em que me deu a honra de me receber na sua residência oficial na Trindade, aquando da minha estadia, em S. Tomé, de 20 de Outubro a 10 de Novembro de 2014 - Audiência esta  que aconteceu por mero caso - Ou seja, por sugestão do Coronel, Victor Monteiro, Diretor  do Gabinete do PR, quando me reconheceu na cidade




ENTÃO, SR PRESIDENTE:  COMO FOI POSSIVEL ESSE MILAGRE?” REUNIR AS EMBAIXADAS NA MESMA CIDADE? A DA  CHINA E A DE TAIWAN?!...

Esta uma das várias perguntas, que fiz ao Chefe de Estado Santomense, durante a honrosa audiência que me concedeu, de duas horas, sentados no belíssimo jardim, da sua residência oficial – Sua resposta, não se fez esperar: Olhe… Esta  foi a pergunta, que já me fizeram, num pais africano, que visitei (agora, já não me ocorre, em que país e a quem se referia), eu respondi-lhe, que não foi difícil” – E manifestava-me a sua grande satisfação por o seu país  ter conseguido um feito diplomático, que nunca havia sido alcançado por outros países, com outra dimensão territorial e económica. 


 Na verdade, quanto parti para S. Tomé, 39 anos depois, no dia 10 de Outubro, unicamente o fazia como romagem de saudade: ia mesmo com o propósito de  fazer uma visita, de carácter  intimista,  da forma o mais pacata e despercebida possível, aproveitando a boleia do jipe alugado pelo empresário, Manuel Goncalves, um transmontano, meu bom amigo, desde há vários anos, que tem uma loja de material fotográfico, onde, de vez  em quando vou comprar ou renovar algum equipamento  e com o qual havia combinado viajar para esta maravilhosa Ilha, que ele já conhecia, em passeios anteriores. 

E, na realidade, nos primeiros dias, ao fazermos mais percursos de viatura de que a pé,  praticamente  passei quase despercebido, embora, nem sempre, uma vez. que, de volta e meia, quando me apeava, lá vinha um abraço inesperado e amigo, de quem – mesmo passados, tantos anos – não se esquecera  dos meus traços fisionómicos e das minhas aventuras – desde as jornalísticas às  viagens em canoas e também à histórica escalada do Cão Grande

  
STP chamado para o conflito entre Taiwan e China por causa da Gâmbia - Notícia recente

Refere, o Téla Nón, que.”Em Taipei capital de Taiwan, São Tomé e Príncipe foi apontado por alguns círculos políticos e pela imprensa asiática como sendo o próximo país africano que vai cortar relações com Taiwan para regressar ao convívio com a República Popular da China.

Pessoalmente, não creio que, São Tomé e Príncipe, venha a cometer esse disparate que é o de, após  ter realizado a maior vitória da diplomacia mundial, logrando juntar as diplomacias dos dois países, no seu pequeno território,  tirando partido de ambos, venha a desfazer-se desse privilégio: que é o de  relacionar-se, ao mais alto nível,  entre dois colossos da economia oriental,  que, desde 1949, e  após uma guerra civil fratricida. e ainda periodicamente,  saltam para a ribalta mundial, por força das suas tensões conflituosas e belicistas, em que, ambos os lados, embora tendo sido integrantes  de um antigo império – nenhuma das partes reconhece a legitimidade da outra

POEIRADA PARA AS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS

Numa altura, em que se aproximam as eleições presidenciais, é natural que se atirem estes fantasmas, ou de um lado ou do outro, conforme as conveniências ou pontos de vista. Porém, na minha modesta opinião, o atual Presidente da República Santomense, sendo ele, sem sombra de dúvida, uma das figuras mais respeitáveis, digamos, a consciência da Nação, entre os lideres históricos fundadores da pátria santomense, não estou a vê-lo a criar problemas ao seu país ou a nível da sua Governação.

É certo que, aquando do início das relações, com Taipé,  tanto,  Manuel Pinto da Costa,  como outros destacados dirigentes do MLSTP – PSD,  não viram com bons olhos,  a decisão de largar as relações com a República Popular da China, que se mantinham, praticamente desde a independência.
Pois, tal como é recordado por analistas, “O reconhecimento de Taiwan gerou uma crise política em São Tomé e Príncipe: a decisão do então Presidente da República Miguel Trovoada não foi apoiada pelo então primeiro-ministro Raúl Bragança e pela maioria da Assembleia Nacional. Só em 1999 São Tomé enviou um embaixador para Taiwan mas, apesar do começo atribulado, as relações santomense-formosinas mantiveram-se estáveis ao longo dos anos seguintes, como testemunham as várias visitas estatais de santomenses a Taiwan e os vários projectos taiwaneses de ajuda técnica nos âmbitos da agricultura, pecuária e tecnologias da informação, medicina, construção, energia e de atribuição de bolsas para formação técnica e académica" - 2013 - Sucessos e incertezas: o papel da ajuda médica nas

Foto - Gentileza do Coronel Conde Falcão
Na verdade, São Tomé e Príncipe, é  um dos quatro países africanos ( além de Burkina Faso, Gâmbia e Suazilândia), o único pais de expressão portuguesa que, desde 1977 e até hoje,  reconheceu diplomaticamente a República da China (Taiwan), procedimento este que, de algum modo, aos observadores da politica internacional,  parece continuar a  ser  um paradoxo, contra a crescente influência, exercida, não apenas em  relação a outros países de África, como na Europa, América, em todo o mundo

Diz, ainda o Téla Non, na mesma notícia, que, Chen Junxian, alto responsável do departamento do ministério das relações exteriores de Taiwan que se ocupa das questões africanas (..) disse para a imprensa que, o Presidente de São Tomé e Príncipe pode ter saudades da República Popular da China, mas «o Primeiro-ministro tem fortes relações com Taiwan e tem mais poderes do que o Presidente da República em matéria de Política Externa».

Referindo que “ a imprensa asiática e alguns sectores políticos de Taiwan trouxeram o nome de São Tomé e Príncipe para a contenda entre China e Taiwan por causa da Gâmbia, com o argumento de que em Junho do ano 2014, o Presidente de São Tomé e Príncipe, Manuel Pinto da Costa visitou a China Popular STP chamado para o conflito entre Taiwan e China 

MESMO SENDO UMA VISITA A  TÍTULO PRIVADO, FEZ HISTÓRIA E FOI O INICIO DE UM NOVO CICLO               - Presidente de S. Tomé e Príncipe em visita privada à China



De recordar que, segundo então noticiava a Lusa, foi  em 12 de Junho, que “o Presidente de S. Tomé e Príncipe, Manuel Pinto da Costa, líder de um dos raros países africanos que mantém relações diplomáticas com Taiwan, encontra-se na China em visita privada, indicou fonte oficial chinesa na quarta-feira.

É a primeira visita de um presidente de S. Tomé e Príncipe à República Popular da China em quase vinte anos, mas a porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Hua Chunying, evitou valorizar politicamente a viagem, afirmando que Pinto da Costa veio participar "numa atividade comercial e empresarial”.

Já em outubro passado, uma delegação são-tomense chefiada pela ministra dos Negócios Estrangeiros, Natália Umbelina, também se deslocou à China, ilustrando a crescente aproximação entre os dois países. Presidente de S. Tomé e Príncipe em visita privada à China

E, então, não trouxe vantagens para o seu país?... Não foi uma iniciativa, com resultados positivos? Quem o pode negar?.. O importante é que, os Governantes, saibam gerir as relações e não permitam, que, a troco de uma morcela, se leve um salpicão.

JUSTIFICADA  PERGUNTA: PARA ONDE VAI O DESTINO DAS ILHAS VERDES DO EQUADOR – QUANDO AS SUAS FIGURAS HISTÓRIAS, DEIXAREM A LIDERANÇA?


 A génese que deu alma ao movimento libertador de S. Tomé e Príncipe é já uma imagem algo difusa do que foi – Também ela foi subvertida pelos homens do FMI e de um neocolonialismo que já foi branco mas que agora é multicolor  – talvez bastante mais perigoso, porque, tal como o camaleão, logra disfarçar-se em todas situações e ambientes, enquanto o branco, quando era só branco, dava mais nas vistas  - E havia uma cortina de ferro que impedia a sua proliferação pelo mundo inteiro.

Agora, o planeta está irremediavelmente nas garras dos  insaciáveis abutres do liberalismo selvagem e não há ébola que os atinja. Se bem que a peste, que também já lhe ronda a porta, mais cedo que mais tarde, acabe por lhe fazer algum mossa.

Seja como for, os tempos que aí vêm são de assombro e trazem o aviso de urgentes mudanças.  S. Tomé fica no meio do Mundo, oxalá escape dos escombros, mas o problema é que  quando uma maçã está podre, abre-se ao meio e não é pelos extremos. Mas deixando de fora esses pessimismos, vamos pelo menos imaginar que, ao longo da jornada humana, se umas civilizações acabam, outras ressurgem das cinzas: “ Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, / Muda-se o ser, muda-se a confiança/ Todo o mundo é composto de mudança, /Tomando sempre novas qualidades. /Continuamente vemos novidades,/ Diferentes em tudo da esperança; / Do mal ficam as mágoas na lembrança, /E do bem, se algum houve, as saudades” - Camões

MLSTP -  – NEGA INTENÇÃO DE RELANÇAR RELAÇÕES COM A CHINA


05-03-2015-O MLSTP-PSD, partido no poder em São Tomé e Príncipe, negou hoje acusações da oposição, segundo as quais estaria a preparar o relançamento de relações diplomáticas com China, em detrimento de Taiwan.

Em declarações aos jornalistas, o presidente do Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe - Partido Social Democrata (MLSTP- PSD), Guilherme Posser da Costa, considerou "politiquices" as acusações feita sexta-feira por dois partidos parlamentares, nomeadamente, o MDFM-PL e a coligação Uê-Kedadji. . MLSTP nega intenção de relançar relações com a China





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