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Entre outros assuntos, falo da escalada ao Pico Cão Grande e das minhas aventuras em canoas – Visam defender a teoria de que antigos povos africanos, podiam ter sido os primeiros povoadores das Ilhas do Golfo da Guiné, antes dos colonizadores – Parti à meia-noite, disfarçado de pescador, ligando a ilha do Príncipe. Para me orientar, uma rudimentar bússola – A canoa era minúscula, à segunda noite adormeci: rolei na escuridão das vagas. No regresso fui distinguido com sopapos da policia salazarista, enviado para os calabouços – Cinco anos depois, numa piroga maior, fiz a ligação São Tomé-Nigéria. Partindo igualmente à noite, 13 dias depois atingia uma praia de Calabar, tendo sido detido 17 dias por suspeita de espionagem. - No mesmo ano, já com São Tomé e Príncipe independente, tentei a travessia São Tomé ao Brasil, usando os mesmos recursos. Além de pretender reforçar a minha teoria, desejava evocar a rota da escravatura e repetir a experiência de Alain Bombard. Porém, quis a ironia do destino que vivesse a difícil provação de um naufrágio de 38 longos dias, tendo aportado numa praia de Bioko (Bococo)onde fui recambiado para a famosa prisão de Black Beach

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Eleições Presidenciais 2016 – S. Tomé e Príncipe – Estanislau Afonso e Gilberto Gil Umblina – Em corrida quase solitária na Campanha eleitoral - Vão dar colorido e afirmar ou é só para fazer número e mostrar?

Hoje vou aqui abordar as candidaturas de dois candidatos, que desejam apresentar-se ao eleitorado São-Tomense, como figuras independentes, 

 Aparentemente,  mais solitários de que acompanhados, sem grandes hipóteses à partida  mas, por certo, confiantes nos seus desejos, nas suas capacidades  e nos seus sonhos:  

Estanislau Afonso, de todos o mais novo, é o  autor do livro Batota do Juiz e membro da Amnistia Internacional em Portugal – Não se conhece currículo de monta mas este tinha de começar por algum lado: e, pelos vistos, é deste modo que, assumindo-se como candidato às eleições Presidenciais de S. Tomé e Príncipe – 2016, Estanislau Afonso.  quer mostrar o que vale.

Mais à frente, reproduzirei o vídeo  e os pormenores da entrevista, editada neste site,  que me concedeu, em Portugal,  na Casa Internacional de S. Tomé , no final de um evento, que ali decorreu, em Abril de 2015 .  

O outro candidato  é o Gilberto Gil Umblina, é músico, com um passado de grandes êxitos musicais,  tendo mesmo, em certa altura, sido considerado o Embaixador da Música São-Tomense, em Portugal e na Europa.

GILBERTO GIL UMBLINA - DE EMBAIXADOR MUSICAL A CANDIDATO PRESIDENCIAL


Começo por referir-me, mais detalhadamente,  a Gilberto Gil Umbelina, que conheço, pessoalmente, há muitos anos; com o qual, por várias vezes,  convivi em Portugal e em S. Tomé  - E, em 2014, além de uns encontros com seus amigos,  quando  aqui voltava, após 39 anos de ausência, tendo-me, mesmo, dado o prazer de almoçarmos juntos, num dos restaurantes, mais típicos da gastronomia da Ilha do Príncipe, a Tasca da Vicência, que existe na cidade de S. Tomé, perto da Igreja da Conceição, ao subir-se a caminho do Reboque, do dado esquerdo,  paredes meias com outro da comida nigerense – Quem quiser saborear uma excelente muqueca, com todos os ingredientes à maneira da Ilha dos Papagaios, tem ali  cozinha e cozinheiras, entendidas, simpáticas e esmeradas a preceito.

Gilberto Gil Umbelina, que abandonou a música para abraçar  ideais políticos, é o fundador do Partido Socialista de São Tomé e Príncipe,  que promete “uma magistratura de influência e diálogo, que não dará tréguas ao combate e à corrupção” . ´A consolidação da democracia política e económica, é uma das prioridades do candidato presidencial, que também defende a «cooperação e a independência do país em relação ao exterior, para que todos os são-tomenses sem exclusão de ninguém usufruam dos nossos recursos naturais, em especial os mais desfavorecidos. Para que as receitas do petróleo, os recursos piscícolas, turísticos e agrícolas, beneficiem também o povo. Todo o povo», Estas foram as palavras da sua pré-candidatura, em 2011 , referidas pelo Téla -Nón  - E,pelos vistos, vão repetir-se agora, em 2016.

Natural da Ilha do Príncipe, 66 anos de idade, tendo residido, vários anos,  em Portugal, onde se assumiu como um grande embaixador da Música São-Tomense – Tive o prazer de me encontrar com ele, por várias vezes, uma das quais com o saudoso músico Bana, num bar de música  de  Cabo Verde, que se situava, para os lados do Aqueduto das Águas Livres – Ambos, cada um com o seu reportório, eram realmente as grandes vedetas  da música de raiz africana, dos seus países.

O percurso do Bana, internacionalmente mais conhecido, porém, o do Gil Humberto Umblina, de vez em quando, também brilhava como o grande intérprete da música do seu país, tanto  em espetáculos televisivos ou em recintos, em Portugal, como   mesmo em França e noutros países.

 Ele era, realmente, muito popular e admirado – No seu jeito simples, descontraído, humilde e sorridente, despretensioso – Na sua habitual expressão,  tal qual   como era e ainda hoje é: nele  não havia a pretensão artificial do vedetismo - Enquanto a vida lhe sorriu, casaco e camisa sem gravata, e, por vezes, para assumir a sua individualidade tropical, pela cabeça o inevitável chapéu de palha – Pelo menos, nos concertos, era esse o seu estilo à São-Tomense, para dar corpo, alma e voz, aos cantares crioulos das encantadoras Ilhas Verdes do Equador.

No entanto, pelo que depreendi, não obstante os êxitos alcançados da sua popular carreira artística, ele nunca foi um homem que lograsse amealhar fortuna – E até teve  o grande azar de ter sido roubado do recheio completo de sua casa, ao confiar as chaves a uma pessoa amiga, numa das suas digressões artísticas por França – “Roubaram-me tudo!” Os móveis e até a sua roupa de cama. Confessou-me, muito desapontado, quando nos encontrámos, uma ocasião,  junto ao Mercado de Arroios, possivelmente depois de ter ido fazer alguma visita à família Espírito Santo, que morava, ali perto,  na Ator Vale.
Estou em crer que, tal azar na sua vida, além de o ter fragilizado economicamente, deixando-o numa situação difícil, o terá também angustiado e dececionado profundamente

Pois, em boa verdade,  de que servirá uma pessoa ter um teto  para se alojar, quando, ao entrar em casa, só  lá vá encontrar as  paredes vazias? – Sim, porque não é de um dia para o outro que se consegue arranjar dinheiro para mobilar uma casa. Especialmente por parte de quem nunca dependeu de ordenados mas do que ia recebendo da venda dos seus discos ou dos espetáculos em que participava - Ainda se fossem cachets milionários, mas, a esse patamar, Gilberto Gil Umbelina, nunca chegou  – E, como é sabido, na vida há um tempo para tudo: e o músico são-tomense, achou que  era chegado o tempo de voltar à sua amada Pátria. E  foi o que fez: por certo, de bolsos vazios,  pequena mala pela mão, tal como trinta anos atrás, havia partido-
 Mas, provavelmente, nem esmorecido nem derrotado, acalentando o sonho de, através da acção ideológica, poder ser útil à sua pátria. Pelo menos, já fundou, um Partido - Actualmente, sem representatividade eleitoral, no entanto, nem assim se dá por vencido e vai tentar, uma vez mais, convencer o eleitorado das suas razões ou pelo menos possa contribuir para um mais profícuo debate, entre os candidatos

“Dr. Estanislau Afonso – Candidato a Presidente da República de São Tomé e Príncipe – Combater o roubo e explorar o petróleo” - 

Este é o teor do cartaz do candidato mais novo às próximas eleições presidenciais de 17 de Julho de 2016  -

Creio que não será  o “Dr” anteceder o nome que poderá convencer o eleitorado, porém,  numa ilha equatorial, onde o fato e a gravata, não é  dispensado por políticos e empresários,  quando querem mostrar a sua diferença, sabe-se lá se não terá o seu peso - Costumes, fazem lei.


Combater a corrupção, onde ela existe, não é novidade – Mas poderá ser ousadia quando se passa das palavras aos atos – Este tem sido o discurso habitual de muitos políticos, e até daqueles que foram indiciados de estarem envolvidas em escandalosas redes desse género, mas o mau é que essa erva daninha, por mais palavras que a afrontem, encontra sempre terreno livre  para prosperar. 

POSTAGEM NA ÍNTEGRA PUBLICADA NESTE SITE EM ABRIL DE 2015 - BASEADA NUMA ENTREVISTA QUE ME CONCEDEU ACERCA DO SEU LIVRO BATOTA DO JUIZ

Afinal, que mais não fosse, a publicação da obra, sempre lhe deu alguma visibilidade - De outro modo - ninguém teria ouvido falar de  Estanislau Afonso - Senão ganhar, ainda vai ficar mais conhecido - Mas vamos ao texto, tal como o editei: 

 


Trata-se de um livro, profusamente documentado, que  a crítica já classificou como uma pedrada no charco - Visa denunciar e combater a corrupção no Tribunal de São Tomé e Príncipe,  que o seu autor classifica de “ instituição de brincadeira” Afirmando que o mesmo tribunal tem  demonstrado um mau trabalho à população, uma onda de impunidade, afirmações que justifica com o seu caso pessoal -   Ilustrado com vários documentos processuais.

Acusações do economista Estanislau Afonso, que resolveu denunciar em livro  o que  considera “de crime organizado” no sistema de justiça no seu país, com provas documentais de um processo em que foi queixoso – Referindo na capa da obra: “uma coisa é condenar um inocente devido a um erro judicial. E, outra coisa é condenar um inocente, sabendo que a pessoa é inocente. Agir de má fé para conseguir fins lucrativos. 

Negócios do Petróleo em S. Tomé “são acordos de brincadeira” diz o autor do livro Batota de Juiz” 




Na breve entrevista que nos concedeu, na Casa Internacional de S. Tomé e Príncipe, em Lisboa, no final de um evento, que ali teve lugar,  Estanislau Afonso,  além de se referir aos objetivos do seu livro, falou-nos também do que ele chama (em matéria de negócios do petróleo) “ de  cordos de brincadeira" – Pelos  vistos, uma “brincadeira” que não é feita por miúdos mas por graúdos e que se estende por vários domínios da administração do seu país.  - "Brincadeira" ou "pára com essa brincadeira"  é um termo abrangente e muito usado pelos santomenses - que são por natureza pacíficos  - para dispensar um palavrão. 

Confessa que o dinheiro do petróleo não tem sido aplicado de forma credível, que possa protagonizar sucesso  económico – E que há petróleo, tanto  no mar como  em terra – Frisando que se se fizeram brincadeiras de acordos, que não tiveram a uma boa aplicação do dinheiro do petróleo, que têm vindo a pagar despesas desnecessárias

Estanislau Afonso, que nasceu em S. Tomé, vive atualmente em Portugal, tendo aqui publicado, por sua conta e risco,  em Agosto do ano passado, no Instituto Português de Juventude, a história da injustiça real do seu caso, que aconteceu no Tribunal de S. Tomé, assumindo-se como "único responsável pela mensagem transmitida nesta obra”-

E, pelo que foi noticiado, os relatos, de que é autor,  não agradaram nem a juízes nem  às mais altas instâncias judiciais, que, por esse facto,  já lhe instauram um processo judicial, através do Procurador-Geral da República Frederique Samba, que decidiu processar criminalmente o autor do livro “Batota do Juiz, com duas  queixas, uma em São Tomé e outra em Portugal – Porém, avaliar pelas suas declarações, quem não deve não teme, pelo que se  confessa- tranquilo, visto a sua denúncia se basear em factos comprovados.

BIOGRAFIA - De seu nome completo Estanislau Dias Santiago Afonso. Nasceu na Ilha de S. Tomé. Economista de formação. Iniciou a sua atividade literária aos 15 anos de idade pelas UNEAS- União Nacional de Escritores e Artistas  São-Tomenses  sob a orientação de Alda da Graça Espírito Santo, altura em que foi criado ULA/CLUBE UNESCO (União Literária Artística Juvenil), organização da qual foi um dos seus membros fundadores. É autor de dezenas de artigos de opinião  nos jornais de S. Tomé e Príncipe. A “Batota do juiz” é a sua primeira obra  de memória a ser publicada

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