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Entre outros assuntos, falo da escalada ao Pico Cão Grande e das minhas aventuras em canoas – Visam defender a teoria de que antigos povos africanos, podiam ter sido os primeiros povoadores das Ilhas do Golfo da Guiné, antes dos colonizadores – Parti à meia-noite, disfarçado de pescador, ligando a ilha do Príncipe. Para me orientar, uma rudimentar bússola – A canoa era minúscula, à segunda noite adormeci: rolei na escuridão das vagas. No regresso fui distinguido com sopapos da policia salazarista, enviado para os calabouços – Cinco anos depois, numa piroga maior, fiz a ligação São Tomé-Nigéria. Partindo igualmente à noite, 13 dias depois atingia uma praia de Calabar, tendo sido detido 17 dias por suspeita de espionagem. - No mesmo ano, já com São Tomé e Príncipe independente, tentei a travessia São Tomé ao Brasil, usando os mesmos recursos. Além de pretender reforçar a minha teoria, desejava evocar a rota da escravatura e repetir a experiência de Alain Bombard. Porém, quis a ironia do destino que vivesse a difícil provação de um naufrágio de 38 longos dias, tendo aportado numa praia de Bioko (Bococo)onde fui recambiado para a famosa prisão de Black Beach

sábado, 7 de maio de 2016

Em S. Tomé – Greve à vista no Grupo Pestana - Ordenado mínimo sobe para 65 euros mensais!!! –Milagre de sobrevivência num pais onde os produtos importados são mais caros que na Europa - E viajar para as ilhas Verdes é mais caro que viajar de Portugal para Cuba, Brasil ou prá China – Independência ainda não extinguiu mentalidade neocolonial

(Atualização da noticia - Greve evitada - pormenores ao fundo deste post)
Por Jorge Trabulo Marques - Jornalista
Grupo Pestana, que  é o maior operador turístico na ilha de São Tomé e também uma das maiores empresas empregadoras, poderá vir a ser afetado nos seus serviços a partir da próxima segunda-feira – Tudo isto  porque os trabalhadores não se conformam como o aumento dos 4% - Reclamam um aumento do salário para todos os trabalhadores na empresa na ordem de 16,4%, argumentando  que é esta a percentagem prevista no decreto do Governo são-tomense a nível de empresas privadas de grande dimensão,

Refere o jornal on line. Téla Nón, que “Os mais de 300 trabalhadores do Hotel Pestana em São Tomé, decidiram avançar com um movimento de greve por tempo indeterminado, a partir da próxima segunda – feira. (…)A Administração do grupo Pestana, decidiu elevar o salário de base de 900 mil dobras para 1 milhão e 600 mil dobras, cerca de 65 euros, conforme a decisão governamental de fixação do salário mínimo – Mas, pelos vistos, sem ter em conta os tais 16,4%, de aumento decretado pelo Governo, com a sua dimensão http://www.telanon.info/sociedade/2016/05/04/21746/greve-por-tempo-indeterminado-no-hotel-pestana-a-partir-de-segunda-feira/

PARADOXO DO CAPITAL - "Grupo Pestana investe um milhão em nova imagem" - Em propaganda, obviamente -

 O trabalhador, este, continua a ser o eterno desgraçado. 
O Grupo Pestana não se importa de abrir os cordões à bolsa em propaganda promocional, despendendo um milhão de euros, conforme é dito em noticia, com vista a conquistar mais mercados e com uma nova imagem Grupo Pestana investe um milhão em nova imagem | Económico

– Contudo,  tal preocupação, pelos vistos, não visa abranger uma melhor qualidade de vida dos seus trabalhadores -  É o costume da mentalidade do liberalismo atual, seja qual for o sector – O dos hotéis, não é exceção: ganhar mais (cobrando altos preços – desde os quartos ao serviços de bar e restauração) e pagando o menos possível aos seus servidores.  

Recusam-se pagar mais uns míseros euros ao sacrificado trabalhador, no entanto o mesmo trabalhador que serve um café e uma garrafa de água, terá que pedir ao cliente sete ou oito euros – Não digo provocação mas uma descarada injustiça social.

João Proença da UGT - Gente fina é outra coisa...
Obviamente que, quem se hospeda nas unidades turísticas do Grupo Pestana – já sabe o que conta: o que paga e o que pode receber em troca Aqui não há truques – E só o faz quem pode – Naturalmente, que até o podem fazer os  sindicalistas, que, em Portugal, fizeram mais pelo patronato que em defesa dos trabalhadores  que representavam 

A heresia ou o contraste não está nisso mas na diferença abismal dos preços que são praticados  com os salários que são pagos a quem trabalha. 

COM ORDENADO MÍNIMO TÃO MISERÁVEL - COMO É POSSÍVEL O TRABALHADOR AINDA TER QUE SE APRESENTAR DE AO BALCÃO DE FATIOTA E GRAVATA



Os portugueses queixam-se por terem  - tal como os gregos – o ordenado mínimo mais baixo  da Europa, que desde Janeiro passou para 530 euros.

Agora imagine-se o que é sobreviver com 65 euros, que é o ordenado agora fixado pelo Governo, ou seja o correspondente  a 1 milhão e 600 mil dobras, cerca de 65 euros. Mas tem sido menos.

Ainda para mais quando se exige que, numa repartição pública e no sector privado – especialmente em hotéis e restauração, além de outros serviços – se exija que o trabalhador se apresente de fatiota engravatada! –   O ordenado mínimo mensal vai passar para 65 euros, mas tem andado à volta dos  50 euros, e, a maioria dos reformados, tem que se contentar com 20 a 25 euros

Pergunta-se: onde é que se pode ir buscar dinheiro para comprar um par de sapatos, umas calças ou outra peça de roupa, se essa importância mal dá para alimentação! – É incrível que, enquanto uns possam esbanjar à fartazana, dar-se a todos os luxos; outros – e são a esmagadora maioria – tenham que sofrer tremendas privações!

O QUE VALE É QUE A TERRA É GENEROSA

Em S. Tomé e Príncipe, não se vêm as imagens do  resto de África, rostos sumidos e corpos esqueléticos,  nos adultos, e, nas crianças,  as tão chocantes barrigas dilatadas em forma de bola, suportadas por pernas quase tão delgadas como as dos pássaros, sim, nas maravilhosas Ilhas Verdes do Equador, não se morre de fome porque a terra é fértil e generosa mas pode-se morrer de doença e de outras insuficiências, pois, nas farmácias, os medicamentos, são pela hora da morte, os comprimidos são vendidos um a um – dificilmente o cidadão comum, pode comprar uma caixa . E, a nível de outros produtos importados, desde de calçado, vestuário, bebidas e alimentos,  a preços ou equiparados ou mais caros que na Europa.

A continuar-se assim, parece que continua a ser difícil que os santomenses, em termos de salários, possam fazer esquecer o passado colonial. Aliás, a pequena elite dos funcionários públicos de então, até ao escalão onde podia ascender – pois, a cor da pele ainda continuava a ser um grande entrave na promoção – de certo modo, em termos de ordenado, era mais  beneficiada que nos dias que correm  – Naturalmente que, mesmo assim, não vejo razões para se ter saudades do colonialismo, da sua repressão e das tremendas desigualdades sociais, que causava, pois não há dinheiro que pague a liberdade, porém, já era tempo de, em termos materiais, se conquistar mais alguma coisa – Claro que, em contrapartida, criou-se uma classe de empresários e dirigentes, que não existiam, com uma situação mais próspera e desafogada, e, nalguns casos,  que é o que acontece no resto de África, com privilégios escandalosos, comparativamente ao cidadão comum. 

VÁ LÁ QUE O POVO É PACÍFICO – MESMO QUE OS GOVERNANTES NÃO SE ENTENDAM – E, com eleições presidenciais no horizonte, claro que não se espera violência, mas  certamente alguma turbulência

O atual Governo é apoiado por uma maioria absoluta de deputados na Assembleia Nacional  - E, com tais condições, pela primeira vez pode concluir a legislatura, o que até agora não tem acontecido – Já declarou qual o candidato que vai concorrer às eleições da Presidência da República – Aparentemente, já resolveu a questão. Renova a aposta em Evaristo Carvalho. Se não houver nada em contrário, vai cerrar fileiras em torno de um único candidato. E, entretanto, o Governo lá vai fazendo a sua politica, dir-se-ia quase ao jeito do que fazia João Jardim na Madeira – Com as suas promessas e as suas hostes a  distribuírem-se por inaugurações, surgindo nos ecrãs das televisões   – Não vou aqui opinar.

Pelo partido da maior oposição, que, nas últimas eleições legislativas, foi fortemente penalizado, pelos vistos, ainda não aprendeu a lição: em vez de se mostrar coeso, dilacera-se em lutas internas, flageladas por ambições de grupo – Com uma candidata, à corrida presidencial, a  demarcar-se, apressadamente e com alguma sobranceria, do Presidente Manuel Pinto da Costa, que, quer se queira quer não, é a imagem cimeira fundadora do MLSTP, ou seja, da Nação e do MLSTP-PSD, o qual, não obstante a evidente afronta, ainda é das figuras do Partido, que nos parece  a mais serena, continuando a desempenhar as suas funções, como se esse fosse o seu único e supremo desígnio, dando, assim, um exemplo de maturidade e de confiança ao País. Aliás, de algum modo secundado também pelo próprio Primeiro-ministro, Patrice Trovoada, num estilo diferente, é claro, em sorrisos largos e num aparente à-vontade, que, para já, ao mesmo tempo que vai fazendo a sua politica interna, a vai também promovendo externamente, cumprindo também o seu papel.

Dizem as noticias que está para breve a marcação do plebiscito – E, naturalmente, também o momento do Presidente  definir a sua posição, que o fará, com certeza, quando   achar  mais sensato e prudente – Pois saberá, decerto, que a postura de um Chefe de Estado é a mais delicada e importante aos olhos dos cidadãos. Seja como for, aconteça o que acontecer, sim, mas o que estiver para acontecer, no desfecho das próximas eleições presidências, seja unicamente para bem do pacífico mas tão sacrificado Povo de S. Tomé e Príncipe.


(Atualização da noticia)  APARENTEMENTE FOI RESOLVIDO O PROBLEMA – ATÉ PORQUE FAZER GREVE, NUM PAÍS ONDE NÃO HÁ MUITOS EMPREGOS, É JÁ DE SIM UM ATO HERÓICO

Refere o Téla Nón que, Amarildo Ramos, líder sindical dos trabalhadores do Hotel Pestana em São Tomé, disse ao Téla Nón, que o último fim-de-semana foi de intensa acção do Ministério do Trabalho, no sentido de reconciliar os trabalhadores e a administração do hotel Pestana
.Segundo Amarildo Ramos, o esforço conciliador do Ministério do Trabalho, deu frutos. As duas partes retomaram o diálogo, e «a administração do hotel, pediu-nos uma semana, para apresentar uma nova grelha salarial. Daí que decidimos também prorrogar o pré-aviso de greve para a próxima segunda – feira. Até lá a greve prevista para hoje fica suspensa, para negociarmos e com tranquilamente», explicou o líder sindical.
O sindicato dos trabalhadores do hotel Pestana em São Tomé, continua a exigir o aumento geral do salário na ordem de 16,4%. Ministério do Trabalho evitou início da greve esta segunda 

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