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Entre outros assuntos, falo da escalada ao Pico Cão Grande e das minhas aventuras em canoas – Visam defender a teoria de que antigos povos africanos, podiam ter sido os primeiros povoadores das Ilhas do Golfo da Guiné, antes dos colonizadores – Parti à meia-noite, disfarçado de pescador, ligando a ilha do Príncipe. Para me orientar, uma rudimentar bússola – A canoa era minúscula, à segunda noite adormeci: rolei na escuridão das vagas. No regresso fui distinguido com sopapos da policia salazarista, enviado para os calabouços – Cinco anos depois, numa piroga maior, fiz a ligação São Tomé-Nigéria. Partindo igualmente à noite, 13 dias depois atingia uma praia de Calabar, tendo sido detido 17 dias por suspeita de espionagem. - No mesmo ano, já com São Tomé e Príncipe independente, tentei a travessia São Tomé ao Brasil, usando os mesmos recursos. Além de pretender reforçar a minha teoria, desejava evocar a rota da escravatura e repetir a experiência de Alain Bombard. Porém, quis a ironia do destino que vivesse a difícil provação de um naufrágio de 38 longos dias, tendo aportado numa praia de Bioko (Bococo)onde fui recambiado para a famosa prisão de Black Beach

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Em S. Tomé – Dia Mundial da Criança – Recordando as crianças judias arrancadas ao colo das mães, deportadas para S. Tomé, as que foram vítimas nos massacres do Batepá e os rostos alegres de quem mesmo coabita com a pobreza - A melhor maneira de tornar as crianças boas, é torná-las felizes.... Disse Oscar Wilde

Por Jorge Trabulo Marques - Jornalista

 Neste dia mundial da Criança - Recordo aqui um dos poemas de Alda Espírito Santo  - A Mãe das Mães e dos Filhos que puderam cantar o Hino de um País livre e independente, graças aos seus heróis e fundadores da Pátria São-Tomense  – Assim, como aqueles milhares de crianças judias, que foram arrancadas ao colo das mães para serem enviadas para S. Tomé - E também aquelas pobres inocentes que foram vítimas nos massacres do Batepá - Sim, nos rostos alegres de crianças que coabitam com a pobreza mas que nem por isso deixam de ser felizes.

Lá no «Água Grande» a caminho da roça
negritas batem que batem co’a roupa na pedra.
Batem e cantam modinhas da terra.
Cantam e riem em riso de mofa
histórias contadas, arrastadas pelo vento.
Riem alto de rijo, com a roupa na pedra
e põem de branco a roupa lavada.
As crianças brincam e a água canta.
Brincam na água felizes…
Velam no capim um negrito pequenino.
E os gemidos cantados das negritas lá do rio
ficam mudos lá na hora do regresso…
Jazem quedos no regresso para a roça.

ESTE ANO TAMBÉM SE COMEMOROU EM S. TOMÉ

Imagem do Télanon
Este foi um dos muitos atos, que decorreram em S. Tomé, dedicados ao dia Mundial da Criança – Entre os quais – e à semelhança do que vimos em 2015  - refere o  Telanon o que contou com a presença do Presidente da República Manuel Pinto da Costa, que esteve na Escola de São João na capital são-tomense, que, segundo refer o Télano – declarou «Eu vinha do Morro da Trindade para vir ao acto central, e durante o trajecto fui ouvindo discursos, ouvi o Hino Nacional e disse kei! Parece que vou chegar atrasado ao acto central. E eu já estava a cair em cima do protocolo, O protocolo me disse que é um outro acto central, não é o acto central que o senhor Presidente vai estar. Bom. Eu disse-lhe que não sabia que havia tantos actos centrais aqui na República», declarou o Chefe de Estado no meio das crianças da escola Atanásio Gomes.
As crianças e os professores perceberam que o veneno da divisão, estava a ser espalhado no dia 1 de Junho. O Presidente da República, apelou aos professores a protegerem o futuro da nação. Adultos semearam actos centrais no dia 1 de Junho para incutir ...







A melhor maneira de tornar as crianças boas, é torná-las felizes.... Disse Oscar Wilde.  Mas as crianças de São Tomé já são boas e amáveis por natureza – O que é preciso é saber corresponder aos gestos e afetos  de espontaneidade   à doçura que se espelha nos sorrisos dos seus rostos de uma tez negra ou morena mas luzidia como é o brilho dos seus olhos ou a alvura que ressalta de entre os seus lábios . Abrem-se em rasgados sorrisos ao visitante, com a mesma simplicidade com que vivem o dia a dia. Nunca regateiam um  sorriso de alegria e de  calorosa inocência mesmo que  não sejam correspondidas – De resto, as expressões de simpatia e afabilidade são timbre das gentes deste pequeno mas maravilhoso país.


Todas as crianças que se veem no vídeo e que correram  chapinhando até nós tendo dado vivas a S. Tomé e a Portugal e cantado o hino do seu país, são acarinhadas pelo pai e mãe. Foi, de resto, a primeira pergunta que lhe fizemos. Gostam de cabriolar por onde lhes apetece e  o mar é o seu dileto veraneio, onde se vieram banhar e pescar com ajuda de uns simples canecos. É só meter na água e apanhar o peixe. Não precisam de linha. Vimo-las fazer essa  habilidade, depois do registo destas imagens. Depois, lá foram andarilhando como  que ao sabor do vento  - Gostam da terra  e do mar mas ficámos com a impressão de que não fazem parte das crianças abandonadas.   Vieram banhar-se na piscina natural e saltar  do alto de um muro que serve de represa à própria açude mas  no sentido oposto, onde as ondas vêm brincar na borda da areia. De facto, confirma-se que, em 
 São Tomé “as adolescentes de idade compreendida entre os 12 e os 19 anos de idade representam mais de 4% de idade das mães solteiras a nível nacional, atingindo na região do Príncipe 9%, daí a existência de muitas crianças a necessitarem de apoio. Parece não ser o caso destes adoráveis miúdos.


(Os santomenses preferem o mar ou as  piscinas naturais do rio ou de água salgada que águas tratadas - E agora já todos os hoteis as possuem  - e até privados -  há muito por onde escolher)


O Clube Náutico, situado junto à marginal, na cidade de S. Tomé, com a sua piscina, esplanada coberta e bar, foi construído, nos princípios dos anos 50,  no tempo do famigerado Governador Carlos Gorgulho. Mas, pelo que me é dado saber, não tardou a  encerrar por falta de manutenção. 

A piscina não era limpa, nem a água mudada, razão pela qual  os hábitos voltaram-se de novo para os banhos das praias e “ a piscina e restaurante - passaram a estar praticamente “desertos”.   
  
Isto porque, do ponto de vista de um alto responsável no Mistério do Ultramar, desde que o Governo Central concedeu a “cidadania” aos nativos de S. Tomé e Príncipe deveria ter previsto a mistura de raças e de cores” evitando que  àquele “centro” de diversões acudissem diversíssimos exemplares da fauna humana local”, defendendo "que devia ter-se colocado à entrada uma tabuleta com letras bem visíveis onde o direito de admissão fosse reservado, para evitar a frequência de cidadãos de todas as matizes e pigmentação que não tivessem o nível de educação à altura do meio que o deveria só frequentar  


POR VIA DO ESTIGMA DA INTOLERÂNCIA RELIGIOSA - QUE INFELIZMENTE AINDA HOJE SUBSISTE


Orlando Piedade, natural de S. Tomé, a residir em Portugal – Um jovem escritor talentoso, que trouxe para a atualidade, através de duas excelentes obras, o drama das crianças judias deportadas para S. Tomé, e outras histórias relacionadas com essa horrível deportação. 




Meninos Judeus Desterrados -   De Portugal  para São Tomé e Príncipe por Ordem Del Rei D. João II em 1493,  outra das obras  de Orlando Piedade,  sob as crianças desterradas para S. Tomé -  Segundo Gerhard Seibert Gehar existem pelo menos mais três romances históricos baseados na história da deportação das crianças judias para S.Tomé - Mas este é o primeiro de autoria de um santomense

"Quando as crianças foram colocadas nos navios, na presença do Rei, os seus choros e gritos eram terríveis. Quem nunca viu nem ouviu os choros e gritos dessas mulheres jamais chegará a entender o que significa desconsolo ou preocupação “-In O 'PROGRAMA DE DEPORTAÇÃO' DE EXILADOS HISPANO-LUSITANOS À ILHA DE SÃO TOMÉ (1492-1496




Os Meninos Judeus Desterrados” , Emocionante romance histórico de Orlando Piedade,  editado, com a chancela das Edições Colibri - Tendo como pano de fundo o hediondo crime das centenas de crianças que foram arrancadas do seio familiar e desterradas para São Tomé e Príncipe, nos primórdios da colonização - onde a grande maioria acabou por não resistir quer às agruras da viagem quer às adversidades do clima e, sobretudo, devido ao profundo trauma causado pela ausência do carinho maternal e paternal -A escravatura foi a maior das barbaridades ao longo dos tempos. Impôs-se sempre como um comportamento cruel e desumano onde quer que se expandisse. Não só em África, como em todas as partes do mundo. Mas houve lugares onde a mesma se transformou num tenebroso interposto comercial - foi o caso da Ilha de são Tomé. - Creio que vale a pena ler a extraordinária obra deste escritor santomense: na qual não se vê que procure o revolver de ódios ancestrais ou quiçá o ajuste de contas com o passado mas tão só o intuito de nos levar a viajar, dando a conhecer ao leitor - através da recriação de ambientes e das personagens,  também elas crianças (leque mais vasto de possibilidades de imaginação e de interpretação que escapam ao relato linear e fatual dos historiadores),  um período da nossa colonização, na qual persistem ainda mais brumas e poeiras de que exposição à claridade da vida desse tempo.

 A MAIORIA DOS MENINOS FORAM ARRANCADOS ÀS MÃES JUDIAS, EXPULSAS DE ESPANHA, QUE PROCURARAM  REFÚGIO EM PORTUGAL

De seguida, tomámos a liberdade de aqui transcrever  alguns excertos de  comentários, estudos e  perguntas, reunidas em livro com o título "Crianças escravas Judias em São Tomé", com  a coordenação e anotações de autoria de Moshé Liba" fruto da "Conferencia de São Tomé (11-12 Julho de 1995" que, como atrás referi, contou com a participação de   vários investigadores, entre os quais  Karl Gerhard Seibert -  

Tradução  (...) "O que segue são anotações que fiz durante os dois dias de tópicos de discussão e perguntas e depois discutidos alguns pontos na minha correspondência com Bishop Abílio Ribas, com o Professor Emérito Haim Beinart de A Universidade Hebraica Jerusalém e Dr. Gerhard Seibert, da Universidade de Leiden, na Holanda.

"Quantos navios chegaram com o capitão? Quantas crianças - 2000 ou menos - Estavam em um ou mais navios, juntamente com guardas, padres, soldados e marinheiros? O Padre Pinto escreve: "2.000 e 1.400 morreram com as dificuldades de viagem". Este ponto deve ser esclarecido, tal como exigido pela questão dos transportes: Como foram enviadas 2.000 crianças acompanhadas pelos soldados, padres e prisioneiros libertados em uma viagem por mar?

A vontade de Álvaro de Caminha relata ter comida para 1.000 pessoas. Dr. Gerhard Seibert estimou que havia um total de 1.000 pessoas ou menos - Refere Mosh Liboa no livro "





(...) "Muitas das crianças judias expulsas da Espanha foram deportadas pelo rei de Portugal para convertê-las à sua religião, por isso as que ele enviou para lá há 14 anos, são todas as crianças sem qualquer defeito, macho e fêmea, com mais de duas mil almas" 
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 Foram estes homens ou homens e mulheres? As primeiras fontes hebraicas a falar de crianças, meninos. Rabino Shlomo Ibn Vega escreve: "E acima de tudo, há grandes problemas arrebatamento dos homens ... e alguns dos homens morreram ..." Abravanel especifica: "homem e mulher". Padre Pinto escreve: "2.000 crianças". O capitão fala dos homens e mulheres jovens.
- Qual foi a idade das crianças? Fontes variam, considerando-as de 2 a 8 anos.   idade.. Ibn Vega e Usque falam de menor ainda.

- Quantos navios chegaram com o capitão? Crianças - 2000 ou menos - estavam em um ou mais navios, juntamente com gradientes, padres, soldados e marinheiros? O Padre Pinto escreve: "2.000 e 1.400 morreram dificuldades de viagem". Este ponto deve ser esclarecido, tal como exigido pela questão dos transportes: Como foram enviadas 2.000 crianças acompanhadas pelos soldados, padres e prisioneiros libertados em uma viagem por mar?

Álvaro de Caminha relata ter comida para 1.000 pessoas. Dr. Gerhard Seibert estimou que havia um total de 1.000 pessoas ou menos.
- judeus expulsos da Espanha pela Portaria 31 de março de 1492 foram autorizados a entrar em Portugal através de pagamento por cabeça e a ficar oito meses, e o rei prometeu fornecer barcos para deixar o país. Após o prazo sem barcos, o rei João II recusou suas promessas e declarou-os escravos. Em 1493, o rei ordenou arrebatar seus filhos menores para ser batizado e mandar-lhes que São Tomé. Eram estas crianças "cant" ou "Escravos"? 

Professor Elias Lipiner, pesquisador israelense nascido no Brasil, estudou o "Certificado testamento de Álvaro de Caminha, Capitão da Ilha de São Tomé (24 de abril de 1499). " Examinando os nomes "homens e mulheres jovens" usadas pelo Capitão, Lipiner chegou à conclusão de que as crianças judias eram "cativos", mas não "escravos" para o momento de escrever o testamento. No entanto, as pessoas não eram livres.
- Pode o caso das crianças ser considerado o primeiro em Portugal batismo forçado? Lipiner pesquisou o assunto em seu livro publicado depois - baptizados ósmio em Pé.
Havia vários trechos de crianças judias em Portugal. Prof. Beinart menciona o segundo em 1496, terceiro em 1497.
- Foram alguns deles enviados para a ilha?
- A intenção dos trechos foi a de separar as crianças de seus pais judeus para facilitar a sua conversão à fé católica. Além das crianças enviadas para São Tomé, há trechos de documentação de crianças ao longo dos anos para colocá-los em famílias cristãs em Lisboa e seus arredores.
- Será que os nomes de meninos de família, sobrenomes? Só eles mudaram os nomes de batismo?
Quando apresentei as credenciais disse o Presidente Miguel Trovoada: "Nós temos raízes comuns, os descendentes de judeus que ainda vivem nas nossas ilhas. Encontrá-lo. Aqui nomes judeu como Azancot, Levy, Samuel ".ESCLAVOS EN SÃO TOMÉs -Leia a continuação na próxima postagem de  Moshé Liba


Jewish Child Slaves in São Tomé – Livro de autoria de  Moshé Liba 

Excerto de um comentário  de sua autoria  - "A história judaica de São Tomé e Príncipe, duas pequenas ilhas ao largo da costa oeste da África, perto de Guiné, inclui uma era trágica. Em 1493, um ano depois que os judeus foram expulsos da Espanha, uma grande percentagem deles se refugiaram em Portugal, onde os decretos de expulsão não começou até 1496. Rei Emanuel I de Portugal, em busca de recursos para financiar seu programa de colonial considerável expansão, cobrou impostos enormes cabeça dos judeus, dando-lhes pouco tempo para pagar e multas se não for paga até uma determinada data. O rei queria colonizar as ilhas de São Tomé Príncipe e no Golfo da Guiné, que tinha sido descoberto por João de Santarém e Pêro Escobar, em 1472, e reivindicado pelo Rei de Portugal (para "branquear a raça", como ele mesmo -lo), mas poucos Português saboreou fixando-se em ilhas febril e infestadas de crocodilos. Quando viu-se que havia muito pouca probabilidade de que a maioria dos judeus pagaria o imposto exigido, o rei deportou seus filhos jovens, com idades entre 2 a 10, para São Tomé e Príncipe. Jewish World - The Jewish history of Sao Thome e Principe

Moshe Liba de 1931, o ex-membro de um kibbutz, diplomata, conferencista, jornalista, professor, poeta, escritor, crítico literário, pintor, escultor.
Ele representou o Estado de Israel por 31 anos como Embaixador e Cônsul-Geral em 15 países. foi Diretor Geral do Instituto Central de Relações Culturais, Director da Escola de diplomatas, Diretor do Departamento Africano do Ministério dos Negócios Estrangeiros. É Direito Internacional doutor da Universidade de Paris. Lecionou em quatro universidades: Israel, Camarões e Nova Zelândia. membro da Associação de Escritores Hebraica de Israel, da Haagse Kunstkring-Holanda, e em várias outras associações nacionais e internacionais.Escrevendo em várias línguas, já publicou 66 livros, livros de história, contos, ensaios, críticas literárias, livros infantis, teatro-plays, álbuns, brochuras, entre eles 37 livros de poesia bilíngües-inclusive.- Excerto Liba (Moshé )

História  "A Lei Áurea foi assinada pela Princesa Isabel em 13 de maio de 1988. A lei marcou a extinção da escravidão no Brasil, o que levou à libertação de 750 mil escravos, a maioria deles trazidos da África pelos portugueses. A assinatura da lei foi consequência de um longo processo de disputas. ABOLIÇÃO DA ESCRAVATURA NO BRASIL


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