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Entre outros assuntos, falo da escalada ao Pico Cão Grande e das minhas aventuras em canoas – Visam defender a teoria de que antigos povos africanos, podiam ter sido os primeiros povoadores das Ilhas do Golfo da Guiné, antes dos colonizadores – Parti à meia-noite, disfarçado de pescador, ligando a ilha do Príncipe. Para me orientar, uma rudimentar bússola – A canoa era minúscula, à segunda noite adormeci: rolei na escuridão das vagas. No regresso fui distinguido com sopapos da policia salazarista, enviado para os calabouços – Cinco anos depois, numa piroga maior, fiz a ligação São Tomé-Nigéria. Partindo igualmente à noite, 13 dias depois atingia uma praia de Calabar, tendo sido detido 17 dias por suspeita de espionagem. - No mesmo ano, já com São Tomé e Príncipe independente, tentei a travessia São Tomé ao Brasil, usando os mesmos recursos. Além de pretender reforçar a minha teoria, desejava evocar a rota da escravatura e repetir a experiência de Alain Bombard. Porém, quis a ironia do destino que vivesse a difícil provação de um naufrágio de 38 longos dias, tendo aportado numa praia de Bioko (Bococo)onde fui recambiado para a famosa prisão de Black Beach

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Príncipe do Equador – de Nuno Madeira Rodrigues – O romance-viagens de emoções – De Cascais, Lisboa a S. Tomé e Príncipe - Com histórias de vidas, desventuras, impulsos, mudanças, recomeços, imprevistos, horizontes, surpresas, revelações, desenlaces, desfechos e esperanças – Títulos de alguns capítulos - A obra foi vedeta das Edições Colibri, na Feira do Livro de Lisboa, com a televisão a fazer reportagem

Por Jorge Trabulo Marques - Jornalista

E de que trata, afinal, o romance, Príncipe do Equador? -  Responde  o autor Nnno Madeira Rodrigues: 

É sobretudo o contar de uma  experiência que tive nos últimos anos: não é autobiográfico mas um desafio  que  “procura, acima de tudo, ser um cartão de visita deste país, que tão desconhecido ainda é dos portugueses.  – confessou-nos na entrevista, que  teve a amabilidade de nos conceder, no termo de uma sessão de autógrafos, que decorreu no Pavilhão das Edições Colibri, na tarde deste último Sábado, frisando que  não se trata de um romance histórico, mas  de  um romance atual: "não é baseado em personagens reais mas em sítios reais. Em situações reais em pessoas locais, reais, com algumas fotografias que servem para enquadrar também o leitor. 

"PRÍNCIPE DO EQUADOR” –  TÍTULO SIMPLES E SUGESTIVO  QUE PODERÁ VIR A SER TRAMA PARA UMA GRANDE PRODUÇÃO TELEVISIVA OU CINEMATOGRÁFICA


São Tomé e Príncipe, tem bons poetas e escritores: alguns dos quais, grandes referências a nível da literatura portuguesa – Porém, o que lhe tem faltado é,  que, os seus livros, tenham servido de guião a grandes produções cinematográficas – E o mesmo sucedendo, até a algumas obras do luso-são-tomense, Sum Marky  - Excetuando alguns documentários televisivos, com esparsas alusões, até hoje ainda não se realizou uma produção que tivesse grande repercussão externa  - Embora,  o romance A Roça, de Fernando Reis, do enfermeiro português, que viveu largos anos em S. Tomé,  tivesse tido um grande êxito radiofónico, tanto em Portugal, como em S. Tomé e Príncipe, onde a pude ouvir  na rádio local, na altura em que era empregado de mato na Roça Rio do Ouro, atual Agostinho Neto

No entanto, quem não se recorda do êxito do  Equador, de Miguel Sousa Tavares? O qual, além do enormíssimo impacto  literário, serviu  ainda de guião a uma telenovela de grande popularidade.

É o que  antevejo vir a suceder ao  romance, intitulado  "Príncipe Perfeito", de Nuno Madeira Rodrigues: - Por  certo já a pensar nessa possibilidade, tal o cuidado que teve em  envolver o enredo da sua obra, com uma expressão, transacional, que não fosse apenas  de cunho, meramente local – Sim, porque, escrito  numa linguagem fluente e sedutora,  embrenhada de ambientes e descrições, muito atuais, que o autor conhece pessoalmente.

Confessa que não  é autobiográfico, nem pretende ser romance histórico – se bem que não lhe faltem alusões a figuras e a factos relevantes do passado antigo e mais recente   – mas também não é fruto de  mera imaginação – Mas o livro onde as emoções vagueiam, despontam, andam à flor da pele, brotam espontaneamente, tal como as  do visitante ou visitantes (sobretudo de gente jovem) que partem à descoberta de uma terra maravilhosa, que desconheciam, marcada pelo deslumbramento e exotismo da sua paisagem, dos seus frutos e da hospitalidade amorosa e alegre das suas gentes, sim,   com os seus encontros e desencontros, nos percursos que efetuam, dentro e fora dos centros urbanos: com os sabores do seus frutos e a saborosa gastronomia,  os divertimentos, amores de ocasião ou já enamorados - Há muitas histórias e muito enredo ao longo do livro para prenderem o leitor do principio ao fim



Príncipe Perfeito" Um guia turístico que, no fundo, percorre todo o São Tomé e Príncipe: primeiro, mais S. Tomé, depois acabando mais no Príncipe e cujas fotografias vão ajudando o leitor a integrar-se mais na história, a perceber e a visualizar melhor aquilo que está a ser descrito

DESAFIO PROPOSTO PELO ESCRITOR – EXPLICITO  EM “NOTA DO AUTOR  -  Que antecede o prefácio da obra

São Tomé e Príncipe é um paraíso ainda hoje desconhecido da maioria da população mundial, cujo contacto com aquele país é limitado ao que já puderam ler no passado ou, em alguns casos, aos relatos entusiastas de uns quantos privilegiados que tiveram a oportunidade de por ali passar no decurso das suas vidas. Independentemente da nacionalidade que tenhamos, São Tomé e Príncipe não deixa ninguém indiferente. Não poderia. Uma tal mescla de história, cultura, natureza, sociedade e paisagens idílicas está ao alcance de poucos e, ironicamente, tão perto deste Portugal que é o meu lar.
Por várias vezes ao longo dos últimos anos repeti que São Tomé e Príncipe não é para meninos. Não é um local fácil, de resultados imediatos, de rápidas fortunas ou glória acelerada. É um local duro, cm alguns casos até inóspito para quem não estiver verdadeiramente dedicado a entender toda a sua cultura e raízes e, acima de tudo, a saber respeitar uma forma muito peculiar de viver, um leve-leve que por vezes exaspera mas que é, em si mesmo, também o resultado de toda uma mistura de raças e povos ao longo dos séculos.” - Excerto

A CULPA É DO “KAZUMBI” AFRICANO”  

Em S. Tomé, dir-se-ia que a culpa é do safú: -  quem come safú, fica enamorado pelas duas ilhas, mesmo que parta, volta sempre    - Ou vai divertir-se ao “flogá” de um “fundão” onde a musica típica  faz agitar os corpos e aquecer os corações   – O termo, Kazumby,  é mais usual em Angola e Moçambique  - Seja qual for a expressão:
 “ A “Africa tem essa grande capacidade, se calhar kazumbi, de juntar pessoas, cruzar destinos” –  Escreve Paulo Salvador, jornalista da TVI, no prefácio do romance Príncipe no Equador, que, a dado passo diz o seguinte:

Com o Jogador Duarte Machado

Esta capacidade de retratar aspectos da realidade africana, é tanto mais surpreendente quando surge de um homem reservado, contido, europeu, discreto, analítico, moldado no rigor das leis e pragmatismo dos resultados. Em tudo diferente do estereótipo tropicalista.
Este é o desafio do Nuno Rodrigues. Ele atreveu-se a contar uma história dividida entre Lisboa, São Tomé e o Príncipe. Escrevendo sobre o que conheceu e viveu, sobre o que não viu mas que poderia ter testemunhado. Ele elaborou sobre desejos e fantasias que deram forma às personagens deste romance. Nesta obra cruzam-se lutas políticas ele meninos da linha de Cascais ou de filhos do Príncipe; amores de portugueses e africanos em mundos que se tocam apenas pela música que dançam, cena noite, uma discoteca de Lisboa; preconceitos e amores que nos fazem sempre acreditar num fim de tarde com um céu em chamas.
Jogador Duarte Machado
África tem essa grande capacidade, se calhar kazumbi, de juntar pessoas, cruzar destinos.
Conheci o autor por causa de S. Tomé e Príncipe, quando fui lá fazer uma reportagem. Foram quase duas semanas de intensa partilha naquele maravilhoso território de uma beleza humana e natural quase irrepetível. Caminhámos atrás do sol, madrugámos para o ir espetar. Terminado o trabalho ficou a amizade. Aproximámo-nos desde então e, certo dia, sou confrontado com um livro que nascia e vivia naquele território. Ao ler este ''Príncipe do Equador" percebi a autenticidade das personagens, tão reais quanto as pessoas com quem eu vivera meses antes e com as quais tivera  o privilegio de me cruzar

EM 2019 – O GRUPO HBD  VAI COMEMORAR IMPORTANTE  CENTENÁRIO MUNDIAL – NA ILHA DO PRÍNCIPE

Nuno Madeira Rodrigues, atual responsável pela área do aconselhamento e comunicação, ainda pretende ir mais longe, que o sonho inicial: colocar S. Tomé e Príncipe  - através da HBD - no mapa de  grandes acontecimentos nacionais e internacionais  - Um dos quais é a comemoração do estudo do inglês, Arthur Stanley Eddington, que, em 1919, na Roça Sundy, durante um eclipse solar, demostrou a teoria da relatividade de Albert Einstein, pelo que se espera, ao longo de 2019, uma conjunto de iniciativas com larga projeção internacional.

Ele que já promoveu documentários televisivos e visitas da imprensa, que levaram imagens para os quatro cantos do mundo. Além do apoio a outras incitativas de âmbito social e desportivo – Como seja, entre outras, a deslocação da equipa do Belenenses, para “mostrar aos  jovens de São Tomé e Príncipe, que, o facto de estarem numa ilha, tal não é impedimento de uma carreira diferente  e de uma oportunidade internacional”

O ASTRONAUTA MILIONÁRIO - PODE FICAR TRANQUILO  DAS CAPACIDADES DE NUNO MADEIRA RODRIGUES  - ELE VAI ALÉM DO SONHO

Mark Shuttleworth, (o primeiro viajante turístico no espaço, que pagou  22 milhões de dólares para viajar a bordo da russa Soyuz TM-34) , depois de concretizar esse arrojado sonho, teve um outro, não menos sedutor ao ter descoberto  a  jóia do Golfo da Guiné e  ter-se deixado enamorar pela sua incomparável  beleza: ou seja. a  de colocar a Ilha do Príncipe – tão esquecida e marginalizada, não apenas  da outra ilha, como de resto do mundo, sim, de tornar aquele  pequeno mas idílico e pujante manto verdejante (qual solitário paraíso erguido das  profundezas oceânicas equatoriais) sim, e ao mesmo tempo protegendo a sua extraordinária biodiversidade, como um dos roteiros atrativos  para  um turismo sustentado e de  qualidade.

Pelos vistos, pode ficar tranquilo: muita coisa já se fez, quer através das infraestruturas, que foram criadas, incluindo as de uma nova pista do aeroporto, quer dos postos de trabalho que o mesmo empreendimento gerou - E muito ainda haverá por fazer. Mas depreende-se que, tem na pessoa de  Nuno Madeira Rodrigues (mesmo já não sendo o principal gestor)  a entusiástica disponibilidade de uma inteligência brilhante e dedicada a colaborar -  Quer como criativo, quer como comunicador e escritor

UM BOM ROMANCISTA PODE TAMBÉM FAZER DAS SUAS OBRAS O QUE FAZ DAS SUAS PINCELADAS UM GRANDE PINTOR 

O escritor Virgílio Ferreira, numa das várias entrevistas que me concedeu, em sua casa, ao falar-me dos seus romances, disse-em que ele não escrevia, propriamente histórias (referindo que isso era o que fazia a sua avó, quando lhas contava), mas fazia dos seus romances, as mesmas pincelada  do pintor, perante  a tela que tem à sua frente, até completar o seu quadro - Parece-me que é que, de algum modo, também fez  o autor do romance "Príncipe Perfeito" -  Alugas das quais tomo  a liberdade de aqui transcrever

OS TÍTULOS SEGUINTES SÃO NOSSOS - OS TEXTOS SÃO BREVES RESPIGOS  DA OBRA LITERÁRIA DE NUNO MADEIRA RODRIGUES - 

Faço-o  -  tomando a  liberdade de transcrever  alguns breves exertos, extraídos de entre  as 265 páginas e 19 capítulos  - de modo a a ajudar o leitor a  compreender , um pouco melhor, o  quão atraente e vasto é o enredo deste magnífico romance

DE CASCAIS A LISBOA – OU VICE-VERSA – ROTAS QUE ACABAM POR CONDUZIR A S. TOMÉ E PRÍNCIPE

"Pouco passava das onze da noite quando Afonso parou o carro ao pé da marina de Cascais e se dirigiu, com Miguel, para o centro da vila, tradicional ponto de encontro com o seu grupo de amigos, 

"(...)Chegaram ao Largo Camões e entraram no seu poiso habitual de encontro, um café simpático com um ar tradicional, espaço de longas mesas de madeira corridas que, naquela noite, já estava cheio pelas costuras. Era o melhor gin spot de Cascais, e por isso não era de estranhar a afluência. No meio da confusão dirigiram-se para o fundo da sala, por entre uma miríade de pessoas todas iguais umas às outras, até encontrarem uma mesa mais afastada da confusão, onde uma vintena de pessoas, homens e mulheres, todos entre os vinte e os trinta anos, aguardavam pela sua chegada. Em especial Catarina, que olhava para Afonso com o seu ar submisso e terno de quem finalmente tinha visto a luz do dia"

AS AVENTURAS E BEBEDANAS NOS BARES DO CAIS SODRÉ  - MAIS FRIAS NO INVERNO – MAS NÃO DIFEREM MUITO DO FLÓGÁ EQUATORIAL DE S. TOMÉ

"- Achas que isto é vodka com cola?! Achas mesmo?! Se pensas que vou pagar um balúrdio para beber uma cola desenxabida, que a única coisa que tem de alcoólico lá no meio é o cheiro a detergente da lavagem mal feita, deves estar muito enganado!
Claramente Filipa tinha-se conseguido alhear do susto dessa noite e estava já de regresso ao seu estado normal. Ou seja, difícil. A aventura daquela noite tinha sido intensa mas, ela e Joana, acharam que naquelas condições precisavam mesmo de descontrair um pouco e, já que estavam na direcção do Cais do Sodré, não fazia sentido desistirem dos seus projectos por causa de meia dúzia de putos idiotas que lhes tinham pregado um valente susto. Joana não era tão ousada nas bebidas e limitou-se a pedir um sumo natural de ananás, que claramente lhe defraudava as expectativas."

DIA DO EMBARQUE NO AEROPORTO DE LISBOA NÃO FOI EXCEPÇÃO

Sete  e trinta da manhã, terça-feira, e a confusão já estava instalada no aeroporto da Portela. Centenas de pessoas cirandavam de um lado para o outro na zona de chek-in, filas intermutáveis procuravam despachar bagagens, ouviam-se críticas à privatização, ao serviço, berros, despedidas, choro, crianças que corriam de um lado para o outro ao arrepio dos pais aflitos. Tudo o que compunha mais um dia no aeroporto de Lisboa.

Abílio tinha deixado Joana à porta do terminal um, acompanhada de Filipa. Despedira-se da sobrinha afectuosamente e desejara-lhe boa viagem de regresso antes de seguir viagem perante a insistência dos polícias que bradavam ordens para os carros avançarem da zona de largada de passageiros.


A GASTRONOMIA À MODA TERRA – DELICIOSA, AFRODISÍACA E PICANTE

Confeccionado com peixe, como era moda em São Tomé e Príncipe, e incluindo ingredientes como tomate, alho, batata-doce, quibos, óleo de palma ou outros, conforme o cozinheiro e a regiã, vinha acompanhado de arroz branco e uma farinha de mandioca.
- Agora misturam tudo no molho e metem a farinha para faz uma amálgama. - Explicou Cristina. - Este é um dos pratos mais típicos de cá e gosto muito, apesar de ficar a pesar no nosso estê mago fraquinho de europeus.
- Ainda assim há outros que valem a pena! - Respondeu Ana.
Eu gosto muito de Molho no Fogo também mas esse é demasiado intenso para estes intestinos frágeis. Fazem um peixe seco e fuma.do, juntam beringela, maqueque, mosquito e normalmente ve com banana cozida e fruta-pão assada. Delicioso.

Os amigos estavam deliciados e totalmente satisfeitos quando o empregado levantou os pratos informando que demoraria uns minutos até trazer a mousse de sape-sape para sobremesa.

LUGARES EMBLEMÁTICOS E ÁRVORES DA MÁ LÍNGUA


Junto à árvore da "má-língua", como lhe chamavam os habitantes, mais de duas centenas de pessoas tinham acorrido à convocatória de Aguinaldo. O terreiro estava em ebulição e a população afluía das antigas senzalas em massa para ouvir o candidato às eleições com interesse.
Aguinaldo tinha escolhido a Sundy, a roça mais emblemática da ilha do Príncipe e antigo motor da economia agrícola do território. Outrora um portento de actividade e local emblemático da ilha pelo facto de ali ter sido demonstrada no início do século anterior a teoria da relatividade geral de Einstein, a roça estava hoje bastante degradada, as cavalariças ao norte já meio destruídas e de cavalos nem sombra. A creche e a escola tinham sido recuperadas recentemente pelos estrangeiros e a casa principal, antiga residência dos senhores coloniais, estava agora a sofrer uma qualquer remodelação que ninguém entendia e tampouco procurava perceber. "Coisas dos brancos".
O ponto de encontro era uma árvore centenária, alta e forte, que albergava debaixo de si um banco corrido de madeira tosca.

NAS ILHAS ONDE OS GOLPES MILITARES SÃO A BRINCAR  –  MESMO ASSIM DÃO QUE FALAR

"Os traidores foram presos e serão agora levados a julgamento.
Espera-se o regresso breve dos nossos governantes que estoicamente foram a São Tomé, sob perigo de vida, procurar ajuda para controlar a tentativa de revolução." ouvia-se o jornalista dizer de forma entusiástica.
- Lá está. Nada muda. - Deixou sair para si mesma antes de voltar a desligar o rádio. "Nem sei porque ainda me dou ao trabalho de ligar esta porcaria.".

 HISTÓRIAS FANTÁSTICAS DE UMA PRINCESA QUE FOI ALIVIADA DA RIQUEZA DEPOIS DE MORTA MAS FICOU O ESPÍRITO A VAGUEAR

Ui, fantasmas?! Isso parece bom. - respondeu Carlos. - Explica lá isso melhor.
- A mulher de branco que anda na estrada e depois pelo hotel à noite. Dizem que é o fantasma da Maria Correia, uma antiga senhora cá da ilha que morreu e hoje caça os homens por vingança. -Explicou.
- Cruz credo, Santa Engrácia! 'Tá calado, pá! Isso é mesmo conversa de cabo-verdiano! Deixa-te lá de estórias e vou mas é comer que estou esganada. Vai lá encantar turistas com essas tretas para outro lado, ok? - Rematou Filipa.
Espigadote ou não, o rapaz sabia cozinhar e o almoço estava divinal. Terminaram com um café forte e intenso feito de grãos colhidos localmente e dirigiram-se para a zona da entrada da roça onde um jipe esperava por eles.

ACORDOS EM ARGEL –  A MAÇADA DE AVIÃO QUE COMPENSAVA

A viagem era longa até Argel e cheia de escalas. lr de um ponto a outro em África continuava a ser complicado face à escassez de ligações regionais, mas faltavam apenas alguns minutos para finalmente concluir aquela maratona aérea. Vítor estava sentado na coxia logo nas primeiras filas do ATR que o levava a ele e a Ade· mar, seu co-piloto, para uma semana de formação e reciclagem ao abrigo de um dos recentes protocolos que tinham sido estabelecidos para apoio à formação profissional cm São Tomé e Príncipe. "Senhores passageiros, iremos iniciar a nossa descida para Argel. Por favor mantenham-se sentados e com os cintos de segurança apertados". Ouviu-se a chefe de cabine dizer num francês perfeito.


ROMANCES DE AMOR - TRANSPÕEM FRONTEIRAS 

Aquele toque era inconfundível. Quente e suave. O beijo então era ainda mais carregado de doçura, provocando um arrepio na espinha típico de quem está apaixonado. O cenário era de areia branca e água cristalina que reflectia a luz do sol quase cegando a vista. Os sons de pássaros faziam-se ouvir ao longe, talvez entre as árvores, cantando melodias para os enamorados que para ali fugiam. O beijo, esse, permanecia forte e contínuo, profundo, sentindo-se os dentes tocarem ligeiramente na ponta dos lábios até que num assomo de paixão a dentada fora mais violenta.
-Ai! - Gritou Miguel abrindo os olhos repentinamente.

Ao seu lado, João ria a bandeiras despregadas enquanto via uma cabra fugir assustada.



TEXTO DA ENTREVISTA  - REGISTADA NO  VÍDEO,  EDITADO ATRÁS 

O texto seguinte é a reprodução  do diálogo que,  Nuno Madeira Rodrigues, me deu a honra e o prazer de me proporcionar - Quando lhe perguntei se era um desafio - Disse-me:

NMR - É um desafio e acima de tudo  um  contar de uma  experiência que tive nos últimos anos : não é autobiográfico, como é evidentemente, mas procura, acima de tudo, ser um cartão de visita deste país, que é tão desconhecido ainda  dos portugueses. Mas é um desafio de pôr em palavras, aquilo que o Príncipe é.

Nós não conseguimos pôr  em duzentas ou trezentas páginas a história, a cultura, a sociedade, a natureza, as praias, tudo aquilo que é tão fantástico, acerca das Ilhas. E, por isso, este desafio, espero que seja um sucesso: sucesso este que vai ser medido na perspetiva  de convidar mais pessoas a ir ao Príncipe.

JTM - E já vi que o livro, Príncipe do Equador (título sedutor), tem várias fotografias.
NMR – Tem: não é um romance histórico, é um romance atual: não é baseado em personagens reais mas é baseado em sítios reais. Em situações reais em pessoas locais, reais, e, portanto, as fotografias servem para enquadrar também o leitor. 
JTM – É uma espécie de guia turístico, digamos?
NMR – Um guia turístico que, no fundo, percorre todo o páis de São Tomé e Príncipe: primeiro, mais S. Tomé, depois acabando mais no Príncipe e cujas fotografias vão ajudando o leitor a integrar-se mais na história, a perceber e a visualizar melhor aquilo que está a ser descrito
JTM – Pelo que me apercebi, contrariamente aos guias turísticas, é um livro que fala de sítios que o autor verdadeiramente conhece?
NMR – Sim, é verdade:  este tenta  mesmo dar a conhecer, em alguma profundidade – dentro de um livro permite, como é evidente, não só os sítios mas também a maneira de ser das pessoas e problema que as pessoas não imaginam que ainda existem: a rivalidade, entre as Ilhas de São Tomé e do Príncipe…

JTM – Acha que sim, que é rivalidade tem sido negativa?
NMR – Acho que a rivalidade não tem contribuído para o crescimento do país, enquanto  um país irmão: sente-se muito uma retração grande! Não diria, hostilidade, mas um afastamento, entre as duas ilhas.
JTM – Um certa marginalização.
NMR – De algum modo… Mas é normal!.. E o livro também procura explicar isso; tem um contexto histórico, tem um passado! Tem uma antiga capital no Príncipe, que depois passa para S. Tomé! Tem uma comunidade forte angolana, em S. Tomé e uma comunidade forte cabo-verdiana no Príncipe!... Portanto, há toda esta manta de retalhos que justifica muito a forma de ser das pessoas de hoje

FRUTO DE PESQUISA E DE EXPERIÊNCIA  - OS ENCONTROS DE ARGEL E A TEORIA DA RELATIVIDADE DEMONSTRADA NA SUNDY

O escritor e o Cartunista António do Expresso - e a esposa
JTM – Nuno Madeira Rodrigues: naturalmente que não foi só fruto de observação mas também de uma pesquisa, com certeza?
NMR – Sim, também: obviamente que há muitas coisas que eu tive que pesquisar e aprender!...
Eu quando cheguei ao Príncipe, não conhecia nada do Príncipe!... E aterrei quase no Príncipe de que em S. Tomé: foi preciso aprender a teoria da relatividade de Einstein, que lá foi demonstrada! Por que é que o pirata Bartholomew Robert, era ali que fazia a sua base! O que é que foram os Holandeses que sacaram e queimaram a cidade!..

JTM – Está tudo no livro? – Está! de  alguma forma… No meio do romance, tentei que a história fosse também contar estas histórias, que são reais!... O que é que foram os encontro de Argel!... Porque é que há rivalidade, entre as ilhas, enfim, tudo isto!
JTM – A Roça Sundy, onde a sua empresa se instalou, é praticamente uma autêntica pérola! Foi aí que esteve um grande cientista, que  se passou a demonstração do tal estudo da relatividade
NMR – Sim, é verdade: a Sundy é um sítio maravilhoso ! Tem uma comunidade muito especial dentro da própria Ilha: dentro da própria as ilhas, as comunidades,  são muito distintas no Príncipe.. Isso também aparece, de  alguma forma, retratado no livro! E foi lá que, em 1919,  o Arthur Stanley Eddington, demonstrou a teoria da relatividade de Albert Einstein, procurando aproximar, na altura, na primeira guerra mundial, o povo inglês e o povo alemão, porque ele queria, como inglês, provar uma teoria de um alemão!... E isso ainda hoje é celebrado: estamos prestes a celebrar os cem anos da experiência, e, sem dúvida que própria HBD, será a primeira  a fazer um grande marco desses cem anos

JTM – E para quando é que se prevê isso?
NMR – Para 2019!... Será todo o ano corrido… Daqui a três anos, é verdade, mas já se começa a pensar, porque queremos fazer uma ligação, entre o passado, o centenário, mas também a evolução tecnológica… Quem sabe, até, nos nossos sonhos, mais loucos, fazer uma comunicação, em direto, da própria estação espacial dessa data, tão marcante!

JTM – Aliás, o homem que se apaixonou por aquela terra, foi o primeiro astronauta turístico: o que é que levou   esse homem apaixonar-se pelo Príncipe e também no seu caso?

NMR – Não podemos falar, completamente por ele, mas o que eu acho que o apaixonou a mescla de que o Príncipe oferece: que é a natureza, a história, a cultura e as pessoas!... Isto não acontece, em muitos sítios!...Assim, tão pequenos e tão preservados que conseguissem encontrar tanta pureza, como se encontra ali… A mim, eu teria que dizer  que, acima de tudo, as gentes, as pessoas… As pessoas do Príncipe - e também as pessoas  de S. Tomé, obviamente  -  cativaram-me, desde o primeiro momento que ali cheguei
JTM – Daquela beleza incomparável!
NMR – A beleza incomparável, só veio depois.

PONTO DE PARTIDA PARA OUTRAS AVENTURAS LITERÁRIAS 

JTM -Portanto, temos aqui o primeiro romance de Nuno Madeira Rodrigues, com um título fantástico, fabuloso! E, com certeza, que pois deste que se seguirão outros projetos?
NMR – Espero que sim!... Vamos ver se este tem o sucesso, que eu espero! E o sucesso está em que, algumas pessoas, se sintam compelidas a conhecer também o país!... Como tive oportunidade de o fazer: isso +ara mim, era o sucesso desta obra!... E quem sabe, se isto não despertou um bichinho… Aliás, o Paulo Salvador, a quem eu devo ajuda: ele inspirou e deu-me a ideia do título! E agradeço muito por isso…
JTM – Um  título muito feliz!
NMR – Acho que sim. Mas também vem de um jornalista brilhante, e tinha que ser! Mas acima de tudo, ele dizia-me: a partir do momento, em que começaste, vais ver  que não vais mais parar
JTM – Muito obrigado e as maiores felicidades! Foi um prazer estar aqui consigo! Com um homem que, efetivamente, a quem se deve – você é Português  - o desenvolvimento do Príncipe! Porque, o Príncipe, estava um bocado esquecido e a sua empresa, deu-lhe um grande impulsionamento!  

NMR -  Eu sinto que sim. Acho que tivemos um modesto papel, mas que, sem falsas modéstias, agora, que tem sido catalisador do desenvolvimento, que se tem verificado: primeiro, no Príncipe, mas também, mais abrangentemente, em S. Tomé e Príncipe
JTM – HBD é  a empresa mais empregadora, se não estou em erro!

NMR – Eu penso que, a seguir às empresas Estatais,  e à Agripalma, em S. Tomé  - mas, Agripalma tem um sistema de contratados externos – que nós somos o maior empregador privado

BIOGRAFIA  - Nuno Madeira Rodrigues Administrador no Grupo HBD. Presidente da Direção da Associação Empresarial de São Tomé e Príncipe, Vice-Presidente do Conselho Fiscal da Associação Portuguesa de Promotores e Investidores Imobiliários, Presidente do Conselho Fiscal da Associação Lusófona de Energias Renováveis e Membro do Conselho Consultivo da Plataforma Sustentar. Exerceu vários anos como advogado na Cuatrecasas, e na Miranda Law Firm, foi gestor do Grupo Vasco da Gama na área internacional e consultor na Deloitte. Licenciado em Direito, LL.M. em Internacional Business Law e Pós-Graduado em Direito Comercial pela Universidade Católica Portuguesa. Especializado em Fiscalidade pelo INDEGTE/ISCTE e orador em conferências e eventos diversos. Autor de trabalhos na área jurídica e colunista de opinião em diversos meios de comunicação.


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