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Entre outros assuntos, falo da escalada ao Pico Cão Grande e das minhas aventuras em canoas – Visam defender a teoria de que antigos povos africanos, podiam ter sido os primeiros povoadores das Ilhas do Golfo da Guiné, antes dos colonizadores – Parti à meia-noite, disfarçado de pescador, ligando a ilha do Príncipe. Para me orientar, uma rudimentar bússola – A canoa era minúscula, à segunda noite adormeci: rolei na escuridão das vagas. No regresso fui distinguido com sopapos da policia salazarista, enviado para os calabouços – Cinco anos depois, numa piroga maior, fiz a ligação São Tomé-Nigéria. Partindo igualmente à noite, 13 dias depois atingia uma praia de Calabar, tendo sido detido 17 dias por suspeita de espionagem. - No mesmo ano, já com São Tomé e Príncipe independente, tentei a travessia São Tomé ao Brasil, usando os mesmos recursos. Além de pretender reforçar a minha teoria, desejava evocar a rota da escravatura e repetir a experiência de Alain Bombard. Porém, quis a ironia do destino que vivesse a difícil provação de um naufrágio de 38 longos dias, tendo aportado numa praia de Bioko (Bococo)onde fui recambiado para a famosa prisão de Black Beach

sábado, 17 de setembro de 2016

RAMBOS MILITARES PORTUGUESES MORREM POR QUÊ E PARA QUÊ?… - A Tropa de elite em Portugal – Serve desígnios mercenários: prepara rambos a custos elevadíssimos, depois, se as coisas dão para o torto, quem suporta a aventura, ´são os contribuintes – Fui militar em Angola e em S. Tomé, mas naquele tempo, a tropa era obrigatória – E, nesse tempo, quem endemizava os familiares dos milhares de vitimas que tombaram? Ou hoje presta ajuda ou assistência, digna, aos que ficaram perturbados, física e psicologicamente, para o resto das suas vidas?!...


Fui militar no “ultramar português”, no período colonial, um ano em Angola, 1966-67, seis  meses na Escola de Aplicação Militar, na ex-Nova Lisboa, Huambo, seis meses no 6º curso de Comandos, em Luanda, e o resto do serviço militar, mais um ano, na Companhia de Caçadores de S. Tomé e Príncipe:  o período mais complicado do meu serviço militar poderia ter sido em Angola, mas felizmente que, tendo pedido a minha transferência para S. Tomé, donde, aliás, havia partido, e, tendo esta me sido concedida, acabei por fazer um  serviço militar em beleza: participei na preparação de   duas recrutas, com soldados maioritariamente santomenses, que, quase cinquenta anos depois, ainda hoje se lembram do furriel miliciano que os mandava perfilar, e, no final de uma aplicada instrução, lhes dizia: GM é linda?!” (ginástica de aplicação Militar) A que eles respondiam: "Sim! É linda!!!"

Fui encarregado da Messe de Oficiais e da Agro-Pecuária: dada a experiência que já tinha da roça, para onde tinha ido estagiar com o meu curso de Agente Rural, tirado na Escola Agrícola de Santo Tirso;, pois, ao fim de seis meses, conseguia, com os meus soldados, um feito inédito, que me haveria de me merecer um louvor militar, que foi o de abastecer o quartel sem haver necessidade de ter que fazer gastos no exterior: em frutas, porcos galinhas para os  refeitórios do Comando Territorial Independente de STP –  Desde plantações de ananases às de bananeiras – Foi o melhor período, que até então vivi em S. Tomé, e que de algum modo me fez esquecer da dureza e brutalidade da escravatura na vida da roça.

Por isso mesmo, não tenho problemas de consciência por ter prestado serviço no período colonial e ate ter participado  nalgumas operações militares: não matei mais vi morrer.  Eis a razão pela qual não tenho nenhuma admiração pela tropa: quando a minha mãe adoeceu, com um câncer, pedi para lhe ir dar o meu último adeus e não fui autorizado, a pretexto de fazer falta na instrução militar – É sentimento de dor e de angustia, misturado de frustração, que jamais esquecerei.


Tal como também não guardo da roça, as melhores recordações senão o facto de ter apenas 18 anos, ser um jovem  e da surpreendente beleza daquela paisagem, que todos os dias se me revelava, pese a humilhação a que era submetido desde a alvorada  até ao escrecer -  Pois não posso esquecer-me de como era dificil e dura a  vida na roça, tanto para os empregados de mato como para os trabalhadores - E foi esta a categoria que me foi dada, pelo Administrador da Roça Uba-Budo, quando fui para ali estagiar - Pois ele tinha que humilhar também quem tivesse mais habilitações académicas que ele, que nem sequer a instrução primária possuía, mas era assim que se ascendia na roça - quanto mais duros se fosse mais possibilidades, os brancos tinham de serem promovidos, tendo-me obrigado  a tratar por tu todos os trabalhadores, alegando que tinha de ser assim para eles trabalhar, que não se lhe podia dar confiança: como não aceitei mandou-me de castigo para a roça Ribeira Peixe, para uma zona da cobra preta a contar cacaueiro abandonados; a dada altura, o trabalhador cabo-verdiano, que me acompanhava com uma cadeirinha de cal diluída em água para marcar os que iam sendo contados,  foi picado e morreu ali aos meus pés. Abandonei a roça nesse dia. 


Capitão Salgueiro Rego
Mas veja-se  o que diz o capitão  Joaquim de Lemos Salgueiro Rêgo, o brioso oficial que logrou denunciar as arbitrariedade dos massacres do Bate -Pá pelo então Governador Carlos Gorgulho, em Fevereiro de 1953 : "dizia-me o Governador Carlos Gorgulho, que se admirava da minha ingenuidade nestas coisas já tão sábias em S. Tomé: Como ir arranjar trabalhadores?!.. Muito facilmente pá!...(...) Tratando-me por tu, como a toda a gente naquela terra, dizia-me abrindo o mapa: Trata-se de cercar com os teus soldados a zona tal e tal... e de manhã vais apertando o cerco e traz-me para a cidade essa gente que for saindo de suas casas. Assim se fazia e se entre as mulheres vinha alguma cachopinha bonitinha era isca para o grande homem. .. E  resto da caçada  era entregue pelos meus soldados  sob prisão ao comandante  das prisões - miseráveis barracões imundos onde os pobres dormiam pelo chão  - um tenente Santos Ferreira que se dizia parente do Ministro do Exército , natural de Viseu.  Esses nativos apanhados nas rusgas  lançavam de rancor detestando os meus soldados e graduados pela forma como eram agarrados para o trabalho onde iam por vezes rusgas seguidas  não se apanhando os vadios  que dormiam o dia inteiro por vezes em cima das árvores com medo de serem presos. Disto fazia eu sentir  ao Sexa nos dias do meu despacho ao que ele retorquía: Tens cagaço? Eu não Sr. Governador, mas a forma como se fazem estas "convocações" numa terra onde não há indiginato  (selvagem) deve haver maus resultados. Pois é assim que eu quero que se faça. Eu vim também para cá com ideias boas , mas verifico hoje que estes gajos só vão à porrada!! E assim se foi fazendo  sempre os meus dois anos e dois meses até à célebre guerra do Matá-Pá e Bate-Pá em Fevereiro de 1953"   Capitão Salgueiro Rêgo  - In Memórias de um Ajudante de Campo e Comandante da Policia - II - Volume  

NAQUELE TEMPO, HAVIA AO MENOS UMA CAUSA  - EMBORA ERRADA  E CONDENADA AO FRACASSO PELA EVOLUÇÃO DOS TEMPOS   - MAS COM ALGUM SENTIDO PATRIÓTICO, 

AGORA A CAUSA É A DO  MAIS DESENFREADO MERCENARISMO – PARA  A QUAL NÃO FALTAM RAMBOS DISPOSTOS A ALISTAREM-SE – DEPOIS, SE AS COISAS CORREM MAL, O ESTADO É QUE TEM QUE AGUENTAR COM AS INDEMNIZAÇÕES. - Sacando os bolsos dos contribuintes 

Nos meus treinos nos Comandos
Na guerra colonial, havia uma causa, que, embora sendo absurda, criminosa e injusta, devido à persistente cegueira de um regime (ditatorial) que teimava em contrariar os ventos da história, de não conceder a liberdade e a independência das suas colónias, tal como já o haviam feito outras potências coloniais, que colonizaram, descolonizaram mas ficaram, porque o souberam fazer no tempo preciso.

Mas, fosse como fosse, pelo menos, tais missões eram fundamentadas, sob um pretexto, considerado patriótico, os soldados eram obrigatoriamente enviados, em barcos carregados ou no transporte aéreo para o que então se dizia, em defesa do ultramar e da soberania colonial portuguesa.

Também lá andei, em Angola, em 1966-67, como furriel miliciano nos Comandos: -  felizmente, pouco tempo, uma vez que, depois de concluir o curso de Sargentos Milicianos na antiga Nova Lisboa, regressaria a S. Tomé.

Não matei mas vi morrer e, tais imagens,  por tão dramáticas, dificilmente se apagarão da retina dos meus olhos. Não me considero uma vítima desse pesadelo, mas, como é sabido, quantos não foram os nossos militares, soldados, sargentos e oficiais, nos três ramos das Forças Armadas, que lá tombaram para sempre ou ficaram feridos, com gravidade, para o resto das suas vidas? - Sem falar dos nacionalistas (a que chamavam de guerrilheiros ou terroristas) abatidos pelas nossas tropas 

Conheço casos, de antigos soldados, que, desde há vários anos, se batem por uma reforma condigna mas esbarram com burocracias, sem conta e jamais lograram  uns euros para minorar as perturbações de que foram vitimas – Agora, é o que se vê: ninguém os obriga, alistam-se voluntariamente, e, se algo corre mal nos treinos, não tardam a vociferarem-se culpas a terceiros e a exigirem-se pesadas indemnização aos Estado

De facto, na guerra colonial, muitos foram os que tombaram, todos os dias havia feridos ou mortos: - uns atravessados pelas balas, outros destroçados por armadilhas, granadas e morteiros, além dos de outros milhares de guerrilheiros  e ninguém ousava vir pedir responsabilidades ao regime, pese as infinita dor, as imensas lágrimas derramadas pelos seus entes queridos, familiares, conterrâneos e amigos.

Agora, os nossos rambos (muitos dos quais betinhos e filhos da nossa burguesia, parasita e bem posta,)  sentindo que nada mais sabem fazer, porque educados para a ramboia, vendo na tropa, unicamente o  ócio, viagens, aventura, preguiça e diversão,  oferecem-se como voluntários – Pois, mas, se têm um azar,  quem é que os obriga a arriscar a vida ou o cabedal?


Atraídos pelos filmes hollywoodescos, como se a guerra fosse uma brincadeira e os vilões, lograssem sair sempre vitoriosos e incólumes, não hesitam em alistar-se para irem pegar numa arma ou atirar com uma granada, nas ditas operações internacionais, que não visam senão promover a guerra em vez de assegurar ou propiciar a paz: - Mais não têm outro objectivo  de que o da  continuação da matança e a destruição de países e de povos para o saque das suas riquezas naturais, promovida  pela avidez e ganância desumana e cruel do liberalismo selvagem internacional – 
Sim, porventura convencidos de que, terminados uns meses de veraneio e logrando viver  dispares emoções, além de serem   amedalhados , possam também ser compensados com  uma pipa de massa - Claro que  é uma falsa ilusão, sobretudo para o soldado, que será sempre o mesmo desgraçado, seja em que acções forem.

Pois, mas se  as coisas lhe correm mal, aí Jesus que a culpa é dos contribuintes que  têm que desembolsar chorudas indemnizações  para  pagar os acidentes dos seus riscos, assumidos prévia e conscientemente. – Pergunta-se: mas  alguém os obrigará  a alistarem em tais aventuras?!... Não vão por livre vontade? ... Não sabem que o oficio da dita tropa de elite é a do Rambo: treinada unicamente para pegar em armas e disparar!

Quando é que a tropa, em vez de ser enviada para o teatro dos tais operações assassinas e  belicistas, que deixam em vales de ruínas cidades, vilas e aldeias, com milhões de refugidos, abandonando em desespero, o seu solo pátrio, sim, conflitos  esses promovidos pela Nato e seus aliados, ao invés dessas barbaridades assassinas, a tropa é  destinada a trabalhos úteis à sociedade, apagando incêndios, por exemplo, arranjando caminhos e estradas, tal como o vi fazer, há uns anos, na Argélia, sendo a tropa a abrir as estradas pelo deserto - Ou então dedicando-se a atividades rurais, tal como faziam os soldados que tinha a meu cargo, na granja do quartel -  Se calhar já nem para os serviços de fachina estão talhados e têm que ser contratado pessoal externo. Desconheço se é assim.

O que sei é que,  se  fosse para vergar a mola e desempenhar outras tarefas,  obviamente que não apareciam voluntários ávidos para brincarem com o jogo mortífero e criminoso das armas e curtirem sádicas emoções..

DEPOIS TEMOS NOTÍCIAS DESTAS


Morreu mais um militar do curso de Comandos
Dylan Araújo da Silva, um jovem de 20 anos de Ponte de Lima, estava internado desde o domingo passado - Morreu Dylan Araújo da Silva, um militar de 20 anos que integrava o curso de Comandos e que estava internado desde o início da semana, confirmou este sábado o ministro da Defesa. O jovem tinha entrado em falência hepática, depois de ter sido internado no domingo passado, o mesmo dia em que morreu Hugo Abreu, do mesmo curso.
Com a morte de Dylan Araújo da Silva são já dois os militares do 127.º curso de Comandos a morrer na sequência do primeiro fim de semana de treinos. 10/09/2016 Exército - Morreu mais um militar do curso de Comandos….Expresso | Mais 6 militares foram assistidos no curso dos Comandos

Ministro reconhece falta de informação em anteriores acidentes com formação de comandos
17/09/2016 - 07:00
Azeredo Lopes revela que a cultura de Defesa vai ser divulgada nas escolas, que em finais de Outubro estará concluído o relatório sobre eventuais práticas homofóbicas no Colégio Militar e que em Novembro haverá propostas de Portugal para o futuro da base das Lajes. Ministro reconhece falta de informação em anteriores ..

O instrutor avisou-nos: 'Vou tornar-me num animal' - PressReader

O instrutor avisou-nos: 'Vou tornar-me num animal'” ... companhia tinha elevados valores morais e um grande sentido da responsabilidade.

Comandos. A recruta e o “carrossel” da morte – Observador


O furriel Hugo Abreu, um dos dois comandos do Curso 127 que morreram no início de Setembro, foi obrigado a comer terra já depois de entrar em convulsão, de acordo com a mãe, ouvida pela RTP. Ângela Abreu acusa o Exército de ocultar a verdade, nomeia um sargento, de quem diz: “Ele é que pode dar as respostas [sobre as causas da morte do jovem, que ocorreu no mesmo dia da prova, domingo, 4 de Setembro].” No sábado seguinte, Dylan Silva, colega do mesmo curso e da mesma prova, viria a morrer no Hospital Curry Cabral quando aguardava um transplante de fígado. Comando que morreu terá sido forçado a comer terra depois de entrar em convulsão

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