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Entre outros assuntos, falo da escalada ao Pico Cão Grande e das minhas aventuras em canoas – Visam defender a teoria de que antigos povos africanos, podiam ter sido os primeiros povoadores das Ilhas do Golfo da Guiné, antes dos colonizadores – Parti à meia-noite, disfarçado de pescador, ligando a ilha do Príncipe. Para me orientar, uma rudimentar bússola – A canoa era minúscula, à segunda noite adormeci: rolei na escuridão das vagas. No regresso fui distinguido com sopapos da policia salazarista, enviado para os calabouços – Cinco anos depois, numa piroga maior, fiz a ligação São Tomé-Nigéria. Partindo igualmente à noite, 13 dias depois atingia uma praia de Calabar, tendo sido detido 17 dias por suspeita de espionagem. - No mesmo ano, já com São Tomé e Príncipe independente, tentei a travessia São Tomé ao Brasil, usando os mesmos recursos. Além de pretender reforçar a minha teoria, desejava evocar a rota da escravatura e repetir a experiência de Alain Bombard. Porém, quis a ironia do destino que vivesse a difícil provação de um naufrágio de 38 longos dias, tendo aportado numa praia de Bioko (Bococo)onde fui recambiado para a famosa prisão de Black Beach

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Ex-Presidente Manuel Pinto da Costa, de S. Tomé e Príncipe, um dos raros líderes africanos apertar a mão ao histórico timoneiro Mao Tsé-Tung – em 7 de Agosto de 1975 e pouco antes da sua morte - Quando ainda a China era a grande bandeira vermelha da libertação da colonização ocidental -



Em 1900, cerca de 56,6% da Ásia e 90,4% da África estavam sob controle do colonialismo europeu, que, em África, havia criado fronteiras artificiais que não respeitavam as diferenças étnicas africanas, juntando num único país etnias diferentes e muitas vezes rivais .Depois da segunda guerra mundial, em 1945, os povos africanos intensificaram o processo de consciencialização de sua própria identidade étnica e cultural. E, tanto a Ex-URSS; como a China liderada por  Mao Tsé-Tung , Timoneiro da chamada grande revolução socialista, constituíram-se como os mais fortes aliados no processo de libertação dos povos oprimidos pelo domínio colonial ocidental -   E, mais tarde, também os EUA,  para não perderem o comboio dos novos ventos que sopravam para novo rumos, no continente africano,  ajustou os seus apoios armentistas aos movimentos que lhe pareceram mais fieis à sua linha capitalista. 

Esta uma das razões pelas quais algumas dessas lutas com independistas, movidas por interesses externos  e antagónicos, acabaram em verdadeiros banhos de sangue em vez de  no corolário de uma conjugação de esforços por uma causa comum - Angola, um entre outros trágicos exemplos 

Tal não sucedeu, porém, com o Movimento de Libertação de S. Tomé e Príncipe, inicialmente sediado na Guiné Equatorial, e, posteriormente, no Gabão, que logrou alcançar a independência, sem recurso à via armada, promovendo a consciencialização  política  da população pela defesa da sua liberdade e identidade - Naturalmente que graças à Revolução do 25 de Abril, em Portugal, que, depois de derrubar a ditadura Salazarista-Marcelista, abriu o caminho à descolonização e ao reconhecimento dos movimentos nacionalistas.

 No entanto, o MLSTP, não surgiu como movimento oportunista - A sua origem teve origem muitos anos antes da revolução portuguesa dos cravos - E, na charneira da sua liderança, esteve Manuel Pinto da Costa, líder do Partido fundador da nação de S. Tomé e Príncipe, sem dúvida, o pai da nacionalidade santomense - Um dos raros exemplo, africanos,  que  deu .tudo o que podia dar da sua vida sem esperar daí vir a coletar fortuna ou riqueza e aproveitamento material. 




O “REENCONTRO COM VELHOS AMIGOS” – EM LISBOA, HÁ MAIS DE 30 ANOS –  BREVE ENTREVISTA AO ENTÃO PRIMEIRO PRESIDENTE DA REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DE S. TOMÉ E PRINCIPE, FUNDADOR DA NACIONALIDADE SANTOMENSE, ATRAVÉS DO MSLTP E   ALGUNS SONS DO CONJUNTO MUSICAL OS LEONENSES, QUE ELE SEMPRE MUITO APRECIOU  - ESTE O  MEU SINGELO TRIBUTO AO ESTADISTA E À MÚSICA TÍPICA DAS MARAVILHOSAS ILHAS VERDES DO EQUADOR


Doutor em economia pela Faculdade de Berlim, antiga República Democrática Alemã, Manuel Pinto da Costa, membro fundador do Comité de Libertação de São Tomé e Príncipe, primeira organização independentista são-tomense, acabou por ser figura de consenso no seio dos nacionalistas radicados no estrangeiro, para dirigir a nova organização política o MLSTP e consequentemente o novo país independente.

Acrobatas Chineses em S. Tomé - anos 80
"A sua influência na luta pela libertação de São Tomé e Príncipe começou a ser exercida ainda como estudante. Na década de 60 foi eleito secretário para informação e propaganda da União Geral dos Estudantes da África Negra, sediada em Rabat Marrocos.

Durante 15 anos presidiu os destinos de São Tomé e Príncipe, de 12 de Julho 1975 à 3 de Abril de 1991. Foi um dos primeiros líderes africanos a implementar reformas com vista a mudança do regime mono partidário para a democracia pluralista. Em 1989 sob Presidência de Pinto da Costa o povo foi chamado para referendar a nova constituição política"

Depois de se tornar Presidente da República aos 37 anos de idade em 12 de Julho de 1975, pois completou 38 anos em 5 de Agosto de 1975; depois de liderar 14 governos(em 15 anos, quase um governo por ano) até 1991, num contexto talvez diferente, altura que decidiu abrir o país para a democracia; depois de passar quase outros 21 anos na reserva(como um general) onde também desfilaram 14 governos constitucionais e dois de gestão, o partido que liderava teve a capacidade e a visão de antecipar a evolução da conjuntura internacional e regional. Impulsionou e levou a cabo uma transição para o sistema democrático multipartidário, depois de um profundo e histórico debate na sua Conferência Nacional, realizada entre 5 e 8 de Dezembro de 1989” (Terra Firme 

Foto - Gentileza do Coronel Conde Falcão
Manuel Pinto da Costa,  a mais conhecida e carismática figura histórica do MLSTP, sim,  um dos mais distintos heróis da  fundação da pátria santomense,  um dos raros estadistas, ainda vivos, que conheceu o histórico líder da revolução chinesa, Mao Zedong - E também dos poucos dirigentes políticos que o cumprimentaram a escassos meses antes da sua morte.

"O encontro ocorreu em Pequim, a 23 dezembro de 1975, cinco meses e meio depois da independência de São Tomé e Príncipe. Pinto da Costa, o primeiro presidente do país, tinha 38 anos – menos 44 que o seu anfitrião.

(..) Mao “cumprimentou calorosamente cada um dos membros” da comitiva de Pinto da Costa e manteve “uma cordial e amigável conversa”, relatou o semanário Peking Review, sem mencionar o estado de saúde do líder chinês.

A República Popular da China foi dos primeiros países a abrir uma embaixada em São Tomé e a enviar cooperantes para o novo país, nomeadamente médicos

Pinto da Costa viajou para Pequim com três ministros e além de Mao, encontrou-se com um vice-primeiro-ministro, Li Xiannian.

(…) Mao Zedong morreu nove meses mais tarde e embora a China tenha evoluído numa direção que ele consideraria “contra-revolucionária”, o seu retrato continua afixado na Porta da Paz Celestial (Tiananmen), no centro de Pequim.
São Tomé e Príncipe também mudou muito e no início da década de 1990, aboliu o regime de partido único. Pinto da Costa abandonou a atividade política, mas em 2011 candidatou-se à presidência e ganhou.

 (…) Apesar de São Tomé e Príncipe não ter relações diplomáticas com a RPC, em junho de 2014, o seu presidente esteve em Pequim e em Xangai, numa “visita de caráter privado”.

É uma engenharia protocolar e diplomática invulgar, mas a carreira de Manuel Pinto da Costa também não é muito comum e, no fundo, ele ainda será visto em Pequim como “um velho amigo da China”. Presidente Pinto da Costa encontrou-se com Mao Zedong em 1975  
COMO MAO TSÉ-TUNG SE TORNOU NO GRANDE LÍDER HISTÓRICO DA CHINA - O povo chinês, que havia sido saqueado, dividido e humilhado pelas chamadas potências imperialistas durante o século XIX e XX, lutou contra a sangrenta invasão japonesa, que chegou a ocupar mais da metade do território chinês nos anos 30 e 40 do século XX. Por isso, os comunistas liderados por Mao Tsé-tung acabaram por receber grande apoio da população, que via o esforço dos militantes comunistas como uma luta antiimperialista que devolveria à China o seu lugar de grandiosidade, ocupado no passado. No imaginário da população chinesa, era como se uma nova dinastia imperial, jovem e forte, chegasse ao  poder.  -Após contribuírem com a expulsão dos japoneses, os “comunistas” ainda tiveram que lutar contra os “nacionalistas” chineses, liderados por Chiang Kai-shek, que comandava o Kuomintang — Partido Nacionalista da China. Com a derrota, os nacionalistas acabaram por fugir para a Ilha de Formosa, onde, em 8 de dezembro de 1949, fundaram a cidade de Taiwan. 1949: A revolução socialista de Mao Tsé-tung - Educacional

A TRIBO TROVOADA AVESSO  À COOPERAÇÃO DE S. TOMÉ COM A CHINA -  DEPOIS DO CHUTO A CAMBALHOTA 

Manuel Pinto da Costa e Miguel Trovoada - 1975

Os Trovoadas, não viram com bons olhos que, Manuel Pinto da Costa, pudesse trazer a China de volta, de tal modo que, o atual PM,  até chegou a torpedear um projeto do Governo, afeto ao MLSTP-PSD.  

Veja-se um dos exemplos: " 01/10/2014 A empresa chinesa Guangxi Hidroeclectric Contruction Bureau, ganhou o concurso público aberto pelo Governo são-tomense para a construção da Nova Cidade de São Tomé. (…) Na mesma cerimónia foi lançada a primeira pedra, pelo Ministro da Defesa e Ordem Interna Óscar Sousa em substituição do Primeiro Ministro Gabriel Costa Empresa chinesa Guangxi constrói a nova cidade de São Tomé | Téla ...

Mas depois o Governo de Trovoada, não deu andamento: 14/10/2015  O projecto de prolongamento da cidade de São Tomé, cuja primeira pedra foi lançada em Outubro último recebeu o sinal de STOP do Primeiro-ministro Patrice Trovoada

«Nossa cidade precisa de muito cuidado e muita atenção. Daí penso que uma nova cidade não é prioridade», declarou o Primeiro-ministro, numa conversa com 3 jornalistas integrantes de um novo Programa da TVS. Patrice Trovoada chumba projecto da nova cidade de São Tomé e ...


De recordar, que, na visita que, Manuel Pinto da Costa, efetuou à China, em Junho de 2014, chegaram-se a colocar dúvidas se Taipé iria ou não ser afastado em favor de Pequim – Pessoalmente testemunhei essa preocupação pelo representante deste país, em Lisboa, porém, tal erro não foi cometido; bem pelo contrário, STP alcançou um brilharete diplomático: uma vez que, já no ano anterior, uma delegação governamental santomnse se havia deslocado àquele  país, conseguindo que a China estabelecesse  uma missão comercial em STP, tornando-se o primeiro dos quatro aliados diplomáticos de Taiwan em África a ter uma missão comercial chinesa. Pouco tempo depois, a Gâmbia rompeu abruptamente os laços com Taiwan. Sao Tome head to visit China: MOFA - Taipei Times

QUEM HAVERIA  DE DIZER QUE,PATRICE TROVOADA,  HÁ MUITO ANDAVA A CAMINHAR PARA  A FINTAR OS SEUS AMIGOS DE TAIWAN OU A CORRER APENAS DOS NEGÓCIOS ORIENTAIS? 

Na visita, Patrice Trovoada, efetuou  à China, em Abril do corrente ano, que o recebe com pompa e   circunstância e rasgados elogios mútuos de muita sinceridade -" As relações não-chineses são sinceras, relação de igualdade genuína" - Até onde vai o descarado fingimento e a desfaçatez da hipocrisia do mais refinado mercenarismo vendilhão

Por seu turno, Trovoada disse que tinha visitado a China muitas vezes, mas que esta é a primeira vez que visitou a China com funcionários do governo. "A China é um país grande, mas também um país bonito, Estive em muitas províncias, como a cultura chinesa, culinária e arquitetura."

Trovoada também disse que gostaria de receber empresas chinesas a investir em São Tomé, São Tomé e Príncipe está empenhado em proteger o seu investimento através de mecanismos legais.

Para onde quer que se desloque, Patrice Trovoada, repete invariavelmente o mesmo discurso: tem sempre mercadoria para vender. - Inesgotável a mina para tantas viagens ao estrangeiro  - No dia 21 de Dezembro, o Governo chinês considerou “natural” a decisão de São Tomé e Príncipe de cortar relações diplomáticas com Taiwan e reconhecer a República Popular da China, realçando que o país africano fez a “escolha certa”.

O que faltou  lembrar é que, aquando do estabelecimento das  relações diplomáticas, com Taipé,  quer Manuel Pinto da Costa,  como outros destacados dirigentes do MLSTP – PSD,  não viram com bons olhos,  a decisão de STP largar as relações com a República Popular da China; claro, isto  ainda num tempo em que a China, defendia a chamada revolução socialista e não o revisionismo  neoliberal  dos milionários de agora, que, sob o capa de servirem o Estado, vêm consolidando incalculáveis  fortunas à medida que  expandem os  tentáculos dos seus negócios privados por todo o mundo,

O reconhecimento de Taiwan gerou uma crise política em São Tomé e Príncipe: a decisão do então Presidente da República Miguel Trovoada não foi apoiada pelo então primeiro-ministro Raúl Bragança e pela maioria da Assembleia Nacional. Só em 1999 São Tomé enviou um embaixador para Taiwan mas, apesar do começo atribulado, as relações santomense-formosinas mantiveram-se estáveis ao longo dos anos seguintes, como testemunham as várias visitas estatais de santomenses a Taiwan e os vários projectos taiwaneses de ajuda técnica nos âmbitos da agricultura, pecuária e tecnologias da informação, medicina, construção, energia e de atribuição de bolsas para formação técnica e académica" - 2013 - 
Sucessos e incertezas: o papel da ajuda médica nas

Tal como também  se ignorou outro facto  histórico relevante,  tanto  pelo Governante santomene, como nos discursos protocolares das entidades que  receberam "Teluowada", 


JANTAR DIPLOMÁTICO – COM UM UM CIDADÃO CHINÊS E OUTRO DE TAIWAN 

Junho 2014 - Afinal, mesmo que os políticos, não se entendam  e criem  fronteiras, onde elas até nem deviam existir,  como é o caso da China e Taiwan,  povos irmanados pelos mesmos laços ancestrais, mas que, interesses externos, haviam separado da forma mais violenta e belicista,   há, no entanto, uma outra realidade, a dos afetos e a da identidade cultural, que leva o seu tempo, tanto a criar como apagar, e, pelos vistos, a China e Taiwan, têm mais pontos em comum de que as separá-los.

E foi justamente o que ficou demonstrado, no dia 10 de Junho, Dia de Portugal, na festa que decorreu, em Lisboa, na  Casa Internacional de S. Tomé e Príncipe, onde muitas pessoas da comunidade santomense, alguns portugueses, e, curiosamente, a que se juntaram duas importantes personalidades de Taiwan e da China: o Vice-presidente, desta instituição santomense, que é chinês e o Representante dos Negócios de Taiwan, em Portugal –


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