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Entre outros assuntos, falo da escalada ao Pico Cão Grande e das minhas aventuras em canoas – Visam defender a teoria de que antigos povos africanos, podiam ter sido os primeiros povoadores das Ilhas do Golfo da Guiné, antes dos colonizadores – Parti à meia-noite, disfarçado de pescador, ligando a ilha do Príncipe. Para me orientar, uma rudimentar bússola – A canoa era minúscula, à segunda noite adormeci: rolei na escuridão das vagas. No regresso fui distinguido com sopapos da policia salazarista, enviado para os calabouços – Cinco anos depois, numa piroga maior, fiz a ligação São Tomé-Nigéria. Partindo igualmente à noite, 13 dias depois atingia uma praia de Calabar, tendo sido detido 17 dias por suspeita de espionagem. - No mesmo ano, já com São Tomé e Príncipe independente, tentei a travessia São Tomé ao Brasil, usando os mesmos recursos. Além de pretender reforçar a minha teoria, desejava evocar a rota da escravatura e repetir a experiência de Alain Bombard. Porém, quis a ironia do destino que vivesse a difícil provação de um naufrágio de 38 longos dias, tendo aportado numa praia de Bioko (Bococo)onde fui recambiado para a famosa prisão de Black Beach

terça-feira, 22 de agosto de 2017

CENSURA Á RÁDIO JUBILAR – A VOZ DA IGREJA EM S. TOMÉ E PRÍNCIPE – Levanta sentimentos de indignação, insegurança e preocupação na opinião pública . Tal como perplexidade ante as contradições e a passividade expressas pelo Bispo da Diocese - Corre um baixo assinado e uma carta-aberta a Patrice Trovoada, da poetiza Conceição de Deus Lima - Indignada “perante o fim do programa “Resenha da Semana” - “que era na imprensa São-Tomense, o derradeiro espaço aberto ao debate livre e ao livre exercício do contraditório” (…) “Não há como mascarar ou mitigar a brutalidade do golpe, o seu significado e as suas implicações”

Por Jorge Trabulo Marques - Jornalista - Informação e análise

Postagem atualizada em http://www.odisseiasnosmares.com/2017/09/sao-tome-assalto-da-tropa-ruandesa-ao.html


SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE, ILHAS MARAVILHOSAS ONDE A POESIA ANDA À SOLTA E BRILHA  NA LUZ DO VERDE MULTICOLORIDO E LUXURIANTE DA SUA PAISAGEM - É uma terra onde a poesia está na sua paisagem, no azul do mar que a envolve e no rosto das suas gentes, nas suas tonalidades, que, em cada cenário, assumem uma magia especial. O nosso planeta é vasto mas , além de não haver duas terras com as mesmas singularidades, estas ilhas têm  o condão de se situarem no meio do Mundo.

PENA HAVER NA GOVERNAÇÃO QUEM A   TRAIA AFRONTOSAMENTE OU A NÃO MEREÇA - Todavia, há no entanto poetas que não se resignam a essa heresia e corajosa e frontalmente o denuncia - É o caso da Carta Aberta de Conceição, Lima, divulgada pelo Jornal Téla Nón, que  mais adiante, tomo a liberdade de que aqui transcrever 

Patrice Trovoada, o censor-mor da inquisição politica e religiosa em S. Tomé e Príncipe, não é digno de continuar a desempenhar o alto cargo de Primeiro-Ministro, nestas Ilhas Abençoadas pela Mãe-Natureza – É um perigo  para  a evolução do pensamento democrático, o controlador e castrador do pluralismo dos órgãos de comunicação social e da livre expressão consagrada  na Declaração Universal dos Direitos Humanos – O dirigente corrupto e corruptor, que se recusa a prestar contas  do destino  dos milhões de  fundos que o Governo recebe da comunidade internacional mas que depois se desconhece como e onde  são  aplicados. O dirigente  que passa a maior parte da Governação fora do pais, em viagens de costas voltadas às dificuldades e aos problema reais da sacrificada população, envolvendo avultadas despesas e, mais das vezes, sem se saber, em concreto, com propósitos ou finalidades – Em 2015 só esteve no país 75 dias que custaram perto de 2 milhões de euros -.Patrice só cá esteve 75 dias em 2015-1 , em 2016, também pouco mais tempo esteve – E, em 2017, vai pelo mesmo caminho
 O assumido e deliberado fomentador da intriga e da calúnia, fazendo acusações levianas, que não justifica e se recusa depois a provar. Sim, o apóstolo da intolerância para uma saudável convivência  politica e cívica e religiosa, que não nasceu em S. Tomé nem nunca aqui fez questão de criar  laços afetivos, quer desde quando aqui veio, já adulto, quer mesmo com as suas ligações politicas e governativas. 

LUSA - 20-08-2017 "O realizador Waldiner Boa Morte e apresentador do `Resenha da Semana´, programa de maior audiência da emissora católica são-tomense (Rádio Jubilar), acusou hoje o governo de ter feito várias pressões, obrigando-o a suspender o seu programa.

 20-08-2017 - Já não me sinto motivado para continuar a fazer o programa, tendo em conta um conjunto de situações e muita pressão. Sabemos que este programa não agradava o governo que desde há muito tempo tem pressionado sobretudo a igreja católica» para o fechar, disse o jornalista Waldiner Boa Morte.  http://portocanal.sapo.pt/noticia/131094/

Sabendo das pedras que, Patrice Trovoada,  dispõe na rádio e na televisão estatal do seu pais, tal como sucede no estrangeiro, nos órgãos de comunicação social que se  confinam a difundir a propaganda governamental,  a chamada noticia positiva, estou certo que, a notícia, em epígrafe, divulgada pela Lusa e depois replicada por vários órgãos da Comunicação Social Portuguesa e outros - dificilmente teria dado o brado que deu.

Curiosamente, na mesma manhã,  horas antes da notícia da Lusa, já eu havia tomado a iniciativa de enviar várias mensagens, com a denúncia pública que fazia no meu site, aliás, citada também na minha página do Facebook e nas que em partilho, entre outras entidades e pessoas amigas, à Rádio Vaticano e à Rádio Renascença, na suposição de que não deixariam de, de modo direto ou indireto de alguma forma, de dar apoio ao Bispo da Diocese de S. Tomé, pela intolerável interferência do Primeiro-ministro Patrice Trovoada, na Rádio Jubilar, estação fundada, há vários anos, pela igreja católica neste país

jorge trabulo Marques
para:    porto@vatiradio.va
data:    20 de agosto de 2017 às 09:23
assunto:           Fwd: Patrice Trovoada – Pressionou o Bispo da Diocese de S. Tomé e Príncipe a cortar programas de debate plural e informativo na Rádio Jubilar
enviado por:    odisseiasnosmares.com




O Sr. Tem vários compromissos connosco!... O Sr. disse-nos que, depois do Senhor estar no poder – e nós apoiámos o Senhor para estar no poder – nos iria dar a parte dos negócios: aqueles negócios que nós poíamos fazer! E o Senhor não cumpriu!

O Sr. tem que lembrar… O plano do Sr. depois do Golpe de Estado era para assassinar o ex-presidente Fradique Menezes! … Às ordens do Sr.tem que lembrar que tem compromissos connosco a dizer para nós assassinarmos o Óscar de Sousa! – O que nós negámos






PIOR A EMENDA QUE O SONETO - O SR BISPO DEPOIS DE DAR O DITO PELO NÃO DITO, QUE ESPERA? – – É que, não tendo agradado nem a gregos nem a troianos, desagradou a todos -   Patrice Trovoada, pressionou Dom Manuel dos Santos a censurar uma entrevista e a suspender um programa na Rádio Jubilar – O Sr. Bispo cumpriu fielmente as ordens do PM, podendo denunciar publicamente a censória e abusiva intromissão  mas não o fez, tal como em situações anteriores - Depois veio com uns versos no Facebook a proclamar que“Tenho medo dos vendedores de democracia/que sacrificam no altar da liberdade quem não pensa como eles” – Os versos desencadearam uma tempestade de reações – 15 horas depois veio dar o dito pelo não dito, atribuindo-lhe um significado global.

O meu muito obrigado.
Car@s amig@s, comunico o fim do Programa Resenha da Semana na Rádio Jubilar( Todos os sábados), por razões pessoais. Um especial obrigado ao Liberato Mata Moniz que desde o primeiro momento aceitou caminhar junto comigo nesta maratona, e o resto da equipa, meu muito obrigado.
Foram 5 anos, momentos que simplesmente guardarei sempre, aos ouvintes deste programa, meu muito obrigado.


AFINAL DE QUE TEM MEDO O BISPO DA DIOCESE DE S. TOMÉ E PRÍNCIPE, AO CEDER UMA VEZ MAIS AO PODER DOS OPRESSORES, TRAINDO OS OPRIMIDOS? - Claro que não foi o bispo quem decidiu fazer censura na Rádio Jubilar - Patrice Trovoada, ameaçou suspender a licença da Rádio Jubilar" e o Sr. Bispo cumpriu fielmente as suas ordens: - E podia ter levantado a voz através do Vaticano e dos seus órgãos, mas uma vez mais  cedeu à banditagem Governativa

E agora veio  com uns versos a proclamar que "Tenho medo dos vendedores de democracia" - Para além de ter impedido que Peter Lopes, expusesse a sua defesa na Rádio Jubilar, cedendo a pressões exterioresainda por cima aceitou a supressão do programa semanal "RESENHA DA SEMANA"da Grelha da Rádio Jubilar 

Qual o país onde é que isto é possível de acontecer? Parece-nos que só nas ditaduras mais perversas e de pastores temerosos ou cúmplices. O mais caricato é que a ADI  usou as antenas da Rádio Jubilar para lançar ataques de terra queimada durante o exílio do Patrice Trovoada e depois ao Governo de Gabriel Costa e hoje cospe no prato onde comeram

PELOS VISTOS, O SR. BISPO DOM MANUEL DOS SANTOS JÁ VEIO  MANIFESTAR NÃO TER CORAGEM OU NÃO ESTAR PREPARADO PARA ENFRENTAR OS OPRESSORES  - CEDE AO MEDO OU É CÚMPLICE 

– Longe de fazer esquecer a imagem e a postura do  Bispo Emérito de São Tomé e Príncipe, D. Abílio Ribas, o Vigário de Cristo, de que “toda gente gostava dele. Tinha postura de um bispo. O actual é muito vulgar  – Opinião que nos foi transmitida por um leitor  - Homenageado em   15/05/2014  com um Centro Teresiano no sul de São Tomé; em honra dos 25 anos de serviço prestado neste arquipélago. Dom Abílio Ribas regressou a São Tomé para ser homenageado ...

UM FILHO DE INVERNO COM CHEIRO A PRIMAVERA


PIOR A EMENDA QUE O SONETO – Depois de ter editado livremente os seus versos, sem qualquer tipo de adenda à sua interpretação,   cujos comentários em momento algum contraditou  ou esclareceu, pelo contrário, até aceitou que os mesmos fossem partilhados, vem agora como que a dar o dito pelo não dito: no fundo a querer dizer que os seus versos tinham um significado global e  não eram destinados ao poder abusivo e  autoritário de Patrice Trovoada

Sim, porque, veio acrescentar, 15 horas depois, na sua página do Facebook: “Esclareço  que  o texto que escrevi "Tenho medo de... " pretende ser uma chamada de atenção sobre os perigos que podemos correr hoje com as tendências autoritárias a que assistimos no mundo (muitas vezes até de pessoas e grupos que se dizem muito democráticos!) e não uma referência a ninguém em concreto. Vivemos num mundo de medo e a tentação do poder pode cegar as pessoas!

Depois dos episódios que protagonizou, cedendo às pressões ou à cumplicidade do Primeiro-Ministro, Patrice Trovoada, não denunciando, publicamente,  o seu arbitro, a sua inadmissível interferência na liberdade de expressão da Rádio Jubilar, uma rádio privada da igreja católica no arquipélago   Achará o S. Bispo D. Manuel dos Santos, que, ao não saber resistir ou denunciar, frontal  e abertamente, à  prepotência do S. Primeiro-ministro,  está em condições de ser tomado a sério?..
QUEM SEMEIA VENTOS COLHE TEMPESTADES
Durante o período de dois anos, em que Patrice Trovoada, se refugiou em Portugal, para onde se escapara  para não responder à Justiça,  em S. Tomé, e havia motivos fortes para ser detido e julgado, a Rádio Jubilar, deferiu sistemáticos ataques ao Governo de Gabriel Costa, com o epíteto de terra queimada - Agora há algum que gera talvez ainda mais confusão e preocupação, dado o silêncio do Sr. Bispo
"Tenho medo dos vendedores de democracia
/que sacrificam no altar da liberdade quem não pensa como eles/Tenho medo dos vendedores da justiça”  - Mas não foi este o exemplo deixado pelo supremo sacrifício de Cristo, traído por Judas e que preferiu o Calvário a negar a sua fé.

Se o Sr. Bispo se não se deixasse intimidar ou vergar às  pressões  anteriores impostas pelo poder autoritário de Patrice Trovoada e as tivesse denunciado, oportuna e claramente, mas fechou-se no seu confessionário e aceitou-as, sim, estes seus versos que agora fez nunca seriam versos de medo mas de vitória sobre os opressores

É isto que os salmos bíblicos nos dizem: 1-O SENHOR é a minha luz e a minha salvação; de quem terei medo? O SENHOR é a fortaleza da minha vida; a quem temerei?
 2 Quando malfeitores me sobrevêm para me destruir, meus opressores e inimigos, eles é que tropeçam e caem. 
Mais pormenores neste site emhttp://www.odisseiasnosmares.com/2017/08/patrice-trovoada-pressionou-o-bispo-da.html
Salvo a voz do jornal on line Téla Nón, pese as muitas pressões e ameaças que tem sido alvo de Patrice Trovoada, e, por vezes, os valiosos contributos de algumas  noticias da  RTP-África, sim, são muito raros têm sido os artigos que se atrevem a questionar a propaganda patriciana.  - Se não fossem as opiniões, livremente expressas, nas redes sociais, então é que seria o mutismo absoluto; que, no fim, de contas, é donde têm partido as primeiras fontes e denúncias para depois a grande imprensa, lhe dar algum eco.
Abaixo-assinado – Divulgado pelo Téla Nón -  “O primeiro-ministro, Patrice Trovoada, determinou a extinção do programa ‘’Resenha da Semana’’, da Rádio Jubilar, Emissora Católica de São Tomé e Príncipe.
Acabaram-se os debates, acabou-se o exercício do contraditório no país.
Os são-tomenses vão aceitar, conformados, que se instale esse total vazio?
Vão aceitar que a maioria absoluta dada ao ADI e a Patrice Trovoada para governarem o país, se converta numa ferramenta de total amordaçamento e infantilização dos cidadãos?
Vão assistir, indiferentes e de braços cruzados, à total supressão da liberdade de imprensa, exceptuando os jornais digitais e as redes sociais?
Está aberto o abaixo – assinado, instando o bispo da diocese de São Tomé, Dom Manuel António Santos, a manter, na Rádio Jubilar, um espaço aberto ao debate e ao livre exercício do contraditório.
Por favor, assinem.
Os subscritores devem registar o nome, o número do BI e a profissão.

CARTA ABERTA DE CONCEIÇÃO DE DEUS LIMA A PATRICE TROVOADA  - Mais de que a denúncia  ao descarado mentor e protagonista, useiro e vezeiro a cercar a voz a quem não lha  faça o jogo, é o grito inconformado, consciente e amargurado de uma distinta cidadã santomense, também ela já alvo de outros saneamentos e machadadas pela arrogância do mesmo impostor, sim, que não se resigna ao aviltamento pela  prepotência e o arbítrio de um comerciante vaidosos e ambicioso,  que usa  a politica como alavanca promotora dos  seus das suas negociatas pessoais.

Conceição Lima, jornalista, poeta e escritora, que,  nas maravilhosas ilhas do equador é mais conhecida por São de Deus Lima,  creio que em resultado da  admiração, do carinho e da popularidade, que goza no seu país, é o nome mais traduzido da literatura são-tomense, nomeadamente nas línguas alemã, árabe, francesa, italiana,  galega, espanhola, inglesa, servo-croata, turca e shona - 

Carta Aberta a Patrice Trovoada
Senhor primeiro-ministro:
na irrevogável condição de cidadã são-tomense, venho afirmar a minha mais inequívoca indignação perante o fim do programa ‘’Resenha da Semana’’ da Rádio Jubilar, Emissora Católica de São Tomé e Príncipe.
A extinção, todos o sabem, teve, em Vossa Excelência, o mentor e o mandante primário.

Há cinco anos que o programa vinha sendo semanalmente apresentado pelo jornalista Waldyner Boa Morte, um profissional íntegro, cujos convites nunca haviam sido regateados por altos dirigentes  do actual partido no poder, enquanto opositores. Os rótulos de ‘’agente político’’ e de ‘’agente provocador’’ só saltaram para a praça pública quando o ADI regressou ao governo, trazendo de volta, como principal distintivo, uma implacável repressão da agenda informativa e noticiosa dos órgãos estatais de comunicação social. De canal pluralista e jornalista necessário, a Rádio Jubilar e Waldyner Boa Morte transformaram-se em instrumentos da oposição e “dos seus ocultos desígnios”.

‘Resenha da Semana’’ era, na imprensa são-tomense, o derradeiro espaço aberto ao debate livre e ao livre exercício do contraditório. A sua extinção representa, objectivamente, a total erradicação do pluralismo e da liberdade de opinião nas antenas de difusão em São Tomé e Príncipe, confinando estes fundamentais atributos dos regimes democráticos aos órgãos digitais e às redes sociais. Não há como mascarar ou mitigar a brutalidade do golpe, o seu significado e as suas implicações.

Face a tais constatações, senhor primeiro-ministro, o nível da minha indignação,  afigura-se-me directamente proporcional  ao tamanho da lesão que Vossa Excelência acaba de inflingir aos, já de si, frágeis tecidos da democracia são-tomense.

Os cidadãos com opiniões independentes ou contrárias, ficaram sem espaço. Os cidadãos que não se predispõem a embarcar na infantilizadora glorificação do ‘’XVI Governo Constitucional liderado por Sua Excelência, o Dr. Patrice Emery Trovoada’’, estão, pura e simplesmente, silenciados.

Exceptuando os debates parlamentares, já tradicionalmente transmitidos em directo, a oposição deixa de ter espaço para esgrimir argumentos e sustentar os seus pontos de vista.
A si, senhor primeiro-ministro, fica reservada, em exclusivo, a prerrogativa das longas ‘’conversas em família’’, em órgãos cujo funcionamento é pago pelos contribuintes.
Com o país a entrar em fase de pré-campanha eleitoral, fica-lhe exclusivamente reservado espaço para, regularmente, apresentar as suas propostas e ideias, em longas prédicas que, uma e outra vez, se assemelham a monólogos.

Deixou de existir a única alternativa à propaganda desenfreada, à demagogia e à acentuada tendência para o culto da personalidade, totalizando uma agenda comunicacional de apoucamento e menorização dos cidadãos.
O aparente catalizador foi a censurada entrevista em que Peter Lopes prometia fundamentar as graves acusações proferidas nas redes sociais contra a sua pessoa, nomeadamente, de ter sido o financiador do golpe militar de 2003 e de ter ordenado o assassinato de Pinto da Costa, Fradique de Menezes e Óscar Sousa. Porém. Ninguém duvida de que foi o culminar de uma longa campanha de hostilização, intimidação e pressões.

Em vésperas das eleições presidenciais de 2017, Vossa Excelência havia já pressionado e forçado o bispo da Diocese de São Tomé a suspender o mesmo programa, após a divulgação, numa publicação que lhe é afecta, de ácidas diatribes contra Waldyner Boa Morte, contra a Rádio Jubilar, contra o bispo Manuel António Santos e contra o Vaticano.

Não está em causa o legítimo direito à indignação. É indiscutível o direito à defesa da honra. O direito de recorrer a todos os meios disponíveis para salvaguardar o bom nome não é disputável. Contudo, quando se acciona contra um acusador, toda uma barragem de refutações, desmentidos e suposições, a saber, as de insanidade e de estar ao serviço de outrém;

quando os desmentidos e suposições são transmitidos através de canais públicos que disponibilizam, prontamente, o direito de resposta a acusações nunca nas suas antenas veiculadas, ao mesmo tempo que se bloqueia o acesso da outra parte a uma  rádio privada, é caso para se concluir que algo não estará bem  no Reino da Dinamarca.
Senhor primeiro-ministro:

O povo são-tomense, que, em quarenta anos de independência, nunca antes fora  subdividido em ‘’povo pequeno’’ e ‘’povos outros?’’, entregou-lhe a tríade uma maioria-um governo-um presidente,mandatando-o a exercer o magistério da governação com a robusta autoridade emanada da aritmética das urnas, tendo sempre presente os princípios democráticos. Ora, no que à comunicação social concerne, pode-se dizer que o seu magistério enveredou por uma inflexível marcha paquidérmica, pulverizando tudo à sua passagem.

A insistência em responder às críticas ao seu egocentrismo na comunicação social, evocando a censura do seu triunfal regresso em 2014, após dois anos de exílio voluntário, apouca  e derruba as suas promessas de mudar São Tomé e Príncipe em todas as frentes, fazendo mais e melhor do que os seus antecessores.

Em maior ou menor grau, a governamentalização e as interferências partidárias foram um traço dos órgãos estatais, desde que foi instituído o multipartidarismo em São Tomé e Príncipe. Vossa Excelência pode, porém, reivindicar como feito, o  aprimoramento institucionalizado dos mecanismos da censura, do controlo da informação e da notícia, bem como a partidarização dos órgãos, numa escala sem precedentes, em toda a vigência da IIª República.

Nestes três anos, Vossa Excelência continuou, com tenaz afinco, a cultivar o horror ao contraditório e às perguntas imprevisíveis, restaurando uma herança do seu anterior mandato.
Uma das primeiras ‘’acções afirmativas’’, foi acabar com o programa de debates. A equipa organizadora promovera, durante a campanha, uma série de mesas-redondas com todas as forças concorrentes às legislativas e às autárquicas. Em todas, o seu partido, o ADI, fizera-se representar a alto nível.
Foram abolidos os conselhos de redacção.
Nestes três anos, assistiu-se, por inspiração ou expressas ordens suas, à marginalização dos profissionais mais experientes.

Nestes três anos, foi definida e fixada a identidade dos jornalistas que lhe podem dirigir perguntas. São sempre os mesmos.
Definiu-se e fixou-se a identidade dos jornalistas que não podem pôr os pés no Palácio do Governo.
Durante a campanha para as presidenciais, interditou,  através dos seus seguranças, a participação do jornalista Abel Veiga numa conferência de imprensa na primatura e impôs o seu banimento das instalações.
Regressou a censura às músicas, uma prática do modelo partido-Estado e da qual já se havia perdido a memória.

Consequencialmente e sem surpresas, assistiu-se, nestes últimos três anos, ao aumento exponencial dos índices de audiência da ‘’Resenha da Semana’’.
O programa impôs-se como reduto do exercício da cidadania e da liberdade de imprensa em São Tomé e Príncipe.
Esse reduto foi, pelas suas pressões, por si, abatido.
Mas se algum benefício imediato colheu da imposta extinção do programa, senhor primeiro-ministro, foi o de se auto-coroar, conclusivamente, como um líder democraticamente eleito, inimigo da imprensa livre.
São Tomé, 21 de Agosto de 2017
A subscritora: Conceição de Deus Lima

"Conceição Lima nasceu em Santana, na ilha de São Tomé, em 1961. Estudou jornalismo em Portugal. Em São Tomé e Príncipe trabalhou e exerceu cargos de direcção na rádio, televisão e na imprensa escrita. É licenciada em Estudos Afro-Portugueses e Brasileiros pelo King’s College de Londres e mestre em Estudos Africanos, com especialização em Governos e Políticas em África, pela School of Oriental and African Studies (SOAS), de Londres. Foi durante vários anos jornalista e produtora dos Serviços de Língua Portuguesa da BBC. Presentemente é jornalista da TVS, Televisão São-Tomense. Tem poemas dispersos em jornais, revistas e antologias de vários países. Publicou na Caminho O Útero da Casa e A Dolorosa Raiz do Micondó." Raízes de Micondó de Conceição Lima espalham-se pelo Brasil...3 livros para celebrar o Dia da Consciência Negra

SÃO ASSIM OS POETAS ...
Desde os anos 80  que Maria da Conceição Costa de Deus Lima, descobriu os caminhos da poesia, contudo, e, como geralmente acontece aos maiores poetas, a poesia é como voo de ave: voa ou  voga, simplesmente,  através dos grandes espaços ou  mares da sensibilidade e da imaginação, sem, todavia, ter pouso seguro. Vão-se fixando instantes, na sebenta do dia a dia, sem contudo haver a preocupação de os transformar em livro ou de lograr um porto de arribação – Em suma, vai-se viajando: 
“Os barcos regressam
carregados de cidades e distância

Adormecem os grilos
Uma criança escuta a concavidade de um búzio.
Talvez seja o momento de outra viagem
Na proa, decerto, a decisão da viragem”

HÁ UM ANO - DITO NESTE SITE: -MORDAÇA EM CURSO PELA TRIBO DO SR. PRIMEIRO-MINISTRO PATRICE  TROVOADA 

 Depois do afunilamento censório na televisão e rádio do Estado, impedindo -(através de apagão) que o discurso do Presidente da República, Manuel Pinto da Costa, fosse passado integralmente na TVS - televisão de STP, bem como o comunicado integral da Ordem dos Advogados (omitido e distorcido nos pontos principais), assim como de outros atos inibidores da liberdade de expressão, é agora a  vez de um programa da Rádio Jubilar - propriedade da Igreja  Católica,  - ser desautorizado por consentimento do Bispo mas (pelos vistos)  cedendo  a fortisssimas pressões governamentais

HÁ UM ANO - CENÁRIOS LAMENTÁVEIS QUE SE REPETEM - "POR FAVOR, NÃO MATEM A DEMOCRACIA!" 

Diz Liberato Mata Moniz, um dos mais antigos e prestigiados repórteres da Televisão e da Rádio, aos dirigir-se aos seus amigos e amigas na  sua página do facebook . 

 “No passado sábado, dia 30 de Julho de 2016, por imperativos que violam transversalmente a liberdade de expressão e a possibilidade de se viver em liberdade, o programa “Resenha da Semana”, um programa de debate da Rádio Jubilar – o único no país, em qualquer meio de comunicação, público ou privado –, em que participo há já mais de quatro anos, foi aconselhado, a pedido de certos Órgãos de Soberania, a não transmitir o seu programa tomando como base que os participantes do programa, por muitas vezes estarem em desacordo com as posições desses órgãos, e particularmente das do atual governo, estavam, assim como a própria igreja católica, a serem considerados de anti-patriotas e desestabilizadores sociais.

Conhecendo eu como conheço a base que sustentam os atuais órgãos de soberania e, particularmente este XVI Governo Constitucional e a maioria do ADI, que chegam ao poder precisamente para, muita gente acreditou, promoverem o contraditório, para criticarem o governo anterior e terem chegado a colocar o Estado santomense no Tribunal Internacional (pasme-se!) por perseguição política e falta de liberdade de expressão, morre dentro de mim um pouco mais de esperança que sempre tive em, um dia, ver o meu país diferente, rumo ao melhor.
Acresce ao que acima afirmei que, para além do ADI e o seu “líder espiritual” terem encontrado meios alternativos para promoverem o contraditório no país (STPtv e o FÓRUM Téla Non), a própria Rádio Jubilar era, antes de chegarem ao poder em Outubro de 2014, uma das principais antenas abertas para a transmissão das suas mensagens e ideologia política.


Ao sermos aconselhados pelos altos responsáveis da Diocese de São Tomé e Príncipe, Bispo e Padres, por igual pedido das “autoridades santomenses” a não fazermos, pelo menos enquanto decorrem os vários “conflitos” existentes no país, o programa “Resenha da Semana”, fica patente a inabilidade dos governantes do país em conviverem com o contraditório e a desavergonhada face de um “poder democrático” em que só as suas opiniões contam. Como me recuso a aceitar que vivo em ditadura, mesmo sendo um pedido da Igreja Católica de São Tomé e Príncipe, não posso deixar de manifestar publicamente a minha repulsa e afirmar toda a disponibilidade e luta para que a São Tomé e Príncipe não volte a viver num clima ditatorial que conheceu no passado e contra o qual muitos lutaram, dando a sua própria vida. A minha homenagem aos mesmos!
Sei que os próprios governantes, lá no interior das suas almas e corações, reconhecerão a verdade do que digo e se penitenciarão pelo pecado cometido com a desfaçatez de um pedido tão grosseiramente anti-democrático.   -


 Transcrito neste site em  http://www.odisseiasnosmares.com/2016/08/em-s-tome-bispo-dom-manuel-dos-santos.html

PATRICE -  CONHECIDO COMO O  "EMPRESÁRIO MISTERIOSO"  - MAS  CREIO QUE ESTAS LINHAS  VÃO  DIZER  ALGUMA COISA 


De  seu nome Patrice Émery Trovoada –  nascido no dia 18 de Março, em Libreville, Gabão, filho do antigo Presidente Miguel Trovoada e de uma gabonesa, Reza a biografia que foi ministro dos Negócios Estrangeiros de setembro de 2001 a fevereiro de 2002. Posteriormente ocupou o cargo de assessor do Presidente Fradique de Menezes para as questões petrolíferas. Em 2006, foi candidato à Presidência da República pela Acção Democrática Independente (ADI), tendo obtido 38,8% dos votos. Em fevereiro de 2008, foi nomeado primeiro-ministro de São Tomé e Príncipe, cargo que ocupou até junho do mesmo ano. Mais tarde, em agosto de 2010, voltou à chefia do governo, para a abandonar em dezembro de 2012. Em 25 de novembro de 2014, voltou a ocupar o cargo de primeiro-ministro[1], ao ser nomeado pelo presidente da república, Manuel Pinto da Costa.


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