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Entre outros assuntos, falo da escalada ao Pico Cão Grande e das minhas aventuras em canoas – Visam defender a teoria de que antigos povos africanos, podiam ter sido os primeiros povoadores das Ilhas do Golfo da Guiné, antes dos colonizadores – Parti à meia-noite, disfarçado de pescador, ligando a ilha do Príncipe. Para me orientar, uma rudimentar bússola – A canoa era minúscula, à segunda noite adormeci: rolei na escuridão das vagas. No regresso fui distinguido com sopapos da policia salazarista, enviado para os calabouços – Cinco anos depois, numa piroga maior, fiz a ligação São Tomé-Nigéria. Partindo igualmente à noite, 13 dias depois atingia uma praia de Calabar, tendo sido detido 17 dias por suspeita de espionagem. - No mesmo ano, já com São Tomé e Príncipe independente, tentei a travessia São Tomé ao Brasil, usando os mesmos recursos. Além de pretender reforçar a minha teoria, desejava evocar a rota da escravatura e repetir a experiência de Alain Bombard. Porém, quis a ironia do destino que vivesse a difícil provação de um naufrágio de 38 longos dias, tendo aportado numa praia de Bioko (Bococo)onde fui recambiado para a famosa prisão de Black Beach

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Marcelo Rebelo de Sousa já está a voar ou mesmo a chegar a S. Tomé, onde pernoitará para iniciar a visita oficial pela manhã do dia 20 - Com uma agenda muito preenchida: Depois dos cumprimentos protocolares no Palácio do Povo, Assembleia da República e Primeiro-Ministro. almoçara com os representantes da ONG - São 200 destas instituições para 200 mil habitantes - Indicámos-lhes aqui duas figuras exemplares de dedicação a STP: A bióloga Sara Vieira, da ONG Marapa e o luso-santomense, Jorge Vacas, o português mais antigo nas Ilhas. ,

(atualização Afinal não nos enganámos nas nossas previsões: estava a chegar quando editámos este poste) -     O presidente de Portugal Marcelo Rebelo de Sousa acabou de chegar  esta noite por volta das 23:30 horas locais à capital são tomense, dando início a uma visita de 48 horas à São-Tomé e Príncipe visando o reforço de cooperação entre os dois Países http://interlusofona.info/s-tome-e-principe-marcelo-rebelo-de-sousa-chegou-na-noite-de-ontem-a-capital-sao-tomense-veja-suas-declaracoes/



Jorge Trabulo Marques - Jornalista -  Informação e análise 


O Presidente da República Portuguesa, vai ter uma agenda muito preenchida, num país de móli-móli mas agora com muita crispação politica, num ambiente mais propenso a protestos ao regime de que a virar festa – Conseguirá o Presidente Português, o milagre de mudar a mentalidade de um Primeiro-Ministro, nascido no Gabão, que faz das Ilhas a sua propriedade? – Marcelo tem o dom da palavra, pelo que não deixará de deixar as suas mensagens, sem ter de se colocar no papel do antigo país colonizador, donde, aliás, tem vindo a depender uma grossa fatia da ajuda externa

OPOSIÇÃO ASSINALA QUE O PAÍS «ESTÁ SOBRE BARRIL DE PÓLVORA

Reprimindo o povo pacifico mas oprimido
O Partido da Convergência Democrática (PCD) considerou, esta sexta-feira, que São Tomé e Príncipe vive uma «tensão política latente» e que se encontra sobre «barril de pólvora». E explicou porquê.

«A prática política do partido no poder tem sido desenvolvida no sentido de subverter a nossa tradição democrática. As nossas instituições estão a ser objeto de interesse político-partidário, que põe em causa a coesão nacional», lê-se também no comunicado. http://abola.pt/Mundos/Noticias/Ver/716517

PARA QUEM É CALOTEIRO O DINHEIRO NÃO CUSTA A GANHAR - Patrice Trovoada foi a Lisboa, gastar mais uns milhares de euros numa das centenas passeatas, para dizer que a cooperação devia ser repensada – Enquanto, em S. Tomé, se fazia eco pelas redes sociais para que o Presidente Português, suspendesse a viagem, devido aos abusos inconstitucionais do partido maioritário e do Governo – 

  Enquanto não fosse restabelecida alguma ordem democrática neste pequeno país, onde  o partido maioritário, que apoia  o Governo e o próprio  Primeiro-Ministro, exercem apertado controlo nos media do Estado ( cerceiam a voz da oposição), tal como a embaixadora dos EUA, recentemente frisou, lembrando que “Um dos principais alicerces de qualquer Estado Democrático, é a Liberdade de Imprensa, e o acesso nomeadamente pelas forças políticas da oposição aos órgãos de comunicação social. https://www.telanon.info/politica/2018/02/02/26352/eua-alerta-o-poder-sao-tomense-para-garantia-da-liberdade-de-imprensa/

UM PRIMEIRO-MINISTRO QUE FAZ AFIRMAÇÕES TÃO INSENSATAS NÃO É DIGNO DAS FUNÇÕES QUE EXERCE – O CÚMULO DA ESTUPIDÊS

Como é que espera de ser olhado ou respeitado, quando ele não respeita os demais órgãos de soberania? – Dá-se ao desplante de afirmar que  Há uma máfia instalada nos tribunais do país de São Tomé e Principe ... sendo ele  o principal coordenador da Máfia nacional” –

ATÉ ONDE VAI O DESVARIO PATRICIANO

Dá instruções para  que o Presidente do Supremo Tribunal de Justiça deixe de ter as honras de VIP no aeroporto  – “Manuel Silva Gomes Cravid, Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, que não reconheceu o Tribunal Constitucional de 15 de Janeiro, já não tem lugar na sala VIP1 do aeroporto Internacional de São Tomé. https://www.telanon.info/politica/2018/02/19/26468/ordem-superior-remete-presidente-do-stj-para-vip2/ - Até parece que também é Patrice que manda na Justiça: Patrice- “Juízes medíocres podem ser úteis noutros sectores” – Téla Nón

OUTRO DOS APELOS AGRADECE A MARCELO -NESTES TERMOS

É um comentário expresso no Facebook por Octávio Bandeira . Obrigado ao Presidente Português Marcelo Rebelo de Sousa.
Nós os Santomenses somos considerados de otário pelo Pelo Primeiro Ministro Patrice Trovoada.

De tanto pedir para viajar pouco e resolver os problemas do País, fomos denominados de obstáculos e não deixar o Primeiro-ministro trabalhar.
Por ocasião da visita á STP do Presidente Português, o governo de Patrice Trovoada acordou um pouco, embora faz de conta porque a cicatriz não terminou, a ferida não curou apenas fora coberto de gases.

O único edifício pintado por dentro e fora é o Banco de Urgência que receberá a visita do Presidente Marcelo porque irá ofertar alguns materiais. Todos outros deram-lhe um jeito por fora. Igualmente está acontecendo com algumas vias da capital tapado com massas de cimento em vez do asfalto. Coisa de pouca dura.
Porquê esperar por uma visita desta para fazer coisas simples que não custam milhões de dólares? https://www.facebook.com/groups/1046261748750459/

A visita do Chefe de Estado Português, que chegou a estar agendada para 28 de Janeiro, vai finalmente poder concretizar-se a partir de amanhã, ou seja, 18 anos depois da vista oficial do Presidente Jorge Sampaio

PROGRAMA DA VISITA  - 1º DIA 


20 de fevereiro de 2018 Visita de Estado do Presidente da República à República Democrática de São Tomé e Príncipe
20 a 22 de fevereiro de 2018 10:00
Cerimónia Oficial de Boas-vindas no Palácio do Povo
- Honras militares
- Fotografia oficial
- Apresentação das comitivas
10:25
Encontro a sós entre o Presidente da República e o Presidente da República Democrática de S. Tomé e Príncipe, Dr. Evaristo do Espírito Santo Carvalho, no Gabinete do Presidente
10:40
Encontro dos dois Chefes de Estado alargado às delegações
10:55
Declarações dos dois Chefes de Estado à Imprensa
11:15
Encontro entre o Presidente da República e o Presidente da Assembleia Nacional, Eng.º José da Graça Diogo, com lideres das bancadas parlamentares na Assembleia Nacional
12:00
Encontro entre o Presidente da República e o Primeiro-Ministro e Chefe de Governo de S. Tomé e Príncipe, Dr. Patrice Trovoada, no Palácio do Governo
12:25
Saudações do Presidente da República e do Primeiro-Ministro de S. Tomé e Príncipe a Grupos Culturais e Populares na Praça Yon Gato
13:00
Almoço com ONG's na Chancelaria da Embaixada de Portugal em S. Tomé e Príncipe
14:30
Sessão de abertura do Fórum económico luso-santomense no Centro Cultural Português
15:30
Visita ao Navio NRP Zaire no Porto de Ana Chaves
16:15
Encontro com cooperantes portugueses nas áreas da Saúde, Educação e Formação Profissional na Chancelaria da Embaixada de Portugal em S. Tomé e Príncipe
19:30

Jantar oficial oferecido pelo Presidente da República Democrática de S. Tomé e Príncipe em honra do Presidente da República


MAIS DE 2OO ONG PARA UMA POPULAÇÃO DE 200 MIL HABITANTES

Marcelo vai almoçar na Embaixada com os seus representantes: se estiverem todos, só eles enchem um grande salão: há trabalhos realizados por ONG, que são bem conhecidos, pela sua importância, porém, sobre o que faz a maioria, muito pouco se sabe. Oxalá não sejam meros expedientes para concorrer a apetecíveis fundos: na verdade, o que precisavam, as duas maravilhosas ilhas Verdes do Equador,   na atualidade, é que  sua população dispusesse de um Governo, minimamente sério e credível mas a desenfreada corrupção impede-lhe esse desejo 

QUE NÃO SEJAM TRÊS DIAS PERDIDOS - COMO TÊM SIDO TODAS AS VISITAS INSTRUMENTALIZADAS E BRANQUEADAS PELO MAQUIAVELISMO DO REGIME POLITICO VIGENTE 

É certamente das crianças onde receberá mais afetos
Mesmo assim,  pese o ambiente de crispação e de instabilidade, social e politico, que se tem vindo a verificar e adensar, estou certo que, o Presidente Português,  não deixará de ser bem acolhido. Embora sendo o país mais pobre de África é tradicionalmente, o  mais pacifico. e hospitaleiro .

 Marcelo Rebelo de Sousa,  não deixará, com certeza, de testemunhar manifestações de desagrado¸ que, conquanto não que lhe sejam dirigidas, servirão para expressar descontentamento e as privações  que têm vindo a agravar a vida das populações, com o crescimento de níveis de pobreza e outros problemas sociais.  

Desejo e espero, pois, que seja uma viagem bem-sucedida, oportunidade para estreitar laços de amizade e até para apaziguar um ambiente politico, que tão tenso e exasperado tem andado, por força do nepotismo do  regime, lembrando algumas noções democráticas.  

E, por isso mesmo, que não seja mais um dos acontecimentos políticos que vise dar simplesmente branquear e da visibilidade a quem a não merece: aos oportunismos e à vaidade de  um Primeiro-ministro, a um Governante, desonesto, corrupto, manipulador, oportunista e  odioso,  tal como acabou de demonstrar na sua recente deslocação a Portugal, sabendo ele que podia dispor dessa mesma oportunidade,  com os media portugueses, na visita de Marcelo,  não se importando, pois,  de esbanjar milhares de euros em mais uma das centenas de fugas  ao estrangeiro, que depois somam milhões, que tanta faltam fazem num pais, onde a esmagadora maioria do povo vive em miseráveis cubatas, num pequeno pais,  que depende quase 100%  da ajuda externa, onde o salário mínimo não excede os 50 euros mensais, em que uma receita médica não pode ser aviada à caixa, na farmácia  mas ao comprimido 

DOIS ROSTOS DE AMOR A S. TOMÉ E PRÍNCIPE  - E QUE SÃO DIGNOS DE RECONHECIMENTO PÚBLICO  - SARA VIEIRA E JORGE VACAS 


SARA VIEIRA, UM EXEMPLO DE DEDICAÇÃO E DE AMOR EM DEFESA DAS TARTARUGAS MARINHAS - Faz parte do grupo de cooperantes portugueses, que também se apaixonam por S. Tomé e Príncipe e por cá continuam, dando o melhor do seu esforço, saber e dedicação  -No seu caso,  também pelo amor em defesa da preservação  das tartarugas marinhas. 
Corações dedicados e generosos 
Há vidas que são um exemplo de dedicação e de amor à Natureza ou ao Próximo, em que não se olham a sacrifícios pessoais, a meras vaidades ou caprichos de ostentação, mas à defesa de  uma causa, quantas vezes longe do lar, da família e dos amigos mais próximos   – Um verdadeiro apostolado, em prol do bem-comum: de uma fé, de um ideal, de uma causa nobre – Este é realmente o exemplo seguido pela bióloga, Sara Vieira, coordenadora dos trabalhos da ATM, em S. Tomé e Príncipe, com larga experiência em projetos de tartarugas marinhas em Cabo Verde, por onde passou, antes de, há três anos, ter rumado às Ilhas Verdes do Equador. (agora há cinco anis)



Durante a minha estadia, em S. Tomé, tive  o prazer de ter oportunidade de visitar as instalações da  ONG Marapa, uma das principais parceiras da ATM em são Tomé e Príncipe, uma organização não governamental e sem fins lucrativos, que trabalha em regime de voluntariado, pugnando pela conservação das tartarugas marinhas, assim como de assistir à largada, na praia Jalé, ao sul da Ilha, de S. Tomé, de algumas centenas de pequenas tartarugas, acabadas de sair de um ninho do centro incubador para onde são recolhidos os ovos, quando as tartarugas ali vão desovar, de modo a serem protegidos dos predadores e de outras ameaças. 

A coordenar o projeto, está a bióloga, Sara Vieira, sem dúvida,  uma verdadeira peregrina em defesa da proteção das tartarugas marinhas, palmilhando as praias de norte a sul, Micolóló, Fernão Dias. Morro Peixe,  Santana, Porto Alegre e outras praias - Além de ficar a conhecer uma personalidade de uma grande generosidade, um coração sensível, dedicado e amoroso, bem como de  também poder saber das suas preocupações, em relação à falta de mecanismos capazes de uma fiscalização eficaz - Pois teme que a lei, que foi aprovada. se transforme numa lei morta e a matança das tartarugas persiga.. 



EXISTEM HÁ MILHÕES DE ANOS - MAS HÁ ESPÉCIES QUE ESTÃO EM VIAS DE EXTINÇÃO

As tartarugas marinhas existem há mais de 150 milhões de anos,  conseguiram sobreviver a todas as mudanças do planeta, mas atualmente são dos seres mais vulneráveis do planeta. De acordo com estimativas cientificas, de 1000 filhotes nascidos, apenas um chega à idade adulta.

"E o grande problema das tartaruguinhas é que, se elas desaparecerem, nós também vamos ficar com o ecossistema marinho mais pobre – Reconhece a bióloga, Sara Viera,  frisando que a sua importância ecológica é muito grande, principalmente nas zonas de recrutamento dos peixes, onde os peixes se vão reproduzir e desenvolver"



De facto, São Tomé e Príncipe podia ser o maior santuário mundial da desova de tartarugas marinhas, já que, das sete espécies existentes no mundo, cinco são atraídas pelas maravilhosas praias das Ilhas Verdes do Equador -  Tantas como as que se dirigem à costa brasileira, sendo que, quer no outro lado do Atlântico, quer nas duas Ilhas do Golfo da Guiné, duas espécies estão em risco de extinção



As tartarugas marinhas, além de contribuírem para o equilibro do biodiversidade, podiam trazer grandes dividendos turísticos e à investigação científica e ambiental,  bem maiores da atracão que, atualmente,  já exercem, aos visitantes que demandam as praias para assistirem à  maravilhosa largada dos ninhos em direcção ao mar, porém,  as organizações, que, em regime de voluntariado,  proporcionam a incubação dos seus ninhos, em lugares protegidos, ainda se vêm a braços, tanto  com falta de apoios, como, sobretudo, pelas capturas indiscriminadas para o consumo da sua carne.


Em 2014, foi aprovado pelo Governo de São Tomé e Príncipe. uma lei sobre a captura e comercialização de tartarugas marinhas – Considerada, então, pelas organizações ecologistas, uma grande vistoria – Mas o receio da bióloga Sara Viera, a coordenadora dos projetos científicos e de fiscalização, é que se transforme numa lei morta: não basta que a lei tenha sido vertida ao papel: é preciso fiscalizar porque é um problema realmente muito grande. Não são somente quatro ou cinco pessoas que capturam tartarugas marinhas, são centenas de pessoas que dependem desta atividade como meio de subsistência", explicou Sara Vieira, pelo que a bióloga defende um "maior compromisso" do Governo para ajudar a encontrar alternativa económicas para essas pessoas, porque caso contrário "essa captura nunca vai acabar".




 Ilha de São Tomé - Momento maravilhoso da largada de um ninho de tartarugas em direção ao oceano, junto à linha do Equador na Praia Jalé - Recanto de um paraíso rodeado de coqueiros, areia fina, dourada e macia, a perder-se por extensa superfície de um azul esmeralda de água quente, brilhante e cristalina – Um raro privilégio que jamais se apagará da retina de quem o contempla -
EM SÃO TOMÉ HÁ QUASE 61 ANOS

 Em Abril, de 1959,  desembarcava, ao largo da Baía Ana de Chaves, um dos escassos portugueses – atual luso-santomense – que não virou as costas aos novos desafios . Um dos mais louváveis exemplos de integração. Que acreditou no futuro do jovem país, que soube sempre respeitar as pessoas e integrar-se – Pois,  também ele foi um dos explorados no tempo colonial




Já aqui nos referirmos, e nestes termos: Em São Tomé, quem não conhece Jorge Vacas?!...  Aquela expressão afável e sorridente, que lhe é inata, quer na vida pessoal, quer na sua atividade comercial. Proprietário da casa Luís & Fonseca, Lda, , situada no coração da cidade, uma das poucas lojas do período colonial, que resistiu a ventos e a marés - Uma das mais antigas e populares, onde ainda se vende tecido a retalho, adequada aos gostos e às possibilidades dos  santomenses. Embarcou no navio Pátria, que  partiu de Lisboa, no dia 6 de Julho de 1957 às 11 horas da manhã, do Cais de Alcântara.
Natural do Vale,  uma pequena aldeia do concelho de Mação. Tinha 14 anos. Era ainda um rapaz, filho de uma família humilde. Com ele,  pouco mais de um pequeno farnel e um punhado de sonhos. Vinha trabalhar para a loja do seu tio, a troco de quase uma esmola – Aos domingos, ele e um grupo de amigos, demandam os recantos da costa da ilha, onde as águas marulham em rolos de alvura de espuma, entre um azul celeste que se estende mar fora e pelo infinito e um verde luxuriante que sobe quase abruptamente pelas encostas, não tanto pelo gosto de nadar à superfície (para isso havia praias mais acessíveis e menos arriscadas) mas para mergulhos  de caça-submarina. Não apenas por desporto mas também como  forma de arranjarem mais uns trocados, com a venda de peixe.
Quer os empregados do mato, quer do comércio, ganhavam muito mal – O colonialismo abrangia também muitos portugueses, não se confinava apenas aos negros, atingia também muitos brancos, que sentiam na pele o acinte da exploração.  

Entretanto, dá-se o 25 de Abril, e, muitos portugueses começam a regressar a Portugal.– Um deles foi o seu tio, que, não querendo continuar,   propõe a venda da loja ao sobrinho – Jorge, aceita o desafio. Dá-se depois a independência, e a debandada dos colonos é quase geral.. Porém, um dos poucos que entendeu que devia continuar, é justamente o homem, que ali chegara à Ilha, ainda rapaz. Sempre se deu bem com o santomenses, achava que não tinha razões para recear o futuro, e não voltou costas a esta maravilhosa terra, que, adotou como segunda pátria, tendo já adquirido a dupla nacionalidade.
Reencontrei-me com ele, em Outubro de 2014, aquando da minha estadia em S. Tomé, 39 anos depois. E, de facto, foi com muito prazer que entrei na sua loja para o cumprimentar, reencontrar-me com um dos meus compatriotas, com quem muitas vezes dialoguei e me cruzei, com quem dava gosto conversar.  E foi justamente a mesma impressão que agora ali sentia. A mesma franqueza, a mesma frontalidade, expressão cordial e simpática. Os anos deixam as suas marcas no rosto mas, pelo que me apercebi, tornam ainda mais firmes, os espíritos determinados e corajosos, as pessoas generosas e humanas, possuídas de bom  carácter,  que cultivam  valores de convivência e de fraternidade.  Que sofreram na pele as agruras da vida, que aprenderam a resistir às mais diferentes adversidades.
Jorge é um desses magníficos exemplos. De convivência pacifica, de simplicidade e de reintegração num pais que abraçou como seu.    A sua postura, perante os santomenses, foi sempre igual. quer  no tempo em que foi modesto empregado  de balcão, quer na qualidade de empresário.
Sim, foi das pessoas com quem tive muito gosto em me reencontrar. Mostrou-me o bilhete da viagem no Pátria, que lhe custou 1500$00, muito dinheiro para quele tempo, que ainda guarda nos cadernos  da suas recordações Disse-me que estava a escrever um livro, e, pelo que me apercebi, talento literário não lhe falta, pois  até me leu algumas belas páginas, nomeadamente, passadas a bordo daquele velho paquete. O que lhe falta é tempo – diz - para o concluir: devido  aos afazeres profissionais. Mas oxalá não desista e arranje um tempinho para o acabar.

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