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Entre outros assuntos, falo da escalada ao Pico Cão Grande e das minhas aventuras em canoas – Visam defender a teoria de que antigos povos africanos, podiam ter sido os primeiros povoadores das Ilhas do Golfo da Guiné, antes dos colonizadores – Parti à meia-noite, disfarçado de pescador, ligando a ilha do Príncipe. Para me orientar, uma rudimentar bússola – A canoa era minúscula, à segunda noite adormeci: rolei na escuridão das vagas. No regresso fui distinguido com sopapos da policia salazarista, enviado para os calabouços – Cinco anos depois, numa piroga maior, fiz a ligação São Tomé-Nigéria. Partindo igualmente à noite, 13 dias depois atingia uma praia de Calabar, tendo sido detido 17 dias por suspeita de espionagem. - No mesmo ano, já com São Tomé e Príncipe independente, tentei a travessia São Tomé ao Brasil, usando os mesmos recursos. Além de pretender reforçar a minha teoria, desejava evocar a rota da escravatura e repetir a experiência de Alain Bombard. Porém, quis a ironia do destino que vivesse a difícil provação de um naufrágio de 38 longos dias, tendo aportado numa praia de Bioko (Bococo)onde fui recambiado para a famosa prisão de Black Beach

sábado, 3 de março de 2018

S.TOMÉ - SORRISOS, SANGUE E PESADELO - Acidente na escalada do Pico Cão Pequeno: COM UM ABRAÇO DE PARABÉNS AO ALPINISTA ROGÉRIO ALPINE MORAIS – Hoje é o dia do seu Aniversário – Ocasião também para recordar algumas das imagens do dia que poderia ter-me custado a vida por força de uma queda junto a este pico majestoso Pico, que se ergue no coração da floresta equatorial, algures a Sul da maravilhosa Ilha Verde do Equador




Completaram-se dois anos no passado dia 5 de Fevereiro, sobre o acidente que me poderia ter sido fatal  – Felizmente que lá me safei,  graças à  solidariedade de generosos, de bons e dedicados amigos – Valeu-me a pronta resposta do Coronel Victor Monteiro, então Director do Gabiente do Presidente Manuel Pinto da Costa, com o qual lograra contactar via telemóvel, o que não é fácil em pleno coração da floresta equatorial, porém,  a altitude a que me encontarava e o facto da  área envolvente se apresetar descoberta, facilitaria  o pedido de socorro, ligação essa,  que, de resto, momentos ante,  já havia sido ensaiada com uma mensagem de estímulo a todos os participantes da equipa, que acabariam por descer e  prontamente me socorrerem 

SALVEI-ME NEM SEI COMO - TAIS OS FERIMENTOS NA CABEÇA E NOUTRAS PARTES DO CORPO


Desta vez o destino, que me havia poupado nas várias escaladas ao Pico Cão Grande e nas atribuladas aventuras em frágeis pirogas nos mares do Golfo da Guiné,  parecia mesmo pregar-me uma partida definitiva mas, graças a Deus, pelos vistos, estava escrito nos astros que apenas seria mais um dos atribulados episódios da minha vida - 

As Bandeiras Nacionais de S. Tomé e Príncipe e de Portugal, não puderam ser desfraldadas no topo mas espero - Rogério, Paula e Catherine - que um dia o possais fazer: ou de volta ao Cão Pequeno ou ao Cão Grande -  Uma vez, que, todos vós, já vos acostumastes a muitos e arriscados desafios nos mais difíceis picos da Terra, sim, apaixonados que sóis pela escalada, intrinsecamente amantes da Natureza,  aproveitando, como era vossa intenção, para então  hasteardes as bandeiras nacionais de S. Tomé e Príncipe e de Portugal, no seu cume, como um gesto de amizade e de cooperação, entre os dois países irmãos.

A EQUIPA DE ALPINISTAS – ALÉM DA ESCALDA DO PICO CÃO PEQUENO PRETENDIA TAMBÉM FAZER O RECONHECIMENTO DO CÃO GRANDE E COLABORAR EM MERGULHOS DE PESQUISAS HISTÓRICAS -  Com o apoio do então Presidente da República, Manuel Pinto da Costa, que disponibilizara o seu alojamento numa das residências temporárias do Palácio do Povo, mas que apenas chegariam a utilizar para algumas reuniões de trabalho - A mesma disponibilidade também fora manifestada a uma equipa de arqueólogos, que, todavia,  não chegariam a deslocar-se a S. Tomé, por falta de apoio Governamental 

A voluntariosa equipa era constituída, além da minha pessoa,  por Paulo Ferreira, Engª de Ambiente; Duarte Calheiros, médico oftalmologista; Rogério Alpine Morais, Ciências Sociais, formador na Associação Desnível, em Cascais, http://desnivel.pt/actividades/curso-alpinismo-n1-2015/ , todos naturais de Lisboa e Catherine De Freitas, de nacionalidade canadadiana, Design gráfico residente em Portugal, há vários anos – Ambos, dedicados investigadores e com um vasto currículo, em mergulho marítimo e  de escalada nalguns dos picos mais difíceis em várias partes do mundo

A iniciativa da equipa de alpinistas, inteiramente costeada por sua livre vontade, começou a ser delineada, em Novembro de 2014,  durante uma palestra, sobre os 40 anos da escalada do Pico Cão Grande.que teve lugar na Casa da Gruta, em Cascais, sede da Associação Desnível


Tal o entusiasmo gerado  à volta da escalada do Pico Cão Grande, associado às maravilhas da paisagem de S. Tomé e Príncipe, que ficou a pairar o desejo de ali se deslocar uma equipa de alpinistas desta associação para concretizar a segunda escalada do Pico Cão Grande, depois de quatro tentativas goradas por outras equipas – Casa da Gruta, em Cascais, encheu para ouvir falar da . Mas para já, o objetivo é apenas de pesquisa de estudo, de reconhecimento deste pico e de eventual escalda ao Pico Cão Pequeno

antigo punhal resgatado do mar
Outro dos objetivos da equipa, além das escaladas e prospeções que tencionavam realizar no Pico Cão Grande e Pico Cão pequeno, era o de voluntariamente prestarem a  sua colaboração, em  pesquisas de mergulho, no prosseguimento dos trabalhos de investigação que eu havia iniciado, em 2014, com vista à busca de eventuais vestígios, quer do desembarque das primeiras caravelas portuguesas, quer de ligações anteriores à colonização, para o que contaram com a colaboração da Presidência da República, que disponibilizara  uma das residências temporárias, situada nos jardins do palácio do povo – Idêntico apoio também havia sido disponibilizado a uma equipa de arqueólogos do Museu do Vale do Côa, a qual não chegaria a viajar para S. Tomé, visto o Governo não ter colaborado na sua deslocação.

Porém,  antes da expedição se dirigir ao sul, não quis deixar de participar na Marcha da Liberdade, do 3º de Fevereiro, tendo, então, todos os seus membros, sido cumprimentados, informalmente,  pelo Primeiro-Ministro Patrice Trovoada, Ministro da Educação, Cultura e Ciência, Olinto Daio e pelo Ministro da Juventude e do Desporto, Marcelino Sanches  

No final da visita de estudo, estava previsto darem uma palestra no Centro Cultural Português, com o apoio da Embaixada Portuguesa, tendo o Primeiro-Ministro, Patrice Trovoada e outros membros do seus Governo, cultura e desportos, a quem foi dada a conhecer este projeto, no encontro informal em Fernão dias, manifestado o seu agrado.


Ministro da Educação,  Cultura e Ciência,  com os alpinistas



e

Imagem de José Diogo


Texto parcialmente reeditado do dia 09/02/2016 –  sob o título. - Pico Cão Pequeno - Rumo ao sul e à latitude zero - Dos sorrisos ao pesadelo: as Bandeiras Nacionais de S. Tomé e Príncipe e de Portugal, .. http://www.odisseiasnosmares.com/2016/02/pico-cao-pequeno-rumo-ao-sul-e-latitude.html. Mas agora com video - Que pude editar após o meu regresso a Portugal

Em vídeo, o filme das imagens  que antecederam a violenta queda, que transformaria  momentos de sorrisos e de  alegria num doloroso calvário, junto a uma das vertentes do Pico Cão Pequeno, que se ergue no coração da floresta 



Desta vez o destino ia-me pregando uma partida mas, pelos vistos, estava escrito nos astros que apenas seria mais um episódio da minha vida - As Bandeiras Nacionais de S. Tomé e Príncipe e de Portugal, não puderam ser desfraldadas no topo mas espero - Rogério, Paula e Catherine - que um dia o possais fazer: ou de volta ao Cão Pequeno ou ao Cão Grande - Só a caminhada pela floresta, vale a pena a intensa e emocionante descoberta


É uma data que me traz um misto de lembranças boas e outras de certo pesadelo - Tal como o poderão testemunhar as imagens que volto a reeditar, dois anos depois. 

Uma pequena equipa de alpinimos, que expressamnete partiram de Portugal, em  2 de Fevereiro 2016, composta por uma canadiana, uma portuguesa e um português, deslocaram-se a S. Tomé para conhecer as suas belezas naturais, (sim, porque, os apaixonados pela escalada, são intrinsecamente amantes da Natureza), fazer um teste no Pico Cão Pequeno, aproveitar para hastearem as bandeiras nacionais de S. Tomé e Príncipe e de Portugal, no seu cume, como um gesto de amizade e de cooperação, entre os dois países irmãos


Primeiro-Ministro, Patrice Trovoada, encontro informal 




A bandeira portuguesa, trouxeram-na de avião; 
A de S.T.P, foi oferecida pelo Coronel Victor Monteiro, Diretor do Gabinete do Presidente da República.

Por seu turno, e uma vez que a referida equipa se propunha colaborar com as pesquisas históricas de Jorge Trabulo Marques,  que, desde há dois anos, tem sido realizadas, por este investigador e jornalista, nomeadamente em Anambô, onde é suposto ter começado a colonização portuguesa, a sua estadia acabou por acolher o apoio, tanto da Presidência da República de Manuel Pinto da Costa, disponibilizando uma das vivendas de passagem, do Palácio do Povo, como do Governo de Patrice Trovoada, tendo-se dado até a  coincidência de os  cumprimentar, num encontro casual, em Fernão Dias, no passado dia 3 de Fevereiro, assim como também do apoio da Embaixada Portuguesa, quando tomou conhecimento do seu projeto, manifestando a sua disponibilidade para uma palestra, no final da sua estadia, no Centro Cultural Português - Infelizmente, uma violenta queda de Jorge Trabulo Marques, quando procedia à recolha de imagens, momentos depois em que a referida equipa, empreendia  a sua ascensão, veio gorar todos estes propósitos.

UM DESEJO ESBOÇADO EM 25 DE NOVEMBRO PASSADO  - NA PALESTRA DA ESCALDA DO PICO CÃO GRANDE, PROMOVIDA PELA ASSOCIAÇÃO DESNÍVEL  Palestra: 40 Anos sobre a Escalada do Pico Cão Grande 

Esta iniciativa, inteiramente costeada pela equipa que se propunha escalar o pico Cão Pequeno, começou a ser delineada, em Novembro passado, durante a palestra, sobre os 40 anos da escalada do Pico Cão Grande.que teve lugar na Casa da Gruta, em Cascais, sede da Associação Desnível - 

Corajoso Constantino Bragança 
Na verdade, em 12 de Outubro, de 1975, a três dias da minha partida para uma aventura maritima, a minha equipa, conquistava, finalmente, o tão desejado cume do Pico Cão Grande, tentado por várias equipas estrangeiras, sem êxito - Dois anos sozinho, e, por fim, de, 73 a 75, com uma equipa de valorosos santomenses - Constantino Bragança, Cosme Pires dos Santos, e os guias, Sebastião e o Chico - conquistávamos a crista de um dos mais difíceis e caprichosos monólitos do planeta

Tal o entusiasmo gerado  à volta da descrição e das imagens apresentadas daquela escalada, associada às maravilhas da paisagem de S. Tomé e Príncipe, que ficou a desde logo a pairar o desejo de ali se deslocar uma equipa de alpinistas desta associação para concretizar a segunda escalada do Pico Cão Grande, depois de quatro tentativas goradas por outras equipas , tal como foi referido em – Casa da Gruta, em Cascais, encheu para ouvir falar da . Mas, por agora, objetivo era  apenas de uma espécie de teste no Cão Pequeno.

MAU PRESSÁGIO 





Rogério Alpine, líder da equipa -  quem sabe se por um pressentimento premonitório  - e, pelos vistos, até acertou - telefonara-me na véspera, à noite, a sugerir para que eu ficasse na cidade, tranquilamente agarrado ao meu computador,  que deixasse  inteiramente à sua equipa, a expedição ao Sul e ao Cão Pequeno. O mesmo me voltou a sugerir, quando chegámos de jipe à antiga dependência de Santa Josefina, Roça Porto Alegre - que ali ficasse





Obviamente, que, tal como ficara acordado em Lisboa, a minha intenção era realmente fazer o registo fotográfico dessa sua expedição, assim como da visita de reconhecimento que a equipa pretendia fazer ao Cão Grande.









HESITAÇÕES INICIAIS RESOLVIDAS PELO PRÓPRIO GUIA  

"A TÉCNICA DO MACACO" AINDA CONTINUA A SER A MELHOR FORMA DE SE ESCALAREM OS MAIS DIFÍCEIS  PICOS DE S. TOMÉ - FOI ASSIM QUE SE ESCALOU O CÃO GRANDE  - É por isso que, a nossa proeza do Cão Grande ainda não foi imitada, pese o facto de já lá terem ido quatro equipas de alpinistas profissionais, com mais avançada tecnologia: uma francesa, outra japonesa e duas italianas




Realmente, a noite fora muito chuvosa e a rocha basáltica  das paredes do Pico Cão Pequeno, que é coberta de vegetação, encontrava-se muito húmida e escorregadia - Havia muitos arbustos, mas hesitava-se em fazer uso seguro deles - Pelo que me apercebi, o entusiasmo parecia arrefecer e adiar a tentativa para outra oportunidade. . 

No entanto, eu que já conhecia bem esse tipo de vegetação no Cão Grande e dela me havia servido, tanto para iniciar a escalada, como em várias fases do percurso, sabia que, com algum cuidado, podia ajudar a resolver as dificuldades iniciais, nomeadamente onde a pedra está menos enxuta e se cobre de vegetação, agarrada aos milenares sedimentos da erosão 


Face a uma certa hesitação, que parecia deitar por terra, tanto esforço da exaustiva caminhada,  sugeri para que permitissem  ao guia Admilson, dar a sua ajudinha.

Sim, ele que tão útil fora a desbravar caminho até ao local: -  um jovem e atlético santomense, de origem cabo-verdiana, que já evidenciara as suas capacidades quando cumpriu serviço militar e que agora trabalha com o seu pai, mãe  e demais irmãos, na dependência de Santa Josefina, da antiga Roça Porto Alegre, sim, sugeri para que o deixassem mostrar as suas habilidade e trepar pelos arbustos, levando consigo a corda da escalada, de modo a prendê-la a uns arbustos, aí a uns 20 ou 30 metros acima, ou seja, junto à parte da rocha, que passava a encontra-se livre de vegetação e seca - Numa área já mais exposta ao ar, logo menos escorregadia e mais adequada à fixação de pitões e das  tradicionais técnicas alpinísticas  


E, na realidade, num ápice, o jovem, tira o sapatos, fica descalço e trepa por ali acima, como se estivesse a trepar em qualquer árvore da floresta, garantindo que  podiam iniciar a escalada com segurança.


Quando deixei de os ver, descalcei os sapatos e tentei a minha chance para fazer umas imagens à equipa, que, do ponto onde me encontrava, não podia registar

Não podendo trepar o mesmo arbusto que o jovem, tentei  fazê-lo de outra forma, ou  seja, agradando-me a outro arbusto, justamente onde os elementos da equipa se haviam agarrado à corda inicial - Ao testar puxá-lo. mesmo antes de trepar, como estava em meias - e não descalço - escorrego com o arbusto atrás de mim - Rolando desamparado ravina abaixo, batendo com as costas e a cabeça de pedra em pedra-

 Sabia que não era a forma ideal e a mais segura - Mas fui traído pelo musgo escorregadio - Caso a ponta da corta não tivesse sido  recolhida, penso que podia ter ido até onde o guia foi, podendo acompanhar fotograficamente a escalada  - Qualquer repórter fotográfico  - seja qualquer for a sua idade - arrisca para fazer o melhor possível a sua reportagem  -Era o que pretendia fazer - 

Mas os meus companheiros - muito experimentados nos perigos da escalada  - lá tinham as suas razões  - Se bem que eu também a tivesse nos cinco anos a caminho do Pico Cão Grande - Mas agora a idade era diferente  

Quando me vi a sangrar da cabeça de vários pontos e de um braço, com fortes dores nas costelas, entreguei o telemóvel ao jovem guia para  comunicar com a equipa - sim, ali, àquela altura, havia rede - Esta decide desistir da escalada e regressar - Porém, receando que pudesse vir a desmaiar e a constituir algum estorvo acrescido ao seu retorno, através da espessa floresta, resolvi ir descendo, amparado a um pau - E nem assim perturbei a sua progressão, quando nos apanharam

FAÇANHA DAS ARÁBIAS CHEGAR AO SOPÉ DO PICO CÃO PEQUENO  E ESCALÁ- LO É TAMBÉM UM GRANDE DESAFIO

 A começar pela aproximação do sopé, que é já de si uma autêntica odisseia na floresta - Cobras pretas, que podem surgir onde menos se espera - e foram vistas pelo nosso guia - raízes que emergem do chão, vivendo da saturada humidade aérea, troncos de árvores gigantescas e seculares de todos os tamanhos e de variadíssimas espécies, que surgem por entre enormes pedregulhos de basalto, arbustos os mais surpreendentes e variados, fetos gigantes, que dir-se-ia remontarem ao principio das eras, sem dúvida, uma caminhada íngreme, exaustiva, sufocante e titânica. Um desafio aos espíritos mais aventureiros e amantes da Natura.

A minha tenda na Praia Jalé
Chegar onde cheguei, com uma pesada mochila às costas é já de si uma enorme proeza - É que do alto e de uma certa exposição dessa ravina, descobre-se uma panorâmica fantástica, funda e larga, mas que, ao menor deslize, também pode proporcionar um voo para a morte - Mas o meu objectivo não era a escalada


Em todo o caso, este pico, que mais lembra um enorme falo de que um simples bloco maciço, ia-me pregando uma grande partida e devorando-me a vida, justamente onde começa a libertar-se dos restos da última mancha verde da brenha densa arbustiva e arbórica, que o envolve desde as mais fundas grotas – Mas a culpa nem é dele mas minha: porque, eu não ia com o intuito de o escalar mas tão somente de o fotografar -Essa proeza, que tem outra história, pertence-me a mim e a mais três valorosos santomenses - E já lá vão quarenta anos; é muito tempo na vida humana http://www.odisseiasnosmares.com/…/cao-grande-em-sao-tome-g… -

  Mas, nestas coisas, os azares surgem quando menos se espera - Até ao atravessar uma rua . No entanto, pressentia que algo parecia determinado, pois são das tais curvas ou cruzes da vida ou do destino, que gostam de nos fazer as suas patifarias ou testar as nossas capacidades  – A noite havia sido chuvosa, com relâmpagos a incendiar o mar a e floresta – Era deste cenário que me apercebia, dentro da minha pequena tenda, na Praia Janela, um pequeno paraíso de areias douradas e suaves, situado ao sul da Ilha de S. Tomé – Mas longe de imaginar que o inferno não era meteorológico mas outro
REPORTAGEM PUBLICADA PELO JORNALISTA  ADILSON CASTRO 
Jorge Trabulo Marques sofre queda violenta na escalada do Pico Cão Pequeno em São Tomé 





Primeiros socorros

O jornalista e investigador português, Jorge Trabulo Marques sofreu na manhã do passado Sábado, uma violenta queda junto ao sopé do Pico Cão Pequeno, com vários ferimentos na cabeça, nos braços e violentas pancadas nas costelas, no momento que se preparava para escalar mais uns metros deste pico, de forma a melhor poder acompanhar fotograficamente a equipa profissional de alpinistas (Paula Ferreira, portuguesa; Catherine De Freitas, Cadadiana; Rogério Alpine Morais português), que se prepunha hastear as bandeiras nacionais de São Tomé e Príncipe e de Portugal.
.Naquele momento, a equipa que já se encontrava a progredir em plena face do pico, alertada pelo estrondo da queda e também pelo guia, Adanilson, decide suspender imediatamente a escalada e retornar a base para prestar assistência a Jorge Marques.


Não obstante a violência da queda e o derrame do sangue provocado, o jornalista e antigo escalador do Pico Cão Grande, não perde tempo e serenidade, e, receando que pudesse vir a desmaiar e a constituir um problema acrescido aos seus companheiros, resolve descer a íngreme e dificílima vertente com o seu próprio pé, amparado e ajudado pelo guia, de forma a encontrar o trilho de regresso a Praia Jalé, onde se encontrava o acampamento, ao mesmo tempo contacta o coronel Victor Monteiro, Diretor da Presidência da República, a quem relata o sucedido; o qual prontamente lhe diz ir proceder a todas as diligências necessárias, para que lhe fossem prestados os primeiros socorros o mais rapidamente possível (enviando um maqueiro ao seu encontro do posto de Porto Alegre), e seguidamente conduzido ao Hospital Central Ayres de Menezes na Cidade de São Tomé, onde foi dada a assistência médica e cirurgiã nos serviços de urgência, que decidiram pelo seu internamento temporário.

Jorge Trabulo Marques que se encontra atualmente em São Tomé, onde tomou parte nas comemorações do 63ºaniversário do Massacre do Batepá, que tiveram lugar na histórica Praia Fernão Dias, e para dar continuidade as suas pesquisas históricas acompanhado por uma equipa alpinistas especialistas em mergulho, que se prepunham escalar o Pico Cão Pequeno e, posteriormente, deslocarem-se à Praia de Ananbom, onde supostamente teria começado a colonização portuguesa, em declarações a redação do Jornal Transparência, manifestou-se vivamente reconhecido aos seus companheiros que vieram ao seu encontro para lhe prestar todo o seu apoio, ao guia que o acompanhava, e especialmente ao Coronel Victor Monteiro, pelo envio da assistência tão rápida:- pois, ao fim de hora e meia, já o maqueiro Juceley Fernandes, enfermeiro parteiro do Posto de Porto Alegre, ia ao seu encontro numa velha motorizada conduzida pelo cozinheiro do complexo turístico Jalé, numa verdadeira maratona, por caminhos e trilhos cheios de obstáculos e extremamente difícil de percorrer, através da densa floresta equatorial e que lhe prestou os primeiros socorros.
Ao lado do maqueiro
Ao lado do jovem guia 
Entretanto, mais adiante já o Jipe, conduzido pela equipa de alpinistas, levava rapidamente até a Vila Malanza, onde o esperava uma ambulância que o conduziria ao hospital da cidade de São Tomé.
Com a sua mota levou o maqueiro
Neste momento, Jorge Trabulo Marques, após vários tratamentos hospitalares recebidos, durante a noite passada e a manhã de hoje, foi autorizado pelo médico Pascoal de Apresentação, a permanecer na vivenda temporária da Presidência da República, que havia sido facultada a ele e á equipa dos alpinistas investigadores, tendo o referido o médico se mostrado disponível a prestar a assistência que for necessária, se precisar de se dirigir ao hospital.
Por: Adilson Castro 
DEUS ESTEVE AO MEU LADO - GRAÇAS TAMBÉM AOS BONS AMIGOS E A PRONTA E EFICIENTE ASSISTÊNCIA MÉDICA 
De entre as várias manifestações de apreço e de solidariedades expostas no Facebook, vou aqui tomar a liberdade de reproduzir a mensagem  do Coronel Victor Monteiro e a minha resposta
QUE SUSTO!!!!!!!

Caro amigo Jorge Trabulo Marques.
Gostava de aproveitar agora, depois do alívio, porque o susto já passou, de desejar-te rápidas melhoras.

Os meus agradecimentos, por isso, devem ser extensivos a todos quantos espontaneamente acudiram ao meu grito de socorro e colaboraram incondicionalmente para que tudo andasse bem:

De entre tanta gente, gostava de destacar as seguintes pessoas:
PRIMEIROS SOCORROS NA FLORESTA
+Enfermeiro de Porto Alegre- Juceley (estancou a hemorragia no crânio, com uma sutura de 3 pontos)
+Motorista-Manuel
EQUIPA DA AMBULÂNCIA
+Enfermeiro-Germias
+Maqueiro-Antonai
+Motorista-Cunha
HOSPITAL Dr.Ayres de Menezes
+Administrador-Dr.Carlos Neves
+Dr. Lima
+Dr. Pascoal
+Dr. Gian (Costa-marfinense)
+Dr. Guilherme
+Enfermeira-Cipriana

- Enfermeira Elka da Cruz
.-Enfermeiro Jerceley
+Maqueiro-Ângelo
- Maqueiro Antunay
ECO-RESORT JALÉ
+Coordenadora-Evarilde
+Gerente do Restaurante-Manuel.

Obrigado Meu Caro e Bom Amigo Coronel Victor Monteiro 

Um grande Bem-haja a todas as pessoas que tiveste a gentileza de enunciar;   ao seu espírito de bem servir e de abnegação - Sem o teu grito de alarme e a sua generosidade, dificilmente teria resistido. 

Salvaste-me a vida -  Quem saiu aos seus não degenera e tu tens a quem sair: a uma querida e corajosa mãe e a um pai extremoso e corajoso que também salvou muitas vidas de serem atiradas ao mar. Conheci-o quando era empregado de mato na antiga Roça Rio do Ouro e quando tu ainda eras um adolescente - Lembro-me bem do teu rosto. porque o teu pai era um cabo-verdiano muito estimado e comunicativo naquela roça e tu quase não o largava de mão, agarrado às suas calças, descalço e de calção Mal te pus ao corrente do meu acidente ( e ainda bem que àquela altura o telemóvel funcionou) sei que nem mais um instante teu coração descansou: foi um dia arrasador para ti - Fazendo diligências várias para ser prontamente socorrido - E assim aconteceu - Graças à tua generosidade e o teu abnegado esforço - Que rapidamente puseste em movimento um grande abraço de solidariedade - Operaste um autêntico milagre - E também porque as pessoas que contactaste, compreenderam que o momento não era de esperas mas de acção: desde o maqueiro que prontamente me saturou dos grandes golpes na cabeça, que não paravam de jorrar sangue - Mais uns minutos, dificilmente podia manter-me em pé, pois já começava a sentir fortes tonturas - Depois, foi a pronta evacuação na ambulância que me transportou para o hospital. E, ao chegar ali, tanto carinho, tanta disponibilidade, que,a bem dizer, nem sei onde hei-de começar a agradecer - Sim, a todos os rostos que me acarinharam e me assistiram , aos meus companheiros que também tanto se esforçaram por me salvar - Um grande abraço amigo - De ti, já tinha as melhores recordações, mas com esta grandeza, penso que é inigualável

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