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Entre outros assuntos, falo da escalada ao Pico Cão Grande e das minhas aventuras em canoas – Visam defender a teoria de que antigos povos africanos, podiam ter sido os primeiros povoadores das Ilhas do Golfo da Guiné, antes dos colonizadores – Parti à meia-noite, disfarçado de pescador, ligando a ilha do Príncipe. Para me orientar, uma rudimentar bússola – A canoa era minúscula, à segunda noite adormeci: rolei na escuridão das vagas. No regresso fui distinguido com sopapos da policia salazarista, enviado para os calabouços – Cinco anos depois, numa piroga maior, fiz a ligação São Tomé-Nigéria. Partindo igualmente à noite, 13 dias depois atingia uma praia de Calabar, tendo sido detido 17 dias por suspeita de espionagem. - No mesmo ano, já com São Tomé e Príncipe independente, tentei a travessia São Tomé ao Brasil, usando os mesmos recursos. Além de pretender reforçar a minha teoria, desejava evocar a rota da escravatura e repetir a experiência de Alain Bombard. Porém, quis a ironia do destino que vivesse a difícil provação de um naufrágio de 38 longos dias, tendo aportado numa praia de Bioko (Bococo)onde fui recambiado para a famosa prisão de Black Beach

quinta-feira, 5 de abril de 2018

S. TOMÉ E PRÍNCIPE - Tudo se produz e cresce rapidamente nas terras férteis destas Ilhas Equatoriais Maravilhosas

Jorge Trabulo Marques

TERRA LUXURIANTE E GENEROSA QUE PRODUZ TÃO BELOS FRUTOS E EM POUCO TEMPO - -


Estes belos pés de ananases. da propriedade de Alberto da Graça do Espírito Santo Vasconcelos, que as imagens documentam do próprio agricultor, editadas na sua página do Facebook, fazem-me lembrar os excelentes exemplares de uma plantação de ananases que o Engenheiro Salustino Graça do Espírito Santo,  tinha próximo da então Vila da Trindade, que tive o prazer de conhecer, tanto em sua vida, onde um dia um feliz acaso me levara, como depois da sua morte, quando era encarregado da Agropecuária do quartel (CTISTP), a cuja propriedade me desloquei, por várias vezes, com alguns soldados, sim, para ali, na maravilhosa pequena Roça S. Vicente, que legara, como um dos mais exemplares modelos da pequena agricultura familiar santomense, comprar alguns cestos de pés de ananases e algumas socas de bananeiras para as plantações que estava a efetuar naquela área militar.

Uma das vezes, encontrava-se presente, o Dr. Mário Soares (deportado para S. Tomé pelo regime Salazarista), ao lado do filho João Soares, que me pareceram muito curiosos e deslumbrados por aquelas exemplares plantações.

Neste encontro, que ocorreu debaixo de um telheiro e junto à balança onde pesava ananases e abacaxis, apenas ali me deslocava com o propósito de levar estes suculentos frutos para a cantina dos oficiais, que também estava à minha responsabilidade – Pouco antes da sua morte, tive também o grato prazer de ser recebido em sua casa, junto à marginal, ali para os lados da capela de S. Pedro.

De recordar que. o nome de Engº Agrónomo, Salustino da Graça do Espírito Santo Salustino da Graça do Espírito Santo , é, pois, uma das  figuras incontornáveis ao falar-se das   barbaridades infligidas, a milhares de santomenses nos criminosos atos do Massacre de Batepá em 3 Fevereiro de 1953, pelo então  Governador Carlos Gorgulho

A recusa da população da Trindade em ir receber Gorgulho no aeroporto aquando do seu regresso de Portugal em Outubro de 1951, onde então  morava o Eng.º Salustino da Graça do Espírito Santo, a quem Gorgulho imputava toda a rebeldia e a irreverência da população local, culpabilizando-o da inventada conspiração  comunista dos negros contra os brancos, que culminaria com  a tenebrosa repressão de Fevereiro de 1953, apontado em todos os autos de “confissão” dos presos como (…) chefe da revolução, seu instigador, seu preparador e futuro Rei da Ilha

AMÁVEL COMENTÁRIO EXPRESSO NO FACEBOOK

Alberto da Graça Do Espírito Santo Vasconcelos  -  Sr. Jorge Trabulo, sou parente muito próximo do falecido Engenheiro Salustino Graça e se recorda quando ia a Roça S. Vicente para adquirir o suculento fruto de ananás quem o recebia e vendia os produtos era o Sr. Armando Vasconcelos, meu querido pai, já falecido há quatro anos.
Para lhe dizer embora aquando da morte de Salustino Graça em 1965, eu tinha oito anos, com essa idade gostaria de ser engenheiro como ele para que pudesse produzir ananases em quantidade e qualidade iguais aqueles que eram produzidos naquela época.
Concluído os estudos liceais, até tive oportunidade de concretizar o meu sonho, fazer agronomia, mas tinha sido seleccionado para Cuba. Recusei , porque na altura não quis ir à Cuba , mas não estou arrependido, embora não tenha feito a minha formação preferida, formei-me em Língua e Cultura Portuguesa, na vertente Pedagógica na Faculdade de Letras de Lisboa e lecciono. Aos fins de semana e nas férias faço o que mais gosto, contribuindo na minha dieta alimentar e ganhando mais alguns tostões para ajudar com o magro salário que se usufrui nas Terras de Amador.
Um abraço amigo Trabulo!

As suas palavras comovem-me e deixam-me com os olhos banhados de lágrimas: por um lado pelas memórias distantes a que me transportam; por outro por belo exemplo que me transmitem: de ver que, apesar de não ter seguido a carreira de Eng.º Agrónomo, se dedica com especial amor e devoção à agricultura, que era realmente esse o empenho do saudoso Eng. Engenheiro Salustino Graça do Espírito Santo, além do distinto patriota que tanto sofrera, em prol do povo santomense, com as perseguições movidas   da polícia do regime.

Sim, Caro Amigo Alberto, faz-me muito bem aproveitar os seus tempos livres nessas tarefas, até porque, como reconhecerá, a terra é generosa e fértil e sabe retribuir, com os mais saborosos frutos, a quem amanha e cultiva
O abraço amigo 



"Salustino Graça do Espírito Santo 1894-1965. - Nasceu no dia 9 de julho de 1892 na freguesia da Trindade, ilha de São Tomé. Após concluir o ensino primário na sua terra natal, viajou para a capital portuguesa onde fez os estudos secundários, mais exatamente na Escola Académica de Lisboa. Posteriormente, finalizou (em Março de 1922) o curso de Agronomia no Instituto Superior de Agronomia de Lisboa, tendo regressado pouco tempo depois para junto dos seus patrícios. São Tomé e Príncipe foi, a par com o desenvolvimento da raça negra, o principal objeto da esperança de Salustino Graça, e fator da verdadeira guerra que protagonizou até à hora da morte, ocorrida quando tinha setenta e três anos de idade. Este engenheiro nativo foi, sem dúvida, símbolo da luta do seu povo, a quem paulatinamente e com hábil mestria, determinação e coragem foi ensinando os difíceis caminhos da liberdade, da justiça e do progresso.

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