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Entre outros assuntos, falo da escalada ao Pico Cão Grande e das minhas aventuras em canoas – Visam defender a teoria de que antigos povos africanos, podiam ter sido os primeiros povoadores das Ilhas do Golfo da Guiné, antes dos colonizadores – Parti à meia-noite, disfarçado de pescador, ligando a ilha do Príncipe. Para me orientar, uma rudimentar bússola – A canoa era minúscula, à segunda noite adormeci: rolei na escuridão das vagas. No regresso fui distinguido com sopapos da policia salazarista, enviado para os calabouços – Cinco anos depois, numa piroga maior, fiz a ligação São Tomé-Nigéria. Partindo igualmente à noite, 13 dias depois atingia uma praia de Calabar, tendo sido detido 17 dias por suspeita de espionagem. - No mesmo ano, já com São Tomé e Príncipe independente, tentei a travessia São Tomé ao Brasil, usando os mesmos recursos. Além de pretender reforçar a minha teoria, desejava evocar a rota da escravatura e repetir a experiência de Alain Bombard. Porém, quis a ironia do destino que vivesse a difícil provação de um naufrágio de 38 longos dias, tendo aportado numa praia de Bioko (Bococo)onde fui recambiado para a famosa prisão de Black Beach

domingo, 12 de agosto de 2018

EM MEMÓRIA DE MARINHO COSTA - TRIBUTO A UM TALENTOSO FOTÓGRAFO SANTOMENSE E UM BOM AMIGO - 04/02/1951 - 24/02/2013


O Marinho Costa, foi meu colaborador na Revista Semana Ilustrada, de Luanda, e, mais tarde, em Portugal, fui eu a colaborar com ele, em centenas de casamentos, comunhões, batizados com a comunidade africana e até num comício de campanha.  O seu laboratório situava-se  na Cova da Moura, num edifício de dois pisos, que ele construíra de  raiz a partir de uma simples barraca  – Após a privatização da Rádio Comercial-RDP, fiquei desempregado e ele deu-me a mão - O seu maior sonho era voltar à sua amada Ilha de São Tomé, para o que ali construíra, com muito esforço, uma linda casa, com uma vista magnifica sobre a Baía Ana de Chaves, que já não chegara a habitar. Seus dois filhos, que eu vi crescer, residem em Inglaterra, ambos são licenciados e estão ali muito bem vistos. A sua esposa está em Portugal e foi justamente ela que me facultou duas fotografias do seu saudoso esposo -  Mas eu aproveito para aqui também lembrar duas páginas da revista Semana Ilustrada, com fotos de sua autoria.



Fotos de Marinho Costa
Por isso mesmo, ao recordar-me dos inesquecíveis momentos que vivemos juntos,  ainda hoje choro lágrimas de comoção por este meu grande amigo, que considerei como meu irmão, grande profissional, de um coração magnânimo e muito honesto, com o qual trabalhei alguns anos para fazer face a algumas privações de ordem material - Que me fez muitas fotografias para a revista Semana Ilustrada

 Mais tarde, já em Portugal, quando a RDP-Rádio Comercial foi privatizada, passei a fotografar com ele - Foi uma experiência muito enriquecedora: não apenas pelos conhecimentos práticos que ainda pude adquirir(ao fotografar algumas centenas de casamentos, batizados e comunhões) como também pela oportunidade de conhecer por dentro - no interior das suas barracas - a vida de muitos africanos, emigrantes, nomeadamente na Cova da Moura – 

Fotos de Marinho Costa
Naturalmente que não o posso esquecer - Tal como não posso esquecer um episódio muito curioso: um dia alguém lhe assaltou o seu laboratório, que ficava situada exatamente naquele que era então ( e ainda hoje, creio) o bairro mais problemático da Amadora, pois veio a descobrir-se que o individuo que o roubou, oito dias depois, caiu de um andaime e morreu - Infeliz acidente do ladrão mas casual episódio para não mais ninguém se atrevesse a tais façanhas.

De ora avante, deu-se este facto curioso: é que podia até esquecer-se de deixar a chave na porta, como por vezes lhe aconteceu, que ninguém, na sua ausência, se atrevia lá a entrar: tanto ele, como eu e outros colaboradores (as) divertíamo-nos com isso: sabendo que nenhum de nós tínhamos poderes especiais mas da fama não nos livramos. -Infelizmente, do que não logrou resistir, jamais restabelecer-se, foi do acidente que ele próprio teve no seu automóvel, quando alguém embateu nele violentamente - Fisicamente, nunca mais foi o mesmo e, afinal, o Marinho Costa, tinha ainda tanto a dar: à sociedade e à sua maravilhosa Ilha, na qual, fruto das suas economias, do seu trabalho, em Portugal, onde construiria uma belíssima casa, que não chegaria a ter o prazer de habitar, já que Deus o chamou para a sua companhia no limbo da Eternidade, no lugar dos Justos, onde creio que se encontrará até ao Juízo Final.

Na madrugada de domingo (24/02/13) faleceu provavelmente um dos, se não o melhor fotografo da comunidade PALOP a nível internacional... viajando por diversos países e continentes foi deixando a sua marca em varias pessoas tirando fotografias em ambientes diferentes desde casamentos, batizados, banquetes etc, deixando recordações em milhares de casas pelo mundo inteiro.
Palavras nao chegam para descrever esta pessoa magnifica, a não ser perguntando aquelas pessoas que o rodeavam...
Agora descansa em paz meu PAI... 04/02/1951 - 24/02/2013

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