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Quem sou eu

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Entre outros assuntos, falo da escalada ao Pico Cão Grande e das minhas aventuras em canoas – Visam defender a teoria de que antigos povos africanos, podiam ter sido os primeiros povoadores das Ilhas do Golfo da Guiné, antes dos colonizadores – Parti à meia-noite, disfarçado de pescador, ligando a ilha do Príncipe. Para me orientar, uma rudimentar bússola – A canoa era minúscula, à segunda noite adormeci: rolei na escuridão das vagas. No regresso fui distinguido com sopapos da policia salazarista, enviado para os calabouços – Cinco anos depois, numa piroga maior, fiz a ligação São Tomé-Nigéria. Partindo igualmente à noite, 13 dias depois atingia uma praia de Calabar, tendo sido detido 17 dias por suspeita de espionagem. - No mesmo ano, já com São Tomé e Príncipe independente, tentei a travessia São Tomé ao Brasil, usando os mesmos recursos. Além de pretender reforçar a minha teoria, desejava evocar a rota da escravatura e repetir a experiência de Alain Bombard. Porém, quis a ironia do destino que vivesse a difícil provação de um naufrágio de 38 longos dias, tendo aportado numa praia de Bioko (Bococo)onde fui recambiado para a famosa prisão de Black Beach

sexta-feira, 20 de setembro de 2019

RUTE NORTE - A PEDALAR POR S. TOMÉ E PRINCIPE -AINDA O DIÁRIO DA BELA AVENTURA DE UMA JOVEM PORTUGUESA


Quando as imagens valem por mil palavras - Mas as palavras com belas imagens ainda velem mais - É o marvilhoso exemplo concretizado por Rute Norte, a desportista portuguesa  que já pedalou pelas sete partidas do mundo e que também não quis deixar de percorrer por estradas, caminhos, veredas e trilhos nas  luxuriantes Ilhas do Equador, que se erguem em pleno Golfo da Guiné, como abençoados paraisos divinos, partilhando sorrisos e convivendo de perto com as suas acolhedoras e amáveis gentes. 



Já nos referimos em postagens anteriores às suas façanhas, de que, amavelmente, nos têm dado conhecimennto  através das suas calorosas crónicas, sempre bem documentadas    Aqui llhe oferecemos, pois,  mais alguns excertos das suas fascinantes caminhadas onde nada escapa, tanto à lente da sua máquina fotográfica, como à curiosa retina do seu olhar sensível e atento, até porque cenários paisagisticos e humanos, surperendentes e atrativos, a cada momento, não  lhe faltam ao longo dos  vários percursos que vai tranquilamente pedalando - Se bem, que, por vezes, nem sempre rolando a descer,

Partida às 5h30. Segundo a aplicação do Maps.me, são 15 km (e os mesmos 15 para regressar, ou seja, 30 km no total).

Hoje já consegui partir à hora desejada, aos primeiros raios de luz. Tudo é mais bonito a esta hora. Ver nascer o sol, ver o mundo a despertar e a ganhar vitalidade. Tudo está calmo e silencioso agora. Salvo seja, os pássaros e os galos já cantam. Qual silêncio… o silêncio é relativo. De facto há grande animação entre a passarada – os seus biquinhos esfomeados já andam ativos. Pois que comam os mosquitos todos, que a esta hora também estão particularmente ativos.

Saio de Santo António, passarei pela Nova Estrela, pelo Terreiro Velho, pela Ribeira Fria, até finalmente chegar ao Infante D. Henrique.



Não sou a única a acordar cedo no Príncipe. De facto acorda-se muito cedo – não só no Príncipe, como em São Tomé também. O facto de anoitecer às 17h30 contribui muito. A maior parte das pessoas não tem televisão, às 20h já parece meia-noite. É propício ao sono. E o facto de já haver luz às 5h30 da manhã, também é propício a levantar cedo. Maravilha.
Eu cumprimento toda a gente ao passar, com um “Bom Dia”, e todos me respondem.

Eu a pensar que tinha escapado à subida do Gaspar, e meti-me noutra pior. A subida de Santo Cristo em direção à Nova Estrela e ao Terreiro Velho, onde estou a ir agora, ainda consegue ser pior. Santo António está num vale ao nível do mar. Para onde quer que se vá, tem de se subir. A não ser que nos metamos pelo mar adentro. E esta é um verdadeiro suplício de Santo Cristo.


Tal como referi na crónica 10, a maior parte das casas não tem casa de banho, pelo que é normal ver as pessoas a urinar na rua (de costas); não é considerado indecoroso. As mulheres baixam-se, levantam ligeiramente a saia e tiram as cuecas para o lado. Eu assisti por duas vezes a isto, uma delas com muita gente à volta. Efetivamente não se vê nada. Defecar é que pelos vistos será mais escondido. Nunca assisti, nem me cruzei com fezes no caminho.

(Este é um tema escatológico, o qual normalmente abordo nas minhas crónicas – mas isto faz parte da vida, e são hábitos dum povo – neste caso derivado das suas carências, creio que não vale a pena esconder o tema). Tive um episódio insólito em Agua Izé, na ilha de São Tomé, onde duas mulheres gritaram iradas na minha direção. Eu pensei que estivessem aborrecidas com a fotografia que tirei, na sua direção. Mas eu não as apanhei, e prontifiquei-me imediatamente a mostrar-lhes a foto, para provar-lhes que não as tinha fotografado, mas sim outra coisa ao seu lado. Até me assustei. Ora foi um mal-entendido. Elas não estavam iradas comigo – elas estavam a dirigir-se ao rapaz que estava ao meu lado, dos seus 15 anos, que tinha feito cocó na cozinha, contaram-me elas. Estavam furiosas e capaz de matá-lo. Pelos vistos o rapaz não esteve para andar, ou se calhar deu-lhe uma vontade súbita e incontrolável. Mas não, se assim fosse poderia ter apanhado e limpado. Aparentemente não fez nada disso.

Mais um cão com sarna. Creio que é sarna. Infelizmente é muito frequente entre os cães de São Tomé e Príncipe. Pegam uns aos outros, e a situação torna-se muito complicada. Efetivamente é um horror diário assistir a isto. Esta infeção é causada por ácaros e existem vários tipos de sarna, algumas contagiosas para os humanos. Creio que toda a gente percebe que ter um problema de pele que causa grande comichão e feridas devido ao coçar é um horror, seja para humanos ou animais. É premente começar a tomar conta disto, não só pelo sofrimento do animal, como também por questões de saúde pública. O tratamento passa normalmente pelo uso de shampoos e cremes, vejo nas publicações especializadas. VEJA MAIS PORMENORES E IMAGENS AMPLIADAS EM http://rutenorte.com/cronicas-de-viagens/sao-tome-e-principe-550-km-de-bicicleta-sozinha-29-dias/#toggle-id-18









OUTONALIDADES - circuito português de música ao vivo começa a fazer-se ouvir a 21 de setembro, com dezenas de concertos em diversos pontos do país e várias extensões internacionai





23ª edição do OuTonalidades arranca a 21 de setembro!
 
Calendário de concertos:
A 23ª edição do OuTonalidades - circuito português de música ao vivo começa a fazer-se ouvir a 21 de setembro, com dezenas de concertos em diversos pontos do país e várias extensões internacionais. O calendário dos concertos pode ser consultado no site oficial, em dorfeu.pt/outonalidades.
Águeda, Albergaria-a-Velha, Estarreja, Gafanha da Nazaré, Santa Maria da Feira, Sever do Vouga, Tondela e Viseu são algumas das cidades que acolhem mais uma edição, a 23ª, do OuTonalidades e que conta com nomes como Prana, Moonshiners, Tranglomango, A Charanga, Churky, Beatriz Pessoa, Madrepaz, Hot Air Balloon, Gobi Bear, A Jigsaw e LEFT.
Mas nem só grupos nacionais percorrerão o circuito português de música ao vivo: Arsene Duevi (Itália), Pipo Romero (Madrid, Espanha) e Eva Fernandez (Catalunha, Espanha) atuam no OuTonalidades 2019 em resultado de alianças internacionais, permitindo também a vários grupos portugueses pisarem palcos além-fronteiras: Palankalama estará no Mercat de Música Viva de Vic (Catalunha), Modulatus Project na Fira B! (Ilhas Baleares) e Barry White Gone Wrong tem três concertos no circuito espanhol AIEnruta.
O calendário oficial do OuTonalidades 2019, que se prolongará até março próximo, permanecerá aberto a novas confirmações no decorrer do circuito, aberto à adesão de novos espaços de música ao vivo. O OuTonalidades é coordenado pela d’Orfeu AC em colaboração direta com inúmeros parceiros (municípios, teatros e associações), na consolidação de uma grande rede de programação que dá palco a músicos de todas as músicas.

Vem viver a música ao vivo!

Equinócio do Outono, é dia 23-09 -2019 - às 08.00 horas - Vamos saudá-lo, num dos Templos do Sol, aldeia de Chãs - Foz Côa - Evocando o poeta do Amor, a figura e obra de João de Deus - O seu legado poético e pedagógico, considerado à época o primeiro do seu tempo, e o proponente de um método de ensino da leitura, assente numa Cartilha Maternal por ele escrita - Cuja centenária herança perdura até aos nossos dias – O Presidente da Direção da Associação de Jardins-Escolas João de Deus, António de Deus Ramos Ponces de Carvalho. garantiu-nos a sua presença, bem como de outras personalidades da distinta instituição

Jorge Trabulo Marques - Coordenador e autor da descoberta






O Equinócio de outono em 2019 verifica-se em Portugal a 23 de Setembro, exatamente às 08:50. Esta é a hora oficial para o início do outono. - 

Nós vamos saudá-lo às 08.00 horas no Templo Rupestre da Pedra da Cabeleira de Nª Srª - Desta vez, evovando o poeta João de Deus  - Lendo alguns dos seus belos poemas e prestando a nossa singela homenagem ao seu importante legado cultural - Através do Centenário Museu João de Deus e  da Associação de Jardins-Escolas João de Deus.


Em pleno coração de Lisboa reside uma das mais originais bibliotecas do país. Consagrada à educação e aprendizagem, é um dos ramos da vasta participação cívica e cultural de João de Deus. O legado do autor da "Cartilha Maternal" – Vamos recordar o poeta e o seu legado cultural e com a honrosa presença do director da Associação de Jardins-Escolas João de Deus (AJEJD), António Ponces de Carvalho

NASCER DO SOL NA PEDRA NO SANTUÁRIO RUPESTRE DA PEDRA DE Nª SRª DA  CABELEIRA, ASSINALA  A ENTRADA DO OUTONO 2019


O equinócio de outono é a designação que a astronomia atribui ao fenómeno natural que assinala o final do verão e a chegada da nova estação. É o instante preciso em que o sol cruza o plano do equador celeste, o que decorre em setembro no hemisfério norte e em março no hemisfério sul. https://www.calendarr.com/portugal/equinocio-de-outono/

Os equinócios ocorrem duas vezes por ano, na primavera e no outono, nas datas em que o dia e a noite têm igual duração. A partir daqui até ao início do outono, o comprimento do dia começa a ser cada vez maior e as noites mais curtas, devido ao Sol percorrer um arco mais longo e mais alto no céu todos os dias, atingindo uma altura máxima no início do Solstício de Verão. É exatamente o oposto no Hemisfério Sul, onde o dia 20 de março marca o início do Equinócio de Outono. http://oal.ul.pt/equinocio-da-primavera-2019/




VENHA PARTILHAR OS MAIS ESPLENDOROSOS MOMENTOS DE POESIA E DE ENCANTAMENTO  -

O enorme penedo está orientado no sentido nascente-poente e possui uma gruta em forma de semi-arco, com cerca da 4,5 metros de comprimento, que é iluminada no seu eixo no momento em que o Sol se ergue no horizonte, proporcionando uma imagem invulgar

A observação do alinhamento solar decorre, entre as 08.00 e 08.30, no lugar de Quebradas-Tambores, num rochoso planalto sobre o Vale da Ribeira de Piscos, em cujo curso se situam alguns dos principais núcleos de gravuras rupestres classificados como Património da Humanidade. Oportunidade excelente para celebrar o primeiro dia da estação mais  desejada e florida do ano e principiar bem um santo dia. Num local agreste mas encantador - Longe do habitual bulício urbano, em perfeita comunhão com a Natureza e com os olhos postos numa das mais esplendorosas imagens solares


ESTA É OUTRA MARAVILHA EXISTENTE NAQUELA ÁREA – ALINHADA COM O PÔR-DO-SOL NO SOLSTÍCIO O VERÃO






VAMOS SAUDAR O PRIMEIRO DIA DO OUTONO RECORDANDO A BELA POESIA DE JOÃO DE DEUS - Com poemas extraídos livro CAMPO DE FLORES,  que a sua neta, amavelmente  me autografou e ofereceu   - E DO POETA MANUEL DANIEL, natural de Meda, concelho limítrofe  do termo desta aldeia - Atualmente invisual

Associação de Jardins-Escolas João de Deus, com sede em Lisboa e  fundada em 1882, sob o nome Associação de Escolas Móveis pelo Método João de Deus,  é uma Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS) dedicada à educação e à cultura cuja atividade se reparte pela ESE João de Deus e por 37 Jardins-Escolas distribuídos pelo país.
De recordar que, há dois anos e no âmbito da comemoração dos 100 anos do Museu João de Deus, a Associação de Jardins-Escola João de Deus foi distinguida pelo  Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa com a Ordem Honorífica de Instrução Pública.

EVENTOS QUE JÁ SE IMPUSERAM PELA SUA BELEZA E SINGULARIDADE
 As celebrações do solstício do Verão e do Equinócio da Primavera e do Outono, nos alinhamentos solares dos monumentos megalíticos dos Tambores, em Chãs de Vila Nova de Foz Côa - conhecidos pelo Stonhenge português e entre os mais belos que resistiram desde os mais recuasdos tempos da pré-história - dir-se-á que já entraram definitivamente no calendário dos eventos astronómicos anuais. As televisões já deram a conhecer o lugar, uma agência internacional já divulgou a imagem para todo o mundo


VENHA PARTILHAR OS MAIS ESPLENDOROSOS MOMENTOS DE POESIA E DE ENCANTAMENTO  -

O enorme penedo está orientado no sentido nascente-poente e possui uma gruta em forma de semi-arco, com cerca da 4,5 metros de comprimento, que é iluminada no seu eixo no momento em que o Sol se ergue no horizonte, proporcionando uma imagem invulgar

A observação do alinhamento solar decorre, entre as 08.00 e 08.30, no lugar de Quebradas-Tambores, num rochoso planalto sobre o Vale da Ribeira de Piscos, em cujo curso se situam alguns dos principais núcleos de gravuras rupestres classificados como Património da Humanidade. Oportunidade excelente para celebrar o primeiro dia da estação mais  desejada e florida do ano e principiar bem um santo dia. Num local agreste mas encantador - Longe do habitual bulício urbano, em perfeita comunhão com a Natureza e com os olhos postos numa das mais esplendorosas imagens solares



O convite é dirigido não só  à população da aldeia e às gentes do concelho e redondezas, convidando-as evocar as festas dos ciclos da natureza dos seus antepassados, e fazendo com que as mesmas continuem a fazer parte do seu património cultural, como também a  todos aqueles que se interessem pelo estudo e pesquisa do passado longínquo da História do Homem e das particularidades desta região, cheia de um passado riquíssimo, contribuindo com o seu testemunho e partilhando num acontecimento de rara beleza e significado Apesar de ser dia de trabalho e estar-se em plena época das vindimas,  a organização está confiante de que os participantes e todos aqueles que aceitarem adiar por algumas horas os seus afazeres, poderão ali viver momentos de raro esplendor, alegria e misticismo, tal como, nos tempos idos, os seus antepassados, quando ali se reuniam para agradecerem às suas divindades os frutos que a terra


SANTUÁRIO RUPESTRE E OBSERVATÓRIO PRÉ-HISTÓRICO

Fica situado em Chãs, de Foz Côa e é conhecido por Pedra da Cabeleira de Nossa Senhora  -  Faz parte dos alinhamentos sagrados, com a mesma orientação de muitas igrejas da antiguidade, ou,  se recuarmos ainda mais no tempo, como Stonheeng, na Bretanha, Inglaterra, bem como outros observatórios pré-históricos, existentes em várias partes do mundo. Muitos dos quais em perfeito alinhamento com os corpos celestes, especialmente  os Equinócios e os Solstícios.

É um local mágico e  dos poucos lugares da terra onde  a beleza e o esplendor solar se podem repetir à mesma hora e com a mesma imagem contemplativa de há vários milénios.  O que se espera venha  a ocorrer, se as condições atmosféricas o permitirem, durante os vários minutos em que a cripta do enorme penedo é atravessado pelos raios solares da manhã - dia 22 às 08.00 horas   - Entrada do Outono

Os investigadores, que mais se têm debruçado sobre o estudo da área e deste sítio, como Adriano Vasco Rodrigues, Sá Coixão e Moisés Espírito Santo, Albano Chaves, conferem-lhe significado e importância: admitem a possibilidade do imponente megálito ter sido cultuado por antigos povos que viviam da agricultura do vale sobranceiro e que escolheram o afloramento granítico que ali se ergue, como verdadeira fortaleza natural,  para seus abrigos e celebrarem os seus rituais

Alguns especialistas, ligados às ciências exotéricas, tal como Tom Graves, que se deslocou expressamente da  Austrália, defendem que estes centros de culto, que geralmente se apresentam  em  forma de círculo ou amuralhados, como é este,  são locais de cura, atravessados por  linhas ou energias geodésicas  especiais, que os saberes e a experiência de antigas civilização, que viviam em estreita ligação com a Natureza, escolheram para seu benefício próprio e  se dirigirem às suas divindades.

O enorme megálito,  orientado no sentido nascente-poente, possui uma gruta em forma de semi-arco, com cerca da 4,5 metros de comprimento, que é iluminada no centro, no momento em que o Sol nasce. Situa-se num dos pontos destacados de um impressionante afloramento granítico, conhecido por Tambores, numa vasta área de abundantes vestígios pré-históricos, entre os quais avulta o Castro do Curral da Pedra. Está dentro do perímetro do Parque Arqueológico do Vale do Côa e muito próximo de dois dos principais núcleos de gravuras paleolíticas: Ribeira dos Piscos e Quinta da Barca – Este no termo desta freguesia.      

A primeira referência ao Santuário Rupestre da Pedra da Cabeleira de Nossa Senhora, foi feita por Adriano Vasco Rodrigues, no seu estudo publicado em 1982, sobre a História Remota de Meda., que o classificou como local de culto ou de sacrifícios.



Deus deu-me a graça de me revelar o maravilhoso segredo que esta e outras pedras guardavam, em 2001 e 2002, esquecido na poeira dos milénios  e a que me refiro noutro site – Além da Pedra do Solstício, alinhada com o pôr-do-sol no primeiro dia do Verão, existe também a  Pedra da Cabeleira de Nossa Senhora, que o povo da minha adeia, há muito conhece: o que desconhecia é que, além de santuário, era também um calendário solar pré-histórico   - A pedra fica situada no Maciço dos Tambores-Mancheia, no perímetro do Parque Arqueológico do Vale do Côa, arredores da aldeia de Chãs, concelho de Vila Nova de Foz Côa - Este enorme megálito com 4, 5 metros de altura e sensivelmente o mesmo de comprimento, é atravessado pelos raios solares do nascer do dia e está alinhado com os Equinócios da Primavera e do Outono  O fenómeno pode ser observado no próximo dia 23, instantes depois das oito  horas da manhã


VENTURA


O Sol na marcha luminosa voa
Lançando à terra majestoso olhar;
 Passa cantando quem o ar povoa,
E a praia abraça venturoso o mar.

No bosque o vento doce canto entoa,
Ouvem-se em coro as multidões cantar:
Que a um só triste o coração lhe doa,
 Que eu seja o único a sofrer, penar!

Por ti, saudade... de quem vai tão perto·
E a quem dos olhos e das mãos perdi
Neste tão ermo, lúgubre deserto!

Por ti, ventura ... que uma vez senti;
Por ti que às vezes a meu peito aperto
 E ... o peito aperto sem te ver a ti!

João de Deus – Do livro Campo de Flores


"João de Deus de Nogueira Ramos, nasceu no dia 8 de Março, em São Bartolomeu de Messines, faleceu em Lisboa, a 11 de janeiro de 1896, aos  65 anos - Poeta, Escritor e Pedagogo  - Mais conhecido por João de Deus, foi um eminente poeta lírico e pedagogo, considerado à época o primeiro do seu tempo, e o proponente de um método de ensino da leitura, assente numa Cartilha Maternal por ele escrita, que teve grande aceitação popular, sendo ainda utilizado. Gozou de extraordinária popularidade, foi quase um culto, sendo ainda em vida objecto das mais variadas homenagens. Foi considerado o poeta do amor e encontra-se sepultado no Panteão Nacional da Igreja de Santa Engrácia, em Lisboa.


João de Deus é recordado em Lisboa pelo Museu João de Deus e em São Bartolomeu de Messines por uma casa-museu e por um grupo escultórico. A modestíssima casa onde nasceu ostenta na sua fachada uma lápide alusiva.

Em 1930, aquando da comemoração do centenário do seu nascimento, foi-lhe erigida um estátua no Jardim da Estrela, em Lisboa.



Em 1966, o seu corpo fora solenemente trasladado do Mosteiro dos Jerónimos para o Panteão Nacional da Igreja de Santa Engrácia, em Lisboa, após o término da sua edificação. A cerimónia decorreu entre os dias 1 e 5 de dezembro, em conjunto com as de outras ilustres figuras portuguesas. - EXCERTOS . https://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_de_Deus_de_Nogueira_Ramos


Neta de João de Deus, o autor da Cartilha Maternal (1876), e filha do pedagogo João de Deus Ramos, foi inscrita na toponímia de Lisboa a também educadora Maria da Luz Ponces de Carvalho, pelo Edital de 03/07/2008, no eixo pedonal entre as Malhas 19 e 20.1 do Plano de Urbanização do Alto do Lumiar que passou a ser um Jardim, com uma área de 0,37 ha, na então Freguesia da Charneca e hoje, de Santa Clara.
Maria da Luz de Deus Ramos Ponces de Carvalho (Lisboa/27.06.1918 – 08.12.1999/Lisboa), nascida alfacinha na freguesia de São Sebastião da Pedreira,  foi a principal continuadora da obra de seu avô e de seu pai, exercendo a partir de 1943 trabalho educativo nos Jardins-Escolas João de Deus e leccionando em simultâneo a disciplina de Educação Sensorial no Curso de Educadoras de Infância pelo Método João de Deus..https://toponimialisboa.wordpress.com/2015/10/12/o-jardim-da-neta-de-joao-de-deus/
HOJE SEUS OLHOS JÁ NÃO PODEM CONTEMPLAR A LUZ DO DIA  - ESTÁ COMPLETAMENTE CEGO  -  Os seus belos versos fazem parte das tradicionais celebrações evocativas nos Templos do Sol   - São indispensáveis.

MANUEL DANIEL –  UMA VIDA INTENSA E MULTIFACETADA – ADVOGADO, POETA, ESCRITOR, DRAMATURGO E O HOMEM AO SERVIÇO DA CAUSA PÚBLICA

 A sua vida tem sido pautada pela dedicação mas também pela descrição. Atualmente, debatendo-se com extrema slimitaçoes da sua vista, por via de ter ficado completamente cego, no entanto, pese tão dura limitação, nem por isso a verbe do poeta se esgota  e, dentro do que lhe é possível, com apoio amigo da família, lá vai compondo os seus versos e editando livros.  Em cujos poemas  perpassa o que de melhor têm a poesia portuguesa -  Domina com mestria os mais diversos géneros poéticos e neles se expressa, a par de um  profundo sentimento de religiosidade, o amor à terra, à natureza, aos espaços que lhe são queridos,  suas inquietações e interrogações, sobre a efemeridade da vida  e o destino do Homem - Em Manuel Pires Daniel, não há jogo de palavras mas palavas que vêm  do coração, que brotam  naturalmente, como água da  melhor fonte, que corre das entranhas  do xisto ou do granito da nossa terra.




segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Escura é a noite, escuros os caminhos dos mares e dos céus que se me abrem em todas as direcções....E também escuros serão certamente os caminhos que me conduzirão a Deus... “O tormento no meu coração me dá alegria; que a esperança enganosa fique longe de mim”







Si dolce è’l tormento

Versos de Claudio Monteverdi

Si dolce è’l tormento
Ch’in seno mi sta,
Ch’io vivo contento
Per cruda beltà.
Nel ciel di bellezza
S’accreschi fierezza
Et manchi pietà:
Che sempre qual scoglio
All’onda d’orgoglio
Mia fede sarà.

Excerto de Monteverdi - Si Dolce e'l Tormento | Magnificat




"Tão doce é o tormento que dentro de mim está.   que eu vivo contente por cruel beleza;   No Céu de beleza cresce a frieza  e falta piedade"
 






















Escura é a noite, escuros os  caminhos dos mares e dos céus
que se me abrem em todas as direcções....E também  escuros
serão certamente os caminhos que  me conduzirão a Deus...
 Vou indo à deriva, sereno e grave, sem precisar de ninguém
Pois, mesmo que precisasse, ninguém me estenderia a mão!
Atento e indiferente - Vestido com as vestes da nocturna solidão.
Absorto com a crua verdade transfigurada do  assombro!
As trevas adensam-se na atmosfera e, por tão habituais,
quase  já não me impressionam, não me comovem.
Fazem o seu percurso. Eu  vou no seu seio mas não sei bem qual é o meu...
Sim, as sombras estão por todo o lado e também invadem o meu coração!
- Vagueio sem destino  com a coragem e o medo que ainda não sei vencer.
Não recuo a nada....Porque, enquanto tiver algum medo é sinal de que vivo....
Vou indo com o soooar do mar! Com o mar que soa! Com o mar que brâaame!..
Vou indo, derivando com o mar que voa!... Com o mar a bramaar!

Sou o cavaleiro andante sonhando acordado!... Sonhando cavalgando
este vasto largo, neste imenso mar!... Sonhando e cavalgando o mar..
porque, ao sonho, não há limites nem barreiras
e a noite acompanha-me nos meus sonhos,
os astros estão ocultos, longínquos e escondidos,
o silêncio foi submerso pelo rugido do vento e do mar,
só a roupagens da noite, as tenho por  únicas companheiras!..


 















Mas, ó  piedade impiedosa dos céus!..
Nenhum sinal de vida! Ninguém...Vivalma!
Só as vagas.... e atrás das vagas, outras vagas ainda!
O vento soluça e geme. Perpassa-me pelos ouvidos
como um fino acorde - Estou envolto nele.
Sonâmbulo abandono o meu, estranha vida!...
Onde irei numa noite de breu assim?!.. A que distância
haverá um porto de abrigo?!... As nuvens correm
sobre a minha cabeça, galopam enroladas e escuras!..
Quase me esmagam e sufocam!.. Em que ponto
do mar ou do céu poderei pousar o meu olhar?!..

 










Bravio deserto! espectral cenário! - Estranha e cruel beleza!
Quem se compadece de mim?!... Tão prolongado já vai
o sofrimento, a angústia que me aplaca e não se esvai,
que, de tanto penar neste deserto varrido e sombrio
e, dos céus cerrados, vir somente a indiferença e a frieza,
sim, tamanha já  é a minha dor, a amargura intensa que não se me apaga,
que, esta contínua incerteza, este permanente amargo sofrer,
este   resignado sentimento que me fustiga e perturba,
se transforma, simultaneamente, não só em persistente dor
mas também num misto de sereno e doce contentamento!
Como se eu fosse - mesmo diluído e  errante como as sombras-
O Deus de mim próprio e das escuras névoas, o meu próprio Criador!

É o vento, são as vagas!
Há um marulho que tumultua, se levanta e uiva.
Soergo-me ajoelhado, tímido levanto o húmido oleado
com que cubro a piroga, envergando ainda a capa com que durmo, debruço-me sobre a  frágil borda,
espreito por uma nesga o que vai lá fora,
olho a noite de olhar turvo e arregalado
para descortinar o que vai ao largo....
É o fuzilar de relâmpagos e mais relâmpagos
a rasgar negridão. Fico preocupado…
Além dos sinistros raios a incendiar o mar, além de mim,
nada mais  ouço que o uivar do vento e, nos confins, agora o trovão!
Nada mais enxergo que manchas difusas!
Vultos disformes! …Vultos montanhosos!
E, atrás desses vultos, alterosos e escuros, outros maiores se enrolam!
Ameaças fugidias sobre a imensa e negra vastidão!....
Em vão perscruto o denso horizonte,
a ondulante massa que  meus olhos cega e turva...
Em vão, neste  longo tormento, nem a lua
nem as estrelas, dão sinais da sua existência.
Só farrapos de penumbra!... Espessas névoas
que pairam à superfície  lívida e líquida!
Novelos fantasmagóricos, baixos e fugidios
que se movem como se fossem navios fantasmas!..
Nenhum raio de luz vem do alto!.. E, no entanto,
as águas enrolam-se e refletem um brilho baço!
 Não há uma aberta, um  assomo de claridade!..
Por isso, sinto-me agora mais triste, sozinho e abandonado!
Imerso numa paz podre e angustiante, tendo por cenário,
um quadro que tem tanto de sombrio, como de horrível e belo!
Traz nas pastosas vagas que se revolvem e quebram ao meu lado,
ameaça iminente de mais umas longas e atribuladas horas de vigília! 
De sono perdido, enfrentando as sucessivas investidas!
Que nunca se sabe donde vêm e donde partem!
O que eu sei é que o ambiente do mar
e da noite se altera, as vagas encrespam-se!
Quando é de dia, vê-se donde vêm as ameaças!
Porém, quando à escura  noite, sobrevém o tornado
ou a tempestade, tudo é medonho!...- Não há palavras!..





 












Vento e vagas! negros estão os mares e os céus!
Dentro de mim, onde vogo, em redor ao largo e ao alto
reina a solidão e o peso da noite mais funda! - Estou só!
Angustiado, face ao abandono do mundo e de Deus.
Estômago a dar horas, encolhido e vazio como um fole!
Em vão aperto o cinto, martirizado por fome atroz!
Sequioso de água potável - Corroído e atormentado
pela sede  - No equador o sol é a pino! Agora que eu faço?!..
Água potável, só a das chuvas ou recurso à do salgado mar!
Oh, sim!..Dorido das chagas, as feridas da muita humidade,
das pústulas  que me cobrem as partes! Vogando enfim
por caminhos ínvios que eu não sei - Silente e prostrado,
taciturno no fundo  de mísero esquife que flutua- Deste caixão
vergastado vogando na solidão de escuras águas de espuma!
Solitário e silencioso, nem um murmúrio balbucio mas sofro.
E choro por vezes as lágrimas sofridas da minha cruel sorte.
Errando na confusa superfície, derivando à toa e sem norte!
Qual vida sem rumo ou névoa que se esbate, esvai desfaz ou apaga.
Qual moribundo! Qual Cristo que espia descido da cruz do calvário!

Não desesperado, não rendido mas já mais inseguro e menos calmo,
sem que alguém me responda, inquieto, pergunto ao meu coração:
- Serei apenas a onda fugidia que se ergue franjada e se desfaz?!..
O espectro diluído e esfumado, a alma  errante de outro mundo?!..
Afinal, o que serei eu à flor deste mar negro fugidio e encapelado?!...
Serei o homem só no vasto oceano revolto vogando perdido
à espera de cair  no tumultuoso negrume da  mais horrível tumba,
envolvido pelos dedos crespos do mais insondável poço ou abismo?!..

Ó negros e opacos céus, ó negros e corridos mares!...
- Longe já vão essas noites nas densas trevas envolto
pelo bafo  permanente da aragem viscosa da morte,
as vergastadas  ou os salpicos violentos da salgada espuma!
Todavia, quão perto os tenho ainda na minha memória!
Quão posso agradecer a Deus e aos Céus, a minha sorte!


(...) Devem ser  oito horas... É noite do 30º dia. Choveu, como previra, no fim de tarde. Por acaso apenas foram os reflexos de uma trovoada que deve ter ocorrido, lá para longe, lá para o sul... Mas as vagas estão demasiado fortes!... O que veio realmente dar um certo desequilíbrio à canoa.

Há formações de nuvens negras a norte, noroeste...Vejo que algumas estão realmente a deitar chuva.Noutras bandas....vê-se a escuridão. E, para o sul, não sei se ainda terão chuva....Espero...Só peço a Deus que a noite não seja chuvosa.....Porque é muito chato...

Não comi nada...Quer dizer, limitei-me a comer as barbatanas do tubarão que tenho aí. Tentei pescar mas não consegui absolutamente nada!... Hoje, digamos, é um jejum limitado a água.... Não pude arranjar mais nada, visto ter estado ocupado quase todo o dia com o remo improvisado para dar a direcção à canoa..." Excertos do meu diário de bordo  - registado para um pequeno gravador que preservei no interior de um antigo caixote do lixo  - O meu baú - imagem ao lado

A terminar ocorre lembrar-me de uns poemas de Henri Michaux  - Sim, houve noites e dias, em que cheguei a desejar o fim do meu calvário:

"Náusea ou é a Morte que se Aproxima"

Rende-te, coração.
Lutámos tempo de mais,
Que se acabe a minha vida,
Não fomos cobardes,
Fizemos o que pudemos.

Oh! Alma minha,
Ou ficas ou vais,
Tens de te decidir,
Não me apalpes assim os órgãos,
Ora com atenção, ora com desvario,
Ou vais ou ficas,
Tens que te decidir.

Eu, por mim, não posso mais.

Senhores da Morte
Nem vos aplaudi, nem blasfemei contra vós.
Tende piedade de mim, viajante de tantas viagens sem
bagagem,
Sem amo, sem riqueza, sem glória,
Sois de certeza poderosos e ainda por cima engraçados,
Tende piedade deste homem transtornado que antes de
saltar a barreira já vos grita o seu nome,

Apanhem-no no ar,
E, se for possível, que se adapte aos vossos
temperamentos e costumes,
Se vos aprouver ajudá-lo, ajudai-o, peço-vos.
Henri Michaux - In Equador