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Entre outros assuntos, falo da escalada ao Pico Cão Grande e das minhas aventuras em canoas – Visam defender a teoria de que antigos povos africanos, podiam ter sido os primeiros povoadores das Ilhas do Golfo da Guiné, antes dos colonizadores – Parti à meia-noite, disfarçado de pescador, ligando a ilha do Príncipe. Para me orientar, uma rudimentar bússola – A canoa era minúscula, à segunda noite adormeci: rolei na escuridão das vagas. No regresso fui distinguido com sopapos da policia salazarista, enviado para os calabouços – Cinco anos depois, numa piroga maior, fiz a ligação São Tomé-Nigéria. Partindo igualmente à noite, 13 dias depois atingia uma praia de Calabar, tendo sido detido 17 dias por suspeita de espionagem. - No mesmo ano, já com São Tomé e Príncipe independente, tentei a travessia São Tomé ao Brasil, usando os mesmos recursos. Além de pretender reforçar a minha teoria, desejava evocar a rota da escravatura e repetir a experiência de Alain Bombard. Porém, quis a ironia do destino que vivesse a difícil provação de um naufrágio de 38 longos dias, tendo aportado numa praia de Bioko (Bococo)onde fui recambiado para a famosa prisão de Black Beach

sábado, 26 de janeiro de 2019

RDCONGO - Félix Tshisekedi é novo Presidente – Num pais onde milhares de crianças arriscam a vida nas minas de cobalto – Exploradas por empresas chinesas pagando uma miséria para lucrarem milhões - Por dia inteiro de trabalho nas minas de cobalto, uma criança africana quatro anos só recebe um centavo - ENTÃO QUE DIZER DESTAS JAMAICAS CONGOLESAS?


JORGE TRABULO MARQUES - JORNALISTA - INFORMAÇÃO E ANÁLISE 
Segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), cerca de 40 mil crianças trabalham em minas de cobalto na República Democrática do Congo. Por um turno de trabalho, que pode chegar a durar 24 horas, recebem menos de 1 euro e 80 cêntimos. Algumas não chegam a receber metade disso.



"As condições de trabalho nas minas congolesas são miseráveis", diz Faustin Adeye, que trabalha na instituição de solidariedade católica Misereor. "Muitas crianças são arrasadas do ponto de vista físico. Há escavações inteiras feitas a partir das próprias mãos destas crianças, sem luvas, apenas com a ajuda de machetes." https://www.dw.com/pt-002/milh%C3%B5es-de-crian%C3%A7as-continuam-a-ser-for%C3%A7adas-a-trabalhar/a-39206747.

NO REINO DA RDCONGO - COM ELEIÇÕES MANCHADAS POR GROTESCAS FRAUDES, O POLITICAMENTE CORRETO VEM DIZER QUE,  PELA PRIMEIRA VEZ, A POSSE DE UM CHEFE DE ESTADO, É  CONSIDERADA  PACIFICA MAS TAL NÃO SIGNIFICA QUE VENHA A SER O FUTURO DO PAÍS - E, PELOS VISTOS, NÃO SE AUGURAM MELHORES TEMPOS

 Mudam- se as caras mas as moscas parasitas deverão  continuar a ser as  mesmas  -  A realidade politica africana, dominada pelo colonialismo asiático, mas não só, vive mais de aparências, em cuidar dos privilégios dos governantes e das suas falanges e elites de apoio do  que em defender os verdadeiros interesses das populações.

Tomou posse, na passada Quinta-feira, Félix Tshisekedi novo presidente da República Democrática do Congo, considerada a primeira transição de poder pacífica desde a independência da Bélgica, em 1960. O chefe de Governo deverá sair da maioria parlamentar, apoiante de Kabila

CONTUDO " a vitória de Tshisekedi nas eleições de 30 de dezembro tem sido alvo de contestação por outro candidato da oposição, Martin Fayulu, que se assume como “presidente eleito” e que acredita ter existido uma “fraude eleitoral” promovida por Kabila


Apesar das persistentes acusações de fraude eleitoral, os países vizinhos, os Estados Unidos e outras potências estrangeiras, ávidos por promover a estabilidade sobre o caos potencial, saudaram a primeira transferência pacífica de poder desde a independência do Congo, em 1960. 

Outros pesos-pesados ​​regionais, como a África do Sul, Zâmbia e Angola, países que inicialmente lançaram dúvidas sobre os resultados das eleições, também se aproximaram, parabenizando o Sr. Tshisekedi pela sua vitória.  -Enquanto funcionários de 10 países participaram das cerimônias, apenas um líder, Uhuru Kenyatta, do Quênia, foi pessoalmente.


Mas as eleições de 30 de dezembro foram marcadas por irregularidades, e o candidato escolhido a dedo pelo presidente Joseph Kabila, Emmanuel Shadary, atraiu tão pouco apoio que o presidente teve de recorrer a Tshisekedi para manter uma aparência de credibilidade.https://www.nytimes.com/2019/01/24/world/africa/congo-president-inauguration-tshisekedi-kabila.html

DESENVERGONHADA EXPLORAÇÃO INFANTIL - PARA ALIMENTAR A GULA DOS BILIONÁRIOS ORIENTAIS E  DO APETITE INSACIÁVEL DO LIBERALISMO SELVAGEM GLOBAL



"O apetite por carros elétricos está gerando uma explosão na produção de cobalto de pequena escala na República Democrática do Congo, onde algumas minas são consideradas perigosas e empregam mão de obra infantil.



O valor do cobalto triplicou nos últimos 18 meses porque a ascensão dos veículos elétricos intensifica a concorrência por recursos escassos. Dois terços da oferta mundial vêm do Congo, o segundo país mais pobre do mundo. A explosão do metal, atualmente negociado acima de US$ 80.000 por tonelada, desencadeou uma mineração maior na região de Katanga, rica em cobalto, onde extensas minas escavadas à mão pontilham a paisagem e onde a busca por minérios é tão comum quanto a agricultura.... -Veja mais em https://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2018/02/20/minas-ligadas-a-trabalho-infantil-na-africa-prosperam-com-carros-a-bateria.htm?cmpid=copiaecola





MAS QUEM É QUE VAI INTERESSAR-SE EM PROTEGER  DA CRIMINOSA EXPLORAÇÃO DE MÃO-DE-OBRA INFANTIL  E DE OUTROS ABUSOS SOCIAIS? 

Exploração de “minério de sangue” gera conflitos, mortes, estupros e a degradação da maior bacia hidrográfica do continente africano
Um relatório das ONGs mundiais Anistia Internacional e Global Witness, publicado no mês de abril, informou que 80% das empresas de tecnologia adquirem minérios na República Democrática do Congo (RDC) sem verificar se a origem das matérias-primas é de zonas de conflito. A exploração desenfreada, no entanto, tem sérias consequências à sociedade, à biodiversidade e aos recursos hídricos da região. https://blogdoquatro.wordpress.com/2015/05/22/com-o-gosto-amargo-de-guerra/


"O seu telefone está manchado pela miséria das 35.000 crianças nas minas do Congo?

Minha pesquisa de campo mostra que crianças de até seis anos estão entre aqueles que arriscam suas vidas em meio à poeira tóxica para cobrar cobalto das grandes empresas de eletrônicos do mundo.



Mais de 60% do suprimento mundial de cobalto é extraído no “cinturão de cobre” das províncias do sudeste da RDC. De acordo com a agência governamentalencarregada de supervisionar o setor de mineração informal ou "artesanal", pelo menos 20% dessa oferta é extraída de locais como Elodie, chamados creuseurs . O restante é produzido por minas industriais que normalmente são operadas por empresas estrangeiras após o colapso da mineradora estatal Gécamines.

Em todas as províncias do sudeste, observei que as empresas chinesas administram muitas das minas industriais da região. Os chineses também parecem administrar a maioria das “casas compradoras” que compram cobalto de crianças como Elodie. Cada uma das 23 casas compradoras que eu documentava detalhadamente era operada pelos chineses, e eu devo ter visto mais cem com os comerciantes chineses lá dentro. 

Os processadores chineses então misturam cobalto de fontes industriais e artesanais durante um estágio preliminar de refino para produzir hidróxido de cobalto bruto, que eles levam para os portos de Dar es Salaam e Durban para exportação para a China.
(…) Após refinamento adicional na China, o cobalto é vendido para grandes fabricantes de componentes e empresas de eletrônicos de consumo em todo o mundo.

Essas empresas valem coletivamente trilhões de dólares. No entanto, de acordo com a Anistia Internacional em um relatório no final de 2017 , nenhum deles está fazendo esforços suficientes para garantir que suas riquezas não estejam sendo construídas nas costas das mulheres, homens e crianças oprimidos do Congo que trabalham em condições pútridas, suportar salários lamentáveis, ferimentos graves e risco de morte para o cobalto.

Eu documentei os horrores em 31 locais de mineração artesanal nas províncias do sudeste, incluindo vários locais anteriormente não documentados em montanhas remotas perto da fronteira com a Zâmbia. Com base nos dados que reuni, estimo que existem mais de 255.000 creuseurs de mineração de cobalto na RDC, dos quais pelo menos 35.000 são crianças, algumas com apenas seis anos.

Enquanto os preços de mercado do cobalto aumentaram 300% nosúltimos dois anos , nenhum desses aumentos chegaram a creuseurs como Arthur. O garoto de 16 anos se juntou a um grupo de rapazes que passaram dois meses cavando um túnel a 26 metros antes de atingirem uma veia heterogenita. Agora eles descem à escuridão todos os dias, passando 24 horas por vez em túneis estreitos incapazes de ficar de pé, cortando o cobalto. Cada minuto é impregnado de pavor, porque muitos túneis desmoronaram em Kasulo, enterrando vivos todos dentro.

(…) As empresas que obtêm o cobalto da RDC certamente estão cientes das péssimas condições sob as quais o mineral é extraído em alguns locais do país. Além dos relatórios da Anistia, abusos trabalhistas ligados à mineração de cobalto na região têm sido amplamente documentados por grupos de direitos humanos e por organizações de mídia em todo o mundo.

No entanto, embora as grandes marcas de eletrônicos e automóveis declarem não tolerar o trabalho infantil em suas cadeias de suprimentos, nenhuma investiu recursos suficientes ou tempo suficiente para garantir que eles possam abordar adequadamente os abusos dos direitos humanos que podem estar ocultos nos produtos que vendem para milhões de pessoas. o mundo. Eles têm consistentemente transferido a responsabilidade pelas violações dos direitos humanos no Congo para seus fornecedores chineses.

Na ausência de responsabilidade total, o sofrimento pode gerar distúrbios. Nenhuma empresa deve ser capaz de descartar sua responsabilidade pelo tratamento vicioso e injusto das pessoas que extraem cobalto e outros minerais simplesmente porque estão separadas delas por alguns milhares de quilômetros e algumas camadas em suas cadeias de suprimentos.


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