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Entre outros assuntos, falo da escalada ao Pico Cão Grande e das minhas aventuras em canoas – Visam defender a teoria de que antigos povos africanos, podiam ter sido os primeiros povoadores das Ilhas do Golfo da Guiné, antes dos colonizadores – Parti à meia-noite, disfarçado de pescador, ligando a ilha do Príncipe. Para me orientar, uma rudimentar bússola – A canoa era minúscula, à segunda noite adormeci: rolei na escuridão das vagas. No regresso fui distinguido com sopapos da policia salazarista, enviado para os calabouços – Cinco anos depois, numa piroga maior, fiz a ligação São Tomé-Nigéria. Partindo igualmente à noite, 13 dias depois atingia uma praia de Calabar, tendo sido detido 17 dias por suspeita de espionagem. - No mesmo ano, já com São Tomé e Príncipe independente, tentei a travessia São Tomé ao Brasil, usando os mesmos recursos. Além de pretender reforçar a minha teoria, desejava evocar a rota da escravatura e repetir a experiência de Alain Bombard. Porém, quis a ironia do destino que vivesse a difícil provação de um naufrágio de 38 longos dias, tendo aportado numa praia de Bioko (Bococo)onde fui recambiado para a famosa prisão de Black Beach

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

MANUEL PINTO DA COSTA E O “REENCONTRO COM VELHOS AMIGOS” – EM LISBOA, HÁ MAIS DE 30 ANOS – BREVE ENTREVISTA AO ENTÃO PRIMEIRO PRESIDENTE DA REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DE S. TOMÉ E PRINCIPE, FUNDADOR DA NACIONALIDADE SANTOMENSE, ATRAVÉS DO MSLTP E ALGUNS SONS DO CONJUNTO MUSICAL OS LEONENSES, QUE ELE SEMPRE MUITO APRECIOU - ESTE O MEU SINGELO TRIBUTO AO ESTADISTA E À MÚSICA TÍPICA DAS MARAVILHOSAS ILHAS VERDES DO EQUADOR

Jorge Trabulo Marques - Jornalista e investigador
 



Manuel Pinto da Costa, líder do Partido fundador da nação de S. Tomé e Príncipe, sem dúvida, o pai da nacionalidade santomense - Um dos raros exemplo, africanos,  que  deu .tudo o que podia dar da sua vida sem esperar daí vir a coletar fortuna ou riqueza e aproveitamento material. 




Doutor em economia pela Faculdade de Berlim, antiga República Democrática Alemã, Manuel Pinto da Costa, membro fundador do Comité de Libertação de São Tomé e Príncipe, primeira organização independentista são-tomense, acabou por ser figura de consenso no seio dos nacionalistas radicados no estrangeiro, para dirigir a nova organização política o MLSTP e consequentemente o novo país independente.


Foto - Gentileza do Coronel Conde Falcão
"A sua influência na luta pela libertação de São Tomé e Príncipe começou a ser exercida ainda como estudante. Na década de 60 foi eleito secretário para informação e propaganda da União Geral dos Estudantes da África Negra, sediada em Rabat Marrocos.

Durante 15 anos presidiu os destinos de São Tomé e Príncipe, de 12 de Julho 1975 à 3 de Abril de 1991. Foi um dos primeiros líderes africanos a implementar reformas com vista a mudança do regime mono partidário para a democracia pluralista. Em 1989 sob Presidência de Pinto da Costa o povo foi chamado para referendar a nova constituição política"

Depois de se tornar Presidente da República aos 37 anos de idade em 12 de Julho de 1975 - pois completaria 38 anos em 5 de Agosto de 1975 - sim, depois de liderar 14 governos(em 15 anos, quase um governo por ano) até 1991, num contexto das dificuldades próprias de um pais que procurava reafirmar-se e encontrar-se os melhores rumos  no contexto das jovens nações independentes, pois, naquela ano,  decide abrir o país para a democracia parlamentar;


O seu papel foi fundamental na transição do regime de partido único para a democracia de matriz ocidental, tendo presidido a histórica conferência nacional de 1989 que marcou a viragem política no país. 

Em 1993 chefiou a delegação de observadores da NDI (National Democratic Institut) e do Carter Center nas primeiras eleições democráticas no Burundi. 

Pinto da Costa ganha prestígio Internacional como sendo o primeiro país africano a adoptar o Sistema Político Ocidental. 

Abdica do Poder deixando outros filhos da nação participarem de uma forma cívica para um modelo que todos achavam conveniente.

Pinto da Costa entende que o seu forte está na consolidação nacional das forças políticas e a unidade da sociedade civil e, por isso, se lança numa candidatura pela terceira vez e ganha a disputa na segunda volta contra Evaristo de Carvalho. 

Em 1996 candidatou-se novamente ao cargo de presidente, perdendo nas urnas para seu companheiro na universidade no curso de Direito Miguel Trovoada, por uma pequena margem de votos. 

Em 2001 é derrotado novamente, dessa vez para Fradique de Menezes, no primeiro turno das eleições. 

Manuel Pinto da Costa apresentou-se em 2011 às presidenciais são-tomenses como independente e acabou por ser apoiado pelo seu antigo partido o MLSTP/PSD - Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe-Partido Social Democrata - e PCD - Partido da Convergência Democrática. 

A vitória de Pinto da Costa nas eleições de 7 de Agosto, foi uma vitória bem disputada ao sabor de uma Democracia participativa.

Pinto da Costa atribui a vitória eleitoral ao povo de São Tomé e Príncipe. "O povo são-tomense deu, como esperava, mais uma vez um exemplo, à região e ao mundo, de civismo, tolerância e liberdade". 

As eleições de 7 de Agosto foram, por isso, uma vitória da democracia, uma vitória de todos os são-tomenses, uma vitória de São Tomé e Príncipe», sublinhou.

A Comissão Eleitoral Nacional confirmou que Manuel Pinto da Costa sucede ao Presidente da República, Fradique Menezes. Tomou posse no dia 3 de Setembr






Manuel Pinto da Costa,  a mais conhecida e carismática figura histórica do MLSTP,  um dos mais distintos heróis da  fundação da pátria santomense,  um dos raros estadistas, ainda vivos, que conheceu o histórico líder da revolução chinesa, Mao Zedong - E também dos poucos dirigentes políticos que o cumprimentaram a escassos meses antes da sua morte.

"O encontro ocorreu em Pequim, a 23 dezembro de 1975, cinco meses e meio depois da independência de São Tomé e Príncipe. Pinto da Costa, o primeiro presidente do país, tinha 38 anos – menos 44 que o seu anfitrião.

(..) Mao “cumprimentou calorosamente cada um dos membros” da comitiva de Pinto da Costa e manteve “uma cordial e amigável conversa”, relatou o semanário Peking Review, sem mencionar o estado de saúde do líder chinês.

A República Popular da China foi dos primeiros países a abrir uma embaixada em São Tomé e a enviar cooperantes para o novo país, nomeadamente médicos

Pinto da Costa viajou para Pequim com três ministros e além de Mao, encontrou-se com um vice-primeiro-ministro, Li Xiannian.

(…) Mao Zedong morreu nove meses mais tarde e embora a China tenha evoluído numa direção que ele consideraria “contra-revolucionária”, o seu retrato continua afixado na Porta da Paz Celestial (Tiananmen), no centro de Pequim.
São Tomé e Príncipe também mudou muito e no início da década de 1990, aboliu o regime de partido único. Pinto da Costa abandonou a atividade política, mas em 2011 candidatou-se à presidência e ganhou.

 (…) Apesar de São Tomé e Príncipe não ter relações diplomáticas com a RPC, em junho de 2014, o seu presidente esteve em Pequim e em Xangai, numa “visita de caráter privado”.

É uma engenharia protocolar e diplomática invulgar, mas a carreira de Manuel Pinto da Costa também não é muito comum e, no fundo, ele ainda será visto em Pequim como “um velho amigo da China”. Presidente Pinto da Costa encontrou-se com Mao Zedong em 1975

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