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Entre outros assuntos, falo da escalada ao Pico Cão Grande e das minhas aventuras em canoas – Visam defender a teoria de que antigos povos africanos, podiam ter sido os primeiros povoadores das Ilhas do Golfo da Guiné, antes dos colonizadores – Parti à meia-noite, disfarçado de pescador, ligando a ilha do Príncipe. Para me orientar, uma rudimentar bússola – A canoa era minúscula, à segunda noite adormeci: rolei na escuridão das vagas. No regresso fui distinguido com sopapos da policia salazarista, enviado para os calabouços – Cinco anos depois, numa piroga maior, fiz a ligação São Tomé-Nigéria. Partindo igualmente à noite, 13 dias depois atingia uma praia de Calabar, tendo sido detido 17 dias por suspeita de espionagem. - No mesmo ano, já com São Tomé e Príncipe independente, tentei a travessia São Tomé ao Brasil, usando os mesmos recursos. Além de pretender reforçar a minha teoria, desejava evocar a rota da escravatura e repetir a experiência de Alain Bombard. Porém, quis a ironia do destino que vivesse a difícil provação de um naufrágio de 38 longos dias, tendo aportado numa praia de Bioko (Bococo)onde fui recambiado para a famosa prisão de Black Beach

terça-feira, 23 de abril de 2019

BAÍA ANA DE CHAVES VAI FICAR DESOBSTRUÍDA DOS FANTASMAS DO FERRO VELHO - Minha profecia de há dois anos, finalmente vai cumprir-se - Escrevia eu estas palavras, em 14-07-2017 - NEM AO MENOS LIMPAM A BAÍA DO ENTULHO . ESPERAM QUE SEJA A MÃO ESTRANGEIRA A VIR ARRUMAR A CASA - Acabou por ser uma empresa sucateira portuguesa.


Jorge Trabulo Marques - Jornalista - Informação e análise




Alguns  esqueletos de ferro destes batelões,  permanecem desde a era colonial, em consequência de um violento tornado que assolou a Ilha, lançando a pique as várias dezenas, que ali existiam fundeados, que serviam para transbordo  das mercadorias a transportar ou descarregar dos navios  que fundeavam ao largo, tal como, ali, ainda hoje sucede, devido à falta de um porto de acostagem.  - Tal situação sucedeu justamente na pavorosa noite em que eu largara, numa piroga, da Praia Gamboa para a Nigéria, no qual ainda fui envolvido.


Pior que no tempo colonial 
Embora sejam o testemunho  de um certo período  histórico, longe de constituírem peças de museu, pelo que o mais aconselhável era serem retirados, até porque estão a escassos metros da vedação da avenida marginal ou então puxados para o mar largo para servirem de corais aos peixes - Deste modo, creio revelarem algum desleixo e um mau contraste na panorâmica de uma baía geralmente  tranquila, que deveria transmitir uma imagem de serenidade, de paz e de beleza e não a de um  antigo cemitério de despojos naufragados  - Pelo menos quando não é assolada pelo mau tempo.

Refere o Téla Nón que "um dos contentores, foi recuperado graças ao empenho e determinação dos operários do Porto de São Tomé. Quando abriram o contentor, uma grande pressão de água saiu da porta do contentor. Dezenas de sacos de arroz, estavam ensopados com água salgada. http://www.telanon.info/sociedade/2011/06/07/7355/mais-um-carregamento-de-arroz-e-outros-produtos-alimentares-naufragado-ao-largo-de-sao-tome/





O pescador tem que aventurar-se” -É assim a vida dos pecadores das canoas e das traineiras, em S. Tomé, que largam ou  aportam na Baía Ana de Chaves  – Falámos com três desses bravos homens do mar, junto a uma das traineiras, fundeadas na Baía Ana de Chaves, que  se iniciaram na pesca das canoas, a grande escola dos pescadores santomenses – Preferem integrar a equipa das traineiras, porque têm mais segurança e pescar mais. Enquanto as canoas não podem perder a etrra de vista, as traineiras podem ir pescar para outras distâncias, até junto da costa africana, e melhorar um pouco mais a jornada. – Não deixe de ouvir alguns pormenores das suas histórias, no vídeo que aqui lhe oferecemos


 ESTE ERA  O TEOR DO TÍTULO DA  POSTAGEM NA QUAL FAZIA ALUSÃO AOS FANTASMAGÓRICOS ESQUELETOS 




S Tomé e Príncipe desgovernado e a saque: - Misterioso desaparecimento do navio Santo António, há 2º dias e sem rasto. Barcos e catamarãs que negligentemente se deixam afundar ou desaparecer: Doenças que matam e se ocultam. Milhões de euros ou de dólares anunciados e que voam não se sabe como: Traineiras de pesca desviadas da ilha da Madeira umas levaram sumiço, outras afundadas inexplicavelmente. Comércio marítimo clandestino com o Gabão envolvendo militares. Pirataria internacional fazendo transbordo junto à costa – O Povo destas maravilhosas ilhas merecia melhor sorte, que ser governado por u primeiro-ministro que nem sequer aqui tem raízes e laços afetivos. http://www.odisseiasnosmares.com/2017/07/s-tome-e-principe-desgovernado-e-saque.html


Finalmente a remoção das fantasmagóricas carcaças. Foi o que mais me chocou quando, 39 anos depois, ao voltar a S. Tomé, me depararei com uma tão bela Baía, sulcada por tão perigosos escolhos ferruginosos. Alguns desses esqueletos cravados de ferrugem e de conchas eram de batelões que foram afundados quando, em Março de 1975, parti de canoa rumo à Nigéria - Foi de noite, e ao aproximar-me do ilhéu das Cabras, comecei por ser atingido por uma violenta tempestade, que deitaria ao fundo vários batelões ali existentes, tal como pude confirmar quando regressei, a S. Tomé, nesse mesmo ano, num avião militar, para concluir a escalda do Cão Grande e tentar a travessia oceânica de canoa -

Quem chorou lágrimas, naquela noite, pensando que eu tivesse morrido no meio daquele vendaval, foi a minha companheira, a Margarida, natural de S. Tomé, que me acompanhou até à praia Gamboa e me viu partir: a única pessoa que sabia que o meu destino era a Nigéria para onde me dirigia por causa de selváticas agressões, de que estava a ser alvo por parte de alguns colonos, que me moveram ferozes perseguições, devido aos meus artigos publicados na Semana Ilustrada, quer pró-independência, quer pela denúncia do Batepá.
O saudoso Prof. Ferreira da Silva, fez o favor de me levar no seu carro, a mim e â Margarida, até aquela praia, com os mantimentos para essa viagem, que eu andava a preparar algum tempo para comprovar a minha teoria de que as ilhas poderiam ter sido ligadas por canoas, mas que acabei por precipitar, pelas razões que expus.
Àquele amável professor português. eu argumentei que ia passar uns dias no Ilhéu das Cabras para me escapar das tais perseguições, que ele também conhecia, receando que a vedeta da marinha pudesse vir ao meu encontro e me impedisse de tão arriscada aventura: por isso mesmo, optei por largar de noite, mas só Deus sabe, o pandemónio que eu enfrentei, mal me fiz ao largo no meio daquelas tempestuosas trevas.
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Obrigado, Conceição Lima, pela excelente imagem, que me deixou contente e ao mesmo tempo me conduziu a ir ao fundo das minhas antigas memórias, que guardo dessa maravilhosa ilha


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