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Entre outros assuntos, falo da escalada ao Pico Cão Grande e das minhas aventuras em canoas – Visam defender a teoria de que antigos povos africanos, podiam ter sido os primeiros povoadores das Ilhas do Golfo da Guiné, antes dos colonizadores – Parti à meia-noite, disfarçado de pescador, ligando a ilha do Príncipe. Para me orientar, uma rudimentar bússola – A canoa era minúscula, à segunda noite adormeci: rolei na escuridão das vagas. No regresso fui distinguido com sopapos da policia salazarista, enviado para os calabouços – Cinco anos depois, numa piroga maior, fiz a ligação São Tomé-Nigéria. Partindo igualmente à noite, 13 dias depois atingia uma praia de Calabar, tendo sido detido 17 dias por suspeita de espionagem. - No mesmo ano, já com São Tomé e Príncipe independente, tentei a travessia São Tomé ao Brasil, usando os mesmos recursos. Além de pretender reforçar a minha teoria, desejava evocar a rota da escravatura e repetir a experiência de Alain Bombard. Porém, quis a ironia do destino que vivesse a difícil provação de um naufrágio de 38 longos dias, tendo aportado numa praia de Bioko (Bococo)onde fui recambiado para a famosa prisão de Black Beach

segunda-feira, 22 de abril de 2019

"Falta comida nas escolas — uma razão para o abandono escolar em São Tomé” - Manchete, hoje, do PÚBLICO - “Temos casos de desmaios, quase todos os dias. Muitos vêm sem terem tomado o pequeno-almoço” – “O novo primeiro-ministro, Jorge Bom Jesus, foi professor e muitos esperam que dê prioridade à Educação – Em Portugal, Todos os anos são sinalizadas cerca de 6500 crianças em risco, em Portugal. A maioria é vítima de negligência ou maus tratos psicológicos – Refere o mesmo jornal – “O número de pessoas à beira da pobreza e exclusão social na União Europeia aumentou, estimando-se em quase 23 milhões o número de crianças pobres” – O culto ultraliberal é o que faz.

Jorge Trabulo Marques - Jornalista - Informação e análise - Fotos do autor deste site

AS CARÊNCIAS ALIMENTARES AINDA NÃO FORAM ELIMINADAS E AS CRIANÇAS SÃO AS QUE MAIS SOFREM MAS HÁ A ESPERANÇA EM  DIAS MELHORES POR PARTE DE JORGE BOM JESUS 








 São Tomé e Príncipe registou em 2015 mais casos de tuberculose do que em 2014 – segundo então foi anunciado por fonte  sanitária, por ocasião da celebração do Dia Mundial de Luta Contra a Tuberculose.

O mundo tem 2754 bilionários (e mais de 400 mil milionários) 18 Janeiro, 2019  Num único ano, o mundo ganhou 400 mil novos milionários, definidos como pessoas que detêm entre 1 e 30 milhões de dólares. https://zap.aeiou.pt/mundo-bilionarios-milionarios-236625

Cerca de 1,4 milhões de crianças estão em risco de morte por desnutrição na Nigéria, Somália, Sudão do Sul e Iémen, alertou o Fundo das Nações Unidas para a Infância. – A natureza, em S. Tomé e Príncipe, é fértil e generosa, e  salva as crianças desse flagelo, mas, certamente que maioria seria o índice de  mortalidade infantil, caso não fosse o apoio prestado por várias associações humanitárias, que chama a si o cuidado, o esforço e  carinho de fornecerem alimentos, cuidados de saúde, educação e a mais variada assistência, a elevado número  das crianças santomenses. 
 A EVOLUÇÃO DEMOCRÁTICA INSTÁVEL MAS PACIFICA - FEUDO ARROGANTE DE PATRICE TROVOADA VEIO PROVOCAR  ENORMES FISSURAS NA SOCIEDADE SANTOMENSE

"Ao contrário da maioria das dependências coloniais da Europa na África, São Tomé tornou-se uma república sem derramamento de sangue, após a ascensão em Lisboa de uma junta militar de esquerda e o fim da ditadura estabelecida por António Salazar.
Em 1991, houve uma transição pacífica de uma regra de uma pessoa para a democracia. Muito parecido com a independência de Portugal, o derramamento oficial do marxismo por São Tomé foi gerido sem perturbações The New Yorker 7 de outubro de 2002 "
"Em entrevista, o ex-presidente Miguel Trovoada declarou que, embora as pesquisas fossem muito pacíficas, os resultados das eleições eram fraudulentos pela intervenção do dinheiro. - Isso pode ser um exagero até certo ponto, mas provavelmente é correto que o partido Trovoada tenha sido superado em gastos na campanha eleitoral de 2002   Cooperación en la Explotación de Petróleo y Gas en el Mar

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Seja em África, seja em que continente ou pais for,  a  globalização e o liberalismo selvagem, só promove as desigualdades sociais: torna os ricos mais ricos, esmagando a classe média e agravando a pobreza   -


Ricos estão cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres  - 21/01/2019  - A fortuna dos multimilionários cresceu 12% em 2018, a um ritmo de  2200 milhões de euros por dia, enquanto a riqueza da metade mais pobre da população mundial reduziu 11%, revela um relatório publicado pela Oxfam.

Imagem - Web
A metade mais pobre da população mundial, segundo o documento, corresponde a cerca de 3800 milhões de pessoas. https://www.jn.pt/economia/interior/ricos-estao-cada-vez-mais-ricos-e-os-pobres-cada-vez-mais-pobres-10466014.html
 
Segundo um estudo do Instituto Europeu da Igualdade do Género (EIGE, na sigla original) em 2014, mais de 122 milhões de habitantes da UE viviam em agregados populacionais considerados pobres (53% mulheres e 47% homens), mais de 55% dos quais em idade ativa (entre 25 e 64 anos) – Desde então, a tendência não se inverteu: https://www.jn.pt/mundo/interior/europa-com-mais-pobres-23-milhoes-sao-criancas-5526043.html

Falta comida nas escolas — uma razão para o abandono escolar em São Tomé - PÚBLICO - Hoje

Em 2012, o Estado comprometeu-se no “fornecimento diário de refeições quentes” aos alunos até ao 6º ano. Mas “cumpre só 20%”, diz o coordenador do programa de alimentação escolar – Diz o PÚBLICO, num artigo assinado por Ana Dias Cordeiro, do qual tomámos a liberdade de aqui transcrever alguns excerto, referindo que, Walter e Óscar, que surgem na sua reportagem,  são nomes fictícios

Walter, professor da 3.a classe, tem mais de 60 alunos por sala. Diz  não se lembrar dos nomes de todos, não lhes dedicar a atenção devida. Quando olha para o sistema de ensino, não vislumbra perspectivas para estas crianças. E há uma ironia amarga nisto: “Elas são o futuro de São



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Tomé e Príncipe.”

Contudo, acalenta a esperança de que uma maior atenção seja dada à educação. O novo primeiro-ministro de São Tomé e Príncipe, Jorge Bom Jesus, foi professor durante vários anos, director-geral da Educação, director da Escola de Formação de Professores e Educadores e ministro da Educação entre 2008 e 2010 e mais tarde entre 2012 e 2014. “Ele tem essa sensibilidade. É professor de carreira e foi duas vezes ministro da Educação”, diz Walter que não quer apresentar-se com o verdadeiro nome.



Imagem  facebook
Óscar não é professor mas também ajudou a derrotar o partido Acção Democrática Independente (ADI), de Patrice Trovoada, nas legislativas de Outubro passado. Lembra com entusiasmo como uma multidão se manteve coesa frente ao Palácio Presidencial e não arredou pé enquanto não houve a certeza de que seria Bom Jesus a formar Governo. “Celebrámos como se estivéssemos a celebrar uma

segunda vez a independência”, diz Óscar, nascido depois de 1975.



Nenhum dos dois esconde a decepção, a ânsia de expor o que sabem há anos e vivem diariamente. Querem libertar-se do silêncio e do medo que se lhes colou à pele nos últimos anos quando jornalistas foram ameaçados e funcionários públicos intimidados.

Denunciam mais do que muitos activistas mas sem dar a cara. Não podem perder o emprego. Mas não toleram mais injustiças. Como funcionário de um importante ministério, Óscar conheceu longo dos anos directores-gerais, governantes e outros responsáveis políticos de passagem ou de regresso à base. Não sabe em quem confiar.

Como Walter, dá o benefício da dúvida a este novo Governo liderado pelo MLSTP-PSD (Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe – Partido Social Democrata).

O movimento histórico da luta pela libertação e partido único até às primeiras eleições multipartidárias ficou em segundo lugar nas eleições de há seis meses, mas Jorge Bom Jesus negociou com vários partidos uma coligação para afastar o partido do então primeiro-ministro, Patrice Trovoada, líder do partido mais votado nas eleições.
No discurso de tomada de posse, Bom Jesus apresentou-se com a aura de quem promete um corte com o passado ao declarar a luta contra a corrupção como prioridade.


Walter fala muito a sério quando diz que é a corrupção no ensino que mais lhe mói o pensamento, as fraudes e os enganos que atingiram exactamente o sector que não podiam atingir: “Isso está a matar o professor, isso está a matar o aluno. O aluno que tiver dificuldades, não vai ser acompanhado.  O professor dá aula, sai da aula e em vez de ir para a biblioteca aprofundar os seus conhecimentos, tem de ir para a roça, à pesca ou trabalhar à noite como motoqueiro [táxi de motorizada].” Raiva do ensino Walter não está pior do que a maioria da população, mas isso não basta.
“Eu tenho raiva de ser professor.” As bolsas de estudo para estudantes foram reduzidas, primeiro para 75% do seu valor inicial, e depois para 50%, quando estava a concluir o curso num dos estabelecimentos de ensino superior em São Tomé.
Apenas precisava de mais uns meses para concluir o curso e receber o salário de professor com formação.
Em vez disso, e porque a bolsa ficou  suspensa, recebe menos 1500 dobras (o equivalente a 60 euros) num vencimento total que ronda as 4000 dobras (160 euros). O salário mínimo corresponde a 1100 dobras (menos de 50 euros).
As bolsas eram atribuídas a 100% com as verbas financiadas pelas empresas de petróleo, como constava do contrato com as autoridades de São Tomé e Príncipe para a exploração dos blocos que operavam. Mas o Ministério da Educação determinou um critério para as percentagens.



Embora esteja à frente de um programa sob a tutela do Ministério da Educação, o coordenador do Programa Nacional de Alimentação e Saúde Escolar (PNASE), Edson Sanches Moniz, não esconde a discordância na forma centralizada como são geridos os fundos.

A planificação é feita para 180 dias (seis meses), mas os recursos disponíveis só cobrem 80 dias, diz Edson Moniz sobre a planificação feita no último ano lectivo. Passados esses 80 dias, deixou de haver comida nas escolas. “E esse tem sido um dos factores fundamentais do abandono e do insucesso escolar do pré-escolar e do básico”, afrma.

A maioria das crianças não come nada, diz com preocupação antes de citar um inquérito realizado pelo Programa Alimentar Mundial (PAM) a mais de 5800 crianças em São Tomé e Príncipe. “A maioria respondeu que a refeição na escola é a refeição mais segura que tem no dia. Se não comerem na escola, correm o risco de não comerem nada.”

O PNASE foi criado, como lei, em 2012, para beneficiar  um universo de cerca de 50 mil alunos. A nova legislação resultava da disponibilidade do país para passar a assegurar esse papel de forma gradual até 2016. Desde 1976, a alimentação escolar tinha sido garantida pelo PAM (agência das Nações Unidas). Através desta lei da República, o Estado comprometeu-se ao “fornecimento diário de refeições quentes” a todos os alunos inscritos nas creches, jardins-de-infância e escolas do ensino básico, até ao 6.o ano, com vista à “redução das taxas de absentismo e abandono escolar” e à “melhoria do processo de ensino e aprendizagem” das crianças. Sem mesas ou cadeiras O projecto falhou: “O Estado não está a conseguir assegurar o custo da alimentação escolar. O orçamento necessário para cobrir a alimentação é mais do que o dobro de todo o orçamento do Ministério da Educação”, avalia Edson Moniz.“O Governo cumpre só 20% do previsto.”

Como professor, Walter sente-se enganado e com poucas forças para a tarefa de ensinar crianças do básico, sem livros, ou cadernos, e que chegam às aulas sem comer.


Acontece dentro e fora da capital “Temos casos de desmaios, quase todos os dias. Trazemos as crianças para a sala dos professores, ligamos para a ambulância. Acontece porque muitos vêm sem terem tomado o pequeno-almoço”, diz Hermitério Sacramento, director da Escola Secundária de Básica de Neves no Noroeste da ilha de São Tomé. Nesta escola, onde até há pouco tempo havia alunos a acompanhar as aulas de pé com os cadernos encostados à parede, por não haver mesas e cadeiras, há em média 480 alunos nas 5.a e 6.a classes. Esse número cai drasticamente nos anos seguintes: entre o 7.o e o 12.o ano, há um total de 1159 alunos, ou seja, em média apenas 193 alunos por ano.


“Temos de pensar no sucesso escolar. Não estamos a ver a base, a motivação dos professores e a contribuição dos pais que devem incentivar os filhos  a estudar. Muitos não vêm à escola saber qual a situação dos filhos”, diz Hermitério Sacramento.

“Quando começa a reprovar, o aluno desiste logo.” Em parte, devido ao sistema que o impede de prosseguir se chegar com mais de 14 anos ao 6º ano (onde deveria chegar com 11 anos) ou com 17 anos ao 8.o ano (onde deveria chegar, se não reprovasse nunca, com 13 anos).

Quando ultrapassa a idade permitida, resta apenas ao aluno frequentar o curso nocturno sobretudo disponível no ensino privado. Há escolas onde com um mero atraso no pagamento das propinas os alunos são impedidos de frequentar as aulas,

como o PÚBLICO testemunhou na Escola de Madalena de Canossa, na capital. Aqui, a directora expulsa os estudantes até estes fazerem a transferência da mensalidade em falta.

Seria bom alterar as regras para alargar as oportunidades, sublinha Hermitério Sacramento. “Na educação estamos por uma só causa. Não devíamos politizar as coisas.”


Walter diz que é a corrupção no ensino que lhe mói o pensamento, as fraudes e enganos que atingiram o sector que não podiam atingir: “Isso está a matar o professor, isso está a matar o aluno” “Há muitas crianças numa luta pela sobrevivência”


Com a grande caixa que leva à cabeça, Fatinha parece uma senhora pequenina. Tem 12 anos e protege o primo de dez anos que a acompanha na venda entre o mercado central e o Parque Popular de São Tomé.
As caixas, que equilibram em perfeita sincronia com o passo, contêm espetadas de búzios molhados em malagueta. O rapaz está inquieto: perdeu dez dobras que lhe deram por duas espetadas que vendeu, e não abe como explicar isso ao pai Wilma, que tem 17 anos e vende pála-pála, a banana frita cortada em lascas como batatas, conta como o pai uma vez lhe deu pancada por não levar para casa o dinheiro de dois pacotes que não não regressaram na cesta. “Eu disse que os tinha comido”, diz Wilma, em tom de graça. “Quando eles dizem que comeram porque tinham fome, os pais respondem: ‘comeste o nosso dinheiro’”, enquadra Carlos da Costa, cozinheiro num restaurante do Parque Popular na capital.

Os brinquedos x que imaginação vai recorrer
Lamenta a vida destas crianças, e fixa-se em Fatinha, na clareza do seu discurso e nas respostas de pessoa adulta. “Ela é que luta, dá para notar. Aqui em São Tomé e Príncipe, há muitas crianças envolvidas numa luta pela sobrevivência. Muitas crian- ças como ela são as que deviam dar  futuro a este país.” Os sábios olhos em forma de amêndoa dizem maisdo que as palavras de Fatinha: quando fala da escola a que gostaria de voltar, das crianças (como ela)  a quem vende espetadas, da antiga professora que insistiu para que não deixasse a escola, do pai que não sabe onde está, dos turistas sentados em esplanadas que crescem  em cada esquina num paraíso terrestre atravessado por lixeiras e esgotos a céu aberto.
A história de Carlos da Costa, de 29 anos, é quase a de Fatinha, com um final  feliz. Com 12 anos também trabalhava. Vendia de tudo mas continuou na escola e estudou até ao liceu.
Escurece cedo na linha do Equador que atravessa a ilha. E quando escurece, todos os dias tem à sua espera Caixão Grande, o bairro onde Fatinha mora nos arredores de São Tomé demasiado longe para continuar a irà escola, suficientemente perto para
 trabalhar na cidade.
A tristeza de Fatinha funde-se em duas lágrimas que lhe correm inesperadamente pela face instantes depois de dizer que teve de deixar de estudar. Como Carlos, Fatinha sempre foi boa aluna. A mãe, sozinha com quatro filhos, foi quem desistiu por ela.
A.D.C., São Tomé e Príncipe
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