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Entre outros assuntos, falo da escalada ao Pico Cão Grande e das minhas aventuras em canoas – Visam defender a teoria de que antigos povos africanos, podiam ter sido os primeiros povoadores das Ilhas do Golfo da Guiné, antes dos colonizadores – Parti à meia-noite, disfarçado de pescador, ligando a ilha do Príncipe. Para me orientar, uma rudimentar bússola – A canoa era minúscula, à segunda noite adormeci: rolei na escuridão das vagas. No regresso fui distinguido com sopapos da policia salazarista, enviado para os calabouços – Cinco anos depois, numa piroga maior, fiz a ligação São Tomé-Nigéria. Partindo igualmente à noite, 13 dias depois atingia uma praia de Calabar, tendo sido detido 17 dias por suspeita de espionagem. - No mesmo ano, já com São Tomé e Príncipe independente, tentei a travessia São Tomé ao Brasil, usando os mesmos recursos. Além de pretender reforçar a minha teoria, desejava evocar a rota da escravatura e repetir a experiência de Alain Bombard. Porém, quis a ironia do destino que vivesse a difícil provação de um naufrágio de 38 longos dias, tendo aportado numa praia de Bioko (Bococo)onde fui recambiado para a famosa prisão de Black Beach

quarta-feira, 15 de maio de 2019

CARTA À IRMÃ LÚCIA - SINGELA HOMENAGEM POUCO ANTES DA SUA MORTE – AOS 9 ANOS, NAQUELE DISTANTE DIA 13 DE MAIO , IA MORRENDO AFOGADO, NUM POÇO FUNDO E BARRENTO – A minha irmã, tirava a água com um caldeiro na ponta de um picanço para regarmos a horta: eu estava uns metros abaixo a desviá-lo da única pedra que existia na sua margem. Quando o varal partiu e se soltou, ela despenhou-se sobre mim e fomos os dois ao fundo – Nenhum de nós sabia nadar. Jamais me esquecerei dos gritos de aflição, implorando: “Nossa Senhora de Fátima! Nossa Senhora de Fátima, socorrei-nos! -Esse episódio marcaria para sempre a minha vida, que tem sido um MILAGRRE - E creio que aquele foi o primeiro milagre que eu conheci - Na imagem de família, eu chorei no dia em que a minha irmã fez a 1ª comunhão - Não sei porquê.

Jorge Trabulo Marques
Anos 80 - Com o poço, já emparedado
Jorge Trabulo Marques 


SÓ QUEM NAVEGA  À FLOR DE TORMENTOSO  MAR, SOB AS  MAIS CERRADAS TREVAS, SENTE VERDADEIRAMENTE  O MISTICO E POÉTICO IMPULSO  DA CRENÇA OU DA FÉ  - Se deslumbra com a solar plenitude do milagre de um amanhecer cintilante e esplendoroso

Por isso, a  fé  que me conduz e guia, é mais aprendida na intensa experiência da minha vida  de que em quaisquer ensinamentos doutrinários – Todavia,  muito admiro quem   faz da sua existência  um devotado e perene sacerdócio de devoção e de fé, dedicado à palavra de Cristo – É o exemplar legado da irmã Lúcia, a quem dirigi uma singela carta, pouco antes de ser chamada para outra missão. 




Em mais uma das centenas de orações, como expressão artística
Embora imbuído por convicções profundamente místicas, não me considero propriamente o católico apostólico praticante no sentido tradicional do termo, já que sou mais induzido a devaneios  espirituais por força de sentimentos de circunstância e ocasionais (que me esforço de poder ter) de que por rígidos conceitos teológicos ou doutrinários, se bem que os respeite e admire tal como  a mítica figura de Cristo, maravilhoso exemplo de entrega e de virtudes. Mas, a bem dizer, muitas vezes. nem sei o que sou: ou haverá alguém que seja sempre inteiramente  igual e não tenha os seus heterónimos, as  suas hesitações e divagações?...


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O RETORNO AO SAGRADO

Com o escritor Vergilio Ferreira
Fala-se tanto nele, como aliás, estava previsto. Mas não no que dele mais importa e não passa pelos deuses e muito menos pelas sacristias. O retorno do sagrado deve ter que ver fundamentalmente com a recuperação da sacralidade do homem, da vida, da palavra, do mundo. A sacralidade está no que suspeitamos de mistério nas coisas, a força “original de tudo o que nos espera o nosso olhar limpo, a nossa atenção humilde, a divindade está em nós. O grande acontecimento do nosso tempo, que é o sinal do nosso desastre, é a profanação de tudo, a dessacralização do que abusivamente foi invadido pelos deuses. Os deuses morreram e quiseram arrastar consigo a morte do que era divino sem eles” in Pensar - de Vergílio Ferreira



Foto de família - choramingas
Lúcia de Jesus Rosa dos Santos, mais conhecida por Irmã Lúcia , nasceu em  Aljustrel, Fátima, Ourém, em 28 de Março de 1907 e faleceu no Convento das Carmelitas, Coimbra, em 13 de Fevereiro de 2005 – Pouco antes da sua morte, telefonei para este Convento a perguntar se ela podia receber correspondência, já que as visitas eram extremamente condicionadas, responderam-me que sim, pelo que tomei a liberdade de lhe enviar, por correio  registado, uma pequena carta em 18 de Outubro de 2004cujo conteúdo publiquei no jornal OFOZCOENSE

Aos 12 anos - um menino  marçano em lisboa
Sei que a carta lhe foi entregue, que a recebeu. Guardo a cópia do manuscrito e o impresso do registo, com muito carinho. As razões estão expressas nessa breve missiva que aqui transcrevo - Seja-se ou não crente, há que admirar uma vida de clausura, de fé e despojamento, completamente entregue à meditação e oração. Eu não sou propriamente católico apostólico mas identifico-me com muitos dos seus valores: gosto das suas orações, cânticos religiosos e liturgia sagrada - Há outros aspectos em que a minha aproximação com o divino, se faz de forma diferent- Mas, no fundo, o caminho e os objectivos são os mesmos.


CARTA À IRMÃ LÚCIA
Jorge T Marques . Finais dos anos 50

Com um conterrâneo meu - século XXI
Ainda em vida da Vidente Irmã Lúcia, mandei-lhe uma singela carta, através da qual lhe descrevi alguns episódios da minha vida - (...) - um deles bem dramático, em que, num dia, desses meus verdes anos, a 13 de Maio, de 1956, pouco antes de ir a trabalhar como marçano para Lisboa, caí a um poço, barrento e fundo e me ia afogando com a minha irmã. Também lhe falei das minhas aventuras marítimas, juntamente com o envio de algumas imagens, como preito de homenagem e testemunho da minha mais profunda admiração, pela sua estoica vida, toda ela dedicada ao culto da sua fé . Desejava-lhe muitos anos de vida, mas no mês seguinte, adoeceu  e, não tendo recuperado, partiu, certamente, de olhos postos na imagem que tanto venerava.

“Lisboa, 18 de Outubro de 2004.
À vidente Irmã Lúcia:


Tomo a liberdade de lhe enviar esta minha simples carta, acompanhada do relato e fotos de uma odisseia, por mim vivida nos agitados mares do grande Golfo, tendo apenas por companhia uma simples bússola para me orientar.
Sim, dirijo-lhe estas linhas e a descrição dessa aventura, como preito da minha homenagem e a expressão da minha mais profunda admiração, porque vejo em si a representação de um espírito abençoado, pelo que só peço a Deus que lhe dê muita saúde e ainda muitos anos de vida.

Mais tarde com a primeira filha
A minha saudosa irmã Conceição, que Deus levou muito nova, deixando então duas filhinhas, tinha uma grande devoção em Nossa Senhora de Fátima. E o episódio que lhe vou recordar, ilustra, justamente, esse facto, quando eu tinha onze anos e ela 15 .Foi a um domingo, dia 13 de Maio. Regávamos a nossa horta no Vale Cardoso. Ela retirava a água do poço com ajuda do picanço; eu estava uns metros mais abaixo para afastar a vara e o caldeiro de uma pedra. Nisto, o picanço rebenta, ela cai e arrasta-me consigo para o fundo do poço. Este era fundo e com margens barrentas. A nossa aflição, como deverá calcular, era enorme. Nenhum de nós sabia nadar. Quando vinha ao de cimo, ela gritava por Nossa Senhora de Fátima; eu gatinhava junto à margem, estava aterrorizado e apenas cerrava a boca para evitar engolir mais água. O meu irmão Fernando, então com nove anos, que encaminhava a água, apercebendo-se, corre em nosso auxílio. A minha imã grita-lhe para ir buscar uma cana e para descer até um tufo de juncos que havia na margem, e é o que faz sem perda de tempo. Estende-lhe a cana, ela agarra-se à mesma e consegue gatinhar pela íngreme vereda. Depois, estende-me a mão e salva-me também.

Creia, já passaram muitos anos, mas a imagem está ainda muito presente na minha memória. E, sempre que me ocorre, a primeira coisa que me vem à ideia, são os apelos à Nossa Senhora de Fátima, pois não tenho a menor dúvida de que ela, nesse dia, nos protegeu.

(....) Aceite, pois, muito humildemente, o preito da minha mais profunda admiração”

Lúcia Rosa dos Santos,
nasceu em Aljustrel, paróquia de Fátima, no dia 28 de Março de1907.
Na companhia de seus primos, os Bem-aventurados Francisco e Jacinta Marto, recebeu por três vezes a visita de um Anjo (1916) e por seis vezes a visita de Nossa Senhora (1917), que lhes pediu oração e penitência em reparação e pela conversão dos pecadores.
A sua especial missão consistiu em divulgar a devoção ao Coração Imaculado de Maria como alma da mensagem de Fátima. Em virtude desta missão que lhe foi confiada recebeu ainda outras visitas de Nossa Senhora, assim como grandes graças místicas que a ajudaram a percorrer o seu caminho com fidelidade.
Ingressou na Congregação de Santa Doroteia, em Espanha, onde se deram as aparições de Tuy e Pontevedra, as aparições da Santíssima Trindade, de Nossa Senhora e do Menino Jesus.
Desejando uma vida de maior recolhimento para responder à mensagem que a Senhora lhe tinha confiado, entrou no Carmelo de Coimbra, em 1948, onde se entregou mais profundamente à oração e ao sacrifício. Aqui tomou o nome de Irmã Maria Lúcia de Jesus e do Coração Imaculado.
Nossa Senhora veio buscá-la no dia 13 de Fevereiro de 2005 e o seu corpo repousa na Basílica de Fátima desde o dia 19 de Fevereiro de 2006. http://www.lucia.pt/irma-lucia/biografia/biografia:29

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