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Entre outros assuntos, falo da escalada ao Pico Cão Grande e das minhas aventuras em canoas – Visam defender a teoria de que antigos povos africanos, podiam ter sido os primeiros povoadores das Ilhas do Golfo da Guiné, antes dos colonizadores – Parti à meia-noite, disfarçado de pescador, ligando a ilha do Príncipe. Para me orientar, uma rudimentar bússola – A canoa era minúscula, à segunda noite adormeci: rolei na escuridão das vagas. No regresso fui distinguido com sopapos da policia salazarista, enviado para os calabouços – Cinco anos depois, numa piroga maior, fiz a ligação São Tomé-Nigéria. Partindo igualmente à noite, 13 dias depois atingia uma praia de Calabar, tendo sido detido 17 dias por suspeita de espionagem. - No mesmo ano, já com São Tomé e Príncipe independente, tentei a travessia São Tomé ao Brasil, usando os mesmos recursos. Além de pretender reforçar a minha teoria, desejava evocar a rota da escravatura e repetir a experiência de Alain Bombard. Porém, quis a ironia do destino que vivesse a difícil provação de um naufrágio de 38 longos dias, tendo aportado numa praia de Bioko (Bococo)onde fui recambiado para a famosa prisão de Black Beach

quarta-feira, 29 de maio de 2019

Zé da tarada - O terror de Lisboa 1975 - 76 – Entrevista a um dos mais perigosos criminosos - EM MEMÓRIAS DE UM REPÓRTER DA RÁDIO – Um traumatizado da guerra colonial, que se habituou a manobrar uma metralhadora com a mesma facilidade que apontava em África

Jorge Trabulo Marques - Jornalista e Investigador 




ENTREVISTA A UM CRUEL ASSASSINO - E OUTRA COMOVENTE ATÉ ÀS LÁGRIMAS -  A um filho de pescador e de uma peixeira, em Peniche, que abandonou a casa dos pais, com outro  rapaz para  arranjar trabalho no Algarve  - Vendo-se sem dinheiro e sem forma de o ganhar, roubaram uma motorizada e, partir daí,  começaram outros trabalhos.  –

AO LENDÁRIO ZÉ DA TARADA, QUE APRENDEU A MATAR NA GUERRA COLONIAL-  Entrevistei criminosos, tal como variadíssimas personalidades-  Fi-lo, na sequência de centenas de entrevistas, com todo o tipo de pessoas, anónimas ou famosas  – Umas gravadas outras em reportagem direta para a extinta RDP-Rádio Comercial– Tendo mesmo chegado acompanhar as rusgas à civil da PSP    -–  Corri riscos, é certo; alguns podiam ter-me custado a vida,  pois já me tentaram atingir de noite com uma caçadeira e me apontaram à garganta o cano de uma pistola - Contudo, considero que foi uma experiência humana interessante; aprendi a  conhecer certas mentes, com as quais nos podemos até cruzar no dia a dia  - Mas, atenção, não se pense que os criminosos mais perigosos são os que acabam na prisão: os de colarinho engomado, com tentáculos na política, são ainda mais nefastos, porque sabem disfarçar e, em vez de matar. meia dúzia, matam centenas ou milhares de pessoas à fome.-


CONDENA-SE MAIS RAPIDAMENTE UM DESGRAÇADO DE QUE UM AFORTUNADO  - Veja-se este episódio de um sem-abrigo, que rouba um champô e polvo, acaba condenado https://ptjornal.com/pingo-doce-roubo-de-champo-e-polvo-acaba-em-condenacao-do-sem-abrigo-5460

ENTREVISTA REGISTADA, EM  PINHEIRO DE CRUZ, NUM DIA DE NATAL E OUTRA A UM JOVEM DE 17 ANOS – Preso por um pequeno delito , no Estabelecimento Prisional de Lisboa, pouco dias depois de ali ter sido encarcerado, muito triste, desorientado e desamparado, filho de um pescador e de uma peixeira – Foi jogador do Espinho    




 ZÉ DA TARADA, DRAGÃO, MULETA NEGRA -  ENTREVISTEI ESTES E OUTROS “ARTISTAS DO CRIME – Além de centenas de figuras públicas de todos os quadrantes da sociedade.

Num dos cadernos do DN sobre os ROSTOS  DO CRIME, é referido que “Um bando de criminosos. no qual sobressaía o Zé da Tarada. espalhou o pânico pela Grande Lisboa entre Novembro de 1975 e Janeiro de 1976. Homicídios. assaltos à mão armada. violações e sequestros. entre outros crimes. marcaram o quotidiano de oito perigosos homens.  – Pois foi justamente esse assassino, entre outros, que entrevistei, após cumprida uma longa pena e antes de ser assassinado, quando voltou á liberdade .

O Zé da Tarada (José Joaquim Barreiros da Costa). o Isidro (Isidro Albuquerque Rodrigues). o Dcdé (Herlânder Ataíde Mendes Carrilho). o Vítor Míope (Vítor Ataíde Mendes Carrilho). o Manolo (Manuel Joaquim Ribeiro Mesquita). o Dragão (Abel da Conceição Pcntrisco), o Ata (Carlos Manuel Neves Felgueira) e o Vítor (Vítor Manuel da Cruz Ferreira) fizeram trinta por uma linha no curto espaço de dois meses e pico. 

(…) ENTREVISTEI TAMBÉM O MANUEL ALENTEJANO – O Cérebro da espetacular fuga de Alcoentre, cuja entrevista, juntamente com excertos do diário de prisão, foi publicada num dos cadernos de reportagem da Editora Relógio de Água, dirigidos por Fernando Dacosta, sob o título  “QUANDO MATO ALGUÉM FICO UM BOCADO DE DEPRIMIDO"

Depois de ter cumprido, 25 anos de prisão, juntou-se com uma prima, tiveram um filho e chegou a fazer uma vida normal   - Um capitalista confiou-lhe a gestão e a conservação de  vários prédios em Alfama a troco de habitação  e nunca mais voltou ao crime - 

Pois, tanto ele como a mulher, eram muito habilidosos em  vários trabalhos de construção civil - Embora as propostas não lhe faltassem, mas não queria correr o risco de voltar à cadeia, sobretudo, para não comprometer a educação do filho, que adorava.  Além disso, com uma carrinha, de noite ou mesmo de dia, juntos, percorriam as ruas da cidade para recuperarem cobre ou outros metais de televisores abandonados  ou mesmo ferro velho  - E até chagaram vender figos maduros e outra fruta -  Uma das salas, estava como que transformada numa oficina, onde desmontava os televisores velhos e separava os vários metais.

Além da manchete . O destaque do artigo no interior do jornal
A criança era muito inteligente e dotada, gostava muito de pintar - O quarto era aprimorado e repleto de pinturas e desenhos nas paredes, de sua autoria  - 

Acompanhei a vida do casal, durante vários anos, seguindo com curiosidade o seu percurso. - Pois também já o havia visitado nos vários estabelecimentos em que esteve preso.  

 Porém, tudo se alteraria, no lar, quando, uma falsa noticia, com a sua fotografia, publicada em grande manchete na primeira página do Correio da Manhã, o acusa de tráfico de cocaína -  O jornal foi condenado numa pena pecuniária mas demasiado branda para o transtorno que provocou no casal - Sobretudo no filho, que, na escola passou a ser identificado como o filho de um assassino. 

Desde então, a vida familiar destabelizou-se, profundamente: quer entre o casal, quer junto do filho - Um dia, uma discussão, mais acesa, acaba em violência doméstica - É condenado a mais cinco anos de prisão, que cumpriria no EPL  - Com a saúde, debilitada  -   pois a soma dos 30 anos de cadeia, têm o seu peso -  sem a casa e  já com a  esposa (que era bastante mais nova de que ele) a  viver com outro homem,  tudo isso lhe vai agravar ainda mais o estado emocional: vim a saber que um AVC o atinge - e, desta vez, não o poupa.

OS JORNAIS NUNCA O PERDERAM DE VISTA E SEMPRE COM OS MAIS DUROS  SUPERLATIVOS  - Tendo usado algumas das declarações  publicadas no meu livro - Esquecendo-se de que nem sempre as palavras correspondem aos comportamentos.

 PÚBLICO - Agosto 2001 - “Mais complexo, mas igualmente violento, é o trajecto de Manuel Pedro Ramalho Dias, conhecido como Manuel "Alentejano". É autor de algumas frases, proferidas na cadeia de Coimbra, durante uma entrevista, que chocaram a opinião pública: "Depois de matar um homem fico sempre um pouco deprimido" e "O que mais me aborrece é lembrar-me dos filhos pequenos dessas pessoas [as que matou]".Ao certo ninguém sabe quantos homens matou Manuel "Alentejano". As suas condenações, entre roubos, furtos, etc., incluem quatro homicídios.https://www.publico.pt/2001/08/28/jornal/um-dos-maiores-assassinos-portugueses-161166
 

ZÉ DA TARADA, DRAGÃO, ISIDRO E DÉDÉ Quatro mestres do crime à toa – Recorda o PÚBLICO
O zé da tarada, que eu entrevistei nos anos 80, foi morto num ajuste de contas, pouco tempo depois de ter cumprido a pesada pena - Também entrevistei o Dragão, que, além de assaltante, era violador-assassino - Fi-lo, não com prazer mas para conhecer a mente, mais cruel, do ser humano, tal como de outros bandidos. Mas, atenção, não se pense que os mais perigosos são os que acabam na prisão: os de colarinho engomado, com tentáculos na política, são ainda mais nefastos, porque sabem disfarçar e, em vez de matar. meia dúzia, matam centenas ou milhares de pessoas à fome.

"Eram quatro e quase sempre inseparáveis" - Diz o Público . "Ciclicamente, quando se encontravam em liberdade, cometiam vagas de crimes que encheram páginas de jornais. Zé da Tarada e Dragão, já falecidos, e Isidro e Dédé foram vários vezes condenados por roubo, homicídio, violação, sequestro, furto, etc. Não tinham grandes preocupações na preparação dos crimes, mas não abriam mão de algumas regras, nomeadamente as de evitar denunciar amigos e cometer delitos em que pudessem pôr em perigo a vida de crianças. 

Nos anos 70 e 80 andavam quase sempre em carros Datsun roubados, que tinham motores muito rotativos e eram, por isso, bons para as fugas à polícia. Zé da Tarada, que foi abatido a tiro sem que até hoje se tenha descoberto o autor, tinha um bem raro: uma metralhadora francesa roubada em Sintra. Foi a arma que lhe deu a liderança do grupo durante muitos anos. No início da década de 80 fizeram dos assaltos a bancos o seu modo de vida. Começaram no Algarve, passaram pelo Alentejo e terminaram, quatro anos mais tarde, na zona de Lisboa, onde viriam a ser presos. Faustino Cavaco é o mais conhecido, por ser o operacional, o que utilizava a caçadeira de canos serrados. O planeamento dos crimes estava, no entanto, a cargo de Tomé Bárbara, homem algo avesso a armas e sem jeito para conduzir. 

O Doutor (talvez a alcunha pela qual é mais conhecido) estudava os alvos, arranjava os disfarces, documentos e chapas de matrícula falsas. Invariavelmente, depois de um assalto proveitoso, o dinheiro era gasto em festas com mulheres. Até serem detidos foram-lhes imputados três homicídios - dois guardas fiscais, num assalto a um restaurante no Algarve, e um agente da PSP, que com eles roubava mas que, tendo-se acobardado, acabou com a cabeça desfeita e ocultado no meio de fragas.


Ao que se sabe. a actividade da quadrilha começou em finais de Novembro de 1975. quando o Zé ela Tarada e os companheiros de aventura assaltaram dois casais, num parque de estacionamento de Algés, furtando-lhes tudo o que traziam de valor

O Zé da Tarada saiu da prisão e reinseriu-se na sociedade, mantendo um pequeno negócio de cavalos. Nessa altura, estava a ser vigiado pela Polícia Judiciária que descobriu que o ex-preso estava também a ser vigiado por outra pessoa. Verificaram quem era esse homem e descobriram que era o cigano que ameaçara de morte o Zé da Tarada no julgamento anos antes. E deixaram andar....
O facto: Zé da Tarada foi assassinado num ajuste de contas pelo homicídio de dois ciganos...


Teorida Conspiração: Zé da Tarada

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