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Quem sou eu

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Entre outros assuntos, falo da escalada ao Pico Cão Grande e das minhas aventuras em canoas – Visam defender a teoria de que antigos povos africanos, podiam ter sido os primeiros povoadores das Ilhas do Golfo da Guiné, antes dos colonizadores – Parti à meia-noite, disfarçado de pescador, ligando a ilha do Príncipe. Para me orientar, uma rudimentar bússola – A canoa era minúscula, à segunda noite adormeci: rolei na escuridão das vagas. No regresso fui distinguido com sopapos da policia salazarista, enviado para os calabouços – Cinco anos depois, numa piroga maior, fiz a ligação São Tomé-Nigéria. Partindo igualmente à noite, 13 dias depois atingia uma praia de Calabar, tendo sido detido 17 dias por suspeita de espionagem. - No mesmo ano, já com São Tomé e Príncipe independente, tentei a travessia São Tomé ao Brasil, usando os mesmos recursos. Além de pretender reforçar a minha teoria, desejava evocar a rota da escravatura e repetir a experiência de Alain Bombard. Porém, quis a ironia do destino que vivesse a difícil provação de um naufrágio de 38 longos dias, tendo aportado numa praia de Bioko (Bococo)onde fui recambiado para a famosa prisão de Black Beach

quarta-feira, 19 de junho de 2019

São Tomé e as recordações de um brioso oficial santomense - “Era uma vez...um soldado magricela N°116/78, chamado Victor Monteiro. – Recorda o distinto Coronel na Reserva, na sua página do Facebook, de ascendência cabo-verdiana, com várias imagens da sua vida militar - Mas eu tenho muitas mais histórias para recordar das suas memórias, que vão ao tempo em que ainda era criança, e, também, 41 anos depois, quando me salvou a vida, graças às imediatas diligências para me serem prestados os primeiros socorros, na sequência de um grave acidente no Pico Cão Pequeno - Ao gesto heróico de seu pai, a bordo de navio colonial, em 1953, se ficou a dever a vida de cerca de centena e meia de patriotas santomenses, que o criminoso Governador Carlos Gorgulho, quis lançar ao mar.

Jorge Trabulo Marques - Jornalista e investigador 
VICTOR MONTEIRO. UMA FIGURA SINGULAR E UM HOMEM BOM



RECORDAR É VIVER  - SOBRETUDO AS BOAS RECORDAÇÕES   - Victor Monteiro – Distinto Coronel na reserva do  Exército Santomense  - Um caso singular de simpatia, de generosidade e dedicação a STP  - Nascido na antiga Roça Rio do Ouro, atual Agostinho Neto  - Filho de um humilde casal cabo-verdiano,  que eu conhecera nos duros tempos das grandes plantações coloniais – 

Seu pai, Bernardino Lopes Monteiro, que, em uns anos  antes, fora embarcadiço no cargueiro António Carlos,  foi um dos heróicos tripulantes que se sub-levantaram, contra o comando  do navio, em  1953, obrigando a que, os cerca de centena e meia de patriotas santomenses, que o Governador Gorgulho, ordenara lançar aos tubarões, fossem descarregadas da Ilha do Príncipe  e salvos de tão afrontosa morte.

Recordar é viver! Nomeadamente, os bons momentos ou percursos  da vida, seja de forma falada, escrita ou fotográfica ou fílmica, é sempre reconfortante, sobretudo quando os anos,  começam a ditar o seu afastamento  dos tempos mais joviais na roda imparável dos ciclos da vida . Sim, e quem é que não gosta de   recuar ao fundo da memória? 

Pessoas há, que, embora tendo muito para recordar e digno de ser seguido como exemplar, nem por isso são tentadas a ostentar o seu passado . Creio ser o caso do meu amigo, Coronel Victor Monteiro – por hábito, sempre mais preocupado em servir de que a servir-se


Muito atento e interventivo na vida da comunidade, mas pouco ou nada dado a falar da sua vida pessoal, razão pela qual, na sua página do  Facebook,  não desfilam ostentações pessoais.

Curiosamente, por um feliz acaso, constatei que hoje se havia lembrado de recordar, e com justa razão, algumas imagens da sua vida de militar e diplomata,  mas com apenas estas singelas palavras, Era uma vez...um soldado magricela N°116/78, chamado Victor Monteiro. – Todavia, o bastante para que  me ativasse a memória com outros momentos da sua vida – Que é justamente o que aqui aproveito para recordar, além das suas  fotografias.

Victor Monteiro, sempre de rosto levantado e voz calorosa e franca, sim, dos  raros homens de antes quebrar de que torcer, é realmente  um caso singular de relacionamento humano e de infundir simpatia à primeira vista. 


O ex-Ministro da Defesa e Ordem Interna, atualmente promovido a Coronel na reserva,  logrou merecer a confiança de dois Presidente da Republica, em STP - Ajudante de Campo e Chefe da Casa militar do  ex-Presidente da República Manuel Pinto da Costa, 1985-88 e seu Director do Gabinete, entre 2011-2016 Assessor para Defesa e Ordem Interna de Fradique de Menezes  de 2003- 2008 




JTM - Empregado de mato - Roça Rio do Ouro 1964 -
Victor Monteiro, nasceu na Roça Agostinho Neto(Lobata), em 1957 e passou a sua infância e juventude no Bairro do Hospital, no distrito de Água Grande, fez toda sua trajetória juvenil e politica na JMLSTP, encabeçando a revolta dos estudantes em 1974, o próprio MLSTP, ingressando posteriormente na vida militar, onde optou pela especialidade de Artilharia Missilística e Estratégia Militar, nas Forças Armadas de São Tomé e Príncipe”.


Foi recordista nacional dos 1500 metros, capitão da seleção nacional de basquetebol. Fez a primeira classe em Guadalupe, a segunda na Escola Infante D. Henrique, hoje conhecida por Atanásio Gomes. Diz que deveria ser hoje economista, pois tirou o curso da Escola Comercial

Mas há um destino traçado na vida e ele tinha de vir um dia a conhecer outra  profissão e outras responsabilidades. Quando estava para fazer o curso de treinador de Basquetebol, um dos seus professores de política, era então o Chefe do Estado Maior, Raúl Bragança, que o levou para as Forças Armadas  e ficou lá até hoje. Fez a Escola de Sargentos em Angola, em cuba academia e na Ucrânia

A GRATIDÃO A UM BOM AMIGO, A QUEM DEVO A PRONTA ASSISTÊNCIA NUM GRAVE ACIDENTE NO PICO CÃO PEQUENO, EM MARÇO 2016 - Sem esse pronto-socorro, dificilmente teria sobrevivido

Victor Monteiro,  de ascendência cabo-verdiana, uma pessoa muito querida e muito estimada em São Tomé, onde nasceu – Atento observador e participante na vida pública, onde goza de gerais simpatias e de uma grande popularidade.


Primeiros socorros
Em Março de 2016, tive um grave acidente, junto ao Pico Cão Pequeno, quando ali acompanhava uma equipa de alpinistas: contatado por telemóvel, de imediato diligenciou para que me fossem prestados   os primeiros socorros o mais rapidamente possível (enviando um maqueiro ao meu encontro do posto de Porto Alegre), e seguidamente conduzido ao Hospital Central Ayres de Menezes na Cidade de São Tomé, onde foi dada a assistência médica e cirurgiã nos serviços de urgência, que decidiram pelo meu internamento temporário.

Obrigado Meu Caro e Bom Amigo Coronel Victor Monteiro 

Um grande Bem-haja a todas as pessoas que tiveste a gentileza de enunciar;   ao seu espírito de bem servir e de abnegação - Sem o teu grito de alarme e a sua generosidade, dificilmente teria resistido.


Salvaste-me a vida -  Quem saiu aos seus não degenera e tu tens a quem sair: a uma querida e corajosa mãe e a um pai extremoso e corajoso que também salvou muitas vidas de serem atiradas ao mar. Conheci-o quando era empregado de mato na antiga Roça Rio do Ouro e quando tu ainda eras um adolescente 

Lembro-me bem do teu rosto. porque o teu pai era um cabo-verdiano muito estimado e comunicativo naquela roça e tu quase não o largava de mão, agarrado às suas calças, descalço e de calção Mal te pus ao corrente do meu acidente ( e ainda bem que àquela altura o telemóvel funcionou) sei que nem mais um instante teu coração descansou: foi um dia arrasador para ti - Fazendo diligências várias para ser prontamente socorrido - 

E assim aconteceu - Graças à tua generosidade e o teu abnegado esforço - Que rapidamente puseste em movimento um grande abraço de solidariedade - Operaste um autêntico milagre - E também porque as pessoas que contactaste, compreenderam que o momento não era de esperas mas de acção: desde o maqueiro que prontamente me saturou dos grandes golpes na cabeça, que não paravam de jorrar sangue - Mais uns minutos, dificilmente podia manter-me em pé, pois já começava a sentir fortes tonturas 

- Depois, foi a pronta evacuação na ambulância que me transportou para o hospital. E, ao chegar ali, tanto carinho, tanta disponibilidade, que,a bem dizer, nem sei onde hei-de começar a agradecer - Sim, a todos os rostos que me acarinharam e me assistiram , aos meus companheiros que também tanto se esforçaram por me salvar - Um grande abraço amigo - De ti, já tinha as melhores recordações, mas com esta grandeza, penso que é inigualável

COMO OS ACASOS DA VIDA SE PODEM  CRUZAR  - DA CRIANÇA QUE NUNCA MAIS ESQUECERA O DIA EM QUE O POUPOU DA PREPOTÊNCIA DE UMAS BASTONADAS COLONIAIS 

Mas foi ele que me reconheceu, ocasionalmente, quando passeava pela cidade, acompanhado do meu amigo Manuel Gonçalves, na visita que ambos  fazíamos a S. Tomé,  em finais de Outubro de 2014 - –39 anos depois daqui ter partido para uma aventura oceânica em canoa  . E, vejam-se, as voltas que o mundo dá.


Tal como já tive ocasião de me referir, foi  realmente um grande prazer encontrar-me  naquele ano de 2014,  com a mesma pessoa, que, naquele distante dia da sua adolescência, quando ainda era rapaz, fixara a minha imagem para o resto da sua vida, devido a um episódio que é também ao mesmo tempo o testemunho, não só das suas recordações, como  de um tempo colonial, que, em múltiplos aspetos, não   deixa grandes saudades. Era então furriel miliciano. O episódio, que aqui recordo,  passa-se em frente das escadarias do então Cinema Império, mas começa lá dentro. 





Na tropa - S. Tomé 1966
Era então furriel miliciano. À porta do Cinema Império, deparava com um pequeno grupo de miúdos,  agressivamente interpelado por militares da PM, que os abordava  à bastonada e à chapada, obrigando-os a sair do local  - Pelo simples facto de terem exteriorizado a sua alegria, quando, o famoso Cassius Clay, num documentário que antecedera a apresentação do filme Trinitá o Cowboy Insolente, manifestaram a sua exuberante alegria ao mandar a KO um pugilista branco – Fizeram-no, como contra-ponto à reacção da  bancada  de colonos e militares, que exultavam quando o pugilista  negro parecia ser silenciado pelo seu adversário.

O cinema Império, construído nos anos 19501960, era a grande sala dos espetáculos coloniais: não só da exibição de filmes, como de peças teatrais, desfiles de concursos de misses, espetáculos de teatro ou musicais, com atores ou músicos  que vinham em digressão da “metrópole” (lá, por exemplo, chegou a cantar Bana, o popular artista cabo-verdiano). Pois era no interior desse edifício, onde quase todas as semanas havia estreias de filmes, que, a sociedade colonial, ia exibir também as vaidades das suas melhores farpelas. 

Após a independência, o largo onde se situava, que  tinha ao centro uma estátua de um dos “descobridores”que é substituída por um obelisco,  passa a chamar-se Praça dos Heróis da Liberdade e ao cinema é dado o nome de Cinema Marcelo da Veiga – Entretanto, nos anos 8o, uma parte do edifício desaba, é reabilitado mas, pelos vistos, de efémera funcionalidade, já que, tanto quanto me apercebi, é nele que se situa a sede de um dos principais bancos em São Tomé. 


Também o frequentei, por várias vezes, tanto nas minhas reportagens, como quando ali ia assistir ao cinema ou a outros espetáculos. Até Mário Soares, no tempo em que Salazar lhe forçou o desterro em S. Tomé, era um dos frequentadores,  nas estreias dos filmes. Viu-o ali várias vezes, no chamado balcão, situado no primeiro piso, enquanto na zona do rés do chão, onde os preços eram mais baratos, sobretudo na plateia da frente, junto ao écran, sentava-se o zé povinho,, a classe dos desfavorecidos e oprimidos  - Ainda me lá cheguei a sentar com a minha companheira santomense, por não se sentir à vontade no balão dos colonos e elites.  Mas era aí, nas filas mais avançadas, que as fitas cinematográficas, encontravam maior eco:  onde as cenas dos filmes mais se faziam vibrar: até porque, por vezes, ao ruído das vozes, também se juntava o do fundo das cadeiras a bater. E foi precisamente isso que aconteceu, quando  o famoso boxer Cassis Clay, leva ao tapete o seu adversário, um  pugilista  branco, igualmente de nacionalidade  americana. 

Antes de cada estreia de um  filme,  havia geralmente a exibição do chamado jornal de atualidades, com um documentário de notícias do estrangeiro ou de propaganda ao regime. Naquele dia, a fita era aguardada com enorme espectativa, sobretudo pela camada mais jovem – Ia ser exibido o filme Trinitá o Cowboy Insolente – E, curiosamente, como que para estimular ainda mais os ânimos, uma parte do documentário, que o antecedia, reportava-se a um combate de boxer, entre o negro  Muhammad Ali   outro pugilista, também americano mas branco .

Mal  a sineta anuncia o início do combate, o branco atira-se ao boxer negro, como um leão, o que faz exaltar a plateia branca, donde são nítidas as vozes de euforia e algumas até de provocação, destinadas a melindrar a plateia negra, que, silenciosamente, segue  o desenrolar dos primeiros rondes.

É claro que, Cassius Marcellus Clay, Jr., nascido em 17 de janeiro de 1942 em Luisville,  , Kentucky, que, em 1999, haveria de ser considerado “O Desportista dp Século”, um dos maiores ídolos da história do boxer, podia muito bem ter arrumado o seu adversário. Não o fazia – comentava-se na altura - para não matar o espetáculo e valorizar o próprio  combate  - Preferia levar alguns murros ou fazer de conta que os levava para depois, num soco bem assente, levar o adversário ao tapete. E foi justamente o que se viu nas imagens daquele documentário. Nessa altura, é então a vez da plateia negra ficar ao rubro e, só se calar depois de se ascenderem as luzes e  de grossa bastonada policial . 

Porém, a carga policial, não ia ficar por ali: no fim da exibição do filme, um grupo de miúdos, ao abandonar a porta da plateia, corre para o largo fronteiro ao cinema e começa a dançar, clamando o seu ídolo. Eu estava ali parado, no alto das escadas, a apreciar aquele segundo espetáculo, Não me sentia minimamente molestado; pelo contrário, no íntimo até me divertia e aprovava a exuberância da garotada. Mas quem assim não pensa é um grupo de soldados da Polícia Militar, que, antes de entrarem para o jipe, desatam à bastonada aos miúdos. Vendo aquela  prepotência, e envergando eu a farda de furriel miliciano, logo, portanto,  mais graduado que os soldados, não concordando com tamanha desfaçatez, gritei, ordenando, alto em bom som: "faz favor vão embora! Deixem essa pobre gente em paz!" – Quem,  entre os garotos, também exibia a sua satisfação era, pois, o homem que, anos mais tarde, haveria de me dar um grande abraço, quando seguia no seu jipe, com um amigos e me vê a caminhar  junto ao edifício do antigo Liceu.


- Na imagem, Bernardino Lopes Monteiro, com os dois filhos:  o mais  crescidote, o Vital Monteiro, falecido em 1974, e o mais novo, Victor Monteiro, atual chefe do Gabinete do Presidente da República de S. Tomé e Príncipe  -É uma das raras fotos que tem de seu  pai.  Perguntou-me ele no facebook: "O meu pai gostava de vez em quando vestir esta farda: Jorge, sabes dizer-me  o que te parece? 

Sim, porque eu também o conheci na Roça Rio do Ouro  da Sociedade Agrícola  Vale Flor, pois  sou mais velho de que o Victor. E tenho uma vaga ideia de o ter visto com essa farda

Se bem me lembro, e pelo que julgo depreender (pelo simbolo do boné, onde é bem visível a letra A, pois ele nunca foi polícia nem tocou em nenhuma banda) deverá ser a farda azul e o boné dos seus tempos de imediato do navio António Carlos, que ele, mesmo depois de ter de lá saído, devido à rebelião de que ali protagonizou, vestia em certos dias, como se ao mesmo tempo fosse uma maneira de sentir orgulho por essa farda, que valorosa e dignamente soube envergar, impedindo horrível matança. 


Nascido na Ilha do Fogo, em Cabo Verde,  mas foi em S. Tomé que, Bernardino Lopes Monteiro,  acabaria por viver a maior parte da sua vida, tendo falecido em 1971, com 63 anos de idade, como que ostracizado  na enfermaria geral do Hospital Central, devido a problemas de saúde, contraídos pelos trabalhos e vicissitudes por que passou, sobretudo quando esteve preso no Tarrafal e também por nunca  virara a cara às adversidades e ainda devido às  constantes labutas e revezes da vida. 
O Dr. Leão, seu amigo, que conhecera em Cabo Verde, ainda diligenciou para que fosse internado   na enfermaria onde ele prestava assistência, na da 2ª classe, mas não foi autorizado, com alegação de que, “esse senhor tem a cor branca mas não é branco e trabalhou na roça.”  

 Nunca confessou, publicamente o seu feito heróico  - Nem mesmo aos seus filhos, que apenas vieram a saber, quase de surdina, quando ele recordava essa façanha (passada a  bordo do barco António Carlos), a sua mãe , que namorara no Tarrafal., onde ia levar água aos presos.  No entanto, a  quem confidenciara, foi ao seu parente e grande amigo (por parte da esposa), o Sr. Domingues Martins,  conhecido por "Pômpi"quando ambos se encontraram  no Tarrafal

Mesmo assim, pese o facto do segredo ter ficado  restringido aos  seus familiares e amigos mais íntimos, ainda chegou a estar na mira das autoridades coloniais, ignorando, porém,  por que artes diabólicas lhe haviam passado essa informação. Pois  só  não o prenderam ou não mandaram de novo  para o Tarrafal, graças aos bons ofícios do português, Dr. Boticas e da médica santomense, Dr. Julieta.


CRONOLOGIA DE UM BARCO DE MÁS MEMÓRIAS  - NÃO LANÇARAM 12O HOMENS AO MAR PORQUE A TRIPULAÇÃO SE OPÕS  - AS MACABRAS OPERAÇÕES DO NAVIO ANTÓNIO CARLOS NO PERÍODO COLONIAL 

"António Carlos" - navio  de carga e passageiros,  que, durante o fascismo colonial salazarista,  além de ter servido para transportar mercadorias diversas, também chegou a ser usado para transporte de prisioneiros, havendo ainda o  testemunho de que, numa carga humana de 88 prisioneiros,  carregada da colónia penal do Campo do Tarrafal – para ser transportada de volta  à Guiné-Bissau, após vários anos de dura pena, metade dos quais, acabaria por não chegar ao destino: ou seja, foram lançados ao mar, tal como se pode deduzir do testemunho de um tripulante português, que adiante vou aqui transcrever,

Em Fevereiro de 1953, cerca de centena e meia  de santomenses, iam ser largados no mar  por ordem do Governador Carlos Gorgulho, que quis  levar a cabo mais uma das suas macabras operações de liquidação do povo nativo destas ilha, pretendendo lançar ao mar quase uma centena da elite nativa santomense, que apelidara  de “comunistas” 

Tal não ocorreu,  porque, a tripulação liderada pelo imediato Bernardino Lopes Monteiro,  se sublevou, impedindo a consumação do perpetrado e afrontoso crime, ordenado pelo déspota ditador 


Porém, pelo que nos é possível depreender, a  mesma sorte não contemplaria  um punhado de prisioneiros de guerra guineenses, que, anos mais tarde, já no período da  resistência à ocupação colonial, embarcados no Tarrafal, neste mesmo barco,  depois de  engaiolados em sufocantes porões, não lograriam regressar à terra natal - É o que lhe revelo no capitulo seguinte. 

OUTROS INDÍCIOS HISTÓRICOS DO BARCO “ANTÓNIO CARLOS” VÃO AO ENCONTRO DA MONSTRUOSIDADE PERPETRADA  PELO GOVERNADOR CARLOS ORGULHO

Procurei ver nos arquivos o que se podia saber do passado “histórico” deste barco mas apenas deparei com informações técnicas e das viagens que fazia, entre a “metrópole” e as colónias

Todavia, através de uma pesquisa na Internet (que cada vez mais se vai revelando o maior arquivo informativo planetário) pude também ficar a saber que não foi apenas o cabo-verdiano, Bernardino Lopes Monteiro, que ali chegou a prestar  serviço como imediato, houve outros seus patrícios, que também por lá andaram na estiva. 

De resto, depreende-se que talvez tenha sido por esse facto, que,  juntamente com outros cabo-verdianos da mesma generosidade  e valentia, haja conseguido sucesso  com a sublevação a bordo,  levando o  comandante a demovê-lo de tão macabras intenções, obrigando-o a alterar a rota: em vez de se dirigir para sul, rumo a Angola (e despejar os pobres desgraçados), logo que perdesse a ilha de vista e quem sabe se mesmo a horas mortas,  a passar primeiro pela Ilha do Príncipe, e a deixá-los ali.

Atente-se neste comentário no blogue  FINISTERRA – acerca do barco “António Carlos”

Anónimo disse... 

Há muito tempo queria conhecer este navio, foi dali que veio o meu nome de nascimento, Em 20 de Dezembro de 1966 quando o meu pai trabalhava como estivador, no cais de Pedra de Lume - Ilha do Sal Cabo Verde, e prometeu que se eu nascesse naquele dia e se fosse um homem , o meu nome seria António Carlos, hoje tenho grande orgulho deste nome http://cabodofimdomundo.blogspot.pt/2008/03/navio-de-carga-antnio-carlos.html

NOUTRO BLOGUE O COMENTÁRIO   AINDA É MAIS RELEVANTE

Ou seja, a confirmação de que o barco era também usado para transporte de prisioneiros e que deixara atrás de uma das suas viagens  uma gravíssima onda de suspeição:

Pois é dito o seguinte: “Foi a bordo deste navio que melhor conheci Bissau, e o seu "Tanque de água" onde registei um dos inesquecíveis momentos na vida de um marinheiro. Foi ainda a bordo deste mesmo navio que nos deslocámos de Bissau a Cabo Verde (Tarrafal, na Ilha de Santiago) para ali embarcar supostamente 88 ex-prisioneiros de guerra, mas por razões que nunca cheguei a saber apenas 44 voltaram para a Guiné (***).

Era então Comandante do António Carlos o conhecido e odiado pelas gentes da outra banda, o  "Herói do Barreiro"... Estou a falar-vos do longínquo ano de 1964
.

"Navio de carga e passageiros a motor, construído de aço, em 1946-1947. Nº (…)no Estaleiro Naval da A.G.P.L. em Lisboa, pela CUF - Companhia União Fabril (construção nº. 120), para a Sociedade Geral de Comércio, Indústria e Transportes. (…)  quilha do ANTÓNIO CARLOS foi assente a 14-02-1946 e o navio foi lançado à água a 27-07-1946 pelo Presidente da Republica António Óscar Fragoso Carmona. Entregue ao armador a 24-11-1947 e registado em Lisboa a 6-01-1948. Saiu de Lisboa na primeira viagem a 12-01-1948, para Leixões (13-01/ ) e Casablanca (21-01/ ), regressando ao Tejo a 1-02. Em 14-02 largou de Lisboa na primeira viagem a Cabo Verde e à Guiné. A 31-08-1950 teve a arqueação rectificada para 1.814 toneladas de arqueação bruta e 985 toneladas de arqueação líquida. Em 1959 o navio esteve fretado ao ministério do Exército para transporte de tropas e material de guerra (portaria nº 17.299 de 18-08-1959). A 10-12-1969 sofreu uma colisão com o navio holandês BOVENKERK (8.670 TAB/1960) no rio Elba, quando seguia viagem de Lisboa para Hamburgo, registando-se avarias graves a meio navio. – mais pormenores em DICIONÁRIO DE NAVIOS PORTUGUESES
 REVELAÇÕES DE DOMINGOS VAZ MARTINS - CONHECIDO POR PÔMPI"





Atualmente a morar no Pantufo, onde o conheci, na comonhia do Coronel Victor Monteiro, aquando do meu regresso a S. Tomé. E é realmente espantosa a sua revelação, pois vem desfazer algumas dúvidas acerca dos designios que levara Gorgulho a embarcar tantos presos num barco! - Diz ele o seguinte, referindo-se  às confissões que lhe fizera o seu amigo, Nhô Novo:

"Ele  disse-me que o branco queria jogar os presos no mar. Então ele não aceitou. Nhô Novo  não ficou contente com aquilo”, opôs-se: “Disse que é gente como nós. Não pode atirar ao mar, é pecado! Talvez seja por isso que puseram na cadeia de castigo. Discutiu e disse-lhe que não podia jogar os homens ao mar dessa maneira
 

Nhô Nôvo – Estava preso no Tarrafal com outros presos, na construção de estradas 

Domingos Vaz Martins, 75 anos, com habilitações muito acima da esmagadora maoira Natural da Ilha de Santiago. Veio para S. Tomé, como contratado para trabalhos nas plantações da Roça, nos porões do navio Ambrizete e por cá ficou, até hoje.  Conheceu o Nhô Nôvo na colónia Penal do Tarrafal, no local onde iam “apanhar água”, Soube, então , como ele era mais instruído de que outros presos africanos, com os quais trabalhava na construção de estradas, que lhe deram o posto de cantoneiro. Mais tarde, reencontraram-se, ambos  na Roça Rio do Ouro.

O SORTILÉGIO DE S. TOMÉ – FASCINARA NHÔ NOVO 

Nnhô Novo, quando passou a primeira vez por S. Tomé,  disse que “conheceu um país onde se mete uma mandioqueira e três meses depois tira-se  a mandioca” – Nas ilhas de Cabo Verde, chove muito pouco e a fertilidade e a exuberância de S. Tomé, fascinou-O desde logo. 

E, as voltas da vida, assim o ditaram. A sair da cadeia, quando foram  soltos os presos, em S. Tomé (que, ,as arbitrariedades  do Governador Carlos Gorgulho, tinha mandado prender, além das centenas de mortes que provocou), curiosamente, dois anos depois, em 1955, é nesta Ilha que  acabará por se fixar. 

Inicialmente, na  Roça Rio do Ouro (atual Roça Agostinho Neto), onde também o conheci, quando ali trabalhei, como entregado de mato. 

E, na verdade, nunca mais me esquecerei  daquele homem magro, alto,  quase com perfil de europeu mas, contrariamente à frieza de quem recebia as ordens, ele transmitia outra humanidade - sempre  muito aprumado (postura que certamente  herdara da Marinha) mas evidenciando uma expressão de simpatia para com toda a gente com quem falava ou o abordava. Era o leiteiro da roça, que tomava conta da vacaria e das cabras. 

Contudo, muito embora o não quisesse demonstrar ) ele era mais culto de que o patrão e de que outros empregados, já que aprendera a falar várias línguas – E foram esses conhecimentos que lhe possibilitaram a entrada como imediato do navio António Carlos.


(a linda assoalhada

Porém, 13 anos depois de trabalhar na roça grande, um dia o patrão descobriu que  ele tinha “um sobrado” na cidade, mandou-o chamar  e disse-lhe:  - “Sr. Bernardino! O Sr. vais ser transferido para Fernão Dias”
 Não, Senhor Patrão! Eu não vou para Fernão dias
 -Porquê!?
 -Porque lá tem muito mosquito e não tem luz
- Diz o patrão: olhe Sr. Bernardino! O Sr. parece branco mas não é branco
Nisto, após um curto silêncio, responde:  - pergunta o patrão:
– Então que eu faço consigo?
- Olhe, Sr. patrão: trabalhei durante 13 anos, a dizer, sim senhor. Pois, eu hoje, digo  não Senhor! Ponha-me fora da roça !
- É mesmo isso que vou fazer: e só queria duas coisas. Uma camioneta da roça que me levasse as minhas bagagens para a cidade….
- Diz  o patrão: “Eu sei que o senhor tem um sobrado na cidade”. E outra coisa que o senhor quer?

- Que levasse as minhas limárias – os seus  animais – a  Guadalupe para ali ser vendidos
Responde o patrão: lá não vais vender nada. É tudo vendido a mim por 23 escudos cada peça, seja porco, galinha, vaca ou peru.  

Seu pai deixou lá tudo e veio para cidade. E, quando seu pai, vem para a cidade, lembra-se de que ele queria comprara Roça de Santarém e Cantanhede por 380 contos (1968) e até uma pequena lojinha mas os colonos, não lho permitiram"
Morreu ainda novo porque, embora nunca voltasse a cara ao trabalho, mesmo com a pele clara, como são muitos cabo-verdiano, para o regime colonial ele era negro – E estes, salvo um caso ou outro, eram escravizados.


CORONEL VITOR MONTEIRO, FILHO DE BERNARDINO LOPES MONTEIRO - ELE CONTA O QUE LOGROU APURAR DE SEU PAI - OUÇA AS SUAS PALAVRAS  E REFLITA




 Desde há muito que, Victor Monteiro (cujo pai  perdeu ainda rapaz, assim como seu irmão, Vital Monteiro, falecido em 1974, em Portugal,)  tem procurado recolher  dados mais aprofundados para comparar ou associar aos que recorda, lá de casa.   No entanto, mesmo tendo pedido colaborações a várias pessoas amigas e a estudiosos,  não tem sido fácil. Por um lado, porque o  seu pai, não gostava de se gabar do seu valoroso gesto, pois certamente  terá compreendido que,  ao defender aquelas indefesas criaturas, rebelando-se contra o seu comandante, não fez mais que um dever de amor ao próximo; por outro, porque, também, se revelasse o que fez, podia novamente  ser preso.

 Pelo que pude constatar, através de seu filho, tem  sido uma quase obsessão. Sempre reconheceu nele um grande lutador, amigos dos filhos e  muito estimado por quem o conhecia - É, de facto, para ele o grande herói da sua vida - E quem é que, tendo-o o conhecido, em vida, como foi o meu caso,  tem dúvidas da sua generosidade, da sua coragem e altruísmo?

ISTO PASSAVA-SE EM 1948 MAS EM 1953 E NOS  ANOS SEGUINTES ERA A MESMA COISA

Leia-se o que disse um alto funcionário da Administração do Ministério do Ultramar, nos finais dos anos 40: (...) “Este assunto merece, porem, uma particular observação, em face de leis gerais que condicionam o trabalho nas colónias. Assim os trabalhadores cabo-verdianos foram transitoriamente colocados sob a fiscalização da Curadoria Geral dos Serviçais e Indígenas por comodidade da administração, em face de trabalharem nas roças em igualdade de circunstâncias com os Indígenas serviçais  sujeitos á tutela curatorial, o que pode acarretar algumas complicações no meio dos agregados  trabalhadores. Por outro lado os nativos de S,Tomé  foram considerados sob a lei do europeu, isto é, retirados de sob a tutela curatorial, quando perante a Carta Orgânica do Império Colonial Português, al'tigo 2462, § Único, devem estar sujeitos ao regímen de índigenato, na sua acepção legal. 

111 - Várias razões têm levado a manter-se este estado de cousas, mas parece-nos necessário sair dele, pois que com a evolução civilizadora do indígena, que é o próprio progresso· de colonização, podem estes arranjos de conveniência administrativa, concluído! á margem da lei, acarretar dificuldades e dissabores, se com o adiantamento to dos povos vierem, como é previsível, os agitadores sociais. No caso dos cabo-verdeanos isto não tem importância de maior, dado que a sua permanência em massa na colónia é sempre temporária'.

112 Mas quanto aos nativos já assim não é, trata-se de um povo em adiantado estagio de crescimento na civilização do colonizador a quem não pode impor. Não é um regresso a estágio anterior, desmentindo-se com isso o objetivo máximo da nossa obra de colonização. Afigura-se-nos que a via mais adequada para resolver este problema, e a mais legal, será a promulgação de medidas destinadas a reconhecer ao nativo, individualmente, a sua capacidade de cidadania portuguesa, e nessa cidadania fazer entrar logo de início a grande maioria da população, impondo-lhe a satisfação de certos mínimos de sociabilidade , em especial, a comprovação de meios da vida e de trabalho, admitindo de entrada uma minoria, maia ou menos reduzida, de nativos que ficariam sujeitos á tutela curatorial e regímen e indigenato, até comprovação para entrada no grémio do civilizado. Isto seria o caminho para a situação nítida, perante a lei. 

(…) 120 - ouvi também referências á execução de trabalho compelido para serviços públicos, imposto aos nativos, do que não há conhecimento na Inspecção Superior dos Negócios Indígenas, nos termos do artigo 295• do Código do Trabalho do Indígena , de 6 de Dezembro de 1928.( Do c , 3.4 -, ) 

Constou-me também que na execução desses trabalhos e do trabalho correcional os trabalhadores são entregues á condução de outros preso, muitas vezes criminosos de nomeada, que sobre os trabalhadores exercem grandes violências, 0 que já provocou a intervenção dos médicos do hospital em vista de ali aparecerem gravemente feridos ou contusos dos naus tratos e até por esse estabelecimento correu um processo por estupro na pessoa de uma menor de 11 ou 12 anos, presa ou filha de uma presa, que obrigou a tratamento hospitalar da vitima, praticado por um desses capatazes, preso por assassinato de um filho, tendo o processo sido mandado arquivar, sem qualquer procedimento”

AINDA HÁ MUITO POR DESVENDAR

Dos hediondos episódios,  que ocorreram a partir do dia 3 de Fevereiro de 1953, que ficariam conhecidos por  “Massacres do Batepá, ainda há muito por contar! – Muita matéria  a necessitar de atenção por parte de estudiosos e historiadores, que, de modo algum,  pode ficar no esquecimento.

  E é, pois, também a razão deste artigo, a dois dias da triste data histórica, sobre a qual passam, depois da amanhã,  62 anos – Sim, este o motivo pelo qual trago  ao conhecimento público, o gesto abnegado e corajoso de   Bernardino Lopes Monteiro, que, com a colaboração de outros tripulantes, por se ter oposto a que,  quase centena e meia de homens, fossem selvaticamente lançados ao mar, acabaria  por pagar cara a sua heroicidade, com uma humilhante e duríssima pena de trabalhos forçados (como calceteiro) no temível campo de concentração do Tarrafal, também conhecido pela “frigideira” – O presidiu para onde o regime fascista-colonialista de Salazar enviava os presos políticos

TARRAFAL – OUTRO CAMPO DA MORTE LENTA – NÃO MENOS ESCABROSO QUE O DE FERNÃO DIAS, CRIADO PELO FASCISMO COLONIAL


Do qual  - diz-se - “Os presos, quando não estão na Frigideira, estão nas celas. Estas são separadas, também elas, por portões de ferro, que tudo têm semelhante entre si. Carregam sobre o dorso do metal a dor de seres humanos que transportam a liberdade no seu espírito. Alguns pagam o elevado preço da liberdade com a vida. A morte abraça-os. A frigideira é construída a uma distância considerável de qualquer outro compartimento da “casa da morte”, para que a sombra não proteja os seus habitantes do calor infernal que lá se faz, ficando permanentemente exposta ao raio solar durante o período diurno. No seu interior, só há dois companheiros: a solidão e o silêncio. Campo de Concentração do Tarrafal - Nós Genti Cabo Verde

Foi precisamente nessa tenebrosa prisão, onde esteve desterrado,  Bernardino Lopes Monteiro,  (pai do coronel na reserva, Victor Monteiro, Director do Gabinete do Presidente da República Manuel Pinto da Costa) – Curiosamente, anos depois, quis o destino que  viesse para S. Tomé, na condição de contratado, onde se fixaria até ao seu falecimento, em 1972. Não perca mais à frente os pormenores

BATEPÁ OU MATA-PÁ – A MAIOR NÓDOA DO COLONIALISMO NAS ILHAS VERDES DO EQUADOR

Quando o Governador de S. Tomé e Príncipe, Carlos Gorgulho, e os seus acólitos inventaram a tenebrosa história da conspiração dos negros contra os brancos, que apelidara “ de indivíduos desafectos à atual situação política, conhecidos como comunistas”, principiava uma das maiores tragédias, do período colonial, que vitimaria várias centenas de naturais destas Ilhas – Era como que o macabro epílogo que  surgira na sequência da morte do seu ajudante-de-campo, o qual,  numa atitude provocatória, viera juntar-se às  famigeradas rugas conduzidas por soldados armados e lideradas por  um dos presos de delito comum, um tal facínora Zé mulato, rusgas essas que,  todas as manhãs, deixavam a cidade e partiam para o mato para cercaram esta ou aquela pacata e pacifica povoação,  arrastando à força quem encontrassem, fora ou dentro de suas humildes casas de madeira, obrigando os nativos a trabalhos forçados nas obras do Estado ou para serem enviados para as roças, a onde a mão-de-obra dos contratados, vindos de outras colónias, escasseava –  Todavia, o local para onde imediatamente eram conduzidos, eram os miseráveis barracões imundos da cadeia, junto à  cidade, onde os pobres santomenses eram presos nas condições mais humilhantes e degradantes

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