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Entre outros assuntos, falo da escalada ao Pico Cão Grande e das minhas aventuras em canoas – Visam defender a teoria de que antigos povos africanos, podiam ter sido os primeiros povoadores das Ilhas do Golfo da Guiné, antes dos colonizadores – Parti à meia-noite, disfarçado de pescador, ligando a ilha do Príncipe. Para me orientar, uma rudimentar bússola – A canoa era minúscula, à segunda noite adormeci: rolei na escuridão das vagas. No regresso fui distinguido com sopapos da policia salazarista, enviado para os calabouços – Cinco anos depois, numa piroga maior, fiz a ligação São Tomé-Nigéria. Partindo igualmente à noite, 13 dias depois atingia uma praia de Calabar, tendo sido detido 17 dias por suspeita de espionagem. - No mesmo ano, já com São Tomé e Príncipe independente, tentei a travessia São Tomé ao Brasil, usando os mesmos recursos. Além de pretender reforçar a minha teoria, desejava evocar a rota da escravatura e repetir a experiência de Alain Bombard. Porém, quis a ironia do destino que vivesse a difícil provação de um naufrágio de 38 longos dias, tendo aportado numa praia de Bioko (Bococo)onde fui recambiado para a famosa prisão de Black Beach

sábado, 31 de agosto de 2019

Escalada da Torre dos Clérigos, no Porto, em 1917 para promover uma marca de bolachas – Por dois artistas espanhóis de circo - “Os Homens Aranha” - Perante o espanto de 150.000 pessoas Um dos quais conhecido pelo Rei das Alturas

Jorge Trabulo Marques - Jornalista e investigador - Seja um dos nossos seguidores deste site 
Amantes que somos da escalada vertical, aproveitamos para aqui lhe recordarmos um feito extraordinário, que ocorreu na cidade do Porto, em julho de 1917 - Com algumas imagens e um video extraido de um filme - E o que se escreveu  da espantosa façanha:

"Portugal vive os tempos liberais da Primeira República e com eles vem a oportunidade de experimentar coisas novas e irreverentes. Como escalar a Torre dos Clérigos sem qualquer proteção, por exemplo. Especialmente se for para promover uma marca de bolachas. Mesmo que não pareça, é uma história real, recordada agora no livro “Porto D’ Honra”. Foi editado este mês pela Esfera dos Livros e escrito por Manuel de Sousa, o autor da página de Facebook “Porto Desaparecido”.

Dois acrobatas espanhóis, José e Miguel Puertollano, pai e filho, escalaram o monumento mais icónico do Porto. Quando chegaram ao topo, tomaram chá acompanhado por bolachas Invicta, uma marca recente que estava a ser promovida na altura. Depois lançaram panfletos para as 150 mil pessoas que estavam na rua a assistir.
Melhor do que tudo, há imagens disso — o feito ficou gravado para a eternidade para se fazer um filme publicitário chamado “Chá nas Nuvens”, produzido por Raul de Caldevilla. As bolachas Invictas esgotaram rapidamente. https://nit.pt/coolt/livros/sabia-que-a-torre-dos-clerigos-foi-escalada-para-promover-uma-marca-de-bolachas





"A ESCALADA Á TORRE DOS CLÉRIGOS DE 1917. Foi um feito extraordinariamente arriscado, inédito e literalmente Histórico. Dois homens, absolutamente arrojados, trepam é a palavra, por torre acima, qual avenida em perfeita planície, zero graus de inclinação. Sempre acreditei naquilo que meu pai me contou, portanto, neste caso, sempre as palavras valeram mais que mil imagens, que, não as possuía para mas mostrar. Somente agarrados, com a força das suas mãos e o impulso de seus pés, com a energia dos seus músculos, obstáculo após obstáculo, “degrau após degrau”, saliência após saliência” a subida vertiginosa fez-se, ali sem vertigens, sem quaisquer auxílios humano extra, sem quaisquer instrumentos auxiliares, sem uma única corda que seja para ajuda de elevação, sem protecção contra quedas, - nem gancho, nem cinto, nem rede. IMPRESSIONANTE. Assim meu pai me passou a ocorrência, assim hoje os vi. Bem lá no alto, subiram ainda mais alto, ao máximo ponto; ainda deu para fazer trapézio, fazer o pino, içar e acenar a Bandeira Nacional, lançar confettis e, até trepar pelo mastro mais elevado da bandeira; a última exibição no topo.
Contava-me meu pai que, a descida foi tão ou mais exibicionista do que a subida. Bem calculados e bem distribuídos os movimentos e o local onde assentavam os pés degrau após degrau com imensa e absoluta precisão, com a mesma energia como que treparam, com a mesma segurança, porém, talvez, com uma maior ansiedade, com muito maior perigo provocado por aquela razão; a da ansiedade da chegada a chão seguro para receberem os abraços e ovações dos milhares de mirones presentes. Importante história me foi contada para aquele GRANDE FEITO. https://sites.google.com/site/majosilveiro/escalada-a-torre-dos-clerigos-em-1917
  QUEM FORAM ELES?  -O HOMEM-ARANHA ERA DE GRANADA
Estes os corajosos escaladores - pai e filho: "José Puertollano nasceu em Granada em 1873. Mas quando em 1890 fundou o circo mais importante que a Espanha teve na época, o Circo Feijoo (que criou seu nome ao seu fundador, o galego Manuel Feijoo-Salas) que ainda não sabe o que é esse mudará a vida. No Corpus de 1892, esse ano a cidade se prepara para viver o frustrado IV Centenário da Descoberta acima do circo. O jovem José Puertollano aparece diante do circo e explica suas habilidades. É capaz de caminhar em alturas consideráveis ​​sem medo de cair. Um mito de Espanha desde o primeiro século XX acaba de nascer: nossa compatriota será, desde então, o REI DAS ALTURAS.

No circo, Feijóo sentiu aquele que terminou por se tornar sua esposa, outro equilibrador sem medo, com o que fez como duplas mais incríveis da Espanha da época. O circo chegou a Estepona (Málaga) e uma função não pôde ser executada porque havia sido desencadeada uma tempestade sem precedentes. O vento forte ameaçava os telhados da igreja paroquial de Esteponera e o cata-vento já estavam dobrados. Provavelmente, o peso do ferro ameaçará derrubar os telhados, por isso José Puertollano se oferece para desmontá-lo. Ele acabou de perceber que poderia usar sua habilidade para mais do que o circo. Ele sai da empresa, fica para a Morar entre Estepona e Cádiz, na Linha de Conceição seu filho Miguel e inicia uma jornada, que valerá um membro da família e um novo nome: LOS ESCALA TORRES.

Anos depois, descobrimos na Galiza. Alfonso XIII visita Santiago de Compostela em 25 de julho de 1909 para apresentar uma oferta até o momento e inaugurar uma exposição histórica galega celebrada nesse ano sagrado. O jovem rei aguarda uma surpresa e, na Praça do Hospital (hoje do Obradoiro), vê-se como José Puertollano, nascido em Granada, com 85 metros de altura "MAJESTAD". O rei, o presidente do governo, Antonio Maura, e o prefeito de compositores, Francisco Piñeiro, observa ou pára-raios que coroam a Torre do Relógio da Catedral para a nossa compatriota, que se esconde em segredo para dar a conhecer o rei, pois O Cabildo da Catedral ou a proibição de subir; em todo o topo de Berenguela, foi recebido como "como torres de escala de Granada". Para fazer isso, ele subiu ao amanhecer, amarrou-se ao pára-raios,
Horas após essa fachada, Puertollano, nascido em Granada, desejável se aproximar do rei. Não sem dificuldades, ele conseguiu alcançar uma presença real e entregar um memorial ao rei com suas fachadas, além de solicitar a solicitação de Alfonso XIII para escalar como torres de Espanha. A partir desse momento, Puertollano alcançou seu objetivo: ganhar a vida com suas subidas. Uma arquitectura de Compostela ou contrato para pintar torres, pára-raios e milhares de outras tarefas que ele ocupou na Galiza até 1917 (oito anos). A família cresceu e com ela como virtudes que batizariam como HOMEM ARANHA. É o que diz uma imprensa de 1911.

Sendo mais barato que um andaime e causando um entretenimento popular sem precedentes, José Puertollano trabalha nas paróquias de Silleda, nas bases de Mondoñedo, Ourense e Lugo. Nas celebrações de San Froilán de 1910 da capital Luguesa fez delírio. A imprensa nacional ou repete e tem repercussão nacional quando subir para a Paróquia de El Grove para realizar seu trabalho. Como chefes industriais de Vigo e Corunha ou conhecidos até que a popularidade ou o uso de seus filhos Miguel e Glória em suas manifestações sejam incluídos. No início, realizando acrobacias no meio das exibições de filmes. Em março de 1912, em Noya (Corunha), sua esposa morre e o homem-aranha, que já é conhecido como tal, continua na Galiza até 1918.

150.000 pessoas assistiram com espanto no Porto sua ascensão à Torre dos Clérigos.
Um ano antes, em 1917, ele selecionou suas habilidades em Portugal, onde foi expulso depois de ser acusado de espionagem. Uma primeira república portuguesa acreditada que Puertollano era um serviço de espionagem da Alemanha. Estamos no curso da Primeira Guerra Mundial e nossos vizinhos são aliados ingleses. Quando nosso compatriota José decide aceitar uma proposta de Raúl de Caldevilla, suba Torre de Clérigos no Porto para promover uma marca de biscoitos “Petit beurre Invicta” jogam panfletos em quase 150.000 pessoas reunidas lá para assistir a um evento tão interessante e surpreendente quanto o vídeo mostra. no site do Museu de Cinema “Cinemateca Portuguesa” .No início do filme, veja como Raúl de Caldevilla dá um cheque a nossas acrobatas de Granada. Com essas imagens, um filme de Caldevilla registrou um anúncio público intitulado "Um chá nas nuvens". No dia 25 de novembro do mesmo ano, o espetáculo seria repetido na capital portuguesa com uma subida na Basílica da Estrela.
Mas outras promoções permitem os russos nervosos e, finalmente, pedem ao Puertollano que deixa o país vizinho http://www.revistaalhondiga.com/hombre-arana-granadino/

"Ah, todo o cais é uma saudade de pedra! E quando o navio larga do cais" - Fernando Pessoa


Ode Marítima

Sozinho, no cais deserto, a esta manhã de Verão,
Olho pro lado da barra, olho pro Indefinido,
Olho e contenta-me ver,
Pequeno, negro e claro, um paquete entrando.
Vem muito longe, nítido, clássico à sua maneira.
Deixa no ar distante atrás de si a orla vã do seu fumo.
Vem entrando, e a manhã entra com ele, e no rio, 
Aqui, acolá, acorda a vida 
marítima, 


Erguem-se velas, avançam rebocadores,
Surgem barcos pequenos de trás dos navios que estão no porto.
Há uma vaga brisa.
Mas a minh'alma está com o que vejo menos,
Com o paquete que entra,
Porque ele está com a Distância, com a Manhã,
Com o sentido marítimo desta Hora,
Com a doçura dolorosa que sobe em mim como uma náusea,
Como um começar a enjoar, mas no espírito. 





Olho de longe o paquete, com uma grande independência de alma,
E dentro de mim um volante começa a girar, lentamente,
Os paquetes que entram de manhã na barra
Trazem aos meus olhos consigo
O mistério alegre e triste de quem chega e parte.
Trazem memórias de cais afastados e doutros momentos
Doutro modo da mesma humanidade noutros pontos.
Todo o atracar, todo o largar de navio,

É — sinto-o em mim como o meu sangue -
Inconscientemente simbólico, terrivelmente
Ameaçador de significações metafísicas
Que perturbam em mim quem eu fui...
Ah, todo o cais é uma saudade de pedra!
E quando o navio larga do cais
E se repara de repente que se abriu um espaço
Entre o cais e o navio,
Vem-me, não sei porquê, uma angústia recente,
Uma névoa de sentimentos de tristeza
Que brilha ao sol das minhas angústias relvadas
Como a primeira janela onde a madrugada bate,
E me envolve como uma recordação duma outra pessoa
Que fosse misteriosamente minha. 




Ah, quem sabe, quem sabe, 
Se não parti outrora, antes de mim, 
Dum cais; se não deixei, navio ao sol 
Oblíquo da madrugada, 
Uma outra espécie de porto? 
Quem sabe se não deixei, antes de a hora 
Do mundo exterior como eu o vejo 
Raiar-se para mim, 
Um grande cais cheio de pouca gente, 
Duma grande cidade meio-desperta, 
Duma enorme cidade comercial, crescida, apoplética, 
Tanto quanto isso pode ser fora do Espaço e do Tempo? 





Sim, dum cais, dum cais dalgum modo material,
Real, visível como cais, cais realmente,
O Cais Absoluto por cujo modelo inconscientemente imitado
Insensivelmente evocado,
Nós os homens construímos
Os nossos cais de pedra atual sobre água verdadeira,
Que depois de construídos se anunciam de repente
Coisas-Reais, Espíritos-Coisas, Entidades em Pedra-Almas,
A certos momentos nossos de sentimento-raiz
Quando no mundo-exterior como que se abre uma porta
E, sem que nada se altere,
Tudo se revela diverso. 



Ah o Grande Cais donde partimos em Navios-Nações!
O Grande Cais Anterior, eterno e divino!
De que porto? Em que águas? E porque penso eu isto?
Grandes Cais como os outros cais, mas o Único.
Cheio como eles de silêncios rumorosos nas antemanhãs,
E desabrochando com as manhãs num ruído de guindastes
E chegadas de comboios de mercadorias,
E sob a nuvem negra e ocasional e leve
Do fundo das chaminés das fábricas próximas
Que lhe sombreia o chão preto de carvão pequenino que brilha,
Como se fosse a sombra duma nuvem que passasse sobre água sombria. 

Ah, que essencialidade de mistério e sentido parados
Em divino êxtase revelador
Às horas cor de silêncios e angústias
Não é ponte entre qualquer cais e O Cais! 




Cais negramente refletido nas águas paradas,
Bulício a bordo dos navios,
Ó alma errante e instável da gente que anda embarcada,
Da gente simbólica que passa e com quem nada dura,
Que quando o navio volta ao porto
Há sempre qualquer alteração a bordo





Fernando Pessoa - por João Bento Neves


Ó fugas contínuas, idas, ebriedade do Diverso!
Alma eterna dos navegadores e das navegações!
Cascos refletidos devagar nas águas,
Quando o navio larga do porto!
Flutuar como alma da vida, partir como voz,
Viver o momento tremulamente sobre águas eternas.
Acordar para dias mais diretos que os dias da Europa,



Ver portos misteriosos sobre a solidão do mar,
Virar cabos longínquos para súbitas vastas paisagens
Por inumeráveis encostas atônitas..

Excerto de Álvaro de Campos (Heterónimo de Fernando Pessoa)


quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Percurso de Bicicleta - Jovem pedalou, em São Tomé e Príncipe, 550 km de bicicleta, sozinha, em Julho 2019 ... Depois de ter percorrido 838 km de bicicleta pela Alemanha, Áustria, Eslováquia e Hungria (Rio Danúbio) India, Timor e muitas outras paragens. – Vale a pena ver as maravilhosas imagens registadas por esta corajosa andarilha a pedelar - Além de uma rota na agricultura

Jorge Trabulo Marques - Jornalista

RuteNorte
A espantosa surpresa, com as belíssimas fotos, da jovem atleta ciclista, chegou-nos, através de amável mensagem, enviada por Gerhard Seibert, cujas imagens  gostosamente tomamos a liberdade de aqui divulgarmos, através das quais se testemunham  belas panorâmicas, as lindas praias e até mergulhos nas límpidas  azuis e transparentes águas quentes equatoriais, bem como os sorrisos e a simpatia, tão proverbial do povo santomense, com a sua espontaneidade, alegria e caloroso acolhimento. 



RuteNorte
"Fiz ao todo 550 km de bicicleta nas duas ilhas: 205 na ilha do Príncipe (onde estive onze dias) e 345 na ilha de São Tomé (onde estive dezoito dias). São Tomé tem uns 50 km de comprimento e 30 de largura, e o Príncipe tem uns 30 km de comprimento e 6 de largura.  Distam entre si 160 km. Sendo as ilhas tão pequenas, bem que podem perguntar-me como consegui fazer tantos quilómetros. Andei às voltas?

RuteNorte
Efetivamente mudei de padrão, nesta minha viagem por São Tomé e Príncipe. Não ando com um carro de apoio. Comprei os voos e a estadia na internet, e vim sozinha, sem agências de viagens desta vez. Instalei-me num ponto fixo, o mais possível no centro das ilhas, e a partir daí saio todos os dias para um ponto diferente. Vou fazendo percursos em forma de estrela, digamos. Todos os dias vou – e regresso. Daí a repetição de quilómetros. Além de que sendo ilhas montanhosas, os quilómetros propagam-se nas curvas e contra-curvas. E subidas e descidas, pois claro.

RuteNorte
Sendo o meu estilo de viagens lento, com muitas paragens e conversas pelo caminho, e ainda uns mergulhos de vez em quando, não consegui mesmo assim conhecer todos os pontinhos. Ficaram a faltar-me umas coisas aqui e ali. Vinte e nove dias não foram suficientes. Mas a maior parte do país ficou vista – e bem vista, com toda a calma. Quem tiver pressa de conhecer São Tomé e Príncipe bem que pode sair já destas crónicas, mais vale mudar já de website, porque estas vão decorrer ao ritmo das minhas pedaladas lentas e cheias de paragens e fotos. E sorrisos.

RuteNorte
Sobre São Tomé e Príncipe não se encontra quase nada na internet. Há muitas fotos de praias, de crianças sorridentes, edifícios da época colonial, e pouco mais. Mas São Tomé e Príncipe não é só praias e crianças sorridentes, tem de haver muito mais do que isso. É esse o desafio a que me proponho: pegar na bicicleta, embrenhar-me pelos caminhos de terra e florestas, e ver o que há aqui. Onde estão vocês, meus amigos? O que andam a fazer? O que são as vossas vidas?

Vou espreitar tudo. E sou convidada a entrar em suas casas. Vou ter longas conversas, pausadas, sem pressas. Leve-leve. Esta expressão “leve-leve” é típica de São Tomé e Príncipe, e significa “suavemente, sem pressas”. Sem esforço desnecessário. Pedalar com calma. Vai leve-leve, dizem-me, acenando-me com um sorriso. Vou sim, vou leve-leve.

RuteNorte
O povo santomense é tímido. Já estão habituados a turistas a circularem de jipe, já nem ligam. As caras pálidas passam nos seus jipes, às vezes tiram fotos da janela do carro, e na maioria das vezes só vão às praias bonitas e turísticas. Eu optei por caminhos alternativos – literalmente – pois estou a seguir trilhos para bicicleta de BTT (“bicicleta de mato”, como dizem os santomenses). Instalei a app “Maps.me” – uma maravilhosa app gratuita; fiz download do mapa de São Tomé e Príncipe, et voilà! Por vezes nem sigo por estradas, sigo por trilhos. Esta aplicação indica quatro tipos de caminhos: carro, pedestre, comboio (quando existe) e trilhos de BTT. A ponto de perguntar-me por vezes se isto é mesmo um caminho que vai dar a algum lado. Com arbustos cerrados dum lado e de outro, a roçarem em mim e na bicicleta. Só cabe uma pessoa, carros não entram, nem sequer motas. “O caminho é por ali”, diz-me um homem, apontando para a estrada. “Não, o GPS está a indicar-me que é por aqui”, respondi eu. “Sim, este caminho vai lá dar” – elucidou uma mulher. E desapareci no meio do mato. E que belas surpresas tive nesse dia, tanta gente que se encontra a trabalhar no meio do mato. Lá chegaremos.

RuteNorte
Pelo que nestas circunstâncias, quando as pessoas se deparam com uma mulher sozinha de bicicleta pelos cantos mais recônditos e inesperados (aqui estou eu!) a surpresa é significativa. Mandam-me parar, chamam-me, querem saber mais. Não sou só eu que quero bisbilhotar, o povo santomense também tem curiosidade e enche-me de perguntas mal a timidez inicial se vai. O facto de falarmos todos português é fulcral. Fala-se português em todo o lado, não há dificuldade de abordagem.


Sendo assim, vamos partir. Levo-vos a todos sentadinhos no meu ombro, e talvez em cima do meu capacete, pequeninos, escondidos, para verem tudo com os vossos próprios olhos. Têm de colocar uns óculos de proteção e um pequenino capacete também, por segurança.http://rutenorte.com/cronicas-de-viagens/sao-tome-e-principe-550-km-de-bicicleta-sozinha-29-dias/

NOTICIA DE OUTRA ROTA  - NA AGRICULTURA

Ministro da Agricultura abre seminário sobre validação do acordo de facilitação regional do comércio  - Te
xto: Afonso Amaral “InterMatamata” e Ricardo Neto **Foto: Afonso Amaral “InterMatamata”

STP-PRESS
São-Tomé, 28 Ags ( STP-Press ) – O ministro são-tomense da Agricultura e Desenvolvimento Rural,  Francisco Ramos, em representação da ministra do Comércio, presidiu terça-feira a abertura do seminário de sensibilização sobre “Validação do Roteiro e do Plano de Acção para  Implementação do Acordo de Facilitação do Comércio na Comunidade Económica dos Estados da África Central”, CEEAC
No evento que decorre num dos hotéis de São Tomé, Francisco Ramos disse que São Tomé e Príncipe está menos dependente da importação de bens de primeira necessidade e muitos deles de qualidade duvidosa” e apelou para “sermos capazes de aplicar a integração da nutrição nas legislações e regulamentações de comércio nacionais e regionais” http://www.stp-press.st/2019/08/28/ministro-da-agricultura-abre-seminario-sobre-validacao-do-acordo-de-facilitacao-regional-do-comercio/ 


sábado, 24 de agosto de 2019

São Tomé – ex-Gestores do Banco Central - 23.08.2019 – Constituídos arguidos pelo Ministério Público - E retiradas de circulação notas de 200 dobras


No mesmo dia, em que, “O Banco Central de São Tomé e Príncipe decidiu retirar definitivamente de circulação as notas de 200,00 Dobras postas a circular em 2018 e substituí-las, muito brevemente, por uma nova série, segundo fonte da STP-Press” http://www.stp-press.st/2019/08/23/banco-central-decidiu-retirar-definitivamente-de-circulacao-as-notas-de-200-dobras/ é também noticia de queCinco ex-responsáveis do Banco Central, entre administradores e outros, foram constituídos arguidos pelo Ministério Público, no quadro das instruções preparatórias instaurado pela Direcção de Investigação e Acção Penal do Ministério Público.

Essas cincos pessoas, foram constituídas arguidas relativos as gratificações indevidas do Banco Central pela queima das antigas famílias das notas de Dobras, um processo sobre o qual o Ministério Público através de uma nota oficial á imprensa diz ter deduzida a devida acusação.
Sobre o assunto, a nova Direcção do Banco Central não quer se prenunciar, mas sabe-se de fontes seguras que dois desses arguidos, e que faziam parte da antiga Administração do Banco Central, foram expulsos como quadros do Banco Central. 

De referir ainda que na mesma nota de imprensa, o Ministério Público também diz serem deduzidas acusações contra 11 arguidos por 18 crimes de homicídio negligente no que refere ao recente naufrágio do Navio Amfitriti.
Sobre o desaparecimento do Navio Santo António, há já cerca de dois anos, o Ministério Público deduziu a acusação contra 2 arguidos por oito crimes de homicídio negligente, previsto e punidos pelas leis da República.
A nota de imprensa do Ministério Público datada de 2 de Agosto corrente, mas de lá para cá, não existe qualquer evolução em relação á nenhum dos processos anunciados, segundo fonte segura. http://www.jornaltransparencia.st/x60.htm


“O Barco de uma Vida’’ – Romance do escritor santomense Adriano Neto


É notícia – e de saudar - que “o escritor São-tomense, Adriano Conceição Neto,  acaba de colocar no mercado de São Tomé e Príncipe, uma obra literária, com mais de 500 páginas”


Trata-se de um obra literária “que retrata a sua infância, sociedade e peripécias da vida que viveu, nomeadamente, na localidade de Fundação Popular e Água Porca, no distrito de Água Grande, na Ilha de São Tomé, no âmbito do arquipélago de São Tomé e Príncipe.
A fonte disse à Agência STP-Press que Neto começou a escrever o livro pontualmente nas suas horas de lazer, quando estudava, em Coimbra, Portugal.
Segundo sabe-se, que a obra literária lançada na última quinta-feira, no país, levou mais de 20 anos a ser escrita, sendo que se intensificou nos últimos três anos. 
Adriano Neto é um jovem, académico São-tomense, que vive na diáspora em Salzburgo, Áustria e deslocou-se a São Tomé, para fazer o lançamento oficial do seu livro, “O Barco de uma Vida”.

Várias pessoas afectas ao mundo académico, da cultura e literário afluíram-se ao local de oficialização da obra para adquiri-lo ou apreciar a nova produção literária.
E destas pessoas, Hilária Teixeira, enalteceu a qualidade da Obra e disse que ela retrata várias fases de uma vida, designadamente, do autor e algumas pessoas com quem este partilhou a infância, incluindo ela própria.
(,,,) http://www.stp-press.st/2019/08/23/adriano-neto-lanca-obra-literaria-o-barco-de-uma-vida/


SINOPSE - No grande quintal da casa, onde todos os dias os oito irmãos e alguns rapazes do bairro da Fundação Popular e da zona de Água-Porca, em São Tomé e Príncipe, se juntavam espontaneamente para brincar, o pequeno Amaril destacava-se dos demais meninos. É que, durante a correria que faziam, mesmo que os restantes rapazes só arrancassem depois dele, o Amaril era sempre o último a chegar. Quando andava na rua, alguns meninos atiravam-lhe sorrisos trocistas e isso magoava-o e entristecia-o, criando nele sentimentos ambivalentes profundos.
Um certo dia, o pequeno Amaril fez um barco de papel e depositou-o no pequeno riacho que passava atrás da sua casa e comparou o percurso que o barquito iria fazer com a imagem da sua vida. Contudo, o seu pai, ao contrário, disse-lhe: "cada um de nós constrói o seu futuro e o seu destino e somos nós próprios quem devemos conduzir o barco a um porto seguro".~

O pai, o senhor Vitório, um funcionário público, sempre preocupado com a educação dos seus filhos, achava que essa era a única herança que lhes podia garantir. Assim, juntava os seus filhos e debatia com eles diversos temas, exortando-os à ideia de paz, de solidariedade e de um comportamento exemplar fora e dentro de casa.
A mãe, a Dona Chepa, à semelhança de outras mulheres no país, era doméstica. Para além do imenso trabalho que tinha, desdobrava-se em tarefas suplementares que trouxessem mais algum dinheiro para casa, de forma a suprir os escassos recursos financeiros.

Os rapazes do bairro, entretanto, cresceram e cada um seguiu o seu rumo. Quando o Amaril saiu do país para ingressar na Universidade de Coimbra, teve um único desejo: é que, para ter sucesso no estudo, houvesse luz elétrica que iluminasse a cabeceira da sua cama, em vez da ténue luz de velas que muitas vezes usava em São Tomé para estudar.

A história do Amaril é emocionante e narra uma multiplicidade de fatores socioeconómicos e culturais em São Tomé e Príncipe.
Adriano Borges Neto da Conceição nasceu em São Tomé a 19 de janeiro de 1965 no seio de uma ampla e humilde família de oito irmãos.
Em São Tomé e Príncipe, a sua terra natal, fez o Ensino Primário, Básico e Secundário.
Em 1987, ingressou na Universidade portuguesa de Coimbra e começou por estudar Biologia na Faculdade de Ciências e Tecnologias, tendo alcançado o terceiro ano (ver mais https://www.wook.pt/livro/o-barco-de-uma-vida-adriano-neto/22247248




“O Golfo da Guiné é agora o pior ponto de pirataria do mundo” – S. Tomé e Príncipe faz parte destes perigosos mares – Enorme impacto da pesca ilegal na pirataria marítima - No primeiro semestre deste ano, 78 incidentes de pirataria e ataques armados contra navios


Jorge Trabulo Marques - Jornalista - Informação e análise 


29/06/2019  - "O Golfo da Guiné, na costa sul da África Ocidental, é o mar mais infestado de piratas do mundo. O Bureau Internacional Marítimo (imb) relata 72 ataques no ano passado em embarcações no mar entre a Costa do Marfim e Camarões - acima de 28 em 2014. Este ano, até agora, registrou 30. Embora alguns dos aumentos possam refletir reportagens mais completas, Max Williams da Africa Risk Compliance (arc), uma consultoria de segurança, diz que a pirataria continua cronicamente sub-registrada. Os proprietários de navios temem que seus navios sejam retidos no porto durante uma investigação. Sua empresa estima que o número real de ataques no ano passado foi o dobro do valor da imb.  https://www.economist.com/international/2019/06/29/the-gulf-of-guinea-is-now-the-worlds-worst-piracy-hotspot

ACCRA, GANA - 25/07/2019 “O Golfo da Guiné continua a ser um ponto quente para a pirataria, representando a grande maioria das apreensões de reféns e sequestros em todo o mundo, de acordo com o International Maritime Bureau (IMB).  - No início deste mês, 10 marinheiros turcos foram capturados por piratas na costa da Nigéria e supostamente estão sendo mantidos como reféns.

"Duas regiões marítimas são principalmente perturbadas pela pirataria marítima” – escreve ABHISHEK MISHRA, referindo que o Golfo de Áden, a leste da África, e o Golfo da Guiné, a oeste. A forma mais comum de pirataria moderna e assalto à mão armada no mar em ambos os Golfos é o sequestro de navios, com foco no sequestro e pagamento de resgates. Além dos efeitos nacionais e regionais, a pirataria marítima e o assalto à mão armada no mar são considerados uma ameaça à economia global. Do ponto de vista econômico, a pirataria marítima é uma ameaça para a economia regional e global, já que as principais rotas marítimas da África (Sea Lanes of Communications) são afetadas adversamente. Mais de 90% das importações e exportações da África são movidas por mar. Embora seja difícil quantificar o custo exato da pirataria nos dois Golfos, os custos incorridos são, no entanto, significativos.
(…) PIRATARIA NO GOLO DA GUINÉ

Estendendo-se do Senegal a Angola, o Golfo da Guiné cobre mais de 6.000 quilômetros de costa e compreende 20 estados costeiros, ilhas e estados sem litoral. Esta bacia marítima é de importância geopolítica e geoeconómica para o transporte de mercadorias de e para a África Central e Austral. Além disso, é um ponto crítico para o comércio de energia na África, com extração intensiva de petróleo no Delta do Níger, na Nigéria. A maioria dos ataques na África Ocidental ocorre na Região do Delta do Níger, na Nigéria, embora tenha havido relatos de ataques em Benin, Gana, Costa do Marfim, Guiné, Togo e Serra Leoa, entre outros.

Golfo da Guiné
O Delta do Níger tem estado no epicentro dos crimes marítimos da África Ocidental devido a vários fatores. Muito paradoxalmente, a descoberta de grandes quantidades de hidrocarbonetos offshore gerou mais pobreza do que riqueza. Isso exacerbou as tensões sociais e aumentou a poluição ambiental. Apenas o governo central, as empresas de petróleo e as elites locais se beneficiaram da produção de petróleo. Os excluídos dos benefícios se voltaram para o crime organizado na forma de "petro pirataria". Essa forma de pirataria tem como objetivo roubar o petróleo bruto de navios-tanque e oleodutos, a fim de processar os ganhos em refinarias instaladas ilegalmente

(…) Portanto, algumas medidas precisam ser tomadas para combater a pirataria. Em primeiro lugar, os estados afetados precisam compartilhar informações sobre o que está acontecendo em seus litorais e vizinhos. Em segundo lugar, os estados que enfrentam desafios marítimos e de pirataria devem procurar desenvolver uma legislação forte para processar criminosos. Em terceiro lugar, são necessárias atividades conjuntas de treinamento para que os países possam desenvolver procedimentos e melhorar sua interoperabilidade. Por fim, os estados também devem reservar dinheiro ou fundos suficientes para construir capacidade local. Tanto a segurança marítima como o desenvolvimento da governança são dificultados por questões de capacidade. Portanto, é imperativo que os estados africanos trabalhem para colmatar a disjunção entre vontade política e prontidão, por um lado, e capacidade operacional, por outro. https://www.orfonline.org/expert-speak/piracy-again-back-infest-west-african-waters-what-driving-52339/

Pesca ilegal no Golfo da Guiné – Marinha dos Camarões aprisiona 4 barcos chineses 1 de Junho 2015 - Segundo a imprensa camaronesa, as 4 embarcações eram tripuladas por chineses. Estavam a pescar nas águas camaronesas, sem qualquer autorização das autoridades competentes do país vizinho de São Tomé e Príncipe.
As 4 embarcações de pesca ilegal foram conduzidas pela marinha camaronesa para o porto de Douala. https://www.telanon.info/sociedade/2015/06/01/19342/pesca-ilegal-no-golfo-da-guine-marinha-dos-camaroes-aprisiona-4-barcos/

 "O impacto da pesca ilegal na pirataria marítima: evidências da África Ocidental - Ginger L. Denton e Jonathan R. Harris

O recente aumento da pirataria marítima está frequentemente associado a questões econômicas, como o declínio da indústria pesqueira, mas ainda não há consenso sobre se uma redução na pesca local causa um aumento nas taxas de pirataria. Introduzimos o uso de pescado não declarado e do tipo de indústria pesqueira, além da captura de peixe relatada nas águas do Golfo da Guiné, ao analisar os fatores que influenciaram a pirataria na África Ocidental. Usando um conjunto de dados recentemente divulgado, que inclui captura de peixe ilegal, não regulamentada e não declarada (IUU) por setor, mostramos que um aumento na pesca reportada e não declarada produz um aumento na pirataria. Além disso, descobrimos que os aumentos nas capturas industriais de peixe estão relacionados com o aumento da pirataria marítima, enquanto o oposto é verdadeiro para a captura de peixe artesanal e de subsistência. Esperamos que esta nova abordagem ressalte o impacto da pesca industrial em larga escala sobre a pirataria em todo o mundohttps://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/1057610X.2019.1594660






O NAVIO SANTO ANTÓNIO, COM OITO TRIPULANTES A BORDO DESAPARECIDO HA 2 MESES - SEM DEIXAR RASTO  DESDE O PASSADO DIA 22 de Junho 2017 - 

A embarcação, que fazia a ligação de  S. Tomé ao Príncipe, levava consigo 8 tripulantes e transportava cerca de 87 toneladas de carga diversa, com destaque para bidões de combustíveis  Mais um navio desaparece na ligação entre São Tomé e Príncipe ..


GOVERNO DE PATRICE TROVOADA PEDE AJUDA A PORTUGAL, SÓ UM MÊS DEPOIS - POR FORÇA DAS PRESSÕES DOS FAMILIARES DA TRIPULAÇÃO E DA OPINIÃO PÚBLICA  _ Quem é que agora poderá encontrar o paradeiro do barco, após 60 dias do seu desaparecimento?


Embarcação madeirense, posta a reflutuar pela Marinha Portuguesa 

28/07/2017  - O governo são-tomense tem sido confrontado com várias críticas e acusações de que "não tem feito nada" para esclarecer o desaparecimento do navio Santo António durante uma ligação entre as duas ilhas. – Lusa –   – em Portugal ajuda São Tomé a localizar embarcação desaparecida há  mais de um mês  http://www.jornaltransparencia.st/b43.htm


Peixe gigante devorador de gaivotas - Abate das gaivotas nas Berlengas, atentado ecológico da insensibilidade humana - Quem o esquecerá?... Não poluam as praias e os mares, com lixeiras a céu aberto e deixem as aves livremente voar que elas lá se defendem dos predadores naturais


Jorge Trabulo Marques – Jornalista e investigador -  Não matem   o voo gracioso dos sonhadores  e poetas e preocupem-se antes com a grave poluição das praias e dos oceanos. 
Persista a maldita praga impossível de controlar ou  a insensibilidade vesga dos poderosos senhores do betão armado e das luxuosas vivendas das grandes patuscadas.  - Não exponham a céu aberto o lixo que conspurca e poluiu a sagrada natura – Perante esse manjar envenenado as frágeis e graciosas aves   não fazem mais de que limpar dos ares o cheiro pestilento das lixeiras, aquilo que  os humanos deviam fazer.


 A NATUREZA ENCAREGA-SE DE PRESERVAR OS EQUILIBRIOS ECOLÓGICOS - A INTERVENÇÃO HUMANA É QUE OS ATRAIÇOA  - CONSPURCANDO OS MARES DE LIXO OU DEIXANDO ENORMES LIXEIRAS A CÉU ABERTO

No principio da década de 90, pude testemunhar um verdadeiro massacre a milhares de gaivotas nas Berlengas, através de alimentos envenenados, culpando estas belas aves  as causadoras do desiquilibro da biodiversidade local, quando, a principal causa, se devia e continua a dever aos depósitos do lixo amontoados a céu aberto nas costas marítimas, onde as referidas aves vão alimentar-se, criando-lhes novos hábitos, em vez de procurarem o sustento à superfície dos estuários dos rios ou no mar, com os inerentes riscos  para a saúde pública e para as próprias aves.

Diz um recente artigo que «As "aves não são infelizes", nem precisam que "se dê de comer à mão", considerou Henrique Barros, presidente do ISUP, defendendo a necessidade de uma maior prevenção junto à população para que coloque o lixo urbano nos locais convenientes.

"Se as pessoas tivessem cuidado de colocar o lixo nos sítios em que deve ser colocado, e depois os municípios tivessem o cuidado de o recolher convenientemente, e se as pessoas não promovessem a alimentação à mão às gaivotas," era uma forma de controlar o fenómeno, acredita aquele investigador na área da saúde pública”. https://www.dn.pt/lusa/interior/reportagem-biologos-recuperam-habitats-naturais-nas-berlengas--11012742.html

A CULPA É DAS GAIVOTAS OU DA INSENSIBILIDADE HUMANA?   - A TRETA DO COSTUME  - "Gaivota e Chorão, duas pragas num paraíso!

"O Arquipélago das Berlengas situa-se a 5.7 milhas do Cabo Carvoeiro e é constituído por três grupos de ilhéus: Berlenga Grande e recifes adjacentes, Estelas e, um pouco mais distante, Farilhões.(…)As medidas radicais de controlo da população, passaram numa primeira fase pelo abate de gaivotas adultas através de alimento envenenado e desde há alguns anos pelo controle da natalidade da população das gaivotas na Berlenga através da destruição de ovos. A colónia, hoje com menos de 20 mil casais, necessita ainda de uma atenção especial, para que seja possível atingir a estabilidade com o habitat. https://jra.abae.pt/plataforma/artigo/gaivota-e-chorao-duas-pragas-num-paraiso/
Não é surpresa alguma, uma ave fazer um gracioso voo rasante sobre o mar e, num ápice,  trazer pendurado um peixe no bico para depois o devorar de seguida, porém, já causa espanto,  quando é um peixe que faz da ave, a sua guloseima preferida.

O vídeo da imagem, encontra-se editado em vários linkes, mas a fonte principal parece ter sido a de um trabalho da BBC, com esta tradução - Pássaro é comido por peixes gigantes - Blue Planet II: Episódio 1 Preview - BBC One


Todavia, o relato, que surge noutros sites, é nestes termos:

"O mar da República das Seychelles é calmo. De repente, um peixe salta do mar para se alimentar com a gaivota wuyou. Inicialmente, a história de um peixe comendo um pássaro veio apenas da história de um pescador.

Na ausência de qualquer evidência fotográfica, o diretor da tripulação achou que esse era um risco válido para uma carreira de 30 anos. Assim, a tripulação de quatro pessoas levou 800 kg de equipamento de filmagem, que inclui uma câmara anti-shake, chegou a um atol remoto na República das Seychelles, onde foi filmado. Levou várias semanas para finalmente capturar o peixe raro"



Em 2015, um estudo realizado pela expedição “Race for Water Odyssey” percorrendo durante 300 dias a rota atlântica da França ao Rio de Janeiro determinou que cerca de 80% da poluição dos oceanos é composta por plásticos. Cerca de 10% de todo o plástico produzido por ano vai parar nos oceanos através do descarte irregular desses resíduos e do despejo de esgotos sem tratamento diretamente no mar.. http://sustentahabilidade.com/poluicao-das-praias-e-mares-o-lixo-plastico/


Quase metade dos rios na China estão poluídos  Ao todo, 40% dos rios do país estão seriamente poluídos e 20% são considerados tóxicos e impróprios ao contato humano Parte do problema se deve às aproximadamente 10 mil indústrias petroquímicas ao longo do rio Yangtze e de outras 4 mil instaladas ao longo do Rio Amarelo. O cenário parece ainda mais alarmante se levarmos em conta que, embora extremamente poluídos, nenhum desses dois rios está entre os sete mais poluídos da China. -Segundo o Ministério de Supervisão do país, em média 1.700 acidentes industriais por ano poluem as águas da China. Os vazamentos (ou lançamentos) de poluição industrial nas águas dos rios chineses são responsáveis anualmente por cerca de 60 mil mortes prematuras. https://envolverde.cartacapital.com.br/quase-metade-dos-rios-na-china-estao-poluidos/

A CRIMINOSA MATANÇA DAS GAIVOTAS NAS BERLENGAS   - "O crime foi praticado em 1994, no Ilhéu das Berlengas, em que milhares  de gaivotas foram envenenadas - Estivemos no local e nem queríamos acreditar no que víamos: às  tantas havia gaivotas mortas por todas as vertentes do ilhéu. .Porém, apesar do monstruoso ato ter sido duramente criticado por amigos de natureza de todo o mundo, ainda há quem defenda tão macabra barbárie ou persista à socapa na mesma selvajaria


.Não cessam os instintos de malvadez, a  matança  promovida pela praga da peste egoísta dos defensores do cimento  armado, que facilmente se  apavoram com  o voo poético das gaivotas –  E até das inofensivas pombas, antigos símbolos da paz – Dizem que  estas aves são uma praga -Não haverá quem possa calar ou cortar o bico de raiz de vez a esta famigerada  casta de peste de suínos? - Uma certa mentalidade burguesa e hipócrita não se importa de passear os cães pelos jardins para ali irem deixar as carraças e os cocós   e de por lá até andarem a ladrar ou mesmo morder o pacifico cidadão mas incomodam-se  com o piar de uma gaivota, alegando razões de sujidade e de comportamento agressivo.  Porto luta contra gaivotas ...Praga de gaivotas persiste na Berlenga - Depois escudam-se através destas medidas radicais. Alimentar cães dá multa
De volta e meia levantam-se umas certas vozes sibilinas de rostos redondos e barrigas fartas  e avantajadas, a vociferarem contra o que consideram a praga das gaivotas, como se estas aves não tivessem direito à vida e à liberdade de procriarem – e até aumentarem a sua população – Ou será que o número de seres humanos no planeta Terra, da atualidade, é o mesmo que a um ou dois séculos?


É evidente que, muitas das nossas aldeias, estão a ficar desertas. ´´É verdade que, a população portuguesa está a regredir – E porquê? Porque o liberalismo selvagem, que odeia o voo poético das gaivotas, promoveu a precaridade  no trabalho, aprovou leis que favorecem os despedimentos e a liberalização das rendas de casa, dando azo à ganaãncia desmedida de usurários senhorios, ao mesmo tempo que   reduz os ordenados ao nível da malga de arroz asiático – Por isso mesmo, quem é que pode casar e ter filhos? Os ricos, que cada vez são mais ricos e pobres mais pobres. –Sim, só a extravagância dos  milionários é que pode dar-se ao luxo de comprar quadros de Picasso por valores astronómicos, ao mesmo tempo que a esmagadora maioria dos artistas não consegue vender um único quadro, já que, quem lhos podia comprar, era a classe média e esta está a desaparecer.





IMPOSSÍVEIS DE CONTROLAR SÃO OS ESCRIBAS DESTES TEXTOS

E qual o problema!. - “Em 20 anos a população de gaivotas quase triplicou em Portugal e o mesmo aconteceu em Inglaterra, França, Itália e Espanha. Os programas de controlo populacional destas aves no nosso país limitam-se, por agora, à Reserva Natural das Berlengas e a alguns municípios, como Peniche, Lagos e Área Metropolitana do Porto. Também a nível europeu, pouco tem sido feito, reclama Peter Rock, ornitólogo inglês que estuda o “fenómeno” das «gaivotas urbanas» há quase 30 anos. Gaivotas "urbanas": uma praga (im)possível de controlar ...




Inteiramente de acordo – Dos Açores chegam porém estas vozes sensatas, a quem fora pedida a opinião : “Associar “oficialmente” o controlo populacional de uma espécie, através do abate, a um produto turístico “ex-líbris” de uma ilha, que deve ter uma conotação o mais ecológica e “limpa” possível, é contraproducente ética, social, turística e economicamente. É colocar uma “sombra negra” sobre um dos produtos que mais “dá brilho” a Sta Maria e que alguns agricultores levaram vários anos a “construir”. Daí que, sabendo o que está em causa,  alguns desses agricultores já tenham expressado a sua discordância". 

"Quem não se lembra da grande polémica que se gerou à volta do abate de gaivotas nas Berlengas em 1994, com várias reclamações de ONGAS nacionais e internacionais; escritos condenatórios na comunicação social; contestação das comunidades e de operadores turísticos? Aqui houve aprendizagem e, desde então, o  efetivo populacional das gaivotas é feito controlando-se a sua natalidade,  através da destruição de ovos.   – Excerto NATURMARIENSE: Agosto 2014