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Entre outros assuntos, falo da escalada ao Pico Cão Grande e das minhas aventuras em canoas – Visam defender a teoria de que antigos povos africanos, podiam ter sido os primeiros povoadores das Ilhas do Golfo da Guiné, antes dos colonizadores – Parti à meia-noite, disfarçado de pescador, ligando a ilha do Príncipe. Para me orientar, uma rudimentar bússola – A canoa era minúscula, à segunda noite adormeci: rolei na escuridão das vagas. No regresso fui distinguido com sopapos da policia salazarista, enviado para os calabouços – Cinco anos depois, numa piroga maior, fiz a ligação São Tomé-Nigéria. Partindo igualmente à noite, 13 dias depois atingia uma praia de Calabar, tendo sido detido 17 dias por suspeita de espionagem. - No mesmo ano, já com São Tomé e Príncipe independente, tentei a travessia São Tomé ao Brasil, usando os mesmos recursos. Além de pretender reforçar a minha teoria, desejava evocar a rota da escravatura e repetir a experiência de Alain Bombard. Porém, quis a ironia do destino que vivesse a difícil provação de um naufrágio de 38 longos dias, tendo aportado numa praia de Bioko (Bococo)onde fui recambiado para a famosa prisão de Black Beach

quarta-feira, 23 de outubro de 2019

Rute Norte em STP – 550 km de bicicleta, 29 dias – Ainda as suas crónicas pela Lagoa Amélia e Cascata de S. Nicolau



















Para melhor se conhecer S. Tomé e Príncipe, de facto, não há como que andarilhar a pé ou de bicicleta, tal o exemplo revelado pela cidadã e desportista portuguesa, Rute Norte –  Os populares motoqueiros, a bem dizer, chegam a todo o lado, subindo e descendo veredas inóspitas, mas conspurcam os ares com o cheiro do combustível e com a poluição sonora   - A bicicleta não entra facilmente na brenha densa da floresta mas dá um grande jeito pelos caminhos mais estreitos. :

Nesta sua crónica, a Rute fala das suas deslocações  ao Jardim Botânico e à Cascata de São Nicolau, sítios obrigatórios do roteiro turístico e, de entre pormenores, dos famosos caracóis gigantes, que eu costumava encontrar nas digressões com a minha equipa â escalada do Pico Cão Grande – Naquela altura estava mais em voga o consumo de carne de macaco de que propriamente a dos caracóis. Hoje, receia-se comer a dos macacos, por via das ébola e ataca-se o pachorrento caracol

Aqui lhe deixo algumas fotos e excertos de mais uma das suas surpreendentes crónicas, que o Téla Nón, também editou  Em  https://www.telanon.info/turismo/2019/10/22/30242/rute-norte-em-stp-550-km-de-bicicleta-29-dias/

"Quando me fui embora da Cascata, estavam a chegar 3 carros com turistas.

Esta povoação chama-se Nova Moca e está muito perto da Cascata de São Nicolau. São 10h44, e agora vou à Lagoa Amélia. Está decidido. Mais outra grande subida. O GPS diz que são 9 km e 500 metros de subida. A subida do Gaspar, por exemplo, na ilha do Príncipe, era 190 metros. Mas se agora fiz 14 km sempre a subir (incluindo o desvio pela Roça Monte Café) agora faço mais 9 km, porque certamente não vou voltar aqui, não vou voltar a fazer esta subida toda desde Belém para chegar a esta zona. E quando regressar ao hotel será tudo a descer, é só sentar-me na bicicleta e deixar-me ir; e posso almoçar antes aqui no restaurante-museu. Vamos a isto, Rute, força, mexe-te!

As crianças chamam-me “Branquinha! Branquinha!”, mas os adultos repreendem-nas. Este rapaz veio ver o que se passa, com tamanha agitação entre as crianças. Chama-se Arcelino, é guia turístico (apresentou-se) e conhece o Célio Santiago.
Quer as senhoras da foto anterior, quer o Arcelino, dizem-me que a Lagoa Amélia é muito longe e que leva duas horas a pé desde o Jardim Botânico. E que eu devo levar calças. (Mal sabem eles que eu não uso calças, e o que já passei no Pico do Príncipe…).
O GPS diz que são 5,2 km e 330 metros de subida até ao Jardim Botânico, desde a Cascata. Fiquei indecisa sobre o que fazer. Vai chegar a hora de almoço, e pelo andar vai chegar a hora do lanche, e eu nos caminhos da Lagoa Amélia.
Pronto, desisti e voltei para trás.

Mas eu não quero ir embora já. São 11 da manhã, posso ir até ao Jardim Botânico, e depois almoço aqui no restaurante-museu. “Ai!…” – disse alguém neste grupo, quando me viu virar a bicicleta para trás. (“Ela decidiu qualquer coisa…”) Até me ri. Pois decidi ir ao Jardim Botânico.~
Tudo fica molhado com este nevoeiro. Eu também protegi o telemóvel, que ainda não recuperou da chuvada do Príncipe, quanto mais encher-se já de humidade outra vez.

Cheguei ao Jardim Botânico! São 11h45 e tenho 19,5 km. Levei 45 minutos a subir, portanto. Desde Belém até aqui são 870 metros de subida total. Mais um pouco e fazia o mesmo do Pico do Príncipe. A diferença é que agora não vou mexer uma palha para descer, sento-me e pronto, é a bicicleta que me leva. (E não andei num emaranhado de florestas e cobras!!) (Que pena…).

Está frio! Eu venho quente da subida, mas agora irei arrefecer. Trato de vestir a camisola de manga comprida que trago na mochila. Estava eu nestas lides quando apareceu a Isilda, nesta foto. Trabalha aqui no jardim botânico, trata da limpeza do jardim, e é guia. Indicou-me que estamos a 1.125 metros de altitude. Salvo erro foi este número que a Isilda me disse. Quem nos tirou a foto foi um rapaz santomense que é guia turístico e que trouxe aqui um casal de turistas no seu jipe. Deveria estar a aguardar por eles. Eu não estou com um ar muito convencido a vê-lo tirar a foto, porque a máquina não estava a conseguir focar, com este nevoeiro, e estava a recusar-se a tirar a foto. O rapaz não conseguia tirar a foto, foi à terceira ou quarta tentativa.


Sinto-me numa autêntica twilight zone, neste nevoeiro silencioso.

Esta placa fala sobre a Lagoa Amélia: (passo a transcrever):

Segundo contos populares, Amélia, uma jovem portuguesa, teria desaparecido na Lagoa Amélia, daí deriva o nome. A Lagoa Amélia é uma antiga cratera de vulcão situada a 1.450 metros de altitude no Parque Natural Obô, e dista duas horas de marcha a partir do jardim botânico de Bom Sucesso. As beiras apresentam uma associação botânica única formada por Begonia baccata e Cyathea manniana.

Hoje em dia, uma grande parte da cratera está a ser invadida por um arbusto. Nestes termos, este ecossistema natural poderá desaparecer se não forem tomadas medidas para controlar o fenómeno. Isto mostra-nos de facto que os ecossistemas são complexos e em evolução constante. Atualmente a cratera está coberta por uma camada de ervas baixas e hospeda numerosas plantas muito raras da flora de São Tomé. Este tipo de vegetação apresenta uma fisionomia muito parecida com aquela que cobre o cimo do Pico de São Tomé.

Búzio d’Obô. (Recordo que “Obô” significa floresta densa). Este búzio é uma espécie endémica de São Tomé e Príncipe, ou seja, só existe aqui e em mais lado nenhum no mundo. É um caracol gigante africano. O seu nome científico é Archachatina bicarinata, e vive nas montanhas da floresta tropical primária. Devido à perda de habitat, à coleta em massa das conchas, e à sua apanha para alimentação, este caracol gigante é uma espécie em declínio, classificada como vulnerável.¹

Estes animais têm hábitos noturnos, são polífagos (ou seja, têm uma fome insaciável) e hermafroditas, produzindo grandes quantidades de ovos, sendo muito procurados para fins medicinais, ornamentais, como animais de estimação e, por fim, pelo considerável valor, sobretudo no território africano, como recurso alimentar.

Este caracol gigante – Archachatina bicarinata – tem sofrido um declínio acentuado em ambas as ilhas – Príncipe e São Tomé – nas últimas décadas. A introdução do caracol gigante do oeste africano Archachatina marginata, ou búzio-vermelho, está entre as prováveis causas deste declínio. O búzio-vermelho existe em quase todo o país, preferindo plantações e florestas secundárias de baixa altitude, e evitando as zonas de floresta nativa. Já o endémico búzio-d’Obô encontra-se restrito às florestas nativas mais remotas. O invasor encontra-se maioritariamente em áreas mais degradadas, ocupando uma proporção muito mais significativa das ilhas.

A população atual do búzio-vermelho é composta por uma elevada proporção de juvenis, em contraste com a do endémico, em que claramente predominam os adultos.
Existem também diferenças nos padrões de atividade diária de ambas as espécies, com o endémico a ser principalmente diurno e o invasor a preferir estar ativo durante a noite. Os estudos sugerem que o declínio acentuado do búzio-d’Obô pode estar relacionado com a introdução do búzio-vermelho nas duas ilhas.²

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