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Entre outros assuntos, falo da escalada ao Pico Cão Grande e das minhas aventuras em canoas – Visam defender a teoria de que antigos povos africanos, podiam ter sido os primeiros povoadores das Ilhas do Golfo da Guiné, antes dos colonizadores – Parti à meia-noite, disfarçado de pescador, ligando a ilha do Príncipe. Para me orientar, uma rudimentar bússola – A canoa era minúscula, à segunda noite adormeci: rolei na escuridão das vagas. No regresso fui distinguido com sopapos da policia salazarista, enviado para os calabouços – Cinco anos depois, numa piroga maior, fiz a ligação São Tomé-Nigéria. Partindo igualmente à noite, 13 dias depois atingia uma praia de Calabar, tendo sido detido 17 dias por suspeita de espionagem. - No mesmo ano, já com São Tomé e Príncipe independente, tentei a travessia São Tomé ao Brasil, usando os mesmos recursos. Além de pretender reforçar a minha teoria, desejava evocar a rota da escravatura e repetir a experiência de Alain Bombard. Porém, quis a ironia do destino que vivesse a difícil provação de um naufrágio de 38 longos dias, tendo aportado numa praia de Bioko (Bococo)onde fui recambiado para a famosa prisão de Black Beach

sábado, 9 de novembro de 2019

Ciclista Rute Norte – Um exemplo singular de uma desportista portuguesa, que merece ser seguido ou, não o podendo ser, pelo menos como uma bela lição de que é possível pedalar numa simples bicicleta e, ao mesmo tempo, fotografar, convier e observar com redobrado prazer, familiaridade e fina sensibilidade, não olhando a riscos a esforços e a intempéries

Jorge Trabulo Marques - Jornalista e investigador

Não há memória de que alguém tenha ousado, em bicicleta,  fazer tantos percursos e com tão poder de observação, em S. Tomé e Príncipe – mas não só por estas paragens equatoriais, como por outras partes do mundo, sim, como a jovem portuguesa, Rute  Norte

Já aqui lhe dediquei ,gostosamente, algumas referências mas julgo que  não será demais   voltar a destacar as suas tão singulares e corajosas proezas - Postei este comentário no jornal Téla Nôn mas gostaria  também de o transmitir  neste meu site  

“Quero aqui expressar, no Jornal Téla Nón, os meus sinceros parabéns e o meu público reconhecimento à desportista portuguesa, Rute Norte, que, depois de ter andarilhado, pedalando sozinha, pelo Quénia, Austrália, Amazónia, Patagónia, Gronelândia, Timor, Vietname, Índia, Egipto, Tunísia, China, Nova Iorque, Seychelles ( sem dúvida uma ousada proeza, corajosa e arriscada aventura, mesmo a nível de excursões organizadas, quanto mais ao sabor solitário do imprevisto – e então para uma mulher! -, sim, já que, nos tempos que correm, os lugares seguros, seja em que parte for do mundo, vão sendo, cada vez mais, uma raridade de que áreas de promissão e de tranquilidade – pois, embora a singularidade das Ilhas de S. Tomé e Príncipe, ainda vá constituindo um caso excecional de convivência pacifica, num mundo em constantes conflitos e instabilidade, 

creio, pois, que, atraída, não apenas por este aliciante facto, pela certeza que ia encontrar gentes a falar a mesma língua, tida como amável e hospitaleira, como pelo surpreendente exotismo e prodigalidade das suas belezas, sim, não quis deixar de demandar também as Ilhas Verdes do Equador, tendo percorrido, numa simples bicicleta, sem qualquer outro apoio, que não fosse a confiança das suas capacidades e do generoso e humilde acolhimento, com que sempre deparou, nos 550 Km, que percorreu em 29 dias: 205 na ilha do Príncipe e 345 na ilha de São Tomé, através de trilhos e caminhos, os mais recônditos, indo ao encontro do S. Tomé e Príncipe, profundo, desconhecido dos roteiros turísticos, embora também percorresse estes, convivendo e confraternizando com a população, sobretudo com aquela que, praticamente, vive esquecida dos meios urbanos, trocando amáveis sorrisos, partilhando alimentos e até a hospedagem, registando os mais belos e genuínos registos fotográficos do seu modo de vida, simples, pacifico e generoso, em estreita intimidade com a natureza, da qual depende a sua sobrevivência, oferendo, por isso, através das suas espantosas crónicas, quer pelas suas palavra, quer pelos seus extraordinários testemunhos fotográficos, a expressão mais fidedigna, real e bela de uma terra generosa e fértil, se bem que também adversa para quem vive confinado ao que tem de extrair dos seus frutos, com esforço e sacrifício, o pão de cada da dia para fazer face à sua sobrevivência e da sua humilde família.

Na verdade, se bem que não faltem imagens de S. Tomé e Príncipe, sobre os mais variados aspetos, creio, no entanto, que o vasto e pormenorizado material fotográfico, recolhido por Rute Norte, que nos tem vindo a oferecer nas suas quão interessantes como inéditas crónicas, quer sob o ponto de vista humano e paisagístico, dos seus recursos naturais , da sua fauna e flora, pudendo a vir a ser publicado, em forma de álbum, poderá constituir, indubitavelmente, matéria para o mais aprofundado, aliciante e verídico testemunho destas maravilhosas e luxuriantes ilhas do meio mundo, que se erguem das profundezas do vasto Golfo da Guiné.
Jorge Trabulo Marques – Jornalista e investigador

 ALGUMAS DAS SUAS POSTAGENS QUE TEVE A AMABILIDADE DE ME ENVIAR - Não deixe de clikar e se maravilhar com as suas belíssimas imagens


51 - Na Praia dos Tamarindos


"Por esta altura vou acompanhada da Marluce. Eu digo-lhe que agora vou à praia dos Tamarindos dar um mergulho, e ela diz-me que vai comigo. Perguntei-lhe se alguém pode preparar-me um peixe frito com banana frita, ou fruta-pão assada, que eu pagarei a refeição. A Marluce leva-me então a sua casa, para perguntar à mãe. A mãe da Marluce, cujo nome é Madalena, diz à filha para ela arranjar peixe para mim, que fritá-lo-á para eu comer, juntamente com banana frita.



050 - Passeio de Barco para Avistar Golfinhos e Baleias

Connosco são 15 barcos, todos a falarem entre si. O som propaga-se espantosamente pelo mar, parece que estamos sentados numa sala a falar. Então queriam saber se eu estou sozinha, onde é que está o marido. E eu respondo-lhes que o marido está em Portugal, que ficou a trabalhar. Perguntam-me se não quero outro aqui. Gargalhada geral. Eu respondo que não posso. Outro pergunta-me se não quero levá-lo para Portugal. Riem-se todos, gozam, e com a Marluce também. Metem-se com ela também.





049 - 16º Dia, de Mota a Caminho de Morro Peixe & Passeio de Barco
Partimos às 6h40, sem demoras. Aí vamos nós os três. O Barco  até é pequenino. E eu ainda estou com um ar ensonado! O grande objetivo deste passeio é ver baleias. Será muito difícil, mas nunca se sabe.
E eis que avistamos ao longe o repuxo de uma. Eu e a Marluce soltámos um grito. O Hernani não viu, estava a olhar para outro lado. Um tremendo repuxo no mar, duma baleia a respirar à superfície, lá ao longe.





048 - Visita ao Museu Nacional & Almoço

Andava eu entretida a fotografar tudo, quando aparece o Mayer. Pelo que percebi trabalha ali em baixo na roulotte. Eu mostro-lhe como quero as fotos, e tiro-lhe uma primeiro. Aproveito para regular os parâmetros da câmera. E depois o Mayer vê, e tira-me outra igual. Agora é o Mayer que caminha comigo pelas ruas de São Tomé, desta vez para mostrar-me onde fica um restaurante bom e barato. Disse-me que não vou conseguir subir até Belém por causa da moleza depois de almoço. Até me fez rir. (Porque é verdade).



047 - Pelas Ruas da Cidade de São Tomé



Este é o Dimas, o jardineiro do museu. Efetivamente venho a segui-lo desde a última crónica. Na última foto ele já se vê ao longe. Vinha na minha direção e abordou-me. Até mete respeito, com uma enxada ao ombro. O que quererá ele? Pelo sim, pelo não, mantenho-me afastada da enxada :) Ora afinal o Dimas é de uma enorme gentileza e vai ajudar-me. Ajudar-me em quê?, podem perguntar. Em que é que eu preciso de ajuda? A minha prioridade aqui na cidade é encontrar uma farmácia que venda adesivos para pôr pensos nos pés, de forma a proteger as esfoladelas que fiz na praia do Bom Bom, no Príncipe.




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